Talmud Bavli · Seder Moed

Massechet Shabbat

מַסֶּכֶת שַׁבָּת

O Talmud Bavli, daf a daf — hebraico e português, com Rashi. Tradução fiel e literal.

Massechet Shabbat é o primeiro tratado de Seder Moed, a segunda das seis ordens do Talmud, dedicada às leis do repouso sabático. O tratado detalha as trinta e nove categorias principais de trabalho proibido (avot melachá) derivadas da construção do Tabernáculo, com ênfase especial nas leis de transporte de objetos entre domínios (privado, público e intermediário) — o tema com que o próprio tratado se abre. Como é costume no Talmud, a numeração das folhas começa em 2a, não em 1a, pois segue o padrão de um caderno (a folha 1, hoje perdida, seria a capa).

Perek Alef · Yetziot HaShabat · פֶּרֶק רִאשׁוֹן

O perek de abertura trata das leis de transporte entre domínios em Shabat — privado, público, carmelit e lugar isento —, intercaladas com sugyot sobre pureza, visitar doentes e precauções antes do anoitecer de sexta-feira, encerrando com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hillel sobre atividades iniciadas antes de Shabat cujo efeito continua no próprio dia.

Perek Bet · BaMeh Madlikin · פֶּרֶק בַּמֶּה מַדְלִיקִין

O perek abre com a Mishná dos pavios e óleos proibidos para a vela de Shabat, com a Guemará identificando cada termo técnico; segue-se a extensa sugya de Chanucá — onde e como colocar a vela, a mitzvá do homem e de sua casa, a história do milagre do óleo, a prioridade entre a vela do lar, a vela de Chanucá e o Kidush. O perek trata ainda dos motivos da pe'á, da nova Mishná sobre o óleo de queima proibido na vela de Yom Tov (com a fonte bíblica dessa proibição) e de uma série de dúvidas sobre menções especiais de Chanucá e Rosh Chodesh em Birkat Hamazon e Mussaf, encerrando-se com a conclusão da Mishná sobre a cauda e o rabo dos animais aptos para a vela.

Perek Guimel · Kirah · פֶּרֶק כִּירָה

Este perek regula o que se pode deixar ou devolver ao fogareiro (kirah) e ao forno em Shabat, a distinção entre mitztamek veyafeh lo (encolher e melhorar, proibido) e mitztamek verá lo (permitido), e os costumes práticos de diversos sábios a esse respeito. Trata também do episódio histórico dos habitantes de Tiberíades com suas águas termais, da Mishná do ovo posto para rolar ao lado do bule quente, e fecha com a extensa sugya sobre hatmaná — em que materiais é permitido isolar comida para mantê-la quente desde véspera de Shabat.

Perek Dalet · BaMeh Tomnin · פֶּרֶק בַּמֶּה טוֹמְנִין

Perek breve, dedicado a completar as leis de hatmaná: em quais materiais é permitido enterrar ou embrulhar uma panela para mantê-la quente antes do início de Shabat, e quais aumentam o calor e por isso são proibidos mesmo enquanto ainda é dia, por temor de que se mexam as brasas. Encerra-se com a permissão de Rebbi de isolar contra o frio e a proibição de socar neve ou granizo para esse fim.

Perek Heh · BaMeh Behemah · פֶּרֶק בַּמֶּה בְּהֵמָה

O perek trata das amarras e adornos com que os animais domésticos podem ou não sair em Shabat — cabresto, focinheira, coleira, manta, sino — e da suscetibilidade desses objetos à impureza ritual. Na segunda metade, a Guemará se abre numa longa digressão agádica em defesa de figuras bíblicas acusadas de pecado — Reuven, os filhos de Eli, os filhos de Shmuel e, com maior extensão, o rei David quanto a Bat-Sheva, Uriah e a difamação de Tziva contra Mefivoshet —, encerrando-se com as defesas de Shlomo e Yoshiyahu.

Perek Vav · BaMeh Isha Yotzah · פֶּרֶק בַּמֶּה אִשָּׁה יוֹצְאָה

Este perek examina detalhadamente com que adornos e objetos a mulher pode ou não sair ao domínio público em Shabat — fios no cabelo, a totefet, colares, anéis, a "cidade de ouro", chaves e perfumes — e, em seguida, o que o homem não deve trazer consigo — armas, sandálias pregadas, amuletos sem comprovação, tefilin. A segunda metade reúne uma extensa coleção de curas e práticas populares (nós medicinais, encantamentos, amuletos), com a Guemará traçando os limites entre medicina legítima e os proibidos "caminhos do emorreu".

Perek Zayin · Klal Gadol · פֶּרֶק כְּלָל גָּדוֹל

O perek abre com o "grande princípio" que determina a responsabilidade de quem transgride o Shabat por erro ou esquecimento — comparando-o ao ano sabático, ao dízimo e à pea — e explora em profundidade os graus de culpa (erro quanto ao próprio Shabat, quanto ao trabalho, quanto a ambos) e sua relação com a oferenda pelo pecado. A partir daí, a Guemará percorre uma a uma as trinta e nove categorias principais de trabalho proibido (avot melachot) derivadas da construção do Tabernáculo — da agricultura à preparação de alimentos, do trabalho com lã e couro à escrita, construção e fogo —, fechando com a Mishná sobre o que é apto para ser transportado em Shabat.

Perek Chet · HaMotzi Yayin · פֶּרֶק הַמּוֹצִיא יַיִן

O perek estabelece as medidas mínimas de transporte para cada substância — vinho, leite, mel, azeite, couro, pergaminho, tinta, cera, cal e outras —, com o princípio de Abaye de que a medida varia conforme o uso comum ou raro de cada item, e inclui a longa sugya sobre as pedras da privada e a proibição de limpar-se com um caco, encerrando com o hadran. O tratado prossegue no Perek Tet, Amar Rabi Akiva.

Perek Tet · Amar Rabi Akiva · פֶּרֶק אָמַר רַבִּי עֲקִיבָא

Perek Tet (Amar Rabi Akiva), completo, 82a–90b: impureza da idolatria (massá e even mesamá), pureza do barco e vasos de barro, os canteiros de kilaim, a longa sugya agádica sobre a cronologia e o drama da entrega da Torá no Sinai e os cinco nomes do deserto, as medidas de lenha, tempero, tintura, lavagem, pimenta, especiarias, metais e objetos sagrados, a caixa do mascate e as sementes de horta — encerrando-se em 90b com o hadran, após o gafanhoto e a tzipporet keramim.

Perek Yud · HaMatznia · פֶּרֶק הַמַּצְנִיעַ

Perek Yud (HaMatznia), completo, 90b–96a: quem guarda itens para semente ou amostra, a isenção de quem transporta um morto, a nova Mishná sobre corte de unhas e embelezamento, e a discussão sobre o vaso perfurado e a pureza de sementes — encerrando-se com o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Alef, HaZorek.

Perek Yud-Alef · HaZorek · פֶּרֶק הַזּוֹרֵק

Perek Yud-Alef (HaZorek), completo, 96a–102a: abre com a Mishná de quem lança de propriedade privada para pública, examina os limites da via pública e do domínio privado através das medidas do Tabernáculo, e prossegue com Mishnayot sobre lançar contra o muro, no mar e entre barcos — encerrando-se com a disputa sobre dois côvados lançados por engano e o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Bet, HaBoneh.

Perek Yud-Bet · HaBoneh · פֶּרֶק הַבּוֹנֶה

Perek Yud-Bet (HaBoneh), completo, 102b–105a: abre com a Mishná sobre a medida mínima de construção no Shabat, avança pelas medidas de lavrar e recolher lenha e pela Mishná sobre quem escreve duas letras, com a disputa sobre o que conta como escrita válida — incluindo a digressão agádica das crianças que interpretaram o alfabeto letra por letra —, e encerra com os materiais de escrita, a derivação bíblica do notarikon e o hadran.

Perek Yud-Gimel · HaOreg · פֶּרֶק הָאוֹרֵג

Perek Yud-Gimel (HaOreg), completo, 105a–107a: abre com a Mishná sobre a medida mínima de tecer, costurar e rasgar, avança para quem rasga em sua ira ou por seu morto e as medidas de branquear, tingir e fiar, e passa a uma sugya sobre caçar — o cervo levado a um cercado, o pássaro livre (tzipor dror), e os critérios que distinguem um cercado grande de um pequeno —, com a halachá fixada segundo Rabban Shimon ben Gamliel; encerra-se em 107a com o ensinamento de Rav sobre um pássaro preso na roupa e a generalização de Shmuel sobre os três casos de "isento e permitido" no Shabat (cervo, abscesso, cobra), seguidos do hadran.

Perek Yud-Dalet · Shemoneh Sheratzim · פֶּרֶק שְׁמֹנָה שְׁרָצִים

Perek Yud-Dalet (Shemoneh Sheratzim), completo, 107a–111b: abre com a Mishná sobre os oito répteis mencionados na Torá, passa por tefilín em pele de ave e de peixe e pela Mishná sobre águas salgadas e ervas curativas, e avança por uma longa série de remédios populares — contra vermes, mordida de serpente, icterícia e a zava —, com o debate sobre a esterilidade incidental causada por um desses remédios, seguido de nova Mishná sobre vinagre nos dentes e óleo de rosas nos rins, o princípio do "hoil" de Rava e a rolha de pano do barril — encerrando-se em 111b com o hadran.

Perek Tet-Vav · Ve'elu Kesharim · פֶּרֶק וְאֵלּוּ קְשָׁרִים

Perek Tet-Vav (Ve'elu Kesharim), completo, 111b–115a: abre com a Mishná dos nós pelos quais se é responsável — o nó do cameleiro e o do marinheiro —, passa pelos nós permitidos e pelas tiras de sapato e sandália, com as histórias de Rav Yehuda, Rabi Yirmeya e Abaie, e encerra com o retorno à lista de nós da Mishná e a divergência sobre aparar verduras quando Yom Kipur cai em Shabat, seguido pelo hadran.

Perek Tet-Zayin · Kol Kitvei HaKodesh · פֶּרֶק כׇּל כִּתְבֵי הַקֹּדֶשׁ

Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh), completo, 115a–122b: salvar escritos sagrados e depois mantimentos de um incêndio em Shabat, genizá, e o relato de Ima Shalom e o filósofo, encerrando-se com o hadran.

Perek Yud-Zayin · Kol HaKelim · פֶּרֶק כׇּל הַכֵּלִים

Perek Yud-Zayin (Kol HaKelim), completo, 122b–126b: utensílios e suas portas em Shabat, e o martelo de ferreiros, encerrando-se com o hadran.

Perek Yud-Chet · Mefanin · פֶּרֶק מְפַנִּין

Perek Yud-Chet (Mefanin), completo, 126b–129b: remover cestos por causa de hóspedes e do estudo, guiar animais e o parto no Shabat, e as leis e os costumes do sangramento — encerrando-se com o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Tet, Rabi Eliezer DeMilah.

Perek Yud-Tet · Rabi Eliezer DeMilah · פֶּרֶק רַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּמִילָה

Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah), completo, 130a–137b:10: as leis do brit milá quando seu oitavo dia coincide com Shabat, o bisturi trazido descoberto ou coberto, e a história de Elisha Baal Kenafayim; o beco não unificado e o transporte entre pátios e casas; os preparativos de mitzvá que afastam o Shabat, com a fonte de Rabi Eliezer, mitzvá por mitzvá, para tzitzit, mezuzá, lulav, sucá, matzá, shofar e milá; a base escriturística da milá afastar o Shabat, por guezerá shavá e pela via de Rabi Yochanan; o ensino de que a milá afasta também a própria tzaraat, com o debate sobre o que é mais rigoroso, Shabat ou tzaraat — revelado, em 133a, como eco de uma disputa tannaítica entre Rabi Yoshiá e Rabi Yonatan; a nova Mishná sobre as necessidades práticas da milá em Shabat; em 133b, os tzitzin (retalhos de pele) que o mohel corta enquanto ocupado, a punição de karet por milá incompleta, a sucção do sangue e a receita do curativo (isplanit); em 134a, o que se prepara para a milá em Yom Tov mas não em Shabat, a bolsa (cheluk) sobre a ferida, os cuidados de Abaye em nome de sua mãe com recém-nascidos, e os dois episódios de Rabi Natan sobre bebês em risco de vida ao circuncidar; em 134b, uma nova Mishná sobre lavar e borrifar o bebê em Shabat, a halachá como Rabi Elazar ben Azarya, água quente sobre uma ferida, e a retomada da Mishná sobre dúvida e andrógino; em 135a, a conclusão da derasha de "sua orla" (excluindo dúvida e andrógino), as opiniões de Rabi Yehuda e Rabi Shimon ben Elazar, o ben shiva e o ben shmona, o episódio de Rav Adda bar Ahavá com um filho nascido circuncidado, e a regra de Rabi Asi sobre impureza da mãe e a milá ao oitavo dia; em 135b, a conclusão dessa regra ("com a Torá, nova halachá"), o desafio do yotzei dofen, a disputa tannaítica entre yelid bayit e mikneh kesef circuncidados no primeiro ou no oitavo dia, com a resolução de Rava e as respostas de Rabi Yirmeya e Rav Mesharshiya, e a beraita de Raban Shimon ben Gamliel sobre os trinta dias que definem o nefel; em 136a, como circuncidar em caso de dúvida, a disputa tannaítica de Abaye sobre o animal nascido no oitavo mês, a dúvida se os sábios discordam de Raban Shimon ben Gamliel e se a halachá é como ele, a distinção entre "bocejou e morreu" e "caiu do telhado", e os episódios de luto de Rav Dimi bar Yosef e Rav Kahana; em 136b, a resposta de Ravina sobre a mãe viúva desposada antes de resolvida a dúvida do filho, a versão divergente de Rav Sherevya, e, retomando a Mishná, por que o androginus não é avaliado nos votos de arachin; em 137a, a conclusão de que o autor anônimo do Sifra é Rabi Yehuda, e três novas Mishnayot — o bebê circuncidado por engano no dia errado, os dias em que o menor é circuncidado, e as pontas de pele que invalidam a milá; e, em 137b, a conclusão dessa última Mishná (mal velo para), a medida da coroa segundo Rav, o menor corpulento segundo Shmuel e Raban Shimon ben Gamliel, e as bênçãos tradicionais da circuncisão — encerrando-se o perek com o hadran em 137b:10. O tratado prossegue no Perek Vinte, Tolin.

Perek Vinte · Tolin · פֶּרֶק תּוֹלִין

Perek Vinte (Tolin), a partir de 137b:11: a mishná da coadeira de vinho suspensa em dia festivo e no Shabat, segundo Rabi Eliezer e os sábios; a guemará compara a posição de Rabi Eliezer à mishná da tampa da janela, explica-a como seguindo Rabi Yehuda quanto aos preparativos de comida, e chega ao dilema de quem suspende a coadeira por engano, com o desafio de Abaye sobre o jarro pendido num prego; em 138a, Abaye responde ao próprio desafio (proibição apenas rabínica), reúne as estringências das baraitot sobre tendas temporárias, e a guemará debate a dúvida de quem filtrou a coadeira suspensa e o fundamento dessa proibição (borer ou merakêd), com mais baraitot sobre o manto, o dossel e a cama; em 138b, conclui-se o ensinamento de Shmuel sobre o dossel nupcial, seguem-se as qualificações de Rav Sheshet filho de Rav Idi e os três ensinamentos que Rami bar Yechezkel pede a Rav Huna — culminando na célebre baraita do vinhedo em Iavne sobre a Torá esquecida, encerrando-se no meio de um ensinamento de Rabi Shimon bar Yochai; e, em 139a, completa-se esse ensinamento (não encontrarão halachá clara nem mishná clara num só lugar), seguem-se a baraita de Rabi Yosei ben Elisha e uma série de derashot agádicas sobre os juízes corruptos de Israel, um breve excurso sobre Yosef e Aharon, e o episódio dos filhos de Bashkar, que perguntam a Levi sobre o dossel, o lúpulo na vinha e o morto em Yom Tov — encerrando-se no meio de um relato sobre um caso na sinagoga de Maon, ainda sem continuação.