Talmud Bavli · Seder Moed

Massechet Shabbat

מַסֶּכֶת שַׁבָּת

O Talmud Bavli, daf a daf — hebraico e português, com Rashi. Tradução fiel e literal.

Massechet Shabbat é o primeiro tratado de Seder Moed, a segunda das seis ordens do Talmud, dedicada às leis do repouso sabático. O tratado detalha as trinta e nove categorias principais de trabalho proibido (avot melachá) derivadas da construção do Tabernáculo, com ênfase especial nas leis de transporte de objetos entre domínios (privado, público e intermediário) — o tema com que o próprio tratado se abre. Como é costume no Talmud, a numeração das folhas começa em 2a, não em 1a, pois segue o padrão de um caderno (a folha 1, hoje perdida, seria a capa).

Fontes e atribuição. O texto original (aramaico e hebraico) do Talmud Bavli de Massechet Shabbat e o comentário de Rashi seguem a edição do Sefaria. A tradução para o português, feita a partir do original, tem como pivô a William Davidson Edition do Talmud, ed. Adin Steinsaltz (© Sefaria, licença CC BY-NC). A tradução portuguesa é redação original deste site, de uso não comercial.

Perek Alef · Yetziot HaShabat · פֶּרֶק רִאשׁוֹן

O perek de abertura trata das leis de transporte entre domínios em Shabat — privado, público, carmelit e lugar isento —, intercaladas com sugyot sobre pureza, visitar doentes e precauções antes do anoitecer de sexta-feira, encerrando com a disputa entre Bet Shamai e Bet Hillel sobre atividades iniciadas antes de Shabat cujo efeito continua no próprio dia.

Perek Bet · BaMeh Madlikin · פֶּרֶק בַּמֶּה מַדְלִיקִין

O perek abre com a Mishná dos pavios e óleos proibidos para a vela de Shabat, com a Guemará identificando cada termo técnico; segue-se a extensa sugya de Chanucá — onde e como colocar a vela, a mitzvá do homem e de sua casa, a história do milagre do óleo, a prioridade entre a vela do lar, a vela de Chanucá e o Kidush. O perek trata ainda dos motivos da pe'á, da nova Mishná sobre o óleo de queima proibido na vela de Yom Tov (com a fonte bíblica dessa proibição) e de uma série de dúvidas sobre menções especiais de Chanucá e Rosh Chodesh em Birkat Hamazon e Mussaf, encerrando-se com a conclusão da Mishná sobre a cauda e o rabo dos animais aptos para a vela.

Perek Guimel · Kirah · פֶּרֶק כִּירָה

Este perek regula o que se pode deixar ou devolver ao fogareiro (kirah) e ao forno em Shabat, a distinção entre mitztamek veyafeh lo (encolher e melhorar, proibido) e mitztamek verá lo (permitido), e os costumes práticos de diversos sábios a esse respeito. Trata também do episódio histórico dos habitantes de Tiberíades com suas águas termais, da Mishná do ovo posto para rolar ao lado do bule quente, e fecha com a extensa sugya sobre hatmaná — em que materiais é permitido isolar comida para mantê-la quente desde véspera de Shabat.

Perek Dalet · BaMeh Tomnin · פֶּרֶק בַּמֶּה טוֹמְנִין

Perek breve, dedicado a completar as leis de hatmaná: em quais materiais é permitido enterrar ou embrulhar uma panela para mantê-la quente antes do início de Shabat, e quais aumentam o calor e por isso são proibidos mesmo enquanto ainda é dia, por temor de que se mexam as brasas. Encerra-se com a permissão de Rebbi de isolar contra o frio e a proibição de socar neve ou granizo para esse fim.

Perek Heh · BaMeh Behemah · פֶּרֶק בַּמֶּה בְּהֵמָה

O perek trata das amarras e adornos com que os animais domésticos podem ou não sair em Shabat — cabresto, focinheira, coleira, manta, sino — e da suscetibilidade desses objetos à impureza ritual. Na segunda metade, a Guemará se abre numa longa digressão agádica em defesa de figuras bíblicas acusadas de pecado — Reuven, os filhos de Eli, os filhos de Shmuel e, com maior extensão, o rei David quanto a Bat-Sheva, Uriah e a difamação de Tziva contra Mefivoshet —, encerrando-se com as defesas de Shlomo e Yoshiyahu.

Perek Vav · BaMeh Isha Yotzah · פֶּרֶק בַּמֶּה אִשָּׁה יוֹצְאָה

Este perek examina detalhadamente com que adornos e objetos a mulher pode ou não sair ao domínio público em Shabat — fios no cabelo, a totefet, colares, anéis, a "cidade de ouro", chaves e perfumes — e, em seguida, o que o homem não deve trazer consigo — armas, sandálias pregadas, amuletos sem comprovação, tefilin. A segunda metade reúne uma extensa coleção de curas e práticas populares (nós medicinais, encantamentos, amuletos), com a Guemará traçando os limites entre medicina legítima e os proibidos "caminhos do emorreu".

Perek Zayin · Klal Gadol · פֶּרֶק כְּלָל גָּדוֹל

O perek abre com o "grande princípio" que determina a responsabilidade de quem transgride o Shabat por erro ou esquecimento — comparando-o ao ano sabático, ao dízimo e à pea — e explora em profundidade os graus de culpa (erro quanto ao próprio Shabat, quanto ao trabalho, quanto a ambos) e sua relação com a oferenda pelo pecado. A partir daí, a Guemará percorre uma a uma as trinta e nove categorias principais de trabalho proibido (avot melachot) derivadas da construção do Tabernáculo — da agricultura à preparação de alimentos, do trabalho com lã e couro à escrita, construção e fogo —, fechando com a Mishná sobre o que é apto para ser transportado em Shabat.

Perek Chet · HaMotzi Yayin · פֶּרֶק הַמּוֹצִיא יַיִן

O perek estabelece as medidas mínimas de transporte para cada substância — vinho, leite, mel, azeite, couro, pergaminho, tinta, cera, cal e outras —, com o princípio de Abaye de que a medida varia conforme o uso comum ou raro de cada item, e inclui a longa sugya sobre as pedras da privada e a proibição de limpar-se com um caco, encerrando com o hadran. O tratado prossegue no Perek Tet, Amar Rabi Akiva.

Perek Tet · Amar Rabi Akiva · פֶּרֶק אָמַר רַבִּי עֲקִיבָא

Perek Tet (Amar Rabi Akiva), completo, 82a–90b: impureza da idolatria (massá e even mesamá), pureza do barco e vasos de barro, os canteiros de kilaim, a longa sugya agádica sobre a cronologia e o drama da entrega da Torá no Sinai e os cinco nomes do deserto, as medidas de lenha, tempero, tintura, lavagem, pimenta, especiarias, metais e objetos sagrados, a caixa do mascate e as sementes de horta — encerrando-se em 90b com o hadran, após o gafanhoto e a tzipporet keramim.

Perek Yud · HaMatznia · פֶּרֶק הַמַּצְנִיעַ

Perek Yud (HaMatznia), completo, 90b–96a: quem guarda itens para semente ou amostra, a isenção de quem transporta um morto, a nova Mishná sobre corte de unhas e embelezamento, e a discussão sobre o vaso perfurado e a pureza de sementes — encerrando-se com o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Alef, HaZorek.

Perek Yud-Alef · HaZorek · פֶּרֶק הַזּוֹרֵק

Perek Yud-Alef (HaZorek), completo, 96a–102a: abre com a Mishná de quem lança de propriedade privada para pública, examina os limites da via pública e do domínio privado através das medidas do Tabernáculo, e prossegue com Mishnayot sobre lançar contra o muro, no mar e entre barcos — encerrando-se com a disputa sobre dois côvados lançados por engano e o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Bet, HaBoneh.

Perek Yud-Bet · HaBoneh · פֶּרֶק הַבּוֹנֶה

Perek Yud-Bet (HaBoneh), completo, 102b–105a: abre com a Mishná sobre a medida mínima de construção no Shabat, avança pelas medidas de lavrar e recolher lenha e pela Mishná sobre quem escreve duas letras, com a disputa sobre o que conta como escrita válida — incluindo a digressão agádica das crianças que interpretaram o alfabeto letra por letra —, e encerra com os materiais de escrita, a derivação bíblica do notarikon e o hadran.

Perek Yud-Gimel · HaOreg · פֶּרֶק הָאוֹרֵג

Perek Yud-Gimel (HaOreg), completo, 105a–107a: abre com a Mishná sobre a medida mínima de tecer, costurar e rasgar, avança para quem rasga em sua ira ou por seu morto e as medidas de branquear, tingir e fiar, e passa a uma sugya sobre caçar — o cervo levado a um cercado, o pássaro livre (tzipor dror), e os critérios que distinguem um cercado grande de um pequeno —, com a halachá fixada segundo Rabban Shimon ben Gamliel; encerra-se em 107a com o ensinamento de Rav sobre um pássaro preso na roupa e a generalização de Shmuel sobre os três casos de "isento e permitido" no Shabat (cervo, abscesso, cobra), seguidos do hadran.

Perek Yud-Dalet · Shemoneh Sheratzim · פֶּרֶק שְׁמֹנָה שְׁרָצִים

Perek Yud-Dalet (Shemoneh Sheratzim), completo, 107a–111b: abre com a Mishná sobre os oito répteis mencionados na Torá, passa por tefilín em pele de ave e de peixe e pela Mishná sobre águas salgadas e ervas curativas, e avança por uma longa série de remédios populares — contra vermes, mordida de serpente, icterícia e a zava —, com o debate sobre a esterilidade incidental causada por um desses remédios, seguido de nova Mishná sobre vinagre nos dentes e óleo de rosas nos rins, o princípio do "hoil" de Rava e a rolha de pano do barril — encerrando-se em 111b com o hadran.

Perek Tet-Vav · Ve'elu Kesharim · פֶּרֶק וְאֵלּוּ קְשָׁרִים

Perek Tet-Vav (Ve'elu Kesharim), completo, 111b–115a: abre com a Mishná dos nós pelos quais se é responsável — o nó do cameleiro e o do marinheiro —, passa pelos nós permitidos e pelas tiras de sapato e sandália, com as histórias de Rav Yehuda, Rabi Yirmeya e Abaie, e encerra com o retorno à lista de nós da Mishná e a divergência sobre aparar verduras quando Yom Kipur cai em Shabat, seguido pelo hadran.

Perek Tet-Zayin · Kol Kitvei HaKodesh · פֶּרֶק כׇּל כִּתְבֵי הַקֹּדֶשׁ

Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh), completo, 115a–122b: salvar escritos sagrados e depois mantimentos de um incêndio em Shabat, genizá, e o relato de Ima Shalom e o filósofo, encerrando-se com o hadran.

Perek Yud-Zayin · Kol HaKelim · פֶּרֶק כׇּל הַכֵּלִים

Perek Yud-Zayin (Kol HaKelim), completo, 122b–126b: utensílios e suas portas em Shabat, e o martelo de ferreiros, encerrando-se com o hadran.

Perek Yud-Chet · Mefanin · פֶּרֶק מְפַנִּין

Perek Yud-Chet (Mefanin), completo, 126b–129b: remover cestos por causa de hóspedes e do estudo, guiar animais e o parto no Shabat, e as leis e os costumes do sangramento — encerrando-se com o hadran. O tratado prossegue no Perek Yud-Tet, Rabi Eliezer DeMilah.

Perek Yud-Tet · Rabi Eliezer DeMilah · פֶּרֶק רַבִּי אֱלִיעֶזֶר דְּמִילָה

Perek Yud-Tet (Rabi Eliezer DeMilah), completo, 130a–137b:10: as leis do brit milá quando seu oitavo dia coincide com Shabat, o bisturi trazido descoberto ou coberto, e a história de Elisha Baal Kenafayim; o beco não unificado e o transporte entre pátios e casas; os preparativos de mitzvá que afastam o Shabat, com a fonte de Rabi Eliezer, mitzvá por mitzvá, para tzitzit, mezuzá, lulav, sucá, matzá, shofar e milá; a base escriturística da milá afastar o Shabat, por guezerá shavá e pela via de Rabi Yochanan; o ensino de que a milá afasta também a própria tzaraat, com o debate sobre o que é mais rigoroso, Shabat ou tzaraat — revelado, em 133a, como eco de uma disputa tannaítica entre Rabi Yoshiá e Rabi Yonatan; a nova Mishná sobre as necessidades práticas da milá em Shabat; em 133b, os tzitzin (retalhos de pele) que o mohel corta enquanto ocupado, a punição de karet por milá incompleta, a sucção do sangue e a receita do curativo (isplanit); em 134a, o que se prepara para a milá em Yom Tov mas não em Shabat, a bolsa (cheluk) sobre a ferida, os cuidados de Abaye em nome de sua mãe com recém-nascidos, e os dois episódios de Rabi Natan sobre bebês em risco de vida ao circuncidar; em 134b, uma nova Mishná sobre lavar e borrifar o bebê em Shabat, a halachá como Rabi Elazar ben Azarya, água quente sobre uma ferida, e a retomada da Mishná sobre dúvida e andrógino; em 135a, a conclusão da derasha de "sua orla" (excluindo dúvida e andrógino), as opiniões de Rabi Yehuda e Rabi Shimon ben Elazar, o ben shiva e o ben shmona, o episódio de Rav Adda bar Ahavá com um filho nascido circuncidado, e a regra de Rabi Asi sobre impureza da mãe e a milá ao oitavo dia; em 135b, a conclusão dessa regra ("com a Torá, nova halachá"), o desafio do yotzei dofen, a disputa tannaítica entre yelid bayit e mikneh kesef circuncidados no primeiro ou no oitavo dia, com a resolução de Rava e as respostas de Rabi Yirmeya e Rav Mesharshiya, e a beraita de Raban Shimon ben Gamliel sobre os trinta dias que definem o nefel; em 136a, como circuncidar em caso de dúvida, a disputa tannaítica de Abaye sobre o animal nascido no oitavo mês, a dúvida se os sábios discordam de Raban Shimon ben Gamliel e se a halachá é como ele, a distinção entre "bocejou e morreu" e "caiu do telhado", e os episódios de luto de Rav Dimi bar Yosef e Rav Kahana; em 136b, a resposta de Ravina sobre a mãe viúva desposada antes de resolvida a dúvida do filho, a versão divergente de Rav Sherevya, e, retomando a Mishná, por que o androginus não é avaliado nos votos de arachin; em 137a, a conclusão de que o autor anônimo do Sifra é Rabi Yehuda, e três novas Mishnayot — o bebê circuncidado por engano no dia errado, os dias em que o menor é circuncidado, e as pontas de pele que invalidam a milá; e, em 137b, a conclusão dessa última Mishná (mal velo para), a medida da coroa segundo Rav, o menor corpulento segundo Shmuel e Raban Shimon ben Gamliel, e as bênçãos tradicionais da circuncisão — encerrando-se o perek com o hadran em 137b:10. O tratado prossegue no Perek Vinte, Tolin.

Perek Vinte · Tolin · פֶּרֶק תּוֹלִין

Perek Vinte (Tolin), completo, 137b:11–141b:18: a mishná da coadeira de vinho suspensa; o dossel nupcial e a baraita do vinhedo em Iavne sobre a Torá esquecida; coar vinho e fazer anomlin; a mishná dos karshinin e da túnica de linho; a mishná do cocho do animal engordado e o rabanete de Rav Nachman; e a longa cadeia final de máximas práticas de Rav Yehuda e Rava sobre limpeza e sapatos no Shabat — encerrando-se com o hadran em 141b:18. O tratado prossegue no Perek Vinte e Um, Notel Adam et Beno.

Perek Vinte e Um · Notel Adam et Beno · פֶּרֶק נוֹטֵל אָדָם אֶת בְּנוֹ

Perek Vinte e Um (Notel Adam et Beno), completo, 141b:19–143a:15: a mishná sobre tomar o filho com uma pedra na mão e mover teruma impura junto com a pura; e, em 142a, o cesto com a pedra dentro e a permissão de Rabi Yehuda de elevar o medumá. Em 142b, a mishná da pedra na boca do barril e das moedas na almofada, e os relatos de Abaie e Rava sobre "pessoa importante". Em 143a, as vísceras do ganso, a mishná de limpar a mesa depois da refeição e os caroços de tâmara — encerrando-se com o hadran em 143a:15. O tratado prossegue no Perek Vinte e Dois, Chavit.

Perek Vinte e Dois · Chavit · פֶּרֶק חָבִית

Perek Vinte e Dois (Chavit), completo, 143b:1–148a:4: abre com a mishná do barril de vinho que se quebra, das frutas espremidas e dos favos de mel; em 143b, a guemará já discute o alcance da posição de Rabi Yehuda quanto a azeitonas, uvas, amoras e romãs, chegando à objeção sobre a impureza do leite e ao kal vachomer de Rabi Akiva; em 144a, conclui-se o debate sobre o leite e o sangue, com os cestos de azeitonas e uvas, e a guemará começa a buscar a fonte de que os Sábios concordam com Rabi Yehuda quanto às demais frutas; em 144b, conclui-se a baraita das ameixas, marmelos e sorvas (mas não romãs), discutem-se a decisão de Rav Nachman segundo os da casa de Menashya bar Menachem, os espinhos na vinha, o suco de beterraba e o mochal das azeitonas no mikvê, e o princípio de Shmuel de que líquido que vem para alimento é alimento, terminando no meio da objeção de Ravina; em 145a, Ravina conclui sua objeção a partir do impuro por contato com morto que espremeu azeitonas e uvas, discutem-se o pão alisado com uvas, as azeitonas fendidas e o líquido destinado à perda ou a dar brilho, o peixe espremido por sua salmoura e a tradição de Rav Dimi, as opiniões de Rav, Shmuel e Rabi Yochanan sobre conservas e legumes cozidos, e o ensinamento de que, pela Torá, só se é culpado por pisar azeitonas e uvas; em 145b, conclui-se o ensinamento da escola de Menashe sobre a testemunha que depõe pelo que ouviu de outra, válida também para o primogênito, Rav Hoshaya traz a baraita das azeitonas e uvas esmagadas na véspera, abre-se a mishná sobre deixar de molho e enxaguar em água quente, com a galinha de Rabi Abba, o kutach dos babilônios e o enxágue do kolias, e Rabi Yochanan responde às perguntas sobre as aves, as festas e os sábios da Babilônia; em 146a, Rabi Yochanan conclui que a contaminação da serpente cessou para Israel no monte Sinai, com o caso dos convertidos e a opinião de Rabi Abba bar Kahana, abre-se a mishná sobre quebrar o barril para comer figos secos e perfurar a rolha, e discutem-se os figos prensados segundo Rabi Nechemya, os cestos de figos e tâmaras, o barril perfurado com uma lança, a divergência de Rav Huna e Rav Chisda e o furo novo, o furo velho e o galinheiro; em 146b, conclui-se a explicação do galinheiro e a halachá segue os que proíbem alargar o furo, discutem-se o furo velho tapado para guardar ou para reforçar, o canudo no furo do barril com Rabi Yoshiya, o azeite, a folha de murta e os panos de feltro, abre-se a mishná do cozido no poço, da água ao sol e das roupas caídas na água, e a guemará trata da aparência aos olhos; em 147a, Rav Huna proíbe sacudir o manto novo e preto com que se importa, discutem-se o manto dobrado sobre o ombro, as moedas atadas, os lenços dos ratanin e o fio de Horkenos, a calha das roupas com a regra de Rav Pappa e o manto de Rabi, abre-se a mishná do banho em águas de caverna e de Tiberíades, das toalhas, da unção e das curas, e a guemará começa a explicá-la; em 147b, a guemará atribui a mishná a Rabi Shimon, que permite enxaguar todo o corpo, discutem-se as dez toalhas, a toalha levada para casa segundo Rabi Shimon, Rabi, Shmuel e Rabi Yochanan e a mishná de ben Chachinai, os lençóis de banho, o sichnita e as roupas dos soldados, a unção, as águas de Deyomset e as dez tribos, o esquecimento de Rabi Elazar ben Arach e o dito de Rabi Nehorai, o raspador, o Kordima, os vomitórios e o enfaixar do pequeno; e, em 148a, a halachá de Shmuel de que se recoloca a fratura, com Rabba bar bar Chana arrastado à preleção de Rav Yehuda, e a mão deslocada de Rav Avya diante de Rav Yosef — encerrando-se com o hadran em 148a:4. O tratado prossegue no Perek Vinte e Três, Sho'el.

Perek Vinte e Três · Sho'el · פֶּרֶק שׁוֹאֵל

Perek Vinte e Três (Sho'el), completo, 148a:5–153a:10: abre com a mishná sobre pedir emprestado ao companheiro jarros de vinho e de azeite, e pães, sem dizer “faz-me um empréstimo”, deixando o manto como garantia, e sobre o cordeiro de Pessach em Jerusalém quando a véspera cai no Shabat; em 148a, Abaie explica a Rava bar Rav Chanan por que “faz-me um empréstimo” leva a escrever e por que no Shabat a distinção é reconhecível, e por que as mulheres que enchem os cântaros em Yom Tov não mudam o seu modo; em 148b, conclui-se que o pano e a tampa trariam outros riscos, Abaie enuncia o princípio “deixa Israel, é melhor que sejam inadvertidos”, também para as proibições da Torá, concilia-se a mishná dos pães com Hillel, Rav Yosef e Rabba discutem se o empréstimo de Yom Tov pode ser cobrado, com a vaca repartida em Rosh Hashaná e o “eu cancelo” do sétimo ano, Rabi Yochanan permite consagrar o Pessach no Shabat e a oferta festiva em Yom Tov, distinguindo-se as obrigações com tempo fixo, e abre-se a mishná sobre contar os convidados de boca e tirar a sorte à mesa; em 149a, a guemará discute se a proibição de ler a lista dos convidados é por receio de apagar ou de ler documentos comuns, com a escrita na parede, na tábua e no pinkas, conclui que a lamparina de Rabba é objeto de disputa entre tanaítas, como o espelho no Shabat, proíbe ler o escrito sob os retratos e contemplar o retrato idolátrico, “não vos volteis para os ídolos”, e começa a explicar o sorteio com os filhos pela regra de Rav Yehuda em nome de Shmuel sobre os companheiros exigentes; em 149b, conclui-se que eles transgridem também a usura segundo Beit Hillel, permite-se o sorteio com os filhos para lhes fazer provar o gosto da usura, mesmo a porção grande contra a pequena, proibida a outros como jogo de dados, Rabi Yaakov, filho da filha de Yaakov, explica as porções do dia comum em Yom Tov e ensina que quem faz o companheiro ser punido não entra no recinto do Santo, e o “cholesh al goyim” de Yeshayahu introduz os ensinamentos sobre Nevuchadnetzar; em 150a, conclui-se a “madhevá”, a nação que dizia “mede e traz”, com o leão e a serpente de Nevuchadnetzar, abre-se a mishná sobre não contratar trabalhadores no Shabat e esperar o anoitecer junto ao limite, com a regra de Abba Shaul, Rav Ashi permite dizer “parece que estarás comigo ao anoitecer?”, conforme Rabi Yehoshua ben Korcha, porque falar é proibido e pensar é permitido, discutem-se a casa de banhos, a “ervat davar” e o gentio nu, e prova-se que os negócios do Céu são permitidos; em 150b, concluem-se as contas de “malach” e de “ma bechach”, conciliando-se as baraitot sobre as contas que já passaram pelo salário do contratado, conta-se do piedoso que não cercou a brecha do seu campo e da alcaparreira, Rav Yehuda em nome de Shmuel permite dizer “à cidade tal eu vou amanhã” por causa dos postos de guarda, discutem-se os frutos presos, a palha apodrecida e os assuntos da noiva e do morto, a havdalá entre os lagares e “que distingue entre o sagrado e o profano”, e começa-se a perguntar a que se refere a regra de Abba Shaul; em 151a, conclui-se que a regra de Abba Shaul se refere à cláusula final, com a guarda recíproca dos frutos ensinada por Rav Yehuda em nome de Shmuel e o animal chamado de fora do limite, acrescentam-se os assuntos da noiva e do morto, abre-se a mishná das flautas trazidas pelo gentio no Shabat e do caixão e da sepultura, Rav e Shmuel discutem “de um lugar próximo”, com a casa de banhos na cidade mista e as dez chaleiras, Ulla e Rabi Abbahu explicam a estrada pública e o caixão posto sobre a sepultura, e começa a mishná sobre as necessidades do morto no Shabat; e, em 151b, conclui-se essa mishná, com o queixo atado e a viga escorada, o morto que não se confunde com o chão e a leitura de Kohelet sobre o corpo, abre-se a mishná que proíbe fechar os olhos do morto no Shabat e de quem está morrendo, com a lâmpada que se vai apagando, o bebê de um dia e David, o bebê e Og, “faz enquanto encontras”, os dias do Mashiach segundo Shmuel, a roda que gira no mundo, e as lágrimas e o colírio depois dos quarenta anos; e, em 152a, conclui-se a lista das seis lágrimas, lê-se Kohelet 12 como alegoria do corpo que envelhece, com os enigmas de Rabi Yehoshua ben Chananya diante do imperador, a coroa de rosas e a de urtigas, o calvo e o eunuco, as pedras que se tornaram altas para Rabi Shimon ben Chalafta, Barzilai, o guiladita, e os sábios e ignorantes que envelhecem, o suspiro de Rav, a casa eterna de cada justo, o verme e a alma que se enluta durante sete dias, e começa o caso do morto sem consoladores na vizinhança de Rav Yehuda; e, em 152b, conclui-se esse caso, com os dez que se sentaram no lugar do falecido e o sonho de Rav Yehuda, Rabi Abbahu ensina que o morto sabe o que se diz diante dele até que se feche o golel, com a divergência de Rabi Chiya e Rabi Shimon, filho de Rabi, a parábola das vestes reais ilustra “e o espírito volte a Deus que o deu”, as almas dos justos são guardadas sob o Trono da Glória e as dos ímpios lançadas como de uma funda, as dos intermediários são entregues a Duma, Rav Achai bar Yoshiya, intacto na sua sepultura, ensina que só a inveja apodrece os ossos, e começa a resposta de Rabi Abbahu ao herege sobre a necromante que fez subir Shmuel; e, em 153a, conclui-se que depois de doze meses a alma sobe e não volta a descer, Rav ensina que pelo elogio fúnebre se reconhece quem é do Mundo Vindouro, com Rabba odiado em Pumbedita, os ditos da Galileia e da Judeia sobre o esquife, “arrepende-te um dia antes da tua morte” de Rabi Eliezer, a parábola do banquete do rei de Rabi Yochanan ben Zakai e a versão do genro de Rabi Meir, e as vestes brancas e o óleo como tzitzit e tefilin — encerrando-se com o hadran em 153a:10. O tratado prossegue no Perek Vinte e Quatro, Mi Shehechshich.

Perek Vinte e Quatro · Mi Shehechshich · פֶּרֶק מִי שֶׁהֶחֱשִׁיךְ

Perek Vinte e Quatro (Mi Shehechshich), completo, 153a:11–157b:3: abre com a mishná sobre quem é surpreendido pelo anoitecer da véspera do Shabat no caminho e entrega a sua bolsa a um gentio ou, não havendo gentio, coloca-a sobre o jumento, descarregando os utensílios ao chegar ao pátio exterior; em 153a, a guemará explica que os Sábios o permitiram porque ninguém se contém diante da perda do seu dinheiro, Rava restringe a permissão à bolsa e não ao objeto achado, com a dúvida sobre o achado que chegou à sua mão, prefere-se o gentio ao jumento e o jumento ao surdo-mudo, ao demente e ao menor, e começa a pergunta sobre o surdo-mudo e o menor segundo Rabi Eliezer; e, em 153b, conclui-se que, segundo Rabi Eliezer, a teruma do surdo-mudo é duvidosa e a bolsa vai ao menor, enquanto segundo os Sábios a dúvida permanece, Rabi Yitzchak revela a solução oculta de levar a bolsa em trechos de menos de quatro côvados, por “a glória de Deus é ocultar uma coisa”, Rabi Eliezer e Rabi Yehoshua divergem sobre a seá cheia e a seá rasada dos dezoito decretos, com o cesto de pepinos e a tina de mel, Rav Adda bar Ahava põe a bolsa sobre o jumento enquanto ele anda, Rav Pappa permite por meio do jumento o que é proibido por meio do companheiro, quem tem o fardo no ombro corre debaixo dele até a sua casa, e Rava refuta Rami bar Chama sobre quem conduz o seu animal carregado no Shabat; e, em 154a, na versão de Rav Zevid, Rami bar Chama isenta de chatat mas mantém o apedrejamento, a guemará responde à objeção de Rava a partir da mishná dos apedrejados, discute-se se Rava era irmão ou pai de Rav Mari bar Rachel, e Rabi Yochanan ensina que quem conduz o animal carregado está isento de tudo, nem chatat, nem apedrejamento, nem açoites; e, em 154b, conclui-se que nem mesmo quem admite açoites os aplica, porque o versículo diz “tu”, Rav Huna põe almofadas sob os utensílios de vidro, com os chifres do sangrador e as cargas pequenas, o tevel e as placas de vidro caem embora se quebrem, Rabi Shimon ben Yochai empurra o fardo com a cabeça, o jumento de Rabban Gamliel morre carregado de mel estragado, porque o sofrimento dos animais é rabínico, Rabba faz o filho deslizar pelos lados do jumento, discute-se a sucá com uma parede na árvore, e Abaie e Rava explicam a divergência dos lados e dos lados dos lados, até o início da objeção de Rav Mesharshiya; e, em 155a, conclui-se essa objeção pelo eruv no cesto pendurado numa estaca da árvore, Rav Pappa responde com o cesto apertado que sacode a árvore, fixa-se a halachá de que os lados são proibidos e os lados dos lados permitidos, com a escada de Rav Ashi encostada na palmeira, abre-se a mishná sobre desatar os feixes diante do animal, os kifin, os zirin, a forragem e as alfarrobas, e Rav Huna e Rav Yehuda divergem sobre esforçar-se com o alimento e torná-lo alimento, com as objeções da forragem macia e do animal “miúdo” de Rabi Yehuda, até o início de uma nova prova; e, em 155b, a prova das abóboras e da carniça é respondida com coisas duras, como carne de elefante, e a palha e a alfafa de Rav Chanan de Neharde’a com palha podre e jumentinhos, abre-se a mishná sobre não empanturrar o camelo, a hamra’a e a halata dos bezerros, as galinhas, a água no farelo e a água negada às abelhas e aos pombos do pombal, Rav Yehuda e Rav Chisda definem a hamra’a, Rav Yosef objeta pelas galinhas e pelos pombos, e Rav Yehuda responde que o sustento dos pombos, como o do porco, não cabe ao dono, ao contrário do cão, Rabi Yona expõe “o justo conhece a causa dos pobres” sobre o cão, cuja comida fica três dias no ventre, com a carne lançada ao cão de Rav Hamnuna e Rav Mari, uma baraita confirma Rav Yehuda, Abaie atribui a mishná do farelo a Rabi Yosei bar Yehuda, até o início da resposta de Rav Chisda sobre o kali; e, em 156a, Rav Chisda atribui a permissão de amassar o kali a Rabi Yosei, filho de Rabi Yehuda, desde que com alteração, pouco a pouco, mexe-se a shatit rala e bebe-se o zitom egípcio, Rav Yosef inverte a ordem do vinagre e Levi repreende o amassador do boi, os cadernos de Ze’eiri e de Levi registram a proibição de Rabi Chiya e o protesto de Rabi contra a shetita, o caderno de Rabi Yehoshua ben Levi liga o caráter de quem nasce ao dia da semana, Rabi Chanina responde que determina o mazal da hora e percorre os sete astros, de Chamá a Maadim, e Rabi Yochanan e Rav ensinam que não há mazal para Israel, a partir de Yirmeyahu e de Avraham levado “para fora”, até a pergunta de Deus a Avraham; e, em 156b, Deus promete mover Tzedek do ocidente para o oriente, Shmuel e Avlet, a filha de Rabi Akiva e a mãe de Rav Nachman bar Yitzchak mostram que não há mazal para Israel, com “e a caridade salva da morte”, da própria morte, abre-se a mishná sobre cortar as abóboras diante do animal e a carniça diante dos cães, com a proibição de Rabi Yehuda, e Ulla, Rav e Levi decidem conforme Rabi Yehuda e Shmuel, Ze’eiri e Rabi Yochanan conforme Rabi Shimon, até o início da objeção a Rabi Yochanan a partir da mishná anônima; e, em 157a, a objeção é respondida: as vigas seguem Rabi Yosei bar Yehuda, a lenha do depósito é muktzeh por perda de dinheiro, e Rabi Yochanan encontra outra mishná anônima, a dos ossos e das cascas, em que Beit Hillel seguem Rabi Shimon, Rav Acha e Ravina discutem as exceções da lamparina velha e da lamparina acesa naquele Shabat, abre-se a última mishná do tratado, sobre anular e dissolver votos, tapar a janela e medir no Shabat, com o fato do pai de Rabi Tzadok e de Abba Shaul ben Botnit, e a guemará pergunta se a anulação é permitida sem necessidade, com o ensino de Rav Zutei e a divergência dos Tanaim sobre o prazo, todo o dia ou de tempo a tempo, e se pede a dissolução também quem teve tempo, até o início da explicação de Rav sobre a viela entre duas casas; e, em 157b, Rav conclui o fato da viela com a cobertura rachada, a janela tapada com o jarro e o vaso de barro amarrado ao junco, a mishná conclui que se tapa, se mede e se amarra no Shabat, e Ulla encontra Rabba bar Rav Huna medindo a tina de água, que apenas se ocupava sem intenção — encerrando-se com o hadran em 157b:3, que conclui toda a Massechet Shabat.

Massechet Shabat está completa no Talmud Bavli.

Os vinte e quatro perakim, do daf 2a ao daf 157b, foram traduzidos integralmente do hebraico e do aramaico originais para o português, com hebraico, tradução literal e Rashi em cada daf.