Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Alef (HaZorek)
מַיִם עַל גַּבֵּי מַיִם

A frase interrompida em 99b se completa — noz não é água; o dilema entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos sobre óleo e vinho; Abaye sobre o poço dividido por esteira e sobre água versus frutas; duas novas Mishnayot — lançar contra o muro, e a intenção nos quatro côvados; o buraco na parede, o monte inclinado, e Rava interrompido no diálogo com Ravina sobre o pouso dentro de três palmos

Shabbat 100a completa a frase interrompida ao final de 99b sobre a noz e a água, e acrescenta o dilema de Rava sobre a noz dentro de um recipiente flutuante; traz a disputa de Rabi Yochanan ben Nuri e dos Rabinos sobre óleo e vinho; dois casos de Abaye sobre o poço; uma nova Mishná sobre lançar contra o muro, com a explicação do bolo de figos já adiantada em 99b; o buraco na parede e o monte inclinado; outra nova Mishná sobre a intenção nos quatro côvados; e fecha, em pleno desenvolvimento, com Rava e o diálogo entre Mareimar e Ravina — a continuar em 100b.

100a completa a Mishná sobre lançar contra o muro citada como tentativa de resolução em 99b, e recebe a explicação de Rabi Yochanan sobre o bolo de figos gorduroso; a folha abre, porém, completando a frase interrompida ao final de 99b: água sobre água é seu próprio pouso, mas uma noz sobre água não — e Rava propõe um novo dilema, uma noz dentro de um recipiente que flutua, sem solução (teiku). Segue-se a disputa entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos sobre óleo flutuando sobre vinho, citada de uma Mishná sobre pureza ritual. Abaye traz dois casos sobre o poço na via pública: dividido ao meio por uma esteira, que anula a partição — confirmando a fortiori o dilema de Rabi Yochanan sobre o torrão —, e cheio de água (que não anula a partição) versus cheio de frutas (que anula), confirmado por uma baraita sobre o mar e a estrada, e pela opinião de Rabi Shimon sobre uma cova especial dentro do mar. Uma nova Mishná trata de lançar quatro côvados contra um muro, acima ou abaixo de dez palmos, com a explicação já adiantada em 99b sobre o bolo de figos. Rav Yehuda, em nome de Rav e de Rabi Chiya, traz o caso do objeto que pousa num pequeno buraco na parede, dependente da disputa entre Rabi Meir e os Rabinos sobre "esculpir para completar"; e o caso do monte inclinado que atinge dez palmos ao longo de quatro côvados, confirmado por uma baraita sobre o beco em declive e por Rabi Chanina ben Gamliel. Uma segunda nova Mishná trata da intenção e do resultado ao lançar um objeto dentro ou fora de quatro côvados, com a explicação de Rabi Yochanan sobre o pouso mínimo e a baraita paralela sobre o vento. A folha fecha com Rava precisando que, mesmo dentro de três palmos (lavud), os Rabinos exigem pouso genuíno sobre algo — e é interrompida em pleno desenvolvimento, no meio do diálogo entre Mareimar e Ravina, a continuar em 100b.

Rava conclui: a noz sobre a água — e um novo dilema, a noz dentro de um recipiente flutuante · אֱגוֹז בִּכְלִי צָף עַל גַּבֵּי מַיִם

308A frase interrompida se completa: não é seu pouso; Rava então pergunta sobre a noz dentro de um recipiente que flutua — teiku
A Guemará; Rava
לָאו הַיְינוּ הַנָּחָתָן. בָּעֵי רָבָא: אֱגוֹז בִּכְלִי וּכְלִי צָף עַל גַּבֵּי מַיִם — מַהוּ? מִי אָמְרִינַן בָּתַר אֱגוֹז אָזְלִינַן, וְהָא נָיַיח, אוֹ דִילְמָא בָּתַר כְּלִי אָזְלִינַן, וְהָא לָא נָיַיח. תֵּיקוּ.

— não é considerado o seu pouso. Mas Rava perguntou: uma noz dentro de um recipiente, e o recipiente flutua sobre a água — qual é a lei? Diríamos: vamos atrás do status da noz, e ela já está em repouso dentro do recipiente? Ou talvez: vamos atrás do status do recipiente, e ele não está em repouso , pois flutua? Que fique sem solução (teiku).

Nota

100a abre completando exatamente a frase interrompida ao final de 99b: Rava havia começado a tratar do caso de uma noz lançada sobre a superfície da água, e a folha agora conclui — ao contrário da água sobre água, que se mistura e constitui seu próprio pouso automaticamente, a noz permanece um objeto distinto, flutuando sobre a água sem nela repousar; portanto, lançá-la sobre a água não é considerado seu pouso, e não há responsabilidade por essa transferência. Rava então propõe um dilema mais complexo: uma noz colocada dentro de um pequeno recipiente, e esse recipiente, por sua vez, flutua sobre a água. Se alguém lançar o recipiente com a noz dentro dele de um domínio a outro, há responsabilidade? Os dois lados do dilema: talvez se considere o status da noz — que já está em repouso, pois está parada dentro do recipiente, independentemente de o recipiente boiar; ou talvez se considere o status do recipiente — que não está em repouso, pois continua flutuando e se deslocando sobre a água, e a noz, dentro dele, compartilha desse mesmo estado de não repouso. A questão permanece sem solução, e a Guemará encerra novamente com teiku.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lav hainu hanachatan"
לאו היינו הנחתן - ואם נטלו משם לאו עקירה היא:

"'Não é o seu pouso'" — e, se alguém a retirar dali, tampouco é considerado uma elevação com transgressão.

O dilema entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos: óleo sobre vinho · שֶׁמֶן עַל גַּבֵּי יַיִן

309Óleo sobre vinho é objeto da disputa entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos, segundo a Mishná sobre o tevul yom que tocou no óleo
A Guemará; a Mishná (Tevul Yom)
שֶׁמֶן עַל גַּבֵּי יַיִן, מַחֲלוֹקֶת רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי וְרַבָּנַן. דִּתְנַן: שֶׁמֶן שֶׁצָּף עַל גַּבֵּי יַיִן, וְנָגַע טְבוּל יוֹם בַּשֶּׁמֶן — לֹא פָּסַל אֶלָּא שֶׁמֶן. רַבִּי יוֹחָנָן בֶּן נוּרִי אוֹמֵר: שְׁנֵיהֶם חִיבּוּר זֶה לָזֶה.

Mas quanto a óleo sobre vinho, isso é objeto de disputa entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos. Pois aprendemos numa Mishná: óleo que flutua sobre vinho, e um que se imergiu naquele dia (tevul yom) tocou no óleo — não invalidou senão o óleo. Rabi Yochanan ben Nuri diz: os dois , o óleo e o vinho, se combinam um com o outro.

Nota

A Guemará retorna ao tema de líquido sobre líquido, agora com um caso intermediário entre a água sobre água (que se mistura e constitui pouso automático) e a noz sobre a água (que permanece distinta e não constitui pouso): óleo flutuando sobre vinho. Diferentemente da água, o óleo não se mistura ao vinho — permanece como camada distinta sobre a superfície —, o que abre espaço para uma disputa tanaítica citada da Mishná sobre pureza ritual: se um tevul yom (alguém que se imergiu num banho ritual durante o dia, mas que só se tornará plenamente puro ao pôr do sol) toca o óleo que flutua sobre o vinho, apenas o óleo é invalidado, não o vinho — o que sugere que óleo e vinho não formam uma unidade, tratando-se de dois corpos distintos, um sobre o outro. Rabi Yochanan ben Nuri discorda: os dois se combinam, formando uma unidade — de modo que, invalidando um, invalida-se também o outro. Aplicado a Shabat, essa disputa determina se lançar óleo sobre vinho é como lançar uma noz sobre água (segundo os Rabinos, que não são considerados combinados, e portanto não há pouso automático) ou como lançar água sobre água (segundo Rabi Yochanan ben Nuri, que são considerados combinados, e portanto há pouso automático).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shemen al gabei yayin", "detnan shemen", "shetzaf al gabei yayin" e "sheneihem chibur"
שמן על גבי יין - לענין שבת מחלוקת ר' יוחנן בן נורי ורבנן: דתנן שמן - של תרומה: שצף על גבי יין - של תרומה משום הכי נקט טבול יום משום דפוסל ואינו מטמא הלכך לא פסל אלא שמן בלבד דלאו חיבור הוא למיהוי כחד ואילו הוה טמא הוה מטמא ליה לשמן ושמן פסל ליה ליין: שניהם חיבור - דהוי כחד ונפסל אף היין ולענין שבת נמי לרבנן הוה ליה כאגוז על גבי מים ולרבי יוחנן הוה ליה כמים על גבי מים:

"'Óleo sobre vinho'" — quanto a Shabat, também isso é objeto de disputa entre Rabi Yochanan ben Nuri e os Rabinos. "'Pois aprendemos: óleo'" — de teruma (oferenda sacerdotal). "'Que flutua sobre vinho'" — também de teruma; por isso a Mishná menciona um tevul yom, porque ele invalida o alimento de teruma mas não o torna impuro por completo; por isso não invalidou senão o óleo sozinho, pois o óleo e o vinho não são combinados a ponto de se tornarem um só; e, se o vinho fosse impuro por completo, teria tornado o óleo impuro também, e o óleo teria invalidado o vinho. "'Os dois se combinam'" — pois se tornam um só, e também o vinho é invalidado; e quanto a Shabat também, segundo os Rabinos isso é como uma noz sobre água, e segundo Rabi Yochanan ben Nuri isso é como água sobre água.

Abaye: o poço na via pública, dividido por uma esteira ou aprofundado por um torrão · בּוֹר בִּרְשׁוּת הָרַבִּים וּמַחְצֶלֶת

310Abaye: um poço de dez por oito, se dividido ao meio por uma esteira, isenta — o que confirma, a fortiori, o dilema de Rabi Yochanan sobre o torrão
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: בּוֹר בִּרְשׁוּת הָרַבִּים עֲמוּקָּה עֲשָׂרָה וּרְחָבָה שְׁמֹנָה, וְזָרַק לְתוֹכָהּ מַחְצֶלֶת — חַיָּיב. חִילְּקָהּ בְּמַחְצֶלֶת — פָּטוּר. לְאַבָּיֵי דִּפְשִׁיטָא לֵיהּ דְּמַחְצֶלֶת מְבַטְּלָא מְחִיצְתָּא — כׇּל שֶׁכֵּן חוּלְיָא דִּמְבַטְּלָא מְחִיצְתָּא. לְרַבִּי יוֹחָנָן דְּמִיבַּעְיָא לֵיהּ חוּלְיָא, מַחְצֶלֶת פְּשִׁיטָא דְּלָא מְבַטְּלָא מְחִיצְתָּא.

Disse Abaye: um poço no domínio público, profundo de dez palmos e largo de oito, e alguém lançou nele uma esteira — é responsável. Se a dividiu com a esteira — é isento. Segundo Abaye, para quem é óbvio que a esteira anula a partição, tanto mais é óbvio quanto ao torrão, que anula a partição. Já segundo Rabi Yochanan, para quem há dúvida quanto ao torrão, quanto à esteira é óbvio que não anula a partição.

Nota

Abaye traz um novo caso: um poço no domínio público, de dez palmos de profundidade e oito de largura — largo demais para que uma única partição de quatro palmos o divida em duas metades privadas simultaneamente. Se alguém lança uma esteira inteira para dentro do poço, cobrindo-o, é responsável, pois a esteira pousa sobre um domínio privado pleno de dez por oito. Mas se, em vez disso, colocarem a esteira de pé, dividindo o poço ao meio — cada metade com menos de quatro palmos de largura —, quem lança um objeto para dentro de uma das metades é isento, pois a esteira, ocupando o centro, elimina a condição de domínio privado de cada lado. A Guemará observa que essa opinião de Abaye tem relação direta com o dilema de Rabi Yochanan, levantado ao final de 99b, sobre o torrão que aprofunda ou preenche um poço no mesmo instante do lançamento: para Abaye, que considera óbvio que a esteira — um objeto fino — anula a partição ao dividir o poço, é ainda mais óbvio que um torrão de terra, mais substancial, anularia a partição da mesma forma; por isso Abaye não tem dúvida sobre esse ponto, ao contrário de Rabi Yochanan, para quem o torrão permanece um dilema em aberto. E, inversamente, para Rabi Yochanan, que tem dúvida quanto ao torrão, é óbvio que uma simples esteira não anularia a partição.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "vezarak letocha machtzelet", "kol shechen chulya" e "leRabi Yochanan machtzelet pshita lei dela mevatla"
וזרק לתוכה מחצלת - משום סיפא נקט ליה דבעי למימר חלקה במחצלת פטור לאשמעי' דהנחת חפץ וסילוק מחיצה בהדדי פטור והכא סילוק מחיצה דזיל הכא ליכא ארבעה וזיל הכא ליכא ד' דבצר ליה עובי מקום מחצלת: כל שכן חוליא - דסילוק מחיצה ודאי הוא דמבטיל לה: לרבי יוחנן מחצלת פשיטא ליה דלא מבטלה - דאי נמי אמרינן סילוק מחיצה והנחת חפץ כי הדדי פטור הכא חייב דלא מבטל ליה הלכך לאו סילוק מחיצה היא:

"'E lançou nele uma esteira'" — Abaye a menciona por causa da cláusula final, pois quer dizer: se a dividiu com a esteira, é isento — para nos ensinar que o pouso do objeto e a supressão da partição, juntos, isentam; e aqui há verdadeira supressão de partição, pois de um lado não há quatro palmos e do outro lado também não há quatro, já que a espessura do espaço ocupado pela esteira falta a ambos. "'Tanto mais o torrão'" — pois a supressão da partição , nesse caso, é certamente o que o torrão anula. "'Segundo Rabi Yochanan é óbvio que a esteira não anula'" — pois, mesmo que digamos que a supressão da partição e o pouso do objeto, juntos, isentam, aqui é responsável, pois a esteira não a anula; por isso a dúvida sobre o torrão não é caso de verdadeira supressão de partição.

311Abaye: poço cheio de água é responsável, cheio de frutas é isento; confirmado por baraita sobre o mar e a estrada, e por Rabi Shimon sobre a cova especial dentro do mar
Abaye; a baraita; Rabi Shimon
וְאָמַר אַבָּיֵי: בּוֹר בִּרְשׁוּת הָרַבִּים עֲמוּקָּה עֲשָׂרָה וּרְחָבָה אַרְבָּעָה מְלֵאָה מַיִם, וְזָרַק לְתוֹכָהּ — חַיָּיב. מְלֵאָה פֵּירוֹת, וְזָרַק לְתוֹכָהּ — פָּטוּר, מַאי טַעְמָא? — מַיִם לָא מְבַטְּלִי מְחִיצְתָּא, פֵּירוֹת מְבַטְּלִי מְחִיצְתָּא. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: הַזּוֹרֵק מִן הַיָּם לְאִיסְרַטְיָא וּמִן הָאִיסְרַטְיָא לַיָּם — פָּטוּר. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר: אִם יֵשׁ בִּמְקוֹם שֶׁזָּרַק עָמוֹק עֲשָׂרָה וְרָחָב אַרְבָּעָה — חַיָּיב.

E disse Abaye: um poço no domínio público, profundo de dez palmos e largo de quatro, cheio de água, e alguém lançou um objeto nele — é responsável. Se estava cheio de frutas, e alguém lançou um objeto nele — é isento. Qual é a razão? A água não anula a partição; as frutas anulam a partição. Também foi ensinado assim numa baraita: quem lança um objeto do mar para a estrada e da estrada para o mar — é isento. Rabi Shimon diz: se há no lugar onde lançou uma cova profunda de dez palmos e larga de quatro — é responsável.

Nota

Abaye estabelece uma distinção fundamental: um poço de dez por quatro cheio de água mantém seu status de domínio privado — a água, sendo um líquido informe que não pode ser "empilhado" da mesma forma que um sólido, não é considerada substancial o bastante para anular a partição de dez palmos; portanto, quem lança um objeto sobre a água dentro do poço ainda é responsável por transferir para um domínio privado. Mas o mesmo poço cheio de frutas perde seu status: as frutas, sendo sólidas e empilháveis, elevam efetivamente o piso do poço, reduzindo sua profundidade efetiva a menos de dez palmos e anulando a partição — de modo que quem lança um objeto ali é isento. Essa mesma regra — que a água não anula partições — é confirmada por uma baraita independente sobre o mar, tratado como carmelit (domínio intermediário): quem lança um objeto do mar para a estrada pública, ou da estrada para o mar, é isento, pois a transferência não ocorre entre domínio público e domínio privado pleno, mas entre domínio público e carmelit. Rabi Shimon qualifica essa regra: se existe, no ponto exato do mar onde o objeto foi lançado, uma cova especial e isolada, profunda de dez palmos e larga de quatro, essa cova tem status de domínio privado próprio, distinto do restante do mar — e quem lança um objeto até ali é responsável, exatamente como no caso do poço com água.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "vezarak letocha", "chayav", "mele'a peirot", "tanya nami hachi", "min hayam le'isartya", "isartya" e "Rabi Shimon omer im yesh"
וזרק לתוכה - מרה"ר מידי דנייחא כגון אבן או מים: חייב - ולא אמרינן כיון דמלא הוא לא הוי רה"י דמבטל להו מחיצות: מלאה פירות - פטור דבטיל מחיצות כאילו מלאוה עפר: תניא נמי הכי - דמים לא מבטלי מחיצה: מן הים לאיסרטיא - מכרמלית לרה"ר פטור: איסרטיא - הוא סרטיא: ר"ש אומר אם יש - בים במקום שזרק גומא מיוחדת לבדה עמוקה עשרה ורחבה ד' רה"י לעצמה היא ולא הוי כשאר ים אף על גב דים נמי עמוק הוא וממילא שמעינן מדר"ש דמים לא מבטלי מחיצה:

"'E lançou nele'" — do domínio público, algo que tende a repousar, como uma pedra ou água. "'É responsável'" — e não dizemos que, já que o poço está cheio, não é domínio privado, porque o conteúdo anula as partições. "'Cheio de frutas'" — é isento, pois as frutas anulam as partições, como se o poço estivesse cheio de terra. "'Também foi ensinado assim'" — que a água não anula a partição. "'Do mar para a estrada'" — do carmelit para o domínio público, é isento. "'Estrada (isartia)'" — é o mesmo que sartia. "'Rabi Shimon diz: se há'" — no mar, no lugar onde lançou, uma cova especial, isolada, profunda de dez e larga de quatro, é domínio privado por si mesma, e não é como o restante do mar, ainda que o mar também seja profundo; e daí aprendemos, por dedução da opinião de Rabi Shimon, que a água não anula a partição.

Nova Mishná: quem lança contra o muro — acima ou abaixo de dez palmos · הַזּוֹרֵק אַרְבַּע אַמּוֹת בַּכּוֹתֶל

Mishná
מַתְנִי׳ הַזּוֹרֵק אַרְבַּע אַמּוֹת בַּכּוֹתֶל, לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — כְּזוֹרֵק בָּאֲוִיר. לְמַטָּה מֵעֲשָׂרָה טְפָחִים — כְּזוֹרֵק בָּאָרֶץ. הַזּוֹרֵק בָּאָרֶץ אַרְבַּע אַמּוֹת — חַיָּיב.

Quem lança um objeto quatro côvados no domínio público, e ele atinge o muro — acima de dez palmos, é como quem lança no ar , e é isento. Abaixo de dez palmos, é como quem lança na terra , no próprio domínio público. E quem lança na terra quatro côvados — é responsável.

Nota — nova Mishná

Uma nova Mishná retoma, sob outro ângulo, o tema dos quatro côvados no domínio público, já tratado em capítulos anteriores: quem lança um objeto a uma distância de quatro côvados e ele atinge um muro na via pública. Se o atinge acima de dez palmos do chão — região que, por estar mais alta que os limites usuais do domínio público, tem status de domínio isento —, é como se tivesse lançado o objeto no ar, sem verdadeiro pouso em domínio algum, e é isento. Se o atinge abaixo de dez palmos, é como se o tivesse lançado diretamente na terra do domínio público, e, como quem lança um objeto quatro côvados no domínio público é responsável por transportar, também aqui há responsabilidade.

312A Guemará pergunta: mas não houve pouso? Rabi Yochanan já havia respondido — trata-se do bolo de figos gorduroso que gruda no muro
A Guemará; Rabi Yochanan
גְּמָ׳ וְהָא לָא נָח? אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: בִּדְבֵילָה שְׁמֵינָה שָׁנִינוּ.

Guemará: mas não houve pouso do objeto, para que se considere responsável? Disse Rabi Yochanan: a respeito de um bolo de figos gorduroso é que aprendemos a Mishná.

Nota

A Guemará formalmente apresenta, agora ligada a esta Mishná, a mesma dificuldade e a mesma resposta de Rabi Yochanan já citadas antecipadamente em 99b, ao final da discussão sobre o dilema duplo de Rabi Yochanan a respeito do poço: como pode haver responsabilidade se o objeto, ao atingir o muro abaixo de dez palmos, não chega a "pousar" verdadeiramente sobre uma superfície, caindo em seguida ao chão? Rabi Yochanan já havia respondido ali que a Mishná trata especificamente de um bolo de figos gorduroso e macio, que gruda diretamente na face do muro ao ser atingido — havendo, portanto, pouso genuíno, ainda que sobre a parede em vez do chão. Como essa objeção e sua resposta, junto com a réplica sobre a redução da distância de quatro côvados e a rejeição final da Guemará, já foram desenvolvidas integralmente em 99b, a folha aqui apenas retoma o fio, sem repetir o raciocínio.

O buraco na parede: a disputa entre Rabi Meir e os Rabinos sobre "esculpir para completar" · חוֹר כׇּל שֶׁהוּא

313Rav Yehuda, em nome de Rav, em nome de Rabi Chiya: quem lança acima de dez e o objeto pousa num pequeno buraco na parede — depende da disputa entre Rabi Meir e os Rabinos sobre esculpir para completar
Rav Yehuda; Rav; Rabi Chiya; a baraita
אָמַר רַב יְהוּדָה, אָמַר רַב, אָמַר רַבִּי חִיָּיא: זָרַק לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה, וְהָלְכָה וְנָחָה בְּחוֹר כׇּל שֶׁהוּא, בָּאנוּ לְמַחְלוֹקֶת רַבִּי מֵאִיר וְרַבָּנַן. לְרַבִּי מֵאִיר דְּאָמַר חוֹקְקִין לְהַשְׁלִים — מִיחַיַּיב. לְרַבָּנַן דְּאָמְרִי אֵין חוֹקְקִין לְהַשְׁלִים — לָא מִיחַיַּיב. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: זָרַק לְמַעְלָה מֵעֲשָׂרָה, וְהָלְכָה וְנָחָה בְּחוֹר כׇּל שֶׁהוּא — רַבִּי מֵאִיר מְחַיֵּיב וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין.

Disse Rav Yehuda, disse Rav, disse Rabi Chiya: se alguém lançou um objeto acima de dez palmos, e ele foi e pousou num buraco de qualquer tamanho na parede — chegamos à disputa entre Rabi Meir e os Rabinos. Segundo Rabi Meir, que diz: esculpimos o buraco para completá-lo — é responsável. Segundo os Rabinos, que dizem: não esculpimos o buraco para completá-lo — não é responsável. Também foi ensinado assim numa baraita: se alguém lançou um objeto acima de dez, e ele foi e pousou num buraco de qualquer tamanho — Rabi Meir responsabiliza, e os Sábios isentam.

Nota

Rav Yehuda transmite, em nome de Rav e de Rabi Chiya, um novo caso: alguém lança um objeto acima de dez palmos do chão — região de domínio isento — e ele acaba pousando dentro de um pequeno buraco na parede, de qualquer tamanho, menor que quatro palmos de largura. A pergunta é se esse buraco, mesmo pequeno, é considerado domínio privado pleno. A resposta depende de uma disputa já conhecida de outros contextos (Yoma, Eiruvin): Rabi Meir sustenta o princípio de que "esculpimos para completar" — ou seja, consideramos hipoteticamente o buraco como se tivesse sido escavado até atingir quatro palmos de largura, já que isso é fisicamente possível, tratando-o como domínio privado pleno e responsabilizando quem lança um objeto até ali. Os Rabinos rejeitam esse princípio: como o buraco, de fato, não tem quatro palmos de largura, ele não é domínio privado, e quem lança um objeto até ali é isento. Uma baraita independente confirma essa mesma disputa nos mesmos termos exatos.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "Rabi Meir veRabanan"
גמ' רבי מאיר ורבנן - דאיפליגו בחוקקים להשלים בפ"ק דיומא (דף יא:) ובעירובין (ד' יא:) לר"מ דאמר חוקקין להשלים במקו' שיש כדי לחוק הכא חייב דרואין החור כאלו הוא ארבע:

Guemará: "'Rabi Meir e os Rabinos'" — que discordam sobre o princípio de esculpir para completar, no primeiro capítulo de Yoma (11b) e em Eiruvin (11b); segundo Rabi Meir, que diz que esculpimos para completar no lugar onde há espaço suficiente para esculpir, aqui é responsável, pois vemos o buraco como se ele tivesse largura de quatro.

Rav Yehuda em nome de Rav: o monte inclinado que se eleva dez palmos em quatro côvados · תֵּל הַמִּתְלַקֵּט עֲשָׂרָה מִתּוֹךְ אַרְבַּע

314Rav Yehuda em nome de Rav: o monte inclinado que atinge dez palmos em quatro côvados é domínio privado; confirmado por baraita sobre o beco em declive, e por Rabi Chanina ben Gamliel
Rav Yehuda; Rav; a baraita; Rabi Chanina ben Gamliel
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר רַב: תֵּל הַמִּתְלַקֵּט עֲשָׂרָה מִתּוֹךְ אַרְבַּע, וְזָרַק וְנָח עַל גַּבָּיו — חַיָּיב. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: מָבוֹי שֶׁשָּׁוָה לְתוֹכוֹ, וְנַעֲשָׂה מִדְרוֹן לִרְשׁוּת הָרַבִּים, אוֹ שָׁוָה לִרְשׁוּת הָרַבִּים וְנַעֲשָׂה מִדְרוֹן לְתוֹכוֹ — אוֹתוֹ מָבוֹי אֵינוֹ צָרִיךְ לֹא לֶחִי וְלֹא קוֹרָה. רַבִּי חֲנִינָא בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר: תֵּל הַמִּתְלַקֵּט עֲשָׂרָה מִתּוֹךְ אַרְבַּע, וְזָרַק וְנָח עַל גַּבָּיו — חַיָּיב.

Disse Rav Yehuda, disse Rav: um monte que se eleva gradualmente até dez palmos ao longo de uma inclinação de quatro côvados, e alguém lançou um objeto e ele pousou sobre ele — é responsável. Também foi ensinado assim numa baraita: um beco que é nivelado por dentro, e se torna um declive ao encontrar o domínio público, ou é nivelado ao encontrar o domínio público e se torna um declive por dentro — aquele beco não precisa nem de poste nem de viga em sua entrada. Rabi Chanina ben Gamliel diz: um monte que se eleva gradualmente até dez palmos ao longo de uma inclinação de quatro côvados, e alguém lançou um objeto e ele pousou sobre ele — é responsável.

Nota

Rav Yehuda apresenta, em nome de Rav, outro caso de domínio privado formado por elevação gradual: um monte de terra que não se ergue verticalmente, mas sobe como um plano inclinado, atingindo dez palmos de altura ao longo de uma distância horizontal de apenas quatro côvados — uma inclinação suficientemente íngreme para ser tratada, legalmente, como se fosse uma parede vertical, constituindo domínio privado no ponto onde atinge dez palmos. Quem lança um objeto do domínio público e ele pousa no alto do monte é responsável. Uma baraita confirma o mesmo princípio num contexto diferente: um beco cujo piso interno é nivelado, mas que se torna um declive exatamente onde encontra o domínio público (ou vice-versa) — a própria inclinação, sendo suficientemente íngreme, já funciona como partição, dispensando o beco da necessidade de um poste ou viga em sua entrada para distingui-lo do domínio público. Rabi Chanina ben Gamliel repete a mesma regra do monte inclinado nos mesmos termos, confirmando-a de forma independente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "tel hamitlaket", "vena'asa midron lirshut harabim" e "oto mavoi eino tzarich lechi"
תל המתלקט - שהוא מדרון והולך ומתלקט מעט מעט עד שמגביה י' מתוך ד"א הרי הוא כאלו זקוף כולו והוי רה"י במקום גובהו ואם זרק מרה"ר ונח על גביו חייב ודוקא נקט מתוך ד' אמות דאי מתוך ה' הרי הוא כשאר רשות הרבים דניחא תשמישתיה להילוך: ונעשה מדרון לרה"ר - שהיה קרקע המבוי גבוה מקרקע רה"ר והוצרך לשפע אצל פתחו לצד רה"ר או שהיה שוה לרה"ר ונעשה מדרון לתוכה שהיה רה"ר גבוה מקרקע המבוי וכניסת המבוי נמי מן הפתח ולפנים גבוה כקרקע רה"ר ברחב אמה או חצי אמה ואח"כ הוא נעשה מדרון לצד דופן האמצעי: אותו מבוי אינו צריך לחי - דאותו גובה שבצד הפתח הוה ליה מחיצה אף על פי שהוא משפע והולך:

"'Um monte que se eleva'" — ou seja, que é um declive, e vai se elevando pouco a pouco, até atingir dez palmos ao longo de quatro côvados; eis que é como se estivesse todo ereto verticalmente, e é domínio privado no ponto de sua altura; e se alguém lançou um objeto do domínio público e ele pousou sobre ele, é responsável; e a Mishná menciona especificamente "ao longo de quatro côvados", pois, se fosse ao longo de cinco, seria como o restante do domínio público, já que seu uso é confortável para caminhar. "'E se torna um declive ao encontrar o domínio público'" — isto é, quando o piso do beco era mais alto que o piso do domínio público, e precisou fazer um declive junto à sua entrada, do lado do domínio público; ou quando o piso do beco era nivelado com o domínio público, e se tornou um declive por dentro — isto é, quando o domínio público era mais alto que o piso do beco, e a entrada do beco, também a partir da porta e para dentro, era alta como o piso do domínio público, na largura de um côvado ou meio côvado, e depois se tornava um declive em direção à parede do meio. "'Aquele beco não precisa de poste'" — pois aquela altura que fica junto à entrada já é considerada uma partição, ainda que seja em declive gradual.

Nova Mishná: quem lança dentro de quatro côvados e o objeto rola para fora — ou vice-versa · זָרַק לְתוֹךְ אַרְבַּע אַמּוֹת וְנִתְגַּלְגֵּל

Mishná
מַתְנִי׳ זָרַק לְתוֹךְ אַרְבַּע אַמּוֹת וְנִתְגַּלְגֵּל חוּץ לְאַרְבַּע אַמּוֹת — פָּטוּר. חוּץ לְאַרְבַּע אַמּוֹת וְנִתְגַּלְגֵּל לְתוֹךְ אַרְבַּע אַמּוֹת — חַיָּיב.

Se alguém lançou um objeto com a intenção de que pousasse dentro de quatro côvados, e ele rolou para fora dos quatro côvados — é isento. Se lançou com a intenção de que pousasse fora dos quatro côvados, e ele rolou para dentro dos quatro côvados — é responsável.

Nota — nova Mishná

Uma nova Mishná trata da intenção e do resultado no lançamento de objetos no domínio público. Se alguém lança um objeto pretendendo que ele pouse dentro de quatro côvados — distância que, por si só, não constitui transporte proibido — mas o objeto acaba rolando para além dos quatro côvados, ele é isento, pois sua intenção original não incluía o transporte proibido, mesmo que o resultado final o pareça. Inversamente, se pretendia que o objeto pousasse além de quatro côvados — o que constituiria transporte proibido — mas ele rolou de volta para dentro dos quatro côvados, é responsável desde o momento do lançamento original, pois sua intenção era transgressora, ainda que o objeto tenha, no final, percorrido menos distância que o previsto.

315A Guemará pergunta: mas não houve pouso fora dos quatro côvados? Rabi Yochanan: apenas quando pousou sobre algo; confirmado pela baraita sobre o vento
A Guemará; Rabi Yochanan; a baraita
גְּמָ׳ וְהָא לָא נָח? אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: וְהוּא שֶׁנָּח עַל גַּבֵּי מַשֶּׁהוּ. תַּנְיָא נָמֵי הָכִי: זָרַק חוּץ לְאַרְבַּע אַמּוֹת וּדְחָפַתּוּ הָרוּחַ וְהִכְנִיסַתּוּ, וְאַף עַל פִּי שֶׁחָזְרָה וְהוֹצִיאַתּוּ — פָּטוּר. אֲחָזַתּוּ הָרוּחַ מַשֶּׁהוּ, אַף עַל פִּי שֶׁחָזְרָה וְהִכְנִיסַתּוּ — חַיָּיב.

Guemará: mas não houve pouso fora dos quatro côvados, para que se considere responsável quando o objeto rola de volta? Disse Rabi Yochanan: e isso é dito quando o objeto pousou sobre algo , ainda que mínimo. Também foi ensinado assim numa baraita: se alguém lançou um objeto para fora dos quatro côvados, e o vento o empurrou e o trouxe de volta para dentro, ainda que o vento depois voltasse e o levasse para fora — é isento. Se o vento o segurou por um instante mínimo, ainda que o vento depois voltasse e o trouxesse para dentro — é responsável.

Nota

A Guemará questiona a segunda cláusula da Mishná: como pode haver responsabilidade quando o objeto lançado além de quatro côvados rola de volta para dentro, se ele nunca chegou a pousar verdadeiramente fora dos quatro côvados — condição necessária, segundo o princípio geral, para que a intenção original seja "realizada" e gere responsabilidade? Rabi Yochanan esclarece: a Mishná se refere a um caso em que o objeto, antes de rolar de volta, chegou a pousar sobre alguma superfície ou saliência, ainda que mínima, fora dos quatro côvados — havendo, portanto, um pouso genuíno naquele ponto, antes de rolar. Uma baraita confirma essa distinção com um caso paralelo envolvendo o vento: se alguém lança um objeto para fora dos quatro côvados e o vento, ainda no ar, o empurra de volta para dentro — sem que o objeto jamais tenha tocado o chão fora dos quatro côvados —, é isento, mesmo que o vento depois o leve de volta para fora, pois nunca houve pouso real no ponto pretendido. Mas se o vento apenas retém o objeto no ar por um instante mínimo, no ponto exato onde deveria pousar, antes de trazê-lo de volta, isso já é considerado pouso suficiente, e há responsabilidade.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "veha lo nach", "shenach al gabei mashehu", "vedchafatu haruach" e "achazatu mashehu"
גמ' והא לא נח - חוץ לד' ואמאי אזלינן בתרה: שנח ע"ג משהו - שעמד קצת ואח"כ נתגלגל והוא הדין אם אחזתן הרוח באויר ועכבתו מעט ואחר כך הכניסתו דחשיב נמי הנחה אם בתוך ג' הוא: ודחפתו הרוח - בעודו באויר: אחזתו משהו - הרוח עכבתו במקומו מעט:

Guemará: "'mas não houve pouso'" — fora dos quatro côvados, então por que vamos atrás dele , considerando-o responsável? "'Que pousou sobre algo mínimo'" — isto é, que parou um pouco e depois rolou; e o mesmo se aplica se o vento o segurou no ar e o reteve um pouco, e só então o trouxe para dentro — isso também se considera pouso, se ocorreu dentro de três palmos do chão. "'E o vento o empurrou'" — enquanto ainda estava no ar. "'O segurou mínimo'" — o vento o reteve em seu lugar um pouco.

Rava: dentro de três palmos, segundo os Rabinos, ainda se exige pouso sobre algo · תּוֹךְ שְׁלֹשָׁה לְרַבָּנַן

316Rava: mesmo dentro de três palmos, segundo os Rabinos, exige-se pouso sobre algo; Mareimar ensina essa tradição, e Ravina o interpela — a frase é interrompida
Rava; Mareimar; Ravina
אָמַר רָבָא: תּוֹךְ שְׁלֹשָׁה לְרַבָּנַן צָרִיךְ הַנָּחָה עַל גַּבֵּי מַשֶּׁהוּ. יָתֵיב מָרִימָר וְקָאָמַר לַהּ לְהָא שְׁמַעְתָּא. אֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְמָרִימָר:

Disse Rava: dentro de três palmos do chão, ainda que valha o princípio do lavud, segundo os Rabinos, é necessário o pouso sobre algo , ainda que mínimo. Mareimar estava sentado e dizia esta tradição. Ravina disse a Mareimar:

Nota — a folha termina aqui, em pleno desenvolvimento

Rava precisa a regra estabelecida por Rabi Yochanan e pela baraita: o princípio de lavud considera qualquer objeto dentro de três palmos do chão como se já estivesse fixado a ele — mas isso, adverte Rava, não dispensa a exigência de um pouso genuíno sobre alguma superfície mínima, segundo a opinião dos Rabinos (que discordam de Rabi Akiva quanto à noção de que um objeto "capturado" no ar, sem nunca tocar coisa alguma, seja considerado como se tivesse pousado). Ou seja, mesmo dentro da zona dos três palmos, onde o lavud geralmente simplifica os cálculos, ainda é preciso que o objeto efetivamente repouse sobre algo, por mínimo que seja, para que se considere pousado. A folha relata então que Mareimar, um dos amoraim da geração seguinte, estava sentado ensinando essa mesma tradição aos seus alunos, quando Ravina lhe dirigiu uma objeção ou pergunta — mas a frase é interrompida exatamente neste ponto. A folha termina aqui, em pleno desenvolvimento do diálogo entre Ravina e Mareimar, e sua continuação segue em 100b, ainda inexistente neste site.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "leRabanan"
לרבנן - דפליגי עליה דר"ע בזורק מרה"י לרה"י ורה"ר באמצע דלית להו קלוטה כמי שהונחה לא תימא בתוך ג' מודו אלא אפילו תוך ג' נמי צריך שינוח ואם עבר רה"ר כולה פטור ונפקא מינה נמי לזורק ד' אמות וכשבא לנוח והגיע לתוך ג' נזכר שגגתו עד שלא נח פטור כדאמרינן במתני' (דף קב.) עד שתהא תחלתו וסופו שגגה ולא אמרינן עד שלא נזכר הוה ליה מונח:

"'Segundo os Rabinos'" — que discordam de Rabi Akiva quanto a quem lança de domínio privado para domínio privado, com o domínio público no meio, pois os Rabinos não sustentam o princípio de "capturado no ar é como se tivesse pousado". Não digas que eles concordam apenas dentro de três palmos, considerando-o pousado automaticamente; mas na verdade, mesmo dentro de três, também é necessário que o objeto pouse sobre algo; e, se atravessou todo o domínio público sem pousar, é isento. E há uma consequência prática também para quem lança quatro côvados: quando o objeto está prestes a pousar, e, ao chegar a três palmos do chão, a pessoa se lembra de que agiu por engano, antes que o objeto pouse — é isento, conforme dizemos na Mishná (102a): até que seu início e seu fim sejam por engano; e não dizemos que, antes de se lembrar, já o objeto estava pousado.