Shabbat 135a dá continuidade direta à guemará de 134b, ainda dentro do Perek Yud-Tet, sem abrir nova Mishná. Completa-se primeiro a derasha sobre "sua orla" (Vayikrá 12:3): a orla certa e inequívoca de um bebê específico afasta o Shabat, mas não a dúvida, e — pela mesma leitura — também não o andrógino. Rabi Yehuda discorda quanto ao andrógino, sustentando que sua milá afasta o Shabat (sob pena de karet, se não circuncidado ao atingir a maioridade), e deriva do mesmo verso duas outras exclusões: o nascido no crepúsculo, cujo dia exato de nascimento é incerto, e o nascido já circuncidado, sem orla — caso em que Beit Shamai exige pingar o sangue da aliança, e Beit Hilel dispensa. Rabi Shimon ben Elazar precisa essa disputa: Beit Shamai e Beit Hilel concordam quanto ao nascido já circuncidado (por receio de uma orla escondida sob a pele), discordando apenas quanto ao convertido que já era circuncidado como gentio. A guemará então retoma a cláusula da Mishná sobre a dúvida, esclarecendo, por meio de uma beraita, que ela inclui o caso do nascido de sete meses (cuja milá afasta o Shabat) e do nascido de oito meses (cuja milá não afasta, pois é tratado como uma pedra, muktzê) — sendo que, mesmo assim, a mãe pode inclinar-se para amamentá-lo, por causa do perigo à sua própria saúde. Quanto ao nascido já circuncidado, Rav decide como o primeiro tana e Shmuel como Rabi Shimon ben Elazar. Narra-se então o episódio de Rav Adda bar Ahavá: nasceu-lhe um filho já circuncidado num Shabat; treze mohalim recusaram-se a tocá-lo, e ele próprio, ao tentar circuncidá-lo, feriu-o a ponto de torná-lo um caso de membro cortado — e temeu que a desgraça fosse castigo por ter transgredido a opinião de Rav. Rav Nachman observa que ele também teria transgredido a opinião de Shmuel, mas se explica que Rav Adda considerava tratar-se, com certeza, de uma orla escondida — o que reflete a disputa entre Rabá (que apenas receia essa possibilidade) e Rav Yosef (que a tem por certa). Rav Yosef traz uma prova de uma beraita de Rabi Eliezer HaKapar, que a guemará examina, refuta e por fim reinterpreta. O daf se encerra com uma nova regra, enunciada por Rabi Asi: a obrigatoriedade da milá ao oitavo dia depende de a mãe do bebê ficar, ou não, impura pelo parto. Abaye desafia essa regra com o exemplo das gerações anteriores à entrega da Torá no Sinai — quando as leis de impureza ainda não vigoravam, e, ainda assim, circuncidava-se ao oitavo dia —, e o daf termina interrompido justamente no início da resposta de Rabi Asi, retomada em Shabbat 135b, ainda não publicado.
(Conclusão da beraita citada ao final de 134b:) e não a dúvida afasta o Shabat. "Sua orla" — a certa afasta o Shabat, mas não o andrógino afasta o Shabat.
"Andrógino" — é uma dúvida; e também o nascido no crepúsculo é uma dúvida — dúvida se é seu tempo (de nascer, isto é, se nasceu de fato antes ou depois do pôr do sol), dúvida se não é seu tempo. E, do mesmo modo, o nascido já circuncidado é uma dúvida, pois talvez se trate de uma orla escondida, com a pele grudada à carne. E mais adiante a guemará pergunta sobre a primeira dúvida (mencionada na Mishná): o que ela vem incluir — visto que já se ensinam aqui todas estas outras dúvidas.
Este daf abre completando a frase interrompida ao final de 134b: a beraita que interpretava "sua orla" como restrição à dúvida prossegue afirmando que, pela mesma leitura, também o andrógino — cujo sexo é incerto — fica excluído da permissão de circuncidar em Shabat. Como nota Rashi, tanto o andrógino quanto o nascido no crepúsculo e o nascido já circuncidado são, cada um a seu modo, casos de dúvida, o que prepara a pergunta que a guemará fará mais adiante sobre o que exatamente a cláusula da dúvida na Mishná vem incluir.
Disse Rabi Yehuda: o andrógino afasta o Shabat, e é passível de karet (caso não seja circuncidado até atingir a maioridade). "Sua orla" — a certa afasta o Shabat, mas não o nascido no crepúsculo (cujo momento exato de nascimento é incerto) afasta o Shabat. "Sua orla" — a certa afasta o Shabat, mas não o nascido já circuncidado (sem orla) afasta o Shabat — pois, quanto a este, a Casa de Shamai diz: é necessário pingar dele o sangue da aliança (em lugar da milá), e a Casa de Hilel diz: não é necessário.
"Disse Rabi Yehuda, etc." — mais adiante ele deriva sua opinião dos versos.
"Pois a Casa de Shamai diz que é necessário pingar, etc." — e, mesmo assim, ambos concordam que isso não afasta o Shabat (pingar o sangue da aliança não equivale à milá plena, a ponto de justificar profanar o Shabat).
Rabi Yehuda discorda da leitura anterior quanto ao andrógino: para ele, a milá do andrógino afasta o Shabat, e sua omissão o torna passível de karet ao atingir a maioridade — pois trata-se, para Rabi Yehuda, de um caso certo (macho), não de dúvida. Do mesmo verso "sua orla", Rabi Yehuda deriva duas outras exclusões: nem o nascido no crepúsculo (cujo dia de nascimento é incerto) nem o nascido já circuncidado afastam o Shabat. Quanto a este último, introduz-se a disputa entre Beit Shamai, que exige pingar o sangue da aliança em seu lugar, e Beit Hilel, que dispensa até isso — mas ambos concordam que, de todo modo, isso não justificaria profanar o Shabat.
Disse Rabi Shimon ben Elazar: não discordaram a Casa de Shamai e a Casa de Hilel quanto ao nascido já circuncidado, que é necessário pingar dele o sangue da aliança, porque se trata de uma orla escondida (a pele ainda grudada à carne, ainda que não visível). Sobre o que discordaram? Sobre o convertido que se converteu já circuncidado (quando ainda gentio), pois quanto a este a Casa de Shamai diz: é necessário pingar dele o sangue da aliança, e a Casa de Hilel diz: não é necessário pingar dele o sangue da aliança.
"Que é necessário pingar" — porque receamos que se trate de uma orla escondida.
"Sobre o convertido" — pois ali não há dúvida alguma quanto à orla, como no caso de um árabe circuncidado (que certamente já não tem orla nenhuma).
Rabi Shimon ben Elazar reformula a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel: para ele, ambas as casas concordam que o nascido já circuncidado precisa ter pingado dele o sangue da aliança, por receio de que se trate de uma orla escondida sob a pele; discordam apenas quanto ao convertido que já era circuncidado como gentio antes de se converter — caso em que não há dúvida alguma sobre a ausência de orla, e mesmo assim Beit Shamai exige o ato simbólico.
Disse o mestre (citação retomada): e não a dúvida afasta o Shabat. O que isso vem incluir? Vem incluir o que ensinaram os Sábios: o nascido de sete meses de gestação — profana-se por causa dele o Shabat (para circuncidá-lo ao oitavo dia). Mas o nascido de oito meses — não se profana por causa dele o Shabat. Havendo dúvida se é de sete meses, dúvida se é de oito meses — não se profana por causa dele o Shabat.
"O de oito meses, não se profana por causa dele" — pois ele é como um morto, e sua milá não é um preceito; e, se se objetar: então não há profanação alguma envolvida, pois é como cortar a carne de um morto (sem transgressão) — mais adiante a guemará também resolve que essa "profanação" se refere aos preparativos da milá (feitos antes do Shabat, como afiar a faca), e de acordo com a opinião de Rabi Eliezer.
A guemará retoma a cláusula da Mishná sobre a dúvida (citada ao final de 134b e no início deste daf) e pergunta o que ela vem incluir, além dos casos já discutidos. Responde com uma beraita: um bebê nascido após sete meses de gestação é considerado plenamente viável, e sua milá afasta o Shabat; um nascido após oito meses é presumido não viável (como um morto, segundo Rashi), e sua milá não afasta o Shabat; e, havendo dúvida entre sete e oito meses, tampouco se profana o Shabat por causa dele.
O nascido de oito meses — eis que ele é como uma pedra (quanto às leis de muktzê), e é proibido movê-lo. Mas sua mãe se inclina e o amamenta, por causa do perigo (de que, não sendo amamentada, ela própria adoeça).
"Por causa do perigo" — porque há muito leite em seus seios, o que pode levá-la a adoecer caso não seja extraído.
A beraita acrescenta um detalhe prático: embora o bebê de oito meses seja tratado, quanto às leis de Shabat, como uma pedra qualquer — proibido de ser movido, por não haver nele vitalidade certa —, sua mãe pode inclinar-se sobre ele para amamentá-lo, ainda que isso implique mover-se em sua direção; a razão não é o bem-estar do bebê, mas o perigo à saúde da própria mãe, cujo leite acumulado poderia causar-lhe doença.
Foi dito: Rav disse: a halachá é como o primeiro tana (segundo a explicação de Rabi Yehuda, para o qual Beit Shamai e Beit Hilel discordam quanto ao nascido já circuncidado — e, seguindo Beit Hilel, não é necessário pingar sangue algum). E Shmuel disse: a halachá é como Rabi Shimon ben Elazar (segundo o qual todos concordam ser necessário pingar sangue do nascido já circuncidado).
"Como o primeiro tana" — de acordo com a opinião da Casa de Hilel, segundo a leitura de Rabi Yehuda, que diz não ser necessário pingar dele o sangue da aliança.
Diverge-se sobre a halachá prática quanto ao nascido já circuncidado: Rav decide como o primeiro tana, na leitura de Rabi Yehuda — e, como se segue Beit Hilel dentro dessa disputa, não é necessário pingar sangue algum; Shmuel decide como Rabi Shimon ben Elazar, para quem todos concordam ser necessário pingar o sangue da aliança, por receio de orla escondida.
A Rav Adda bar Ahavá nasceu-lhe um certo bebê já circuncidado (sem orla, e o momento de sua "milá" caiu em Shabat). Levou-o a treze mohalim (circuncisadores, que se recusaram a tocá-lo), até que ele mesmo o operou e o tornou um caso de membro cortado. Disse: isso me sucedeu como castigo, pois transgredi a opinião de Rav (que dispensava até mesmo pingar o sangue da aliança).
"Levou-o a treze mohalim" — para que pingassem dele o sangue da aliança, mas eles não quiseram, porque era Shabat, e mesmo para a Casa de Shamai isso é uma dúvida, e não se profana o Shabat por uma dúvida.
"Até que o tornou um membro cortado" — ele mesmo o circuncidou, e o tornou um caso de membro cortado, cortando demais do membro.
"De Rav" — que disse não ser necessário pingar o sangue da aliança.
A guemará narra um episódio real: nasceu a Rav Adda bar Ahavá um filho já circuncidado, e o momento do ritual caiu em Shabat. Treze mohalim recusaram-se a sequer pingar o sangue simbólico, considerando o caso uma dúvida que não justifica profanar o Shabat — mesmo pela opinião mais rigorosa de Beit Shamai. Rav Adda, por fim, tentou realizar o procedimento ele mesmo e, por inexperiência, feriu o bebê a ponto de torná-lo um "membro cortado" (uma condição halachicamente grave). Ele interpretou o ocorrido como punição por ter transgredido, na prática, a opinião de Rav — que considerava desnecessário até mesmo pingar o sangue da aliança nesse caso.
Disse-lhe Rav Nachman: e não transgrediste também a opinião de Shmuel (segundo a qual todos concordam ser necessário pingar o sangue)?! Respondeu: dize que Shmuel assim falou quanto a um dia de semana — em Shabat, disse ele isso? Rav Adda bar Ahavá entendia que se tratava, com certeza, de uma orla escondida (e por isso não hesitou em profanar o Shabat). Pois foi dito: Rabá disse: receamos que seja uma orla escondida (sendo, portanto, apenas dúvida, que não afasta o Shabat). Rav Yosef disse: trata-se, com certeza, de uma orla escondida (e, por isso, se profana o Shabat).
"Em Shabat, disse ele isso?" — pois isso é uma dúvida, e não se profana o Shabat por dúvida.
"E ele entendia" — Rav Adda entendia que, com certeza, se trata de uma orla escondida, e por isso se profana o Shabat.
"Receamos" — isto que disse Rabi Shimon ben Elazar, que todos concordam ser necessário pingar o sangue, ele disse quanto à dúvida; e, num dia de semana, pinga-se por receio de que seja orla escondida; mas, quanto a Shabat, também nesse caso, com certeza não se profana o Shabat por uma mera dúvida.
"Com certeza é uma orla escondida" — e, por isso, se profana o Shabat.
Rav Nachman questiona Rav Adda: se ele transgrediu Rav, não teria transgredido também Shmuel, que exige pingar o sangue da aliança? Rav Adda responde que Shmuel falava apenas de um dia de semana; em Shabat, ninguém obrigaria sequer isso, tratando-se de mera dúvida. Ele próprio, porém, considerava certa — não duvidosa — a existência de uma orla escondida sob a pele, o que justificaria profanar o Shabat. A guemará situa essa posição numa disputa amoraica paralela: Rabá apenas receia a possibilidade de orla escondida (tratando-a como dúvida), enquanto Rav Yosef a considera certa.
Disse Rav Yosef: de onde eu o digo? Pois se ensina numa beraita: disse Rabi Eliezer HaKapar: não discordaram a Casa de Shamai e a Casa de Hilel quanto ao nascido já circuncidado, que é necessário pingar dele o sangue da aliança. Sobre o que discordaram? Sobre profanar por causa dele o Shabat: a Casa de Shamai diz que se profana por causa dele o Shabat, e a Casa de Hilel diz que não se profana por causa dele o Shabat. Conclui Rav Yosef: isso não prova, por inferência, que o primeiro tana (a quem Rabi Eliezer HaKapar contradiz) entende que todos concordam que se profana por causa dele o Shabat?!
"Isso não prova, por inferência, que o primeiro tana" — entende de modo diferente daquele que Rabi Eliezer HaKapar entende, pois Rabi Eliezer HaKapar entende que todos concordam que se profana o Shabat, e eu (Rav Yosef) falo de acordo com essa opinião.
Rav Yosef busca uma prova textual para sua posição — de que a orla escondida do nascido circuncidado é certa, e por isso se profana o Shabat por causa dele — numa beraita de Rabi Eliezer HaKapar. Segundo essa beraita, a disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel não recai sobre a necessidade de pingar o sangue da aliança (ponto pacífico), mas sim sobre profanar o Shabat para fazê-lo: Beit Shamai permite, Beit Hilel proíbe. Rav Yosef infere daí que o "primeiro tana", contra quem Rabi Eliezer HaKapar se posiciona, deveria sustentar que todos concordam em profanar o Shabat — apoiando assim a posição de que a orla escondida é certa.
Mas talvez o primeiro tana quisesse dizer que todos concordam que não se profana o Shabat por causa dele! Refuta-se a segunda leitura, porém: se assim fosse — então Rabi Eliezer HaKapar viria apenas ensinar-nos o raciocínio da Casa de Shamai (uma opinião rejeitada como halachá, sem propósito algum em mencioná-la)? Responde-se: talvez ele quisesse dizer isto: não discordaram a Casa de Shamai e a Casa de Hilel a respeito deste assunto (circuncidar em Shabat o nascido já circuncidado — mas sim a respeito de outro assunto, pingar o sangue num dia de semana).
Assim é a versão correta: "e de onde se sabe isso? Talvez, por inferência, o primeiro tana entenda que todos concordam que não se profana; e, se assim for, Rabi Eliezer HaKapar viria ensinar-nos apenas o raciocínio da Casa de Shamai, etc." — ou seja, se o tana que ensinou a opinião anterior a esta (Rabi Yehuda) disse que todos concordam que não se profana, e Rabi Eliezer HaKapar vem discordar e dizer que essa não é a opinião de todos — pois, para a Casa de Shamai, se profana — que vantagem haveria em nos ensinar que a Casa de Shamai discorda nisso, visto que a Casa de Shamai, diante da Casa de Hilel, não é halachá? E respondemos: talvez Rabi Eliezer quisesse dizer isto ao primeiro tana, que disse que, em Shabat, todos concordam que não se profana, e a discordância entre as casas é quanto ao dia de semana — se, para a Casa de Hilel, não é necessário pingar dele o sangue da aliança; isso não é assim: não discordaram quanto a este assunto (pingar sangue num dia de semana), pois, com certeza, é necessário; e é quanto a Shabat que discordam. E o raciocínio da Casa de Hilel é o que Rabi Eliezer vem ensinar-nos: que, num dia de semana, é necessário pingar o sangue — para excluir a opinião do primeiro tana, que disse que, para a Casa de Hilel, não é necessário.
A guemará refuta a prova de Rav Yosef, sugerindo que o primeiro tana poderia igualmente sustentar que ninguém profana o Shabat por causa do nascido circuncidado — o que tornaria a beraita de Rabi Eliezer HaKapar apenas uma exposição do raciocínio rejeitado de Beit Shamai, sem propósito halachico. Rejeitada também essa possibilidade (pois seria estranho citar uma opinião sem valor prático), a guemará propõe, por fim, uma reinterpretação: talvez a disputa que Rabi Eliezer HaKapar atribui a Beit Shamai e Beit Hilel não seja sobre profanar o Shabat, mas sobre a necessidade de pingar o sangue da aliança num dia de semana comum — deixando, assim, em aberto, sem resolução explícita neste ponto, a questão original sobre orla escondida certa ou duvidosa.
Disse Rabi Asi: todo bebê cuja mãe fica impura pelo parto dele — é circuncidado ao oitavo dia; e todo bebê cuja mãe não fica impura pelo parto dele (como no caso de um nascido por cesariana) — não necessariamente é circuncidado ao oitavo dia. Pois se declara: "Se uma mulher conceber e der à luz um varão, ficará impura... e, ao oitavo dia, circuncidar-se-á a carne de sua orla" (Vayikrá 12:2–3, unindo os dois assuntos num único verso).
"Todo bebê cuja mãe não fica impura pelo parto" — como no caso de um nascido por cesariana, ou de uma gentia que deu à luz e, no dia seguinte, se converteu: seu filho não espera até o oitavo dia, mas é circuncidado imediatamente.
Rabi Asi enuncia uma nova regra geral, derivada da justaposição, num único verso, das leis de impureza da parturiente e da milá ao oitavo dia: a obrigação de esperar até o oitavo dia para circuncidar depende de a mãe ficar impura pelo parto. Nos casos em que ela não fica impura — como um nascido por cesariana, ou o filho de uma gentia que deu à luz e só depois se converteu —, não há obrigação de esperar, e a milá pode ser feita imediatamente.
Disse-lhe Abaye: as gerações anteriores (desde Avraham até a entrega da Torá no Sinai) provarão o contrário: pois, naquela época, a mãe não ficava impura pelo parto (já que as leis de impureza ainda não haviam sido dadas), e, ainda assim, o filho era circuncidado ao oitavo dia!
"As gerações anteriores" — desde Avraham até a entrega da Torá, quando já se praticava a milá, mas ainda não vigoravam as leis de impureza.
Abaye desafia a regra de Rabi Asi com um contraexemplo histórico: desde a ordem dada a Avraham até a entrega da Torá no Sinai, as leis de impureza da parturiente ainda não vigoravam — de modo que nenhuma mãe, tecnicamente, "ficava impura pelo parto" —, e, ainda assim, a milá era praticada ao oitavo dia, como relatado na própria Torá, no livro de Bereshit. Se a regra de Rabi Asi fosse absoluta, a milá dessas gerações não deveria depender do oitavo dia.
Disse-lhe Rabi Asi: quando foi dada a Torá...
Rabi Asi começa a responder ao desafio de Abaye — presumivelmente distinguindo as gerações anteriores a Sinai, quando a milá já era praticada por ordem direta a Avraham, das gerações posteriores, regidas pela regra geral vinculada à impureza da parturiente —, mas o texto se interrompe logo no início de sua resposta.