Shabbat 139a abre completando a frase que ficara cortada ao final de 138b: Rabi Shimon bar Yochai, que negara que a Torá venha a ser totalmente esquecida por Israel, explica agora o que significa "e vagarão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão" — não que a Torá desapareça, mas que não encontrarão, num só lugar, uma halachá clara e uma mishná clara, sem controvérsia. A partir daí, a guemará abre um novo excurso agádico sobre os juízes de Israel, trazendo a baraita de Rabi Yosei ben Elisha: quem vir uma geração sobre a qual vêm muitas tribulações deve examinar os juízes, pois toda punição que vem ao mundo vem por causa deles — apoiada num versículo de Michá sobre chefes que abominam a justiça e julgam por suborno. Segue-se uma sequência de ensinamentos correlatos: embora ímpios, esses juízes se apoiavam na falsa confiança de que Deus os pouparia, o que traz sobre eles três punições, correspondentes a três transgressões; a Presença Divina só voltará a repousar sobre Israel quando cessarem os juízes e oficiais maus; Ula ensina que Jerusalém só será redimida pela justiça; Rav Papa afirma que, cessando os arrogantes, cessam os feiticeiros, e que, cessando os juízes maus, cessam os opressores, com prova escriturística para cada metade do dito; Rabi Malai, em nome de Rabi Elazar bar Rabi Shimon, interpreta "quebrou o Eterno o bastão dos ímpios, o cetro dos que governam" como referência aos próprios juízes e aos discípulos dos sábios de suas famílias, com o acréscimo de Mar Zutra sobre os que ensinam leis públicas a juízes ignorantes; e Rabi Eliezer ben Malai, em nome de Reish Lakish, identifica juízes, seus escribas, os que redigem os autos e os próprios litigantes nas "mãos manchadas de sangue" de Yeshayahu. Um breve excurso lateral segue: Rabi Malai, em nome de Rabi Yitzchak Magdelaá, ensina que Yosef não provou vinho desde que se separou de seus irmãos, com a réplica de Rabi Yosei bar Rabi Chanina de que também os irmãos se abstiveram até o reencontro no Egito; e Rabi Malai ensina que Aharon mereceu que o peitoral do juízo repousasse sobre seu coração como recompensa por sua alegria sincera ao ver Moshé escolhido em seu lugar. O daf conclui com o episódio dos filhos de Bashkar, que enviaram três perguntas práticas a Levi — sobre o dossel no Shabat, o lúpulo plantado numa vinha e o cuidado com um morto em Yom Tov —, mas Levi faleceu antes de responder; Shmuel então ordena a Rav Menashiá que responda em seu lugar, e a guemará questiona por que ele não adotou, em cada caso, a posição mais branda já conhecida (a de Rami bar Yechezkel sobre o dossel, a de Rabi Tarfon sobre o lúpulo), respondendo que os filhos de Bashkar não eram versados na Torá e precisavam de uma resposta simples e estrita; seguem-se os episódios de Rav e de Rav Amram Chassida sobre plantar lúpulo numa vinha, e de Rav Mesharshiya, que pagava uma criança gentia para plantá-lo em seu lugar. O daf termina no meio de um relato, trazido para questionar a resposta sobre o morto em Yom Tov, de um caso ocorrido na sinagoga de Maon, num Yom Tov adjacente ao Shabat — mas o texto é interrompido exatamente nesse ponto, prosseguindo em Shabat 139b, ainda não publicado. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.
(completando a frase interrompida ao final de 138b: "não encontrarão") uma halachá clara e uma mishná clara num só lugar.
"Halachá clara" — com fundamentos tais que não haja controvérsia sobre ela.
Completa-se aqui a frase deixada cortada ao final de 138b: Rabi Shimon bar Yochai não nega que a Torá venha a ser difícil de encontrar — apenas nega que ela seja totalmente esquecida. O que faltará, segundo ele, não é o conhecimento da Torá em si, mas a clareza: um lugar único onde se encontre uma halachá decidida sem disputa e uma mishná estabelecida sem controvérsia. A fome profetizada por Amós, portanto, é a fome de certeza, não de conhecimento.
Foi ensinado: Rabi Yosei ben Elisha diz: se você viu uma geração sobre a qual vêm muitas tribulações, saia e examine os juízes de Israel. Pois toda punição que vem ao mundo não vem senão por causa dos juízes de Israel, como está dito: "ouvi, agora, isto, chefes da casa de Yaakov e líderes da casa de Israel, que abominam a justiça e distorcem tudo o que é reto; que edificam Tzión com sangue, e Jerusalém com iniquidade; seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por paga, e seus profetas adivinham por dinheiro, e ainda se apoiam no Eterno, dizendo (etc.)" (Michá 3:9-11).
A menção da Torá esquecida conduz a guemará a um excurso relacionado: assim como a clareza da Torá se perde por falta de fundamento firme, também as tribulações do mundo têm uma causa identificável — a corrupção dos próprios juízes de Israel. Rabi Yosei ben Elisha propõe um diagnóstico social: diante de sofrimento coletivo generalizado, o primeiro lugar a examinar não é o povo em geral, mas seus julgadores.
São ímpios esses juízes, mas dependuraram sua confiança em Quem disse e o mundo veio a ser (esperando que Deus os pouparia). Por isso, o Santo, bendito seja, traz sobre eles três punições, correspondentes às três transgressões que estão em suas mãos (suborno, paga e adivinhação por dinheiro), como está dito: "portanto, por vossa causa, Tzión será lavrada como campo, e Jerusalém se tornará em ruínas, e o monte do Templo, em alturas de floresta" (Michá 3:12).
"Três transgressões" — "julgam por suborno", "ensinam por paga" e "adivinham por dinheiro".
"Três punições" — "será lavrada como campo", "se tornará em ruínas" e "em alturas de floresta".
A guemará precisa a acusação: os juízes corruptos não negavam a existência de Deus, mas presumiam, erradamente, que Sua proteção os isentaria das consequências de seus próprios atos. Rashi mapeia com precisão as três transgressões do versículo de Michá — suborno, paga e adivinhação — às três punições correspondentes anunciadas no versículo seguinte.
E o Santo, bendito seja, não fará repousar Sua presença sobre Israel até que se acabem os juízes e os oficiais maus de Israel, como está dito: "e voltarei Minha mão sobre ti, e fundirei como com potassa as tuas escórias, e removerei todo o teu estanho; e restituirei os teus juízes como no início, e os teus conselheiros como no princípio (etc.)" (Yeshayahu 1:25-26).
"E os teus conselheiros como no princípio" — e, só depois disso, o versículo continua: "e te chamarão cidade da justiça", para que a Presença Divina repouse nela.
A restauração da Presença Divina em Israel está condicionada à purificação de sua liderança judicial e administrativa — a mesma imagem de "fundir as escórias" do metal precioso, usada por Yeshayahu, indica um processo de refinamento pelo sofrimento que precede necessariamente a redenção.
Disse Ula: Jerusalém não será redimida senão pela justiça, como está dito: "Tzión será redimida pelo juízo, e os que nela retornarem, pela justiça" (Yeshayahu 1:27).
Ula fecha a sequência de versículos de Yeshayahu com sua conclusão natural: a mesma cidade condenada por seus juízes corruptos só encontrará redenção através do próprio valor que lhe faltou — a justiça retamente aplicada.
Disse Rav Papa: se cessarem os arrogantes, cessarão os feiticeiros; se cessarem os juízes maus, cessarão os opressores.
Rav Papa acrescenta uma correlação social: males externos — feitiçaria e opressão — espelham males internos — arrogância e corrupção judicial. A correção de um problema interno traz, como consequência, o fim do mal externo que lhe corresponde.
"Se cessarem os arrogantes, cessarão os feiticeiros" — pois está escrito: "e fundirei como com potassa as tuas escórias" (Yeshayahu 1:25).
"Tuas escórias" — estes são os soberbos, que se engrandecem a si mesmos, na expressão "e cresceria muito" (Iyov 8:7); e, logo depois, "e removerei todo o teu estanho" refere-se àqueles que separam os inimigos de Israel do Santo, bendito seja, por suas mentiras e sua leviandade.
A guemará ancora a primeira metade do dito de Rav Papa no mesmo versículo já citado sobre a purificação metafórica: as "escórias" e o "estanho" removidos do metal precioso simbolizam, segundo Rashi, os soberbos e os que afastam Israel de Deus por suas falsidades — cuja eliminação acaba, por consequência, com a feitiçaria.
"Se cessarem os juízes maus, cessarão os opressores" — pois está escrito: "o Eterno removeu os teus juízes maus, afastou o teu inimigo" (Tzefaniá 3:15).
Para a segunda metade do dito, a guemará recorre a um versículo distinto, de Tzefaniá, no qual a remoção dos juízes maus e o afastamento do inimigo aparecem lado a lado, na mesma ordem causal proposta por Rav Papa.
Disse Rabi Malai, em nome de Rabi Elazar bar Rabi Shimon: o que significa o que está escrito: "quebrou o Eterno o bastão dos ímpios, o cetro dos que governam" (Yeshayahu 14:5)? "Quebrou o Eterno o bastão dos ímpios" — estes são os juízes que se tornaram um bastão para seus assistentes (deixando-se dominar por eles). "O cetro dos que governam" — estes são os discípulos dos sábios que pertencem às famílias dos juízes (e legitimam seus erros). Mar Zutra disse: estes são os discípulos dos sábios que ensinam as leis públicas a juízes ignorantes (sustentando-os por trás).
"Que se tornaram um bastão para seus assistentes" — os juízes dão apoio a seus assistentes, tornando-se seu instrumento de força, de modo que o assistente diz: "não serei o mensageiro a intimar fulano ao tribunal, a menos que aumentes minha paga", e, depois da sentença, ameaça: "não executarei a ordem de entrar em sua residência para penhorar".
"O cetro dos que governam" — o bastão e o punho dos que governam, isto é, dos juízes ímpios, para quem os discípulos dos sábios de suas famílias servem de bastão e punho, pois, por meio deles, esses juízes se sustentam, são encobertos e ganham defesa para suas palavras.
"A juízes ignorantes" — pois, com a garantia desses discípulos dos sábios, instalam-se juízes ignorantes para julgar quem quer que venha, e muitos julgamentos são feitos sem que sejam consultados, distorcendo-os.
Rabi Malai amplia a crítica: a corrupção judicial não se limita aos próprios juízes, mas se sustenta numa rede de cumplicidade — assistentes que exploram sua posição para extorquir, e discípulos dos sábios que, por parentesco ou proximidade, emprestam sua respeitabilidade a juízes indignos, permitindo que continuem julgando sem supervisão adequada.
Disse Rabi Eliezer ben Malai, em nome de Reish Lakish: o que significa o que está escrito: "pois as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos, de iniquidade; os vossos lábios falaram mentira, a vossa língua profere perversidade" (Yeshayahu 59:3)?
Reish Lakish propõe um novo versículo, ainda mais severo em suas imagens corporais de culpa, para identificar, com precisão, cada elo da cadeia de corrupção envolvida num processo judicial injusto — questão que a guemará responde no ensinamento seguinte.
"Pois as vossas mãos estão manchadas de sangue" — estes são os juízes. "E os vossos dedos, de iniquidade" — estes são os escribas dos juízes. "Os vossos lábios falaram mentira" — estes são os que redigem os autos para os juízes. "A vossa língua profere perversidade" — estes são os próprios litigantes.
A derasha estende a responsabilidade por um julgamento corrupto a toda a cadeia envolvida: não apenas o juiz que decide (as mãos), mas o escriba que registra (os dedos), o redator que formula os argumentos (os lábios) e o próprio litigante que insiste em sua causa injusta (a língua) — todos compartilham, em graus distintos, da mesma culpa denunciada por Yeshayahu.
E disse Rabi Malai, em nome de Rabi Yitzchak Magdelaá: desde o dia em que Yosef se separou de seus irmãos, ele não provou o sabor do vinho, como está escrito: "e sobre a cabeça do nazireu de seus irmãos" (Bereshit 49:26, na bênção de Yaakov).
A guemará se afasta momentaneamente do tema dos juízes para um breve excurso sobre Yosef, extraído associativamente pela figura de um sábio chamado Malai. A palavra "nazir" (consagrado) na bênção de Yaakov a Yosef é lida como referência técnica ao voto de nazireu, que inclui a abstenção de vinho — sugerindo que Yosef se absteve dele durante todo o período de separação de seus irmãos.
Rabi Yosei bar Rabi Chanina disse: também eles (os irmãos de Yosef) não provaram o sabor do vinho durante esse período, como está escrito: "e beberam, e se embriagaram com ele" (Bereshit 43:34, no reencontro no Egito) — donde se infere que, até então, não houve embriaguez. E o outro (sábio que sustenta que apenas Yosef se abstivera) responde: embriaguez é que não havia entre os irmãos, antes do reencontro, mas beber, de qualquer modo, havia.
"Com ele" — donde se infere que, até agora (o reencontro no Egito), não houve embriaguez.
A guemará debate se a abstinência de vinho, motivada pela dor da separação, foi exclusiva de Yosef ou compartilhada também por seus irmãos, que sabiam tê-lo vendido. A prova textual gira em torno da palavra "embriagaram-se" no reencontro, lida por um lado como indicando ausência total de vinho até então, e por outro apenas como ausência do estado de embriaguez, admitindo consumo moderado.
E disse Rabi Malai: como recompensa por Deus dizer, a respeito de Aharon: "e ele te verá, e se alegrará em seu coração" (Shemot 4:14, quando Aharon soube que Moshé seria o líder em seu lugar), Aharon mereceu que o peitoral do juízo repousasse sobre seu coração.
"Mereceu o peitoral do juízo" — colocado sobre o coração; pois Aharon era mais velho que Moshé, e antes de Moshé a Presença Divina já se revelara a Aharon, como está escrito: "certamente Me revelei à casa de teu pai (no Egito)" (I Shmuel 2:27), e a ele fora dita a profecia sobre o Egito registrada em Yechezkel até "e se rebelaram contra Mim" (Yechezkel 20); e, mesmo assim, ele não teve inveja de Moshé por isso.
Fecha-se o breve excurso com um ensinamento sobre a generosidade de espírito: Aharon, mais velho e primeiro destinatário da revelação profética, poderia ter invejado a escolha de Moshé como libertador, mas, ao contrário, alegrou-se sinceramente — e essa alegria genuína foi recompensada com a honra de trazer o peitoral do juízo sobre o próprio coração.
Os habitantes de Bashkar (um lugarejo) enviaram uma pergunta a Levi: qual é a lei do dossel (no Shabat)? Qual é a lei do lúpulo plantado numa vinha? Qual é a lei de um morto em Yom Tov?
"Filhos de Bashkar" — nome de um lugar.
"Qual é a lei do dossel" — para estendê-lo no Shabat.
"Lúpulo" — a planta trepadeira que cresce sobre a cerca: qual é sua lei quando plantada numa vinha? É uma verdura, e portanto constitui mistura proibida na vinha, ou é uma árvore, e portanto não constitui mistura proibida na vinha?
Encerrado o excurso agádico, a guemará retoma um tema prático relacionado ao dossel, já discutido em 138a-138b: os habitantes de um lugarejo remoto, Bashkar, enviam três perguntas halárgicas distintas a Levi — duas sobre práticas do Shabat e de agricultura, e uma sobre luto em Yom Tov —, abrindo o último bloco temático do daf.
Enquanto a pergunta ainda estava a caminho, Levi faleceu. Disse Shmuel a Rav Menashiá: se és sábio, responde-lhes. Rav Menashiá respondeu-lhes: quanto ao dossel — percorremos todos os aspectos do dossel e não encontramos nele nenhum lado de permissão.
Antes que Levi pudesse responder, ele faleceu, e Shmuel delega a tarefa a Rav Menashiá, testando sua capacidade. A resposta sobre o dossel é categoricamente restritiva: examinado sob todos os ângulos, nenhuma configuração do dossel se mostrou permitida — uma resposta mais severa do que a distinção fina, entre dossel comum e dossel nupcial, já vista em 138b.
Mas que lhes respondesse conforme o ensinamento de Rami bar Yechezkel (que permite estender o cortinado com duas pessoas)! Rav Menashiá não o fez porque eles (os habitantes de Bashkar) não eram versados na Torá.
"Mas que lhes respondesse" — algum lado de permissão nele.
"Conforme o ensinamento de Rami bar Yechezkel" — quando alguém já amarrou nele um fio ou uma corda na véspera.
A guemará objeta que existiam, sim, exceções conhecidas em que o cortinado poderia ser estendido — como o ensinamento de Rami bar Yechezkel visto em 138b. A resposta explica a estratégia pedagógica: para leigos sem formação, a resposta correta é a mais simples e restritiva, mesmo que uma leniência técnica existisse em teoria, para evitar erros de aplicação.
Sobre o lúpulo numa vinha — Rav Menashiá respondeu: é mistura proibida. Mas que lhes respondesse conforme a opinião de Rabi Tarfon? Pois foi ensinado: quanto ao lúpulo, Rabi Tarfon diz: não há mistura proibida na vinha; e os sábios dizem: há mistura proibida na vinha. E estabelecemos: em toda questão em que se é mais permissivo na Terra de Israel, a halachá segue essa opinião fora da Terra! Rav Menashiá não o fez porque eles não eram versados na Torá.
"É mistura proibida" — isto é, kilaim (a proibição bíblica de misturar espécies).
"E estabelecemos" — em Berachot, no capítulo "Keitzad", a respeito de orlá, e o mesmo vale para kilaim, pois também ela é um mandamento condicionado à Terra de Israel, e não vige, pela Torá, senão na própria Terra.
A mesma dinâmica se repete para a segunda pergunta: existia uma opinião mais branda conhecida — a de Rabi Tarfon, aplicável fora da Terra de Israel por um princípio geral sobre mandamentos condicionados ao território —, mas Rav Menashiá optou pela resposta restritiva dos sábios, pela mesma razão pedagógica já explicada.
Rav proclamava: aquele que deseja plantar lúpulo numa vinha, que plante (seguindo Rabi Tarfon, pois estavam fora da Terra de Israel). Rav Amram, o Piedoso, açoitava quem o fizesse, insistindo na opinião mais restritiva dos sábios.
A guemará ilustra, com um episódio concreto, a divergência prática entre as duas abordagens: Rav aplicava, na Babilônia, a leniência de Rabi Tarfon quanto ao lúpulo na vinha, enquanto Rav Amram Chassida, seu contemporâneo mais rigoroso, chegava a punir fisicamente quem seguisse essa permissão.
Rav Mesharshiya dava uma moeda a uma criança gentia, e ela plantava o lúpulo na vinha por ele. Mas que a desse a uma criança israelita! Não o fez, pois ela viria a se acostumar a plantar por si mesma, ao crescer. Mas que a desse a um gentio adulto! Não o fez, pois esse adulto viria a ser confundido com um israelita por quem visse a plantação.
"Dava uma moeda a uma criança gentia" — pois Rav Mesharshiya sustentava que, fora da Terra de Israel, plantar lúpulo na vinha é permitido; mas, ainda assim, sempre que possível, ele agia de outro modo, para que os israelitas não aprendessem a ser leniente por conta própria.
Rav Mesharshiya adota uma solução intermediária, seguindo a leniência de Rabi Tarfon na teoria, mas evitando praticá-la abertamente: usa uma criança gentia como agente, precisamente porque ela não corre o risco de se acostumar ao ato (ao contrário de uma criança israelita) nem de ser confundida com um israelita adulto agindo de forma leniente.
Quanto à pergunta sobre um morto em Yom Tov, Rav Menashiá respondeu-lhes: com um morto não se devem ocupar nem judeus nem arameus (gentios, mesmo por intermédio deles), nem no primeiro dia de Yom Tov, nem no segundo dia de Yom Tov (fora da Terra de Israel).
A terceira resposta de Rav Menashiá mantém a mesma linha restritiva: nem judeus, por causa das proibições próprias do dia festivo, nem gentios agindo em seu favor, devem se ocupar dos cuidados fúnebres com um morto em qualquer dos dois dias de Yom Tov — uma proibição categórica, sem as exceções que a guemará está prestes a questionar.
É assim mesmo?! Mas não disse Rabi Yehuda bar Shilat, em nome de Rabi Assi: houve um caso na sinagoga de Maon, num Yom Tov adjacente ao Shabat [o relato é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 139b].
O daf termina exatamente neste ponto, no meio de uma objeção à resposta categórica de Rav Menashiá sobre o morto em Yom Tov: a guemará traz, através de Rabi Yehuda bar Shilat em nome de Rabi Assi, um precedente concreto — um caso ocorrido na sinagoga de Maon, num Yom Tov que caía junto ao Shabat —, cujos detalhes e implicação para a halachá ficam cortados aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 139b.