Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Vinte (Tolin)
צֵא וּבְדוֹק בְּדַיָּינֵי יִשְׂרָאֵל

Conclusão do ensinamento de Rabi Shimon bar Yochai; os juízes de Israel; Yosef e seus irmãos; as três perguntas dos filhos de Bashkar a Levi

Shabbat 139a · continua diretamente de 138b · integralmente dentro do Perek Vinte (Tolin), sem transição de capítulo

Shabbat 139a abre completando a frase que ficara cortada ao final de 138b: Rabi Shimon bar Yochai, que negara que a Torá venha a ser totalmente esquecida por Israel, explica agora o que significa "e vagarão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão" — não que a Torá desapareça, mas que não encontrarão, num só lugar, uma halachá clara e uma mishná clara, sem controvérsia. A partir daí, a guemará abre um novo excurso agádico sobre os juízes de Israel, trazendo a baraita de Rabi Yosei ben Elisha: quem vir uma geração sobre a qual vêm muitas tribulações deve examinar os juízes, pois toda punição que vem ao mundo vem por causa deles — apoiada num versículo de Michá sobre chefes que abominam a justiça e julgam por suborno. Segue-se uma sequência de ensinamentos correlatos: embora ímpios, esses juízes se apoiavam na falsa confiança de que Deus os pouparia, o que traz sobre eles três punições, correspondentes a três transgressões; a Presença Divina só voltará a repousar sobre Israel quando cessarem os juízes e oficiais maus; Ula ensina que Jerusalém só será redimida pela justiça; Rav Papa afirma que, cessando os arrogantes, cessam os feiticeiros, e que, cessando os juízes maus, cessam os opressores, com prova escriturística para cada metade do dito; Rabi Malai, em nome de Rabi Elazar bar Rabi Shimon, interpreta "quebrou o Eterno o bastão dos ímpios, o cetro dos que governam" como referência aos próprios juízes e aos discípulos dos sábios de suas famílias, com o acréscimo de Mar Zutra sobre os que ensinam leis públicas a juízes ignorantes; e Rabi Eliezer ben Malai, em nome de Reish Lakish, identifica juízes, seus escribas, os que redigem os autos e os próprios litigantes nas "mãos manchadas de sangue" de Yeshayahu. Um breve excurso lateral segue: Rabi Malai, em nome de Rabi Yitzchak Magdelaá, ensina que Yosef não provou vinho desde que se separou de seus irmãos, com a réplica de Rabi Yosei bar Rabi Chanina de que também os irmãos se abstiveram até o reencontro no Egito; e Rabi Malai ensina que Aharon mereceu que o peitoral do juízo repousasse sobre seu coração como recompensa por sua alegria sincera ao ver Moshé escolhido em seu lugar. O daf conclui com o episódio dos filhos de Bashkar, que enviaram três perguntas práticas a Levi — sobre o dossel no Shabat, o lúpulo plantado numa vinha e o cuidado com um morto em Yom Tov —, mas Levi faleceu antes de responder; Shmuel então ordena a Rav Menashiá que responda em seu lugar, e a guemará questiona por que ele não adotou, em cada caso, a posição mais branda já conhecida (a de Rami bar Yechezkel sobre o dossel, a de Rabi Tarfon sobre o lúpulo), respondendo que os filhos de Bashkar não eram versados na Torá e precisavam de uma resposta simples e estrita; seguem-se os episódios de Rav e de Rav Amram Chassida sobre plantar lúpulo numa vinha, e de Rav Mesharshiya, que pagava uma criança gentia para plantá-lo em seu lugar. O daf termina no meio de um relato, trazido para questionar a resposta sobre o morto em Yom Tov, de um caso ocorrido na sinagoga de Maon, num Yom Tov adjacente ao Shabat — mas o texto é interrompido exatamente nesse ponto, prosseguindo em Shabat 139b, ainda não publicado. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.

Conclusão do ensinamento de Rabi Shimon bar Yochai · הֲלָכָה בְּרוּרָה וּמִשְׁנָה בְּרוּרָה

1273Não encontrarão halachá clara e mishná clara num só lugar
Rabi Shimon bar Yochai
הֲלָכָה בְּרוּרָה וּמִשְׁנָה בְּרוּרָה בִּמְקוֹם אֶחָד.

(completando a frase interrompida ao final de 138b: "não encontrarão") uma halachá clara e uma mishná clara num só lugar.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "halacha berura"
הלכה ברורה - בטעמים שלא יהא בה מחלוקת:

"Halachá clara" — com fundamentos tais que não haja controvérsia sobre ela.

Nota

Completa-se aqui a frase deixada cortada ao final de 138b: Rabi Shimon bar Yochai não nega que a Torá venha a ser difícil de encontrar — apenas nega que ela seja totalmente esquecida. O que faltará, segundo ele, não é o conhecimento da Torá em si, mas a clareza: um lugar único onde se encontre uma halachá decidida sem disputa e uma mishná estabelecida sem controvérsia. A fome profetizada por Amós, portanto, é a fome de certeza, não de conhecimento.

Se você viu uma geração de muitas tribulações: os juízes de Israel · צֵא וּבְדוֹק בְּדַיָּינֵי יִשְׂרָאֵל

1274Rabi Yosei ben Elisha: toda punição vem por causa dos juízes de Israel
Baraita; Rabi Yosei ben Elisha
תַּנְיָא, רַבִּי יוֹסֵי בֶּן אֱלִישָׁע אוֹמֵר: אִם רָאִיתָ דּוֹר שֶׁצָּרוֹת רַבּוֹת בָּאוֹת עָלָיו — צֵא וּבְדוֹק בְּדַיָּינֵי יִשְׂרָאֵל. שֶׁכׇּל פּוּרְעָנוּת שֶׁבָּאָה לְעוֹלָם לֹא בָּאָה אֶלָּא בִּשְׁבִיל דַּיָּינֵי יִשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״שִׁמְעוּ נָא זֹאת רָאשֵׁי בֵּית יַעֲקֹב וּקְצִינֵי בֵּית יִשְׂרָאֵל הַמְתַעֲבִים מִשְׁפָּט וְאֵת כׇּל הַיְשָׁרָה יְעַקֵּשׁוּ. בּוֹנֶה צִיּוֹן בְּדָמִים וִירוּשָׁלִַים בְּעַוְלָה. רָאשֶׁיהָ בְּשׁוֹחַד יִשְׁפּוֹטוּ וְכֹהֲנֶיהָ בִּמְחִיר יוֹרוּ וּנְבִיאֶיהָ בְּכֶסֶף יִקְסוֹמוּ וְעַל ה׳ יִשָּׁעֵנוּ וְגוֹ׳״.

Foi ensinado: Rabi Yosei ben Elisha diz: se você viu uma geração sobre a qual vêm muitas tribulações, saia e examine os juízes de Israel. Pois toda punição que vem ao mundo não vem senão por causa dos juízes de Israel, como está dito: "ouvi, agora, isto, chefes da casa de Yaakov e líderes da casa de Israel, que abominam a justiça e distorcem tudo o que é reto; que edificam Tzión com sangue, e Jerusalém com iniquidade; seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por paga, e seus profetas adivinham por dinheiro, e ainda se apoiam no Eterno, dizendo (etc.)" (Michá 3:9-11).

Nota

A menção da Torá esquecida conduz a guemará a um excurso relacionado: assim como a clareza da Torá se perde por falta de fundamento firme, também as tribulações do mundo têm uma causa identificável — a corrupção dos próprios juízes de Israel. Rabi Yosei ben Elisha propõe um diagnóstico social: diante de sofrimento coletivo generalizado, o primeiro lugar a examinar não é o povo em geral, mas seus julgadores.

1275São ímpios, mas confiavam em Deus: três punições por três transgressões
Anônimo da guemará
רְשָׁעִים הֵן, אֶלָּא שֶׁתָּלוּ בִּטְחוֹנָם בְּמִי שֶׁאָמַר וְהָיָה הָעוֹלָם. לְפִיכָךְ, מֵבִיא הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא עֲלֵיהֶן שָׁלֹשׁ פּוּרְעָנִיּוֹת כְּנֶגֶד שָׁלֹשׁ עֲבֵירוֹת שֶׁבְּיָדָם, שֶׁנֶּאֱמַר: ״לָכֵן בִּגְלַלְכֶם צִיּוֹן שָׂדֶה תֵחָרֵשׁ וִירוּשָׁלִַים עִיִּין תִּהְיֶה וְהַר הַבַּיִת לְבָמוֹת יָעַר״.

São ímpios esses juízes, mas dependuraram sua confiança em Quem disse e o mundo veio a ser (esperando que Deus os pouparia). Por isso, o Santo, bendito seja, traz sobre eles três punições, correspondentes às três transgressões que estão em suas mãos (suborno, paga e adivinhação por dinheiro), como está dito: "portanto, por vossa causa, Tzión será lavrada como campo, e Jerusalém se tornará em ruínas, e o monte do Templo, em alturas de floresta" (Michá 3:12).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "shalosh averot" e "shalosh puraniyot"
ג' עבירות - בשחד ישפוטו במחיר יורו ונביאיה בכסף יקסמו: ג' פורעניות - שדה תחרש עיין תהיה ולבמות יער:

"Três transgressões" — "julgam por suborno", "ensinam por paga" e "adivinham por dinheiro".

"Três punições" — "será lavrada como campo", "se tornará em ruínas" e "em alturas de floresta".

Nota

A guemará precisa a acusação: os juízes corruptos não negavam a existência de Deus, mas presumiam, erradamente, que Sua proteção os isentaria das consequências de seus próprios atos. Rashi mapeia com precisão as três transgressões do versículo de Michá — suborno, paga e adivinhação — às três punições correspondentes anunciadas no versículo seguinte.

1276A Presença Divina só repousará quando cessarem os juízes e oficiais maus
Anônimo da guemará
וְאֵין הַקָּדוֹשׁ בָּרוּךְ הוּא מַשְׁרֶה שְׁכִינָתוֹ עַל יִשְׂרָאֵל עַד שֶׁיִּכְלוּ שׁוֹפְטִים וְשׁוֹטְרִים רָעִים מִיִּשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְאָשִׁיבָה יָדִי עָלַיִךְ וְאֶצְרוֹף כַּבּוֹר סִיגָיִךְ וְאָסִירָה כׇּל בְּדִילָיִךְ. וְאָשִׁיבָה שׁוֹפְטַיִךְ כְּבָרִאשׁוֹנָה וְיוֹעֲצַיִךְ כְּבַתְּחִלָּה וְגוֹ׳״.

E o Santo, bendito seja, não fará repousar Sua presença sobre Israel até que se acabem os juízes e os oficiais maus de Israel, como está dito: "e voltarei Minha mão sobre ti, e fundirei como com potassa as tuas escórias, e removerei todo o teu estanho; e restituirei os teus juízes como no início, e os teus conselheiros como no princípio (etc.)" (Yeshayahu 1:25-26).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "veyoatzaich kevatchila"
ויועציך כבתחלה - ואחר כך יקרא לך עיר הצדק לשרות בה שכינה:

"E os teus conselheiros como no princípio" — e, só depois disso, o versículo continua: "e te chamarão cidade da justiça", para que a Presença Divina repouse nela.

Nota

A restauração da Presença Divina em Israel está condicionada à purificação de sua liderança judicial e administrativa — a mesma imagem de "fundir as escórias" do metal precioso, usada por Yeshayahu, indica um processo de refinamento pelo sofrimento que precede necessariamente a redenção.

1277Ula: Jerusalém só será redimida pela justiça
Ula
אָמַר עוּלָּא: אֵין יְרוּשָׁלָיִם נִפְדֵּית אֶלָּא בִּצְדָקָה, שֶׁנֶּאֱמַר: ״צִיּוֹן בְּמִשְׁפָּט תִּפָּדֶה וְשָׁבֶיהָ בִּצְדָקָה״.

Disse Ula: Jerusalém não será redimida senão pela justiça, como está dito: "Tzión será redimida pelo juízo, e os que nela retornarem, pela justiça" (Yeshayahu 1:27).

Nota

Ula fecha a sequência de versículos de Yeshayahu com sua conclusão natural: a mesma cidade condenada por seus juízes corruptos só encontrará redenção através do próprio valor que lhe faltou — a justiça retamente aplicada.

1278Rav Papa: cessando os arrogantes, cessam os feiticeiros; cessando os juízes, cessam os opressores
Rav Papa
אָמַר רַב פָּפָּא: אִי בָּטְלִי יְהִירֵי — בָּטְלִי אַמְגּוּשֵׁי. אִי בָּטְלִי דַּיָּינֵי — בָּטְלִי גְּזִירְפָּטֵי.

Disse Rav Papa: se cessarem os arrogantes, cessarão os feiticeiros; se cessarem os juízes maus, cessarão os opressores.

Nota

Rav Papa acrescenta uma correlação social: males externos — feitiçaria e opressão — espelham males internos — arrogância e corrupção judicial. A correção de um problema interno traz, como consequência, o fim do mal externo que lhe corresponde.

1279Prova escriturística da primeira metade: os arrogantes e os feiticeiros
Anônimo da guemará
אִי בָּטְלִי יְהִירֵי בָּטְלִי אַמְגּוּשֵׁי — דִּכְתִיב: ״וְאֶצְרוֹף כַּבּוֹר סִיגָיִךְ״.

"Se cessarem os arrogantes, cessarão os feiticeiros" — pois está escrito: "e fundirei como com potassa as tuas escórias" (Yeshayahu 1:25).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "siggayich"
סגיך - הם גסי הרוח שמגדלין עצמן לשון ישגה מאד (איוב ח׳:ז׳) ואח"כ ואסירה כל בדיליך אלו אותם המבדילים שונאי ישראל מן הקב"ה בשקריהם ובפחזותם:

"Tuas escórias" — estes são os soberbos, que se engrandecem a si mesmos, na expressão "e cresceria muito" (Iyov 8:7); e, logo depois, "e removerei todo o teu estanho" refere-se àqueles que separam os inimigos de Israel do Santo, bendito seja, por suas mentiras e sua leviandade.

Nota

A guemará ancora a primeira metade do dito de Rav Papa no mesmo versículo já citado sobre a purificação metafórica: as "escórias" e o "estanho" removidos do metal precioso simbolizam, segundo Rashi, os soberbos e os que afastam Israel de Deus por suas falsidades — cuja eliminação acaba, por consequência, com a feitiçaria.

1280Prova escriturística da segunda metade: os juízes e os opressores
Anônimo da guemará
אִי בָּטְלִי דַּיָּינֵי בָּטְלִי גְּזִירְפָּטֵי — דִּכְתִיב: ״הֵסִיר ה׳ מִשְׁפָּטַיִךְ פִּנָּה אוֹיְבֵךְ״.

"Se cessarem os juízes maus, cessarão os opressores" — pois está escrito: "o Eterno removeu os teus juízes maus, afastou o teu inimigo" (Tzefaniá 3:15).

Nota

Para a segunda metade do dito, a guemará recorre a um versículo distinto, de Tzefaniá, no qual a remoção dos juízes maus e o afastamento do inimigo aparecem lado a lado, na mesma ordem causal proposta por Rav Papa.

1281Rabi Malai: "quebrou o Eterno o bastão dos ímpios" — os juízes e seus assistentes
Rabi Malai em nome de Rabi Elazar bar Rabi Shimon; Mar Zutra
אָמַר רַבִּי מַלַּאי מִשּׁוּם רַבִּי אֶלְעָזָר בְּרַבִּי שִׁמְעוֹן: מַאי דִּכְתִיב ״שָׁבַר ה׳ מַטֵּה רְשָׁעִים שֵׁבֶט מוֹשְׁלִים״. ״שָׁבַר ה׳ מַטֵּה רְשָׁעִים״ — אֵלּוּ הַדַּיָּינִין שֶׁנַּעֲשׂוּ מַקֵּל לְחַזָּנֵיהֶם. ״שֵׁבֶט מוֹשְׁלִים״ — אֵלּוּ תַּלְמִידֵי חֲכָמִים שֶׁבְּמִשְׁפְּחוֹת הַדַּיָּינִין. מָר זוּטְרָא אָמַר: אֵלּוּ תַּלְמִידֵי חֲכָמִים שֶׁמְלַמְּדִים הִלְכוֹת צִיבּוּר לְדַיָּינֵי בּוּר.

Disse Rabi Malai, em nome de Rabi Elazar bar Rabi Shimon: o que significa o que está escrito: "quebrou o Eterno o bastão dos ímpios, o cetro dos que governam" (Yeshayahu 14:5)? "Quebrou o Eterno o bastão dos ímpios" — estes são os juízes que se tornaram um bastão para seus assistentes (deixando-se dominar por eles). "O cetro dos que governam" — estes são os discípulos dos sábios que pertencem às famílias dos juízes (e legitimam seus erros). Mar Zutra disse: estes são os discípulos dos sábios que ensinam as leis públicas a juízes ignorantes (sustentando-os por trás).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "shena'asu makel lechazaneihem", "shevet moshlim" e "ledayanei bur"
שנעשו מקל לחזניהם - לשמשיהן נותנין יד והויין להן לחוזק לומר לא אהיה שליח ואזמין את פלוני לב"ד אם לא תרבה שכר ואחר פסק דין לא ארדנו ליכנס למשכנו: שבט מושלים - מקל אגרופין של מושלים היינו דינים רשעים שת"ח שבמשפחותם להם למקל ולאגרוף שעל ידיהם היו מעמידין אותן ומחפין עליהם ועושין סניגרון לדבריהם: לדייני בור - שבהבטחת אותן ת"ח מעמידין דייני בור לדון את כל הבא והרבה דינין שאין נמלכים בהן ומטין אותן:

"Que se tornaram um bastão para seus assistentes" — os juízes dão apoio a seus assistentes, tornando-se seu instrumento de força, de modo que o assistente diz: "não serei o mensageiro a intimar fulano ao tribunal, a menos que aumentes minha paga", e, depois da sentença, ameaça: "não executarei a ordem de entrar em sua residência para penhorar".

"O cetro dos que governam" — o bastão e o punho dos que governam, isto é, dos juízes ímpios, para quem os discípulos dos sábios de suas famílias servem de bastão e punho, pois, por meio deles, esses juízes se sustentam, são encobertos e ganham defesa para suas palavras.

"A juízes ignorantes" — pois, com a garantia desses discípulos dos sábios, instalam-se juízes ignorantes para julgar quem quer que venha, e muitos julgamentos são feitos sem que sejam consultados, distorcendo-os.

Nota

Rabi Malai amplia a crítica: a corrupção judicial não se limita aos próprios juízes, mas se sustenta numa rede de cumplicidade — assistentes que exploram sua posição para extorquir, e discípulos dos sábios que, por parentesco ou proximidade, emprestam sua respeitabilidade a juízes indignos, permitindo que continuem julgando sem supervisão adequada.

1282Rabi Eliezer ben Malai: "vossas mãos manchadas de sangue" — a quem se refere?
Rabi Eliezer ben Malai em nome de Reish Lakish
אָמַר רַבִּי אֱלִיעֶזֶר בֶּן מַלַּאי מִשּׁוּם רֵישׁ לָקִישׁ: מַאי דִּכְתִיב ״כִּי כַפֵּיכֶם נְגֹאֲלוּ בַדָּם וְאֶצְבְּעוֹתֵיכֶם בֶּעָוֹן, שִׂפְתוֹתֵיכֶם דִּבְּרוּ שֶׁקֶר לְשׁוֹנְכֶם עַוְלָה תֶהְגֶּה״.

Disse Rabi Eliezer ben Malai, em nome de Reish Lakish: o que significa o que está escrito: "pois as vossas mãos estão manchadas de sangue, e os vossos dedos, de iniquidade; os vossos lábios falaram mentira, a vossa língua profere perversidade" (Yeshayahu 59:3)?

Nota

Reish Lakish propõe um novo versículo, ainda mais severo em suas imagens corporais de culpa, para identificar, com precisão, cada elo da cadeia de corrupção envolvida num processo judicial injusto — questão que a guemará responde no ensinamento seguinte.

1283Resposta: juízes, escribas, redatores e os próprios litigantes
Anônimo da guemará
״כִּי כַפֵּיכֶם נְגוֹאֲלוּ בַדָּם״ — אֵלּוּ הַדַּיָּינִין. ״וְאֶצְבְּעוֹתֵיכֶם בְּעָוֹן״ — אֵלּוּ סוֹפְרֵי הַדַּיָּינִין. ״שִׂפְתוֹתֵיכֶם דְּבָרוֹ שֶׁקֶר״ — אֵלּוּ עוֹרְכֵי הַדַּיָּינִין. ״לְשׁוֹנְכֶם עַוְלָה תֶּהְגֶּה״ — אֵלּוּ בַּעֲלִי דִּינִין.

"Pois as vossas mãos estão manchadas de sangue" — estes são os juízes. "E os vossos dedos, de iniquidade" — estes são os escribas dos juízes. "Os vossos lábios falaram mentira" — estes são os que redigem os autos para os juízes. "A vossa língua profere perversidade" — estes são os próprios litigantes.

Nota

A derasha estende a responsabilidade por um julgamento corrupto a toda a cadeia envolvida: não apenas o juiz que decide (as mãos), mas o escriba que registra (os dedos), o redator que formula os argumentos (os lábios) e o próprio litigante que insiste em sua causa injusta (a língua) — todos compartilham, em graus distintos, da mesma culpa denunciada por Yeshayahu.

Yosef, seus irmãos e o mérito de Aharon

1284Rabi Malai: Yosef não provou vinho desde que se separou de seus irmãos
Rabi Malai em nome de Rabi Yitzchak Magdelaá
וְאָמַר רַבִּי מַלַּאי מִשּׁוּם רַבִּי יִצְחָק מַגְדְּלָאָה: מִיּוֹם שֶׁפֵּירַשׁ יוֹסֵף מֵאֶחָיו לֹא טָעַם טַעַם יַיִן, דִּכְתִיב: ״וּלְקׇדְקֹד נְזִיר אֶחָיו״.

E disse Rabi Malai, em nome de Rabi Yitzchak Magdelaá: desde o dia em que Yosef se separou de seus irmãos, ele não provou o sabor do vinho, como está escrito: "e sobre a cabeça do nazireu de seus irmãos" (Bereshit 49:26, na bênção de Yaakov).

Nota

A guemará se afasta momentaneamente do tema dos juízes para um breve excurso sobre Yosef, extraído associativamente pela figura de um sábio chamado Malai. A palavra "nazir" (consagrado) na bênção de Yaakov a Yosef é lida como referência técnica ao voto de nazireu, que inclui a abstenção de vinho — sugerindo que Yosef se absteve dele durante todo o período de separação de seus irmãos.

1285Rabi Yosei bar Rabi Chanina: também os irmãos se abstiveram até o reencontro
Rabi Yosei bar Rabi Chanina
רַבִּי יוֹסֵי בְּרַבִּי חֲנִינָא אָמַר: אַף הֵן לֹא טָעֲמוּ טַעַם יַיִן, דִּכְתִיב: ״וַיִּשְׁתּוּ וַיִּשְׁכְּרוּ עִמּוֹ״, מִכְּלָל דְּעַד הָאִידָּנָא לָא הֲוָה שִׁיכְרוּת. וְאִידַּךְ, שִׁיכְרוּת הוּא דְּלָא הֲוָה, שְׁתִיָּהּ מִיהָא הֲוָה.

Rabi Yosei bar Rabi Chanina disse: também eles (os irmãos de Yosef) não provaram o sabor do vinho durante esse período, como está escrito: "e beberam, e se embriagaram com ele" (Bereshit 43:34, no reencontro no Egito) — donde se infere que, até então, não houve embriaguez. E o outro (sábio que sustenta que apenas Yosef se abstivera) responde: embriaguez é que não havia entre os irmãos, antes do reencontro, mas beber, de qualquer modo, havia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "imo"
עמו - מכלל דעד השתא לא:

"Com ele" — donde se infere que, até agora (o reencontro no Egito), não houve embriaguez.

Nota

A guemará debate se a abstinência de vinho, motivada pela dor da separação, foi exclusiva de Yosef ou compartilhada também por seus irmãos, que sabiam tê-lo vendido. A prova textual gira em torno da palavra "embriagaram-se" no reencontro, lida por um lado como indicando ausência total de vinho até então, e por outro apenas como ausência do estado de embriaguez, admitindo consumo moderado.

1286Rabi Malai: o mérito de Aharon com o peitoral do juízo
Rabi Malai
וַאֲמַר רַבִּי מַלַּאי: בִּשְׂכַר ״וְרָאֲךָ וְשָׂמַח בְּלִבּוֹ״, זָכָה לְחֹשֶׁן הַמִּשְׁפָּט עַל לִבּוֹ.

E disse Rabi Malai: como recompensa por Deus dizer, a respeito de Aharon: "e ele te verá, e se alegrará em seu coração" (Shemot 4:14, quando Aharon soube que Moshé seria o líder em seu lugar), Aharon mereceu que o peitoral do juízo repousasse sobre seu coração.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "zacha lechoshen hamishpat"
זכה לחשן המשפט - שכנגד הלב שהיה גדול ממנו וקודם למשה נגלית שכינה על אהרן כדכתיב (שמואל א ב׳:כ״ז) הנגלה נגליתי אל בית אביך ונאמרה לו נבואה של מצרים הכתובה (ביתזקאל כ) עד וימרו בי ואעפ"כ לא נתקנא בו בזאת:

"Mereceu o peitoral do juízo" — colocado sobre o coração; pois Aharon era mais velho que Moshé, e antes de Moshé a Presença Divina já se revelara a Aharon, como está escrito: "certamente Me revelei à casa de teu pai (no Egito)" (I Shmuel 2:27), e a ele fora dita a profecia sobre o Egito registrada em Yechezkel até "e se rebelaram contra Mim" (Yechezkel 20); e, mesmo assim, ele não teve inveja de Moshé por isso.

Nota

Fecha-se o breve excurso com um ensinamento sobre a generosidade de espírito: Aharon, mais velho e primeiro destinatário da revelação profética, poderia ter invejado a escolha de Moshé como libertador, mas, ao contrário, alegrou-se sinceramente — e essa alegria genuína foi recompensada com a honra de trazer o peitoral do juízo sobre o próprio coração.

Os filhos de Bashkar perguntam a Levi: três questões sobre o Shabat e Yom Tov · שְׁלַחוּ לֵיהּ בְּנֵי בָשְׁכָּר

1287As três perguntas dos filhos de Bashkar
Bnei Bashkar
שְׁלַחוּ לֵיהּ בְּנֵי בָשְׁכָּר לְלֵוִי: כִּילָּה מַהוּ? כְּשׁוּתָא בְּכַרְמָא מַהוּ? מֵת בְּיוֹם טוֹב מַהוּ?

Os habitantes de Bashkar (um lugarejo) enviaram uma pergunta a Levi: qual é a lei do dossel (no Shabat)? Qual é a lei do lúpulo plantado numa vinha? Qual é a lei de um morto em Yom Tov?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "bnei bashkar", "kilah mahu" e "keshuta"
בני בשכר - שם מקום: כילה מהו - לנטותה בשבת: כשותא - הימלון שגדל על ההגא מהו בכרמא ירק הוא וכלאים בכרם או אילן הוא ואינו כלאים בכרם:

"Filhos de Bashkar" — nome de um lugar.

"Qual é a lei do dossel" — para estendê-lo no Shabat.

"Lúpulo" — a planta trepadeira que cresce sobre a cerca: qual é sua lei quando plantada numa vinha? É uma verdura, e portanto constitui mistura proibida na vinha, ou é uma árvore, e portanto não constitui mistura proibida na vinha?

Nota

Encerrado o excurso agádico, a guemará retoma um tema prático relacionado ao dossel, já discutido em 138a-138b: os habitantes de um lugarejo remoto, Bashkar, enviam três perguntas halárgicas distintas a Levi — duas sobre práticas do Shabat e de agricultura, e uma sobre luto em Yom Tov —, abrindo o último bloco temático do daf.

1288Levi falece antes de responder; Rav Menashiá responde sobre o dossel: não há lado de permissão
Shmuel; Rav Menashiá
אַדְּאָזֵיל נָח נַפְשֵׁיהּ דְּלֵוִי. אָמַר שְׁמוּאֵל לְרַב מְנַשְּׁיָא: אִי חַכִּימַתְּ, שְׁלַח לְהוּ. שְׁלַח לְהוּ: כִּילָּה — חָזַרְנוּ עַל כׇּל צִידֵּי כִּילָּה וְלֹא מָצִינוּ לָהּ צַד הֶיתֵּר.

Enquanto a pergunta ainda estava a caminho, Levi faleceu. Disse Shmuel a Rav Menashiá: se és sábio, responde-lhes. Rav Menashiá respondeu-lhes: quanto ao dossel — percorremos todos os aspectos do dossel e não encontramos nele nenhum lado de permissão.

Nota

Antes que Levi pudesse responder, ele faleceu, e Shmuel delega a tarefa a Rav Menashiá, testando sua capacidade. A resposta sobre o dossel é categoricamente restritiva: examinado sob todos os ângulos, nenhuma configuração do dossel se mostrou permitida — uma resposta mais severa do que a distinção fina, entre dossel comum e dossel nupcial, já vista em 138b.

1289Objeção: por que não a opinião mais branda de Rami bar Yechezkel? Porque não eram versados na Torá
Anônimo da guemará
וְלִישְׁלַח לְהוּ כִּדְרָמֵי בַּר יְחֶזְקֵאל! לְפִי שֶׁאֵינָן בְּנֵי תוֹרָה.

Mas que lhes respondesse conforme o ensinamento de Rami bar Yechezkel (que permite estender o cortinado com duas pessoas)! Rav Menashiá não o fez porque eles (os habitantes de Bashkar) não eram versados na Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "velishlach lehu" e "kideramei bar yechezkel"
ולישלח להו - צד היתר בה: כדרמי בר יחזקאל - כרך עליה חוט או משיחה:

"Mas que lhes respondesse" — algum lado de permissão nele.

"Conforme o ensinamento de Rami bar Yechezkel" — quando alguém já amarrou nele um fio ou uma corda na véspera.

Nota

A guemará objeta que existiam, sim, exceções conhecidas em que o cortinado poderia ser estendido — como o ensinamento de Rami bar Yechezkel visto em 138b. A resposta explica a estratégia pedagógica: para leigos sem formação, a resposta correta é a mais simples e restritiva, mesmo que uma leniência técnica existisse em teoria, para evitar erros de aplicação.

1290Sobre o lúpulo: mistura proibida; objeção sobre a opinião de Rabi Tarfon, mesma resposta
Rav Menashiá; Anônimo da guemará; Baraita
כְּשׁוּתָא בְּכַרְמָא — עִירְבּוּבָא. וְלִישְׁלַח לְהוּ כִּדְרַבִּי טַרְפוֹן? דְּתַנְיָא: כְּשׁוּת, רַבִּי טַרְפוֹן אוֹמֵר: אֵין כִּלְאַיִם בַּכֶּרֶם. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: כִּלְאַיִם בַּכֶּרֶם. וְקַיְימָא לַן: כׇּל הַמֵּיקֵל בָּאָרֶץ, הֲלָכָה כְּמוֹתוֹ בְּחוּץ לָאָרֶץ! לְפִי שֶׁאֵינָן בְּנֵי תוֹרָה.

Sobre o lúpulo numa vinha — Rav Menashiá respondeu: é mistura proibida. Mas que lhes respondesse conforme a opinião de Rabi Tarfon? Pois foi ensinado: quanto ao lúpulo, Rabi Tarfon diz: não há mistura proibida na vinha; e os sábios dizem: há mistura proibida na vinha. E estabelecemos: em toda questão em que se é mais permissivo na Terra de Israel, a halachá segue essa opinião fora da Terra! Rav Menashiá não o fez porque eles não eram versados na Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "eirbuva" e "vekayeima lan"
עירבובא - כלאים: וקי"ל - בברכות בפרק כיצד גבי ערלה וה"ה לכלאים שאף היא מצוה התלויה בארץ ואינה נוהגת מן התורה אלא בארץ:

"É mistura proibida" — isto é, kilaim (a proibição bíblica de misturar espécies).

"E estabelecemos" — em Berachot, no capítulo "Keitzad", a respeito de orlá, e o mesmo vale para kilaim, pois também ela é um mandamento condicionado à Terra de Israel, e não vige, pela Torá, senão na própria Terra.

Nota

A mesma dinâmica se repete para a segunda pergunta: existia uma opinião mais branda conhecida — a de Rabi Tarfon, aplicável fora da Terra de Israel por um princípio geral sobre mandamentos condicionados ao território —, mas Rav Menashiá optou pela resposta restritiva dos sábios, pela mesma razão pedagógica já explicada.

1291Rav proclama a permissão de plantar lúpulo na vinha; Rav Amram Chassida açoita por isso
Rav; Rav Amram Chassida
מַכְרִיז רַב: הַאי מַאן דְּבָעֵי לְמִיזְרַע כְּשׁוּתָא בְּכַרְמָא — לִיזְרַע. רַב עַמְרָם חֲסִידָא מְנַגֵּיד עִילָּוֵיהּ.

Rav proclamava: aquele que deseja plantar lúpulo numa vinha, que plante (seguindo Rabi Tarfon, pois estavam fora da Terra de Israel). Rav Amram, o Piedoso, açoitava quem o fizesse, insistindo na opinião mais restritiva dos sábios.

Nota

A guemará ilustra, com um episódio concreto, a divergência prática entre as duas abordagens: Rav aplicava, na Babilônia, a leniência de Rabi Tarfon quanto ao lúpulo na vinha, enquanto Rav Amram Chassida, seu contemporâneo mais rigoroso, chegava a punir fisicamente quem seguisse essa permissão.

1292Rav Mesharshiya pagava uma criança gentia para plantar em seu lugar
Rav Mesharshiya; Anônimo da guemará
רַב מְשַׁרְשְׁיָא יָהֵיב לֵיהּ פְּרוּטָה לְתִינוֹק גּוֹי וְזָרַע לֵיהּ. וְלִיתֵּן לֵיהּ לְתִינוֹק יִשְׂרָאֵל! אָתֵי לְמִיסְרַךְ: וְלִיתֵּן לֵיהּ לְגָדוֹל גּוֹי! אָתֵי לְאִיחַלּוֹפֵי בְּיִשְׂרָאֵל.

Rav Mesharshiya dava uma moeda a uma criança gentia, e ela plantava o lúpulo na vinha por ele. Mas que a desse a uma criança israelita! Não o fez, pois ela viria a se acostumar a plantar por si mesma, ao crescer. Mas que a desse a um gentio adulto! Não o fez, pois esse adulto viria a ser confundido com um israelita por quem visse a plantação.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "yahiv perutah letinok nochri"
יהיב פרוטה לתינוק נכרי - קסבר בחוץ לארץ שרי ומיהו כל כמה דאפשר משני שלא ילמדו להקל:

"Dava uma moeda a uma criança gentia" — pois Rav Mesharshiya sustentava que, fora da Terra de Israel, plantar lúpulo na vinha é permitido; mas, ainda assim, sempre que possível, ele agia de outro modo, para que os israelitas não aprendessem a ser leniente por conta própria.

Nota

Rav Mesharshiya adota uma solução intermediária, seguindo a leniência de Rabi Tarfon na teoria, mas evitando praticá-la abertamente: usa uma criança gentia como agente, precisamente porque ela não corre o risco de se acostumar ao ato (ao contrário de uma criança israelita) nem de ser confundida com um israelita adulto agindo de forma leniente.

1293Sobre o morto em Yom Tov: nem judeus nem gentios devem se ocupar dele
Rav Menashiá
מֵת — שְׁלַח לְהוּ: מֵת לֹא יִתְעַסְּקוּ בּוֹ לֹא יְהוּדָאִין וְלֹא אַרְמָאִין, לֹא בְּיוֹם טוֹב רִאשׁוֹן וְלֹא בְּיוֹם טוֹב שֵׁנִי.

Quanto à pergunta sobre um morto em Yom Tov, Rav Menashiá respondeu-lhes: com um morto não se devem ocupar nem judeus nem arameus (gentios, mesmo por intermédio deles), nem no primeiro dia de Yom Tov, nem no segundo dia de Yom Tov (fora da Terra de Israel).

Nota

A terceira resposta de Rav Menashiá mantém a mesma linha restritiva: nem judeus, por causa das proibições próprias do dia festivo, nem gentios agindo em seu favor, devem se ocupar dos cuidados fúnebres com um morto em qualquer dos dois dias de Yom Tov — uma proibição categórica, sem as exceções que a guemará está prestes a questionar.

1294Objeção: e o caso na sinagoga de Maon? — interrompido
Anônimo da guemará; Rabi Yehuda bar Shilat em nome de Rabi Assi
אִינִי?! וְהָאָמַר רַבִּי יְהוּדָה בַּר שִׁילַת אָמַר רַבִּי אַסִּי: עוֹבָדָא הֲוָה בְּבֵי כְנִישְׁתָּא דְּמָעוֹן בְּיוֹם טוֹב הַסָּמוּךְ לַשַּׁבָּת, [...]

É assim mesmo?! Mas não disse Rabi Yehuda bar Shilat, em nome de Rabi Assi: houve um caso na sinagoga de Maon, num Yom Tov adjacente ao Shabat [o relato é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 139b].

Nota

O daf termina exatamente neste ponto, no meio de uma objeção à resposta categórica de Rav Menashiá sobre o morto em Yom Tov: a guemará traz, através de Rabi Yehuda bar Shilat em nome de Rabi Assi, um precedente concreto — um caso ocorrido na sinagoga de Maon, num Yom Tov que caía junto ao Shabat —, cujos detalhes e implicação para a halachá ficam cortados aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 139b.

O daf termina aqui, no meio do relato sobre o caso na sinagoga de Maon, trazido como objeção à resposta de Rav Menashiá sobre o morto em Yom Tov. O restante do Perek Vinte (Tolin) prossegue em Shabbat 139b, ainda não publicado.