100b abre completando exatamente o diálogo interrompido ao final de 100a: Ravina havia começado a interpelar Mareimar sobre a tradição de Rava — de que, mesmo dentro de três palmos, os Rabinos exigem pouso genuíno sobre algo — perguntando se isso não é o mesmo que já ensina a Mishná, segundo a explicação de Rabi Yochanan; Mareimar esclarece que a Mishná trata de um objeto que rola, que nunca chega a repousar por si mesmo, ao passo que Rava fala de um objeto que, embora ainda não tenha pousado, certamente pousará. Uma nova Mishná trata de lançar um objeto quatro côvados dentro do mar (isento, pois o mar é carmelit) e dentro de um pântano raso por onde passa o domínio público (responsável); a Guemará pergunta por que a Mishná menciona "passagem" e "pântano" duas vezes cada, e um dos Sábios, Abaye e Rav Ashi oferecem três explicações diferentes — a última delas levando Rav Ashi a acrescentar seu próprio ensinamento sobre quem lança um objeto que pousa sobre uma prancha da ponte. Uma segunda nova Mishná trata de lançar do mar à terra firme, da terra ao mar, do mar a um barco e vice-versa, e de um barco a outro (todos isentos), e da diferença entre barcos amarrados (permite-se carregar entre eles) e não amarrados (não se permite, mesmo adjacentes). A Guemará então discute como se pode tirar água do mar para dentro de um barco em Shabat sem transgredir: Rav Huna exige apenas uma pequena saliência como sinal distintivo, pois considera que se mede o carmelit a partir do fundo do mar, e o ar acima da água é domínio isento; Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna exigem uma área de quatro por quatro palmos, pois consideram que se mede o carmelit a partir da superfície da água, tratada como terra firme. Rav Nachman questiona a opinião de Rav Huna quanto a águas rasas, respondido pela tradição de que barcos não navegam em menos de dez palmos, e por Rav Safra sobre os sondadores que vão à frente do barco. Rav Nachman bar Yitzchak questiona a opinião de Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna quanto ao descarte da água de despejo, respondido por Rav Chiya bar Avin — e a folha termina, em pleno desenvolvimento, citando uma baraita sobre as restrições de carregar de dentro do barco para o mar, a continuar em 101a.
— não é isso justamente o que já ensinamos na Mishná, a respeito da qual disse Rabi Yochanan: e isso é dito somente quando o objeto pousou sobre algo mínimo? Mareimar disse-lhe: "objeto rolante" estás dizendo? Um objeto rolante nunca chega, por fim, a repousar; mas este, já que por fim vai repousar, ainda que ainda não tenha repousado — é considerado como um objeto que já repousou. Isso é o que Rava nos ensina.
A frase interrompida ao final de 100a se completa exatamente aqui: Ravina havia começado a interpelar Mareimar, que ensinava a tradição de Rava segundo a qual, mesmo dentro de três palmos — onde normalmente vale o princípio do lavud —, os Rabinos exigem pouso genuíno sobre algo, por mínimo que seja. Ravina pergunta: isso não é simplesmente o que a própria Mishná (sobre os quatro côvados) já ensina, segundo a explicação de Rabi Yochanan de que a responsabilidade só se aplica quando o objeto pousou sobre algo mínimo? Mareimar esclarece a diferença: a Mishná, com a explicação de Rabi Yochanan, trata de um objeto que rola indefinidamente — um objeto assim nunca chega a repousar por si mesmo, e por isso a responsabilidade depende de encontrar um pouso genuíno em algum ponto do trajeto. Mas o caso de Rava é outro: um objeto lançado dentro de três palmos do chão, que ainda não pousou, mas que, por força da gravidade e da proximidade do chão, certamente pousará em breve. Nesse caso, mesmo sem pouso ainda realizado, Rava ensina algo novo: que, segundo os Rabinos, isso não basta — ainda é necessário aguardar o pouso genuíno, por mínimo que seja, e não presumir o pouso apenas porque ele é certo de ocorrer. É esse ponto adicional, distinto do caso do objeto rolante da Mishná, que a tradição de Rava, transmitida por Mareimar, vem ensinar.
"'Não é isso a Mishná'" — pois a Mishná ensina: lançou o objeto para fora de quatro côvados e ele rolou para dentro etc., é responsável; e Rabi Yochanan disse: isso é dito quando ele pousou; portanto, quando não pousou, não é responsável — pois Rabi Yochanan não o estabeleceu especificamente num caso em que o objeto chegou dentro de três palmos do chão. "'Objeto rolante estás dizendo'" — isto é, estás falando de algo que o vento faz rolar no ar. "'Já que por fim vai repousar'" — e a pessoa se lembrou de seu engano antes que o objeto repousasse, diríamos que é como se estivesse pousado, pois certamente vai repousar, e já chegou dentro de três palmos?
Quem lança um objeto no mar quatro côvados — é isento. Mas se havia um pântano de água rasa, e o domínio público passa por ele, quem lança um objeto nele quatro côvados — é responsável. E quanto é profundo esse pântano de água rasa? Menos de dez palmos. Se havia um pântano de água rasa, e o domínio público passa por ele, quem lança um objeto nele quatro côvados — é responsável.
Uma nova Mishná retoma o tema do mar, já classificado como carmelit (domínio intermediário) nas discussões anteriores: quem lança um objeto quatro côvados dentro do mar é isento, pois transporta de um domínio público para um carmelit, não para um domínio privado pleno. Mas se, em vez do mar profundo, há um pântano de água rasa — com menos de dez palmos de profundidade — e o domínio público efetivamente passa através dele (pessoas caminham por ali com regularidade), então esse pântano tem status de domínio público pleno, e quem lança um objeto quatro côvados dentro dele é responsável, exatamente como se lançasse na terra seca. A Mishná repete a cláusula final quase palavra por palavra, o que a Guemará logo questiona.
"'E quanto é profundo esse pântano de água rasa'" — isto é, qual é sua profundidade, para dizermos que ainda é domínio público e não se tornou carmelit. "'Pântano (rekak)'" — em francês antigo, gravela (um brejo raso).
Guemará: disse a ele um dos Sábios a Rava: concedido que "passagem" e "passagem" é dito duas vezes na Mishná, pois isso vem nos ensinar: passagem sob dificuldade tem o nome de passagem, mas uso sob dificuldade não tem o nome de uso e não constitui domínio público. Mas "pântano" e "pântano" duas vezes — para que me serve? Rava respondeu: uma menção refere-se aos dias de verão, e outra aos dias de chuva. E ambas são necessárias, pois, se a Mishná tivesse ensinado apenas uma, eu diria que essas coisas valem apenas nos dias de verão, porque as pessoas costumam caminhar pelo pântano para se refrescar, mas nos dias de chuva — não. E se a Mishná nos ensinasse a regra apenas nos dias de chuva, diria que, já que as pessoas se sujam de qualquer forma, não se importam de caminhar pelo pântano, mas nos dias de verão — não.
Um dos Sábios levanta uma dificuldade sobre a redação da nova Mishná, que menciona "domínio público que passa por ele" a respeito da passagem duas vezes, e "pântano de água rasa" também duas vezes. Quanto à repetição de "passagem", ele já compreende a razão: ensina que mesmo uma passagem que as pessoas fazem sob dificuldade — não por conforto, mas por necessidade — ainda é considerada passagem suficiente para tornar o local domínio público; mas um uso sob dificuldade (por exemplo, um buraco raso onde as pessoas guardam objetos apenas ocasionalmente, sob aperto) não é considerado uso suficiente para dar ao local status de domínio público. Mas por que a Mishná precisa mencionar "pântano" duas vezes, em ambas as cláusulas? Rava responde: cada menção se refere a uma estação diferente do ano. A primeira trata do pântano no verão, quando as pessoas atravessam voluntariamente para se refrescar do calor; a segunda trata do pântano no inverno, quando o chão já está enlameado e as pessoas não se importam em atravessá-lo também molhado. Rava explica que ambas as menções são necessárias: se a Mishná ensinasse apenas o caso do verão, poderíamos pensar que a regra vale somente porque as pessoas atravessam voluntariamente por prazer, mas não no inverno, quando talvez evitassem o pântano gelado; e se ensinasse apenas o caso do inverno, poderíamos pensar que a regra vale somente porque as pessoas já estão sujas e não se importam, mas não no verão, quando talvez preferissem contornar o pântano para não se molhar. Por isso ambas as menções são necessárias.
"'Passagem, passagem'" — que a Mishná menciona duas vezes: a expressão "e o domínio público passa por ele" é dita uma vez para dizer que, se não costumam passar por ali, é isento, e se costumam passar por ali, é responsável, ainda que seja passagem sob dificuldade; e uma vez para nos ensinar que somente passagem sob dificuldade tem o nome de passagem, mas uso público sob dificuldade — como uma cova de nove palmos de profundidade no domínio público, ainda que sirva para guardar ali um gorro ou um lenço — não é considerado uso suficiente para tornar aquela cova domínio público, como o caso de uma coluna de nove palmos sobre a qual o público carrega fardos, do qual dizemos no primeiro capítulo que é domínio público. "'Mas pântano duas vezes, para que me serve'" — para nos ensinar outro tipo de passagem sob dificuldade.
Abaye disse: era necessário, pois de outra forma viria à tua mente dizer que essas coisas valem apenas onde o pântano não tem quatro côvados de largura, mas onde o pântano tem quatro côvados de largura, as pessoas o contornam.
Abaye propõe uma explicação alternativa à de Rava para a dupla menção de "pântano": não se trata de duas estações do ano, mas de duas larguras diferentes do pântano. Se a Mishná mencionasse apenas um caso, poderíamos pensar que a regra — de que a passagem habitual, mesmo sob dificuldade, torna o local domínio público — vale apenas quando o pântano tem menos de quatro côvados de largura, pois então não vale a pena contornar um trecho tão estreito, e as pessoas simplesmente atravessam por ele. Mas quando o pântano tem quatro côvados ou mais de largura, poderíamos pensar que as pessoas preferem contorná-lo, evitando entrar na água, de modo que ele não teria a passagem regular necessária para ser considerado domínio público. A dupla menção ensina que, em ambos os casos — pântano estreito ou largo —, as pessoas efetivamente atravessam, e por isso ambos têm status de domínio público.
Rav Ashi disse: era necessário, pois de outra forma viria à tua mente dizer que essas coisas valem apenas onde o pântano tinha quatro palmos de profundidade, mas onde o pântano não tinha quatro palmos de profundidade, as pessoas o transpõem a passos largos sem entrar nele. E Rav Ashi segue sua própria lógica, pois Rav Ashi disse: aquele que lançou um objeto e ele pousou na prancha de uma ponte — é responsável, pois ainda que alguns transponham a passos largos, muitos passam por cima dela.
Rav Ashi propõe uma terceira explicação: a dupla menção de "pântano" não se refere nem a estações nem a larguras, mas a profundidades. Se a Mishná mencionasse apenas um caso, poderíamos pensar que a regra vale apenas quando o pântano tem quatro palmos de profundidade ou mais, pois então é desconfortável saltar sobre ele, e as pessoas preferem atravessá-lo caminhando; mas quando tem menos de quatro palmos de profundidade, poderíamos pensar que as pessoas simplesmente saltam sobre ele com passos largos, sem entrar na água — de modo que não haveria passagem regular suficiente para lhe dar status de domínio público. A dupla menção ensina que, em ambos os casos, há passagem suficiente. A Guemará observa que Rav Ashi é consistente com sua própria posição noutro contexto: Rav Ashi ensinou que quem lança um objeto do domínio público e ele pousa sobre uma única prancha (viga) de uma ponte é responsável, mesmo que a prancha, isoladamente, tenha menos de quatro palmos de largura — porque, embora algumas pessoas prefiram passar de uma prancha a outra a passos largos, a maioria das pessoas efetivamente caminha sobre cada prancha individualmente, o que basta para lhe conferir status de domínio público pleno, unindo-se às demais pranchas da ponte.
"'Não tem quatro côvados'" — de largura, pois então não é trabalhoso para as pessoas atravessar por dentro dele, e é mais fácil assim do que contorná-lo e ir até sua extremidade, onde ele termina. "'Mas onde'" etc. — a Mishná repete o ensinamento outra vez para trazer este caso adicional. "'Essas coisas'" — que valem para tornar o local domínio público. "'Onde sua largura é de quatro côvados'" — pois então não é costume das pessoas saltar sobre ele, mas sim atravessar por dentro dele. "'A prancha da ponte'" — sobre uma tábua da ponte, colocada ao longo da largura da ponte, como as demais tábuas, e separada da vizinha. "'É responsável'" — e, ainda que haja quem salte de uma prancha a outra e não pouse os pés sobre ela, há muitos que passam por cima dela.
Quem lança um objeto do mar à terra firme, e da terra firme ao mar, e do mar a um barco, e de um barco ao mar, e de um barco a outro — é isento. Se barcos estão amarrados um ao outro, carrega-se um objeto de um a outro. Mas se não estão amarrados, ainda que estejam próximos, não se carrega um objeto de um a outro.
Uma nova Mishná trata das transferências entre o mar (carmelit) e outros domínios, e entre barcos. Quem lança um objeto do mar para a terra firme (domínio público), da terra firme para o mar, do mar para um barco (domínio privado), de um barco para o mar, ou de um barco a outro, é isento em todos os casos — porque, em cada um deles, uma das extremidades do trajeto é o mar, um carmelit, e não há responsabilidade por transferir de domínio público a carmelit, de carmelit a domínio público, ou mesmo de carmelit a domínio privado e vice-versa (transferências que passam por, ou terminam em, um carmelit não constituem transporte proibido pela Torá). Quanto a barcos: se dois barcos estão amarrados um ao outro, formando efetivamente uma única unidade, pode-se carregar objetos livremente de um para o outro, como se fossem um só domínio privado. Mas se não estão amarrados — mesmo que estejam fisicamente próximos, quase tocando —, não se pode carregar de um para o outro, pois são considerados dois domínios privados distintos, separados por um carmelit (o mar) entre eles.
"'Do mar à terra firme'" — do carmelit ao domínio público. "'Do mar ao barco'" — do carmelit ao domínio privado. "'Carrega-se de um a outro'" — e na Guemará a Guemará pergunta: isso é óbvio? "'Que estão próximas'" — adjacentes uma à outra, como a expressão "não se colocam dois barris próximos" (Beitzá 32b). "'Não se carrega de um a outro'" — pois, com a interposição do carmelit, os barcos se separam um do outro; e nós estabelecemos o caso, mais adiante, na Guemará, que os barcos pertencem a duas pessoas, e por meio de um erruv carrega-se de um a outro; por isso, quando os barcos se separam e o carmelit os divide, o erruv se anula.
Guemará: foi dito: quanto a tirar água do mar para dentro de um barco, Rav Huna disse: estende-se dele uma saliência de qualquer tamanho, e então se enche o recipiente com água. Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna dizem: faz-se uma área de quatro por quatro palmos, e então se enche o recipiente com água.
A Guemará aborda uma questão prática de Shabat: como alguém a bordo de um barco pode tirar água do mar (um carmelit) para dentro do barco (um domínio privado) sem transgredir a proibição de carregar de um domínio a outro. Foi transmitida uma disputa entre os Sábios: Rav Huna sustenta que basta estender uma pequena saliência qualquer — de qualquer tamanho — para fora da lateral do barco, como sinal distintivo, e então se pode encher livremente um recipiente com água do mar. Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna discordam: é necessário construir uma área específica de quatro por quatro palmos, emoldurada, e somente dali se pode tirar a água. A Guemará explicará a seguir a base conceitual de cada opinião.
Rav Huna, que disse que se estende dele uma saliência de qualquer tamanho e então se enche o recipiente, sustenta que medimos o carmelit a partir do fundo do mar, e o ar acima dele é domínio isento. E, por lei, também não seria necessária a saliência; mas exige-se apenas para que a pessoa tenha um sinal distintivo.
A Guemará explica a lógica de Rav Huna: ele sustenta que o status de carmelit do mar — que se estende até dez palmos de profundidade a partir do fundo — deve ser medido a partir do próprio fundo do mar, e não da superfície da água. Como o mar tem, tipicamente, muito mais de dez palmos de profundidade, o barco, flutuando sobre a superfície, está, na prática, acima da zona de carmelit — no ar, que é domínio isento (nem público, nem privado, nem carmelit), pois está a mais de dez palmos acima do fundo. Portanto, tirar água diretamente do mar para dentro do barco tecnicamente envolveria transferir de um domínio isento (o ar acima da água) para um domínio privado (o interior do barco), o que é permitido de antemão, sem qualquer restrição. Segundo essa lógica, nem seria necessário exigir a pequena saliência; ela é exigida apenas como medida preventiva — um sinal distintivo para lembrar a pessoa de que está tirando água do mar, evitando que, por hábito, venha a tirar água diretamente de um verdadeiro carmelit (como um poço raso) para um domínio privado, sem o cuidado devido.
"'Medimos o carmelit a partir do fundo'" — os dez palmos de ar que os Sábios atribuíram à proibição do carmelit, como dizemos no primeiro capítulo (7a), e que se estendem a partir do fundo, até dez palmos a partir do leito do mar, medimo-los dali; e o ar que está acima dos dez, mesmo que seja água, é domínio isento; por isso a pessoa a toma de forma permitida, de antemão. "'Para que tenha um sinal distintivo'" — que o lembre de um carmelit pleno , como um poço, onde de fato seria proibido.
Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna, que disseram: faz-se uma área de quatro por quatro palmos, e então se enche o recipiente, sustentam que medimos o carmelit a partir da superfície da água — a água sendo tratada como terra firme e sólida. Portanto, se a pessoa não faz uma área de quatro por quatro palmos, ela carrega do carmelit para o domínio privado.
A Guemará explica a lógica oposta de Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna: eles sustentam que o status de carmelit do mar deve ser medido a partir da própria superfície da água, tratando a água — apesar de ser líquida — como se fosse terra firme e sólida para efeito dessa medição. Segundo essa lógica, a zona de carmelit (dez palmos) começa na superfície e se estende para baixo (ou, de forma equivalente, o espaço logo acima da superfície da água já está dentro da zona de influência do carmelit, e não é considerado domínio isento como sustenta Rav Huna). Como consequência, se a pessoa simplesmente tirasse água diretamente da superfície do mar para dentro do barco, sem qualquer preparação especial, estaria efetivamente carregando de um carmelit pleno para um domínio privado pleno — o que é proibido. Por isso, exige-se a construção de uma área demarcada de quatro por quatro palmos, emoldurada por pequenas partições, que cria ali um domínio próprio (tratado como uma extensão do domínio privado do barco), tornando permitida a retirada de água exclusivamente daquela área específica.
"'É terra firme e sólida'" — e toda a água do mar, assim, é carmelit. "'Sólida'" — isto é, densa.
Rav Nachman disse a Rabah bar Avuh: e, segundo Rav Huna, que disse: estende-se dele uma saliência de qualquer tamanho, e então se enche o recipiente, às vezes não há dez palmos de profundidade, e a pessoa carrega do carmelit para o domínio privado! Ele respondeu: aprendemos por tradição que um barco não navega em água com menos de dez palmos de profundidade. Mas o barco tem uma proa saliente que se ergue acima da água! Disse Rav Safra: os sondadores vão à frente dele.
Rav Nachman levanta uma objeção prática contra a lógica de Rav Huna: se o carmelit se mede a partir do fundo do mar, e o ar acima de dez palmos é domínio isento, isso pressupõe que a água sob o barco tenha sempre pelo menos dez palmos de profundidade. Mas, em muitos lugares — perto da costa, por exemplo —, a água pode ser mais rasa que isso; nesses casos, o barco estaria efetivamente dentro da zona de carmelit, e tirar água dali para dentro do barco seria carregar de carmelit para domínio privado, o que é proibido. Rabah bar Avuh responde com uma tradição recebida: por princípio geral, um barco simplesmente não navega em água com menos de dez palmos de profundidade — ele encalharia. Rav Nachman replica: mas a proa do barco (sua parte dianteira) se ergue e se afina, ficando mais alta que o restante do casco; ali, a água sob a proa pode ser mais rasa que dez palmos, mesmo que o corpo principal do barco esteja em água mais funda. Rav Safra resolve essa dificuldade: existem sondadores — pessoas com longas varas ou postes que vão à frente do barco, medindo a profundidade da água, para garantir que o barco não navegue por onde a água é rasa demais, prevenindo justamente esse problema.
"'Às vezes não há'" — dez palmos de água sob o barco, e, além disso, se medimos o carmelit a partir do fundo, toda essa água rasa é carmelit de qualquer forma. "'Aprendemos por tradição que um barco não navega'" etc. — pois, sempre que a Guemará ensina "barco" e não ensina meramente "tina", trata-se de uma embarcação grande. "'Mas tem uma proa saliente', é a leitura correta" — a proa do barco vai se erguendo acima da água, e, ainda que a água ali fosse menos de dez, o barco não encalharia naquele ponto; e, se a pessoa enche o recipiente junto àquele lugar raso, carrega do carmelit para o domínio privado. "'Os sondadores vão à frente dele'" — pessoas que apalpam com varas longas a profundidade da água, e não deixam o barco navegar senão em lugar profundo, para que não avance depressa e encalhe no chão, no ponto onde a água é rasa.
Rav Nachman bar Yitzchak disse a Rav Chiya bar Avin: segundo Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna, que dizem: faz-se uma área de quatro por quatro palmos, e então se enche o recipiente, a água de despejo dele — de quem está a bordo do barco — como a lançam fora? E se dirás que a lançam naquele mesmo lugar demarcado — a água que ele enche depois dali se torna repugnante para ele. Rav Chiya bar Avin respondeu: lança-se a água de despejo sobre a lateral do barco. Mas ainda assim há nisso a ação de seu poder , mesmo sem lançar diretamente ao mar! A ação de seu poder num carmelit não decretaram proibi-la. E de onde dizes isso? Pois foi ensinado numa baraita: quanto a um barco, não se carrega nem de dentro dele para o mar, nem do mar para dentro dele,
Rav Nachman bar Yitzchak levanta outra dificuldade prática, agora contra a opinião de Rav Chisda e Rabah bar Rav Huna: se a água só pode ser retirada de dentro da área demarcada de quatro por quatro palmos, como a pessoa a bordo do barco descarta sua água de despejo (água suja de lavar copos e pratos, por exemplo)? Se ele a jogasse de volta naquela mesma área demarcada, a água que depois tirasse dali para beber ou lavar-se ficaria repugnante, misturada com a sujeira. Rav Chiya bar Avin responde: ele simplesmente joga a água de despejo sobre a lateral do barco, de onde ela escorre para o mar, sem entrar em contato direto com a área demarcada de água limpa. A Guemará então objeta: mesmo assim, ainda que ele não tenha jogado a água diretamente no mar, o resultado final é que sua ação (seu "poder", koach) faz com que a água de despejo acabe entrando no mar — e isso não deveria ser equiparado a efetivamente carregar do domínio privado (o barco) para o carmelit (o mar)? A Guemará responde: os Sábios não decretaram proibição contra uma ação realizada "por poder" (isto é, indiretamente, sem lançamento direto) quando o destino é um carmelit; proibiram apenas o lançamento direto de um objeto de um domínio a outro através de um carmelit. E de onde se sabe isso? De uma baraita, que a Guemará começa a citar: quanto a um barco, não se pode carregar nem de dentro dele para o mar, nem do mar para dentro dele — a folha termina aqui, em pleno desenvolvimento desta baraita, e sua continuação segue em 101a, ainda inexistente neste site.
"'A água de despejo dele, como a lançam'" — água suja, como a que resulta de lavar copos e tigelas. "'Torna-se repugnante para ele'" — refere-se à água que ele voltar a encher depois, passando por aquele mesmo lugar. "'Lança-a'" — em qualquer lugar que quiser, sobre a lateral do barco, e a água de despejo desce para o mar a partir dali. "'Mas ainda há nisso seu poder'" — isto é, mesmo que ele não a lance diretamente ao mar, ainda assim, por seu poder, as águas chegam ao mar.