Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Fim do Perek Alef · Início do Perek Bet
בַּמֶּה מַדְלִיקִין

Conclusão de Perek Alef: canas, caroços e as quatro fogueiras que não precisam de maioria; abertura de Perek Bet, Bameh Madlikin — os pavios e óleos proibidos para a vela de Shabat

Shabbat 20b — Rav Kahana decide a favor de Rav Huna sobre canas atadas e caroços em cestos; as quatro (depois seis) fogueiras que não precisam de maioria por queimarem com facilidade; a lenha da Babilônia segundo Rabi Yochanan, identificada como galho de cedro ou hissopo; a fórmula "hadran" encerrando Perek Alef; a nova Mishná de Perek Bet com a lista de pavios e óleos proibidos para a vela de Shabat; e a Guemará traduzindo e explicando cada termo — lechesh, chossen, calach (com o episódio de Ravin, Abaie e Rabana Nechemia), petilat ha'idan, petilat hamidbar, o musgo verde da água, lã e pelo, zefet e shaavá, e a diferença entre alcatrão e cera como subprodutos.

O daf abre concluindo a sugya final de Perek Alef: Rav Kahana ensina, em concordância com Rav Huna, que canas atadas em feixe precisam de maioria acesa (pois, apertadas, o fogo não penetra entre elas), enquanto soltas não precisam; e caroços de tâmara soltos não precisam de maioria, mas postos em cestos trançados precisam. Rav Yossef traz uma baraita com quatro fogueiras que nunca precisam de maioria — piche, enxofre, queijo seco e substâncias gordurosas —, às quais outra baraita acrescenta palha e gravetos colhidos do campo, por serem todos materiais que, uma vez que o fogo pega, ardem com facilidade. Rabi Yochanan afirma que a lenha da Babilônia também não precisa de maioria; depois de Rav Yossef refutar a primeira sugestão (lascas de madeira, que segundo Ula exigiriam ainda mais cuidado do que um pavio), a Guemará conclui tratar-se do galho do cedro, ou, segundo Rami bar Abba, do hissopo. Encerra-se então formalmente Perek Alef, com a fórmula "voltaremos a ti, Yetziot HaShabat". Abre-se imediatamente Perek Bet, "Bameh Madlikin", com sua Mishná: uma extensa lista de materiais proibidos como pavio (líber de cedro, estopa de linho não penteado, seda crua, líber de salgueiro, erva do deserto, e o musgo verde da superfície da água) e como óleo (piche, cera, óleo de rícino, óleo queimado, gordura de cauda de carneiro e sebo — este último com a disputa entre Nachum, o Medo, que permite o sebo cozido, e os sábios, que proíbem ambos). A Guemará então percorre a Mishná termo a termo: identifica lechesh como o galho do cedro (na verdade, a parte lanosa sob sua casca), chossen como linho socado mas não penteado (depois de Abaie refutar a proposta inicial de Rav Yossef com um verso de Yeshayahu), calach como um tipo de seda — com o episódio de Ravin e Abaie diante de Rabana Nechemia, e a baraita que refuta a identificação de Ravin com "shira peranda" — petilat ha'idan como o salgueiro (com o episódio de Ravin descascando o galho para mostrar a Abaie a lã interna) e petilat hamidbar como uma erva chamada shavra; o musgo verde como o que cresce sobre embarcações, e não o musgo quebradiço de poças; a baraita que acrescenta lã e pelo à lista (desnecessários por já se saber que encolhem ou chamuscam); e por fim zefet como piche e shaavá como cera, com a baraita que distingue pavios proibidos de óleos proibidos, e o ensinamento de Rami bar Avin sobre o alcatrão como subproduto do piche e a cera como subproduto do mel.

Canas atadas e caroços em cestos: Rav Kahana confirma Rav Huna · קָנִים שֶׁאֲגָדָן צְרִיכִין רוֹב

01Canas atadas precisam de maioria, soltas não; caroços soltos não precisam, em cestos precisam
Guemará (Rav Kahana)
אָמַר רַב כָּהֲנָא: קָנִים שֶׁאֲגָדָן — צְרִיכִין רוֹב, לֹא אֲגָדָן — אֵין צְרִיכִין רוֹב. גַּרְעִינִין — צְרִיכִין רוֹב, נְתָנָן בְּחוֹתָלוֹת — אֵין צְרִיכִין רוֹב.

Disse Rav Kahana: canas que (a pessoa) as atou (em feixe) precisam de (que o fogo pegue na) maioria; não as atou, não precisam de maioria. Caroços (de tâmara, soltos) precisam de maioria; (mas, se a pessoa) os pôs em cestos (trançados), não precisam de maioria.

Nota

Rav Kahana resolve, a favor de Rav Huna, a disputa deixada em aberto ao final de 20a. Quanto às canas, ele confirma exatamente a posição de Rav Huna: soltas, não precisam de maioria, pois o fogo passa entre elas com facilidade, mas atadas em feixe compacto precisam, pois, apertadas, a chama não consegue penetrar entre uma e outra. Quanto aos caroços de tâmara, porém, Rav Kahana inverte a ordem apresentada por Rav Huna (e concorda, na prática, com a lógica de Rav Chisda): soltos, precisam de maioria, pois se espalham e a chama não passa facilmente de um a outro; mas postos dentro de um cesto trançado, ficam confinados e em contato firme, e por isso não precisam de maioria — o fogo se propaga entre eles com facilidade dentro do recipiente.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "canas atadas precisam de maioria" e "caroços em cestos não precisam"
רב כהנא אמר קנים שאגדן צריכין רוב - כרב הונא דלא עיילא בהן נורא ולאבדורי לא חיישינן דארוכין הן וכבדין:

"Rav Kahana disse: canas que as atou precisam de maioria" — como (a opinião de) Rav Huna, pois o fogo não entra nelas (com facilidade quando atadas); e quanto a se espalharem (quando soltas), não nos preocupamos, pois são compridas e pesadas (e não se afastam facilmente).

גרעינין שנתנן בחותלות אין צריכין רוב - כרב חסדא שנוחין לידלק אבל בלא חותלות מבדרי:

"Caroços que os pôs em cestos não precisam de maioria" — como (a opinião de) Rav Chisda, pois (assim confinados) são fáceis de acender; mas sem cestos, se espalham.

02Quatro (e depois seis) fogueiras que nunca precisam de maioria
Guemará (baraita de Rav Yossef; outra baraita)
תָּנֵי רַב יוֹסֵף: אַרְבַּע מְדוּרוֹת אֵין צְרִיכִין רוֹב: שֶׁל זֶפֶת, וְשֶׁל גׇּפְרִית, וְשֶׁל גְּבִינָה, וְשֶׁל רְבָב. בְּמַתְנִיתָא תָּנָא: אַף שֶׁל קַשׁ וְשֶׁל גְּבָבָא.

Ensinou Rav Yossef (uma baraita): quatro fogueiras não precisam de maioria: a de piche, e a de enxofre, e a de queijo (seco), e a de gordura (derretida). Foi ensinado numa (outra) baraita: também a de palha e a de gravetos (colhidos do campo).

Nota

Rav Yossef traz uma baraita que lista quatro materiais cuja fogueira jamais precisa satisfazer a exigência de "maioria acesa" antes do anoitecer, discutida ao longo de 20a-20b: piche, enxofre, queijo seco e substâncias gordurosas derretidas. A razão comum é que, uma vez que o fogo pega nesses materiais — ainda que apenas numa pequena parte —, eles ardem com tanta facilidade e rapidez que não há receio de a pessoa precisar atiçá-los depois de escurecer. Uma segunda baraita amplia essa lista, acrescentando fogueiras de palha e de gravetos secos colhidos do campo, pelo mesmo motivo.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "fogueira", "gordura", "gravetos" e "palha"
מדורה - לשון היסק גדול:

"Fogueira" — expressão de um grande fogo aceso.

רבב - שומן ושעוה וכל דבר הניתך:

"Gordura" — sebo, e cera, e qualquer coisa que se derrete.

גבבא - שגובבין מן השדה בל"א שטובל"א:

"Gravetos" — que se colhem do campo; em língua estrangeira, estúbula.

קש - זנבות שבולין אשטרי"ס:

"Palha" — as pontas das espigas; em língua estrangeira, estriz.

03A lenha da Babilônia: não lascas nem pavio, mas o galho do cedro, ou o hissopo
Guemará (Rabi Yochanan; objeção de Rav Yossef; Rav Yossef; Rami bar Abba)
אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: עֵצִים שֶׁל בָּבֶל אֵין צְרִיכִין רוֹב. מַתְקִיף לַהּ רַב יוֹסֵף: מַאי הִיא? אִילֵימָא סִילְתֵּי — הַשְׁתָּא פְּתִילָה אָמַר עוּלָּא הַמַּדְלִיק צָרִיךְ שֶׁיַּדְלִיק בְּרוֹב הַיּוֹצֵא, סִילְתֵּי מִבַּעְיָא? אֶלָּא אָמַר רַב יוֹסֵף: שׂוֹכָא דְאַרְזָא. רָמֵי בַּר אַבָּא אָמַר: זָאזָא.

Disse Rabi Yochanan: a lenha da Babilônia não precisa de maioria. Objetou Rav Yossef: o que é ela (essa lenha)? Se dissesses que são lascas (de madeira, cortadas finas) — ora, quanto ao pavio (comum), disse Ula que quem acende (a vela de Shabat) precisa acender a maioria do que sai (da parte do pavio voltada para fora do recipiente); quanto a lascas (de madeira, mais grossas que um pavio), seria necessário dizer (que precisam de maioria)?! Mas disse Rav Yossef: (trata-se, sim), do galho do cedro. Rami bar Abba disse: (trata-se, antes, do) hissopo.

Nota

Rabi Yochanan acrescenta mais um caso à lista de materiais isentos da exigência de maioria: a lenha típica da Babilônia. Rav Yossef, ele próprio babilônio, contesta a identificação: se a referência fosse a lascas finas de madeira (o modo costumeiro de cortar lenha na Babilônia), isso seria estranho, pois um pavio de tecido — muito mais fino e fácil de incendiar do que lascas de madeira — já exige, segundo o ensinamento de Ula, que o fogo pegue na maior parte do que sai do bocal do recipiente; seria implausível que lascas de madeira, mais grossas, precisassem de menos. Rav Yossef propõe então que a "lenha da Babilônia" isenta de maioria refere-se especificamente ao galho do cedro, cuja parte lanosa sob a casca pega fogo com extrema facilidade. Rami bar Abba discorda e identifica o material como o hissopo (zaza).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "lascas", "o pavio", "disse Ula", "galho do cedro" e "hissopo"
סילתי - לאחר שעשאום עצים דקים ובבבל נוהגין כן:

"Lascas" — depois de as fazerem em pedaços finos de madeira; e na Babilônia costumam (fazer) assim.

השתא פתילה - של בגד הטבולה בשמן ונוח לידלק:

"Ora, o pavio" — de tecido, embebido em óleo, e fácil de acender.

אמר עולא המדליק - נר של שבת צריך שידליק ברוב היוצא מראש הפתילה חוץ לנר:

"Disse Ula: quem acende" — a vela de Shabat precisa acender a maioria do que sai da ponta do pavio para fora da vela.

שוכא דארזא - יבש הוא ודק ויש כמין צמר בין קליפה לעץ והוא מבעירו משאחזה בו אור:

"Galho do cedro" — é seco e fino, e há como que uma lã entre a casca e a madeira, e isso o incendeia assim que o fogo pega nele.

זאזא - מולש"א בלעז:

"Hissopo" — em língua estrangeira, molsa.

Encerra-se Perek Alefהַדְרַן עֲלָךְ יְצִיאוֹת הַשַּׁבָּת

Abre-se Perek Bet: com que se acende a vela de Shabat · בַּמֶּה מַדְלִיקִין

04A Mishná: pavios e óleos proibidos para a vela de Shabat
Mishná (abertura de Perek Bet)
מַתְנִי׳ בַּמֶּה מַדְלִיקִין וּבַמָּה אֵין מַדְלִיקִין? אֵין מַדְלִיקִין לֹא בְּלֶכֶשׁ, וְלֹא בְּחוֹסֶן, וְלֹא בְּכָלָךְ, וְלֹא בִּפְתִילַת הָאִידָן, וְלֹא בִּפְתִילַת הַמִּדְבָּר, וְלֹא בִּירוֹקָה שֶׁעַל פְּנֵי הַמַּיִם, וְלֹא בְּזֶפֶת, וְלֹא בְּשַׁעֲוָה, וְלֹא בְּשֶׁמֶן קִיק, וְלֹא בְּשֶׁמֶן שְׂרֵיפָה, וְלֹא בְּאַלְיָה, וְלֹא בְּחֵלֶב. נַחוּם הַמָּדִי אוֹמֵר: מַדְלִיקִין בְּחֵלֶב מְבוּשָּׁל. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: אֶחָד מְבוּשָּׁל וְאֶחָד שֶׁאֵינוֹ מְבוּשָּׁל אֵין מַדְלִיקִין בּוֹ.

Mishná. Com que se acende (a vela de Shabat), e com que não se acende? Não se acende nem com lechesh, nem com chossen, nem com calach, nem com petilat ha'idan, nem com petilat hamidbar, nem com o musgo verde que fica sobre a superfície da água; nem com piche, nem com cera, nem com óleo de rícino, nem com óleo (destinado à) queima, nem com (a gordura da) cauda (de carneiro), nem com sebo. Nachum, o Medo, diz: acende-se com sebo cozido. E os sábios dizem: tanto (o sebo) cozido quanto o não cozido, não se acende com ele.

Nota

Com esta Mishná encerra-se o primeiro capítulo (Perek Alef, "Yetziot HaShabat") e abre-se o segundo, "Bameh Madlikin". A Mishná enumera, primeiro, seis materiais impróprios para servir de pavio — lechesh, chossen, calach, petilat ha'idan, petilat hamidbar, e o musgo verde da água —, todos rejeitados por não arderem bem ou por gerarem uma chama instável, que tende a se apagar e levar a pessoa a inclinar a vela para reacendê-la (transgressão relacionada a acender fogo em Shabat). Em seguida, lista seis materiais impróprios como óleo combustível — piche, cera, óleo de rícino, óleo de queima, gordura de cauda de carneiro e sebo —, pela mesma razão de não sustentarem uma chama estável, ou por serem sólidos demais à temperatura ambiente para serem sugados corretamente pelo pavio. Quanto ao sebo, há uma disputa: Nachum, o Medo, permite usá-lo depois de cozido (pois o cozimento o liquefaz e melhora sua combustão), mas os sábios proíbem o sebo em qualquer estado, cozido ou não. A Guemará que se segue dedica-se a traduzir e identificar, um a um, todos esses termos técnicos — a maioria dos quais não era mais compreendida em aramaico babilônico da época.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "com que se acende", "nem com piche nem com cera" e a versão de "Nachum diz"
במה מדליקין - לעשות פתילה כל הני דמתני' מפרש בגמרא:

"Com que se acende" — para fazer um pavio; todos estes (termos) da Mishná se explicam na Guemará.

לא בזפת ולא בשעוה - לאו לענין פתילה אלא לתת במקום שמן וכל הני מזפת ואילך פסולי שמנים הן:

"Nem com piche, nem com cera" — não quanto ao pavio, mas quanto a pô-los no lugar do óleo; e todos estes, de piche em diante, são (materiais) desqualificados como óleos.

הכי גרסינן נחום אומר מדליקין בחלב מבושל - והוא מהותך:

Assim lemos: "Nachum diz: acende-se com sebo cozido" — e ele (o sebo cozido) é o derretido.

05Lechesh: o galho do cedro — mas isso não é mera madeira? A parte lanosa sob a casca
Guemará
גְּמָ׳ לֶכֶשׁ — שׂוֹכָא דְאַרְזָא. שׂוֹכָא דְאַרְזָא עֵץ בְּעָלְמָא הוּא! בְּעַמְרָנִיתָא דְּאִית בֵּיהּ.

Guemará. Lechesh — é o galho do cedro. (Objeção:) Mas o galho do cedro não é mera madeira (imprópria para servir de pavio)?! (Resposta:) (A Mishná refere-se) à parte lanosa que há nele (sob a casca).

Nota

A Guemará começa a percorrer a Mishná termo a termo, pois quase todo o vocabulário usado nela havia caído em desuso na Babilônia. O primeiro termo, "lechesh", é identificado como o galho do cedro. Surge de imediato uma objeção óbvia: madeira comum jamais poderia servir de pavio, e por isso nem precisaria ser mencionada como proibida. A resposta esclarece que a referência não é à madeira do galho em si, mas a uma substância lanosa, semelhante a fibras de lã, que se encontra entre a casca e o lenho do cedro — um material que poderia, à primeira vista, parecer adequado para um pavio, mas que a Mishná rejeita.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mera madeira" e "a lanosa"
גמ' עץ בעלמא הוא - ופשיטא דלא חזי לפתילה אלא למדורה:

Guemará. "Mera madeira" — e é óbvio que não serve para pavio, mas sim para fogueira.

עמרניתא - כמין צמר יש בין קליפתו לעצו:

"A lanosa" — há como que uma lã entre sua casca e sua madeira.

06Chossen: estopa de linho? Objeção de Abaie a partir de Yeshayahu; a resposta final, linho socado mas não penteado
Guemará (Rav Yossef; objeção de Abaie; Abaie)
וְלֹא בְּחוֹסֶן. אָמַר רַב יוֹסֵף: נְעוֹרֶת שֶׁל פִּשְׁתָּן. אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי: וְהָכְתִיב ״וְהָיָה הֶחָסוֹן לִנְעוֹרֶת״, מִכְּלָל דְּחוֹסֶן לָאו נְעוֹרֶת הוּא! אֶלָּא אָמַר אַבָּיֵי: כִּיתָּנָא דִּדְיִיק וְלָא נְפִיץ.

"Nem com chossen": disse Rav Yossef: (é) estopa de linho. Disse-lhe Abaie: mas não está escrito: "e o chassson se tornará em estopa" (Yeshayahu 1:31)? (Isso implica), por conclusão, que chossen não é estopa! Mas disse Abaie (a explicação correta): (é) o linho que foi socado, mas não (ainda) penteado.

Nota

Rav Yossef identifica "chossen" com a estopa fina do linho, os restos que caem ao pentear a fibra. Abaie objeta a partir de um verso de Yeshayahu, em que "chasson" (termo semelhante) se transforma em estopa — o que implica, pela lógica de que uma coisa não pode "tornar-se" naquilo que já é, que "chossen" e estopa são coisas distintas. Abaie propõe então sua própria identificação: chossen é o linho já socado (batido, para amolecer as fibras) mas ainda não penteado; como os fios continuam presos dentro de uma espécie de casca externa, o material não arde bem e por isso é impróprio como pavio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "e o chasson se tornará em estopa" e "socado, não penteado"
והיה החסון לנעורת - אלמא חסון לאו נעורת הוא:

"E o chasson se tornará em estopa" — eis que (isso prova que) chasson não é estopa.

כיתנא דדייק ולא נפיץ - דכיון דלא נפיץ אין שמן נמשך אחריו נפיץ קרפר"י לפורר ונעורת מן הדק שבו והכי קאמר קרא פשתן החזק יהפך לנעורת כלומר הגבור יהיה חלש:

"Linho que foi socado, mas não penteado" — pois, já que não foi penteado, o óleo não é puxado através dele (para dentro do pavio); "penteado" — em língua estrangeira, carpir, (que significa) desfiar; e a estopa vem da parte fina dele. E assim diz o verso: o linho forte se tornará em estopa, isto é, o forte se tornará fraco.

07Calach: seda — o casulo do bicho-da-seda, segundo Rav Yitzchak bar Zeira
Guemará (Shmuel; Rav Yitzchak bar Zeira)
וְלֹא בְּכָלָךְ. אָמַר שְׁמוּאֵל: שְׁאֵלְתִּינְהוּ לְכׇל נָחוֹתֵי יַמָּא וְאָמְרִי (לַהּ) כּוּלְכָא שְׁמֵיהּ. רַב יִצְחָק בַּר זְעֵירָא אָמַר: גּוּשְׁקְרָא.

"Nem com calach": disse Shmuel: perguntei a todos os que descem ao mar (marinheiros), e me disseram que seu nome (atual) é culca. Rav Yitzchak bar Zeira disse: (é) gushkerá (o casulo do bicho-da-seda).

Nota

Shmuel relata ter consultado marinheiros — que lidavam com mercadorias importadas, entre elas a seda — sobre o nome atual do material chamado "calach" na Mishná, e eles o identificaram com "culca". Rav Yitzchak bar Zeira propõe, de modo mais específico, que se trata do gushkerá, o casulo do próprio bicho-da-seda antes de ser desfiado — um material semelhante a feltro, do qual, segundo Rashi, é proibido fazer pavio, pois o fogo "chispa" nele, salta e se corta, sem manter uma chama contínua.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "gushkerá"
גושקרא - פסולת של משי העשוי ככובעים והוא בית התולעת וקורין לו פולויי"ל ונופצים אותו וטווהו ועושה ממנו בגד ואסור לעשות ממנו פתילה כדאמר בכל פסולי פתילות דמתניתין שהאור מסכסכת בהן קופצת ונפסקת ואין השלה... ...על שם פסולת וגם פת סובין כמו כן נקראת במסכת גיטין (דף נו:):

"Gushkerá" — o resíduo da seda, feito como toucas (pequenos casulos), e é a moradia do bicho (da seda), e o chamam de falfolho; e o desfiam, e o fiam, e fazem dele uma roupa; mas é proibido fazer dele um pavio, como se disse a respeito de todos os desqualificados como pavio na Mishná, pois o fogo "chispa" neles, salta e se corta, e a chama (não se mantém)... É chamado assim por causa do resíduo, e também o pão de farelo é chamado assim no tratado Guitin (56b).

08O episódio de Ravin e Abaie diante de Rabana Nechemia: metaksa é calach?
Guemará (relato de Ravin e Abaie)
רָבִין וְאַבָּיֵי הֲווֹ יָתְבִי קַמֵּיהּ דְּרַבָּנָא נְחֶמְיָה אֲחוּהּ דְּרֵישׁ גָּלוּתָא. חַזְיֵיהּ דַּהֲוָה לְבִישׁ מְטַכְסָא. אֲמַר לֵיהּ רָבִין לְאַבָּיֵי: הַיְינוּ כָּלָךְ דִּתְנַן. אֲמַר לֵיהּ: אֲנַן ״שִׁירָא פְּרַנְדָּא״ קָרֵינַן לֵיהּ.

Ravin e Abaie estavam sentados diante de Rabana Nechemia, irmão do Reish Galuta (Exilarca). (Ravin) viu que ele (Rabana Nechemia) estava vestido de metaksa (um tipo de seda). Disse Ravin a Abaie: isto é o calach que aprendemos (na Mishná). Disse-lhe (Abaie): nós o chamamos shirá perandá.

Nota

A Guemará traz um episódio concreto para ilustrar a identificação de "calach": ao ver Rabana Nechemia vestido com um tecido de seda chamado "metaksa", Ravin o identifica de imediato com o "calach" da Mishná. Abaie, porém, usa um nome diferente para esse mesmo tecido em seu próprio vocabulário — "shirá perandá" — sem, neste ponto, contestar ou confirmar se se trata do mesmo "calach" da Mishná ou de um tecido de seda distinto.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "metaksa"
מטכסא - לבוש העשוי מאותו כלך:

"Metaksa" — uma vestimenta feita daquele mesmo calach.

09A refutação: shiraim e calach são sedas distintas, ambas exigindo tzitzit
Guemará (objeção de uma baraita)
מֵיתִיבִי: הַשִּׁירָאִים וְהַכָּלָךְ וְהַסְּרִיקִין חַיָּיבִין בְּצִיצִית, תְּיוּבְתָּא דְרָבִין! תְּיוּבְתָּא. אִיבָּעֵית אֵימָא: שִׁירָא לְחוּד, וְשִׁירָא פְּרַנְדָּא לְחוּד.

Objetou-se (de uma baraita): "os shiraim, e o calach, e os sericrin (tipos de tecido de seda) são obrigados em tzitzit" — (isso é) uma refutação de Ravin (que identificou calach com shirá perandá, pois a baraita os lista como itens distintos)! (A Guemará conclui:) É, de fato, uma refutação. Se quiseres, diz em vez disso: shirá é uma coisa à parte, e shirá perandá é uma coisa à parte (e a shirá perandá de Abaie é, na verdade, o próprio calach).

Nota

Uma baraita sobre a obrigação de tzitzit em vestes de seda lista "shiraim" e "calach" como dois itens distintos, o que refuta a identificação implícita de Ravin entre "calach" e "shirá perandá" (visto que "shirá" parece ser sinônimo de "shiraim"). A Guemará aceita a refutação como conclusiva quanto à formulação original, mas oferece uma saída alternativa: talvez "shirá" simples (sem qualificativo) seja um tecido de seda diferente de "shirá perandá", de modo que a baraita, ao listar "shiraim" (a seda simples) e "calach" separadamente, não contradiz a visão de que "calach" é precisamente aquilo que Abaie chama de "shirá perandá" — a seda mais refinada mencionada no episódio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shiraim", "sericrin" e "obrigados em tzitzit"
שיראים - מעיל העשוי מעיקר המשי:

"Shiraim" — um manto feito da matéria-prima principal da seda.

סיריקין - עשוי מן המשי הרך המתפצל ומצוי במשי וקורין לו במקומנו יד"ש:

"Sericrin" — feito da seda macia que se separa em fios finos e se encontra na seda; e o chamamos, em nosso lugar, de jaz.

חייבין בציצית - ודלא כמאן דאמר כל בגדי צמר ופשתים דוקא חייבין בציצית מדאורייתא אי נמי מדרבנן קתני מיהא השיראים והכלך אלמא שיראין לאו היינו כלך:

"Obrigados em tzitzit" — e não como quem diz que apenas roupas de lã e linho são obrigadas em tzitzit pela Torá, ou mesmo por instituição rabínica; de qualquer forma, (a baraita) ensina "os shiraim e o calach" — eis que shiraim não é o mesmo que calach.

10Petilat ha'idan: o salgueiro; o episódio de Ravin descascando o galho para Abaie; petilat hamidbar: shavra
Guemará (relato de Ravin e Abaie)
וְלֹא בִּפְתִילַת הָאִידָן — אַחְוִינָא. רָבִין וְאַבָּיֵי הֲווֹ קָאָזְלִי בְּפַקְתָּא דְטַמְרוּרִיתָא. חֲזַנְהִי לְהָנְהוּ אַרְבָתָא. אֲמַר לֵיהּ רָבִין לְאַבָּיֵי: הַיְינוּ אִידָן דִּתְנַן. אֲמַר לֵיהּ: הַהִיא עֵץ בְּעָלְמָא הוּא! קְלַף וְאַחְוִי לֵיהּ עַמְרָנִיתָא דְּבֵינֵי בֵּינֵי. וְלֹא בִּפְתִילַת הַמִּדְבָּר — שַׁבְרָא.

"Nem com petilat ha'idan" — (é) o salgueiro. Ravin e Abaie estavam andando no vale de Tamrurita. Viram aqueles salgueiros. Disse Ravin a Abaie: isto é o (mesmo) idan que aprendemos (na Mishná). Disse-lhe (Abaie): aquilo é mera madeira! (Ravin) descascou (o galho) e mostrou-lhe a parte lanosa que há no meio (entre a casca e a madeira). "Nem com petilat hamidbar" — (é) shavra (uma erva do deserto).

Nota

A Guemará identifica "petilat ha'idan" com o salgueiro, uma madeira que, tal como o galho de cedro visto anteriormente, não arde bem em si mesma, mas possui uma camada lanosa entre a casca e o lenho. O episódio narrado ilustra essa identificação: ao verem salgueiros no vale de Tamrurita, Ravin os identifica de imediato com o "idan" da Mishná; Abaie contesta, apontando que se trata de mera madeira (imprópria para pavio, e portanto sem sentido a Mishná proibi-la especificamente); Ravin então descasca um galho e mostra a Abaie a substância lanosa escondida sob a casca, que de fato poderia servir de pavio, e é por isso que a Mishná precisa proibi-la explicitamente. Já "petilat hamidbar" é identificada, sem episódio anexo, com uma planta chamada "shavra" — segundo Rashi, uma espécie de erva comprida.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "salgueiro", "no vale" e "shavra"
אחווינא - ערבה ויש כמין צמר בין קליפה לעץ:

"Salgueiro" — o salgueiro; e há como que uma lã entre a casca e a madeira.

בפקתא - בקעה:

"No vale" — um vale, uma planície entre montes.

שברא - מין עשב ארוך וקורין אותו אורטי"א:

"Shavra" — um tipo de erva comprida, e a chamam de urtiga.

11O musgo verde: não o de poças (quebradiço), mas o de embarcações
Guemará (Rav Papa)
וְלֹא בִּירוֹקָה שֶׁעַל כּוּ׳. מַאי הִיא? אִילֵימָא אוּכַּמְתָּא דַחֲרִיצֵי — אִיפָּרוֹכֵי מִפָּרְכָן. אֶלָּא אָמַר רַב פָּפָּא: אוּכַּמְתָּא דְּאַרְבָּא.

"Nem com o (musgo) verde que (fica sobre a superfície da água), etc.": o que é ele? Se dissesses que é o musgo escuro (que cresce) em valas (poças de água parada) — mas esse se esfarela ao ser esfarelado (quebradiço demais para servir de pavio)! Mas disse Rav Papa: (é) o musgo escuro (que cresce) em embarcações.

Nota

A Guemará identifica o "musgo verde" mencionado na Mishná. A primeira sugestão — o musgo que se acumula em valas ou poças de água parada — é rejeitada, pois esse tipo de musgo é quebradiço e se desfaz ao toque, sendo por isso obviamente inútil como pavio, e não haveria razão para a Mishná mencioná-lo especificamente como proibido. Rav Papa propõe, em vez disso, o musgo que cresce na parte submersa de embarcações que ficam ancoradas por longos períodos num mesmo lugar — um musgo mais viscoso e maleável, que, uma vez seco, poderia até parecer adequado para um pavio, mas que a Mishná rejeita.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "musgo de valas", "se esfarela" e "musgo de embarcação"
אוכמתא דחריצי - מקום כנוס מים גדל עליהם כמין ירקרוקת:

"Musgo escuro de valas" — em lugar onde a água se acumula, cresce sobre ela algo como um esverdeado.

איפרוכי מיפרכן - ולא מצי ליעבד פתילה מינה:

"Se esfarela ao ser esfarelado" — e não se pode fazer dele um pavio.

אוכמתא דארבא - ספינה המתעכבת במקום אחד במים גדל ירקרוקת סביב שוליה מבחוץ:

"Musgo escuro de embarcação" — de uma embarcação que fica parada num só lugar na água; cresce um esverdeado ao redor de seu fundo, por fora.

12A baraita acrescenta lã e pelo — desnecessários, pois encolhem ou chamuscam
Guemará (baraita)
תָּנָא: הוֹסִיפוּ עֲלֵיהֶן שֶׁל צֶמֶר וְשֶׁל שֵׂעָר. וְתַנָּא דִידַן: צֶמֶר מִכְווֹץ כָּוֵויץ, שֵׂעָר אִיחֲרוֹכֵי מִיחֲרַךְ.

Foi ensinado (numa baraita): acrescentaram a eles (os materiais proibidos como pavio, também os feitos) de lã e de pelo. E nosso tanna (o autor da Mishná, não os incluiu porque): a lã encolhe totalmente (quando exposta ao fogo, e não sustenta uma chama); o pelo se chamusca totalmente (sem realmente arder).

Nota

Uma baraita paralela amplia a lista de materiais proibidos como pavio, incluindo também os feitos de lã e de pelo de animal. A Guemará explica por que o tanna da nossa Mishná não sentiu necessidade de mencioná-los explicitamente: ao contrário dos demais materiais listados (que poderiam, à primeira vista, parecer adequados), lã e pelo são tão obviamente impróprios que seria supérfluo proibi-los — a lã simplesmente encolhe e se retrai diante do fogo, sem se manter acesa, e o pelo apenas se chamusca (queima superficialmente, com cheiro forte, mas sem chama), de modo que nenhum dos dois jamais seria sequer cogitado como pavio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "encolhe totalmente"
מכווץ כווץ - מפני האור ואין דולק כלל ואין שלהבת אוחזת בו ולא צריך למתנייה:

"Encolhe totalmente" — diante do fogo, e não arde de forma alguma, e a chama não pega nela; e não é preciso ensiná-lo (explicitamente na Mishná).

13Zefet é piche, shaavá é cera; a baraita que distingue pavios de óleos; por que a cera precisou ser mencionada
Guemará (baraita)
וְלֹא בְּזֶפֶת. זֶפֶת — זִיפְתָּא, שַׁעֲוָה — קִירוּתָא. תָּנָא: עַד כָּאן פְּסוּל פְּתִילוֹת, מִכָּאן וְאֵילָךְ פְּסוּל שְׁמָנִים. פְּשִׁיטָא! שַׁעֲוָה אִיצְטְרִיכָא לֵיהּ. מַהוּ דְּתֵימָא לִפְתִילוֹת נָמֵי לָא חַזְיָא, קָא מַשְׁמַע לַן.

"Nem com piche" (zefet): zefet é ziftá; shaavá é kirutá (cera). Foi ensinado (numa baraita): até aqui (zefet), (trata-se de) desqualificação de pavios; daqui em diante, (trata-se de) desqualificação de óleos. (Objeção:) Isso é óbvio (que piche não serviria de pavio)! (Resposta:) Foi necessário (mencionar) por causa da cera (pois se poderia pensar que ela serve para revestir pavios). (Objeção:) O que dirias — que também para pavios ela não é apta (e por isso seria óbvio mencioná-la)? (Resposta:) Isso mesmo nos vem ensinar (que a cera de fato não é apta nem sequer para revestir pavios, ao contrário do que se poderia supor).

Nota

A Guemará identifica "zefet" com piche (ziftá) e "shaavá" com cera (kirutá). Uma baraita observa que a partir deste ponto da Mishná muda-se de assunto: até "zefet" inclusive, a lista trata de materiais desqualificados como pavio; a partir de "zefet", trata de materiais desqualificados como óleo combustível. A Guemará questiona por que seria necessário dizer algo tão óbvio — piche obviamente não poderia servir de pavio —, e responde que a menção foi necessária por causa da cera: poder-se-ia supor que, mesmo não servindo como óleo, a cera ainda seria apta para revestir ou moldar um pavio (como se faz com certas velas), e por isso a Mishná precisa esclarecer que a cera é imprópria mesmo para esse uso auxiliar.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "até aqui", "daqui em diante", "foi necessário por causa da cera" e "o que dirias"
עד כאן - עד ירוקה שעל פני המים פסול פתילות:

"Até aqui" — até o (musgo) verde que fica sobre a superfície da água, (trata-se de) desqualificação de pavios.

מכאן ואילך פסול שמנים - שלא יתן חתיכה זפת או שעוה בנר במקום שמן:

"Daqui em diante, desqualificação de óleos" — que não se ponha um pedaço de piche ou de cera na vela no lugar do óleo.

שעוה איצטריכא ליה - לפי שרגילין לעשות כמין פתילה ארוכה והפתילה לתוכה כמו שאנו עושין:

"Foi necessário por causa da cera" — porque costumam fazer algo como um pavio comprido, com o pavio dentro dela, como nós fazemos.

מהו דתימא לפתילה נמי - קאסר לה:

"O que dirias — que também para pavio" — ele (o tanna) a proíbe.

14Rami bar Avin: alcatrão é subproduto do piche; cera é subproduto do mel
Guemará (Rami bar Avin)
אָמַר רָמֵי בַּר אָבִין: עִטְרָנָא — פְּסוּלְתָּא דְזִיפְתָּא. שַׁעֲוָה — פְּסוּלְתָּא דְּדוּבְשָׁא.

Disse Rami bar Avin: alcatrão (itrana) é o resíduo do piche. Cera é o resíduo do mel.

Nota

O daf fecha com um esclarecimento final de Rami bar Avin sobre a origem de duas substâncias relacionadas às já discutidas: o alcatrão é descrito como o subproduto que resulta da extração do piche da madeira — quando se queima madeira para obter piche, escorre dela, depois do próprio piche, um líquido mais claro e fino, semelhante a óleo, que é o alcatrão. Da mesma forma, a cera é descrita como o subproduto do mel — o material residual que sobra do favo depois de extraído o mel.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "resíduo do piche"
פסולתא דזיפתא - לאחר שיוצא הזפת מן העץ זב ממנו על ידי האור פסולת צלול כשמן והוא עיטרן:

"Resíduo do piche" — depois que o piche sai da madeira, escorre dela, por meio do fogo, um resíduo claro como óleo, e isso é o alcatrão.