O daf continua, dentro do mesmo perek, um assunto novo: uma baraita sobre a chave que a mulher traz em sua mão, cuja formulação — atribuída somente a Rabi Meir, sem menção aos Sábios — leva a Guemará a perguntar por que ela nomeia apenas essa opinião, e a notar que ela também não menciona a trouxinha de perfume, citada logo em seguida por Rabi Eliezer. A Guemará resolve reconstruindo o texto da baraita como incompleto, restaurando também a trouxinha de perfume e o frasco de bálsamo, com a ressalva de que a isenção de Rabi Eliezer vale apenas quando eles contêm de fato o perfume. Dessa ressalva, Rav Adda bar Ahava extrai um princípio sobre quem transporta alimentos abaixo da medida mínima dentro de um recipiente, e Rav Ashi qualifica esse princípio distinguindo o caso em que não há substância alguma. A Guemará então identifica o bálsamo perfumado no versículo sobre "o melhor dos óleos", e enfrenta a objeção de Rav Yossef a partir do decreto de Rabi Yehuda ben Bava contra seu uso — resolvida por Abaye com o paralelo das taças largas de vinho, e pela distinção final entre todo prazer acompanhado de alegria, que os Sábios restringiram por causa do luto pela destruição, e o prazer sem alegria, que não restringiram. Um novo bloco aggádico se abre a partir do versículo sobre "os que se deitam em camas de marfim": Rabi Yossei bar Rabi Chanina o lê literalmente, mas Rabi Abahu zomba dessa leitura e propõe a verdadeira — homens que trocavam parceiras e profanavam seus leitos. Segue-se uma baraita sobre as três coisas que trazem o homem à pobreza — urinar nu diante da cama, tratar com desprezo a lavagem das mãos, e a esposa que o amaldiçoa em sua face —, cada uma delas qualificada e restringida por Rava, com o contraponto de Rav Chisda sobre a bênção recebida por quem lava bem as mãos. O daf se volta então para a longa exposição de Rava bar Rav Ilai sobre a soberba das "filhas de Sião" de Yeshayahu — o andar afetado, os olhos pintados, o perfume nos sapatos usado para seduzir os jovens —, seguida pela descrição ponto a ponto de seu castigo, culminando na aflição da lepra e na desonra de seus corpos. O daf termina, de modo excepcional dentro desta tradução, interrompido no meio de uma frase: Rav Yehuda, em nome de Rav, começa a descrever os homens de Jerusalém como arrogantes, dando o exemplo de sua fala pretensiosa sobre pão, e o texto se corta ao chegar ao tipo de vinho, retomando apenas na abertura de Shabat 63a.
E o que é "Rabi Meir"? Pois se ensinou numa baraita: a mulher não sai com a chave que está em sua mão, e, se saiu, é obrigada à oferenda pelo pecado — palavras de Rabi Meir. Rabi Eliezer isenta quanto à trouxinha de perfume e ao frasco de bálsamo.
A Guemará abre um assunto novo, ainda dentro do mesmo perek: uma baraita distinta, sobre a chave que a mulher traz consigo na mão, formulada como "palavras de Rabi Meir" sem qualquer menção aos Sábios. A Guemará pergunta pela fonte dessa atribuição isolada — onde se encontra que Rabi Meir tratou desse assunto sozinho, sem os Sábios, tendo apenas Rabi Eliezer como opositor.
"E o que é 'Rabi Meir'" — onde encontramos que Rabi Meir tratou disso sem os Sábios, e que Rabi Eliezer discordou dele sozinho?
A trouxinha de perfume — quem mencionou seu nome?
A Guemará nota uma segunda falha na baraita: Rabi Eliezer isenta quanto à trouxinha de perfume, mas o texto citado, até aqui, só havia falado da chave — a trouxinha nunca foi mencionada. Isso indica que falta algo à formulação da baraita.
Falta algo no ensino, e ensina-se assim: e também com a trouxinha de perfume, e também com o frasco de bálsamo, não se sai; e, se saiu, é obrigada à oferenda pelo pecado — palavras de Rabi Meir. Rabi Eliezer isenta quanto à trouxinha de perfume e ao frasco de bálsamo. Quando se disse isso? Quando há neles perfume; mas, se não há neles perfume, é obrigada.
A Guemará resolve ambas as dificuldades reconstruindo o texto: a baraita, tal como transmitida, omitiu por elipse a menção à trouxinha e ao frasco, que devem ser lidos como parte da mesma cláusula da chave, todos atribuídos a Rabi Meir. Acrescenta-se ainda uma ressalva à isenção de Rabi Eliezer: ela vale apenas quando a trouxinha e o frasco de fato contêm a substância perfumada; se estiverem vazios, a mulher é obrigada mesmo segundo ele.
"Quando há neles perfume" — há bálsamo naquele embrulho feito à maneira de amuleto; e, havendo nele perfume, ele é ornamento para a mulher cujo odor é ruim, e não se teme que ela venha a tirá-lo e mostrá-lo, e chegue a carregá-lo, como dissemos, pois isso seria uma desonra para ela. "Mas, se não há neles perfume" — o embrulho sozinho não é ornamento, e ela é obrigada.
Disse Rav Adda bar Ahava: isto ensina que quem transporta alimentos, em quantidade inferior à medida mínima, dentro de um recipiente, é responsável. Pois este caso, em que não há perfume no embrulho, equivale a uma quantidade inferior à medida mínima dentro de um recipiente, e ensinou-se que ela é obrigada.
Rav Adda bar Ahava extrai um princípio geral da ressalva que acaba de ser formulada: mesmo quando o próprio conteúdo transportado é inferior à quantidade mínima que geraria responsabilidade por si só, o recipiente que o contém não se torna, por isso, isento — ao contrário, a pessoa continua responsável por transportar o recipiente com seu conteúdo.
"Isto ensina" — o fato de se ter ensinado que, não havendo nele perfume, ela é obrigada, mostra que Rabi Eliezer sustenta que quem transporta alimentos em Shabat dentro de um recipiente, em quantidade inferior à medida mínima — ainda que não seja responsável pelo transporte dos próprios alimentos, sendo estes inferiores a um figo seco, como adiante se ensina —, é, ainda assim, responsável por causa do recipiente; e não se diz que o recipiente é secundário aos alimentos, isentando-o também, por não ter tido intenção de transportar senão por causa dos alimentos. E isso diverge da Mishná anônima ensinada no capítulo HaMatzni'a, que isenta mesmo quanto ao recipiente. "Pois este caso, em que não há perfume, equivale a uma quantidade inferior à medida mínima" — pois o recipiente absorveu o aroma, e a medida mínima para o transporte de especiarias é qualquer quantidade; e, não havendo sequer essa quantidade, seu aroma é inferior à medida mínima, e ainda assim se ensinou que ela é obrigada — e não se diz que o recipiente se torna secundário ao aroma que contém, isentando-o por ser inferior à medida mínima.
Rav Ashi disse: em geral, eu poderia dizer-te que está isento; mas aqui é diferente, pois não há nele substância alguma.
Rav Ashi qualifica o princípio de Rav Adda bar Ahava: em geral, quando o conteúdo transportado tem alguma substância física, ainda que abaixo da medida mínima, o recipiente pode se tornar secundário a ele e ficar isento junto com ele. Mas o aroma que impregna o embrulho vazio não tem substância física alguma — não se qualifica sequer como "abaixo da medida mínima" —, de modo que o recipiente não pode se tornar secundário a ele, e permanece responsável por si mesmo.
"Mas aqui é diferente" — não se pode dizer que o recipiente se torna secundário ao aroma, pois este não tem substância alguma, e nem sequer se chama "inferior à medida mínima"; mas, quando se trata de uma quantidade inferior à medida mínima de algo que tem substância, o recipiente se torna secundário a ele, e fica isento.
"E se ungem com o melhor dos óleos" — disse Rav Yehuda, disse Shmuel: isto é o bálsamo perfumado.
A Guemará traz um versículo de Amós, que descreve os excessos dos ricos de Israel antes do exílio, e o identifica com o mesmo bálsamo perfumado tratado na Mishná — "o melhor dos óleos" com que se ungiam sendo o próprio óleo de bálsamo.
"O melhor dos óleos" — o mais seleto dentre os óleos.
Objetou Rav Yossef: também quanto ao bálsamo perfumado decretou Rabi Yehuda ben Bava — proibindo seu uso por causa do luto pela destruição —, e não concordaram com ele. E, se dizes que este versículo condena o bálsamo por causa do prazer, por que não concordaram com ele?
Rav Yossef traz uma tradição sobre decretos de luto instituídos após a destruição do Templo: Rabi Yehuda ben Bava teria tentado proibir também o uso do bálsamo perfumado, e os demais Sábios não concordaram com ele. Se, porém, o próprio versículo já condenasse esse prazer como causa da calamidade, seria de esperar que os Sábios aceitassem prontamente tal proibição — e não que a rejeitassem.
"Decretou" — por causa do luto pela destruição. "E se dizes" — que isso é o bálsamo perfumado, e este versículo trata do prazer, pois não davam atenção às palavras dos profetas que profetizavam a calamidade, e se ocupavam de prazeres.
Disse-lhe Abaye: mas, segundo teu raciocínio, quanto ao que está escrito, "os que bebem em taças largas de vinho" — Rabi Ami e Rabi Assi divergem sobre o que são: um diz que são keneshkanin, e o outro diz que significa que lançam seus copos um ao outro. Também aqui, isso é proibido? Mas eis que Rabá bar Rav Huna chegou à casa do Reish Galutá e bebeu em keneshkanin, e ele não lhe disse coisa alguma!
Abaye responde por analogia: um outro versículo, sobre os que bebem "em taças largas de vinho", é lido por Rabi Ami e Rabi Assi como referência a certo recipiente de vidro ou a certo hábito de lançar taças de um para o outro — e, no entanto, ninguém decretou proibição contra isso, como se vê do próprio caso de Rabá bar Rav Huna, que bebeu assim na casa do Reish Galutá sem qualquer objeção. Segue-se que a mera menção de um prazer num versículo condenatório não basta para justificar um decreto de proibição.
"Mas, segundo teu raciocínio, quanto ao que está escrito" — nesse mesmo contexto, "os que bebem em taças largas de vinho", e Rabi Ami e Rabi Assi explicaram que isso são os keneshkanin, um recipiente de vidro alongado, com duas bocas, pelo qual o vinho é lançado de um lado a outro. "Que lançam" — por meio de uma habilidade, como se diz em HeChalil: ele passeia equilibrando oito copos. "Também aqui, isso é proibido" — beber agora em keneshkanin?
Mas então: tudo o que traz prazer e traz alegria, os Sábios decretaram proibição de luto; mas o que traz prazer e não traz alegria, os Sábios não decretaram.
A Guemará conclui com o princípio que distingue os dois casos: os decretos de luto pela destruição do Templo recaem apenas sobre prazeres associados à alegria festiva e social — como o vinho, bebido em companhia e com regozijo —, mas não sobre prazeres solitários, como o simples uso de um óleo perfumado, que não gera alegria compartilhada e por isso não foi objeto de decreto.
"Os que se deitam em camas de marfim e se estendem sobre seus leitos" — disse Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina: isso ensina que urinavam diante de suas camas, nus.
A Guemará passa a um novo bloco aggádico, comentando um versículo de Amós sobre a decadência moral que precedeu o exílio. Rabi Yossei bar Rabi Chanina lê o verbo "se estendem" como indicação de que aqueles homens urinavam de pé, nus, bem diante de suas próprias camas, por puro desleixo.
"Urinavam" — ele deduz isso da palavra "se estendem".
Zombou disso Rabi Abahu: se é assim, é isso o que está escrito, "portanto agora irão ao exílio à frente dos exilados"? Por urinarem diante de suas camas, nus, irão ao exílio à frente dos exilados?!
Rabi Abahu rejeita a leitura anterior por ser desproporcional: o versículo conclui anunciando que esses homens seriam os primeiros a ir ao exílio, uma punição severa demais para um simples desleixo de higiene pessoal — sinal de que a verdadeira falta descrita ali deve ser mais grave.
Mas então disse Rabi Abahu: estes eram homens que comiam e bebiam uns com os outros, e juntavam suas camas uma à outra, e trocavam suas esposas uns com os outros, e tornavam fétidos seus leitos com sêmen que não era o seu.
Rabi Abahu propõe a leitura correta: o versículo descreve homens que, em seus banquetes de luxo, aproximavam suas camas para trocar parceiras entre si, profanando assim o próprio leito conjugal — falta moral grave o bastante para justificar a punição do exílio antecipado.
Disse Rabi Abahu — e há quem diga que se ensinou numa baraita: três coisas trazem o homem à pobreza, e são estas: quem urina diante de sua cama, nu; quem trata com desprezo a lavagem das mãos; e aquele cuja esposa o amaldiçoa em sua face.
Retomando o tema do desleixo mencionado antes, a Guemará traz um ensinamento — atribuído a Rabi Abahu ou, segundo outra versão, a uma baraita independente — que enumera três comportamentos concretos que trazem a pobreza sobre quem os pratica.
"À pobreza" — pois se diz em Erev Pessach: o príncipe da pobreza chama-se Naval, e o chamam de Naval porque ama lugar de imundície; e urinar diante de sua cama é imundície. "Nu" — a baraita menciona o caso comum, pois, estando nu, ele não sai para fora para urinar, porque lhe seria trabalhoso vestir-se e sair.
"Quem urina diante de sua cama, nu" — disse Rava: não dissemos isso senão de quem volta o rosto para sua cama; mas, para fora, não há problema quanto a isso. E, quanto a voltar o rosto para sua cama, também não dissemos isso senão sobre o chão; mas, num recipiente, não há problema quanto a isso.
Rava restringe o primeiro item em duas etapas: a advertência só se aplica a quem urina de frente para a própria cama — pois urinando para fora do quarto o jato se lança longe, sem sujar as proximidades — e, mesmo voltado para a cama, só há problema se for diretamente sobre o chão, e não dentro de um recipiente.
"Mas, para fora, não há problema quanto a isso" — pois o jato é longo e se lança para longe.
"Quem trata com desprezo a lavagem das mãos" — disse Rava: não dissemos isso senão de quem não lava as mãos de modo algum; mas quem lava, ainda que não lave bem, não há problema quanto a isso. Mas isso não é correto, pois disse Rav Chisda: eu lavava as mãos com uma quantidade cheia de minhas duas mãos em água, e me davam em recompensa uma quantidade cheia de minhas duas mãos em bondade.
Rava restringe também o segundo item: só há falha grave em quem não lava as mãos absolutamente nada, mas quem o faz, mesmo que de modo incompleto, já cumpre o mínimo. A Guemará rejeita, porém, essa restrição, trazendo o testemunho de Rav Chisda, que atribuía a própria fartura de bênçãos justamente ao cuidado de lavar as mãos generosamente, com as duas mãos cheias de água — sugerindo que até mesmo lavar pouco, se feito com desleixo, já compromete a bênção.
"Lava, ainda que não lave bem" — que não se banha nem esfrega bem, mas apenas com pouca água, como um reviit justo.
"E aquele cuja esposa o amaldiçoa em sua face" — disse Rava: por causa de seus ornamentos. E isso vale apenas quando ele tem recursos e não os provê.
Rava explica e restringe o terceiro item: a maldição da esposa que traz pobreza é especificamente aquela motivada pela recusa do marido em prover-lhe ornamentos — e isso somente quando ele de fato tem condições de comprá-los e se nega a fazê-lo, e não quando simplesmente não pode.
"Por causa de seus ornamentos" — porque ele não quer comprá-los para ela.
Expôs Rava, filho de Rav Ilai, o que está escrito: "e disse o Eterno: porquanto as filhas de Sião se exaltaram" — pois caminhavam de porte ereto. "E andavam de pescoço estendido" — pois caminhavam com o calcanhar junto ao dedão, a passos curtos. "E lançavam olhares sedutores com os olhos" — pois enchiam de tintura os olhos e faziam sinais com eles. "Andando e requebrando" — pois caminhavam colocando a alta ao lado da baixa. "E com seus pés faziam tilintar ornamentos" — disse Rav Yitzchak, da escola de Rabi Ami: isso ensina que colocavam mirra e bálsamo em seus sapatos, e caminhavam pelos mercados de Jerusalém, e, quando chegavam perto dos jovens de Israel, pisavam no chão e faziam o perfume espirrar sobre eles, e assim introduziam neles a inclinação para o mal, como o veneno de uma serpente enfurecida.
A Guemará traz uma longa exposição sobre a passagem de Yeshayahu que descreve a soberba das "filhas de Sião" antes da destruição, interpretando cada detalhe do versículo como uma afetação deliberada de sedução: o porte ereto, os passos curtos e medidos, o olhar insinuante realçado por tintura, o arranjo entre mulheres altas e baixas para exibição mútua, e, por fim, o uso de perfume escondido nos sapatos, espalhado propositalmente diante dos jovens para despertar neles o desejo.
"Se exaltaram" — isto é, porte ereto. "E andavam de pescoço estendido" — pois caminhavam com o calcanhar junto ao dedão, para diminuir seus passos, de modo que as olhassem enquanto ela se demorava em suas passadas; e é costume, ao caminhar assim devagar, estender o pescoço, porque não se vê os próprios pés. "E lançavam olhares sedutores com os olhos, enchendo-os de tintura" — expressão de sikra, o corante vermelho. "E faziam sinais com eles" — aos jovens. "Sikur" — expressão de olhar. "Andando e requebrando, pois caminhavam colocando a alta ao lado da baixa" — para que a mais alta parecesse sobressair sobre a cabeça de sua companheira, o que era um enfeite para ela; e eram casadas, por isso a Escritura conta sua desonra. "E requebrando" — como em "pelo que afogaste, te afogarão" (Avot 2:6). "Faziam tilintar" — como em "e como o grilhão para a correção do tolo" (Provérbios 7:22), que é o veneno de uma serpente, e chama-o de échess porque ela só o lança por raiva. "Enfurecida" — serpente enfurecida.
Qual foi seu castigo? Conforme expôs Rabá bar Ula: "e será que, em vez de perfume, haverá podridão" — o lugar em que se perfumavam tornou-se cheio de chagas apodrecidas. "E em vez de cinto, uma chaga aberta" — o lugar em que se cingiam com um cinto belo tornou-se cheio de feridas abertas. "E em vez de cabelo trançado, calvície" — o lugar em que se enfeitavam tornou-se cheio de calvas. "E em vez de manto vistoso, cinto de saco" — as aberturas que trazem à alegria tornar-se-ão cinto de saco. "Porque em vez de beleza" — disse Rava: é isso o que dizem as pessoas: a troca da beleza é dor.
A Guemará detalha o castigo, ponto a ponto, como espelho exato do pecado: cada parte do corpo usada para ornamento e sedução tornou-se sede de aflição — o local do perfume, apodrecido; o local do cinto, ferido; o local do penteado, calvo; e o vestido vistoso, substituído pelo pano de saco do luto. Rava resume com um dito popular: perder a beleza, depois de tê-la, é uma dor em si mesma.
"E o Eterno afligirá com sarna o alto da cabeça das filhas de Sião" — disse Rabi Yossei, filho de Rabi Chanina: isso ensina que a lepra brotou nelas. Está escrito aqui "afligirá com sarna", e está escrito ali "para a inchação e para a sarna". "E o Eterno descobrirá suas partes íntimas" — Rav e Shmuel: um diz que se esvaziaram como um jarro; e o outro diz que suas aberturas se tornaram como uma floresta.
Concluindo a exposição sobre o castigo, a Guemará explica, por analogia verbal com o livro de Vayikra, que a aflição na cabeça das filhas de Sião era a própria lepra. Quanto à última cláusula do castigo, Rav e Shmuel divergem sobre sua natureza precisa — um a entende como referência a uma perda contínua de sangue, e o outro como referência ao crescimento descontrolado de pelos —, ambas as leituras apontando para a desonra física que substituiu a antiga vaidade.
"Suas partes" — como "suas aberturas". "Descobrirá" — como em "e esvaziou seu cântaro" (Gênesis 24). "Que se esvaziaram como um jarro" — que verteram sangue de fluxo. "Como uma floresta" — encheram-se de pelos, e tornaram-se repugnantes para a relação conjugal.
Disse Rav Yehuda, disse Rav: os homens de Jerusalém eram homens arrogantes. Um dizia ao outro: com que te alimentaste hoje — com pão fermentado, ou com pão não fermentado? Com vinho gordali, ou…
A Guemará inicia uma última tradição sobre a soberba dos homens de Jerusalém, ilustrada por um modo de falar pretensioso e cheio de subentendidos: perguntavam uns aos outros sobre sua refeição do dia usando termos que, segundo Rashi, são eufemismos para a relação conjugal — "pão fermentado" designando a mulher casada, e "pão não fermentado", a virgem. O texto do daf se interrompe aqui, no meio da frase, ao chegar à pergunta sobre o tipo de vinho; a continuação — "ou com vinho chardali? Em assento largo, ou em assento estreito? Com bom companheiro, ou com mau companheiro? Disse Rav Chisda: e tudo isso para efeitos de licenciosidade" — pertence já à abertura de Shabat 63a.
"Homens arrogantes" — que falam com linguagem de soberba e de escárnio. "Te alimentaste" — refere-se à relação conjugal. "Pão fermentado" — mulher casada. "Não fermentado" — virgem. "Pão fermentado" — em francês antigo, braiee. "Gordali" — era vinho branco.