O daf abre completando a frase interrompida ao fim de 51b: Rabá filho de Rav Huna havia decidido dizer algo a Levi, para que sua mente se acalmasse, ao ver o jumento de Levi ultrapassar o seu na estrada. Ele lhe pergunta: um jumento de maus costumes como este — arisco, difícil de conter —, qual é a lei quanto a sair com focinheira de ferro (prumbiya) em Shabat? Levi responde, citando o pai de Rabá, Rav Huna bar Chiya, em nome de Shmuel: a halachá segue Chananya — segurança excessiva nunca se considera carga, de modo que o jumento pode sair com a focinheira robusta, ainda que um simples cabresto já bastasse para contê-lo em circunstâncias normais. Uma baraita da escola de Menashya acrescenta: a cabra cujos chifres foram entalhados para caber um cabresto entre eles pode sair com esse cabresto em Shabat. Rav Yossef então levanta uma dúvida sobre um caso semelhante mas distinto — se alguém prendeu o cabresto na barba da cabra, perfurando-a —, e a Guemará não consegue resolvê-la, deixando-a como "teiku", pergunta em aberto. A Guemará recorda então uma Mishná citada alhures, que proíbe a vaca sair com uma correia entre os chifres, e traz a disputa entre Rav e Shmuel sobre o motivo: um diz que é proibida tanto para ornamento quanto para segurança; o outro diz que é proibida apenas para ornamento, mas permitida para segurança. Rav Yossef tenta provar, a partir da halachá já fixada segundo Chananya, que Shmuel é quem permite a correia usada para segurança; Abaye replica que, ao contrário, o episódio de trocar as amarras diante de Rebbi sugere que Shmuel proíbe em ambos os casos — mas a Guemará questiona por que preferir uma leitura à outra, e resolve a questão com uma baraita independente, que atribui explicitamente a opinião mais severa a Rav e a mais permissiva a Shmuel. Contra a permissão para segurança, a Guemará objeta a partir da vaca ruiva, sobre a qual a Torá exige que "não subiu sobre ela jugo": se um cabresto fosse considerado carga, como poderia seu dono prendê-la com um e ainda ser válida para a purificação? Abaye, Rava e Ravina respondem cada um a seu modo — conduzi-la de cidade em cidade, o alto valor da vaca ruiva, ou o caso de uma vaca rebelde —, todos preservando a permissão geral de Chananya. A Guemará volta então à Mishná sobre o cavalo e a coleira, perguntando o que significam exatamente "saem" e "são puxados": Rav Huna entende que os animais saem enrolados na coleira ou são puxados por ela; Shmuel entende que só saem puxados, nunca meramente enrolados. Uma baraita e o testemunho de Rav Yossef, que viu os bezerros da casa de Rav Huna saírem com seus cabrestos enrolados em Shabat, apoiam a posição mais permissiva. A Guemará então relata duas versões de uma mesma tradição sobre as mulas da casa de Rebbi, transmitidas por Rav Dimi e por Rav Shmuel bar Yehudá em nome de Rabi Chanina, e explica, através de Rav Asi, por que ambas as versões eram necessárias, cada uma prevenindo uma inferência errada que se poderia tirar apenas da outra. O daf se fecha abrindo uma nova pergunta sobre a última cláusula da Mishná do início do perek — que se aspergem e imergem as coleiras em seu próprio lugar —: isso significaria que as coleiras dos animais são de fato suscetíveis à impureza ritual? A Guemará traz uma objeção de uma Mishná sobre anéis, que distingue o anel de pessoa (impuro) do anel de animal e de outros objetos — cuja conclusão, cortada no meio da citação, prossegue em 52b.
…para que sua mente se acalmasse. (Levi) disse-lhe: um jumento de maus costumes, como este (que acaba de ultrapassar o teu), qual é a lei para sair com focinheira (de ferro, prumbiya) em Shabat? (Rabá filho de Rav Huna) disse-lhe: assim disse teu pai (Rav Huna bar Chiya) em nome de Shmuel: a halachá segue Chananya.
Completa-se aqui a frase interrompida ao fim de 51b. Levi, percebendo que Rabá filho de Rav Huna se sentira ofendido ao ver o jumento de Levi ultrapassar o seu, decidiu dizer-lhe algo que acalmasse sua mente — não uma desculpa direta, mas uma pergunta de Torá que desviasse o assunto e, ao mesmo tempo, desse a Rabá a oportunidade de mostrar seu conhecimento. Levi pergunta: um jumento de maus costumes, arisco e difícil de conter como aquele que acabara de ultrapassar o de Rabá, poderia sair com a robusta focinheira de ferro (prumbiya) em Shabat, ou isso seria carga proibida? Rabá filho de Rav Huna responde citando seu próprio pai, Rav Huna bar Chiya, que transmitira em nome de Shmuel a mesma halachá já fixada acima (51b): segue-se a opinião de Chananya, segundo a qual segurança excessiva nunca se considera carga — de modo que o jumento pode sair com a focinheira, mesmo que, em circunstâncias normais, um simples cabresto já bastasse para contê-lo.
"Para que sua mente se acalmasse" — para lhe fazer saber que não o fizera de propósito.
"Com focinheira" — seria isso segurança excessiva para ele, ou não?
"A halachá segue Chananya" — e não nos importa se é segurança excessiva.
Ensinaram na escola de Menashya: a cabra cujos chifres foram entalhados (para caber o cabresto entre eles) sai com cabresto em Shabat. Rav Yossef pergunta: e se alguém o prendeu na barba dela (perfurando-a), qual é a lei? Já que, se ela o arrancasse, isso lhe doeria, e ela não viria a arrancá-lo — (seria permitido); ou talvez, às vezes ele afrouxe e caia, e ela venha a trazê-lo quatro cúbitos no domínio público. Teiku (que permaneça sem solução).
Uma baraita traz mais um caso de amarra apropriada: a cabra, cujos chifres foram especialmente entalhados para que o cabresto se encaixe firmemente entre eles, pode sair com esse cabresto em Shabat, pois ele a prende com segurança suficiente. Rav Yossef levanta então uma dúvida sobre um caso semelhante, mas tecnicamente distinto: se o cabresto foi preso não entre os chifres, mas perfurando a barba (o queixo) da cabra, seria isso igualmente permitido? Por um lado, como arrancá-lo lhe causaria dor, é pouco provável que ela o faça, e por isso não há receio de que o carregue pela rua; por outro lado, um laço preso na pele solta da barba pode se afrouxar e cair sozinho, sem que a cabra o arranque deliberadamente, levando ao receio de que ela o carregue quatro cúbitos no domínio público. A Guemará não consegue decidir entre essas duas considerações, e a questão permanece como teiku, sem resolução.
"Sai com cabresto" — se o prendeu no entalhe do chifre; mas por simples amarração, não, pois talvez ela o desprenda da cabeça, já que sua ponta é fina e se solta para um lado ou para o outro quando a puxam, e venha a trazê-lo quatro cúbitos no domínio público.
"Prendeu-o na barba dela" — amarrou o pelo de sua barba como uma espécie de furo, e prendeu o cabresto dentro dele.
"Ela o arrancasse" — solta-se e pula para um lado e outro, para fugir de sua mão.
"Isso lhe doeria" — a barba, cujo pelo foi arrancado, e lhe causa dor.
Aprendemos ali (numa Mishná ao fim deste mesmo perek): e não (a vaca sai) com a correia entre seus chifres. Disse Rabi Yirmeya bar Abba: Rav e Shmuel discordam a respeito dela. Um diz: tanto para ornamento quanto para segurança — proibido. E um diz: para ornamento — proibido; para segurança — permitido.
A Guemará recorda uma Mishná posterior deste mesmo perek, que proíbe a vaca sair em Shabat com uma correia (ou trança) presa entre seus chifres. Rabi Yirmeya bar Abba relata que Rav e Shmuel discordam quanto ao motivo exato dessa proibição, e portanto quanto ao alcance dela: um amora entende que a correia é sempre proibida, quer sirva apenas de enfeite (tingida e trançada de chifre a chifre, sem que o dono a segure), quer sirva para de fato prender e guiar o animal; o outro entende que ela é proibida apenas quando usada como puro ornamento — pois nesse caso não há função de segurança alguma, e o adorno em si seria carga —, mas é permitida quando usada para efetivamente prender e guiar a vaca, pois nesse caso se aplica a mesma regra de Chananya sobre segurança excessiva não ser carga.
"Aprendemos ali" — ao fim deste perek: e não a vaca com a correia entre seus chifres.
"Para ornamento" — que a tinge e a trança por adorno entre seus chifres, como uma espécie de trança de chifre a chifre, e não a segura por ela.
"Para segurança" — que a segura por ela.
Proibido — pois a vaca já é guardada sem segurá-la, apenas conduzindo-a à sua frente, e entende que segurança excessiva é carga.
"Mas para segurança, permitido" — entende que segurança excessiva não é carga.
Disse Rav Yossef: pode-se concluir que é Shmuel quem diz: para ornamento, proibido; para segurança, permitido. Pois Rav Huna bar Chiya disse em nome de Shmuel: a halachá segue Chananya.
Rav Yossef propõe identificar qual dos dois amoraim, Rav ou Shmuel, sustenta a posição mais permissiva. Ele argumenta que deve ser Shmuel, já que Shmuel — através de Rav Huna bar Chiya, que acaba de transmiti-la no episódio de Levi — é quem fixou a halachá segundo Chananya, para quem segurança excessiva nunca se considera carga. Sendo Shmuel favorável a essa lógica em geral, é razoável que ele também seja o amora que, na disputa sobre a correia da vaca, permite seu uso quando serve para segurança real, e a proíbe apenas quando serve de puro ornamento sem função de contenção.
Disse-lhe Abaye: ao contrário, pode-se concluir que é Shmuel quem diz: tanto para ornamento quanto para segurança — proibido. Pois Rav Yehudá disse em nome de Shmuel: trocaram diante de Rebbi (os alunos, perguntando): a amarra de um (destes animais servindo) para o outro, qual é a lei? Disse diante dele Rabi Yishmael ben Rabi Yosei: assim disse meu pai: quatro animais saem com cabresto — o cavalo, a mula, o camelo e o jumento. Não é isso para excluir o camelo com argola? (Sim — portanto) apague-se esta (interpretação anterior) diante desta (nova leitura).
Abaye discorda, propondo a leitura oposta. Ele retoma o episódio já narrado em 51b, no qual Rav Yehudá, em nome de Shmuel, relatara que os alunos, diante de Rebbi, perguntaram sobre trocar as amarras entre camelo e camela; e Rabi Yishmael ben Rabi Yosei respondera, em nome de seu pai, que apenas quatro animais saem com cabresto — cavalo, mula, camelo e jumento. Ali (51b), a Guemará havia entendido, após reconsideração, que essa lista vinha excluir apenas a camela saindo com o simples cabresto do camelo. Abaye agora propõe reverter a essa primeira leitura, mais direta: a lista de fato viria excluir o camelo saindo com a argola robusta da camela, isto é, viria proibir a segurança excessiva — o que mostraria que Shmuel, autor dessa tradição, entende que segurança excessiva É considerada carga, e portanto proíbe a correia da vaca inclusive quando usada para segurança real.
E o que vês (de razão) para apagar esta (leitura anterior) diante desta (nova)? Apague antes esta (nova) diante daquela (anterior)! Pois encontramos que é Shmuel quem diz: para ornamento, proibido; para segurança, permitido. Pois foi dito: Rav Chiya bar Ashi disse em nome de Rav: tanto para ornamento quanto para segurança — proibido. E Rav Chiya bar Avin disse em nome de Shmuel: para ornamento, proibido; para segurança, permitido.
A Guemará questiona o argumento de Abaye: se ambas as leituras do episódio de trocar as amarras eram possíveis — a que exclui o camelo com argola, e a que exclui a camela com cabresto —, por que preferir uma à outra sem motivo independente? Bem poderia ser o contrário. A Guemará resolve a questão trazendo uma tradição explícita e independente, transmitida por dois outros amoraim, que atribui claramente as duas posições: Rav Chiya bar Ashi, em nome do próprio Rav, afirma que a correia é proibida tanto para ornamento quanto para segurança; e Rav Chiya bar Avin, em nome do próprio Shmuel, afirma que ela é proibida apenas para ornamento, mas permitida para segurança. Com essa fonte explícita, confirma-se a posição original de Rav Yossef: é Shmuel quem permite a correia usada para segurança real, e é Rav quem a proíbe em ambos os casos.
Objetam: se seu dono a amarrou com um cabresto (a vaca ruiva, antes de sua queima ritual), ela é válida. E se te ocorre (pensar) que (o cabresto) é carga — não disse o Misericordioso (a Torá): "sobre a qual não subiu jugo"?
A Guemará traz uma objeção geral contra a permissão de amarras para segurança: uma baraita ensina que a vaca ruiva (parah adumah), cuja validade para a purificação exige que jamais tenha carregado um jugo, permanece válida mesmo que seu próprio dono a tenha amarrado com um cabresto (moserah) para conduzi-la. Ora, se um cabresto usado para prender e conduzir o animal fosse considerado carga — como uma forma de jugo —, isso deveria desqualificar a vaca ruiva, pois a Torá exige explicitamente que nenhum jugo tenha subido sobre ela; mas a baraita afirma que ela permanece válida, sugerindo que mesmo um cabresto usado para efetiva segurança e condução não é, em geral, considerado carga ou jugo — contradizendo a posição que a proíbe.
"Amarrou-a seu dono" — refere-se à vaca ruiva.
"Com um moserah" — um cabresto.
Disse Abaye: trata-se de conduzi-la de uma cidade a outra (caso em que o cabresto não é segurança excessiva, mas necessária). Rava disse: a vaca (ruiva) é diferente, pois seu valor é elevado. Ravina disse: trata-se de uma vaca rebelde (que tende a fugir).
Três amoraim respondem à objeção, cada um preservando de modo diferente a proibição geral da correia para ornamento ou a permissão para segurança, sem que isso contradiga o caso da vaca ruiva. Abaye responde que a baraita trata especificamente de conduzir a vaca de uma cidade a outra, situação em que até mesmo Rav concordaria que o cabresto não é segurança excessiva, mas estritamente necessária, e portanto não é carga em hipótese alguma. Rava responde de modo diferente: a vaca ruiva, por seu altíssimo valor (sendo rara e ritualmente preciosa), precisa de segurança adicional desde o momento em que nasce, tornando o cabresto parte de seu cuidado habitual, e não segurança excessiva. Ravina propõe uma terceira resposta: trata-se de uma vaca especificamente rebelde e propensa a fugir, para a qual o cabresto, mesmo sendo tecnicamente "excessivo" para uma vaca comum, é estritamente necessário para esta vaca em particular.
"Conduzindo-a de cidade em cidade" — pois em geral a vaca se volta para o lugar onde costuma deitar, e é preciso segurá-la ao conduzi-la a outra cidade; e isso não é segurança excessiva, mas o costume.
"A vaca é diferente" — refere-se à vaca ruiva.
"Pois seu valor é elevado" — e precisa de segurança excessiva desde que nasceu.
(A Mishná ensinou:) "O cavalo com coleira etc." (e todos os donos de coleira saem com coleira e são puxados por ela). O que é "saem"? E o que é "são puxados"? Disse Rav Huna: ou saem enrolados (a correia ao redor do pescoço, sem que a segurem), ou são puxados (pela correia presa à coleira). E Shmuel disse: saem (apenas) puxados, e não saem enrolados.
A Guemará retoma a Mishná de abertura do perek, que ensinara que "todos os donos de coleira saem com coleira e são puxados por ela", e busca esclarecer o sentido exato dessas duas expressões — "saem" e "são puxados". Rav Huna entende que a Mishná descreve duas situações distintas, ambas permitidas: o animal pode sair com a correia simplesmente enrolada ao redor do pescoço, presa à coleira mas sem que o dono a segure com a mão, pois isso também é seu modo habitual e considerado adorno; ou pode sair sendo efetivamente puxado pela correia. Shmuel discorda, entendendo que apenas ser puxado é permitido — pois isso é claramente necessário para a segurança —, mas sair meramente enrolado, sem função de condução, não é considerado o costume do animal e seria carga proibida.
"Saem enrolados" — a correia ao redor de seu pescoço; e ainda que não a segure, não é carga, pois isso também é seu costume, mesmo por ornamento.
"São puxados" — que a puxa pela correia fixada no anel da coleira.
"Saem puxados" — pois a segurança é o costume.
"E não saem enrolados" — pois por ornamento não é o costume.
Numa baraita foi ensinado: saem enrolados, de modo a poderem ser puxados (a correia enrolada frouxamente, deixando margem para puxar). Disse Rav Yossef: eu vi os bezerros da casa de Rav Huna saírem com seus cabrestos enrolados em Shabat.
Uma baraita apoia a posição de Rav Huna, mas com uma precisão adicional: o animal pode sair com a correia enrolada ao redor do pescoço, contanto que essa amarração deixe folga suficiente para que, se necessário, o dono possa rapidamente segurá-la e puxar o animal — ou seja, o "enrolar" e o "puxar" não são duas permissões totalmente independentes, mas o enrolamento já deve estar preparado para permitir a condução. Rav Yossef relata um testemunho pessoal que confirma essa prática: viu com os próprios olhos os bezerros da casa de Rav Huna saírem à rua em Shabat com seus cabrestos apenas enrolados ao redor do pescoço, sem que ninguém os segurasse com a mão, confirmando que esse costume era aceito na prática.
"Enrolados, de modo a poder puxar" — enrolados com folga, de modo que se possa introduzir a mão entre o enrolamento e o pescoço, ou deixando um pouco da corda solta, de modo que, se o animal tentar fugir, possa rapidamente segurá-lo.
Quando Rav Dimi veio (da Terra de Israel para a Babilônia), disse em nome de Rabi Chanina: as mulas da casa de Rebbi saem com seus cabrestos em Shabat. Foi levantada a dúvida entre eles (os sábios da academia): enroladas, ou puxadas?
Rav Dimi, ao subir da Terra de Israel para a Babilônia, trouxe uma tradição de Rabi Chanina: as mulas da casa de Rebbi (o patriarca) costumavam sair em Shabat com seus cabrestos. Mas o relato de Rav Dimi não especificava se essas mulas saíam com o cabresto meramente enrolado ao redor do pescoço, ou sendo efetivamente puxadas por ele — deixando em aberto se esse testemunho apoiava a posição de Rav Huna (ambas as formas permitidas) ou apenas confirmava a posição mais restrita de Shmuel (só puxadas).
"Mulaot" — mulas.
Venha e ouça: quando Rav Shmuel bar Yehudá veio, disse em nome de Rabi Chanina: as mulas da casa de Rebbi saem com seus cabrestos enrolados em Shabat.
A Guemará traz uma segunda transmissão da mesma tradição, agora relatada por Rav Shmuel bar Yehudá, também em nome de Rabi Chanina, mas com uma precisão que faltava na primeira: as mulas saíam especificamente com os cabrestos enrolados, não meramente puxados. Essa versão parece apoiar diretamente a posição mais permissiva de Rav Huna, segundo a qual sair enrolado também é permitido.
Disseram os sábios diante de Rav Asi: esta (versão) de Rav Shmuel bar Yehudá não seria necessária, pois (a mesma conclusão) já sairia da (versão) de Rav Dimi. Pois, se te ocorre pensar que Rav Dimi quis dizer "puxadas" (apenas), isso já sairia do que Rav Yehudá disse em nome de Shmuel.
Os sábios da academia levantam uma dificuldade diante de Rav Asi: por que seria necessário relatar a segunda versão, de Rav Shmuel bar Yehudá, se a mesma conclusão já poderia ser extraída da primeira, de Rav Dimi? Pois, se interpretássemos a versão de Rav Dimi (que não especificava "enroladas" ou "puxadas") como significando apenas "puxadas", ainda assim aprenderíamos algo relevante — que as mulas são presas com cabresto simples e não com amarra mais robusta —, e isso já se sabia do episódio de Rav Yehudá em nome de Shmuel, sobre o camelo e a camela trocando as amarras. A segunda versão de Rav Shmuel bar Yehudá pareceria, então, supérflua.
"Pois, se te ocorre pensar que Rav Dimi disse apenas 'puxadas'" — mas não 'enroladas', e não veio ensinar senão que as mulas se guardam com cabresto, e este não é carga para elas.
"Já sairia do que Rav Yehudá disse em nome de Shmuel" — pois se pensaria que Rebbi aceitou (a tradição) de Rabi Yishmael ben Rabi Yosei.
Pois disse Rav Yehudá em nome de Shmuel: trocavam diante de Rebbi (os alunos, perguntando): a amarra de um (destes animais servindo) para o outro, qual é a lei? Disse diante dele Rabi Yishmael ben Rabi Yosei: assim disse meu pai: quatro animais saem com cabresto — o cavalo, a mula, o camelo e o jumento.
A Guemará repete, por extenso, o episódio já citado (em 51b e acima, no beat 05) para servir de base à dificuldade que está sendo levantada diante de Rav Asi: já que esse episódio ensina que a mula (entre os quatro animais listados) sai com o simples cabresto, tal informação já bastaria para se saber que as mulas da casa de Rebbi eram conduzidas com cabresto — tornando, à primeira vista, redundante a nova versão de Rav Shmuel bar Yehudá.
Disse-lhes Rav Asi: eram necessárias (ambas as versões). Pois, se (a informação) saísse apenas do (episódio relatado por) Rav Yehudá, eu diria: (Rabi Yishmael) disse (isso) diante dele (de Rebbi), mas (Rebbi) não o aceitou dele. (A versão) de Rav Dimi vem nos ensinar (que Rebbi de fato o aceitou e o pôs em prática).
Rav Asi explica por que ambas as versões eram de fato necessárias, cada uma prevenindo uma inferência errada que só a outra corrigiria. Se dependêssemos apenas do episódio de Rav Yehudá em nome de Shmuel, poderíamos pensar que Rabi Yishmael ben Rabi Yosei apenas apresentou a tradição de seu pai diante de Rebbi, sem que Rebbi necessariamente a tivesse aceitado e posto em prática — permanecendo a questão sem solução prática definitiva. O relato de Rav Dimi, de que as mulas da própria casa de Rebbi de fato saíam com cabresto, prova que Rebbi realmente aceitou essa tradição e a aplicou na prática, e não apenas a ouviu sem se pronunciar.
E se (dependêssemos apenas da versão) de Rav Dimi, eu diria: isso se refere apenas a (saírem) puxadas, mas enroladas — não. (A versão) de Rav Shmuel bar Rav Yehudá vem nos ensinar (que também saíam enroladas).
Rav Asi completa sua explicação: se dependêssemos apenas do relato de Rav Dimi, que não especificava a forma exata, eu poderia pensar que ele se referia apenas a mulas efetivamente puxadas pelo cabresto — a forma de segurança inquestionavelmente aceita por todos —, mas não a mulas que saíam com o cabresto meramente enrolado ao redor do pescoço, sem serem seguradas. Por isso, era necessária a precisão adicional de Rav Shmuel bar Yehudá, que especifica explicitamente que as mulas saíam "enroladas", confirmando que essa forma também era aceita, em apoio à posição mais permissiva de Rav Huna sobre o sentido da Mishná.
(A Mishná ensinou:) "E aspergem-se sobre elas (as coleiras), e imergem-nas em seu lugar." Isso viria dizer que são suscetíveis a receber impureza? Mas não aprendemos (numa Mishná): o anel de pessoa — é impuro; e o anel de animal, de utensílios, e os demais anéis — …
A Guemará retoma a última cláusula da Mishná de abertura do perek, que ensinara que, se as coleiras dos animais se tornarem impuras, aspergem-se sobre elas as águas de purificação e imergem-nas em seu próprio lugar. Disso a Guemará infere que as coleiras devem, de fato, ser suscetíveis a contrair impureza ritual como utensílios metálicos comuns. Mas ela levanta uma objeção a partir de outra Mishná, sobre os diferentes tipos de anéis: o anel usado por uma pessoa (como adorno, no dedo) é considerado um utensílio pleno e é suscetível à impureza; mas o anel de um animal (como o de uma coleira), o anel de outros utensílios, e os demais tipos de anéis não decorativos seriam... — e é exatamente neste ponto, no meio da citação dessa Mishná sobre anéis, que o texto de 52a se interrompe; a conclusão dessa mesma linha — se tais anéis são puros ou impuros, e como isso se concilia com a Mishná sobre as coleiras — prossegue em 52b, que abre precisamente com a palavra que falta aqui: "טְהוֹרוֹת" ("puras").