99a abre completando exatamente a frase interrompida ao final de 98b: depois de ensinar que as tábuas do Tabernáculo eram ranhuradas e as bases ocas, a baraita acrescenta que os colchetes nas argolas, no centro do Tabernáculo, eram vistos como estrelas no firmamento — uma imagem com que a Guemará fecha, por ora, o longo tratamento da construção do Tabernáculo. Em seguida, uma nova baraita ensina que as cortinas inferiores eram de azul-celeste, púrpura, escarlate e linho fino, e as superiores, de pelos de cabra; e observa que a sabedoria atribuída às tecelãs das cortinas superiores, de material inferior, era maior do que a atribuída às das inferiores — pois o versículo sobre estas diz apenas que "fiaram com as mãos", enquanto o versículo sobre aquelas diz que "o coração as impeliu com sabedoria". Em nome de Rabi Nechemya, acrescenta-se que os pelos eram lavados e fiados diretamente sobre os próprios bodes, exigindo ainda mais destreza. A folha então retoma a Mishná das "duas sacadas", citada resumidamente, para retornar ao tema das carroças que transportavam as tábuas do Tabernáculo: Rav, em nome de Rabi Chiya, ensina que o espaço debaixo, entre e ao lado das carroças era via pública; Abaye calcula que o espaço entre uma carroça e outra equivalia ao comprimento total de uma carroça — cinco côvados, mais do que o estritamente necessário, para que as tábuas não ficassem apertadas; e Rava calcula que os lados de cada carroça equivaliam à sua largura total — dois côvados e meio, também mais do que o necessário, para que as tábuas não vacilassem. A Guemará então enfrenta uma dificuldade: se a via pública padrão tem dezesseis côvados, mas o cálculo do Tabernáculo dá apenas quinze, falta um côvado — resolvido com a explicação de que havia um côvado extra onde um levita ficava de pé, pronto para segurar qualquer tábua que escorregasse. A folha fecha com uma nova Mishná, que abre um novo tema dentro do mesmo perek: a borda de um poço e uma rocha que têm dez palmos de altura e quatro de largura são consideradas domínio pleno, de modo que transportar objetos de ou para elas em relação ao domínio público implica responsabilidade; a Guemará pergunta por que a Mishná menciona a borda do poço em vez de apenas o poço, respondendo que isso apoia a opinião de Rabi Yochanan de que o poço e sua borda se somam para completar os dez palmos — confirmada por uma baraita sobre um poço no domínio público, que a folha interrompe em pleno desenvolvimento, a ser retomada em 99b.
— ...e os colchetes nas argolas eram vistos como estrelas no firmamento.
99a abre completando exatamente a baraita que 98b interrompeu em pleno desenvolvimento: "ensinaram os Sábios a respeito da construção do Tabernáculo: as tábuas eram ranhuradas, e as bases eram ocas, e os colchetes nas argolas eram vistos como estrelas no firmamento." Segundo Rashi, esta última cláusula é um assunto à parte, não mais sobre o encaixe entre tábuas e bases, mas sobre a montagem das próprias cortinas: cada conjunto de cinco cortinas era costurado, uma à outra, ao longo de todo o seu comprimento, formando duas grandes peças; e essas duas peças eram então unidas entre si, no centro do Tabernáculo, por colchetes de ouro que se prendiam a argolas na borda externa de cada peça — argolas que se correspondiam exatamente, uma diante da outra. Vistos de dentro do Tabernáculo, esses colchetes dourados, alinhados no teto, pareciam estrelas cravadas no firmamento — imagem com que a Guemará fecha, por ora, este longo tratamento da construção do Tabernáculo.
"'E os colchetes nas argolas eram vistos'" — é um assunto à parte: as cortinas formavam duas peças unidas; cada peça tinha cinco cortinas, costuradas uma à outra, à agulha, ao longo de todo o seu comprimento; e no meio unia-se peça com peça por meio de colchetes, pois havia argolas na borda externa de cada peça, no centro do Tabernáculo, umas correspondendo às outras, como está escrito: "argolas correspondentes" etc. (Êxodo 26:20).
Ensinaram os Sábios: as cortinas inferiores do Tabernáculo eram de azul-celeste, e de púrpura, e de escarlate, e de linho fino; e as superiores, feitas de pelos de cabra. E maior era a sabedoria mencionada a respeito das superiores do que a mencionada a respeito das inferiores, pois, quanto às inferiores, está escrito: “e toda mulher sábia de coração fiou com suas mãos” (Êxodo 35:25); ao passo que, quanto às superiores, está escrito: “e todas as mulheres cujo coração as impeliu com sabedoria fiaram os pelos de cabra” (Êxodo 35:26). E foi ensinado em nome de Rabi Nechemya: o pelo era lavado sobre os próprios bodes, e fiado diretamente dos bodes.
Uma nova baraita traz os materiais das duas camadas de cortinas do Tabernáculo — já medidas em detalhe em 98b — e acrescenta uma observação sobre a sabedoria exigida em sua confecção. Embora as cortinas superiores fossem feitas do material aparentemente mais humilde, pelos de cabra, o versículo que descreve sua tecelagem emprega uma expressão mais enfática — "cujo coração as impeliu com sabedoria" — do que o versículo sobre as cortinas inferiores, de lã tingida e linho, que diz apenas "fiou com suas mãos". A diferença textual sugere que fiar pelos de cabra exigia uma destreza maior do que fiar as demais lãs. Em nome de Rabi Nechemya, a baraita acrescenta um detalhe técnico impressionante: o pelo não era tosquiado e depois fiado, mas lavado e fiado diretamente sobre o corpo dos próprios bodes — uma proeza de habilidade manual.
"'Cujo coração as impeliu'" — indica uma sabedoria a mais.
“Duas sacadas” etc. Aprendemos na Mishná a respeito de duas sacadas sobre a via pública. Disse Rav em nome de Rabi Chiya: quanto às carroças que transportavam as tábuas do Tabernáculo, debaixo delas, e entre elas, e a seus lados, é via pública. Disse Abaye: entre uma carroça e outra havia um espaço equivalente a o comprimento total de uma carroça. E quanto era o comprimento de uma carroça? Cinco côvados. A Guemará pergunta: por que preciso disso? Bastariam quatro (côvados) e meio! Responde-se: para que as tábuas não ficassem apertadas.
A Guemará retoma, resumidamente, a Mishná das "duas sacadas" — já tratada anteriormente neste perek, a respeito de estruturas que se projetam sobre a via pública — e volta ao tema, já familiar de 98a-98b, das carroças que transportavam as tábuas do Tabernáculo pelo deserto. Rav, em nome de Rabi Chiya, estabelece o princípio geral: apesar de as carroças serem cobertas pelas tábuas empilhadas sobre elas, o espaço debaixo, entre e ao lado das carroças continuava sendo via pública genuína. Abaye então calcula a distância necessária entre duas carroças: o comprimento de uma carroça inteira, cinco côvados — mais do que o estritamente necessário para acomodar as tábuas empilhadas (que caberiam em quatro côvados e meio), para garantir que as tábuas não ficassem pressionadas umas contra as outras durante o transporte.
"'Entre uma carroça e outra'" — a que ficava a seu lado, havia um espaço de cinco côvados, o comprimento total de uma carroça. "'Por que preciso disso'" — que o comprimento da carroça seja de cinco côvados. "'Bastariam quatro e meio'" — pois, se as arruma por sua largura, não se arruma em cinco côvados mais de três (fileiras) por vez, e já em quatro e meio se pode arrumá-las; e, se as arruma por seu lado estreito, não se arruma mais de quatro, por causa do espaço das travessas que ficam no meio das fileiras, e também aí meio côvado bastaria. "'Para que não fiquem apertadas'" — se vier a arrumá-las por sua largura.
Disse Rava: os lados de cada carroça equivaliam à largura total da carroça. E quanto era a largura de uma carroça? Dois côvados e meio. A Guemará pergunta: por que preciso disso? Bastaria um côvado e meio! Responde-se: para que as tábuas não vacilassem.
Rava acrescenta o cálculo da outra dimensão: os lados da carroça — o vão entre a parede e a roda, somado à espessura de ambas — equivaliam à largura total da carroça, dois côvados e meio, embora um côvado e meio já bastasse para simplesmente deitar as tábuas de lado dentro desse espaço. A folga adicional era necessária para que as tábuas de dez côvados de comprimento, apoiadas transversalmente sobre as paredes da carroça, não vacilassem nem tombassem durante o movimento.
"'Os lados da carroça'" — o vão entre as paredes e as rodas, mais a espessura da parede e a espessura da roda. "'Equivaliam à largura total da carroça'" — os dois lados juntos equivaliam à largura total de seu espaço interno, isto é, um côvado e um quarto para cada lado. "'Por que preciso disso'" — que sua largura seja de dois (côvados) e meio; é porque, se precisar colocar alguma das tábuas dentro dela, poderá encaixá-la. "'Bastaria um côvado e meio'" — e as deitaria ali de lado. "'Para que as tábuas não vacilassem'" — para que as tábuas, colocadas ao comprido sobre as paredes da carroça, transversalmente, não vacilassem nem se inclinassem para cá e para lá; pois, se o assento das tábuas fosse curto, sendo elas compridas e saindo muito para fora, uma das pontas pesaria quando vacilassem durante o movimento, e cairiam.
Mas nós estabelecemos que o padrão de uma via pública é de dezesseis côvados de largura; nós, que o derivamos do Tabernáculo — o Tabernáculo tinha apenas quinze! Responde-se: havia um côvado a mais, onde ficava de pé um membro da tribo de Levi, para que, quando as tábuas escorregassem, ele as segurasse.
Somando os cálculos de Abaye e Rava, a Guemará chega ao total de quinze côvados para a largura do caminho formado por duas carroças lado a lado, com os espaços entre elas e a seus lados. Mas isso contradiz o princípio, derivado justamente do modelo do Tabernáculo, de que uma via pública padrão tem dezesseis côvados de largura. A Guemará resolve a dificuldade: havia, de fato, um côvado extra, onde ficava de pé um levita encarregado de vigiar o carregamento — pronto para segurar qualquer tábua que escorregasse de sua pilha e evitar que caísse. Esse côvado adicional, reservado ao posto do levita, completa os dezesseis côvados.
"'Somam quinze'" — as duas carroças que iam lado a lado, cada uma com largura de cinco côvados, somam dez, e mais cinco côvados de vão entre uma carroça e outra somam quinze. E se disseres que as tábuas ficariam com mais de vinte (côvados), pois as tábuas têm dez côvados de comprimento e são colocadas sobre as paredes da carroça transversalmente, resultando um comprimento de vinte côvados de tábuas — sem contar o que é necessário para puxar as tábuas de cada carroça para o lado externo da carroça, para que as pontas das tábuas de uma não se toquem com as da outra e atrapalhem o andamento das carroças — isso não é resposta, pois as tábuas ficam acima de dez (côvados de altura), já que a carroça tinha dez (palmos) de altura, e, quanto à via pública, não há que contar senão o espaço das carroças e o vão entre elas, que fica abaixo de dez (palmos), pois tudo o que está acima de dez (palmos) não é via pública; portanto isso não se conta. "'Havia um côvado a mais'" — ainda era necessário que a largura do caminho tivesse um côvado excedente, dando meio côvado para cá e meio côvado para lá, para os dois lados externos das duas carroças. "'Onde ficava de pé um (membro) de Levi, para que, se escorregassem'" — (as tábuas) uma da outra, caindo no vão de ar entre elas. "'Ele as segurava'" — entrava no vão de ar, do côvado que havia entre elas, e ficava de pé no meio côvado que havia entre a carroça e os lados, e ajeitava a ordem, uma sobre a outra, para que a de cima não caísse; e todo o caminho ele o percorria atrás da carroça, e, ao ver as tábuas escorregando para o vão de ar, corria para dentro da saliência das tábuas dos lados, até chegar ao côvado de ar entre elas, e se comprimia para ficar de pé no meio côvado, até devolver a (tábua) escorregada a seu lugar e à sua ordem.
A borda de um poço e uma rocha que têm dez palmos de altura e quatro palmos de largura — quem retira delas e leva ao domínio público, e igualmente quem coloca sobre elas algo vindo do domínio público, é responsável por transferir de um domínio a outro; menos que isso de altura ou largura, está isento.
A folha fecha o longo tratamento sobre o Tabernáculo e abre um novo tema, ainda dentro do mesmo perek (HaZorek): a Mishná estabelece que a borda de terra ao redor de um poço, e uma rocha isolada no meio da via pública, quando têm dez palmos de altura e quatro palmos de largura — as mesmas dimensões mínimas que definem um domínio privado —, são consideradas domínio pleno, distinto do domínio público ao redor. Por isso, quem retira um objeto de cima delas para o domínio público, ou coloca um objeto do domínio público sobre elas, transgride a proibição de transferir entre domínios e é responsável. Se a altura ou a largura for menor que essas medidas, a borda ou a rocha não têm status de domínio distinto, e são consideradas parte do próprio domínio público que as cerca.
Mishná: "'a borda do poço'" — a terra escavada do poço, coloca-se ao seu redor, cercando-o como uma espécie de muro, assim como colocamos uma cerca de madeira ou de pedra ao redor da boca do poço.
Guemará: por que preciso que a Mishná ensine “a borda do poço e a rocha”? Que ensine apenas “o poço e a rocha”! Responde-se: isso apoia a opinião de Rabi Yochanan, pois disse Rabi Yochanan: o poço e sua borda se combinam para completar os dez palmos. Também foi ensinado assim numa baraita: um poço no domínio público, profundo de dez palmos e largo de quatro, não se tira água dele em Shabat...
A Guemará pergunta por que a Mishná precisou mencionar a borda do poço separadamente, já que bastaria ensinar "o poço e a rocha" — deduzindo-se a altura do caso da rocha e a profundidade do caso do poço. A resposta: a menção explícita da borda apoia a opinião de Rabi Yochanan, segundo a qual a profundidade do poço e a altura de sua borda se somam para completar os dez palmos exigidos para constituir domínio privado — mesmo que parte da medida fique abaixo do solo e parte acima. Uma baraita independente confirma essa mesma regra, tratando de um poço no domínio público com dez palmos de profundidade e quatro de largura, do qual não se pode tirar água em Shabat. A frase é interrompida exatamente aqui — a folha termina em pleno desenvolvimento desta baraita, e sua continuação, explicando as exceções que permitem tirar ou beber água desse poço, prossegue em 99b.
Guemará: "'por que preciso ensinar a borda do poço e a rocha'" — é evidente para nós que a Mishná menciona a rocha quanto à sua altura, e o poço quanto à sua profundidade, de onde se retira algo e se leva ao domínio público; pois, se fosse quanto à altura — por exemplo, para quem desce de dentro da borda para baixo, sendo ela larga de quatro palmos — por que precisaria ensiná-lo, se já ensinou a rocha? Mas, certamente, a Mishná a menciona para o caso de retirar de dentro do rebordo do poço; e, sendo assim, por que preciso da borda? Que ensine "o poço" para a profundidade e "a rocha" para a altura. "'Se combinam para completar os dez'" — para tornar o poço domínio privado; e, se alguém retirar algo de dentro do rebordo da borda, é responsável.