Shabbat 122b abre completando a frase com que terminou 122a: à segunda tentativa de objeção sobre a lâmpada acesa numa reunião mista, a Guemará responde que "com a maioria em mente é que a acendem" — assim como no caso da casa de banho, quando a maioria dos gentios aquece ou acende, fazem-no tendo em mente a maioria dos presentes, e daí a distinção entre maioria de gentios e maioria de israelitas. Rashi explica que, no caso de apenas um gentio e um israelita, quando o próprio gentio que acende também se serve da luz, presume-se que o fez com sua própria intenção em mente, e uma lâmpada para um é uma lâmpada para cem. Segue-se um caso concreto: Shmuel chegou à casa de Avi Toran, e um gentio acendeu ali uma lâmpada; Shmuel virou o rosto, evitando servir-se de sua luz, até perceber que o gentio trouxera um documento e o lia à luz dela — sinal de que a acendera com sua própria intenção em mente —, e então voltou o rosto para junto da lâmpada. Aqui encerra-se o Perek Tet-Zayin (Kol Kitvei HaKodesh) com o hadran, e abre-se o Perek Yod-Zayin (Kol HaKelim): a nova Mishná ensina que todos os utensílios podem ser manuseados em Shabat, e suas portas junto com eles, mesmo que se tenham soltado; que se pode tomar um martelo para quebrar nozes, um machado para cortar o bolo de figos prensados, uma serra para o queijo, um ancinho para os figos secos; a pá e o forcado para dar comida a uma criança pequena; o fuso e a lançadeira para espetar frutas macias; a agulha de mão para tirar um espinho, e a agulha de sacos para abrir uma porta. A Guemará questiona o sentido de "ainda que se tenham soltado", e Abaie explica que a Mishná fala de portas soltas em dia de semana. Uma baraita distingue a porta do armário, da arca e da torre — retiráveis, mas não recolocáveis, por decreto — da porta do galinheiro, presa ao solo, que nem se retira nem se recoloca, por envolver verdadeira construção e demolição; Abaie e Rava discordam sobre o fundamento dessa distinção. Rav Yehuda ensina que apenas o martelo de nozes, e não o de ferreiros, pode ser manuseado, pois um utensílio cuja função principal é proibida não se manuseia nem para sua própria necessidade permitida; Rabah objeta a partir da pá e do forcado, que também não são feitos exclusivamente para dar comida a uma criança, e começa a propor sua própria explicação sobre o martelo de ferreiros — o daf termina em pleno fluxo dessa resposta, sem qualquer hadran, a continuar diretamente em Shabbat 123a (ainda não publicado), que abre completando a posição de Rabah: "um objeto cuja função é para um propósito proibido, para sua própria necessidade, é permitido."
Com a maioria em mente é que a acendem.
Completa-se aqui a frase com que terminou 122a: a segunda tentativa de objeção — a lâmpada acesa numa reunião mista, proibida quando a maioria dos presentes é de israelitas — recebe a mesma resposta dada ao caso da casa de banho: quando os gentios acendem a lâmpada, fazem-no com a maioria dos presentes em mente. Por isso, quando essa maioria é de israelitas, a própria profanação do Shabat é, em certo sentido, feita por causa deles, e a permissão de servir-se da luz não se aplica.
"Com a maioria em mente" — por isso, quando a maioria é de israelitas, considera-se que ela é o fator principal; e também no caso de metade e metade não se pode determinar a questão, pois se poderia dizer que a intenção principal de quem acende é por causa do israelita, e também se poderia dizer que a intenção principal de quem acende é por causa do gentio. Mas quando há apenas um gentio e um israelita, e o próprio que acende também se serve de sua luz, certamente o principal é que ele o faz com sua própria intenção em mente; e, visto que uma lâmpada para um é uma lâmpada para cem, é permitido.
Shmuel chegou à casa de Avi Toran. Veio aquele gentio e acendeu uma lâmpada. Shmuel virou o rosto dela. Quando viu que o gentio trouxera um documento e o lia, disse: com sua própria intenção em mente é que ele a acendeu. E ele (Shmuel) voltou o rosto de novo para junto da lâmpada.
Ilustra-se o princípio recém-estabelecido com um caso concreto: Shmuel, hóspede na casa de Avi Toran, viu um gentio acender ali uma lâmpada, e, por não saber se o fazia por sua própria conta ou por causa dele, virou o rosto para não se beneficiar de sua luz enquanto a dúvida persistisse. Assim que percebeu que o gentio trouxera um documento e o lia à luz da lâmpada, concluiu que a acendera com sua própria necessidade em mente, e voltou-se para junto dela, servindo-se de sua luz sem mais receio.
"Toran" — é um lugar. "Que trouxera um documento" — aquele mesmo que a acendera.
Todos os utensílios podem ser manuseados em Shabat, e suas portas junto com eles, ainda que se tenham soltado em Shabat; pois não são semelhantes às portas da casa, porque estas não são do que foi preparado de véspera. A pessoa pode tomar um martelo para quebrar com ele as nozes; um machado para cortar com ele o bolo de figos prensados; uma serra para cortar com ela o queijo; um ancinho para recolher com ele os figos secos. A pá e o forcado — para dar com eles comida a uma criança pequena. O fuso e a lançadeira — para espetar com eles frutas macias. A agulha de mão — para tirar com ela o espinho. E a agulha de sacos — para abrir com ela a porta.
Esta Mishná abre o décimo sétimo capítulo de Shabat, "Kol HaKelim" (Todos os utensílios), dedicado às leis de manuseio (tiltul) de utensílios em Shabat — quais podem ser deslocados, e para que funções. A regra geral é que todo utensílio pode ser manuseado em Shabat, e as portas que lhe pertencem (do armário, da arca, da torre) são manuseadas junto com ele, mesmo que se tenham soltado, pois, ao contrário das portas da casa — que não são utensílios, e por isso nunca estiveram "preparadas" para o manuseio —, as portas dos móveis são consideradas utensílios por dependerem de seu "pai", o móvel a que pertencem. Segue-se uma lista de ferramentas que, embora destinadas primariamente a um trabalho proibido, podem ser tomadas para usos alternativos permitidos: o martelo para quebrar nozes, o machado para cortar o bolo de figos prensados (muito duro), a serra para cortar queijo, o ancinho para recolher figos secos dos barris; a pá e o forcado (usados normalmente na eira) para dar comida a uma criança pequena; o fuso e a lançadeira (instrumentos de fiar e tecer) para espetar frutas macias como amoras; a agulha pequena de costurar roupas para tirar um espinho da pele; e a agulha grande de costurar sacos para abrir uma porta cuja chave se perdeu.
"Mishná: todos os utensílios podem ser manuseados em Shabat, e suas portas junto com eles" — todos os utensílios que têm portas, como o armário (shidá), a arca (tevá) e a torre (migdal), podem ser manuseados em Shabat; e as portas que têm ao seu lado são manuseadas junto com eles. "E ainda que se tenham soltado" — as portas dos utensílios também podem ser manuseadas, e não são semelhantes às portas da casa, que não podem ser manuseadas, porque as portas da casa não são do que foi preparado para o manuseio, pois não são utensílios; mas estas (as portas dos móveis) são utensílios, por dependência de seu "pai" (o móvel a que pertencem).
"Kurnas" (martelo) — em francês antigo, "martel". "Develá" (bolo de figos prensados) — visto que a fizeram em forma de disco, é muito espessa e dura como queijo, e é necessário um machado para cortá-la. "E serra" — semelhante a uma faca, mas com muitos dentes. "Para cortar com ela o queijo" — para cortá-lo e dividi-lo, pois a serra corta rapidamente uma coisa espessa. "Ancinho" — em francês antigo, "vodil". "Para recolher com ele os figos secos" — dos barris.
"Rachat" (pá) — em francês antigo, "pá". "Malgez" (forcado) — semelhante a um ancinho chamado "forca" de ferro, com três dentes, com o qual se revolve a palha na eira. "Para dar com eles a uma criança pequena" — isto é, alimento. "Kush" (fuso) — em francês antigo, "fusil". "Karkar" (lançadeira) — em francês antigo, "rael". "Para espetar com ele" — para comer com ele amoras e toda fruta macia. "Agulha de mão" — uma agulha pequena, com a qual se costuram roupas. "E a de sacos" — uma agulha grande, com a qual se costuram sacos. "Para abrir com ela a porta" — para quem perdeu sua chave.
Guemará. Do fato de a Mishná dizer "todos os utensílios podem ser manuseados", mesmo que se tenham soltado em Shabat, entender-se-ia que não é preciso dizer que também podem, se se soltaram em dia de semana. Ao contrário! Em Shabat, elas (as portas) já estavam preparadas por dependência de seu "pai" desde antes de entrar Shabat; em dia de semana, não estavam preparadas por dependência de seu "pai"! Disse Abaie: assim se deve entender o que ela diz: todos os utensílios podem ser manuseados em Shabat, e suas portas junto com eles; mesmo que se tenham soltado em dia de semana, podem ser manuseadas em Shabat.
A Guemará questiona a expressão "ainda que se tenham soltado em Shabat": à primeira vista, pareceria que o caso mais difícil (que exige a expressão "ainda que") é justamente o de terem se soltado em Shabat, sendo óbvio que se soltas desde a véspera também seriam permitidas. Mas a Guemará observa que é o contrário: se as portas se soltaram em Shabat, elas já estavam "preparadas" por dependência do móvel desde antes de o Shabat começar, o que deveria facilitar sua permissão; ao passo que, se soltas em dia de semana, no momento em que entrou o Shabat elas já estavam soltas, sem essa dependência prévia estabelecida no momento crucial. Abaie resolve reformulando o sentido da Mishná: a expressão "ainda que se tenham soltado" não se refere ao caso de terem se soltado em Shabat (o caso fácil), mas ao caso mais difícil de já estarem soltas desde o dia de semana anterior — e mesmo assim são permitidas em Shabat, por dependerem do móvel.
Guemará: "e não é preciso dizer, se em dia de semana" — vem à mente que a expressão "ainda que se tenham soltado" refere-se ao caso de terem se soltado em Shabat, mencionado no início da Mishná; e isso significa que, mesmo tendo se soltado hoje (no próprio Shabat), são permitidas, e não é preciso dizer que o são, se se soltaram desde ontem (véspera). "Ao contrário" — que sentido tem dizer "ainda que" na Mishná? Pelo contrário: se certamente se soltaram em Shabat, há motivo para permitir, porque, quando entrou o santo dia de Shabat, já estavam preparadas para o manuseio por dependência de seu "pai" (desde antes de se soltarem). "Assim ela diz" etc. — e a expressão "ainda que" não se refere ao caso extremo de terem se soltado em Shabat, mas ao caso extremo de terem se soltado ou em dia de semana ou em Shabat; e não é preciso dizer que são permitidas quando estão ainda presas.
Ensinaram os sábios: a porta do armário, da arca e da torre — podem ser retiradas, mas não recolocadas. E a porta do galinheiro — não pode ser retirada, nem recolocada.
Uma baraita distingue, entre os utensílios com portas mencionados na Mishná, dois graus de permissão. A porta do armário, da arca e da torre — objetos que, embora grandes, são considerados utensílios — pode ser retirada de suas dobradiças em Shabat, mas não recolocada, por decreto rabínico. Já a porta do galinheiro, por estar presa ao solo (o próprio galinheiro sendo uma construção fixa), não pode sequer ser retirada, e muito menos recolocada, pois recolocá-la equivale a uma verdadeira construção, e retirá-la, a uma verdadeira demolição — proibições da própria Torá, e não meros decretos.
"Podem ser retiradas" — significa que as tiram de seu lugar em Shabat, sendo permitido tirá-las de seu gonzo. "Galinheiro" — construção feita para as galinhas. "Não podem ser retiradas nem recolocadas" — como a Guemará passa a explicar: recolocá-la é como fazer uma verdadeira construção, e retirá-la é uma verdadeira demolição.
Está bem quanto à porta do galinheiro: a baraita entende que, visto que seus componentes estão presos ao solo, há o conceito de construção no solo, e há o conceito de demolição no solo. Mas quanto à porta do armário, da arca e da torre, o que ela entende? Se ela entende que há o conceito de construção em utensílios, deveria haver também demolição em utensílios; e se não há demolição em utensílios, deveria também não haver construção em utensílios!
A Guemará compreende facilmente por que a porta do galinheiro nem se retira nem se recoloca: por estar presa ao solo, aplicam-se a ela as categorias plenas de construção e demolição próprias do solo. Mas quanto à porta do armário, da arca e da torre — objetos móveis, não presos ao solo —, a Guemará questiona qual o fundamento para permitir retirá-las (sinal de que não há demolição plena em utensílios) e, ao mesmo tempo, proibir recolocá-las (sinal de que há construção em utensílios). As duas posições parecem inconsistentes entre si: se há construção em utensílios, deveria haver também demolição, o que tornaria proibido retirá-las; e se não há demolição, deveria também não haver construção, o que tornaria permitido recolocá-las.
"O que ela entende" — que a leva a permitir sua retirada e proibir sua recolocação. "Se ela entende que há construção em utensílios" — e recolocá-la é de fato uma construção — necessariamente, se há o conceito de construção, há o conceito de demolição; e então por que a baraita permite retirá-la?
Disse Abaie: na verdade, a baraita entende que há o conceito de construção em utensílios, e há o conceito de demolição em utensílios; e ela está falando de portas que já foram retiradas (antes de Shabat).
Abaie resolve a dificuldade afirmando que a baraita, na verdade, sustenta consistentemente que há tanto construção quanto demolição em utensílios — e por isso, em princípio, nem se deveria retirar nem recolocar tais portas em Shabat. Mas a baraita não está falando de retirar a porta durante o próprio Shabat; fala apenas de portas que já haviam sido retiradas antes de Shabat começar. Quanto a essas, permite-se manuseá-las (por já serem, tecnicamente, objetos soltos, e não parte fixa do móvel), mas proíbe-se recolocá-las em Shabat, pois isso constituiria uma verdadeira construção.
"E ela está falando de portas que já foram retiradas" — e assim ela diz: a porta da arca, do armário e da torre que já foram retiradas antes de Shabat — não se recolocam em Shabat.
Disse-lhe Rava: há duas respostas quanto a isso. Uma: a baraita ensina "são retiradas" (no presente, e não "já foram retiradas"). E, além disso: que sentido teria dizer "mas não se recolocam" (se já estivessem retiradas de antes)? Mas a explicação correta é a que disse Rava: a baraita entende que não há o conceito de construção em utensílios, nem o conceito de demolição em utensílios; e a proibição de recolocar é apenas um decreto, por temor de que a pessoa venha a encaixá-la com força.
Rava rejeita a explicação de Abaie com duas objeções textuais: a baraita ensina "são retiradas" no tempo presente, referindo-se ao próprio ato de retirar em Shabat, e não a portas já retiradas de antemão; e, se a baraita já falasse de portas soltas de antes, a cláusula "mas não se recolocam" seria redundante ou sem sentido claro. Rava propõe então sua própria explicação: a baraita entende que não há, de fato, nem construção nem demolição verdadeiras em utensílios (por isso podem ser retiradas livremente), mas os sábios proibiram recolocá-las por decreto — temendo que, ao recolocar a porta, a pessoa venha a encaixá-la com força, usando faca ou cunhas, o que equivaleria à conclusão de um trabalho de construção, tornando-a culpada pela categoria de "golpe final de martelo" (makê befatish).
"'Mas' o quê" — visto que a baraita, segundo Abaie, não teria ensinado "são retiradas" (no sentido de já terem sido retiradas antes), não caberia ensinar "mas". "Na verdade, ela entende que não há demolição, nem construção" — por isso podem ser retiradas; mas, ainda assim, não se recolocam, por decreto rabínico. "Decreto, por temor de que a pessoa venha a encaixá-la" — com força, com uma faca e cunhas, o que seria a conclusão do trabalho, tornando-a culpada por a categoria de "golpe final de martelo".
"A pessoa pode tomar um martelo" etc. Disse Rav Yehuda: trata-se do martelo usado para nozes, para quebrar com ele as nozes; mas o martelo de ferreiros — não. Rav Yehuda entende: um objeto cuja função é para um propósito proibido — mesmo quando usado para sua própria necessidade (isto é, para uma função permitida) — é proibido manuseá-lo.
Rav Yehuda esclarece que a permissão da Mishná de tomar um martelo para quebrar nozes refere-se apenas ao martelo destinado especificamente a essa função, e não ao martelo pesado dos ferreiros, cuja função principal é forjar metais — trabalho proibido em Shabat. O princípio subjacente é que um utensílio cuja função principal (melachto) é proibida não pode ser manuseado em Shabat nem mesmo para uma necessidade permitida (letzorech gufo) — como usar o martelo de ferreiro apenas para quebrar nozes —, por temor de que a pessoa acabe usando-o também para sua função habitual proibida.
"Martelo de nozes" — é apenas sobre o martelo destinado a quebrar nozes que a Mishná ensina que se pode tomá-lo para sua função, porque sua função principal é uma tarefa permitida. "Mas o de ferreiros" — não pode ser tomado, pois sua função principal é uma tarefa proibida. "Para sua própria necessidade" — isto é, quando o próprio objeto é necessário para outra tarefa permitida, ainda assim não se manuseia para essa tarefa; e tanto mais quando não se precisa dele mesmo, mas apenas de esvaziar seu lugar, caso em que certamente não se manuseia.
Disse-lhe Rabah: mas então, quanto à última cláusula que a Mishná ensina: "a pá e o forcado, para dar com eles comida a uma criança pequena" — acaso a pá e o forcado são destinados especificamente a uma criança pequena?! Mas disse Rabah: trata-se do martelo de ferreiros, para quebrar com ele as nozes, e Rabah entende:
Rabah objeta ao princípio de Rav Yehuda a partir da última cláusula da própria Mishná: a pá e o forcado, ferramentas de eira sem função exclusiva de alimentar crianças, ainda assim podem ser tomados para essa finalidade — o que mostra que a Mishná permite manusear um utensílio de função principal alheia para uma necessidade permitida, contrariando o critério estrito de Rav Yehuda. A partir disso, Rabah propõe reinterpretar o próprio caso do martelo: mesmo o martelo de ferreiros pode ser tomado para quebrar nozes, pois ele entende (o daf termina exatamente aqui, em pleno fluxo da explicação de Rabah).