Shabbat 133b abre com a guemará perguntando: já que a Mishná ensina todos os atos que compõem a milá, o que vem incluir a expressão geral "todas as necessidades da milá"? A resposta é a beraita segundo a qual o mohel, enquanto ainda estiver ocupado com a milá, retorna e corta tanto os tzitzin — retalhos de pele remanescentes — que impedem a validade da milá quanto os que não impedem; mas, uma vez retirada a mão do ato, só retorna aos que impedem, não mais aos que não impedem. A guemará pergunta quem é o Tanna dessa última regra, respondendo que é Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, que ensina, a respeito do esfolamento do cordeiro pascal quando o dia catorze de Nissan cai em Shabat, que se esfola apenas até o peito, parando ali — enquanto os Sábios dizem que se esfola tudo. A diferença entre os dois casos é explicada pelo princípio de "este é meu Deus, e O glorificarei", que exige embelezar os preceitos: no esfolamento do Pêssach, após retiradas as partes destinadas ao altar, não há mais embelezamento em aperfeiçoar a carne restante, mas na milá o embelezamento continua sendo, ele mesmo, um preceito, de modo que ali se retorna mesmo aos tzitzin que não impedem. Cita-se então a beraita completa sobre esse princípio — embelezar-se diante de Deus com uma sucá bela, um lulav belo, um shofar belo, tzitzit belas e um sefer Torá belo, escrito com tinta e pena belas por um escriba habilidoso — e o ensino de Abba Shaul, de que "e O glorificarei" significa assemelhar-se a Deus, sendo clemente e misericordioso como Ele. Rav Ashi identifica então a opinião de Rabi Yishmael com a de Rabi Yosei, que ensina que, se a lua nova já foi vista com clareza por todos, não se profana o Shabat para ir testemunhá-la perante o tribunal — e a guemará mostra, através da disposição do pão da proposição no Templo aos sábados, que os Sábios que discordam de Rabi Yosei nesse caso também exigiriam, aqui, retornar mesmo aos tzitzin que não impedem, enquanto o mohel ainda estiver ocupado, pois para Rabi Yosei a ausência de simultaneidade ainda se chama "sempre", ao passo que para os Sábios ela constituiria um novo começo. A guemará discute em seguida a beraita segundo a qual, se a milá não for colhida por completo, há punição de karet — perguntando a quem ela se aplica: ao mohel especialista, segundo Rav Kahana, objeta-se que ele poderia simplesmente pedir a outro que terminasse o trabalho; Rav Pappa responde que se trata do próprio adulto que se circuncida sozinho; Rav Ashi objeta que a punição do adulto incircunciso já está explícita na Torá, propondo que se trata, afinal, do mohel especialista, mas no caso em que ele começou tarde demais, ao crepúsculo do Shabat, e a milá acabou incompleta. Volta-se então à Mishná sobre sugar o sangue: Rav Pappa ensina que o mohel que não suga deve ser afastado de seu ofício, por perigo — e a guemará explica que, embora seja óbvio que a ausência de sucção é perigosa (já que se profana o Shabat por causa dela), o verdadeiro ensino é que a sucção, tecnicamente, causa uma ferida, e ainda assim é permitida, tal como o curativo e o cominho, por causa do perigo. O daf termina com as receitas do curativo (isplanit): a que Abaye aprendeu de sua mãe — sete porções de gordura e uma de cera — e a de Rava — cera e resina; e com o episódio em que Rava, ao expor essa receita publicamente em Machoza, prejudicou os curandeiros locais, que rasgaram suas roupas em protesto, ao que ele respondeu que ainda lhes deixara um remédio não revelado, citando o ensinamento de Shmuel sobre secar bem o rosto após lavá-lo.
Guemará. Já que ensina a Mishná todos eles (os atos da milá individualmente), "todas as necessidades da milá" vem incluir o quê? Vem incluir isto que os Sábios ensinaram: aquele que circuncida, todo o tempo em que está ocupado com a milá, retorna tanto sobre os tzitzin que impedem a milá quanto sobre os tzitzin que não impedem a milá. Se retirou-se, sobre os tzitzin que impedem a milá, retorna; sobre os tzitzin que não impedem a milá, não retorna.
"Guemará. 'Já que ensina'" — na Mishná.
"'Todos eles'" — todas as coisas que se fazem para a milá: circuncida-se, descobre-se, suga-se etc. Para que preciso disso, se já ensinamos a regra geral no início: "fazem-se todas as necessidades da milá"?
"Tzitzin" — restos da orla; e na Mishná se explica quais são os tzitzin que impedem e quais não impedem: por exemplo, pele que não cobre a maior parte da coroa, mas apenas uma parte menor dela. E o que é a coroa? Uma saliência elevada que circunda o membro, a partir da qual ele se inclina e desce em direção ao chão, e se inclina e desce em direção ao corpo.
"Aquele que circuncida" — em Shabat.
"Todo o tempo em que está ocupado com ela" — enquanto não retirou sua mão: se viu que restaram nela tzitzin, sejam os que impedem a milá — que não é válida até que os corte — sejam os que não impedem, ele volta e corta, pois tudo é uma única coisa, e o Shabat já foi entregue para ser afastado por causa dela.
"Retirou-se" — que tirou as mãos.
"Sobre os que impedem, retorna" — pois eles são como a própria milá.
"E sobre os que não impedem, não retorna" — pois isso seria como um início por si só, e para estes não foi dado que se profane o Shabat; e é isso que se ensina: "todas as necessidades da milá" — e mesmo os tzitzin que não impedem, ele retorna sobre eles, contanto que ainda não se tenha retirado.
A guemará pergunta pelo propósito exato da fórmula geral com que a Mishná abriu, "fazem-se todas as necessidades da milá", já que ela em seguida detalha cada ato individualmente. A resposta é que essa fórmula vem incluir uma beraita adicional: enquanto o mohel ainda está com as mãos na milá, sem tê-las retirado, ele pode voltar a cortar quaisquer tzitzin — retalhos de pele remanescentes — que porventura tenha visto, sejam eles do tipo que invalida a milá (cobrindo a maior parte da coroa do membro) sejam do tipo que não a invalida; mas, uma vez retiradas as mãos, encerrando o ato, ele só pode voltar a cortar os tzitzin que invalidam a milá, não mais os outros, pois recomeçar por causa destes seria como iniciar uma nova ação, para a qual o Shabat não foi autorizado a ser profanado.
Quem é o Tanna que ensina que "retirou-se, não retorna"? Disse Rabah bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: é Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka. Pois se ensina: o dia catorze de Nissan que cai em Shabat — esfola-se o cordeiro do Pêssach até o peito, palavras de Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka. E os Sábios dizem: esfola-se ele todo.
"Quem é o Tanna que ensina que retirou-se, não retorna" — porque, tendo se retirado, considera isso um retorno como uma coisa por si só; e já que os tzitzin que não impedem não são impedimento do preceito, ele não volta.
"Esfola o cordeiro do Pêssach até o peito" — e isso é "retirou-se", como ensinamos no tratado Tamid, a respeito de esfolá-lo, que se começava pelas patas, e se esfolava descendo até chegar ao peito; ao chegar ao peito, cortava-se a cabeça e a entregava a quem a ganhara no sorteio, e depois as pernas traseiras; e concluía e esfolava etc. Aprendemos disso que, ao chegar ao peito, ele retirava as mãos do ato de esfolar e começava a se ocupar um pouco com o corte das partes; e, quanto à oferenda totalmente queimada, concluía e esfolava e cortava — as mãos primeiro, depois a cabeça; e, quanto ao Pêssach também, ao esfolar até o peito, já pode tirar suas partes internas sem fios, rasga-o e as retira de imediato — e isso é "retirar-se" do esfolamento. E diz Rabi Yishmael que ele não volta a concluir e esfolar, porque, tendo se retirado, isso se considera um retorno de um começo por si só, e desnecessário para o Alto (o serviço do Templo), semelhante aos tzitzin que não impedem.
A guemará busca a origem da regra recém-citada — que, uma vez retirada a mão, só se retorna aos tzitzin que impedem — e a identifica com Rabi Yishmael, filho de Rabi Yochanan ben Beroka, que ensina, sobre o esfolamento do cordeiro pascal quando o dia catorze de Nissan cai em Shabat, que se esfola apenas até o peito: chegado a esse ponto, já é possível retirar as partes destinadas ao altar sem cortar mais a pele, de modo que continuar o esfolamento depois disso seria um novo início, desnecessário para o serviço do Templo — exatamente como continuar cortando tzitzin que não impedem seria um novo início desnecessário na milá. Os Sábios, em contrapartida, exigem esfolar o animal por completo.
De onde se sabe isso? Até aqui, Rabi Yishmael filho de Rabi Yochanan ben Beroka não disse sua opinião ali senão porque não precisamos ali de "este é meu Deus, e O glorificarei". Mas aqui, onde precisamos de "este é meu Deus, e O glorificarei", também assim ele concordaria em retornar.
"Porque não precisamos ali de 'este é meu Deus, e O glorificarei'" — pois, depois de retiradas as partes destinadas ao altar, não há embelezamento do preceito em embelezar a carne restante; mas o embelezamento da milá é, ele mesmo, um preceito.
A guemará questiona se a regra de Rabi Yishmael quanto ao Pêssach realmente se aplica também à milá, já que os dois casos podem ser diferentes: no esfolamento do cordeiro pascal, uma vez retiradas as partes destinadas ao altar, não há mais valor algum em continuar embelezando a carne restante — por isso Rabi Yishmael permite parar no peito. Mas, na milá, o princípio de "este é meu Deus, e O glorificarei", que exige embelezar os preceitos, aplica-se ao próprio ato da circuncisão — de modo que também ali, segundo Rabi Yishmael, seria preciso continuar cortando mesmo os tzitzin que não impedem, contanto que se ainda esteja ocupado com o preceito.
Pois se ensina: "este é meu Deus, e O glorificarei" (Shemot 15:2) — embeleza-te diante Dele nos preceitos: faze diante Dele uma sucá bela, e um lulav belo, e um shofar belo, tzitzit belas, um sefer Torá belo, e escreve-o em Seu nome com tinta bela, com pena bela, por um escriba habilidoso, e envolve-o em sedas belas.
A guemará cita a beraita completa por trás do princípio invocado: do versículo "este é meu Deus, e O glorificarei", cantado após a travessia do Mar Vermelho, deriva-se que se deve embelezar cada preceito com esmero — construir uma sucá bonita, tomar um lulav bonito, um shofar bonito, tzitzit bonitas, e mandar escrever um sefer Torá bonito, com tinta e pena de qualidade, por um escriba habilidoso, e envolvê-lo em tecidos de seda finos. É esse mesmo princípio de embelezamento que, segundo a guemará, explica por que se deve continuar cortando os tzitzin da milá mesmo os que não a invalidam.
Abba Shaul diz: "e O glorificarei" (ve'anvehu) — sê semelhante a Ele: assim como Ele é clemente e misericordioso, sê tu também clemente e misericordioso.
"Sê semelhante a Ele" — e a expressão "ve'anvehu" é lida como "ani vehu" (eu e Ele): farei de mim mesmo como Ele, para me apegar a Seus caminhos.
Abba Shaul propõe uma leitura diferente da mesma palavra: em vez de "embelezar-me diante Dele", ele lê "ve'anvehu" como uma combinação de "ani" (eu) e "Hu" (Ele) — "eu e Ele" — ensinando que se deve buscar assemelhar-se aos atributos divinos: assim como Deus é clemente e misericordioso, também a pessoa deve cultivar a clemência e a misericórdia em seu próprio caráter, apegando-se aos caminhos de Deus.
Mas disse Rav Ashi: isto (a opinião de Rabi Yishmael), de quem é? É de Rabi Yosei. Pois ensinamos (sobre testemunhar a lua nova): seja a lua vista com clareza, seja não vista com clareza, profana-se por causa dela o Shabat. Rabi Yosei diz: se foi vista com clareza, não se profana por causa dela o Shabat.
"Seja vista" — a lua nova.
"Com clareza" — abertamente, para todos, e há como saber que o tribunal e os que estão perto dele a viram; e não se precisa dos que a viram fora do limite de Shabat vir testemunhar; mas se estes últimos vierem profanar o Shabat para vir e testemunhar diante do tribunal, eles podem profanar.
"Rabi Yosei diz etc." — logo, ainda que haja um preceito em jogo, já que não é para a necessidade do Alto, não profanamos; e aqui também, "retirou-se", que é um começo de profanação sem necessidade do Alto, não profanamos.
Rav Ashi rejeita a explicação anterior e propõe outra: a opinião de Rabi Yishmael, de que se para no peito ao esfolar o cordeiro pascal, é na verdade a mesma opinião de Rabi Yosei quanto a testemunhar a lua nova — se a lua já foi vista com clareza por todos, incluindo o tribunal e os que estão perto dele, não se profana o Shabat para que testemunhas mais distantes venham depor sobre algo já sabido; profana-se apenas quando isso ainda é necessário. Do mesmo modo, uma vez que já é possível retirar as partes do altar sem mais cortes, continuar esfolando seria uma profanação desnecessária.
De onde se sabe isso? Talvez Rabi Yosei não disse sua opinião ali senão porque, naquele caso, o Shabat não foi entregue para ser afastado de modo algum; mas aqui, onde o Shabat foi entregue para ser afastado pela milá, também assim ele concordaria em retornar.
"O Shabat não foi entregue para ser afastado" — nem sequer em seu início, pois a lua já foi vista com clareza; mas aqui, já que o Shabat foi entregue para ser afastado, para se começar nele a milá, também assim, quando o mohel se retira e volta, isso não é um começo por si só, e é como se não tivesse se retirado, e conclui todo o seu preceito.
A guemará questiona se a analogia se sustenta: talvez Rabi Yosei tenha dito o que disse apenas quanto às testemunhas da lua nova, porque ali o Shabat sequer chegou a ser afastado — a lua já era conhecida por clareza, então nunca houve necessidade de profanação; mas na milá, onde o Shabat de fato já foi afastado desde o início do ato, talvez até Rabi Yosei concordasse que se deve continuar cortando os tzitzin, mesmo os que não impedem, enquanto o mohel ainda estiver ocupado.
Mas disseram os sábios de Neharde'a: trata-se dos Sábios, que discordam de Rabi Yosei. Pois ensinamos a respeito do pão da proposição: quatro sacerdotes entram, dois com duas fileiras de pães em suas mãos, e dois com dois recipientes de incenso em suas mãos. E quatro os precedem: dois para retirar as duas fileiras antigas, e dois para retirar os dois recipientes. Os que entram ficam de pé ao norte, com o rosto para o sul, e os que saem ficam de pé ao sul, com o rosto para o norte. Estes puxam, e aqueles colocam, o palmo de espaço de um ao lado do palmo do outro, por causa do que se diz: "perante o Eterno, sempre" (Shemot 25:30).
"Os Sábios que discordam de Rabi Yosei" — a respeito do pão da proposição.
"Quatro sacerdotes entram" — no Santuário, em Shabat, para dispor o pão da proposição.
"Duas fileiras" — duas fileiras de pão.
"Dois recipientes" — duas colheres cheias de incenso puro, como está escrito: "e porás sobre a fileira incenso puro".
"Precedem-nos, dois para retirar" — da mesa, as duas fileiras antigas.
"E dois para retirar os dois recipientes" — e a mesa estava colocada com seu comprimento de leste a oeste; e estes ficam de um lado, na largura da mesa, ao norte, e aqueles ficam do lado oposto, ao sul; e precisamente os que entram ficam ao norte, pois todo lugar ao norte é assunto de importância, como dizemos no tratado Sucá, a respeito da divisão do pão da proposição entre o turno que entra e o que sai: os que entram recebem sua parte ao norte, para que se veja que estão entrando.
Os sábios de Neharde'a rejeitam a identificação com Rabi Yosei e propõem, em vez disso, que a opinião de Rabi Yishmael corresponde à dos Sábios anônimos que discordam de Rabi Yosei quanto ao pão da proposição: eles exigem que a colocação do pão novo e a retirada do antigo aconteçam simultaneamente — os sacerdotes que entram, colocando os pães novos, e os que saem, retirando os antigos, ficam lado a lado, palmo a palmo, para que nunca haja um instante sequer em que a mesa esteja vazia, cumprindo o versículo "perante o Eterno, sempre".
Rabi Yosei diz: mesmo que primeiro estes retirem, e só depois aqueles coloquem, também isso seria chamado "sempre".
"Rabi Yosei diz: mesmo que estes retirem" — primeiro, e removam tudo da mesa, e só depois de um tempo coloquem estes o pão novo.
"Também isso seria 'sempre'" — e como cumpro o versículo "sempre"? Que a mesa não fique de um dia para o outro sem pão. E, segundo os Sábios, se retiram e deixam a mesa vazia, e só depois arrumam de novo, isso não se chama, para eles, "sempre", mas um começo diferente, e resulta que a mesa fica algum tempo sem pão; e, a respeito de "retirou-se" também, quando ele volta, é uma coisa diferente. Mas, segundo Rabi Yosei, que diz que, mesmo deixando e depois começando de novo, também é "sempre", pois é uma única coisa — aqui também, "retirou-se", ele retorna, ainda que os tzitzin não sejam impeditivos, pois tudo é a conclusão de uma única coisa.
Rabi Yosei discorda: mesmo que a retirada do pão antigo e a colocação do novo não sejam simultâneas — primeiro se retira tudo, e só depois se coloca o novo —, isso ainda cumpre o versículo "sempre", pois tudo é considerado uma única ação contínua. Sendo assim, também na milá, Rabi Yosei concordaria que se deve retornar e cortar os tzitzin que não impedem, mesmo após uma pausa, pois tudo faz parte da conclusão de um único ato; é justamente por isso que a opinião de que "retirou-se, não retorna" pertence aos Sábios que discordam dele, e não a Rabi Yosei.
Ensinaram os Sábios: colhe-se completamente a milá, e se não a colheu por completo, é punido com karet. Quem é o punido? Disse Rav Kahana: o mohel especialista.
"Colhe-se" — refere-se aos tzitzin que impedem.
"Quem é" — este karet, de quem é?
Disse Rav Kahana: "o mohel especialista" — é punido com karet, e a beraita se refere a Shabat, pois ele profanou o Shabat e não cumpriu o preceito.
A guemará traz uma nova beraita, que impõe a pena de karet quando os tzitzin que impedem a milá não são colhidos por completo. Pergunta-se: sobre quem recai essa punição? Rav Kahana responde que se trata do mohel especialista — ele mesmo é punido, pois profanou o Shabat ao começar a milá e, no entanto, não chegou a cumprir o preceito, já que a circuncisão ficou tecnicamente incompleta.
Rav Pappa objeta: que o mohel especialista lhes diga: "eu fiz metade do preceito; façam vocês também a outra metade do preceito"! Mas disse Rav Pappa: trata-se do adulto que se circuncida sozinho.
"E que diga: eu fiz a metade" — isto é, já que, quando começou, começou com permissão, e a ferida que fez, fez com permissão, por que seria responsável? Que lhes diga: ide vós e terminai o trabalho.
"Mas disse Rav Pappa" — fala-se de um adulto que se circuncida, em dia comum; e o "punido com karet" que a beraita diz é dito por causa da milá não concluída, pois ele ainda está incircunciso.
Rav Pappa objeta à resposta de Rav Kahana: se o mohel especialista começou legitimamente e teve de parar, por que seria ele o punido? Bastaria que dissesse a outro mohel presente: "eu já fiz metade do trabalho com permissão, terminem vocês a outra metade" — sem que ninguém tivesse cometido falta alguma. Rav Pappa propõe, então, que a beraita trata, na verdade, de um adulto que se circuncida sozinho, em dia comum, e que, se não completar a milá, permanece incircunciso — sendo ele mesmo, e não um mohel contratado, quem seria punido com karet por continuar sem cumprir o preceito.
Rav Ashi objeta: a respeito do adulto, está escrito explicitamente a seu respeito: "e o macho incircunciso, que não circuncidou a carne de sua orla..." (Bereshit 17:14 — não é preciso ensinar isso de novo). Mas disse Rav Ashi: trata-se sempre do mohel especialista, e é um caso em que ele veio já ao crepúsculo do Shabat, e lhe disseram: não terás tempo de concluir; e ele lhes disse: terei tempo; e fez, e não teve tempo, e descobriu-se que foi apenas uma ferida que fez, e por isso é punido com karet.
"E é um caso em que veio ao crepúsculo" — pois todo o dia é apto para a milá, e lhe disseram: não terás tempo de terminar de dia, como sua regra exige, e farás uma ferida em Shabat sem cumprir o preceito, e serás punido com karet; mas, quanto à pena de morte, não há, pois não o advertiram quanto à morte, nem ele aceitou sobre si a advertência; mas karet há, pois começou com permissão — afinal, não é que ele começou de fato, no momento em que já não havia tempo, e o Shabat não foi entregue para ser afastado por ele naquela hora.
Rav Ashi rejeita também a resposta de Rav Pappa: a punição de karet para o adulto que permanece incircunciso já está explícita no próprio versículo da Torá sobre a circuncisão, não sendo preciso que a beraita a repita. Rav Ashi propõe, então, que a beraita trata sempre do mohel especialista, mas num caso específico: ele chegou já ao entardecer de Shabat, foi avisado de que não teria tempo de concluir a milá corretamente antes de o dia terminar, mas insistiu que teria tempo, começou e, de fato, não conseguiu terminar — descobrindo-se, então, que sua ação toda não passou de uma ferida infligida em Shabat, sem que o preceito da milá tivesse sido cumprido, pois o Shabat nunca chegou a ser legitimamente afastado para aquele ato, uma vez que, desde o início, não havia tempo suficiente.
"Suga-se etc." (Mishná). Disse Rav Pappa: este mohel especialista que não suga o sangue — seu ato é um perigo, e o afastamos de seu ofício.
A guemará retoma a Mishná anterior, que ensina que se suga o sangue da ferida da circuncisão em Shabat. Rav Pappa acrescenta uma regra prática: o mohel que se recusa a sugar o sangue — talvez por nojo, ou por não considerar necessário — coloca o menino em perigo, e por isso deve ser afastado da prática de seu ofício, pois a sucção não é um mero costume, mas uma medida de segurança essencial.
Isso é óbvio, pois já que se profana o Shabat por causa disso (a sucção), é sinal de que é um perigo! Isto vem para que não digas: este sangue está apenas depositado e à parte, sem se ligar mais ao corpo, e por isso não há problema em sugá-lo; ensina-nos Rav Pappa que ao sugar se causa de fato uma ferida. E é semelhante ao curativo e ao cominho: assim como, quando não se coloca o curativo e o cominho, há perigo, também aqui (a sucção), quando não se faz, há perigo.
"Para que não digas" — a Mishná não nos ensinou que se profana o Shabat por causa disso, pois poderias pensar que o sangue está apenas depositado, à parte, permanecendo ali como que colocado num recipiente, e na sucção não há ferida, e não há aqui proibição da Torá, e por isso é permitido, e não por causa do perigo; e então, o mohel que não suga em dia comum não estaria em perigo algum, e não se deveria afastá-lo de seu ofício.
"Ensina-nos que o sangue se liga de fato" — quando sai por meio da sucção; e, ainda assim, é permitido por causa do perigo, pois se ensina na Mishná, a respeito do curativo e do cominho (que também se colocam apesar de serem, tecnicamente, um ato proibido em si).
A guemará objeta que a regra de Rav Pappa parece óbvia: se já se sabe, da própria Mishná, que se profana o Shabat para sugar o sangue, é evidente que a ausência de sucção é perigosa — para que repeti-lo? A resposta é que o verdadeiro ensino não é sobre o perigo em si, mas sobre a natureza técnica do ato: poder-se-ia pensar que o sangue, uma vez cortado, já está separado do corpo como se estivesse guardado à parte, de modo que sugá-lo não causaria ferida alguma, sendo permitido sem necessidade de invocar o perigo. Rav Pappa vem ensinar que, na verdade, o sangue ainda está ligado ao corpo, e a sucção causa, tecnicamente, uma nova ferida — permitida apenas por causa do perigo à vida da criança, exatamente como o curativo e o cominho, que também são aplicados sobre a ferida apesar de, em princípio, constituírem um ato proibido em Shabat.
"E coloca-se sobre ela (a ferida) um curativo" (Mishná). Disse Abaye: disse-me minha mãe: o curativo bom para todas as feridas é: sete porções de gordura, e uma porção de cera. Rava disse: cera e resina.
"Sete porções de gordura" — sete porções de gordura animal.
"E uma porção de cera" — cera de abelha.
"Cera e resina" — a resina é o piche extraído da árvore sem o uso do fogo, e é branco.
Retomando a Mishná que menciona o curativo colocado sobre a ferida da circuncisão, a guemará traz duas receitas transmitidas pelos amoraítas: Abaye cita o remédio que aprendeu de sua mãe — chamada por ele simplesmente de "Em" ("mãe", um título carinhoso que Abaye usava para sua ama, que o criou) —, bom para toda espécie de ferida: sete porções de gordura animal para uma de cera de abelha, misturadas num ungüento. Rava propõe uma receita alternativa, à base de cera e resina extraída de árvores.
Rava a expôs publicamente em Machoza; rasgaram os filhos de Minyomei, o médico, suas próprias roupas (em sinal de prejuízo, por ele ter revelado gratuitamente um remédio de seu ofício). Disse-lhes Rava: deixei uma receita reservada para vocês (que não revelei). Pois disse Shmuel: aquele que lava o rosto e não o seca bem — formam-se-lhe inchaços na pele.
"Rasgaram suas roupas" — porque Rava lhes causou prejuízo ao revelar este remédio.
"Deixei uma reservada para vocês" — que não revelei.
O daf encerra com um episódio curioso: quando Rava ensinou publicamente, na cidade de Machoza, a receita do curativo que até então era segredo de ofício, os filhos de Minyomei — médicos locais que viviam de vender tais remédios — rasgaram suas próprias roupas em sinal de luto pelo prejuízo causado a seu sustento. Rava os consolou dizendo que ainda lhes havia deixado ao menos um remédio não revelado, e citou, a título de exemplo desse conhecimento reservado, o ensinamento de Shmuel: quem lava o rosto e não o seca bem correndo o risco de deixar a umidade ali, sofre de inchaços ou lesões na pele. O daf, e com ele a discussão sobre as necessidades práticas da milá em Shabat, termina aqui; a guemará continua em Shabbat 134a, que conclui o remédio contra o chaspanita antes de seguir para novos assuntos.