Talmud Bavli · Massechet Shabbat · Perek Bet
עֲשֵׂה

A conclusão da explicação de Rava sobre o óleo de queima; o ensinamento de Rav de que é mitzvá queimar a teruma impura; e a discussão sobre o que o verso "dele" exclui — objetos sagrados ou teruma

Shabbat 25a — a Guemará fecha a explicação de Rava do daf anterior mostrando por que a proibição de queimar objetos sagrados afeta apenas Yom Tov (mandamento positivo e negativo) e não um dia comum; explica, com Rav, por que se pode tirar proveito da teruma impura precisamente no momento de sua queima, com a fonte de Rav Nachman a partir do verso "a guarda de Minhas terumot"; traz a fonte alternativa de Rabi Abahu a partir do verso do dízimo, "e não a queimei dela em impureza"; e desenvolve a longa análise sobre se a palavra "dela" exclui objetos sagrados ou teruma da mesma proibição, com o mnemônico פנק״ע וכ״ס das estringências do sagrado e o mnemônico מחפ״ז das estringências da teruma.

O daf abre no meio da explicação de Rava, iniciada no final do daf anterior, sobre a fonte bíblica da proibição de queimar objetos sagrados impuros em Yom Tov: a partir de "ele só, se fará para vós", entendido como mandamento positivo de descanso, a Guemará explica que Yom Tov é, portanto, um dia regido tanto por um mandamento positivo quanto por uma proibição — e um mandamento positivo isolado (como o de queimar objetos sagrados impuros) não afasta um dia que já combina proibição e mandamento positivo. Disso resulta que a proibição vale apenas para Yom Tov, e não para um dia comum, no qual seria perfeitamente permitido tirar proveito do calor da queima. A Guemará então pergunta por que razão isso seria assim, e responde, em nome de Rav, que, assim como há mitzvá em queimar objetos sagrados que se tornaram impuros, há também mitzvá em queimar a teruma que se tornou impura — e a própria Torá permitiu tirar proveito dela justamente no momento de sua destruição por fogo. A fonte dessa permissão é buscada primeiro na explicação de Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh, a partir do verso sobre "a guarda de Minhas terumot" (no plural, referindo-se tanto à teruma pura quanto à impura), e depois, alternativamente, na explicação de Rabi Abahu em nome de Rabi Yochanan, a partir do verso da confissão dos dízimos, "e não a queimei dela em impureza" — do qual se infere, por exclusão, que se pode queimar (e tirar proveito) do óleo de teruma impura, ainda que não do próprio dízimo em seu estado impuro. A Guemará então investiga, por meio de um argumento a fortiori e de sucessivas réplicas, se essa mesma exclusão ("dela") deveria antes recair sobre os objetos consagrados (mais estritos que a teruma) do que sobre a própria teruma — debate que se resolve por meio de dois mnemônicos que enumeram as estringências próprias de cada categoria: פנק״ע וכ״ס (pigul, notar, korban, meilá, caret, proibição ao onen) para os objetos sagrados, e מחפ״ז (morte, o quinto acrescido, e mais dois itens a compor o acróstico) para a teruma — mostrando que ambas as categorias têm estringências específicas que a outra não tem, e que, por isso, a exclusão do verso deve mesmo recair sobre a teruma, e não sobre o sagrado.

A conclusão da explicação de Rava · עֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה

01Yom Tov combina mandamento positivo e proibição; um mandamento positivo isolado não afasta essa combinação — por isso a proibição de queimar vale só em Yom Tov, não em dia comum
Guemará (continuação de Rava)
עֲשֵׂה. וְהָוֵה לֵיהּ יוֹם טוֹב עֲשֵׂה וְלֹא תַעֲשֶׂה — וְאֵין עֲשֵׂה דּוֹחֶה אֶת לֹא תַעֲשֶׂה וַעֲשֵׂה.

(Continuando a explicação de Rava do final do daf anterior:) "(Ele só, se fará para vós)" (é formulado como) mandamento positivo (de descanso em Yom Tov). E assim se torna Yom Tov (um dia regido por) mandamento positivo e proibição (juntos: "nenhum trabalho de serviço fareis" é a proibição, e o repouso implícito é o positivo) — e não há (princípio segundo o qual) um mandamento positivo (isolado, como o de queimar objetos sagrados impuros) afaste (um dia regido por) proibição e mandamento positivo (juntos).

Nota

Rashi explica que "positivo" refere-se ao verso "ele só, se fará para vós", que implica repouso (descanso de todo trabalho que não seja preparo de comida) como um mandamento positivo em si. E "não há mandamento positivo" refere-se ao mandamento de "a fogo o queimareis" (Êxodo 12:10), que, sendo apenas um mandamento positivo isolado, não pode afastar a observância de Yom Tov, que é regida simultaneamente por uma proibição ("nenhum trabalho de serviço fareis") e por um mandamento positivo (o repouso). Ainda que acender uma vela em Yom Tov seja, em geral, um trabalho permitido (por causa do preparo da comida), a queima de objetos sagrados ou impuros que não trazem benefício de comida não se enquadra nessa permissão, e por isso permanece proibida, não saindo da regra geral de que um mandamento positivo isolado não prevalece sobre a combinação de proibição e mandamento positivo que caracteriza Yom Tov.

02Conclusão: em Yom Tov é proibido queimar, mas em dia comum é perfeitamente permitido; a razão, segundo Rav: há mitzvá em queimar a teruma impura, e a Torá permite tirar proveito dela no momento da queima
Guemará (Rav)
בְּיוֹם טוֹב הוּא דַּאֲסִיר, הָא בְּחוֹל — שַׁפִּיר דָּמֵי: מַאי טַעְמָא? אָמַר רַב: כְּשֵׁם שֶׁמִּצְוָה לִשְׂרוֹף הַקֳּדָשִׁים שֶׁנִּטְמְאוּ, כָּךְ מִצְוָה לִשְׂרוֹף אֶת הַתְּרוּמָה שֶׁנִּטְמֵאת. וְאָמְרָה תּוֹרָה: בִּשְׁעַת בִּיעוּרָהּ תֵּיהָנֵי מִמֶּנָּה. הֵיכָן אָמְרָה תּוֹרָה? מִדְּרַב נַחְמָן, דְּאָמַר רַב נַחְמָן אָמַר רַבָּה בַּר אֲבוּהּ, אָמַר קְרָא: ״וַאֲנִי הִנֵּה נָתַתִּי לְךָ אֶת מִשְׁמֶרֶת תְּרוּמוֹתָי״ — בִּשְׁתֵּי תְרוּמוֹת הַכָּתוּב מְדַבַּר, אַחַת תְּרוּמָה טְהוֹרָה וְאַחַת תְּרוּמָה טְמֵאָה. וְאָמַר רַחֲמָנָא: ״לְךָ״ — שֶׁלְּךָ תְּהֵא, לְהַסִּיקָהּ תַּחַת תַּבְשִׁילְךָ.

(Conclui-se, portanto, que) em Yom Tov é que (a queima do óleo de teruma impura) é proibida, mas em dia comum (fora de Yom Tov) — está bem (é perfeitamente permitido acender e tirar proveito dela). Qual é a razão (dessa permissão em dia comum)? Disse Rav: assim como há mitzvá em queimar os objetos sagrados que se tornaram impuros, assim há mitzvá em queimar a teruma que se tornou impura. E a Torá disse: no momento de sua destruição (por fogo), tira proveito dela. De onde (se sabe que) a Torá disse (isso)? A partir (do ensinamento) de Rav Nachman, pois disse Rav Nachman (em nome) de Rabá bar Avuh: disse o verso (Números 18:8): "e Eu, eis que te dei a guarda de Minhas terumot" — de duas terumot fala o texto, uma teruma pura e uma teruma impura. E disse o Misericordioso (Todo-Poderoso): "para ti" — que seja tua (para teu proveito), para acendê-la sob teu cozido.

Nota

A Guemará conclui que a proibição de queimar (e tirar proveito, através do calor de sua queima) o óleo de teruma impura vale apenas em Yom Tov — pelo raciocínio de Rava exposto acima, sobre a incapacidade de um mandamento positivo isolado de afastar a dupla obrigação de Yom Tov —, mas em um dia comum é perfeitamente permitido acender uma vela com ele e tirar proveito de seu calor, por exemplo colocando uma panela para cozinhar sobre essa vela. A razão dessa permissão, explica Rav, é que existe uma mitzvá — um dever positivo — de queimar tanto os objetos consagrados quanto a teruma quando se tornam impuros e não podem mais ser usados em seu propósito original; e, precisamente porque essa queima é um ato de mitzvá, a Torá quis que o dono não saísse prejudicado por cumpri-la, permitindo-lhe extrair proveito prático (o calor) exatamente no momento em que a destrói pelo fogo. A fonte bíblica dessa permissão, segundo Rav Nachman em nome de Rabá bar Avuh, está no verso sobre "a guarda de Minhas terumot", no plural — interpretado como referência a dois tipos de teruma, a pura (destinada à alimentação dos sacerdotes) e a impura (destinada à queima) —, do qual se extrai que ambas "pertencem" ao sacerdote, inclusive a impura, e que ele pode, portanto, tirar proveito dela ao queimá-la sob seu próprio cozido.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "é mandamento positivo", "e não há mandamento positivo", "está bem para tirar proveito" e "mitzvá queimar a teruma que se tornou impura"
עשה הוא - דמשמע שבות בו:

"É mandamento positivo" — (o verso "ele só, se fará para vós") implica (a obrigação de) repouso nele (em Yom Tov).

ואין עשה - דבאש תשרופו דוחה יו"ט דהוא לא תעשה ועשה ואע"ג דהדלקת נר ביו"ט מלאכה המותרת היא הואיל והבערת שאר קדשים שאין נהנין מהן נאסרין גם זו לא יצא מן הכלל:

"E não há mandamento positivo" — que (o mandamento) "a fogo o queimareis" afaste Yom Tov, que é (regido por) proibição e mandamento positivo; e ainda que acender uma vela em Yom Tov seja um trabalho permitido, visto que a combustão de outros objetos sagrados, dos quais não se tira proveito (de outro modo), é proibida, também esta (a queima do óleo de queima) não sai dessa regra geral.

הא בחול שפיר דמי - לאיתהנויי מינה:

"Mas em dia comum está bem" — para tirar proveito dela.

מצוה לשרוף את התרומה שנטמאת - דדמיא לקדש ועוד משום תקלה:

"Mitzvá queimar a teruma que se tornou impura" — pois se assemelha ao (objeto) sagrado, e também por causa do (risco de) tropeço (alguém comer dela por engano, não sabendo que estava impura).

03A fonte alternativa de Rabi Abahu: "e não a queimei dela em impureza" exclui o próprio dízimo, mas permite queimar o óleo de teruma impura — com a réplica de que talvez exclua antes o sagrado
Guemará (Rabi Abahu)
וְאִיבָּעֵית אֵימָא מִדְּרַבִּי אֲבָהוּ. דְּאָמַר רַבִּי אֲבָהוּ אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: ״וְלֹא בִעַרְתִּי מִמֶּנּוּ בְּטָמֵא״ — מִמֶּנּוּ אִי אַתָּה מַבְעִיר, אֲבָל אַתָּה מַבְעִיר שֶׁמֶן שֶׁל תְּרוּמָה שֶׁנִּטְמֵאת. וְאֵימָא: מִמֶּנּוּ אִי אַתָּה מַבְעִיר, אֲבָל אַתָּה מַבְעִיר שֶׁמֶן שֶׁל קֹדֶשׁ שֶׁנִּטְמָא!

E, se quiseres, dize (uma fonte alternativa): a partir (do ensinamento) de Rabi Abahu. Pois disse Rabi Abahu (em nome) de Rabi Yochanan: "e não a queimei dela em impureza" (Deuteronômio 26:14, do verso da confissão dos dízimos) — dela (do próprio dízimo) não a queimarás (em estado de impureza, tirando proveito enquanto arde), mas (por implicação) podes queimar o óleo de teruma que se tornou impura (tirando proveito dele). (Objeção:) E dize (em vez disso): dela não a queimarás, mas podes queimar o óleo do sagrado que se tornou impuro!

Nota

Rabi Abahu propõe uma segunda fonte bíblica para a mesma permissão, extraída não do verso da teruma, mas do verso da confissão dos dízimos (recitada ao trazer os dízimos ao Templo): "e não a queimei dela em impureza" — declaração de que o dono não usou o dízimo de modo proibido, inclusive não o queimando (tirando proveito de seu calor) enquanto impuro. Rabi Abahu lê essa frase como uma exclusão restrita: apenas "dela" — do próprio dízimo — não se pode tirar proveito ao queimá-lo em impureza; por implicação, de outras categorias sim se pode, e a Guemará aplica essa implicação à teruma impura, cujo óleo pode, portanto, ser queimado com proveito. Mas a Guemará imediatamente levanta uma objeção lógica: por que ler a exclusão como referindo-se à teruma, e não aos objetos sagrados (consagrados ao Templo), que poderiam igualmente ser a categoria implicitamente permitida?

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "não a queimei dela" e "impuro"
לא בערתי ממנו - במעשר שני כתיב:

"Não a queimei dela" — está escrito a respeito do segundo dízimo (no contexto do verso da confissão dos dízimos).

בטמא - בין שאני טמא בין שהוא טמא:

"Em impureza" — seja (o caso de) que eu estivesse impuro, seja que ele (o próprio dízimo) estivesse impuro.

04A réplica por argumento a fortiori: se até o dízimo, mais leniente, exclui a queima em impureza, quanto mais o objeto sagrado, mais estrito, deveria ser excluído
Guemará
לָאו קַל וָחוֹמֶר הוּא? מָה מַעֲשֵׂר הַקַּל אָמְרָה תּוֹרָה לֹא בִּעַרְתִּי מִמֶּנּוּ בְּטָמֵא, קֹדֶשׁ חָמוּר — לֹא כׇּל שֶׁכֵּן?

Não é (isso) um argumento a fortiori (kal vachomer)? Se, quanto ao dízimo, que é leniente, disse a Torá "não a queimei dela em impureza", quanto ao sagrado, que é estrito — não é ainda mais evidente (que se aplique a mesma exclusão)?

Nota

A objeção se apoia num argumento a fortiori clássico: se a Torá já proíbe tirar proveito ao queimar o segundo dízimo impuro — uma categoria relativamente leniente, sujeita a menos restrições —, então, com muito mais razão, deveria proibir o mesmo em relação aos objetos consagrados ao Templo, que são uma categoria muito mais estrita, sujeita a numerosas restrições adicionais (como se verá no mnemônico que segue). Por essa lógica, a exclusão do verso "dela" deveria recair sobre o objeto sagrado, não sobre a teruma — o que deixaria em aberto, mais uma vez, a permissão específica de queimar com proveito o óleo de teruma impura.

05A resposta: se fosse por argumento a fortiori, o mesmo valeria para a teruma; a exclusão vem, na verdade, diretamente do verso "dele"
Guemará
אִי הָכִי, תְּרוּמָה נָמֵי לֵימָא קַל וָחוֹמֶר הוּא! — הָא כְּתִיב ״מִמֶּנּוּ״.

Se assim (fosse, isto é, se essa exclusão dependesse apenas do argumento a fortiori), também quanto à teruma dir-se-ia (o mesmo) argumento a fortiori (que, sendo o dízimo mais leniente que a teruma, o proibido no dízimo deveria valer, com muito mais razão, para a teruma)! (Resposta:) Eis que está escrito "dela" (a exclusão vem explicitamente do próprio verso, e não meramente de uma inferência lógica — por isso não se pode simplesmente estender a proibição por analogia a qualquer categoria mais estrita).

Nota

A Guemará responde à objeção anterior mostrando que o mesmo tipo de argumento a fortiori que se tentou aplicar ao sagrado poderia, com igual força, ser aplicado também à teruma (que é mais estrita que o dízimo, ainda que mais leniente que o sagrado) — o que tornaria o argumento inconclusivo por si só, incapaz de decidir para qual categoria a exclusão realmente se destina. A resposta correta é que a palavra "dela" no verso não é uma mera consequência lógica de um argumento a fortiori, mas uma exclusão textual explícita — e por isso a pergunta relevante não é "o que a lógica exigiria", mas sim "qual categoria específica o texto pretendeu excluir com essa palavra".

06Pergunta: por que "dela" exclui a teruma e não o sagrado? Resposta: o sagrado tem tantas estringências próprias (mnemônico פנק״ע וכ״ס) que não seria razoável excluí-lo dessa proibição
Guemará
וּמָה רָאִיתָ! — מִסְתַּבְּרָא קֹדֶשׁ לָא מְמַעֵיטְנָא, שֶׁכֵּן (סִימָן) פנ״ק עכ״ס: פִּיגּוּל, נוֹתָר, קׇרְבָּן, מְעִילָה וְכָרֵת, אָסוּר לְאוֹנֵן.

(Pergunta:) E o que viste (que te levou a concluir que "dela" exclui a teruma e não o sagrado)? (Resposta:) É razoável (dizer que) não excluo o sagrado (dessa exclusão, isto é, que o sagrado permanece dentro da proibição de queimar em impureza), pois (ele tem, como) sinal (mnemônico): Pun"k Ach"s (as iniciais de): pigul (intenção inválida no sacrifício), notar (sobra além do prazo), korban (sacrifício de expiação por uso indevido), meilá (uso indevido de objeto sagrado) e caret (extirpação por comer em impureza), proibido ao onen (enlutado no dia da morte).

Nota

A Guemará responde à pergunta com um mnemônico que resume as numerosas estringências exclusivas do sagrado, ausentes na teruma: as leis de pigul (invalidação por pensamento incorreto durante o serviço sacrificial), notar (proibição de comer o sacrifício além de seu prazo), a necessidade de trazer um korban (sacrifício de culpa) por uso indevido não intencional (meilá), a pena de caret para quem come objetos sagrados em estado de impureza, e a proibição de o onen (enlutado agudo, no dia da morte de um parente próximo) comer objetos sagrados. Como o sagrado já carrega tantas estringências próprias que a teruma não tem, é razoável concluir que ele permanece incluído na proibição geral de queimar em impureza sem tirar proveito — sendo, portanto, a teruma (e não o sagrado) a categoria que o verso "dela" exclui dessa proibição, permitindo assim queimar o óleo de teruma impura com proveito.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "não excluo o sagrado" e "pois assim, sinal"
קדש לא ממעיטנא - מהך חומרא:

"Não excluo o sagrado" — dessa (proibição, por causa de sua) estringência (própria).

שכן - יש בו חומרי פנקעכ"ס וראוי גם לזו חייבין עליו משום פיגול שחט על מנת לאכול חוץ לזמנו ואכל אפילו בזמנו ומשום נותר חוץ לזמנו ממש ולא חשב מתחלה וקרוי קרבן ויש בו מעילה ואף על גב שקדש (הנותר) לאכילת כהנים אין בהן מעילה מ"מ תורת מעילה שייכא ביה אם קדשי קדשים הן יש בהן מעילה לפני זריקה לכל הנהנה מהן ואם קדשים קלים הן יש מעילה באימוריהן לאחר זריקת דמים לאפוקי תרומה דלית בה כלל:

"Pois assim" — há nele (no sagrado) as estringências (do mnemônico) Pun"k Ach"s, e apto também a esta (estringência adicional): são responsáveis por causa de pigul — quando se abate (o sacrifício) com a intenção de comê-lo fora de seu tempo devido, e (depois se) come (dele) mesmo dentro de seu tempo (o pensamento inválido já o invalida); e por causa de notar, fora de seu tempo mesmo, sem ter havido pensamento inválido desde o início (basta o atraso em si); e chama-se korban (o sacrifício de culpa devido); e há nele meilá — e ainda que o (objeto) sagrado (destinado à) alimentação dos sacerdotes não tenha meilá (nesse sentido restrito), de todo modo a lei de meilá se aplica a ele: se são objetos santíssimos, há meilá antes da aspersão (do sangue) para todo aquele que tira proveito deles, e se são objetos de santidade leve, há meilá em suas partes queimadas (no altar) depois da aspersão do sangue — o que exclui a teruma, na qual não há (nenhuma dessas leis) de modo algum.

וכרת - לאוכלה בטומאת הגוף ותרומה במיתה בידי שמים ימיו נקצרים אבל אינו הולך ערירי:

"E caret" — para quem o come (estando) em impureza do corpo; enquanto na teruma (a pena é) morte pelas mãos do Céu — seus dias se abreviam, mas ele não fica sem descendência.

אסור לאונן - ק"ו ממעשר אבל תרומה מותרת לאונן ביבמות בפרק הערל (יבמות דף ע:) זר זר ב' פעמים זרות אמרתי לך ולא אנינות. אונן כל זמן שלא נקבר מתו:

"Proibido ao onen" — (aprendido) por argumento a fortiori a partir do dízimo; mas a teruma é permitida ao onen, (como se ensina) em Yevamot, no capítulo "Ha'arel" (Yevamot 70b): "estranho, estranho" (repetido) duas vezes (no verso) — "estranheza (de linhagem) Eu te disse (que proíbe a teruma), e não estado de aninut (luto agudo)". (E é chamado) onen todo o tempo em que ainda não sepultou seu morto.

07A réplica final: ao contrário, é a teruma que não deveria ser excluída, por ter suas próprias estringências (mnemônico מחפ״ז) — começando por morte e o quinto acrescido
Guemará
אַדְּרַבָּה, תְּרוּמָה לָא מְמַעֵיטְנָא, שֶׁכֵּן מחפ״ז (סִימָן): מִיתָה, חוֹמֶשׁ, [וְאֵין לָהּ פִּדְיוֹן, וַאֲסוּרָה לְזָרִים].

(Réplica:) Ao contrário (pode-se argumentar o oposto): é a teruma que eu não excluiria (da proibição, e sim o sagrado), pois (ela também tem estringências próprias, resumidas no) sinal Mach"f Z: morte (pelas mãos do Céu, para quem a come intencionalmente sabendo que é proibida), o (pagamento do) quinto acrescido (por quem a come sem intenção, devendo restituir o valor mais um quinto), (e ela não tem resgate, e é proibida aos estranhos — a discussão prossegue no daf seguinte).

Nota

A Guemará contra-argumenta que o mesmo raciocínio poderia ser invertido: também a teruma tem suas próprias estringências específicas, ausentes no sagrado — resumidas no mnemônico Mach"f Z (morte, quinto acrescido, e mais dois itens do acróstico) —, o que tornaria igualmente plausível que fosse ela, e não o sagrado, a categoria que permanece dentro da proibição de queima em impureza, deixando o sagrado como a categoria excluída pelo verso "dela". A pena de morte pelas mãos do Céu recai sobre o estranho (não sacerdote) que come teruma intencionalmente sabendo de sua proibição; a obrigação de restituir o valor da teruma acrescido de um quinto recai sobre quem a come sem essa intenção, por engano. Esta última linha do daf — que menciona apenas "morte" e "o quinto acrescido" antes de ser interrompida pela quebra entre os fólios — continua diretamente no início do daf seguinte (25b), completando o mnemônico com "ela não tem resgate, e é proibida aos estranhos", e a Guemará prossegue dali a discussão sobre qual das duas categorias, afinal, o verso realmente exclui.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mem, chet, peh, zayin" (mnemônico da teruma)
מחפ"ז - מיתה בידי שמים לזר האוכלה או כהן טמא וחומש לזר האוכלה בשוגג דכתיב (ויקרא כ״ב:י״ד) כי יאכל קדש בשגגה ויסף חמישיתו עליו אבל קדש משעה שיש היתר לכהנים כתרומה ויצא מידי מעילה שוב אין חומש בשגגת אכילתו ויש דמוקמי לה בחומשין דחומשא ולא נהירא דהא רבינן ביה חומש דחומש בהקדש בפרק הזהב (בבא מציעא דף נד:):

"Mach"f Z" — morte pelas mãos do Céu para o estranho que a come, ou para o sacerdote impuro (que a come em estado de impureza); e o quinto acrescido para o estranho que a come sem intenção (por engano), como está escrito (Levítico 22:14): "e, quando alguém comer objeto sagrado por engano, acrescentará seu quinto sobre ele". Mas o (objeto) sagrado, desde o momento em que há permissão para os sacerdotes (comerem dele), como (no caso d)a teruma, e saiu do âmbito de meilá (por já poder ser licitamente comido pelos sacerdotes), não há mais (pagamento do) quinto por comê-lo sem intenção; e há quem o situe (esse "quinto") nos (casos de) quinto sobre quinto (um quinto adicional pago repetidamente), mas não é claro (correto), pois já ensinamos a respeito do quinto sobre o quinto no (objeto) consagrado, no capítulo "HaZahav" (Bava Metzia 54b).