O daf abre exatamente onde 28a parou, com a via alternativa de Rava de Barnish: um caal vachomer (a fortiori) a partir do pelo de cabra, que não se contamina por negaim mas se contamina por impureza de tendas — provando, com mais razão, que o couro de animal impuro, já contaminável por negaim, deveria contaminar-se também por impureza de tendas. A Guemará então retoma, uma vez mais, a resposta de Rav Yossef (de que a dúvida de Rabi Elazar nem deveria existir, pois só couro de animal puro serviria para o trabalho sagrado) e pergunta: para que halachá, então, essa baraita foi ensinada, se não para a impureza de tendas? A resposta é: para os tefilin. Mas essa resposta também é sucessivamente refutada — pois o versículo "para que a Torá do Eterno esteja em tua boca" já exigiria couro puro; e depois porque o sh dos tefilin, o amarrar com pelo e costurar com tendão, e as correias pretas, são todos halachá leMoshé miSinai (tradição oral remontada a Moshé no Sinai) independentes, não dependentes daquela baraita. A sugya do tachash se fecha com o ensinamento de Rabi Ilai em nome de Reish Lakish, citando Rabi Meir: o tachash da época de Moshé era uma criatura única, sobre a qual os sábios não decidiram se era espécie selvagem ou doméstica, tinha um só chifre na testa, apareceu a Moshé por ocasião especial para a construção do Mishkan, e depois foi escondida. A Guemará infere, do único chifre, que o tachash era puro (comparando-o ao boi que Adão ofereceu, também de um só chifre) — ainda que reste a dúvida se essa característica prova que é espécie doméstica, já que também existe um animal selvagem munido de um só chifre (o keresh). Encerrada essa sugya, o perek passa a uma nova Mishná: o pavio de um pano que alguém dobrou, mas não chamuscou, é discutido entre Rabi Eliezer, que o considera impuro e por isso proibido para acender (pois a dobra sozinha não anula sua condição de vestimenta), e Rabi Akiva, que o considera puro e permitido (pois a dobra já anula essa condição). A Guemará explica que, quanto à impureza, a disputa depende exatamente disso — se a dobra é ou não eficaz para anular o estatuto de vestimenta —, mas quanto ao acender, ambos concordam com Rabi Yehuda (que só se pode queimar utensílios inteiros, não pedaços de utensílios quebrados em Yom Tov que caiu na véspera de Shabat) e com Ulá (que quem acende deve fazê-lo na maior parte do que sai da vestimenta): a disputa real é se o pano de três por três dobrado, ao ser aceso, já virou um pedaço de utensílio quebrado (Rabi Eliezer) ou permanece mera madeira sem estatuto de utensílio (Rabi Akiva). O daf termina com Rav Yossef reconhecendo, através dessa explicação, o sentido de uma Mishná que ele antes citava sem compreender sua razão prática, e com a tentativa de identificar a posição de Rav Adda bar Ahava com a de Rabi Yehuda — interrompida, no fechamento do daf, pela pergunta se Rav Adda bar Ahava realmente sustentava essa opinião, que prossegue em 29a.
(A lei) vem por caal vachomer (a fortiori) a partir do pelo (que cresce em cima) das cabras, que não se contamina por negaim (a impureza da tzaraat, pois negaim só se aplica a lã, linho e couro, não a pelo cru) — (e ainda assim) contamina-se por impureza de tendas (pois o pelo de cabra é usado para tecer tendas); o couro de animal impuro, que (já) se contamina por negaim, não é justo (concluir por muito mais razão) que se contamine (também) por impureza de tendas?
O daf abre exatamente na continuação da frase interrompida ao final de 28a: Rava de Barnish, tendo refutado tanto a tentativa original de Rava (a partir de negaim) quanto o raciocínio combinado de denominador comum (negaim mais répteis mortos), propõe agora seu próprio caminho — um caal vachomer direto. O pelo de cabra, material cru que ainda não foi tecido, não é suscetível à impureza de negaim (que se aplica apenas a lã, linho, couro e certos tecidos, mas não ao pelo em seu estado bruto); e, no entanto, esse mesmo pelo de cabra, quando usado para fazer tendas (como as cortinas externas do próprio Mishkan, feitas de pelo de cabra), contamina-se por impureza de tendas. Se, portanto, um material tão "fraco" que nem sequer se contamina por negaim ainda assim se contamina por impureza de tendas, não seria óbvio — com muito mais razão (caal vachomer) — que o couro de animal impuro, que já é reconhecidamente suscetível à impureza de negaim (mais estrita em vários aspectos), deveria também contaminar-se por impureza de tendas?
(Agora que se estabeleceu que o couro de animal impuro se contamina por impureza de tendas, e que a cobertura do Mishkan podia, em princípio, incluir tal couro,) mas então aquilo que ensinou Rav Yossef — "não se tornaram aptos para o trabalho sagrado senão o couro de animal puro somente" — para qual halachá (foi dito, já que não seria mais necessário para excluir o couro impuro da cobertura do Mishkan)? (A resposta é:) para os tefilin (que também são considerado "trabalho sagrado", e cujo couro deve ser de animal puro). (A Guemará objeta:) Mas quanto aos tefilin, está escrito explicitamente a respeito deles: "para que a Torá do Eterno esteja em tua boca" (Shemot 13:9) — (donde se aprende que o material deve vir) do que é permitido em tua boca (isto é, de animal puro, cuja carne é permitida para consumo; essa exigência já decorreria diretamente desse verso, sem necessidade da baraita de Rav Yossef)!
Com a sugya do couro de animal impuro concluída favoravelmente (o caal vachomer de Rava de Barnish prevalece), a Guemará retorna a um detalhe deixado em aberto: a baraita citada por Rav Yossef, de que apenas couro de animal puro serve para "trabalho sagrado", havia sido originalmente entendida como referindo-se à cobertura do Mishkan (e, por extensão, à natureza do tachash). Mas, agora que ficou estabelecido que mesmo o couro de animal impuro poderia, em tese, ter servido de cobertura (pois se contamina por impureza de tendas assim como o puro), a Guemará precisa encontrar outra aplicação prática para essa baraita. A primeira proposta é que ela trata dos tefilin, cujo couro (usado nas caixinhas e correias) deveria ser de animal puro. Essa proposta é imediatamente desafiada: o próprio verso que estabelece a mitzvá dos tefilin já contém, segundo a leitura da Guemará, uma exigência independente de que sejam feitos de material permitido para consumo (isto é, de animal puro) — tornando redundante e sem função a baraita de Rav Yossef, se essa fosse sua única aplicação.
(A Guemará propõe:) Mas (a baraita de Rav Yossef aplica-se) ao couro (externo dos tefilin, a caixinha onde se guardam as parashiot, e não ao próprio conteúdo escrito). (A Guemará objeta:) Mas não disse Abaie que o shin (a letra formada nas dobras do couro da caixinha) dos tefilin é halachá leMoshé miSinai (uma lei transmitida oralmente a Moshé no Sinai, e não dependente de nenhum verso — logo, também não dependeria da baraita de Rav Yossef)! (A Guemará tenta de novo:) Mas (a baraita aplica-se) a enrolá-los (os tefilin) com (fio feito de) seu próprio pelo (de animal puro) e costurá-los com seu (próprio) tendão. (A Guemará objeta:) Isso também é halachá leMoshé miSinai, pois foi ensinado (numa baraita): os tefilin quadrados são halachá leMoshé miSinai, (devendo ser) enrolados com seu pelo e costurados com seu tendão! (A Guemará tenta ainda:) Mas (a baraita aplica-se) às correias. (A Guemará objeta:) Mas não disse Rabi Yitzchak que as correias pretas são halachá leMoshé miSinai? (A resposta seria:) Ainda que se tenha aprendido (por tradição oral apenas) que devem ser pretas, (mas) que sejam (de couro) puras, isso também se aprendeu (por tradição, tornando desnecessária a baraita de Rav Yossef)?
A Guemará tenta, em três rodadas sucessivas, salvar a aplicação da baraita de Rav Yossef aos tefilin, restringindo-a a algum componente específico que ainda não tivesse uma fonte independente. Primeiro, propõe que ela trata apenas do couro externo da caixinha (e não do pergaminho interno) — mas essa proposta esbarra no ensinamento de Abaie de que o formato característico em forma de shin, moldado nas dobras desse mesmo couro, já é uma halachá leMoshé miSinai autônoma, sugerindo que todo o processo de fabricação da caixinha, incluindo o material, já vem por tradição direta e não pela baraita. Segundo, propõe que ela trata do processo de amarrar as parashiot com pelo de animal puro e costurá-las com tendão de animal puro — mas uma baraita explícita já atribui exatamente esse detalhe (tefilin quadrados, amarrados com pelo e costurados com tendão) à mesma categoria de halachá leMoshé miSinai. Terceiro, propõe que ela trata das correias — mas Rabi Yitzchak já ensinara que a cor preta das correias é, ela mesma, halachá leMoshé miSinai, e a Guemará sugere (retoricamente) que, se a cor já vem por tradição oral, é de esperar que a exigência de pureza do couro venha pelo mesmo caminho, tornando a baraita de Rav Yossef novamente sem aplicação clara e exclusiva. A sugya deixa, assim, sem resposta definitiva e explícita a pergunta sobre a real utilidade prática dessa baraita, voltando o foco para a questão do tachash em si.
(Voltando à questão original:) o que ficou decidido sobre o tachash que havia nos dias de Moshé (era puro ou impuro)? Disse Rabi Ilai, disse Rabi Shimon ben Lakish: costumava dizer Rabi Meir: o tachash que havia nos dias de Moshé era uma criatura única (em si mesma, distinta de qualquer outra conhecida), e os sábios não decidiram a respeito dele se era uma espécie de animal selvagem (chaya) ou uma espécie de animal doméstico (behemá). E tinha um só chifre em sua testa, e apareceu a Moshé apenas por ocasião (especial e temporária), e (Moshé) fez dele o Mishkan, e (depois) foi escondido (não existindo mais desde então).
A Guemará retorna, por fim, diretamente à pergunta que motivou toda a sugya: o tachash da época de Moshé era puro ou impuro? Rabi Meir, através da cadeia de transmissão de Reish Lakish e Rabi Ilai, oferece uma resposta que transcende a simples classificação de pureza: o tachash era uma criatura absolutamente singular, cuja própria natureza — selvagem ou doméstica — os sábios nunca conseguiram determinar com certeza. Sua característica física mais marcante era um único chifre na testa. Segundo esse relato, o tachash não era uma espécie permanente do mundo, mas apareceu a Moshé apenas naquela ocasião específica, providencialmente, para fornecer o material da cobertura do Mishkan — e, uma vez cumprido esse propósito, foi ocultado (guenuz), não mais existindo ou sendo encontrado depois disso.
Do fato de (Rabi Meir) ter dito que tinha um só chifre em sua testa, aprende-se dali que (o tachash) era puro, pois disse Rav Yehuda: o touro que Adão, o primeiro homem, ofereceu (como sacrifício) tinha um só chifre em sua testa, como está dito: "e será mais agradável ao Eterno que (a oferenda de) um touro, novilho, com chifres (mafrís), com casco fendido" (Tehilim 69:32). (A Guemará pergunta:) "com chifres" (makrín, no plural) significa dois (chifres, não um só — como então se prova daqui que era de um só chifre)! Disse Rav Nachman bar Yitzchak: (no texto bíblico) está escrito (sem o vav que indicaria plural: "makrán",) "com (um) chifre" (no singular). (A Guemará pergunta ainda:) E poder-se-ia daí concluir definitivamente que (o tachash) é (da) espécie doméstica (behemá, já que o touro de Adão, animal doméstico, tinha um só chifre)? Já que há (também) o keresh, que é (da) espécie selvagem (chaya) e não tem senão um só chifre — há (portanto ainda espaço para) dizer que (o tachash) é (da) espécie selvagem.
A Guemará extrai uma conclusão adicional do detalhe do único chifre: essa característica, por si só, já basta para estabelecer que o tachash era puro. Isso se apoia no ensinamento de Rav Yehuda de que o touro oferecido por Adão, o primeiro homem — indiscutivelmente um animal puro, apto para sacrifício — também tinha um só chifre, conforme se lê (numa leitura especial do texto massorético) no verso de Tehilim. A objeção inicial, de que a palavra hebraica normalmente indicaria plural, é resolvida por Rav Nachman bar Yitzchak com base numa forma textual específica que indica singular. Ainda assim, a Guemará nota que esse paralelo não resolve completamente a outra metade da dúvida original de Rabi Meir — se o tachash era espécie selvagem ou doméstica — pois existe também um animal selvagem, o keresh, que igualmente possui um único chifre; portanto, o fato de ter um só chifre não decide, por si só, entre as duas possibilidades, e essa parte da questão permanece em aberto, encerrando definitivamente a sugya do tachash.
"Que não se contamina por negaim" — pois (no verso de negaim) está escrito (apenas) lã e linho (excluindo o pelo cru de cabra).
"Contamina-se por impureza de tendas" — se (alguém) o fez (em forma de) tenda, pois isso se aprende do Mishkan, e a "tenda" principal, que está escrita a respeito do Mishkan, está escrita a respeito das cortinas de pelo de cabra (que formavam a segunda cobertura, sobre as cortinas de linho). (Quanto) ao que está escrito nos livros (de baraitot), "todo trabalho de cabra" — não temos (essa versão como correta aqui), pois daqui não aprendemos (a impureza de) tenda, já que (esse verso) está escrito a respeito de utensílios (e não de tendas), como se diz noutro lugar: para incluir aquilo que vem das cabras — dos chifres e dos cascos (entre os materiais de utensílios, e não de tendas).
"Mas aquilo que ensinou Rav Yossef..." — já que incluímos o couro de animal impuro na impureza de tendas, aquilo que ensinou Rav Yossef, para qual halachá (se aplicaria)? O que (já) foi, foi (isto é, no que concerne à cobertura do Mishkan em si, o fato já ocorreu e não depende mais dessa baraita), a não ser que (sirva) para (dela) se aprender (alguma outra) lei de impureza.
"Para os tefilin" — foi dito (que a baraita se refere a eles), pois também eles são "trabalho sagrado" (melechet shamayim).
"Ao couro deles" — o couro do molde deles, onde os textos das parashiot são colocados (a caixinha externa, e não o pergaminho interno), pois este (couro externo) não se aprende de "para que esteja", já que nele não está escrita (diretamente) a Torá.
"O shin dos tefilin" — que o couro seja dobrado por fora em três dobras, semelhantes a um shin, e a correia se amarra como um dálet, e há uma correia curvada como um iud — formando (as três letras da palavra) Shadai (um dos nomes de D'us); e, já que a letra do (Nome) divino é escrita nas dobras do couro, exige-se (que seja) "permitido em tua boca", e (essa exigência) sai (diretamente) do verso (sem depender da baraita de Rav Yossef).
"Mas para enrolá-los com seu pelo" — foi ensinado (que a baraita) daquele (ensinamento) de Rav Yossef (refere-se a isso: que) é preciso amarrar os rolinhos das parashiot com pelo de animal puro e costurá-los com tendão de animal puro.
"Com seu pelo" — com pelo do próprio pergaminho (o mesmo tipo de animal), isto é, de (animal) puro.
"Para suas correias" — que sejam de couro de animal puro.
"Halachá leMoshé miSinai" — e, já que a halachá (sobre as correias serem pretas veio) do Sinai, (que sejam) puras também (é) halachá leMoshé miSinai, e a baraita de Rav Yossef não fala (então) de halachá leMoshé miSinai (mas de outra coisa, deixando a questão sem resposta clara nesse ponto).
"O que ficou decidido sobre o tachash" — já que, segundo Rav Yossef, (a baraita) não foi dita a respeito do trabalho do Mishkan, não se resolveu (ainda por esse caminho) nossa dúvida (sobre a pureza do tachash — daí a Guemará buscar a resposta direta de Rabi Meir).
"'Com chifres' significa dois" — pois, simplesmente, "makrín" (no plural) significa todos os seus chifres (isto é, dois, o número usual).
O pavio de (um pedaço de) pano que alguém dobrou (para servir de pavio), mas não chamuscou (ainda ao fogo): Rabi Eliezer diz: (esse pavio) é impuro (ainda suscetível a impureza, como o próprio pano de onde veio), e não se acende com ele. Rabi Akiva diz: (esse pavio) é puro, e acende-se com ele.
Concluída a segunda Mishná do perek (sobre o que sai da árvore, cuja Guemará ocupou os dafim 27b e 28a-28b), o texto passa à terceira Mishná do capítulo Bameh Madlikin. Ela trata de um caso concreto: alguém toma um pedaço de pano — que, sendo maior que três por três dedos, seria em princípio suscetível à impureza como vestimenta — e o dobra sobre si mesmo para transformá-lo em pavio de vela. A pergunta é se essa simples dobra já é suficiente para retirar do pano seu antigo estatuto de "vestimenta" (e, com isso, sua suscetibilidade à impureza), transformando-o definitivamente em mero pavio; ou se apenas o ato de chamuscá-lo ao fogo (prática comum para preparar pavios, tornando-os quebradiços e prontos para queimar melhor) completaria essa transformação. Rabi Eliezer sustenta que a dobra sozinha não basta: o pano permanece, tecnicamente, uma vestimenta (e portanto impuro se estivesse em contato com uma fonte de impureza, e proibido para servir de pavio, por razões que a Guemará irá explicar). Rabi Akiva sustenta o oposto: a dobra já é suficiente para anular o estatuto de vestimenta, tornando o pano puro e apto para uso como pavio.
Está bem (compreensível): quanto à impureza, é nisto que discordam — Rabi Eliezer entende que a dobra não é eficaz (para anular o estatuto de vestimenta), e (o pano) permanece em seu estado anterior (de vestimenta, suscetível à impureza). E Rabi Akiva entende que a dobra é eficaz, e (o pano) foi (assim) anulado (de seu estatuto de vestimenta, tornando-se puro).
A Guemará abre a análise da Mishná confirmando que, quanto ao aspecto da impureza, a disputa entre Rabi Eliezer e Rabi Akiva é direta e facilmente compreensível: trata-se exatamente da questão de saber se o ato de dobrar um pedaço de pano em forma de pavio é, por si só, uma ação suficientemente significativa para retirar daquele pano seu antigo estatuto legal de "vestimenta" (ainda que continue fisicamente sendo o mesmo tecido). Rabi Eliezer entende que não — a dobra é uma mudança de forma reversível e insuficiente, e o pano continua sendo, para efeitos de pureza, a mesma vestimenta que era antes. Rabi Akiva entende que sim — a dobra já demonstra a intenção definitiva do dono de transformar aquele pedaço de pano em outra coisa (um pavio), e essa mudança de uso e de forma basta para anular seu estatuto anterior, tornando-o, a partir de então, um objeto puro (por não mais se qualificar como "vestimenta").
Mas quanto ao acender, em que (exatamente) discordam? Disse Rabi Elazar, disse Rav Oshaya — e assim também disse Rav Adda bar Ahava: aqui trata-se (de um pano) exatamente (do tamanho mínimo suscetível à impureza,) três (dedos) por três (dedos, nem mais nem menos), e trata-se (também) de Yom Tov que caiu (na véspera de) Shabat. Todos (os dois tannaim) aceitam (a opinião) de Rabi Yehuda, que disse: acende-se (em Yom Tov, com fogo já existente,) com utensílios (inteiros, que podem ser movidos livremente,) mas não se acende com pedaços de utensílios (quebrados nesse mesmo dia, por serem nolad — algo "nascido" nesse dia, e portanto muktzê). E todos aceitam (a opinião) de Ulá, que disse: quem acende (a vela) precisa acendê-la na maior parte do que sai (do pavio para fora do recipiente do óleo, antes de soltar as mãos). Rabi Eliezer entende (que) a dobra não é eficaz, e, já que (a pessoa) acendeu nele (o pano) um pouco (antes de completar a maior parte para fora), tornou-se (nesse momento) pedaço de utensílio quebrado (pois o fogo já consumiu parte do que era, até então, considerado utensílio íntegro — o pano de três por três — reduzindo-o abaixo dessa medida); e quando (a pessoa) acende (o restante, para completar a maior parte) — é em pedaço de utensílio quebrado que está acendendo (o que é proibido, segundo Rabi Yehuda). E Rabi Akiva entende (que) a dobra é eficaz, e não há sobre (o pano) a categoria de utensílio (desde o início, por já ter perdido, pela dobra, seu estatuto de vestimenta/utensílio); e quando (a pessoa) acende — é em mera madeira (sem qualquer estatuto de utensílio, e portanto sem o problema de "pedaço de utensílio quebrado") que está acendendo.
Tendo esclarecido a disputa quanto à impureza, a Guemará enfrenta uma dificuldade maior: por que Rabi Eliezer e Rabi Akiva discordariam também quanto ao acender, já que essa questão parece, à primeira vista, redutível à mesma disputa sobre a eficácia da dobra? Rabi Elazar, em nome de Rav Oshaya (e confirmado por Rav Adda bar Ahava), explica que a Mishná trata de um cenário muito específico: um pano medindo exatamente três por três dedos (a medida mínima e precisa para ser suscetível à impureza) e a data é Yom Tov que caiu na véspera de Shabat (quando se aplicam as leis mais restritas sobre o que pode ser movido e queimado). Nesse cenário, ambos os tannaim aceitam dois princípios já estabelecidos: o de Rabi Yehuda, de que se pode alimentar uma fogueira já acesa apenas com utensílios completos, e não com pedaços de utensílios que se quebraram naquele mesmo dia (por serem "nolad", uma categoria proibida por decreto rabínico); e o de Ulá, de que quem acende uma vela deve mantê-la acesa até que o fogo pegue na maior parte do pavio que se projeta para fora do recipiente de óleo. A partir daí, a disputa real emerge: segundo Rabi Eliezer, como a dobra não anula o estatuto de vestimenta, o pano de exatamente três por três ainda é considerado um "utensílio" pleno; mas assim que o fogo começa a consumir uma pequena parte dele (antes de completar a "maior parte" exigida por Ulá), o que resta do pano cai abaixo da medida de três por três, tornando-se, a partir desse instante, um "pedaço de utensílio quebrado" — e continuar a acender esse restante violaria a proibição de Rabi Yehuda. Segundo Rabi Akiva, como a dobra já anulou completamente o estatuto de vestimenta desde o início, o pano nunca teve, para começar, a categoria de "utensílio" — sendo, desde sempre, mera madeira sem nenhum status especial —, de modo que acendê-lo, mesmo pouco a pouco, nunca envolve o problema de queimar um "pedaço de utensílio quebrado".
Disse Rav Yossef: (agora entendo:) é por isso que aprendemos (numa Mishná ou baraita, a expressão) "três por três exatamente (justas)", e eu não sabia para qual halachá (essa precisão de medida se aplicava — agora fica claro que é precisamente para o caso descrito, em que a diferença de um fio já muda o resultado).
Rav Yossef expressa seu reconhecimento diante da explicação de Rabi Elazar/Rav Oshaya: ele já conhecia, de memória, uma formulação tradicional que especificava a medida "três por três exatamente" (מְצוּמְצָמוֹת, sem excesso nem falta), mas nunca havia compreendido plenamente para qual finalidade prática essa precisão extrema de medida seria relevante — afinal, normalmente uma pequena variação de medida não faz diferença tão crítica na halachá. Agora, com a explicação anterior, ele percebe que é exatamente para o cenário descrito na Mishná (o pavio de pano em Yom Tov véspera de Shabat) que essa precisão milimétrica importa: é justamente porque o pano tem a medida mínima exata, sem margem alguma, que a mera queima de uma pequena parte já é suficiente, segundo Rabi Eliezer, para reduzi-lo abaixo do limiar de "utensílio completo", criando o problema do "pedaço de utensílio quebrado".
E, do fato de Rav Adda bar Ahava explicar (a Mishná) de acordo com (a opinião de) Rabi Yehuda, aprende-se dali que ele (próprio, Rav Adda bar Ahava,) sustenta a opinião como Rabi Yehuda (e não como quem discorda dele). (A Guemará questiona:) Mas será que Rav Adda bar Ahava disse (realmente) assim? Ora, não disse Rav Adda bar Ahava (em outro lugar, algo que parece contradizer essa suposição — o argumento prossegue no início do daf seguinte, 29a)...
O daf termina com a Guemará extraindo uma inferência lateral da explicação anterior: já que Rav Adda bar Ahava explicou a disputa da Mishná apoiando-se na opinião de Rabi Yehuda (sobre acender apenas com utensílios completos, não com pedaços quebrados), isso sugeriria que Rav Adda bar Ahava, ele mesmo, sustenta essa opinião como a lei correta (e não a posição divergente, sustentada por outros amoraím, de que também se pode acender com pedaços de utensílios quebrados). Mas a Guemará imediatamente questiona essa inferência, citando o início de outro ensinamento de Rav Adda bar Ahava que pareceria contradizer essa suposição — a citação é interrompida bem no início, e sua continuação e resolução prosseguem já nas primeiras linhas do daf seguinte, 29a.
"Mishná: que dobrou" — como se costuma torcer (e preparar) pavios.
"Chamuscou" — sobre a chama, para que fique (um pouco) crestada e acenda bem.
"É impura" — pois o pano é um utensílio e recebe impureza se media três por três, já que a dobra não o retira do estatuto de vestimenta, uma vez que (ainda) não foi chamuscado.
"E não se acende com ele" — conforme se explica a razão na Guemará.
"Guemará: a dobra é eficaz" — para retirá-lo do estatuto de vestimenta.
"Exatamente" — pois, se fosse um pouco mais (que três por três, restando ainda o suficiente após a queima parcial), todos concordariam que se pode acender.
"E trata-se de Yom Tov que caiu na véspera de Shabat" — pois é nesse (cenário) que se aplica a proibição de muktzê.
"E não se alimenta a fogueira com pedaços de utensílios" — que se quebraram naquele mesmo dia, pois se tornam nolad; mas com utensílios (inteiros) alimenta-se a fogueira, pois (esses) são aptos para serem manuseados.
"A dobra é eficaz" — e necessariamente (a pessoa) a dobrou já na véspera de Yom Tov, pois não se torce pavio em Yom Tov, conforme foi ensinado (no tratado Beitzá, capítulo) "HaMevi" (32b); e (assim) o utensílio já foi anulado desde antes de escurecer, e não há aqui (problema de) pedaço de utensílio quebrado.
"É por isso que aprendemos" — que eu estudava, de meus mestres, uma Mishná (com a expressão) "três por três exatamente", e eu não sabia para qual halachá foi dita, pois, quanto à impureza, com mais razão, se houvesse mais (medida do que três por três, ainda) se contaminaria (de modo que a precisão da medida não seria relevante para a impureza, mas sim para o caso do acender).
"E do fato de explicar..." — é um assunto à parte, em tom de pergunta, para contrapor Rav Adda a Rav Adda (um ensinamento seu a outro): do fato de ele explicar a Mishná e estabelecer que todos aceitam que não se alimenta a fogueira com pedaços quebrados — isso é de acordo com Rabi Yehuda, que sustenta (a categoria de) nolad; (daí a Guemará concluir que) aprende-se dali (que Rav Adda bar Ahava sustenta como Rabi Yehuda — mas essa conclusão é então questionada, prosseguindo em 29a).