O daf abre concluindo a resposta de Rava deixada em suspenso ao final de 58b: o sino sem batente permanece impuro, não pelo motivo de Abaye (que um leigo pode recolocar o batente), mas porque, mesmo sem ele, o sino ainda é apto para ser batido contra um caco de barro, produzindo som dessa forma — e, como explica Rashi, isso o torna semelhante a um utensílio perfurado numa medida menor do que a necessária para deixar sair uma romã, que não se purifica de sua impureza por ainda servir para sua função; com essa resposta, resolvem-se de modo unificado todos os casos já discutidos: o sino de animal, sem batente, é puro, pois não é utensílio; com batente, é impuro, pois o batente o torna utensílio; o de um adulto é impuro mesmo sem batente, por ser enfeite; e o da criança, feito para o som, só recebe impureza com o batente, e a mantém mesmo depois de removido, pois não se quebrou o suficiente para se purificar. A Guemará então relata que o mesmo motivo — apto para ser batido contra um caco — foi ensinado também por Rabi Yossi bar Rabi Chanina, enquanto Rabi Yochanan propôs outro: o sino sem batente ainda serve para dar água a uma criança beber. Pergunta-se então se Rabi Yochanan não exigiria, para que um utensílio danificado retenha sua impureza, uma função semelhante à original — como se ensina a respeito do assento do zav, que só recebe impureza de quem senta se for especificamente designado para sentar-se, excluindo-se aquele a quem se diz "levanta-te e façamos nosso trabalho". Rabi Elazar afirma que essa exclusão vale para o midrás, mas não para a impureza de morto; Rabi Yochanan, porém, afirma que ela vale também para a impureza de morto — o que pareceria contradizer sua posição sobre o sino, levando a Guemará a propor a inversão de uma das duas tradições, ora a do sino, ora a do próprio Rabi Yochanan sobre midrás. A dificuldade se resolve de modo independente, pela baraita da ferradura de metal de um animal, que permanece impura mesmo depois de deixar de servir para calçar: Rav explica que ainda serve para beber água dela na guerra; Rabi Chanina, para untar óleo; e Rabi Yochanan, para calçá-la nos pés ao fugir da batalha e correr sobre espinhos e cardos — provando que Rabi Yochanan, de fato, exige uma função semelhante à original, e que sua posição sobre o sino (dar água à criança) segue esse mesmo padrão. A Guemará distingue ainda as opiniões de Rav, Rabi Chanina e Rabi Yochanan pelos casos intermediários do que é repugnante e do que é pesado demais. O daf termina com a abertura de uma nova cláusula da Mishná — a mulher não sai com uma "cidade de ouro" — e a pergunta da Guemará, "o que é uma cidade de ouro?", respondida por Rabá bar bar Chaná em nome de Rabi Yochanan como "uma Jerusalém de ouro", interrompida no meio da frase, com o conteúdo completo — a história de Rabi Akiva e sua esposa — reservado para 59b.
... porque é apto para ser batido contra um caco de barro — e, assim, ainda produzir som, mesmo sem o batente.
Completa-se aqui a resposta de Rava, deixada em suspenso ao final de 58b. Rava rejeita o motivo de Abaye (que um leigo pode recolocar o batente) e propõe, em seu lugar, que o sino sem batente permanece impuro porque, mesmo sem ele, ainda serve para produzir som de outra forma — batendo-o contra um caco de barro. Assim, o sino nunca perde por completo sua função, e por isso não se purifica de sua impureza anterior.
"Porque é apto para ser batido contra um caco" — pois o sino produz som como no início, e a função original não se anula para ele; e ele se torna como um utensílio que foi perfurado numa medida menor do que a necessária para fazer sair uma romã, do qual estabelecemos que não se purifica de sua impureza, porque ainda é apto para sua função. E agora se resolvem todas as versões: que o sino de um animal é puro sem o batente, como se ensina na primeira baraita, pois não é utensílio; e com o batente é impuro, como estabelecemos na última, pois o batente o torna utensílio; e que o de um adulto é impuro mesmo sem o batente, pois é enfeite, e não precisa do batente — e é isso que se ensina na primeira baraita, que ambos os sinos recebem impureza; e que o das crianças, que é feito para produzir som, é feito para receber impureza, o que não recebe sem o batente — como se ensina: "se não têm batente, são puros", quando nunca tiveram batente, sua feitura não se completou; "se seus batentes foram removidos", seja antes de se tornarem impuros, seja depois de se tornarem impuros, são impuros, pois não se quebraram na medida suficiente para se purificar.
Também se ensinou de modo independente: disse Rabi Yossi bar Rabi Chanina: porque é apto para ser batido contra um caco de barro. Rabi Yochanan disse: porque é apto para com ele dar de beber água a uma criança.
A Guemará traz uma confirmação independente da resposta de Rava, ensinada nos mesmos termos por Rabi Yossi bar Rabi Chanina. Rabi Yochanan, porém, propõe um motivo diferente: o sino sem batente, embora não produza mais som, ainda serve como um pequeno recipiente com o qual se pode dar água a uma criança para beber — e essa função residual basta para que ele retenha sua impureza.
Mas Rabi Yochanan não exigiria que a nova função fosse semelhante à função original? E não se ensinou: "e todo utensílio sobre o qual ele — o zav — se sentar, etc." — poder-se-ia pensar que, se ele virou uma medida de seá e sentou sobre ela, ou virou uma medida de tarkav e sentou sobre ela, seria impuro; o texto ensina: "sobre o qual se sentar o zav" — aquele que é especificamente designado para sentar-se; fica excluído aquele a quem se diz: "levanta-te e façamos nosso trabalho"?
A Guemará questiona a resposta de Rabi Yochanan: se ele exige, como se vê nesta baraita sobre o assento do zav, que um utensílio seja especificamente designado para sua função a fim de receber impureza (excluindo-se o que é usado apenas ocasionalmente, "levanta-te e façamos nosso trabalho"), como pode aceitar que o sino sem batente — cuja função original era produzir som, e não servir de copo — retenha sua impureza apenas por essa nova função incidental de dar água à criança?
Assim se ensina no Torat Kohanim: "e todo utensílio sobre o qual ele se sentar" — o início do versículo diz "e toda cama, etc."; poder-se-ia pensar que todo utensílio está incluído, mesmo que não seja feito para se sentar. "Tarkav" — meia seá; explica-se: "dois cabs e um cab" (três cabs). "O texto ensina: sobre o qual se sentar" — pois não está escrito, a respeito da cama, "sobre a qual se deitou", e a respeito do assento, "sobre o qual se sentou", mas está escrito no tempo durativo "se deitar", "se sentar" — o que indica que costuma se deitar sobre ela sempre e se sentar sobre ele sempre, isto é, que é especificamente designado para deitar-se e para sentar-se; e a respeito da cama também se interpreta ali do mesmo modo. E em todos os manuscritos está escrito: "e o que se senta sobre o utensílio sobre o qual ele se sentar" — e é outro versículo, que os alunos explicam assim: visto que está escrito "o que se senta sobre o utensílio sobre o qual ele se sentar", duas menções de sentar-se o versículo multiplicou, para te ensinar que fala do que é especificamente designado para sentar-se. Mas não é assim, pois as duas menções de sentar-se de que se fala são necessárias para muitas outras coisas, como se explica ali: "o que se senta", ainda que não tenha tocado, mas apenas se sentou ou ficou suspenso sem tocar, é impuro — pois era necessário escrever, a respeito do zav, que ele torna impuro um utensílio ao sentar-se sobre ele, mesmo sem tocar; e era necessário, a respeito do puro que se senta sobre o mesmo assento, também, que se torna impuro ao sentar-se sobre ele, mesmo sem tocar. E, além disso, no Torat Kohanim não se ensina isso a respeito daquele versículo.
Rabi Elazar diz: quanto às impurezas de midrás, diz-se "levanta-te e façamos nosso trabalho"; mas quanto à impureza de morto, não se diz "levanta-te e façamos nosso trabalho". E Rabi Yochanan disse: também quanto à impureza de morto se diz "levanta-te e façamos nosso trabalho".
Segundo Rashi, esta disputa se aplica tanto ao início quanto ao fim da impureza: um pedaço de três dedos por três dedos que já se tornara fonte primária de impureza por midrás, e depois se rasgou de modo a não mais servir para sentar-se — Rabi Elazar considera-o purificado do midrás ("levanta-te e façamos nosso trabalho", já que não é mais apto para sentar-se), mas não da impureza de morto, pois o versículo fala genericamente de "utensílio de uso", sem exigir designação específica. Rabi Yochanan, porém, aplica a mesma exclusão também à impureza de morto — o que pareceria contradizer sua posição sobre o sino, que retém a impureza por uma função apenas incidental.
"Rabi Elazar diz, quanto às impurezas de midrás, etc." — isso se aplica tanto no início da impureza, quanto ao que dissemos, que não se torna impuro por midrás a ponto de se tornar fonte primária de impureza, quanto no final da impureza, como no caso de um pedaço de três dedos por três dedos que se tornara impuro por midrás a ponto de ser fonte primária de impureza, e depois se rasgou — a respeito do qual os sábios discordam se está purificado do midrás, pois dizemos a seu respeito "levanta-te e façamos nosso trabalho primeiro", já que era apto para sentar-se, e agora não é mais apto para isso; portanto é puro do midrás — e, ainda que em cada pedaço haja três por três, e seja um utensílio capaz de receber impureza, mesmo assim, da categoria de fonte primária de impureza ele se purificou. "E não se diz" — quanto à fonte primária de impureza de morto, "levanta-te e façamos nosso trabalho", isto é: se se tornou impuro e se quebrou, e ainda é apto para algum trabalho, mesmo que não semelhante à função original, permanece impuro, e não dizemos "levanta-te e façamos nosso trabalho primeiro" para que, visto que não é apto para aquilo, se torne puro; e tanto mais que, no início da impureza, não se diz "levanta-te e façamos nosso trabalho primeiro" para dizermos que, se não é especificamente designado para contato com um morto, não receberia impureza de morto — pois está escrito "utensílio de uso" em geral, sem restrição. "Diz, etc." — pois, se o utensílio não realiza algo semelhante à função original, é puro; e necessariamente não se disse o ensinamento de Rabi Yochanan senão quanto ao caso de ter se quebrado, para purificá-lo, como expliquei, pois não se pode explicá-lo como aquele caso dos midrasot; nem para dizer que um utensílio que não é feito para contato com um morto não se torna impuro por um morto — pois está escrito (Números 19): "e aspergirá sobre a tenda e sobre todos os utensílios".
Inverte a primeira tradição — a do sino, atribuindo a Rabi Yochanan o motivo de Rabi Yossi bar Rabi Chanina, e vice-versa! E o que viste para inverter a primeira? Inverte a última — a de Rabi Elazar e Rabi Yochanan sobre midrás e impureza de morto!
Diante da aparente contradição na posição de Rabi Yochanan, a Guemará propõe resolvê-la trocando a atribuição de uma das duas tradições — sugerindo primeiro inverter a do sino (de modo que Rabi Yochanan teria dito o motivo do caco, e não o da água), e depois questionando por que não inverter, em vez disso, a tradição sobre midrás e impureza de morto. Como se verá a seguir, a Guemará abandona essa via e resolve a dificuldade de outro modo, por uma prova independente.
"Inverte a primeira" — a tradição de Rabi Yossi bar Rabi Chanina para Rabi Yochanan (e a de Rabi Yochanan para Rabi Yossi bar Rabi Chanina).
Mas, de qualquer modo que se resolva a dificuldade anterior, já ouvimos de Rabi Yochanan que ele exige uma função semelhante à função original — pois se ensinou: a ferradura de metal de um animal é impura. Para que ainda serve? Disse Rav: é apta para dela se beber água na guerra. E Rabi Chanina disse: é apta para com ela untar óleo na guerra. E Rabi Yochanan disse: no momento em que o soldado foge da batalha, ele a coloca em seus pés e corre sobre espinhos e cardos.
A Guemará traz uma prova independente de que Rabi Yochanan exige, sim, uma função semelhante à original: a baraita da ferradura de metal do animal, que permanece impura mesmo depois de deixar de servir para calçar o animal, precisa de uma nova função para justificar essa impureza contínua. Rav propõe que sirva de recipiente para beber água; Rabi Chanina, para untar óleo; e Rabi Yochanan — de acordo com sua posição já conhecida — propõe uma função semelhante à original: o soldado a calça nos próprios pés ao fugir, exatamente como fazia o animal, protegendo-se de espinhos e cardos.
"Ferradura de um animal" — para que não se machuque nos cascos com as pedras. "Para que serve?" — pois, quanto ao próprio animal, não há enfeite para um animal (a ferradura, sem sua função, não pode ser considerada mero ornamento). "Ele a coloca em seus pés" — ele mesmo; conclui-se disso que, visto que a fez com a finalidade de ferradura, se não fosse apta para ser calçada, Rabi Yochanan não a consideraria impura.
Qual é a diferença entre Rav e Rabi Chanina? Há entre eles o caso do que é repugnante.
Se a ferradura está suja ou repugnante ao ponto de não servir mais para beber água dela, Rav a consideraria pura por essa razão; mas Rabi Chanina, cuja razão é untar óleo — e não beber —, ainda a consideraria impura, pois o fato de ser repugnante para beber não impede seu uso para untar.
"Há entre eles o caso do que é repugnante" — segundo Rav, a ferradura não é impura, pois não é apta para beber, e Rav não aceita a razão de untar, pois entende que não se leva óleo à guerra para untar; e o mesmo vale entre Rav e Rabi Yochanan — também há entre eles o caso do que é repugnante. "Entre Rabi Chanina e Rabi Yochanan, há entre eles o caso do que é pesado" — pesado demais, e a ferradura não é apta para com ela fugir correndo.
E qual a diferença entre Rabi Yochanan e Rabi Chanina? Há entre eles o caso do que é pesado demais.
Se a ferradura é pesada demais para se correr com ela nos pés ao fugir, Rabi Yochanan a consideraria pura por essa razão; mas Rabi Chanina, cuja razão é untar óleo, ainda a consideraria impura, pois o peso não impede seu uso como recipiente para untar.
E a mulher não sai com uma "cidade de ouro" — um enfeite de cabeça em forma de cidade. O que é uma "cidade de ouro"? Disse Rabá bar bar Chaná, disse Rabi Yochanan: uma Jerusalém de ouro ...
O daf muda de assunto e passa à cláusula seguinte da Mishná deste mesmo perek — a lista dos enfeites com que a mulher não pode sair no Shabat inclui a "cidade de ouro", um adorno de cabeça em forma de cidade, provavelmente com torres e muralhas em miniatura. A Guemará pergunta o que exatamente é esse enfeite, e Rabá bar bar Chaná responde, em nome de Rabi Yochanan, que se trata de uma representação de "Jerusalém de ouro" — mas a resposta é cortada aqui, no meio da frase, e seu conteúdo completo, junto com a célebre história de como Rabi Akiva presenteou sua esposa com esse enfeite, só aparece na abertura de 59b, confirmada por consulta independente ao texto daquele daf ("como fez Rabi Akiva para sua esposa"). Esta divisão de conteúdo entre dois dafim, sem qualquer fórmula de encerramento no meio da frase, segue o mesmo padrão já observado nas transições entre 57a e 57b, entre 57b e 58a, entre 58a e 58b, e agora entre 58b e este daf.