O daf abre completando a citação da Mishná interrompida ao fim de 50b: quem esconde nabo e rabanetes sob a videira, se parte de suas folhas ficou à mostra, não precisa se preocupar — nem por causa de diversidade de espécies (kilayim), nem por causa do ano sabático (shevi'it), nem por causa do dízimo (maasser), e pode movê-los livremente em Shabat. Com isso, fecha-se a refutação de Rav Ketina, trazida por Rav Mordechai a Rava contra as regras de Rav Huna e de Shmuel, que exigiam ter fincado, retirado e fincado de novo o objeto antes de Shabat: aqui, mesmo sem esse gesto preparatório, é permitido puxar o nabo pela folha visível, contradizendo aquela exigência — e a Guemará sela o argumento com a palavra "תְּיוּבְתָּא", refutação conclusiva. A Guemará passa então a uma Mishná inteiramente nova, sobre isolar alimentos e bebidas em Shabat: quem não cobriu a panela quente ainda de dia, para conservar seu calor, não pode cobri-la depois de escurecer; mas se já a tinha coberto e a cobertura se descolou, pode recobri-la; e pode-se encher um jarro de água fria e colocá-lo sob o travesseiro ou sob a almofada, para que a água se mantenha fresca. Rav Yehudá, em nome de Shmuel, ensina que é permitido isolar o frio — colocar água fria sob roupas de cama para que não esquente com o calor do dia. Rav Yosef pergunta o que essa afirmação ensina de novo, já que a própria Mishná menciona o jarro sob o travesseiro; Abaye responde que Shmuel ensina mais do que a Mishná: pois, a partir da Mishná sozinha, poder-se-ia pensar que a permissão vale apenas para algo que não costuma ser isolado para se aquecer — como a água fria —, mas que algo que costuma ser isolado para se aquecer, como um guisado, não poderia ser isolado mesmo para mantê-lo frio, por parecer com o isolamento proibido do quente; Shmuel vem ensinar que isso também é permitido. Rav Huna, em nome de Rav, traz uma tradição de que é proibido isolar o frio — mas não se ensinou que Rebbi permitiu isolar o frio? A Guemará resolve: uma tradição é de antes de Rav ouvir de Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, e a outra é de depois. Conta-se que Rebbi estava sentado e disse que é proibido isolar o frio; Rabi Yishmael ben Rabi Yosei disse diante dele que seu pai, Rabi Yosei, permitia isolar o frio; e Rebbi respondeu: "o ancião já ensinou assim" — aceitando a tradição do pai de Rabi Yishmael. Rav Pappa comenta a beleza dessa deferência mútua: se Rabi Yosei ainda vivesse, sentar-se-ia curvado diante de Rebbi, pois Rebbi era maior; mas Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, que herdara o lugar de seu pai, sentava-se curvado diante de Rebbi, e mesmo assim Rebbi aceitou de bom grado sua palavra. Segue-se a história de Rav Nachman, que pediu a seu servo Daru que isolasse água fria para ele e lhe trouxesse água quente preparada por um cozinheiro gentio; Rabi Ami ouviu e se indignou. Rav Yosef pergunta por que se indignou, já que Rav Nachman agiu conforme seus próprios mestres — isolar o frio, conforme Shmuel, e beber água aquecida por gentio, conforme a tradição de Rav, de que tudo o que se come cru não tem problema de "cozido de gentios"; a Guemará sugere que Rebbi entendia que, para uma pessoa importante, a regra é diferente, pois outros, vendo-a agir com leniência, seriam levados a agir com leniência além do permitido. Uma baraita ensina que, embora tenham dito que não se isola depois de escurecer, mesmo com algo que não acrescenta calor, se alguém quiser acrescentar isolamento, pode acrescentar; Rabban Shimon ben Gamliel explica como: tira-se os lençóis e deixa-se o glufkarin, ou tira-se o glufkarin e deixam-se os lençóis; e ensina ainda que só proibiram isolar naquela mesma chaleira em que a água foi aquecida, mas transferir de uma chaleira para outra é permitido — pois, ao transferir, a pessoa está resfriando o alimento, não fervendo-o. O daf se fecha com uma Mishná nova: quem isolou e cobriu a panela com algo que pode ser movido em Shabat, ou isolou com algo que não pode ser movido mas cobriu com algo que pode, pode tirar e devolver a panela livremente; mas quem isolou e cobriu com algo que não pode ser movido, ou isolou com algo que pode ser movido mas cobriu com algo que não pode, se parte da panela ficou descoberta, pode tirar e devolver; e se não… — a citação, interrompida no meio, prossegue em 51b.
…não (precisa se preocupar) por causa de diversidade de espécies (kilayim, como se estivesse plantando de novo o nabo junto à videira), nem por causa do ano sabático (shevi'it, como se estivesse colhendo), nem por causa do dízimo (maasser, como se estivesse recolhendo produto novo), e podem ser movidos em Shabat (segurando-os pela folha à mostra, sem deslocar a terra)! É uma refutação conclusiva.
Aqui se completa a citação da Mishná sobre o nabo e o rabanete escondidos sob a videira, interrompida ao fim de 50b no meio da frase "אֵינוֹ חוֹשֵׁשׁ" ("não precisa se preocupar"). A Mishná esclarece que essa ausência de preocupação vale para três leis distintas: não se teme que o nabo enterrado junto à videira conte como plantio de duas espécies diferentes na mesma terra (kilayim), nem que contar seu tempo de permanência na terra o torne sujeito às leis do ano sabático como se fosse recém-colhido (shevi'it), nem que se torne sujeito a dízimo como produto recém-recolhido (maasser) — e, além disso, pode-se movê-lo livremente em Shabat, segurando-o pela folha que ficou à mostra, sem que isso implique deslocar a terra ao redor. Com a palavra final "תְּיוּבְתָּא" ("é uma refutação conclusiva"), fecha-se o argumento de Rav Ketina, trazido por Rav Mordechai a Rava: já que aqui, mesmo sem o gesto preparatório de fincar, retirar e fincar de novo antes de Shabat, é permitido puxar o nabo pela parte visível, isso refuta as regras de Rav Huna e de Shmuel, que exigiam esse gesto prévio para permitir a retirada da planta aromática e da faca.
"Não por causa de kilayim" — pois isto (enterrar para conservar) não é considerado plantio.
"Nem por causa do dízimo" — que não digamos que (o nabo) se anulou junto à terra, e é como se tivesse sido colhido desde o início (agora, ao ser retirado), sendo necessário dizimar o quanto cresceu a mais, pois talvez tenha crescido.
"E podem ser movidos em Shabat" — pois segura-se pela parte de suas folhas que ficou à mostra, e não se preocupa se a terra se move por si mesma; e o mesmo vale para a planta aromática (de Rav Huna).
Se não cobriu (a panela quente, para isolar seu calor) ainda de dia, não pode cobri-la depois de escurecer. Se a cobriu e ela se descobriu, é permitido recobri-la. Enche-se o jarro (de água fria) e coloca-se sob o travesseiro ou sob a almofada.
Encerrada a sugya do nazireu e das regras sobre objetos fincados, a Guemará inicia o tratamento de uma nova Mishná, sobre isolamento térmico em Shabat. A primeira parte trata do isolamento do quente: se a pessoa não isolou a panela ainda de dia, é proibido fazê-lo depois de escurecer, pois isso constituiria o próprio ato de isolar em Shabat, proibido por temor de que a pessoa venha a mexer nas brasas para reavivar o fogo; mas, se já a tinha isolado antes de escurecer e a cobertura apenas se descolou, é permitido recolocá-la, pois isso não é um novo ato de isolamento, apenas a manutenção do que já fora feito. A segunda parte trata do isolamento do frio: pode-se encher um jarro de água fria e colocá-lo sob o travesseiro ou a almofada, para que a água se mantenha fresca apesar do calor ambiente — ponto de partida para a discussão seguinte sobre se isso é sempre permitido.
"Mishná: não pode cobri-la depois de escurecer" — já explicamos o motivo no segundo perek: por que disseram que não se isola, mesmo com algo que não acrescenta calor, depois de escurecer? Por temor de que a pessoa venha a fazer ferver (mexendo no fogo).
"Enche-se o jarro" — de água fria.
"E coloca-se sob o travesseiro" — para que não esquentem com o calor do verão e do sol; trata-se, por exemplo, de travesseiro e almofada de feltro, que não aquecem.
Disse Rav Yehudá, em nome de Shmuel: é permitido isolar o frio. Disse Rav Yosef: o que isso nos ensina de novo? Já aprendemos: uma pessoa enche o jarro e coloca-o sob o travesseiro ou sob a almofada!
Rav Yehudá, em nome de Shmuel, ensina que é permitido isolar comida ou bebida fria para protegê-la do calor ambiente, mesmo que isso não envolva nenhum fogo. Rav Yosef pergunta o que essa afirmação acrescenta, já que a própria Mishná recém-citada já ensina exatamente isso, ao permitir colocar o jarro de água fria sob o travesseiro.
Disse-lhe Abaye: ensina-nos muito mais; pois, se fosse apenas a partir da Mishná, eu diria que estas palavras (a permissão) valem apenas para algo que não costuma ser isolado (para aquecer, como a água fria); mas algo que costuma ser isolado (para aquecer, como um guisado), não (seria permitido isolá-lo mesmo para mantê-lo frio) — isso nos ensina.
Abaye defende que a afirmação de Shmuel não é redundante: a Mishná, isoladamente, poderia ser entendida como referindo-se apenas à água fria, um item que nunca se costuma isolar para aquecer, e por isso não haveria motivo de confundi-la com o isolamento proibido do quente. Mas um guisado ou outro alimento que normalmente se isola para conservar quente poderia parecer-se demais com esse isolamento proibido, mesmo quando a intenção é apenas mantê-lo frio, levando a proibir também esse caso por semelhança. Shmuel vem ensinar que, mesmo assim, isolar esse tipo de alimento para mantê-lo frio é permitido, pois a intenção e o efeito são opostos ao isolamento proibido do quente.
Disse Rav Huna, em nome de Rav: é proibido isolar o frio. Mas não se ensinou numa baraita que Rebbi permitiu isolar o frio? Não há dificuldade: esta (a proibição de Rav) é de antes de ele ouvir de Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, e aquela (a permissão) é de depois de ele ouvir.
A Guemará traz uma tradição contrária de Rav Huna, em nome de Rav: proibido isolar o frio. Mas isso contradiz uma baraita segundo a qual Rebbi permitiu isolar o frio! A Guemará resolve reconciliando as duas tradições de Rav como referindo-se a dois momentos distintos de sua vida: a proibição é anterior a ele ter ouvido determinado ensinamento de Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, e a permissão é posterior a esse encontro — cujo conteúdo exato a Guemará passa a narrar.
Como isto, que Rebbi estava sentado e disse: é proibido isolar o frio. Disse diante dele Rabi Yishmael ben Rabi Yosei: meu pai (Rabi Yosei) permitia isolar o frio. Disse (Rebbi): já o ancião ensinou assim (e aceito sua palavra).
A Guemará narra o episódio concreto por trás da mudança de posição de Rav: Rebbi, sentado a ensinar, afirmou que era proibido isolar o frio; Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, presente, informou que seu falecido pai, Rabi Yosei, tinha por costume permitir isolar o frio. Rebbi, ao ouvir isso, aceitou de imediato a tradição do sábio mais antigo, dizendo "já o ancião ensinou assim" — reconhecendo a autoridade de Rabi Yosei mesmo diante de sua própria posição anterior. Foi esse encontro que Rav testemunhou, e por isso sua tradição sobre a lei mudou de proibição para permissão depois desse momento.
"É permitido isolar o frio" — para protegê-lo do sol, que não esquente; e não se decreta por temor de confundir com o isolamento para que se aqueça.
"Se fosse apenas a partir da Mishná, eu diria que estas palavras" — valem, por exemplo, para água fria, que não costuma ser isolada sob travesseiro e almofada para se aquecer, pois não esquenta assim; por isso não há por que decretar.
"Mas algo que costuma ser isolado" — para aquecer, como um guisado, eu diria que não se pode isolá-lo para protegê-lo do sol (por semelhança com o isolamento proibido).
"Permitiu isolar o frio" — para protegê-lo do calor.
Disse Rav Pappa: venha e veja quanto se estimavam um ao outro. Pois, se Rabi Yosei estivesse vivo, estaria sentado curvado diante de Rebbi (por respeito à sua grandeza). Pois Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, que ocupava o lugar de seus pais, sentava-se curvado diante de Rebbi, e ainda assim disse (Rebbi): já o ancião ensinou assim.
Rav Pappa comenta a beleza moral do episódio: Rabi Yosei, o pai, embora sábio maior, teria se sentado curvado diante de Rebbi, reconhecendo sua superioridade; e seu filho, Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, que herdara a estatura de seu pai, também se sentava curvado diante de Rebbi. Mesmo assim, quando esse discípulo aparentemente inferior trouxe a tradição de seu pai, Rebbi não hesitou em abandonar sua própria posição e aceitar a palavra do ancião — um sinal de quanto os sábios se estimavam e respeitavam a verdade acima da hierarquia.
"Que ocupava o lugar de seus pais" — grande como seu pai.
"Sentava-se curvado diante de Rebbi" — por causa da honra do patriarcado, e não ensinava diante dele, embora fosse maior do que ele.
"Já o ancião ensinou assim" — engrandeceu-o e o elevou sobre si mesmo.
Disse Rav Nachman a Daru, seu servo: isola para mim o frio, e traz-me água que o cozinheiro gentio aqueceu. Rabi Ami ouviu e se indignou. Disse Rav Yosef: por que razão se indignou? Ele (Rav Nachman) agiu conforme seus mestres — uma coisa conforme Rav, e outra conforme Shmuel.
A Guemará narra o episódio de Rav Nachman, que em Shabat pediu a seu servo, Daru, que isolasse água fria para ele e que lhe trouxesse água que um cozinheiro gentio havia aquecido em dia de semana. Rabi Ami, ao ouvir isso, indignou-se com a aparente leniência. Rav Yosef defende Rav Nachman: cada uma de suas duas atitudes segue uma tradição legítima de seus próprios mestres, como a Guemará passa a explicar.
Como Shmuel — pois disse Rav Yehudá, em nome de Shmuel: é permitido isolar o frio. Como Rav — pois disse Rav Shmuel bar Rav Yitzchak, em nome de Rav: tudo o que se come cru como está não tem nele o problema de cozido de gentios.
A Guemará explica cada uma das duas atitudes de Rav Nachman: isolar a água fria segue a permissão de Shmuel, recém-discutida; e beber a água aquecida por um cozinheiro gentio segue uma tradição de Rav — a água, que pode ser bebida crua sem cozimento algum, não se enquadra na proibição rabínica de comida cozida por gentios, aplicável apenas a alimentos que não se comem crus.
Ele (Rabi Ami) entendia que uma pessoa importante é diferente (e por isso se preocupou).
A Guemará explica, ainda assim, por que Rabi Ami se indignou, mesmo reconhecendo que cada atitude de Rav Nachman tinha base legítima: para uma pessoa importante e publicamente observada, como Rav Nachman, existe uma preocupação adicional — quem o vê agir com leniência, mesmo legítima, pode não distinguir os fundamentos exatos e ser levado a agir com leniência além do permitido. Por isso Rabi Ami considerou inapropriado que Rav Nachman exibisse essa combinação de leniências diante de outros.
"Isola para mim o frio" — em Shabat.
"E traz-me água que o cozinheiro gentio aqueceu" — que um padeiro gentio a aqueceu, e em dia de semana; e para nos ensinar que não há nela o problema de cozido de gentios.
"Conforme seus mestres" — conforme seus próprios mestres.
"Pessoa importante é diferente" — pois quem o vê ser leniente acaba sendo leniente ainda mais.
Ensinaram os sábios: embora tenham dito que não se isola, mesmo com algo que não acrescenta calor, depois de escurecer, se alguém quiser acrescentar isolamento, pode acrescentar. Como se faz isso? Rabban Shimon ben Gamliel diz: tira-se os lençóis e deixa-se o glufkarin, ou tira-se o glufkarin e deixam-se os lençóis.
Uma baraita esclarece um caso intermediário: embora seja proibido, depois de escurecer, começar a isolar a panela mesmo com material que não acrescenta calor algum, é permitido acrescentar mais isolamento a uma panela que já estava isolada desde antes de escurecer. Rabban Shimon ben Gamliel explica o método prático: como se trocam as camadas de cobertura — lençóis, mais leves, e glufkarin, mais pesados e que retêm mais calor — retirando um tipo e deixando o outro, de modo que sempre haja alguma cobertura contínua sobre a panela, sem nunca deixá-la totalmente descoberta.
E assim também dizia Rabban Shimon ben Gamliel: só proibiram (isolar depois de escurecer) naquela mesma chaleira (em que a água foi aquecida), mas transferir de uma chaleira para outra é permitido. Ora, ele está resfriando-os agora (ao transferir) — estaria fervendo-os?!
Rabban Shimon ben Gamliel acrescenta outra leniência: a proibição de isolar depois de escurecer aplica-se apenas a manter a água ou o alimento na própria chaleira em que foram aquecidos, por temor de que a pessoa venha a mexer no fogo para reavivá-lo; mas transferir o conteúdo quente para outra chaleira, mesmo depois de escurecer, é permitido, pois esse próprio ato de transferência já resfria um pouco o conteúdo, tornando implausível o temor de que a pessoa queira fazê-lo ferver de novo — pelo contrário, ao transferir, ela está ativamente esfriando, não fervendo.
"Não se isola o quente depois de escurecer, mesmo com algo que não acrescenta calor" — como já dissemos, por temor de que encontre sua panela fria, ao querer isolá-la, e a faça ferver em Shabat; mas, se quiser acrescentar cobertura sobre cobertura depois de escurecer, pode acrescentar.
"Glufkarin" — (uma cobertura pesada), que tem mais calor do que os lençóis; e tira-se o glufkarin nos dias quentes, se houver temor de que o guisado se estrague por excesso de cobertura.
"Só proibiram" — isolar depois de escurecer, senão naquela chaleira em que (a água) foi aquecida, pois ali há por que decretar temor de que a faça ferver; mas transfere-a de uma chaleira para outra e isola — esta é a formulação da Tosefta, e é o mesmo que "transferiu-a de chaleira em chaleira, é permitido", pois agora não há por que decretar temor de que a faça ferver, já que agora está deliberadamente resfriando-a — estaria fervendo-a?! (pergunta retórica).
Quem isolou (a panela) e cobriu-a com algo que pode ser movido em Shabat, ou isolou-a com algo que não pode ser movido em Shabat mas cobriu-a com algo que pode ser movido em Shabat — este pode tirá-la e devolvê-la. Quem isolou e cobriu com algo que não pode ser movido em Shabat, ou isolou com algo que pode ser movido em Shabat e cobriu com algo que não pode ser movido em Shabat, se parte dela ficou descoberta, pode tirá-la e devolvê-la. E se não…
O daf se fecha com o início de uma nova Mishná, que distingue quatro combinações de material usado para isolar a panela por baixo e cobri-la por cima, conforme cada material possa ou não ser movido em Shabat (isto é, tenha ou não um uso permitido que o qualifique como "utensílio", em vez de mero entulho, como terra ou pedras soltas). Quando tanto o isolamento quanto a cobertura são de material que pode ser movido, ou quando ao menos a cobertura o é, a panela pode ser livremente tirada e devolvida, pois a cobertura movível pode simplesmente ser removida, expondo a panela sem tocar no isolamento. Quando, porém, tanto o isolamento quanto a cobertura são de material que não pode ser movido — ou quando apenas a cobertura não pode, mesmo que o isolamento por baixo possa —, a permissão de tirar e devolver depende de uma condição adicional: se parte da panela permaneceu visível e descoberta, pode-se ainda assim tirá-la e devolvê-la, segurando-a pela parte exposta, sem necessidade de tocar no material que não pode ser movido. A frase final, "e se não…", introduz o caso em que nenhuma parte ficou descoberta — mas a citação da Mishná é interrompida exatamente neste ponto, no meio da frase, com o texto de 51a terminando em "וְאִם לָאו" ("e se não"). Sua conclusão, "אֵינוֹ נוֹטֵל וּמַחֲזִיר" ("não pode tirá-la e devolvê-la"), e a Guemará que a segue, aparecem apenas no início de 51b.
"Isolou" — a panela com algo que pode ser movido; o que se colocou ao seu redor é algo pronto (qualificado como utensílio, e não mero entulho).
"E cobriu" — sobre sua boca, também com algo pronto, como um utensílio.
"Ou isolou com algo que não pode ser movido" — e cobriu com algo que pode ser movido.
"Este pode tirá-la e devolvê-la" — pois, já que a cobertura pode ser movida, descobre-se a panela e a segura; mas quem isolou e cobriu com algo que não pode ser movido, ou até isolou com algo que pode ser movido e cobriu com algo que não pode, se nenhuma parte de sua boca está descoberta, não pode tirá-la, pois não tem por onde segurá-la. E se disseres: que afaste o material ao redor, já que este pode ser movido, e a segure pelas paredes, inclinando-a de lado, e a cobertura cairá — como aquilo que aprendemos adiante, no perek "Notel" (142b), sobre a pedra sobre a boca do barril: inclina-se de lado e ela cai; e se estava entre os barris, levanta-se e inclina-se de lado, e ela cai — ali estabelecemos que se trata de quando esqueceu (a pedra ali); mas, quando a colocou deliberadamente, ela se torna base para algo proibido. E onde parte dela está descoberta, isso não é considerado transporte, pois apenas a vira de lado e a cobertura cai por si mesma.