Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud (HaMatznia) → Perek Yud-Alef (HaZorek)
הַזּוֹרֵק מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים

A resolução entre vasos grandes e pequenos, a medida padrão de purificação e a disputa dos amoraim do Ocidente; o hadran encerra o Perek Yud; abre-se o Perek Yud-Alef com a Mishná de quem lança de propriedade privada para pública

Shabbat 96a completa a resposta cortada em 95b, traz a baraita de Rav Asi sobre a medida padrão de purificação e a exceção do caco, a disputa de dois amoraim do Ocidente e o ensinamento de Rabi Eliezer — encerrando o Perek Yud com o hadran e abrindo o Perek Yud-Alef, HaZorek, com sua Mishná

96a abre completando, sem qualquer interrupção, a resposta "não é difícil —" deixada suspensa no fim de 95b: a tradição de Rav Asi, de que a medida de purificação plena de um vaso de barro é a que faz uma romã sair, refere-se a vasos grandes; e o ensinamento de Rava, de que um vaso cercado por tampa selada só se purifica quando a maior parte se quebra, refere-se a vasos pequenos — reconciliando os dois ditos de Rava sem contradição. Segue-se uma baraita citada por Rav Asi: a medida padrão que determina a purificação plena de um vaso de barro é a que faz líquido entrar nele, e não a que faz líquido apenas sair — essa medida menor foi dita somente quanto à impureza de um caco reaproveitado, pois, explica Mar Zutra filho de Rav Nachman, não se diz "traga outro caco para pôr debaixo deste caco": um caco já perfurado e gotejante é descartado de imediato, ao passo que um vaso inteiro se preserva mesmo com um furo pequeno, apenas colocando outro caco debaixo dele. Ulla relata então uma disputa entre dois amoraim da Terra de Israel, Rabi Yosei filho de Rabi Avin e Rabi Yosei bar Zavda: um diz que a medida é a de uma romã, e o outro, a de uma raiz pequena — posições extremas, lembradas pelo mnemónico "um que aumenta e um que diminui". Rav Chinnana bar Kahana, em nome de Rabi Eliezer, ensina uma posição intermediária: a medida é a que faz azeitonas sair; e Mar Kashisha filho de Rabá completa, também em nome de Rabi Eliezer, que tais vasos passam a equivaler a vasos de esterco, de pedra e de terra não cozida, que não recebem impureza nem por lei da Torá nem por decreto rabínico — mas, quanto à tampa selada, a regra permanece a de que só se purifica quando a maior parte se quebra. Com isso a Guemará encerra toda a discussão sobre vasos de barro, e a folha registra o hadran, a fórmula de encerramento do Perek Yud, HaMatznia. Sem qualquer pausa no texto original, 96a prossegue de imediato com a Mishná de abertura do Perek Yud-Alef, HaZorek ("quem lança"): quem lança um objeto de propriedade privada para propriedade pública, ou desta para aquela, é responsável; mas quem lança de uma propriedade privada a outra, com a via pública entre as duas, é objeto de disputa entre Rabi Akiva, que responsabiliza, e os Sábios, que isentam — ilustrada pelo caso de duas sacadas, e comparada ao serviço dos levitas de passar as vigas do Tabernáculo de carroça em carroça.

Nota — a folha completa a resposta interrompida em 95b

95b terminara no meio da resposta "לָא קַשְׁיָא" ("não é difícil —") à contradição entre os dois ditos de Rava sobre a medida de purificação de um vaso de barro cercado por tampa selada. Confirmado via Sefaria, 96a abre completando exatamente essa resposta: a medida da romã refere-se a vasos grandes, e a exigência de quebrar a maior parte refere-se a vasos pequenos.

A resolução: vasos grandes e vasos pequenos · הָא בְּרַבְרְבֵי וְהָא בְּזוּטְרֵי

220Completa-se a resposta: a medida da romã vale para vasos grandes; a exigência de quebrar a maior parte vale para vasos pequenos
A Guemará
הָא בְּרַבְרְבֵי, וְהָא בְּזוּטְרֵי.

Completa-se a resposta: — isto, a medida do furo de romã que Rav Asi ouviu, dita quanto a vasos grandes; e isto, a exigência de que a maior parte se quebre, dita por Rava, quanto a vasos pequenos — pois num vaso grande, mesmo cercado por tampa selada, um furo de romã já basta para que ele não proteja mais o que está dentro; mas num vaso pequeno, esse mesmo furo seria proporcionalmente enorme, quase o vaso inteiro, e por isso só a quebra da maior parte o desqualifica.

Nota

A resposta reconcilia os dois ensinamentos de Rava sem contradição: em vasos grandes, um furo do tamanho que deixa sair uma romã já é proporcionalmente pequeno em relação ao vaso inteiro, e por isso basta para retirar-lhe a proteção de tampa selada; mas Rava exigira a quebra da maior parte apenas para vasos pequenos, nos quais um furo de romã representaria uma fração enorme do vaso — próxima da quebra total —, de modo que os dois ensinamentos, aplicados a categorias diferentes de vasos, não se contradizem.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "berarbrevei" e "bezutrei"
ברברבי - ברובו: זוטרי - כמוציא רמון בטל ליה מכלי:

"'Em vasos grandes'" — refere-se à exigência de quebrar a maior parte do vaso. "'Em vasos pequenos'" — com um furo do tamanho que faz uma romã sair, o vaso já perde seu estatuto de vaso.

221A baraita de Rav Asi: a medida padrão é o líquido que entra; a medida do líquido que sai é exclusiva do caco, segundo Mar Zutra
Rav Asi; Mar Zutra bar Rav Nachman
אָמַר רַב אַסִּי, שׁוֹנִין: כְּלֵי חֶרֶס שִׁיעוּרוֹ בְּכוֹנֵס מַשְׁקֶה. וְלֹא אָמְרוּ מוֹצִיא מַשְׁקֶה אֶלָּא לְעִנְיַן גִּיסְטְרָא בִּלְבַד. מַאי טַעְמָא? אָמַר מָר זוּטְרָא בְּרֵיהּ דְּרַב נַחְמָן: לְפִי, שֶׁאֵין אוֹמְרִים ״הָבֵא גִּיסְטְרָא לְגִיסְטְרָא״.

Disse Rav Asi: ensina-se numa baraita: a medida que determina a purificação plena de um vaso de barro é um furo na medida que faz líquido entrar nele. E não disseram que basta um furo na medida que faz líquido sair, exceto quanto a impureza de um caco somente. Qual é a razão? Disse Mar Zutra filho de Rav Nachman: porque não se diz "traga outro caco para pôr debaixo de este caco".

Nota

Rav Asi traz uma baraita que estabelece, como regra geral, que a purificação plena de um vaso de barro exige um furo grande o bastante para que líquido entre nele — uma medida maior que a de simplesmente vazar. A medida menor, de vazamento, só se aplica ao caso especial de um caco reaproveitado (um pedaço de vaso quebrado que, apesar de quebrado, ainda serve para algum uso e por isso recebe impureza): esse caco, quando perfurado mesmo levemente, já perde de imediato seu estatuto, pois — explica Mar Zutra — ninguém se dá ao trabalho de arranjar mais um caco para colocar debaixo de um caco que já goteja; ele é simplesmente descartado. Mas um vaso inteiro, valioso, não se descarta por um furo pequeno: coloca-se um caco debaixo dele para recolher o gotejar, e o vaso continua em uso — por isso, para ele, a medida de purificação exige um furo maior, que já impeça reter líquido.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shonin", "kli cheres", "kechones mashke" e "she'ein omrim have gistra"
שונין - התנאים שונין ברייתא: כלי חרס - דשיעור הראשון האמור בו לבטלו במקצת משום כלי: ככונס משקה - הוא דמבטל ליה מיהא מתורת מי חטאת ולא אמרו נקב מוציא משקה חשוב נקב לכלים אלא לגיסטרא דהתם ודאי אי נקבה הכי כמוציא משקה משדא שדי ליה: שאין אומרים הבא גיסטרא - אחרת לגיסטרא זו להניח תחתיה לקבל הטיפין אבל כלי שלם חסין עליו ומשום נקב פורתא לא שדו ליה ומניחין גיסטרא תחתיו:

"'Ensina-se'" — os Tanaítas ensinam isso numa baraita. "'Vaso de barro'" — pois a primeira medida mencionada a seu respeito (a que faz líquido sair) serve apenas para anulá-lo parcialmente de seu estatuto de vaso. "'Na medida que faz líquido entrar'" — é isso que o anula, ao menos, da lei das águas de purificação com cinzas da vaca vermelha; e não disseram que um furo na medida que faz líquido sair é considerado furo relevante para anular o estatuto de vasos, exceto quanto a um caco — pois ali, certamente, se o caco foi perfurado assim, na medida que faz líquido sair, a pessoa simplesmente o descarta. "'Pois não se diz: traga outro caco'" — para pôr debaixo de este caco, para recolher as gotas; mas um vaso inteiro as pessoas preservam, e por causa de um furo pequeno não o descartam, mas põem um caco debaixo dele.

A disputa dos amoraim do Ocidente e o ensinamento de Rabi Eliezer · פְּלִיגִי בַּהּ תְּרֵי אָמוֹרָאֵי בְּמַעְרְבָא

222Ulla relata a disputa dos dois amoraim do Ocidente; o mnemônico; Rabi Eliezer ensina a medida de azeitonas e a equiparação a vasos de esterco, pedra e terra
Ulla; Rav Chinnana bar Kahana; Mar Kashisha bar Rabá
אָמַר עוּלָּא: פְּלִיגִי בַּהּ תְּרֵי אָמוֹרָאֵי בְּמַעְרְבָא, רַבִּי יוֹסֵי בְּרַבִּי אָבִין וְרַבִּי יוֹסֵי בַּר זַבְדָּא. חַד אָמַר כְּמוֹצִיא רִמּוֹן, וְחַד אָמַר: כְּשׁוֹרֶשׁ קָטָן. וְסִימָנָיךְ, אֶחָד הַמַּרְבֶּה וְאֶחָד הַמַּמְעִיט. אָמַר רַב חִינָּנָא בַּר כָּהֲנָא מִשְּׁמֵיהּ דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר: כְּלִי חֶרֶס שִׁיעוּרוֹ כְּמוֹצִיא זֵיתִים. וּמָר קַשִּׁישָׁא בְּרֵיהּ דְּרַבָּה מְסַיֵּים בַּהּ מִשְּׁמֵיהּ דְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר: וַהֲרֵי הֵן כִּכְלֵי גְלָלִים וּכְלֵי אֲבָנִים וּכְלֵי אֲדָמָה — שֶׁאֵין מְקַבְּלִין טוּמְאָה לֹא מִדִּבְרֵי תוֹרָה וְלֹא מִדִּבְרֵי סוֹפְרִים. וּלְעִנְיַן צָמִיד פָּתִיל, עַד שֶׁיִּפְחַת רוּבּוֹ.

Disse Ulla: dois amoraim discordam quanto a isso , quanto à medida que torna sementes aptas a receber impureza, na Terra de Israel (o Ocidente) — Rabi Yosei filho de Rabi Avin e Rabi Yosei bar Zavda. Um diz que a medida é a que faz uma romã sair, e um diz: a de uma raiz pequena. E teu mnemônico para lembrar quem disse o quê: "um que aumenta e um que diminui" — posições extremas, para que não penses que um deles disse a medida intermediária de azeitona. Disse Rav Chinnana bar Kahana em nome de Rabi Eliezer: a medida de um vaso de barro , para essa purificação, é a que faz azeitonas sair. E Mar Kashisha filho de Rabá completa o ensinamento, também em nome de Rabi Eliezer: e eles , os vasos perfurados nessa medida, são como vasos de esterco, vasos de pedra e vasos de terra não cozida — que não recebem impureza nem por palavra da Torá, nem por palavra dos Sábios. E quanto à tampa selada, a regra permanece que o vaso só se purifica até que a maior parte dele se quebre.

Nota

Ulla relata uma disputa paralela entre dois sábios da Terra de Israel sobre a medida que torna sementes aptas a receber impureza dentro de um vaso perfurado (o tema originalmente discutido em 95b, antes do desvio para as cinco medidas de Rava): um propõe a medida máxima, a de romã; o outro, a mínima proposta em qualquer lugar dessa sugya, a de uma raiz pequena — e o mnemônico "um que aumenta, um que diminui" evita a confusão de supor que um deles tivesse escolhido a posição intermediária de azeitona. Essa posição intermediária é justamente a que Rav Chinnana bar Kahana relata em nome de Rabi Eliezer, como medida de purificação plena de um vaso de barro comum: um furo do tamanho que faz azeitonas sair. Mar Kashisha completa o ensinamento com sua consequência prática — um vaso assim perfurado passa a equivaler, para todos os efeitos de pureza ritual, a vasos feitos de esterco, pedra ou barro não cozido, que nunca tiveram estatuto de vaso de barro e por isso nunca recebem impureza, nem por lei bíblica nem por decreto rabínico. Apenas quanto à proteção de uma tampa selada contra a impureza de um cadáver a regra permanece mais exigente: só a quebra da maior parte do vaso — não um simples furo de azeitona — cancela essa proteção, retomando e confirmando o próprio ensinamento de Rava.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "pligi bah", "vesimanach", "shiuro kemotzi zeitim" e "harei hen kichlei gelalim"
פליגי בה - בהכשר זרעים: וסימן - דלא תיטעי למימר חד אמר כמוציא זית: אחד המרבה ואחד הממעיט ובלבד שיכוין כו' - ברייתא היא (מנחות קי.) והיא לך לסימן שאחד מן האמוראים ריבה לשער בגדול שבשלשתן ואחד ממעט לשער בקטן שבשלשתן ולא בבינוני כונס משקה ומוציא משקה ליכא למיטעי בהן לענין זרעים: שיעורו כמוציא זיתים - ליטהר מטומאה: הרי הוא ככלי גללים - משניקב כמוציא זית ואפילו יחדום לרמונים והא דתנן כלי בעלי בתים שיעורן כרמונים גבי כלי עץ תנינן לה במסכת כלים (פ"יז מ"א):

"'Discordam quanto a isso'" — quanto a tornar sementes aptas a receber impureza. "'E teu mnemônico'" — para que não erres, supondo que um deles disse a medida de azeitona. "'Um que aumenta e um que diminui, contanto que dirija seu coração' etc." — é uma baraita (Menachot 110a, dita ali sobre ofertas, e usada aqui apenas como mnemônico), e serve-te de sinal de que um dos amoraim aumentou, medindo pela maior das três medidas em disputa, e um diminuiu, medindo pela menor das três — e não pela intermediária; quanto ao líquido que entra e ao líquido que sai , discutidos antes, não há como errar quanto a eles em relação a sementes , pois são medidas de outro contexto. "'Sua medida é a que faz azeitonas sair'" — para se purificar da impureza. "'Eis que são como vasos de esterco'" — depois de perfurado na medida que faz azeitona sair, mesmo que o dono os tenha destinado a romãs; e aquilo que ensinamos, que "a medida dos vasos de donos de casa é a de romãs", ensina-se a respeito de vasos de madeira, em Massechet Kelim (17:1).

Fim do Perek Yud · HaMatzniaהַדְרָן עֲלָךְ הַמַּצְנִיעַ
Nota sobre a transição

Com a disputa dos amoraim do Ocidente e o ensinamento de Rabi Eliezer sobre a medida de azeitonas, encerra-se todo o Perek Yud, HaMatznia ("quem guarda"), que se abrira ainda dentro do daf 90b, com a Mishná sobre quem guarda algo para semente, amostra ou remédio. Ao longo de mais de cinco folhas, o perek percorreu a reconsideração da finalidade do que se transporta, a disputa Chizkiya/Rabi Yochanan sobre "egued kli", a isenção de Rabi Shimon para quem transporta um morto, os sinais de impureza da lepra, o corte de unhas e cabelo e o embelezamento feminino, a baraita de ordenhar, coalhar e fazer queijo, a permissão de Ameimar para aspergir água, e a extensa sugya sobre o vaso perfurado — a pureza de sementes, a raiz oposta ao furo, e as cinco medidas de Rava em vasos de barro. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach HaMatznia" ("Retornaremos a você, HaMatznia"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.

Início do Perek Yud-Alef · HaZorekתְּחִלַּת פֶּרֶק יא · הַזּוֹרֵק

Nova Mishná: quem lança de propriedade privada para pública · הַזּוֹרֵק מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים

223Mishná: quem lança de propriedade privada para pública, ou desta para aquela, é responsável; quem lança de uma privada a outra, com a pública entre as duas, é disputa entre Rabi Akiva e os Sábios
Mishná
הַזּוֹרֵק מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים, מֵרְשׁוּת הָרַבִּים לִרְשׁוּת הַיָּחִיד — חַיָּיב. מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הַיָּחִיד וּרְשׁוּת הָרַבִּים בָּאֶמְצַע — רַבִּי עֲקִיבָא מְחַיֵּיב, וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין.

MISHNÁ. Quem lança um objeto em Shabat de propriedade privada para propriedade pública, ou de propriedade pública para propriedade privada — é responsável. Quem lança de propriedade privada para outra propriedade privada, com propriedade pública no meio entre as duas — Rabi Akiva responsabiliza, e os Sábios isentam.

Nota — abre-se o Perek Yud-Alef, HaZorek

Abre-se aqui o Perek Yud-Alef, cujo nome, HaZorek ("quem lança"), vem de suas primeiras palavras. A Mishná estabelece a responsabilidade básica de quem lança um objeto entre propriedade privada e pública em Shabat — paralela à de quem carrega e caminha, já discutida em perakim anteriores, mas aplicada ao ato de lançar à distância. O caso mais sutil é o de lançar de uma propriedade privada a outra propriedade privada, separada da primeira pela via pública: como o objeto passa pelo ar sobre a via pública sem que ninguém carregue nem caminhe ali, surge a disputa entre Rabi Akiva, que ainda assim responsabiliza — considerando que a passagem do objeto pelo espaço aéreo da via pública já constitui a transgressão —, e os Sábios, que isentam, por não considerarem essa passagem aérea equivalente ao transporte proibido.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "matni' hazorek, rabi akiva mechayev"
מתני' הזורק רבי עקיבא מחייב - טעמא מפרש בגמרא:

"'MISHNÁ: quem lança... Rabi Akiva responsabiliza'" — a razão da disputa se explica na Guemará , em 97a.

224Como assim — duas sacadas na mesma linha ou em linhas diferentes; o serviço dos levitas com as carroças e as vigas
Mishná (continuação)
כֵּיצַד? שְׁתֵּי גְזוּזְטְרָאוֹת זוֹ כְּנֶגֶד זוֹ בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, הַמּוֹשִׁיט וְהַזּוֹרֵק מִזּוֹ לָזוֹ — פָּטוּר, הָיוּ שְׁתֵּיהֶן בִּדְיוֹטָא אַחַת — הַמּוֹשִׁיט חַיָּיב וְהַזּוֹרֵק פָּטוּר, שֶׁכָּךְ הָיְתָה עֲבוֹדַת הַלְוִיִּם. שְׁתֵּי עֲגָלוֹת זוֹ אַחַר זוֹ בִּרְשׁוּת הָרַבִּים, מוֹשִׁיטִין הַקְּרָשִׁים מִזּוֹ לָזוֹ, אֲבָל לֹא זוֹרְקִין.

Como assim é o caso de duas propriedades privadas com a pública no meio? Se havia duas sacadas, uma em frente à outra, sobre a via pública — quem passa um objeto de mão em mão e quem lança o objeto pelo ar de uma para outra — ambos são isentos. Se as duas sacadas estavam na mesma fileira, do mesmo lado da via pública — quem passa de mão em mão é responsável, e quem lança é isento, pois assim era o serviço dos levitas ao carregar as vigas do Tabernáculo. Havia duas carroças, uma atrás da outra, na via pública; os levitas passavam as vigas de uma para a outra de mão em mão, mas não as lançavam.

Nota — segmento continua em 96b

A Mishná ilustra sua própria distinção com dois casos concretos. Primeiro, duas sacadas privadas situadas uma de frente para a outra, nos dois lados opostos da via pública: nesse arranjo, tanto passar um objeto de mão em mão quanto lançá-lo pelo ar são isentos — pois nem uma nem outra ação corresponde a um precedente encontrado no serviço do Tabernáculo. Segundo, duas sacadas situadas do mesmo lado da via pública, na mesma fileira ao longo dela: aqui, passar de mão em mão é responsável, porque esse foi exatamente o método usado pelos levitas ao carregar as vigas pesadas do Tabernáculo entre duas carroças alinhadas uma atrás da outra na via pública — mas lançar pelo ar permanece isento, pois as vigas, por serem pesadas, nunca eram lançadas, somente passadas de mão em mão. A Mishná — e com ela a folha — termina aqui; confirmado via Sefaria, a Guemará de 96b abrirá explicando em detalhe a razão da disputa entre Rabi Akiva e os Sábios quanto ao caso do meio.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "keitzad shetei gezuztraot", "gezuztraot", "zo keneged zo", "patur", "hayu shteihen bedeyota achat" e "shekach hayeta avodat halviim"
כיצד שתי גזוזטראות כו' - רבנן קאמרי להו: גזוזטראות - זיזין היוצאין מן הכותל ומניחין עליהן נסרים להלך: זו כנגד זו - בשני צידי רה"ר והן רה"י שגבוהות י' ורחבות ד': פטור - שלא מצינו זריקה והושטה במלאכת המשכן מרה"י לרשות היחיד ורחב רה"ר מפסיק ביניהן שלא היתה עבודת הלוים כך להושיט קרשים מעגלה לעגלה שבצדה אלא לעגלה שלפניה (ושלאחריה) שארבע עגלות היו לבני מררי שהיו נושאין קרשי המשכן והן הולכין שתים כאחד זו בצד זו כדאמרינן בגמ' וכשהיו פורקין את המשכן לטעון על העגלות היו מעמידין העגלות כדרך הליכתן שתים זו אצל זו סמוך למשכן ושתים זו אצל זו לפניהם דרך הליכתן לאורך רה"ר שהיו רוצים להלך אחר עמוד הענן ההולך לפניהם ופורקי המשכן היו מושיטין הקרשים לאותן שעל שתי העגלות הסמוכות למשכן והן מושיטין לאותן שלפניהם אבל מעגלה לעגלה שבצדה לא היו צריכין להושיט שהרי שתיהן סמוכות לפורקי המשכן: היו שתיהן בדיוטא אחת - כלומר בעלייה אחת באורך רה"ר על פני הבית ויש הפסק רה"ר ביניהם: הזורק פטור - הואיל ולמעלה מי' ולא מצינו זריקה מרה"י לרה"י דרך רה"ר במשכן לא באורך ולא ברוחב: והמושיט חייב - שמצינו הושטה כיוצא בה למעלה מי' במשכן מרה"י לרה"י וקצת אורך רשות הרבים מפסיק ביניהם: שכך היתה עבודת הלוים - ומפרש ואזיל כיצד מצינו כזו בעבודתן שבשתי עגלות זו אחר זו ברשות הרבים פורקי משכן מושיטין לאותן שעל העגלות שאצלן והן מושיטין לאלו שלפניהם אבל לא זורקין שאין אותן קרשים נזרקות מפני כובדן:

"'Como assim: duas sacadas...'" — é os Sábios que as descrevem, explicando o caso em que isentam. "'Sacadas'" — saliências que se projetam da parede, sobre as quais se colocam tábuas para caminhar. "'Uma em frente à outra'" — nos dois lados da via pública, e elas são propriedade privada, por serem altas dez palmos e largas quatro. "'Isento'" — pois não encontramos lançar nem passar de mão em mão na obra do Tabernáculo de uma propriedade privada a outra propriedade privada com a largura da via pública separando-as, pois o serviço dos levitas não era assim, de passar as vigas de uma carroça para a carroça ao seu lado, mas sim para a carroça à sua frente (e atrás dela), pois havia quatro carroças para os filhos de Merari, que carregavam as vigas do Tabernáculo, e elas iam duas a duas, lado a lado, conforme dizemos na Guemará; e quando desmontavam o Tabernáculo para carregá-lo nas carroças, colocavam as carroças na ordem de sua marcha — duas lado a lado perto do Tabernáculo, e duas lado a lado à frente delas, na direção de sua marcha ao longo da via pública, pois queriam seguir a coluna de nuvem que ia à frente deles; e os que desmontavam o Tabernáculo passavam as vigas para os que estavam nas duas carroças próximas ao Tabernáculo, e estes as passavam para os que estavam à frente deles; mas de uma carroça para a carroça ao seu lado não precisavam passar, pois ambas estavam igualmente próximas dos que desmontavam o Tabernáculo. "'As duas sacadas estavam na mesma fileira'" — isto é, no mesmo andar, ao longo da via pública, do lado de fora da casa, com a via pública separando-as. "'Quem lança é isento'" — visto que isso se passa acima de dez palmos, e não encontramos lançar de propriedade privada a propriedade privada pela via pública no Tabernáculo, nem ao longo nem à largura. "'E quem passa de mão em mão é responsável'" — pois encontramos algo semelhante a isso, acima de dez palmos, no Tabernáculo, de propriedade privada a propriedade privada, com um trecho da via pública ao longo separando-as. "'Pois assim era o serviço dos levitas'" — e a Mishná passa a explicar: como encontramos algo assim em seu serviço? Que, com duas carroças uma atrás da outra na via pública, os que desmontavam o Tabernáculo passavam as vigas para os que estavam nas carroças ao seu lado, e estes as passavam para os que estavam à frente deles; mas não lançavam, pois aquelas vigas não se lançavam, por causa de seu peso.