Shabbat 103b continua diretamente a sugya aberta ao final de 103a, ainda dentro do Perek Yud-Bet, HaBoneh, resolvendo a dificuldade deixada em suspenso sobre a expressão “de uma” no versículo do líder que peca por engano. A Guemará conclui: não basta uma única letra, um único fio, ou uma única casa de peneira — a resposta final é que ninguém fica obrigado até que escreva um nome pequeno contido dentro de um nome grande (como “Shem” de “Shimon”), citando novamente os exemplos de Rabi Yehuda, que acrescenta que mesmo duas letras iguais, como “shesh” ou “tet”, já obrigam. Rabi Yosei objeta que a obrigação por duas letras nunca decorreu do ato de escrever, mas apenas de marcar — como faziam nas tábuas do Tabernáculo para identificar seus pares — de modo que até um simples risco já obriga. Rabi Shimon, por sua vez, deriva do mesmo versículo que a obra só se completa quando perdura, e não quando se limita a uma letra, um fio, ou uma casa isolada; Rabi Yosei acrescenta que, conforme a expressão dobrada do versículo (“fez uma”, “fez estas”), às vezes uma só culpa cobre várias transgressões, e às vezes cada uma exige sua própria oferta. A Guemará então retorna à baraita citada anteriormente, explicando que a opinião de Rabi Yehuda sobre duas letras iguais é, na verdade, a de seu mestre, Rabán Gamliel, e não a sua própria; pergunta se Rabi Shimon concorda com o primeiro sábio anônimo quanto ao caso de álef álef da palavra “Aazerchá”, citando uma baraita paralela sobre quem perfura, raspa, curte ou desenha qualquer quantidade, onde Rabi Shimon exige a obra completa — o que mostra que sua posição, aqui, é de fato mais estrita, e não mais branda. Rabi Yossei bar Rabi Chanina explica então a razão da opinião de Rabi Yosei sobre “uma” e “estas”, “de uma” e “destas”: há casos de transgressão cometida com premeditação quanto ao Shabat mas por engano quanto às obras específicas, e casos do inverso. Volta-se então à mishná: Rabi Yehuda dizia ter encontrado nome pequeno dentro de nome grande, mas a Guemará questiona a semelhança, já que a letra mem de “Shem” é fechada e a de “Shimon” é aberta; Rav Chisda resolve que uma letra fechada tornada aberta é válida mesmo num rolo da Torah. Uma baraita objeta, citando a exigência de escrita perfeita (“uchtavtam”) para tefilin e mezuzot, que proíbe expressamente confundir formas de letras, inclusive fechadas e abertas. A Guemará resolve que Rav Chisda seguia a opinião de Rabi Yehuda ben Beteira, que encontra, nas repetições do texto sobre as libações de Sucot, uma alusão à libação de água a partir das letras mem, iud, mem — formando a palavra “água” (mayim), com uma letra final fechada lida como se fosse aberta. Dessa alusão, deduz-se que, assim como uma letra aberta tornada fechada é válida, também uma fechada tornada aberta o é. A folha termina com uma nova pergunta da Guemará, questionando essa mesma comparação — será que é semelhante? — no caso inverso, de uma letra aberta tornada fechada; a resposta fica para o daf 104a.
(continuação de 103a) — por isso o texto ensina, dizendo: "uma." Como assim? Não fica obrigado até que escreva um nome pequeno dentro de um nome grande — "Shem" de Shimon e de Shmuel, "Nôach" de Nachor, "Dan" de Daniel, "Gad" de Gadiel. Rabi Yehuda diz: mesmo que não tenha escrito senão duas letras, e elas sejam um único nome — está obrigado, como por exemplo: "shesh", "tet", "rar", "gag", "chach".
Confirmado via Sefaria: aqui, no início de 103b, chega finalmente a resposta para a dificuldade deixada em aberto ao final de 103a. A baraita havia perguntado: se a palavra "de uma" (me'achat) ensina que basta uma obra parcial para gerar responsabilidade, poder-se-ia pensar que já bastaria escrever uma única letra, tecer um único fio, ou fazer uma única "casa" na peneira? A resposta, trazida pela própria palavra "uma" (sem o prefixo "de"), restabelece um limite: não basta qualquer fragmento mínimo, mas é necessário que a "parte" realizada já constitua, por si mesma, algo com identidade própria e reconhecível — no caso da escrita, um nome pequeno que exista de fato dentro do nome maior que a pessoa pretendia escrever, como "Shem" (as duas primeiras letras de "Shimon" ou de "Shmuel"), "Nôach" (de "Nachor"), "Dan" (de "Daniel"), ou "Gad" (de "Gadiel") — repetindo aqui, como conclusão, os mesmos quatro exemplos que Rabi Yehuda já havia trazido na mishná. A baraita acrescenta a opinião de Rabi Yehuda de que, mesmo sem formar um nome menor contido num nome maior, duas letras iguais entre si — como "shesh", "tet", "rar", "gag" ou "chach" — já obrigam, desde que constituam, elas mesmas, uma palavra completa e independente.
"'O texto ensina, dizendo: uma'" — que seja uma obra completa, num único lugar. "'Shem de Shimon'" — e, quanto à peça de roupa, também dois fios, e, quanto à peneira, duas casas, é que se mantêm assim, pois ninguém tece uma peça de roupa num único dia nem faz uma peneira de uma só vez — mas começa e faz o suficiente para que permaneça, sem que se desfaça por si mesmo. "'Mesmo que não tenha escrito'" — de uma palavra grande. "'Senão duas letras de um único nome, como shesh, tet'" — e elas são (parte) de palavras grandes, como "shesh" de "Sheshbatzar" ou de "Sheshach", "sheshám"; "tet" de "Tatra'u", "Tetnu"; e tanto mais se, desde o início, teve a intenção (de escrever apenas) a palavra pequena.
Disse Rabi Yosei: e acaso é por causa (da melachá) de escrever que ele fica obrigado?! Mas não fica obrigado senão por causa de marca, pois assim marcavam sobre as tábuas do Tabernáculo, para saber qual era o seu par. Por isso, riscou um único risco sobre duas tábuas, ou dois riscos sobre uma única tábua — está obrigado.
Rabi Yosei desafia a própria premissa da discussão sobre "nome pequeno dentro de nome grande": para ele, a responsabilidade por escrever duas letras nunca decorreu da melachá de escrever propriamente dita — que exigiria formar palavras com sentido — mas apenas da noção de "marcar" (roshem), uma categoria mais ampla e menos exigente. A fonte é o próprio Tabernáculo: como as tábuas de madeira que formavam suas paredes precisavam ser desmontadas e remontadas repetidamente durante as viagens do povo no deserto, os artesãos marcavam cada tábua com um sinal simples, para saber qual tábua formava par com qual outra, garantindo que a estrutura fosse remontada exatamente na mesma ordem. Como consequência dessa base diferente, Rabi Yosei conclui que nem sequer é necessário escrever duas letras reais: basta um único risco (sem forma de letra) feito sobre duas tábuas diferentes — de modo que, juntando as duas tábuas, o risco forma um desenho contínuo e reconhecível como marca de correspondência — ou dois riscos separados feitos sobre uma única tábua, para já gerar responsabilidade.
Rabi Shimon diz: "e fez uma" — poder-se-ia pensar que (a obrigação só se dá) até que escreva todo o nome, até que teça toda a peça de roupa, até que faça toda a peneira — por isso o texto ensina, dizendo: "de uma." Se (se ensina) "de uma", poder-se-ia pensar que, mesmo que não tenha escrito senão uma única letra, e mesmo que não tenha tecido senão um único fio, e mesmo que não tenha feito senão uma única casa na peneira (já ficasse obrigado) — por isso o texto ensina, dizendo: "uma." Como assim? Não fica obrigado até que realize uma obra que, quando semelhante a ela, perdura.
Rabi Shimon, citado agora com sua própria formulação completa, percorre exatamente a mesma dialética de "uma" e "de uma" que a baraita anônima já havia trilhado (e que 103a deixou inacabada), mas chega a uma síntese diferente e mais precisa: o critério decisivo não é nem a conclusão total da obra pretendida, nem qualquer fragmento mínimo dela, mas sim que a "parte" realizada seja de um tipo que, quando feita dessa forma em outras circunstâncias, permanece e não se desfaz sozinha. Essa é a formulação que Rashi já havia antecipado em 103a como resposta a "quem faz apenas uma casa na peneira": mesmo uma única casa, isoladamente, normalmente se desfaz, e por isso, segundo esse critério, não bastaria; mas duas casas já formam uma estrutura mínima que se sustenta. Da mesma forma, uma única letra isolada não constitui, por si, algo que "perdura" com sentido — mas duas letras que formam um nome pequeno reconhecido, sim.
"'Que, quando semelhante a ela, perdura'" — e mais adiante a Guemará pergunta: isso não é o mesmo que a opinião do primeiro sábio anônimo?
Rabi Yosei diz: "e fez uma", "e fez estas" — às vezes fica obrigado por uma só, por todas (juntas), e às vezes fica obrigado por cada uma e cada uma (separadamente).
A baraita acrescenta, por fim, a opinião de Rabi Yosei, que lê o mesmo versículo (Vayikrá 4:2) de outro ângulo: a expressão "e fez uma delas (de todas estas)" combina, de forma incomum, tanto a palavra "uma" quanto a palavra "estas" (no plural), sugerindo duas situações opostas — casos em que uma única oferta pelo pecado cobre várias transgressões cometidas por engano, e casos em que cada transgressão exige sua própria oferta separada. Rashi observa que essa afirmação será explicada com mais detalhe adiante na própria sugya, o que de fato acontece a seguir, após uma digressão sobre os limites das opiniões de Rabi Yehuda e Rabi Shimon.
"'Rabi Yosei diz'" — (a Guemará) explica sua afirmação mais adiante.
De todo modo, ensina-se: Rabi Yehuda diz: mesmo que não tenha escrito senão duas letras, e elas sejam um único nome — está obrigado. Não é difícil: esta (opinião) é dele mesmo, e aquela é do seu mestre. Pois foi ensinado (numa outra baraita): Rabi Yehuda diz em nome de Rabán Gamliel: mesmo que não tenha escrito senão duas letras, e elas sejam um único nome — está obrigado, como por exemplo: "shesh", "tet", "rar", "gag", "chach".
A Guemará observa uma tensão dentro da própria baraita citada acima: por um lado, ela atribui a Rabi Yehuda a exigência de que as duas letras formem um "nome pequeno dentro de nome grande" (como "Shem" de "Shimon"); por outro, a mesma baraita, um pouco antes, já havia registrado que "Rabi Yehuda diz: mesmo que não tenha escrito senão duas letras iguais... está obrigado" — sem exigir que formem parte de um nome maior. A Guemará resolve que não há contradição real: a opinião mais exigente ("nome pequeno dentro de nome grande") é a posição pessoal de Rabi Yehuda; já a opinião mais permissiva (duas letras iguais bastam, mesmo sem nome maior) não é dele mesmo, mas sim algo que ele meramente transmite em nome de seu mestre, Rabán Gamliel, como se vê numa baraita paralela que atribui essa mesma formulação explicitamente "a Rabi Yehuda, em nome de Rabán Gamliel".
Rabi Shimon, não é o mesmo que o primeiro sábio anônimo (da baraita sobre "quem perfura qualquer quantidade")? E se disseres que há (uma diferença) entre eles quanto ao álef álef de "Aazerchá" — pois o primeiro sábio anônimo entende que o álef álef de "Aazerchá" não obriga, e Rabi Shimon entende que, já que isso se encontra em amuletos comuns, está obrigado — isso viria a dizer que Rabi Shimon (tende) à estringência?
A Guemará observa que a formulação de Rabi Shimon — "não fica obrigado até que realize uma obra que, quando semelhante a ela, perdura" — soa muito parecida com a posição do primeiro sábio anônimo (tana kama) de uma baraita paralela, que trata de outras melachot com o mesmo critério de "obra completa". A Guemará então propõe uma possível diferença prática entre os dois: a palavra "Aazerchá" ("Eu te cingirei", Yeshaiáhu 45:5) contém, em sua grafia, duas letras álef seguidas (א-א). O primeiro sábio anônimo, segundo essa proposta, sustentaria que escrever apenas essas duas letras álef não obriga, pois elas não formam nenhuma palavra própria e completa em nenhum outro lugar da Escritura; já Rabi Shimon sustentaria que, como essa combinação de duas letras é conhecida por aparecer, como fórmula própria, em amuletos e escritos mágicos comuns (mesmo sem ser uma "palavra" no sentido bíblico), ela já constitui algo que "perdura" o suficiente para obrigar. Se essa fosse de fato a diferença entre as duas opiniões, isso significaria, surpreendentemente, que Rabi Shimon é o mais estrito dos dois — o que a Guemará considera implausível e está prestes a refutar.
"'É o mesmo que o primeiro sábio anônimo'" — (quanto ao caso de) "shesh", "tet". "'E se disseres que há (diferença quanto ao) álef álef de Aazerchá'" — que são duas letras de uma palavra grande, mas não encontramos que sejam uma palavra pequena em todo o texto bíblico. "'Já que isso se encontra em amuletos'" — amuletos e escritos de feitiçaria e de (invocação de) nomes, chamados, em língua latina, pelos hereges, de "clotoros"; e os escribas costumam escrever neles palavras de duas letras que não são palavras (com sentido) em nenhum outro lugar.
Mas não foi ensinado (numa outra baraita): quem perfura qualquer quantidade está obrigado; quem raspa qualquer quantidade; quem curte qualquer quantidade; quem desenha uma forma num utensílio, qualquer quantidade — está obrigado; Rabi Shimon diz: não fica obrigado até que perfure a coisa toda, até que raspe a coisa toda, até que curta a coisa toda, até que desenhe a forma toda?
A Guemará traz uma prova contra a sugestão anterior, a partir de uma baraita que trata de outras melachot — perfurar, raspar (alisar postes ou pergaminhos), curtir couro, e desenhar uma forma decorativa num utensílio. Ali, o sábio anônimo sustenta que qualquer quantidade mínima já obriga, enquanto Rabi Shimon exige que a obra seja completada por inteiro — perfurar o buraco todo, raspar o poste todo, curtir o couro todo, desenhar a forma toda. Nesse contexto, portanto, a posição de Rabi Shimon é claramente a mais branda das duas, e não a mais estrita, contradizendo diretamente a sugestão de que, quanto ao álef álef de "Aazerchá", Rabi Shimon seria mais rigoroso que o sábio anônimo.
"'Quem perfura qualquer quantidade'" — uma parte do buraco, ainda que não tenha atravessado a espessura da madeira, a ponto de ver do outro lado. "'Qualquer quantidade'" — da forma (desenhada). "'Quem raspa'" — postes ou pergaminhos, o que é uma categoria-derivada de alisar (memachek). "'A coisa toda'" — tudo o que teve a intenção de raspar ou curtir, desde o início, de uma só vez.
Antes, veio Rabi Shimon ensinar-nos isto: (não se considera obra que perdura, quanto à escrita,) até que escreva o nome todo. Mas poderias dizer assim? Não foi ensinado (na baraita de Rabi Shimon citada acima) que Rabi Shimon diz: "e fez uma" — poder-se-ia pensar que (a obrigação só se dá) até que escreva o nome todo — por isso o texto ensina, dizendo: "de uma"! Resolve e diz assim: poder-se-ia pensar (que a obrigação só se dá) até que escreva o versículo todo — por isso o texto ensina, dizendo: "de uma."
A Guemará conclui, então, que a verdadeira função da formulação de Rabi Shimon ("obra que, quando semelhante a ela, perdura") é, especificamente quanto à escrita, exigir que se escreva o nome completo pretendido — indo além até mesmo da posição da mishná, que já se contentava com um "nome pequeno dentro de nome grande". Mas a Guemará aponta uma dificuldade imediata contra essa própria conclusão: a baraita citada anteriormente registra explicitamente que Rabi Shimon, ao interpretar "de uma", rejeita a ideia de que seja necessário escrever o nome todo — ou seja, ele mesmo afirma que uma parte do nome já basta! A Guemará resolve reformulando o texto daquela baraita: onde ela dizia "poder-se-ia pensar que (a obrigação só se dá) até que escreva o nome todo", deve-se entender, na verdade, "até que escreva o versículo todo" — ou seja, Rabi Shimon rejeitava apenas a ideia extrema de que seria necessário escrever um versículo bíblico inteiro, mas mantém a exigência, mais moderada, de que pelo menos o nome completo pretendido seja escrito.
"'O nome todo'" — a palavra é chamada "nome" (shem).
(Retomando a baraita:) Rabi Yosei diz: "e fez uma", "e fez estas" — às vezes fica obrigado por uma só, por todas (juntas), e às vezes fica obrigado por cada uma e cada uma (separadamente).
Depois da longa digressão sobre os limites das posições de Rabi Yehuda e de Rabi Shimon, a Guemará retorna ao ponto em que a baraita havia sido deixada em aberto — a afirmação de Rabi Yosei citada logo depois de Rabi Shimon, em termos idênticos aos de antes — agora para lhe dar, finalmente, a explicação anunciada por Rashi.
Disse Rabi Yossei bar Rabi Chanina: qual é a razão de Rabi Yosei? (O versículo emprega) "uma", "de uma", "estas", "destas" — (ensinando que há caso de) uma que é "estas", e "estas" que é "uma".
Rabi Yossei bar Rabi Chanina explica o fundamento textual da opinião de Rabi Yosei: o versículo de Vayikrá 4:2 emprega, de forma redundante, tanto "uma" (com o prefixo "de", me'achat) quanto "estas" (com o prefixo "de", mehenna), quando bastaria simplesmente "uma" e "estas", sem os prefixos. Rabi Yosei detecta nessa duplicação uma restrição e uma ampliação simultâneas: o texto ensina que há situações em que uma transgressão única ("uma") deve, na verdade, ser tratada como se fossem várias ("estas"), e situações em que várias transgressões ("estas") devem ser tratadas como se fossem uma só ("uma").
"'Qual é a razão de Rabi Yosei'" — como ele o deriva. "'Uma, de uma'" — bastaria escrever "uma" e calar-se, e (o texto) escreveu um mem a mais (formando "de uma"), e "destas" também é a mais. "'Estas, destas'" — ou (se preferires): bastaria escrever "estas", e (o texto) escreveu "destas", com um mem a mais, e "de uma" também é a mais; por isso, para expor todas (as leituras possíveis), (o texto) as escreveu (de ambas as formas), e se expõe (também) "uma" (e) "estas" sem o mem — assim: "uma" que é "estas", "estas" que é "uma" — de dois modos há para expor seu sentido: (ou) fez uma única transgressão, e ela é, para ele, "estas" — fica obrigado a muitas ofertas pelo pecado; ou (então): fez "uma" — sua ação é considerada, para ele, como uma só, ainda que "estas" desse a entender que fez muitas transgressões, e isso é "estas" que é "uma". Por isso ele expõe ambas (as leituras): às vezes é assim, e às vezes é assim, como se explica adiante.
"Uma" — (significa) "Shimon" (por inteiro); "de uma" — (significa) "Shem" de "Shimon". "Estas" — (significam) as categorias-mãe (das obras proibidas); "destas" — (significam) as categorias-derivadas. "Uma" que é "estas" — (trata-se de quem transgrediu) com premeditação quanto ao Shabat, e por engano quanto às obras (especificas). "Estas" que é "uma" — (trata-se de quem transgrediu) por engano quanto ao Shabat, e com premeditação quanto às obras.
A Guemará desenvolve as duas leituras anunciadas. Na primeira, sobre a escrita: se o versículo dissesse apenas "uma", entender-se-ia que só há responsabilidade por completar inteiramente a palavra pretendida, como escrever "Shimon" por inteiro; "de uma" ensina que já se fica obrigado por escrever apenas parte dela, como "Shem" (de "Shimon") — retomando, assim, o próprio tema desta sugya. Na segunda leitura, sobre as categorias de obra: "estas" refere-se às trinta e nove categorias-mãe (avot) de trabalho proibidas no Shabat; "destas" ensina que também as categorias-derivadas (toldot) estão incluídas. Quanto ao caso de "uma que é estas": alguém que sabia estar violando o Shabat (não houve engano quanto ao dia), mas não sabia que as obras específicas que realizou eram proibidas — nesse caso, se realizou várias obras proibidas durante esse único período de ignorância, fica obrigado a trazer uma oferta separada para cada obra, pois cada uma constitui um erro distinto. Já "estas que é uma" é o caso inverso: alguém que não sabia que era Shabat (havia engano quanto ao próprio dia), mas sabia perfeitamente que as obras que realizou eram, em geral, proibidas no Shabat — nesse caso, mesmo tendo realizado várias obras diferentes, fica obrigado a trazer apenas uma única oferta, pois há apenas um único erro subjacente: o desconhecimento de que era Shabat.
"'Uma — Shimon'" — isto é, (a Guemará) deriva (do) mem a mais (de "de uma"): "uma" dá a entender que não fica obrigado até que escreva a palavra toda que teve a intenção de escrever. "'De uma — Shem de Shimon'" — escreveu "de uma" para dizer que, mesmo que não tenha escrito senão parte dela, (já fica obrigado), contanto que essa parte permaneça (com sentido) em outro lugar, semelhante ao "uma" do início do versículo. "'Estas dá a entender (as categorias)-mãe'" — escreveu "destas" para incluir as (categorias)-derivadas. "'Uma que é estas'" — como dissemos acima, como assim? Por exemplo, quando as fez com premeditação quanto ao Shabat e por engano quanto às obras; e embora todas elas não sejam senão uma única profanação do Shabat, fica obrigado por cada obra separadamente, pois os corpos das obras se distinguem, já que há muitos enganos (diferentes). "'Estas que é uma — engano quanto ao Shabat e premeditação quanto às obras'" — pois, ainda que sejam muitos corpos de obras (diferentes), não fica obrigado senão a uma só, pois é um único engano.
(Voltando à mishná:) disse Rabi Yehuda: encontramos nome pequeno dentro de nome grande. Acaso é semelhante? O mem de "Shem" é fechado, e o mem de "Shimon" é aberto! Disse Rav Chisda: isso vem dizer que uma letra fechada, que alguém tornou aberta — é válida.
A Guemará volta à cláusula da mishná citada por Rabi Yehuda e observa uma dificuldade técnica em seu próprio exemplo principal: a palavra "Shem" (שם) termina com um mem fechado (a forma que a letra mem assume no final de uma palavra), ao passo que, dentro da palavra "Shimon" (שמעון), a letra mem, por estar no meio da palavra, aparece na sua forma aberta. Como, então, pode-se dizer que quem escreveu "Shem", com mem fechado, cumpriu a exigência de ter escrito um "nome pequeno contido" literalmente dentro do nome maior "Shimon", se a forma exata da letra é diferente? Rav Chisda resolve trazendo um princípio mais amplo sobre a validade da escrita sagrada: uma letra que deveria, tecnicamente, ser escrita na forma fechada, mas que foi escrita na forma aberta, continua válida — mesmo em contextos como um rolo da Torá, onde normalmente se exige precisão total na forma das letras. Aplicando esse princípio aqui: como um mem aberto no lugar de um fechado é aceitável, o inverso também vale — o mem fechado de "Shem" pode ser considerado equivalente ao mem aberto de "Shimon", validando o exemplo de Rabi Yehuda.
"'Acaso é semelhante etc.'" — este que teve a intenção de escrever "Shem" de "Shimon" escreveu (na verdade) um mem aberto (, já que copiou a forma da letra tal como aparece em "Shimon"); e como se pode chamar isso de "permanecer (com sentido) em outro lugar", se (a palavra "Shem", com essa forma de mem,) não existe (normalmente) assim?
A Guemará objetou: "e as escreverás" (Devarim 6:9) — que seja uma escrita perfeita: que não se escreva álefes (no lugar de) ayins, ayins (no lugar de) álefes; beits (no lugar de) cafs, cafs (no lugar de) beits; guímels (no lugar de) tzadis, tzadis (no lugar de) guímels; dálets (no lugar de) reishes, reishes (no lugar de) dálets; hês (no lugar de) chets, chets (no lugar de) hês; vavs (no lugar de) iuds, iuds (no lugar de) vavs; zayins (no lugar de) nuns, nuns (no lugar de) zayins; têts (no lugar de) pês, pês (no lugar de) têts.
A Guemará objeta contra o princípio de Rav Chisda a partir de uma baraita que interpreta o versículo "e as escreverás nos umbrais de tua casa e em teus portões" (Devarim 6:9), referente aos tefilin e à mezuzá. A expressão "e as escreverás" (uchtavtam), ensina a baraita, exige uma "escrita perfeita" (ketiva tamma), livre de erros de forma. A lista que se segue enumera pares de letras hebraicas que se assemelham visualmente e que, por isso, não podem ser confundidas uma com a outra na escrita sagrada — cada letra deve manter sua forma própria e exata, sem imitar a de sua parecida.
"'E as escreverás'" — (referente) a tefilin e mezuzá. "'Perfeita'" — completa, conforme sua norma. "'Álefes (como) ayins'" — há quem as escreva assim, porque se assemelham em sua leitura (sonora). "'Beits (como) cafs'" — assemelham-se em sua escrita. "'Guímels (como) tzadis'" — assemelham-se em sua escrita, exceto que uma (a perna) fica para cima e a outra para baixo. "'Zayins (como) nuns'" — (referindo-se às formas) retas (destas letras).
(Que não se escrevam) letras curvas (no lugar de) retas, retas (no lugar de) curvas; mems (finais no lugar de) samechs, samechs (no lugar de) mems finais; (letras) fechadas (no lugar de) abertas, abertas (no lugar de) fechadas. Uma seção (que deveria ser) aberta, não a faça fechada; (uma que deveria ser) fechada, não a faça aberta. (Se alguém) escreveu-a (a Torá ou a mezuzá) no formato de um cântico (quando deveria ser texto comum), ou escreveu um cântico como (texto) comum, ou escreveu sem tinta, ou escreveu as menções (do Nome de Deus) em ouro — eis que estes (rolos) devem ser recolhidos (e ocultados, por serem inválidos).
A lista da baraita prossegue, exigindo que não se confundam letras de traçado curvo (as formas finais de caf, mem, nun, pê e tzadi, quando aparecem no interior de uma palavra) com letras de traçado reto (as mesmas letras em sua forma final, usada apenas no fim de uma palavra), nem o contrário; que não se confunda o mem final (fechado) com a letra samech, de forma semelhante; e — o ponto central para a discussão de Rav Chisda — que não se confunda uma letra fechada com uma aberta, nem o inverso. A baraita acrescenta ainda regras sobre a formatação de seções abertas e fechadas no rolo da Torá, sobre a disposição especial de certas passagens poéticas (como o Cântico do Mar), sobre o uso obrigatório de tinta, e sobre a proibição de escrever o Nome de Deus em ouro — encerrando que qualquer rolo escrito com esses erros deve ser retirado de uso e guardado (ganuz), por ser inválido. À primeira vista, esta baraita contradiz diretamente Rav Chisda, pois ela proíbe explicitamente escrever uma letra fechada como aberta, o oposto do que ele havia concluído.
"'Curvas'" — caf, pê, tzadi, nun. "'Retas'" — as formas finais destas letras são retas. "'Mems (como) samechs'" — o mem fechado, que se assemelha ao samech. "'Abertas'" — mem aberto. "'Fechadas'" — mem fechado. "'Escreveu-a'" — para um rolo da Torá. "'Como um cântico'" — com os espaços (característicos, dispostos como) tijolo (sobre) tijolo (e vão sobre vão).
A Guemará responde: ele (Rav Chisda) disse (isso) conforme este (outro) tanna, pois foi ensinado (numa baraita): Rabi Yehuda ben Beteira diz: está dito, no (dia) segundo (de Sucot): "e suas libações" (com um mem a mais); no sexto: "e suas libações" (com um iud a mais); no sétimo: "conforme seu regulamento" (com um mem a mais) — eis mem, iud, mem — (formando) "água" (máyim); daqui (se extrai) uma alusão à libação de água, a partir da Torá.
A Guemará resolve a objeção explicando que Rav Chisda não falava por conta própria, mas seguia a posição de outro tanna, Rabi Yehuda ben Beteira, cuja derivação, embora sobre um tema totalmente diferente (a libação de água oferecida no altar durante a festa de Sucot, além da libação de vinho comum), depende exatamente do mesmo princípio: que uma letra fechada pode ser lida como se fosse aberta. Rabi Yehuda ben Beteira observa que, nos versículos que descrevem as ofertas de cada dia de Sucot (Bamidbar 29), a palavra "libações" aparece, em três dias específicos, com uma letra extra em relação à forma padrão usada nos outros dias: no segundo dia, "venischeihem" (com um mem extra no final); no sexto dia, "unsachêha" (com um iud extra); e no sétimo dia, a expressão "kemishpatam" (com um mem extra), no lugar do habitual "kamishpat". Reunindo essas três letras extras — mem, iud, mem — forma-se a palavra "máyim" (água), sugerindo uma alusão bíblica à prática (transmitida oralmente) da libação de água. Mas, para que essas três letras formem literalmente a palavra "máyim" (מים), o primeiro mem precisa estar na forma aberta (como é usado no início e no meio de uma palavra) — e, no entanto, o mem extra de "venischeihem" está, na realidade, na posição final da palavra, onde normalmente se usaria a forma fechada. Ora, esse mem é lido, nessa derivação, como se fosse a primeira letra (aberta) de "máyim" — provando que uma letra fechada pode, de fato, ser tratada como equivalente a uma aberta, exatamente como Rav Chisda havia sustentado.
"'Daqui (se extrai) uma alusão etc.'" — isto é, o mem de "venischeihem", (a Guemará) o expõe como (se fosse) aberto; (daí se) aprende (que uma letra) aberta, que alguém tornou fechada, é válida; e, visto que (uma letra) aberta que alguém tornou fechada é válida, o mesmo se aplica também a uma (letra) fechada que alguém tornou aberta — como em "Shem" de "Shimon" — e é válida para permanecer no lugar de "Shem".
E, visto que (uma letra) aberta, que alguém tornou fechada — é válida, também (uma letra) fechada, (uma letra) fechada que alguém tornou aberta — é válida.
A Guemará extrai a conclusão lógica final da derivação de Rabi Yehuda ben Beteira: como ficou demonstrado que uma letra que deveria ser aberta (o primeiro mem de "máyim") pode ser lida, sem invalidar a interpretação, mesmo estando escrita na forma fechada (como aparece em "venischeihem"), segue-se, por simetria, que o inverso também deve ser válido — uma letra que deveria ser fechada, mas foi escrita na forma aberta, também é válida. Essa conclusão restabelece, com uma base textual sólida, exatamente o princípio original de Rav Chisda, permitindo que o exemplo de Rabi Yehuda na mishná ("Shem" de "Shimon", com mem fechado equivalendo ao mem aberto de "Shimon") permaneça válido.
A Guemará questiona esta comparação: acaso é semelhante? Alguém tornou fechada uma letra aberta —
Confirmado via Sefaria (Shabbat 103b:17): o texto do daf 103b termina exatamente neste ponto, em pleno andamento de uma nova objeção da Guemará contra a simetria que acabara de ser estabelecida. A Guemará questiona se as duas direções — letra aberta tornada fechada, e letra fechada tornada aberta — são realmente comparáveis, começando a expor o caso de "letra aberta tornada fechada" antes de a frase ser interrompida. Presumivelmente, a Guemará argumentará que há uma assimetria real entre as duas direções (talvez porque uma forma "esconde" informação estrutural da letra, enquanto a outra apenas a expõe de forma incompleta), o que exigiria uma resposta adicional para preservar a conclusão de Rav Chisda. Essa resposta, e a continuação direta desta sugya sobre a letra mem fechada e aberta, ficarão para o início do daf 104a.