Shabbat 131a abre completando a frase interrompida ao final de 130b: o beco só se permite carregar mediante um poste lateral e uma trave quando há casas e pátios que se abrem diretamente para dentro dele — e, no caso em questão, há casas, mas pátios não há. Levanta-se então uma dificuldade simétrica: quando também não fizeram eiruv das casas com os pátios, deveríamos considerar essas casas como se estivessem fechadas, já que seus moradores não podem tirar objetos delas para os pátios — e então haveria pátios, mas casas não haveria. A guemará propõe uma primeira solução: talvez os moradores de todas as casas de um pátio renunciem seu direito em favor de um único morador, de modo que exista, ao menos, uma casa habitada; mas isso é refutado, pois Rav exige duas casas para cada pátio, e essa renúncia produziria apenas uma. Propõe-se então dividir o dia — de manhã até o meio-dia em favor de um morador, e do meio-dia à tarde em favor de outro —, mas isso também é refutado, pois em cada momento apenas um dos dois teria de fato o direito, nunca ambos ao mesmo tempo. Rav Ashi resolve, por fim, a questão inteira: a verdadeira causa de os pátios ficarem proibidos não é a ausência formal de "casas e pátios", mas a presença das próprias casas — pois são elas que, gerando a possibilidade de utensílios domésticos passarem despercebidos para o pátio, motivam a exigência rabínica de shituf; e, no caso em questão, tendo os moradores unido as casas aos pátios, as casas já não contam separadamente, de modo que o beco todo passa a ser tratado, para efeitos de carregar, como um único domínio de acordo com Rabi Shimon. Encerrado esse longo debate, a guemará abre uma seção inteiramente nova: Rabi Chiya bar Abba, em nome de Rabi Yochanan, ensina que Rabi Eliezer não disse, a respeito de toda mitzvá, que os preparativos que a tornam possível afastam o Shabat — pois os dois pães oferecidos em Shavuot são obrigação fixa do dia, e Rabi Eliezer só aprendeu que seus preparativos afastam o Shabat por meio de uma guezerá shavá, a partir da palavra "trazer", dita tanto a respeito do ómer quanto dos dois pães: assim como os preparativos da colheita do ómer afastam o Shabat, também os preparativos dos dois pães o afastam. A guemará examina então as condições dessa guezerá shavá: os termos precisam estar "livres", isto é, superfluos em seu contexto, pois de outro modo a analogia poderia ser refutada por uma diferença real entre o ómer e os dois pães — quanto ao ómer, essa liberdade se demonstra pela repetição "desde o dia em que trouxerdes"; mas, como o próprio Rabi Eliezer ensina, noutro contexto, que uma guezerá shavá livre de um só lado pode ainda ser refutada, é preciso mostrar que o termo também está livre do lado dos dois pães — o que se demonstra a partir da palavra "trareis", identificada como uma amplificação supérflua. Resolvida a base da guezerá shavá, a guemará pergunta que preparativos, exatamente, Rabi Eliezer excluiu de sua regra geral: testam-se, em sucessão, o lulav, a sucá, a matzá e o shofar, e cada tentativa é refutada por uma baraita que atesta explicitamente que Rabi Eliezer inclui os preparativos dessas mitzvot entre os que afastam o Shabat. Rav Adda bar Ahava identifica, por fim, a exclusão verdadeira: colocar tzitzit no manto e fixar mezuzá na porta — o que se confirma por uma baraita em que Rabi Eliezer e os sábios concordam que quem faz essas coisas em Shabat é responsável, precisamente porque não se consideram preparativos que a mitzvá exija fazer naquele momento. Pergunta-se então a razão dessa exceção: Rav Yosef explica que é porque tzitzit e mezuzá não têm tempo fixo para serem cumpridas. O daf termina interrompido bem no início da réplica de Abaie, que começa a argumentar precisamente o contrário — que a ausência de tempo fixo deveria, se algo, apontar na direção oposta —, a continuar em Shabat 131b, ainda não publicado.
...até que haja casas e pátios abertos para dentro dele. E aqui há casas, mas pátios não há. Mas quando também não fizeram eiruv das casas com os pátios, consideremos essas casas como se estivessem fechadas (já que seus moradores não podem tirar objetos delas para o pátio) — e então há pátios, mas casas não há!
"Casas e pátios" — dois pares de casas abertas para dois pátios, duas para cada pátio, e dois pátios abertos para o beco.
"Como se estivessem fechadas" — pois, em relação ao beco, são como se estivessem fechadas, já que os pátios se interpõem entre elas, de modo que as casas não podem tirar objetos para eles.
Aqui se completa a frase de Rav interrompida ao final de 130b: o beco só se torna permitido para carregar mediante um poste lateral (lechi) e uma trave (korá) quando duas casas se abrem para cada um de dois pátios, e ambos os pátios se abrem para o beco. No caso em discussão, porém, há casas, mas, uma vez unidas por eiruv aos pátios, estes deixam de contar separadamente — faltando, portanto, "pátios" no sentido exigido. Levanta-se então uma dificuldade simétrica: se não tivessem feito eiruv algum entre casas e pátios, poderíamos igualmente argumentar que as casas, incapazes de mover objetos para o pátio, deveriam ser tratadas como inexistentes para esse fim — restando pátios sem casas, o mesmo problema invertido.
É possível que todos os moradores das casas anulem seu direito de domínio em favor de um só. Mas isso também é refutado: ao final, há uma casa, casas (no plural) não há!
"É possível que anulem" — os moradores das casas que há no pátio anulam o direito que têm no pátio, em favor de um deles; e assim todo o pátio se torna dele, e é permitido tirar de sua casa para o pátio.
"Ao final, há uma casa" — em cada pátio, mas casas (no plural) não há; e Rav exige duas casas para cada pátio.
Propõe-se uma primeira solução: se todos os moradores das casas de um pátio renunciassem seu direito de domínio em favor de um único morador, esse pátio passaria a ter, para efeitos práticos, apenas uma casa habitada, e seria permitido tirar objetos dela para o pátio. Mas a proposta é refutada: a condição de Rav exige duas casas por pátio, e essa renúncia produz apenas uma, não duas — não bastando, portanto, para satisfazer a exigência.
É possível que, desde a manhã até o meio-dia, renunciem em favor de um, e do meio-dia até a tarde, renunciem em favor de outro — e assim haveria duas casas ao longo do dia. Mas isso também é refutado: ao final, no momento em que este tem o direito, aquele não o tem?
Nova tentativa: dividir o direito ao longo do próprio dia, de modo que, pela manhã, um morador seja o "dono" da casa, e, à tarde, outro — produzindo, ao longo das vinte e quatro horas, duas casas distintas. Mas também essa proposta é refutada: em qualquer instante determinado, apenas um dos dois detém de fato o direito, nunca os dois simultaneamente, de modo que a exigência de duas casas concorrentes continua sem se cumprir.
Mas disse Rav Ashi: o que causou que os pátios fossem proibidos de se carregar deles para o beco sem shituf? As casas — e estas, aqui, não há.
"Mas disse Rav Ashi" — a razão não é por causa de "casas e pátios abertos para dentro dele" em si, pois, segundo Rav, seja que fizeram eiruv, seja que não fizeram, contanto que dois pátios se abram para o beco e duas casas para cada pátio, recai sobre ele o estatuto de beco, e ele se permite com lechi e korá; e esta é a razão pela qual, quando fizeram eiruv nos pátios mas não fizeram shituf no beco, é proibido carregar nele, e quando não fizeram eiruv, é permitido.
"O que causou que os pátios fossem proibidos" — isto é, o que fez recair sobre o beco a exigência de shituf para tirar dos pátios para dentro dele.
"As casas" — são elas que o causam; pois, se não fosse por causa das casas, pátios e beco seriam um único domínio, já que Rav, ao dizer isso, sustenta como Rabi Shimon, que ensina em Eiruvin (74a) que telhado, pátio, cercado e beco são todos um único domínio, e move-se de um para o outro; e disse Rav a respeito disso que a halachá segue Rabi Shimon, e isso quando não fizeram eiruv das casas com os pátios, pois não é comum haver utensílios de casa no pátio; portanto, também quanto a carregar dentro dele, quando não fizeram eiruv dos pátios com as casas, é permitido, pois é como se tivessem feito shituf nele — já que o que causou ao beco ser proibido e precisar de shituf foram as casas, e estas não há aqui, pois já se afastaram dele; e é permitido tirar dos pátios para o beco, como se tivessem feito shituf; e quando fizeram shituf, não temos dúvida de que é permitido carregar em toda a sua extensão.
Rav Ashi resolve toda a dificuldade, deslocando o critério: não se trata de contar formalmente "casas" e "pátios" como categorias separadas, mas de identificar a verdadeira causa da restrição — as próprias casas, que, se não estivessem ali, deixariam pátios e beco como um único domínio, segundo Rabi Shimon. No caso em questão, os moradores uniram as casas aos pátios por eiruv, de modo que as casas, enquanto fonte potencial de utensílios domésticos esquecidos, já não contam separadamente; e, sem essa causa da proibição, o beco inteiro volta a ser tratado como domínio único, permitindo-se carregar livremente nele — o que explica, retrospectivamente, por que o bisturi da circuncisão pôde legitimamente atravessar o beco não unificado.
Disse Rabi Chiya bar Abba em nome de Rabi Yochanan: não a respeito de toda mitzvá disse Rabi Eliezer que os preparativos da mitzvá afastam o Shabat. Pois eis que os dois pães são obrigação do dia, e Rabi Eliezer não os aprendeu senão por uma guezerá shavá. Como se ensinou numa baraita: Rabi Eliezer diz: de onde se aprende que os preparativos dos dois pães afastam o Shabat? Foi dita "trazer" quanto ao ómer, e foi dita "trazer" quanto aos dois pães. Assim como o "trazer" dito quanto ao ómer — seus preparativos afastam o Shabat —, também o "trazer" dito quanto aos dois pães — seus preparativos afastam o Shabat.
"Não a respeito de toda" disse Rabi Eliezer" — não disse isso quanto a todos os preparativos de mitzvá; e adiante se explica quais preparativos de mitzvá ele veio excluir.
"Os dois pães" — oferecidos em Shavuot, são obrigação do dia, e não se pode adiá-los para o dia seguinte.
"E Rabi Eliezer não os aprendeu" — que o assá-los afastaria o Shabat, senão por uma guezerá shavá; pois, se Rabi Eliezer sustentasse que, quanto a todos os preparativos de mitzvá cuja essência se pratica em Shabat, seus preparativos a afastam como ela mesma, para que precisaria de uma guezerá shavá?
"Assim como o trazer dito quanto ao ómer, seus preparativos" — isto é, sua colheita, moagem e peneiração afastam o Shabat, como dissemos em Menachot (72a): "na lavoura e na colheita descansarás" — assim como a lavoura é facultativa, também a colheita é facultativa; excetua-se a colheita do ómer, que é mitzvá.
Encerrado o longo debate sobre o beco, a guemará abre uma seção inteiramente nova. Rabi Yochanan estabelece que a regra de Rabi Eliezer — segundo a qual os preparativos de uma mitzvá afastam o Shabat — não é universal, mas foi derivada especificamente para o caso dos dois pães oferecidos em Shavuot, por meio de uma analogia verbal (guezerá shavá) com a colheita do ómer: assim como se ensina que a colheita do ómer, sendo ela mesma parte da mitzvá, afasta o Shabat, também a colheita do trigo destinado aos dois pães o afasta, por conta da palavra "trazer" comum a ambas as passagens.
Os termos estão livres (mufnim, isto é, supérfluos em seu próprio contexto). Pois, se não estivessem livres, haveria como refutar a guezerá shavá: o que há de particular no ómer? Que, se o encontrou já colhido, ainda assim é preciso colhê-lo de novo, por ser mitzvá colher especificamente para esse fim; diríamos o mesmo quanto aos dois pães, onde, se o encontrou já colhido, não precisa colher de novo? Em verdade, o termo está livre. Ora, está escrito: "e trareis o ómer, princípio de vossa colheita, ao sacerdote"; para que preciso, então, de "desde o dia em que trouxerdes"? Ouve daí que essa repetição serve para deixá-lo livre.
"Que, se o encontrou já colhido" — colhido não em nome do ómer; é mitzvá colhê-lo especificamente para esse fim, pois está escrito "e colhereis" e "e trareis" — portanto, a própria colheita é mitzvá; diríamos o mesmo quanto aos dois pães, a respeito dos quais não se disse "colheita"?
"Em verdade" — de fato.
Para que uma guezerá shavá seja válida, o termo comum às duas passagens precisa ser "livre", isto é, supérfluo, não estritamente necessário em seu próprio contexto — caso contrário, a analogia poderia ser refutada apontando-se uma diferença real entre os dois casos: no ómer, a própria colheita é parte da mitzvá, de modo que, mesmo já colhido o grão, é preciso colhê-lo de novo em nome da oferenda; já nos dois pães isso não se exige. A guemará demonstra que o termo "trazer" está, de fato, livre do lado do ómer, pois o versículo já havia mencionado o ato de trazer, tornando supérflua a repetição posterior "desde o dia em que trouxerdes" — repetição que só se justifica por servir de base à guezerá shavá.
E ainda há uma dificuldade: a guezerá shavá está livre apenas de um lado, e ouvimos que Rabi Eliezer diz que, quando uma guezerá shavá está livre apenas de um lado, aprende-se dela, mas também se pode refutar! Mas o termo "trareis" é uma amplificação — e assim ela está livre também do outro lado.
"De um lado" — o "trazer" do ómer está livre; o "trazer" dos dois pães não está livre, pois é necessário por si mesmo.
"E ouvimos que Rabi Eliezer diz" — que uma guezerá shavá que não está livre de ambos os lados, mas apenas de um, dela se aprende quando não há base para refutar, mas, havendo base para refutar, refuta-se; e no tratado Yevamot, no capítulo "Mitzvat Chalitzá", ouvimos que ele diz isso, pois se ensina ali que a chalitzá feita com a mão esquerda é inválida, e Rabi Eliezer a valida, pois não deriva "pé" de "pé" a partir do metzorá; e perguntamos: mas Rabi Eliezer não deriva de fato do metzorá? E não se ensinou que Rabi Eliezer diz: de onde se aprende que se perfura o escravo na orelha direita? Disse-se aqui "orelha" e disse-se além "orelha" etc. E respondemos: "orelha" está livre, "pé" não está livre; e esse "não está livre", de que falamos ali, refere-se a estar livre de ambos os lados, pois "pé", escrito quanto à chalitzá, é necessário por si mesmo; mas de um lado está livre, pois a passagem do metzorá está livre — a passagem do metzorá pobre, pois tudo o que nela consta está também escrito quanto ao metzorá rico.
"Trareis é uma amplificação" — pois isso se apoia em "e oferecereis uma nova oferenda", e o versículo poderia ter escrito "de vossas moradas, pães de tenufá" diretamente, e "trareis" é portanto supérfluo.
Ainda resta uma dificuldade: mostrou-se que o termo está livre apenas do lado do ómer, mas não do lado dos dois pães, pois ali a "trazida" é necessária por si mesma. E o próprio Rabi Eliezer ensina, noutro contexto (a respeito da chalitzá, em Yevamot), que uma guezerá shavá livre de um só lado ainda pode ser logicamente refutada. A guemará resolve mostrando que também do lado dos dois pães há um termo livre: a palavra "trareis", que se revela supérflua por já estar implícita na menção anterior da oferenda — tornando a guezerá shavá livre dos dois lados, e portanto inatacável.
A regra de Rabi Yochanan vem excluir o quê? Se dizes que vem excluir o lulav — mas não se ensinou numa baraita: o lulav e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer? Mas então vem excluir a sucá — mas não se ensinou: a sucá e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer? Mas então vem excluir a matzá — mas não se ensinou: a matzá e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer? Mas então vem excluir o shofar — mas não se ensinou: o shofar e todos os seus preparativos afastam o Shabat, palavras de Rabi Eliezer?
"Vem excluir o quê" — isto que disse Rabi Yochanan acima, "não a respeito de toda mitzvá disse Rabi Eliezer" — vem excluir quais preparativos, que não afastam o Shabat?
"E todos os seus preparativos" — como cortá-lo, o lulav, de onde está preso à terra.
Estabelecida a regra de que nem toda mitzvá tem seus preparativos a afastar o Shabat, a guemará busca identificar exatamente quais preparativos Rabi Eliezer excluiu. Testam-se, em sucessão, quatro candidatos óbvios — lulav, sucá, matzá e shofar —, mas cada um é descartado por uma baraita que atesta explicitamente que Rabi Eliezer inclui os preparativos dessas mitzvot entre os que afastam o Shabat, tal como fez com os dois pães.
Disse Rav Adda bar Ahava: vem excluir a colocação de tzitzit em seu manto e a fixação de mezuzá em sua porta. Ensinou-se também assim numa baraita: e concordam Rabi Eliezer e os sábios que, se colocou tzitzit em seu manto ou fez mezuzá em sua porta em Shabat, é responsável.
"Vem excluir tzitzit" — que não se pode colocá-la em seu manto em Shabat, como se explica a razão adiante.
Rav Adda bar Ahava identifica, finalmente, a exclusão verdadeira: a regra de Rabi Eliezer não se aplica a colocar tzitzit no manto nem a fixar mezuzá na porta — atos que, mesmo sendo preparativos de mitzvot, não afastam o Shabat. Isso se confirma por uma baraita segundo a qual, nesse ponto específico, Rabi Eliezer e os sábios concordam plenamente: quem faz essas coisas em Shabat é responsável por profanar o dia, sem qualquer exceção.
Qual é a razão dessa exceção? Disse Rav Yosef: porque não têm tempo fixo para serem cumpridas. Disse-lhe Abaie: pelo contrário, justamente por não terem tempo fixo,...
Pergunta-se a razão pela qual, precisamente quanto a tzitzit e mezuzá, Rabi Eliezer concorda que seus preparativos não afastam o Shabat. Rav Yosef propõe que é por não terem tempo fixo de cumprimento — podendo ser feitas em qualquer outro momento, não haveria urgência que justificasse violar o Shabat por elas. Abaie começa a replicar exatamente o oposto, sustentando que a ausência de tempo fixo deveria, se algo, apontar na direção inversa — mas o daf termina aqui, interrompido no meio de sua objeção.