O daf abre com uma última objeção sobre a medida da corda que o condutor de camelos segura na mão: uma baraita ensina que ela pode ser tão longa quanto se queira, contanto que se levante um palmo do chão — o que pareceria contradizer tanto Shmuel quanto sua escola. A Guemará resolve identificando que essa baraita trata de uma corda diferente: não a sobra que pende abaixo do punho (cujo limite de um ou dois palmos fora discutido ao final de 54a), mas a própria corda que liga a mão do condutor ao camelo, a qual deve ficar erguida do chão para que se reconheça que o animal está sendo conduzido, e não simplesmente carregado como um fardo. Encerrada essa sugya, o daf introduz uma nova Mishná, ainda no mesmo capítulo: o burro não sai com a manta de sela quando ela não está amarrada a ele, nem com o sino — ainda que tapado —, nem com a "escada" que lhe protege o pescoço, nem com a correia na perna; os galos não saem com fios nem com correia nas pernas; os carneiros não saem com o carrinho sob a cauda; as ovelhas não saem "chanunot"; o bezerro não sai com o gimon; a vaca não sai com pele de ouriço nem com a correia entre os chifres — exceto a vaca de Rabi Elazar ben Azaryah, que assim saía contra a vontade dos demais Sábios. A Guemará correspondente explica cada cláusula: o sino parece uma procissão festiva rumo ao mercado; a escada — junto à mandíbula — protege uma ferida contra os próprios dentes do animal; a correia na perna evita que as patas se choquem; os fios marcam os galos para que não se confundam com os de outrem; a correia evita que quebrem utensílios ao saltar; o carrinho evita que a cauda gorda dos carneiros se arraste e se fira. Para "chanunot", a Guemará traz três explicações sucessivas e cada vez mais modestas — o costume atribuído, por comparação, à opulência de Mar Ukva, depois à de Yalta, e por fim a explicação aceita de Rav Huna: uma lasca de certa árvore litorânea que faz a ovelha espirrar e expelir os vermes da cabeça, sem necessidade de luxo algum. Explica-se então o bezerro com o pequeno jugo chamado "gimon", associado à raiz de curvar, e a vaca protegida com pele de ouriço contra as sanguessugas; a correia entre os chifres da vaca é objeto de disputa entre Rav (que a proíbe sempre) e Shmuel (que a permite quando serve de proteção); e esclarece-se, com surpresa, que a vaca de Rabi Elazar ben Azaryah — que dizimava doze mil bezerros ao ano de seu próprio rebanho, portanto jamais teria uma única vaca — não era realmente sua, mas de sua vizinha, e recebeu seu nome apenas porque ele não protestou contra o uso indevido. Esse detalhe conduz a um ensinamento mais amplo, transmitido por quatro amoraítas ao longo de toda a Ordem de Moed: quem pode protestar contra os membros de sua casa e não o faz é responsabilizado por eles; o mesmo vale, em círculos cada vez mais amplos, para os habitantes de sua cidade e para o mundo inteiro. Rav Papa estende esse princípio à casa do Exilarca, citando Rabi Chanina sobre o versículo de Isaías a respeito do julgamento divino contra os anciãos e príncipes do povo — citação que o daf deixa interrompida no meio da pergunta retórica, a ser respondida logo no início de 55a.
Mas não se ensinou: contanto que a levante um palmo do chão! Quando aquilo se ensinou, era a respeito da corda que fica entre um e outro (entre a mão do condutor e o camelo).
Fecha-se a sugya do daf anterior com uma última objeção: uma baraita ensina que a corda pode ter qualquer comprimento, desde que erguida um palmo do chão — uma medida diferente das discutidas por Shmuel e sua escola, que tratavam do limite de um ou dois palmos para a sobra da corda que pende abaixo do punho do condutor. A Guemará esclarece que essa baraita se refere a uma corda distinta: não a sobra solta, mas o próprio segmento que liga a mão do condutor ao camelo. Esse segmento pode ter o comprimento que for, contanto que fique erguido pelo menos um palmo do chão, para que se reconheça visivelmente que o animal está sendo conduzido por ele — e não que a corda esteja apenas sendo arrastada ou carregada como um fardo qualquer, sem relação aparente com o animal.
"Contanto que a levante um palmo do chão" — mas, quanto ao restante que sai de baixo de sua mão, tanto quanto quiser.
"A corda que fica entre um e outro" — a que fica entre sua mão e o camelo; a respeito dessa se disse: que seja do comprimento que quiser, contanto que a levante um palmo do chão, para que pareça que o animal é conduzido por ela — pois, do contrário, não parece a guarda de um animal, mas um mero fardo, já que não se reconhece que ele segura a cabeça do animal pela mão.
Não sai o burro com a manta de sela (mardaat) quando ela não está amarrada a ele; nem com o sino (zug), ainda que esteja tapado; nem com a "escada" (sulam) que está em seu pescoço; nem com a correia que está em sua perna. E não saem os galos com fios, nem com a correia que está em suas pernas; e não saem os carneiros machos com o carrinho que está sob a cauda deles. E não saem as ovelhas "chanunot"; e não sai o bezerro com o "gimon"; nem a vaca com pele de ouriço; nem com a correia que está entre seus chifres. A vaca de Rabi Elazar ben Azaryah saía com a correia entre seus chifres, contra a vontade dos Sábios.
Encerrada a sugya das cordas dos camelos, a Mishná passa a enumerar, animal por animal, o que não se pode usar ao sair em Shabat. O burro não sai com a manta de sela solta — apenas quando amarrada firmemente —, nem com o sino, mesmo vedado para não soar, nem com a peça protetora junto ao pescoço, nem com a correia na perna. Os galos não saem com fios de identificação nem com correia nas pernas; os carneiros machos não saem com o pequeno carrinho que sustenta sua cauda gorda. As ovelhas não saem "chanunot" — termo que a Guemará explicará adiante com três propostas sucessivas. O bezerro não sai com o "gimon", um pequeno jugo de adestramento; a vaca não sai com pele de ouriço nem com a correia entre os chifres — esta última uma exceção notável sendo a vaca de Rabi Elazar ben Azaryah, que assim saía apesar da desaprovação dos demais Sábios, episódio que a própria Guemará questionará mais adiante.
Mishná. "Com o sino" (zug) — "esquielta" em língua estrangeira.
"Ainda que" (esteja tapado) — que seu interior está vedado com estopa, de modo que o badalo não bata para soar; e na Guemará se explica a razão (da proibição mesmo assim).
"Escada" e "correia" e todos os demais (termos) desta Mishná se explicam na Guemará; e todos eles se proíbem porque se tem piedade deles (os animais), e, caso caiam, virá a trazê-los de volta (transgredindo o limite de Shabat).
"Carrinho" — como uma pequena carroça que se faz para (o carneiro) sob sua cauda, pois a ponta da cauda desses carneiros é larga como uma pequena almofada, sem osso, mas gorda, espessa e pesada; e, quando se arrasta pelo chão, se arranha e se estraga; então fazem para ele um carrinho de rodas que rola atrás dele quando anda, com a cauda amarrada sobre ele.
"Ouriço" (kupar) — é um pequeno animal cujos pelos são finos como agulhas, chamado "ericsson" em língua estrangeira; e amarram sua pele nas tetas da vaca, para que animais rasteiros não a sugem.
"Nem com a correia entre seus chifres" — porque é um fardo para ela, como se explica na Guemará.
GUEMARÁ. Qual é a razão? — Como já dissemos.
A Guemará abre a explicação da nova Mishná remetendo à razão geral já estabelecida para peças acessórias que não são vestimenta nem proteção essencial do animal: o receio de que caiam e o dono, por piedade do animal, venha a recolhê-las e carregá-las, transgredindo o limite de Shabat.
GUEMARÁ. "Como já dissemos" — que não está amarrada a ele desde a véspera de Shabat, pois não se revelou desde a véspera que ela precisaria disso para lhe servir de vestimenta.
"Nem com o sino, ainda que esteja tapado": porque parece com quem vai a uma procissão festiva.
Ainda que o sino esteja vedado de modo a não emitir som — o que afastaria a preocupação de carregar um instrumento musical em Shabat —, permanece proibido, pois sua mera presença faz o burro parecer enfeitado como quem se dirige a uma procissão festiva rumo ao mercado, aparência imprópria para o dia.
"Tapado" (pakuk) — vedado.
"A uma procissão festiva" — ao mercado, para vender; e penduram nele um sino para lhe agradar (embelezá-lo).
"Nem com a 'escada' que está em seu pescoço": disse Rav Huna: é a peça junto à mandíbula. Para que a fazem? Para o lugar em que ele tem uma ferida, para que não volte a coçá-la (com os dentes).
Rav Huna identifica a "escada" (sulam) mencionada na Mishná como uma peça amarrada junto à mandíbula do burro, usada quando ele tem uma ferida no pescoço: ela impede que o animal volte o próprio pescoço para trás e coce a ferida com os dentes, o que poderia agravá-la. Ainda assim, por ser uma peça acessória e não vestimenta ou proteção indispensável, sua queda levaria o dono a recolhê-la — daí a proibição.
"A peça junto à mandíbula" (bei lua) — a que se amarra junto à mandíbula.
"Para que não volte a coçá-la" — para que não possa voltar o pescoço na direção da ferida, para coçá-la com os dentes; e a amarram no pescoço do burro; e essas peças são mais importantes que as talas sobre uma fratura, e, se caírem, ele terá pena delas e as trará de volta por engano.
"Nem com a correia que está em sua perna": porque a fazem para o "gizra".
A correia na perna do burro serve para o que se chama "gizra": ela se amarra acima dos cascos de um animal cujos passos são curtos e cujas patas tendem a se chocar uma contra a outra ao caminhar, evitando ferimentos por esse choque. Sendo peça de conforto e não vestimenta essencial, aplica-se a mesma proibição de saída em Shabat.
"Para o gizra" — "entortoliero" em língua estrangeira; a um animal cujos passos são curtos e cujas patas se chocam uma contra a outra, fazem-lhe uma espécie de anel de junco trançado ou correias grossas, e o amarram acima dos cascos, no lugar onde uma perna bate na outra.
"E não saem os galos com fios": porque os fazem como sinal, para que não se troquem (com os de outra pessoa).
Os fios amarrados nos galos servem apenas como marca de identificação, para distingui-los dos galos de outros donos quando soltos juntos — finalidade útil, mas que não os torna vestimenta ou proteção do próprio animal, e por isso não justifica a saída em Shabat.
"Para que não se troquem" — com os galos de seus companheiros.
"Nem com a correia": porque a fazem para que não quebrem utensílios (saltando). "E não saem os machos com o carrinho": para que suas caudas não se firam.
A correia amarrada às pernas dos galos serve para limitar seus saltos e evitar que quebrem utensílios domésticos; o carrinho sob a cauda dos carneiros machos evita que ela, sendo gorda e pesada, se arraste pelo chão e sofra ferimentos. Ambas são finalidades legítimas dentro de casa, mas não justificam a saída pública em Shabat, pelo mesmo receio de queda e recolhimento.
"Para que não quebrem utensílios" — pois amarram-lhes as duas pernas juntas com uma correia curta, para que não possam levantar as pernas e chutar.
"Para que não se firam" — para que não sejam feridas por pedras e rochedos; "blessier" em língua estrangeira.
"E não saem as ovelhas 'chanunot'": sentou-se Rav Acha bar Ulla diante de Rav Chisda, e sentado disse: desde a hora em que a tosquiam, embebem-lhe um chumaço em óleo e o colocam sobre sua testa, para que não sinta frio. Disse-lhe Rav Chisda: se assim é, tu a transformaste em Mar Ukva.
A Guemará busca explicar o termo obscuro "chanunot" da Mishná. Rav Acha bar Ulla propõe, diante de Rav Chisda: são as ovelhas recém-tosquiadas, a quem se coloca um chumaço embebido em óleo sobre a testa, para protegê-las do frio enquanto a lã não recresce. Rav Chisda rejeita essa explicação com ironia: se fosse esse o cuidado, estaria tratando a ovelha com o requinte e o conforto reservados a um homem rico e importante como Mar Ukva — luxo desproporcional para um animal, e portanto improvável de ser a prática comum aludida pela Mishná.
"Depois que a tosquiam, embebem-lhe um chumaço em óleo" — até que sua lã cresça novamente.
"Chumaço" (ezek) — algodão, ou qualquer material macio.
"Sua testa" (padachtah) — sua fronte.
"Tu a transformaste em Mar Ukva" — conduziste esta ovelha com a importância de Mar Ukva, que era rico e chefe do tribunal; e por acaso é próprio de sua condição merecer tal importância?
Antes, sentou-se Rav Papa bar Shmuel diante de Rav Chisda, e sentado disse: na hora em que se ajoelha para parir, embebem-lhe dois chumaços de óleo, e colocam um sobre sua testa e outro sobre o útero, para que se aqueça. Disse-lhe Rav Nachman: se assim é, tu a transformaste em Yalta.
Rejeitada a primeira explicação, propõe-se uma segunda: os chumaços de óleo seriam usados não após a tosquia, mas no momento do parto, para aquecer a ovelha — um na testa e outro sobre o útero. Rav Nachman rejeita igualmente essa proposta com a mesma ironia, comparando o cuidado excessivo ao dispensado a Yalta, esposa de Rav Nachman, mulher de posição elevada — luxo impróprio, mais uma vez, para descrever a prática comum de qualquer rebanho.
"Yalta" — a esposa de Rav Nachman.
Antes, disse Rav Huna: há uma certa árvore nas cidades litorâneas, chamada "yachnun"; e trazem uma lasca dela e a colocam em seu focinho, para que espirre e caiam os vermes de sua cabeça. Se assim é, também os machos (deveriam precisar disso)! Visto que os machos se chifram uns aos outros, os vermes caem por si mesmos. Shimon Nezira disse: é uma lasca de giesta (ritma).
Rav Huna apresenta a explicação que a Guemará finalmente aceita: "chanunot" refere-se a ovelhas a quem se aplica uma lasca de uma árvore litorânea chamada "yachnun" no focinho, provocando espirros que expelem os vermes alojados na cabeça — um cuidado modesto e plausível, sem o luxo das explicações anteriores. Objeta-se que os carneiros machos também deveriam receber o mesmo tratamento; responde-se que eles se livram naturalmente desses vermes ao se chifrarem uns aos outros em disputas, dispensando o remédio. Shimon Nezira identifica a espécie da lasca como sendo de giesta (ritma).
"Vermes" (darnei) — vermes.
"Lasca de giesta" — lasca da planta rotem, que se coloca em seu focinho.
Convém, segundo Rav Huna, que é por isso que se ensina "chanunot" (ligado a "yachnun"); mas, segundo os demais Sábios, o que é "chanunot"? Porque lhes fazemos algo por termos compaixão delas.
A Guemará observa que a explicação de Rav Huna se ajusta perfeitamente ao próprio nome "chanunot", derivado da árvore "yachnun". Ainda assim, reconhece-se que, para os demais Sábios que não aceitam essa etimologia específica, o termo "chanunot" deriva simplesmente da raiz "chanun" (compaixão, misericórdia): são as ovelhas a quem se dispensa algum cuidado especial por piedade — sem que se precise, necessariamente, a natureza exata desse cuidado.
"E não sai o bezerro com o gimon." O que é o bezerro com gimon? Disse Rav Huna: é o pequeno jugo (bar nira). Disse Rabi Elazar: de onde se infere que este termo "gimon" é uma expressão de curvar? Pois está escrito: "Curvar como um junco (agmon) a sua cabeça" (Isaías 58:5).
Rav Huna identifica o "gimon" da Mishná como um pequeno jugo colocado no pescoço do bezerro ainda jovem, destinado a habituá-lo desde cedo a curvar a cabeça, preparando-o para o jugo maior que carregará quando adulto. Rabi Elazar sustenta essa etimologia com o versículo de Isaías sobre o jejum, que emprega "agmon" (junco) precisamente no sentido de curvar a cabeça — confirmando que "gimon" partilha dessa mesma raiz.
"Bar nira" — um pequeno jugo que se coloca no pescoço do bezerro, para que se acostume a curvar a cabeça quando crescer.
"Nem a vaca com pele de ouriço": porque a fazem para que as sanguessugas (ya'alei) não a sugem. "Nem com a correia que está entre seus chifres." Se segundo Rav, que disse: tanto para enfeite quanto para proteger — é proibido; se segundo Shmuel, que disse: para enfeite — é proibido; para proteger — é permitido.
A pele de ouriço amarrada às tetas da vaca protege-a contra sanguessugas que poderiam sugá-la; sendo peça acessória e não vestimenta, aplica-se a mesma proibição de saída em Shabat, pelo receio de queda. Quanto à correia entre os chifres, a Guemará observa que a proibição da Mishná se ajusta a ambas as opiniões de uma disputa mencionada alhures: Rav proíbe a correia tanto quando usada por enfeite quanto quando usada por proteção; Shmuel distingue, proibindo apenas o enfeite e permitindo quando serve genuinamente de proteção. A proibição padrão da Mishná, portanto, refere-se ao caso do enfeite — proibido por ambos — deixando em aberto, para a opinião de Shmuel, a permissão quando a correia protege de fato.
"Para que as sanguessugas não a sugem" — para que sanguessugas, chamadas "sansues" em língua estrangeira, não a sugem.
"Tanto para enfeite quanto para proteger, é proibido" — pois toda proteção excessiva se considera um fardo.
"A vaca de Rabi Elazar ben Azaryah": mas ele tinha apenas uma vaca? Ora, não disse Rav — e há quem diga que disse Rav Yehuda em nome de Rav — que Rabi Elazar ben Azaryah dizimava doze mil bezerros de seu rebanho a cada ano?
A Guemará estranha a formulação da Mishná, que fala de "a vaca de Rabi Elazar ben Azaryah" no singular, como se ele possuísse apenas um único animal — quando, segundo uma tradição transmitida por Rav (ou por Rav Yehuda em seu nome), Rabi Elazar ben Azaryah era homem de riqueza extraordinária, dizimando doze mil bezerros de seu próprio rebanho todos os anos, o que pressupõe um rebanho imenso, muito além de uma única vaca.
Ensinou-se: não era dele, mas de sua vizinha; e, por não a ter proibido, foi chamada por seu nome.
A resolução é simples e reveladora: a vaca com a correia entre os chifres não pertencia de fato a Rabi Elazar ben Azaryah, mas a uma vizinha sua. Como ele tinha condições de protestar contra essa prática — por sua autoridade e proximidade — e não o fez, a vaca passou a ser identificada popularmente com seu nome, como se a prática fosse dele mesmo, ainda que ele apenas a tenha tolerado sem impedir.
Rav, Rabi Chanina, Rabi Yochanan e Rav Chaviva ensinavam — e em toda a Ordem de Moed, sempre que aparece esta mesma dupla (de nomes), trocam Rabi Yochanan e inserem Rabi Yonatan: todo aquele que pode protestar contra os membros de sua casa e não protestou é responsabilizado pelos membros de sua casa; contra os habitantes de sua cidade — é responsabilizado pelos habitantes de sua cidade; contra o mundo inteiro — é responsabilizado pelo mundo inteiro.
O episódio da vaca serve de gancho para um ensinamento ético mais amplo, transmitido por quatro amoraítas — com a nota editorial de que, ao longo de toda a Ordem de Moed, sempre que essa mesma combinação de nomes aparece, algumas versões substituem Rabi Yochanan por Rabi Yonatan. O princípio: a responsabilidade moral se estende, em círculos concêntricos, a quem tem poder de protestar e se omite — primeiro pelos membros da própria casa, depois pelos habitantes da própria cidade, e, para quem tem influência suficiente, pelo mundo inteiro.
"Ensinavam, em toda a Ordem de Moed, sempre esta mesma dupla" — os quatro juntos.
"Trocam Rabi Yochanan" — há quem troque Rabi Yochanan e insira Rabi Yonatan.
"É responsabilizado" (nitpas) — é castigado pelas transgressões que estavam ao seu alcance (impedir).
"Pelo mundo inteiro" — por todo o Israel; como um rei ou um príncipe, que tem condições de protestar, pois temem por ele e cumprem suas palavras.
Disse Rav Papa: e os da casa do Exilarca (Reish Galuta) são responsabilizados pelo mundo inteiro. Como aquilo que disse Rabi Chanina: o que significa o que está escrito: "O Senhor virá a juízo com os anciãos de seu povo e com seus príncipes" — se os príncipes pecaram, …
Rav Papa estende o princípio ao mais alto grau de responsabilidade: os membros da casa do Exilarca (Reish Galuta), autoridade máxima da comunidade judaica na Babilônia, respondem pelo mundo inteiro, dado o alcance de sua influência. Ele ilustra isso com o ensinamento de Rabi Chanina sobre o versículo de Isaías 3:14, que descreve o Senhor vindo a juízo "com os anciãos de seu povo e com seus príncipes" — e Rabi Chanina começa a perguntar: se foram os príncipes que pecaram, (que culpa têm os anciãos, para serem incluídos no mesmo juízo?) O daf termina exatamente neste ponto, no meio da pergunta retórica de Rabi Chanina, sem oferecer ainda a resposta. A continuação — "que pecado cometeram os anciãos? Antes, diga-se: contra os anciãos, porque não protestaram contra os príncipes" — abre o daf seguinte, 55a, fechando o raciocínio precisamente com o mesmo princípio de responsabilidade por omissão que este daf acabara de ensinar.