O daf abre completando a resposta de Rabi Chanina bar Chama, interrompida ao fim de 49a: ele cita o ensinamento de Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei, que contava que seu próprio pai, Abba, era curtidor de peles e, mesmo assim, dizia a seus convidados que trouxessem peles curtidas para se sentarem sobre elas — prova de que também as peles de um artesão podem ser manuseadas, pois nem mesmo o dono de uma oficina se importa que peles próprias para reclinar se desgastem. A Guemará então testa essa conclusão contra duas baraitot: uma sobre tábuas, distinguindo dono de casa e artesão, respondida pela diferença entre peles e madeira; e outra sobre peles curtidas e não curtidas, cujo alcance é limitado às peles de um dono de casa comum. Uma baraita paralela mostra que o próprio ponto é objeto de disputa tannaítica, com Rabi Yosei permitindo o manuseio em ambos os casos. Encerrado esse tema, os mesmos sábios se voltam a uma nova dúvida: a que correspondem as trinta e nove categorias primárias de trabalho proibidas em Shabat? Rabi Chanina bar Chama responde que correspondem às obras realizadas na construção do Mishkan; Rabi Yonatan filho de Rabi Elazar, em nome de Rabi Shimon filho de Rabi Yosei ben Lakonya, responde que correspondem às trinta e nove ocorrências da palavra "melachá" e suas variações na Torá. Rav Yosef levanta uma dúvida sobre um caso limítrofe — a "melachá" de José na casa de Potifar — que fica sem solução (teiku), por depender de outra ocorrência ambígua, a respeito da doação de materiais para o Mishkan. Uma baraita é então trazida para apoiar a opinião de que os trabalhos correspondem às obras do Mishkan, listando pares completos de proibição e origem, incluindo a intrigante proibição de carregar de domínio privado a domínio privado, explicada por Abaie, Rava ou Rav Ada bar Ahava como referência ao espaço entre as carroças, que era domínio público. O daf fecha retomando a Mishná sobre tosquia de lã: Rava ensina que a proibição de manusear vale apenas quando não se escondeu comida nela, mas se escondeu, pode-se manusear; um sábio recém-chegado à academia contesta Rava citando a própria Mishná, e sua objeção fica interrompida no meio, prosseguindo com a resposta em 50a.
(Concluindo a citação de Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei, interrompida ao fim de 49a:) "Abba (meu pai) era um curtidor, e (mesmo assim) dizia: tragam peles curtidas e sentemo-nos sobre elas."
Aqui se completa a resposta de Rabi Chanina bar Chama à dúvida de Rabi Yonatan ben Achinai e Rabi Yonatan ben Elazar sobre se a Mishná permite manusear as peles curtidas apenas de um dono de casa comum, ou também as de um artesão. Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei contava que seu próprio pai, Abba, era um curtidor de profissão — ou seja, as peles em sua casa eram justamente mercadoria de artesão, sobre a qual se esperaria cuidado especial — e, mesmo assim, em dia de semana, costumava convidar os presentes a trazer peles curtidas para se sentarem sobre elas. Disso se aprende que nem mesmo o dono de uma oficina de curtume trata suas peles com tanto rigor a ponto de proibir seu uso comum, e portanto a permissão da Mishná de manusear peles curtidas em Shabat vale tanto para as de um dono de casa quanto para as de um artesão.
"Era um curtidor" — um artesão que trabalhava curtindo peles.
"E dizia" — em dia de semana.
"Tragam peles curtidas e sentemo-nos sobre elas" — logo, ele não se importava (com o desgaste das peles, mesmo sendo sua mercadoria).
Contestaram (a conclusão anterior, trazendo uma baraita): as tábuas (de madeira) de um dono de casa podem-se manusear, e as de um artesão não se podem manusear; mas, se pensou em colocar pão sobre elas para convidados, tanto umas quanto outras podem-se manusear! (Ou seja, para tábuas, a distinção entre dono de casa e artesão existe — ao contrário do que se concluiu para peles.) Diferente é o caso das tábuas, pois (o artesão) se importa com elas (que não se danifiquem).
A Guemará traz uma objeção de uma baraita sobre tábuas de madeira: ali sim se distingue entre dono de casa, cujas tábuas podem ser manuseadas livremente, e artesão, cujas tábuas — sua mercadoria — não podem, a menos que o próprio dono de casa tenha decidido usá-las para pôr pão diante de convidados, dedicando-as a um uso doméstico. Se essa distinção existe para tábuas, por que não existiria também para peles de artesão, contradizendo a conclusão anterior? A resposta está na natureza diferente do dano: tábuas de madeira se arranham e se estragam facilmente quando manuseadas, e por isso o artesão se importa e as reserva; peles curtidas, ao contrário, não sofrem dano perceptível por serem usadas para sentar-se, de modo que nem o curtidor se importa com elas.
"Se importa com elas" — para que não se danifiquem.
Venha e ouça (outra baraita): peles, sejam curtidas ou não curtidas, é permitido manuseá-las em Shabat; não disseram (que há diferença entre) curtidas (e não curtidas) senão quanto à questão da impureza (apenas as curtidas recebem impureza ritual, não quanto ao manuseio). Não é isto dizer que não há diferença entre as de um dono de casa e as de um artesão? Não, (a baraita fala apenas) das de um dono de casa.
A Guemará tenta uma nova prova de uma baraita que ensina que peles, curtidas ou não, podem ser manuseadas livremente em Shabat, e que a distinção entre curtidas e não curtidas só importa para fins de impureza ritual — pois somente peles curtidas recebem o estatuto de utensílio capaz de se tornar impuro. À primeira vista, isso parece dizer que não há diferença alguma entre peles de dono de casa e de artesão, apoiando a conclusão anterior. Mas a Guemará rejeita essa leitura: a baraita fala apenas das peles de um dono de casa comum, deixando em aberto o que se aplicaria às de um artesão.
Mas as de um artesão, o quê (é a lei)? Não se manuseiam? Se é assim, aquilo que se ensinou: "não disseram (a diferença entre) curtidas (e não curtidas) senão quanto à questão da impureza" — que (a baraita) distinguisse e ensinasse dentro dela mesma: "em que caso se disse isto? No caso das de um dono de casa; mas no caso das de um artesão, não (vale essa equiparação)!" (Já que não o fez, conclui-se que) toda ela fala do dono de casa.
A Guemará pergunta então: se a baraita fala apenas do dono de casa, qual seria a lei para as peles de um artesão — seriam proibidas de manusear? Se assim fosse, a própria baraita deveria ter esclarecido essa distinção dentro de si mesma, já que de qualquer modo precisava mencionar a exceção da impureza; teria sido natural acrescentar ali mesmo que a equiparação entre curtidas e não curtidas só vale para o dono de casa, e não para o artesão. Como a baraita não fez essa distinção explícita, a Guemará conclui que ela trata do início ao fim apenas do caso do dono de casa, sem se pronunciar sobre o artesão — preservando, portanto, a conclusão da história de Abba, o curtidor.
"Não disseram curtidas" — não se mencionou (a palavra "curtidas") para distinguir entre curtidas e não curtidas (quanto ao manuseio).
"Senão quanto à questão da impureza" — pois as curtidas recebem impureza, e não as não curtidas.
"Que distinguisse dentro dela mesma" — no próprio manuseio, havia como distinguir, no caso do artesão, entre curtidas e não curtidas, pois (o artesão) se importa com as curtidas (por serem de maior valor). "Em que caso se disse" que as curtidas podem ser manuseadas — no caso do dono de casa; mas no caso do artesão, já que as curtiu, ele se importa com elas.
"Toda ela fala do dono de casa" — e voltava a distinguir dentro do próprio caso do dono de casa de que tratava, e não encontrou distinção senão quanto à impureza; e, se deixasse o dono de casa, de que tratava, para tomar o artesão, interromperia demais o assunto, mais do que agora.
Como (uma disputa entre) tannaítas (se ensinou noutra baraita): peles de um dono de casa podem-se manusear, e as de um artesão não se podem manusear. Rabi Yosei diz: tanto umas quanto outras podem-se manusear.
A Guemará mostra que a própria questão em aberto — se as peles de um artesão podem ou não ser manuseadas — é objeto de disputa explícita entre tannaítas noutra baraita: a opinião anônima restringe o manuseio livre às peles de um dono de casa, deixando as de artesão como reservadas; Rabi Yosei, porém, discorda e permite o manuseio de ambas, precisamente na linha da conclusão tirada da história de Abba, o curtidor. Com isso, a Guemará situa a resposta de Rabi Chanina bar Chama dentro de uma disputa tannaítica já existente, alinhando-a com a posição de Rabi Yosei.
Voltaram a sentar-se (os mesmos sábios de antes) e levantaram uma dúvida: aquilo que se ensinou (na Mishná de Shabat, capítulo 7), que as categorias primárias de trabalho são trinta e nove (literalmente, "quarenta menos uma"), contra o quê (esse número) corresponde?
Encerrado o tema das peles, a Guemará relata que os mesmos três sábios — Rabi Yonatan ben Achinai, Rabi Yonatan ben Elazar e Rabi Chanina bar Chama — voltaram a se sentar juntos e levantaram uma nova questão, agora sobre a fonte do número trinta e nove das categorias primárias de trabalho proibidas em Shabat por lei da Torá, enumeradas na Mishná do início do capítulo "Klal Gadol". A pergunta busca a origem exata desse número específico: a que ele corresponderia, dentro do texto ou da narrativa da Torá?
"Voltaram a sentar-se" — aqueles mesmos sábios de antes.
Disse-lhes Rabi Chanina bar Chama: contra as obras do Mishkan (o Tabernáculo — todo trabalho realizado ali corresponde a uma categoria primária). Disse-lhes Rabi Yonatan filho de Rabi Elazar, assim disse Rabi Shimon filho de Rabi Yosei ben Lakonya: contra (as ocorrências das palavras) "melachá", "melachtô" e "melechet" que há na Torá, (que somam) trinta e nove.
Duas respostas independentes surgem para a dúvida. Rabi Chanina bar Chama responde que o número corresponde às obras efetivamente realizadas na construção do Mishkan: toda categoria de trabalho executada ali — e apenas essas — foi elevada à condição de categoria primária de proibição em Shabat, ainda que outros trabalhos, mesmo significativos, não tenham correspondência ali. Rabi Yonatan filho de Rabi Elazar, em nome de Rabi Shimon filho de Rabi Yosei ben Lakonya, oferece uma resposta textual diferente: o número corresponde à contagem literal das ocorrências da raiz "melachá" — nas formas "melachá", "melachtô" ("seu trabalho") e "melechet" ("trabalho de") — espalhadas por toda a Torá, que somam exatamente trinta e nove.
"Contra as obras do Mishkan" — aquelas enumeradas ali, no capítulo "Klal Gadol", eram necessárias para o Mishkan; e a seção de Shabat foi justaposta à seção do trabalho do Mishkan, para que dali se aprendesse.
"Que há na Torá" — que estão escritas em toda a Torá; e assim diz o versículo (Êxodo 20:10): "não farás toda melachá" — conforme a contagem de toda "melachá" que há na Torá.
Perguntou Rav Yosef: (o versículo sobre José:) "e veio à casa para fazer sua melachá" (Gênesis 39:11) — está incluído na contagem (das trinta e nove), ou não? Disse-lhe Abaie: pois que tragam um Sefer Torá e contem! Não disse Rabá bar bar Chaná, em nome de Rabi Yochanan, que (em caso de dúvida semelhante) não se moveram dali até trazerem um Sefer Torá e contá-las?
Rav Yosef aponta uma ocorrência ambígua da palavra "melachá": o versículo que descreve José entrando na casa de Potifar "para fazer sua melachá" — expressão que, segundo uma leitura do tratado Sotá, pode ser um eufemismo para as intenções de José em relação à mulher de Potifar, e não trabalho literal. A dúvida é se essa ocorrência deve ou não ser contada entre as trinta e nove. Abaie responde, à primeira vista, com uma solução prática: bastaria trazer um rolo da Torá e contar manualmente todas as ocorrências da palavra, como já se fez antes, segundo relato de Rabá bar bar Chaná em nome de Rabi Yochanan, num caso de dúvida parecida sobre a contagem de letras.
Disse-lhe (Rav Yosef a Abaie): minha dúvida é porque está escrito (a respeito do Mishkan): "e o trabalho (que tinham) lhes bastava" (Êxodo 36:7) — (a questão é se isto) está incluído na contagem; e, (se estiver, então o versículo de José deve ser entendido) segundo aquele que diz que (José) entrou para atender às suas necessidades (eufemismo para relação com a mulher de Potifar, e não trabalho literal).
Rav Yosef explica a Abaie que uma simples contagem manual não resolveria sua dúvida, pois o problema é mais sutil: há uma segunda ocorrência ambígua da raiz "melachá", no versículo sobre a construção do Mishkan que diz "e o trabalho que tinham lhes bastava", referindo-se aos materiais doados. Se essa ocorrência conta como uma das trinta e nove, então, para o total não ultrapassar o número fixado, o versículo sobre José precisaria ser lido no sentido eufemístico — "para atender às suas necessidades", isto é, relação com a mulher de Potifar — e não como trabalho literal, não entrando na contagem.
Ou talvez (seja o contrário:) "e veio à casa para fazer sua melachá" (de José) está incluído na contagem, e este (versículo) "e o trabalho lhes bastava" quer dizer o seguinte: que a (sua) tarefa (de trazer os materiais) estava completa (e não se refere a trabalho no sentido técnico). Fica sem solução (teiku).
A Guemará apresenta a possibilidade inversa: talvez o versículo sobre José conte de fato como trabalho literal entre as trinta e nove ocorrências, e o versículo sobre o Mishkan, "e o trabalho lhes bastava", não fale de melachá em sentido técnico, mas apenas descreva que a tarefa preparatória de trazer e reunir os materiais doados já estava completa — sem indicar uma categoria de trabalho propriamente dita. Como não há como decidir entre as duas leituras, a dúvida permanece em aberto, registrada com a palavra técnica teiku, que marca as questões insolúveis da Guemará.
"Não se moveram dali" — não sei onde isso foi dito; mas é possível que tenha sido dito a respeito do "vav" de "gachon" (Levítico 11:42), pois isso também se questiona em Kidushin quanto ao "vav" de "gachon", e ali se responde que eles (os primeiros sábios) eram peritos nas grafias plenas e defectivas — o que mostra que (o caso de Rabi Yochanan) foi dito a respeito de letras; e aqui não há como responder assim (pois se trata de palavras inteiras, não de letras).
"Porque está escrito 'e o trabalho lhes bastava'" — pois, se contarmos ambas as ocorrências, seriam quarenta; e, como se ensinou que as categorias primárias são trinta e nove, há uma delas que não entra na contagem; e destas duas há como dizer que não são melachá (no sentido técnico), mas não sei qual das duas se excluiria; e assim é sua dúvida: se "e o trabalho lhes bastava" está incluído na contagem e fala de trabalho real, querendo dizer que o trabalho que faziam, faziam-no na medida exata, nem menos nem mais do que o necessário.
Foi ensinado (numa baraita) como aquele que disse "contra as obras do Mishkan": pois foi ensinado: não se é responsabilizado senão por um trabalho que tivesse seu equivalente no Mishkan. Eles (os construtores do Mishkan) semearam (as plantas tintureiras), e vós não semeareis. Eles colheram, e vós não colhereis.
A Guemará traz uma baraita que apoia explicitamente a opinião de Rabi Chanina bar Chama: a responsabilidade por transgredir uma melachá em Shabat só existe quando há um trabalho equivalente realizado na construção do Mishkan. A baraita então começa a listar pares — o que "eles" (os que construíram o Mishkan) fizeram, e a proibição correspondente para "vós" (Israel em Shabat): eles semearam as plantas usadas para tingir, e por isso é proibido semear; eles colheram essas mesmas plantas, e por isso é proibido colher.
"Eles semearam e colheram plantas tintureiras" — para tingir de azul-celeste e as peles de carneiro; e "moeram" e "amassaram" também se referem a plantas tintureiras, pois "cozer", que se ensina na Mishná entre as categorias primárias, é o cozimento das plantas tintureiras; mas (a Mishná) usou a ordem do preparo do pão, e assim se explica no capítulo "Klal Gadol".
Eles subiram as tábuas do chão para a carroça, e vós não trareis do domínio público para o domínio privado. Eles desceram as tábuas da carroça para o chão, e vós não tirareis do domínio privado para o domínio público. Eles tiraram (objetos) de carroça para carroça, e vós não tirareis do domínio privado para o domínio privado.
A baraita continua listando pares: o chão do deserto, por onde as tábuas do Mishkan eram carregadas antes de subir às carroças, tinha o estatuto de domínio público; a carroça, alta e larga o suficiente, tinha o estatuto de domínio privado. Assim, erguer as tábuas do chão para a carroça corresponde à proibição de trazer objetos do domínio público para o domínio privado; descer as tábuas da carroça ao chão corresponde à proibição de tirar do domínio privado para o público; e passar objetos de uma carroça a outra corresponde à proibição de tirar de um domínio privado a outro domínio privado.
"Chão" — domínio público.
"Carroça" — domínio privado, por ter dez (palmos) de altura e quatro de largura.
De domínio privado a domínio privado, o que (de proibido) se está fazendo (afinal, carregar dentro de dois domínios privados, sem passar pelo público, não é proibido por si)? Abaie e Rava, que ambos disseram, e há quem diga (que foi) Rav Ada bar Ahava: (trata-se de carregar) de domínio privado a domínio privado através do domínio público.
A Guemará se surpreende com o último item da lista: carregar de um domínio privado a outro domínio privado, sem tocar o domínio público, não constitui, em princípio, nenhuma transgressão — então que trabalho estaria sendo proibido ali? A resposta, atribuída a Abaie e Rava juntos, ou alternativamente a Rav Ada bar Ahava, esclarece que o caso das carroças do Mishkan era especial: o espaço entre uma carroça e outra, no acampamento do deserto, era ele próprio considerado domínio público, de modo que passar objetos de uma carroça a outra envolvia, na prática, atravessar o domínio público — e é essa passagem intermediária que corresponde à proibição de carregar de um domínio privado a outro passando pelo domínio público.
"Através do domínio público" — pois o espaço aéreo entre as carroças era domínio público.
(Retomando a segunda Mishná do capítulo:) "com tosquia de lã, e não se podem manuseá-las". Disse Rava: não se ensinou isto senão quando não escondeu (comida) com elas; mas, se escondeu com elas, podem-se manusear.
A Guemará volta à segunda Mishná do capítulo (tratada em 49a), que proíbe manusear tosquia de lã por ser reservada (muktzeh) para fiar e tecer. Rava esclarece o alcance exato dessa proibição: ela vale apenas quando a tosquia permanece em seu estado natural, ainda destinada a seu uso original de fiação, sem ter sido escondida com comida. Mas, se o dono a usou para esconder uma panela quente antes do início do Shabat, esse próprio ato dedica a tosquia a um novo uso — o de conservar calor —, retirando-a de sua condição de muktzeh e permitindo seu manuseio livre em Shabat, tal como se permite manusear a panela escondida nela.
"Mas, se escondeu com elas, podem-se manusear" — a suposição agora é que a Mishná ensina coisas distintas (uma proibição geral sobre tosquia), e não que se refere justamente às que foram usadas para esconder.
Contestou-lhe um daqueles sábios, em seu primeiro dia (na academia), a Rava: esconde-se com tosquia de lã, e não se manuseiam. Como se procede (para tomar a panela escondida nelas)? …
Um sábio ainda novo na academia — em seu primeiro dia ali, segundo Rashi — levanta uma objeção a Rava citando de volta a própria Mishná: ela diz explicitamente que se esconde com tosquia de lã, e mesmo assim não se pode manuseá-la, ensinando em seguida um procedimento indireto (tomar a tampa da panela, deixando a lã cair sozinha) para retirar a panela sem tocar na lã. Isso parece contradizer diretamente a regra de Rava, segundo a qual o próprio ato de esconder a comida na tosquia deveria torná-la manuseável. Neste ponto o texto do daf 49b se interrompe no meio da citação da Mishná, exatamente como havia ocorrido ao final de 49a; a continuação — "toma-se a tampa, e elas caem" — e a resposta de Rava a essa objeção, distinguindo entre ter apenas destinado a tosquia para esconder e tê-la de fato reservado permanentemente para esse fim, só aparecem no início de 50a.
"Aquele (sábio) em seu primeiro dia" — naquele mesmo dia veio pela primeira vez à casa de estudo (de Rava).