O daf abre com uma nova unidade, ainda dentro da sugya sobre ligação (chibur) aberta ao fim de 48b: os sábios decretaram, por reforço mútuo, que a impureza valesse também fora do horário de uso — por causa da impureza no horário de uso — e que a aspersão da água da vaca vermelha valesse também no horário de uso — por causa da aspersão fora do horário de uso, de modo que a regra da Torá e a extensão rabínica não se confundissem na prática. Em seguida, a Guemará retoma a sugya sobre esconder panelas para guardar quente, com uma dúvida sobre se a umidade que desqualifica certos materiais de forro precisa vir de si mesmos ou pode vir de outra coisa; a dúvida é resolvida por uma baraita sobre tufos de lã, e reforçada por outra de Rabi Oshaia sobre roupa e frutos secos, ambas explicadas pela lã arrancada de entre as coxas do animal, que é úmida por natureza. A primeira Mishná do daf ensina que se pode esconder com roupa, frutos, penas de pomba, serragem de carpinteiros e estopa fina de linho, com Rabi Yehuda proibindo a estopa fina e permitindo a grossa. Daí a Guemará passa a um ensinamento independente de Rabi Yanai — os tefilin exigem corpo limpo, como o de Elisha "o das asas" —, com a bela história da perseguição romana contra os tefilin e o milagre das penas de pomba, e a explicação de por que Israel é comparado a uma pomba. Depois de resolver a dúvida sobre a quem se refere a proibição de Rabi Yehuda, o daf traz a segunda Mishná do capítulo, sobre esconder com peles curtidas — que podem ser manuseadas — e tosquia de lã — que não pode, com a opinião de Rabi Elazar ben Azaria sobre inclinar o cesto. O daf fecha com a dúvida de Rabi Yonatan ben Achinai e Rabi Yonatan ben Elazar sobre se a Mishná fala das peles de um dono de casa ou de um artesão, e a resposta de Rabi Chanina bar Chama, que cita o ensinamento de Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei — resposta que fica interrompida no meio e prossegue em 49b, com a história de Abba, o curtidor.
E os sábios decretaram quanto à impureza fora do horário de uso, por causa da impureza no horário de uso; e quanto à aspersão no horário de uso, por causa da aspersão fora do horário de uso.
Esta é a continuação direta da regra final de Rava ao fim de 48b: por lei da Torá, ligação vale, para impureza e para aspersão igualmente, apenas no horário de uso. A Guemará explica agora que os sábios acrescentaram um decreto de reforço mútuo entre as duas leis: para que ninguém confundisse os dois regimes e tratasse como ligação, por acidente, uma peça fora de uso para efeito de impureza, decretou-se que a impureza também valesse fora do horário de uso — precisamente por causa da impureza que vale no horário de uso, isto é, para que a regra tivesse um único padrão prático. Do mesmo modo, decretou-se que a aspersão valesse no horário de uso — por causa da aspersão que, de outro modo, só valeria fora dele —, unificando, por medida rabínica, o que a lei da Torá distinguia com precisão.
(Retomando a sugya anterior sobre esconder panelas com materiais de forro:) "quando estão úmidos" (não se pode esconder com eles). Foi perguntado: úmidos por si mesmos, ou talvez úmidos por causa de outra coisa (um líquido derramado sobre eles)? Venha e ouça (de uma Mishná anterior): não se esconde com palha, nem com cascas de uva, nem com tufos de lã, nem com ervas, quando estão úmidos. Se dizes, está bem, que estão úmidos por causa de outra coisa. Mas, se dizes que estão úmidos por si mesmos, como se encontram tufos de lã úmidos por si mesmos? A partir da lã arrancada de entre as coxas (do animal, cheia de suor e naturalmente úmida).
A Guemará retoma a sugya anterior sobre esconder panelas para conservar o calor, agora com uma dúvida específica: quando a Mishná proíbe esconder com certos materiais "quando estão úmidos", a umidade que desqualifica precisa ser inerente ao próprio material, ou basta que ele tenha sido molhado por algo externo, como um líquido derramado? A Guemará traz uma prova de uma Mishná que proíbe esconder com palha, cascas de uva, tufos de lã e ervas quando úmidos: se a umidade fosse sempre externa, seria fácil entender a proibição em qualquer material; mas, se a umidade precisa ser inerente, como se explicaria um tufo de lã úmido por si mesmo, já que a lã tosquiada normalmente é seca? A resposta está na lã arrancada de entre as coxas do animal — não tosquiada, mas puxada da pele suada da virilha —, que é naturalmente úmida, cheia do próprio suor do animal, sem depender de nenhum líquido externo.
E quanto ao que ensinou Rabi Oshaia: esconde-se com roupa seca e com frutos secos, mas não com roupa úmida nem com frutos úmidos (igualmente se pergunta:) como se encontra roupa úmida por si mesma? A partir da lã arrancada de entre as coxas (usada, tecida, para forrar a roupa).
A Guemará traz um segundo ensinamento paralelo, de Rabi Oshaia, que formula a mesma regra em termos de roupa e frutos: pode-se esconder com roupa seca e frutos secos, mas não com roupa úmida nem frutos úmidos. A mesma dificuldade se repete — como encontrar roupa úmida por si mesma, sem depender de um líquido externo? — e a mesma solução se aplica: quando a roupa é tecida, ao menos em parte, com a lã naturalmente úmida arrancada de entre as coxas do animal, ela própria carrega essa umidade inerente, sem necessidade de nenhuma fonte externa. Com isso, a Guemará fecha a dúvida sobre umidade, confirmando que ambos os sentidos — inerente e externo — se aplicam, cada um a seu caso.
"Úmidos por si mesmos" — aquecem mais do que os úmidos por causa de líquidos que caem sobre eles depois de secarem.
"A partir da lã arrancada de entre as coxas" — da lã arrancada de entre as coxas do animal, que está cheia de suor e é úmida por si mesma; por isso se chama "marta" (arrancada), pois não é própria para tosquia.
Esconde-se (uma panela quente, para conservar o calor) com roupa, com frutos, com penas de pomba, com serragem de carpinteiros e com estopa fina de linho. Rabi Yehuda proíbe com a fina e permite com a grossa.
Esta é a primeira Mishná do capítulo "Bameh Tomnin" propriamente sobre os materiais permitidos, complementando a lista já discutida das folhas anteriores. A lista inclui roupa, frutos secos, penas de pomba, a serragem que sobra do trabalho dos carpinteiros, e a estopa fina de linho — a fibra curta e solta que se separa ao pentear o linho. Rabi Yehuda distingue dentro da própria estopa: proíbe esconder com a fina, por ela ser tão leve e solta que se assemelha a esterco e produz calor demais, arriscando cozinhar a comida ainda em Shabat; mas permite com a grossa, que não tem esse risco.
"Estopa" — o resíduo bem fino que se sacode do linho, chamado (em francês antigo) "areshtes".
"Serragem" — o que os carpinteiros serram da madeira.
"E com frutos" — como trigo e legumes.
"Penas de pomba" — plumagem.
Disse Rabi Yanai: os tefilin exigem corpo limpo, como (o de) Elisha "o das asas". O que é isso (exigir corpo limpo)? Abaie disse: que não solte gases enquanto os usa. Rava disse: que não durma enquanto os usa.
A partir da menção a penas de pomba na Mishná, a Guemará traz, por associação de palavras, um ensinamento independente de Rabi Yanai sobre a santidade exigida dos tefilin: quem os usa precisa manter o corpo limpo, como fazia Elisha, apelidado "o das asas" — cuja história a Guemará contará a seguir. Abaie e Rava discordam sobre o que significa exatamente "corpo limpo" nesse contexto: para Abaie, basta que a pessoa consiga se conter e não soltar gases enquanto os usa; para Rava, é preciso também não dormir com eles postos, por causa do risco de soltar gases ou ter uma emissão involuntária durante o sono, quando não há controle consciente do corpo.
E por que o chamavam "o das asas"? Porque, certa vez, o ímpio reino de Roma decretou perseguição contra Israel, que a todo aquele que colocasse os tefilin se perfuraria o cérebro; e Elisha os colocava e saía à praça. Um oficial (romano) o viu; ele (Elisha) fugiu correndo de diante dele, e ele (o oficial) correu atrás dele. E, quando chegou perto dele (e o alcançou), tirou-os (os tefilin) de sua cabeça e os segurou na mão. Disse-lhe (o oficial): o que é isso em tua mão? Disse-lhe: penas de pomba. Estendeu a mão, e se encontraram (de fato) penas de pomba. Por isso o chamavam "Elisha, o das asas".
A Guemará conta a origem do apelido de Elisha. Num tempo de perseguição religiosa romana, quando usar tefilin em público era punível com a perfuração do cérebro sob o local onde se atam os tefilin da cabeça, Elisha, com devoção, continuava a usá-los e a sair à rua. Um oficial romano o notou e o perseguiu; ao alcançá-lo, arrancou-lhe os tefilin da cabeça, e Elisha, pensando rápido, os segurou na mão fechada. Quando o oficial perguntou o que segurava, Elisha respondeu que eram penas de pomba — e, por um milagre, ao abrir a mão, encontraram-se de fato penas de pomba em lugar dos tefilin, salvando sua vida. Desde então, passou a ser chamado "Elisha, o das asas".
E por que (o milagre se deu especificamente com) penas de pomba, e não de outra ave? Porque a assembleia de Israel é comparada a uma pomba, como está dito: "as asas da pomba cobertas de prata, etc." (Salmos 68:14) — assim como as asas da pomba a protegem, também os preceitos protegem Israel.
A Guemará explica o detalhe do milagre: por que precisamente penas de pomba apareceram na mão de Elisha, e não as de qualquer outra ave? Porque o povo de Israel é tradicionalmente comparado a uma pomba, com base no versículo dos Salmos que fala das "asas da pomba cobertas de prata". Assim como as asas protegem fisicamente a pomba — do frio e de predadores —, os preceitos da Torá protegem Israel; o milagre das penas de pomba, portanto, não foi arbitrário, mas expressou visualmente essa proteção que os próprios tefilin, como preceito, ofereciam a Elisha naquele momento de perigo.
"Que não solte gases" — que consiga se conter na hora do gás.
"Que não durma enquanto os usa" — para que não venha a soltar gases ou ter uma emissão; mas, se consegue tomar cuidado para não dormir com eles, todos os corpos são limpos quanto a gases, pois conseguem se conter.
"Perfurariam seu cérebro" — que fica sob os tefilin; "perfurar" é linguagem de furar os olhos.
"Oficial" — (chamado, em francês antigo,) "menestral", que era encarregado disso.
"Penas de pomba" — como se explica adiante, porque são preceitos, e eles protegem Israel, sendo para eles como as asas para a pomba, pois (Israel) é comparado a uma pomba, e os preceitos, às asas.
"Suas asas a protegem" — do frio, e de toda ave ou pessoa que vem contra ela; ela luta e golpeia com a ponta da asa, o que não ocorre com as outras aves.
"Com serragem de carpinteiros", etc. Foi perguntado: Rabi Yehuda refere-se (sua proibição da parte fina) à serragem de carpinteiros, ou refere-se à estopa de linho? Venha e ouça, pois foi ensinado (numa baraita): Rabi Yehuda diz: a estopa fina de linho é como esterco (por reter tanto calor). Aprenda-se daí que se refere à estopa de linho. Aprenda-se daí.
A Mishná havia dito que Rabi Yehuda proíbe esconder com a parte "fina" e permite com a "grossa", sem especificar se essa distinção se refere à serragem de carpinteiros ou à estopa de linho, ambas mencionadas na mesma frase. A Guemará traz uma baraita que resolve a dúvida diretamente: Rabi Yehuda compara a estopa fina de linho a esterco, por reter calor de modo excessivo — o mesmo tipo de risco que motivaria sua proibição na Mishná. Isso prova que a distinção entre fino e grosso, na opinião de Rabi Yehuda, refere-se à estopa de linho, e não à serragem.
"É como esterco" — pois acrescenta calor.
Esconde-se com peles curtidas, e podem-se manuseá-las; (esconde-se) com tosquia de lã, e não se podem manuseá-las. Como se procede (para tomar a panela escondida em tosquia de lã, que é reservada, muktzeh)? Toma-se a tampa (da panela), e elas (as tosquias) caem. Rabi Elazar ben Azaria diz: no caso do cesto (usado para esconder), inclina-o de lado e toma (a panela), para que não aconteça de tomá-la e não poder devolvê-la (ao lugar). E os sábios dizem: toma-se (a panela diretamente) e devolve-se.
A segunda Mishná do daf traz outro par de materiais para esconder panelas quentes: peles curtidas, que servem também para reclinar-se sobre elas e por isso podem ser manuseadas livremente em Shabat; e tosquia de lã, reservada (muktzeh) por se destinar a fiar e tecer, e que por isso não pode ser manuseada diretamente. A Mishná explica como retirar uma panela escondida em tosquia: em vez de mexer na lã, toma-se a tampa da panela, que tem estatuto pleno de utensílio, e a lã cai sozinha ao redor. Rabi Elazar ben Azaria acrescenta, para o caso de um cesto cheio de tosquia: melhor inclinar o cesto de lado e retirar a panela por ali, para não correr o risco de, ao erguê-la diretamente, derrubar a lã para os lados e não conseguir devolver a panela ao seu lugar depois, sem manusear a lã reservada. Os sábios discordam, permitindo tomar e devolver a panela diretamente.
"Peles curtidas" — peles, como em "e esfolou" (Levítico 1:6), traduzido "veyishlach".
"E podem-se manuseá-las" — tanto se escondeu com elas quanto se não escondeu, pois servem para se reclinar sobre elas.
"E não se podem manuseá-las" — pois estão reservadas (muktzeh) para fiar e tecer.
"Como se procede" — aquele que escondeu (a panela) com elas, como tomará sua panela, já que é proibido manuseá-las, pois ela está totalmente escondida dentro delas?
"Toma-se a tampa" — da panela, que tem estatuto de utensílio; e, ainda que elas (as tosquias) estejam sobre ela, não nos importa, pois (a tampa) não se torna base para elas, já que não foi feita senão para cobrir a panela.
"Rabi Elazar ben Azaria diz: no caso do cesto, inclina-o de lado e toma" — quando vai tomar a panela, inclina o cesto de lado.
"Para que não aconteça" — de tomar a panela e caírem as tosquias de um lado e de outro dentro da cavidade onde ela estava; e, se precisar escondê-la de novo, não poderá manusear as tosquias de um lado para outro, para fazer a cavidade e devolvê-la ali dentro.
"Toma-se e devolve-se" — explica-se isso na Guemará.
Estavam sentados Rabi Yonatan ben Achinai e Rabi Yonatan ben Elazar, e Rabi Chanina bar Chama estava sentado junto a eles, e perguntavam entre si: aprendemos (na Mishná, que as peles podem ser manuseadas, referindo-se) às peles curtidas de um dono de casa; mas as de um artesão, já que ele se importa com elas (por serem sua mercadoria), não as manuseamos? Ou talvez aprendemos (referindo-se) às de um artesão, e com muito mais razão às de um dono de casa?
Três sábios, sentados juntos, levantam uma dúvida sobre o alcance exato da Mishná que permite manusear peles curtidas em Shabat. A dúvida gira em torno de duas leituras possíveis: talvez a Mishná fale apenas das peles de um dono de casa comum, que as usa para reclinar-se e não se importa se se sujam ou desgastam, mas as peles de um artesão, destinadas à venda, sobre as quais ele tem cuidado especial (por serem sua fonte de renda), permaneceriam reservadas (muktzeh) e proibidas de manusear; ou, ao contrário, talvez a Mishná fale justamente do caso mais restritivo — as peles do artesão — e, com muito mais razão, as do dono de casa, menos valiosas para seu dono, também seriam permitidas.
Disse-lhes Rabi Yonatan ben Elazar: parece que aprendemos (a Mishná referindo-se) às peles de um dono de casa; mas quanto às de um artesão, ele se importa com elas (e por isso permanecem proibidas de manusear). Disse-lhes Rabi Chanina bar Chama: assim disse Rabi Yishmael, filho de Rabi Yosei: …
Rabi Yonatan ben Elazar responde à dúvida decidindo que a Mishná fala apenas das peles de um dono de casa comum, que não se importa se elas se sujam, pois servem apenas para uso doméstico; as de um artesão, por serem mercadoria destinada à venda, permanecem reservadas e proibidas de manusear, já que ele tem cuidado especial com elas. Rabi Chanina bar Chama então começa a trazer uma tradição de apoio, em nome de Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei — mas, neste ponto, o texto do daf 49a se interrompe no meio da citação, ficando a frase em aberto. A tradição de Rabi Yishmael filho de Rabi Yosei só é relatada por completo no início de 49b, com a história de seu pai, Abba, que era curtidor e dizia: "tragam peles curtidas e sentemo-nos sobre elas" — episódio que confirma, pela prática do próprio pai do tanaíta, que peles curtidas comuns podem ser manuseadas livremente em Shabat.
"Aprendemos as peles curtidas de um dono de casa" — que é permitido manuseá-las, pois não estão destinadas à venda, e ele não se importa com elas quando se sujam, e servem para se reclinar sobre elas.
"Mas as de um artesão" — que estão destinadas à venda, ele se importa com elas; por isso não estão destinadas a se reclinar sobre elas, e não se podem manuseá-las.