O daf abre com uma nova Mishná: não deve a pessoa sentar-se diante do barbeiro perto da Minchá até que reze, nem entrar no banho, no curtume, para comer ou para julgar; mas se já começaram, não interrompem — exceto para rezar, quando interrompem para ler o Shemá, mas não interrompem para a tefilá. A Guemará pergunta qual Minchá é essa: se Minchá grande (do meio-dia em diante), por que não haveria tempo de sobra no dia? Deve ser, portanto, perto da Minchá pequena. Daí surge uma tentativa de usar a cláusula "se já começaram, não interrompem" como refutação de Rabi Yehoshua ben Levi, que ensinou ser proibido provar qualquer coisa antes de rezar a Minchá assim que chega seu horário — mas a Guemará responde que, na verdade, trata-se de Minchá grande, e a Mishná fala de atividades de grande porte (como o corte de cabelo à moda do genro de Rabi, um banho completo, um curtume cheio, uma refeição grande ou o início de um julgamento), que a pessoa não deveria começar por medo de se alongar demais. Rav Acha bar Yaakov oferece uma segunda explicação: trata-se do corte de cabelo comum, e a proibição de começar é apenas um decreto — por medo de quebrar a tesoura, de desmaiar no banho, de ver prejuízo nas peles e ficar aflito, de se deixar levar numa refeição pequena, ou de reverter o julgamento ao ouvir um novo argumento — mas não há, de fato, risco de perder o horário da Minchá; por isso, uma vez começada a atividade, pode-se concluí-la sem problema. A Guemará então estabelece, por meio de Rav Avin, Rav e Rabi Chanina, os marcos precisos que definem o início de cada atividade — o corte de cabelo, o banho, o curtume e a refeição — e resolve uma aparente contradição entre Rav e Rabi Chanina sobre o início da refeição dizendo que cada um fala de um costume diferente (o nosso e o deles). O daf fecha com a observação de Abaie sobre os "companheiros babilônios": segundo quem diz que a tefilá de arvit é facultativa, faz sentido não incomodar quem já afrouxou o cinto para começar a comer — mas, segundo quem diz que é obrigatória, por que não os incomodariam? E, de fato, a tefilá da Minchá é obrigatória para todos, e ensinamos que, se já começaram, não interrompem, e Rabi Chanina disse que o início da refeição é quando se afrouxa o cinto.
Não deve a pessoa sentar-se diante do barbeiro perto da Minchá, até que reze. Não deve a pessoa entrar no banho, nem no curtume, nem para comer, nem para julgar; e se já começaram — não interrompem. Interrompem para ler o Shemá, e não interrompem para a tefilá.
Encerrada a sugya da soleira que abriu o capítulo, o daf 9b inicia a segunda Mishná do primeiro capítulo de Shabbat. Ela estabelece uma série de atividades que não devem ser iniciadas perto da hora da oração da Minchá, por medo de que se estendam e façam a pessoa perder o horário de rezar: sentar-se diante do barbeiro para cortar o cabelo, entrar no banho, entrar no curtume (para trabalhar ou inspecionar peles), começar a comer, ou dar início a um julgamento. Contudo, se qualquer uma dessas atividades já havia começado antes de chegar o horário da Minchá, não se interrompe no meio — a pessoa deve terminar e só depois rezar. A única exceção é a leitura do Shemá: mesmo em meio a uma dessas atividades, interrompe-se para lê-lo (por ser obrigação bíblica com horário mais apertado), mas não se interrompe para a tefilá da Amidá.
"Não deve a pessoa sentar-se diante do barbeiro" — para se cortar o cabelo.
"Perto da Minchá" — antes da Minchá.
"Até que reze" — para que não se esqueça e deixe de rezar. E isto vale mesmo em dia comum (não só em véspera de Shabat); e o motivo de ser ensinado aqui é por se assemelhar ao que se ensina logo a seguir, que o alfaiate não deve sair com sua agulha na véspera de Shabat perto do anoitecer, para que não se esqueça e saia depois de escurecer.
"Não deve entrar" — perto da Minchá.
"Não no banho, etc." — e o motivo de todas (essas proibições) é por medo de que (a pessoa) se prolongue até passar o horário da oração.
"E se já começaram" — uma qualquer destas (atividades).
"Não interrompem" — senão que (a pessoa) deve terminar, e depois rezar; e na Guemará (10a) se explica que isso vale quando há tempo de sobra para terminar antes que passe o horário.
"Interrompem para o Shemá" — pois é (obrigação) bíblica.
"E não interrompem para a tefilá" — e na Guemará (11a) se questiona: mas isso já não foi ensinado no início (desta mesma Mishná)?
Guemará: qual (horário se entende por) "perto da Minchá"? Se dirias: perto da Minchá grande (a partir do meio-dia) — por que não (seria permitido começar essas atividades)? Eis que há ainda muito tempo de sobra no dia! Mas então (deve ser) perto da Minchá pequena.
A Guemará abre perguntando a que horário exato a Mishná se refere quando fala em "perto da Minchá". Há dois horários possíveis para o início do tempo da oferenda perpétua da tarde (e, por extensão, da oração de Minchá que a substitui): a Minchá grande, que começa logo após o meio-dia solar, e a Minchá pequena, que começa bem mais tarde, na nona hora e meia do dia. Se a Mishná falasse da Minchá grande, argumenta a Guemará, a proibição não faria sentido, pois ainda restaria muito tempo no dia antes que o horário realmente se esgotasse — não haveria razão para temer que cortar o cabelo ou tomar um banho fizesse a pessoa perder a oração. Conclui-se, portanto, que a Mishná deve estar falando do horário perto da Minchá pequena, quando o tempo já é mais escasso.
"Minchá grande" — o início do horário da oferenda perpétua da tarde, a partir de quando (o sol) começa a declinar, isto é, de seis horas e meia em diante — pois às seis horas e meia o sol está sobre a cabeça de cada pessoa, projetando a sombra diretamente para baixo, sem se inclinar para nenhum lado, e de sete horas em diante ele se inclina no firmamento para o ocidente; (a expressão) "perto da Minchá" (refere-se, então, ao horário) a partir do início da sétima hora.
"Minchá pequena" — às nove horas e meia, pois costumavam não atrasá-la além disso, conforme se diz (no tratado) Tamid: "é abatido perto dela" (o cordeiro da tarde), a partir do início da décima hora.
"E se já começaram, não interrompem." Digamos que isso seja uma refutação de Rabi Yehoshua ben Levi! Pois disse Rabi Yehoshua ben Levi: assim que chega o horário da tefilá da Minchá, é proibido à pessoa provar qualquer coisa antes de rezar a tefilá da Minchá.
A Guemará propõe usar a segunda cláusula da Mishná — "se já começaram, não interrompem" — como refutação do ensinamento de Rabi Yehoshua ben Levi. Este havia declarado que, assim que chega o horário da tefilá da Minchá (a Minchá pequena, mais restrita), é terminantemente proibido provar qualquer alimento antes de rezar. Mas a Mishná parece dizer o contrário: se a pessoa já começou a comer (mesmo perto da Minchá pequena, no horário já em curso), não precisa interromper a refeição para rezar — pode terminar de comer primeiro. Isso pareceria contradizer diretamente a proibição absoluta de Rabi Yehoshua ben Levi.
"Se já começaram, não interrompem" — em tom de dificuldade: e deixarão passar o horário? Digamos que seja uma refutação, etc., pois se ensina aqui que terminam sua refeição (mesmo passando o horário).
Não (há refutação): na verdade, (a Mishná fala) de perto da Minchá grande — e (o corte de cabelo é) o corte de cabelo (à moda) do genro de Elasa. E (a proibição de entrar) no banho — (refere-se) a todo o processo do banho. E (a proibição de entrar) no curtume — (refere-se) a um curtume grande. E (a proibição de) comer — (refere-se) a uma refeição grande. E (a proibição de) julgar — (refere-se) ao início de um julgamento.
A Guemará rejeita a tentativa de refutação, explicando que a Mishná trata, na verdade, do horário perto da Minchá grande — quando ainda resta bastante tempo no dia — mas se refere a atividades de grande porte e duração, que poderiam se prolongar tanto que ameaçariam consumir todo o tempo restante até a Minchá pequena. O corte de cabelo seria o corte elaborado à moda do genro de Ben Elasa (um estilo trabalhoso e demorado); a proibição do banho abrangeria todo o processo completo (lavar a cabeça, molhar-se em água quente e fria, suar); o curtume seria um curtume grande, com muitas peles; a refeição seria uma refeição grande, como um banquete; e o julgamento seria o início de um caso complexo. Sendo atividades tão longas, mesmo começando na Minchá grande, corre-se o risco real de que se estendam até perto da Minchá pequena e além — daí a proibição de iniciá-las, mas a permissão de concluí-las caso já tenham começado.
"(O corte de cabelo à moda do) genro de Elasa" — (este) era genro de Rabi, e gastou dinheiro para aprender o corte de cabelo dos Sumos Sacerdotes (Nedarim 51a), pois cortava o cabelo de toda a cabeça, mas não completamente — deixava todos os fios um pouco, de modo que a ponta de um ficasse junto à raiz do outro; e isso é (o que está escrito): "aparar apararão (suas cabeças)" (Ezequiel 44:20) — e (esse corte) se prolonga muito.
"A todo o processo do banho" — lavar a cabeça, banhar-se em água quente e fria, e suar.
"Curtume grande" — muitas peles, e no início de seu preparo.
Rav Acha bar Yaakov disse: na verdade, (trata-se) do nosso corte de cabelo comum; (e a proibição de) não se sentar de início (para começá-lo é) decreto, para que não se quebre a tesoura. E (a proibição de entrar) no banho — (refere-se) a apenas suar. (A proibição de) não (entrar) de início (é) decreto, para que não desmaie. E (a proibição de entrar) no curtume — (refere-se) a apenas inspecionar. (A proibição de) não (entrar) de início (é) por medo de que veja prejuízo em suas mercadorias e fique aflito. E (a proibição de) comer — (refere-se) a uma refeição pequena. (A proibição de) não (começar) de início (é) por medo de que (a pessoa) se deixe levar. E (a proibição de) julgar — (refere-se) à conclusão do julgamento. (A proibição de) não (começar) de início (é) por medo de que (o juiz) veja um (novo) argumento e reverta o julgamento.
Rav Acha bar Yaakov oferece uma segunda explicação para a Mishná, mais simples: trata-se, de fato, do corte de cabelo comum (não o elaborado à moda do genro de Elasa), de apenas suar no banho (não do processo completo), de meramente inspecionar as peles no curtume (não de um grande carregamento), de uma refeição pequena (não de um banquete) e da conclusão (não do início) de um julgamento. Em nenhum desses casos há, de fato, risco real de que a atividade se prolongue a ponto de fazer a pessoa perder o horário da Minchá — a proibição de começá-las é apenas um decreto rabínico preventivo, cada um com sua própria razão específica: no corte de cabelo, por medo de que a tesoura se quebre no meio (obrigando a pessoa a procurar outra); no banho, por medo de desmaiar por causa do calor; no curtume, por medo de ver que as peles se estragaram e ficar emocionalmente perturbado (o que atrapalharia a concentração na oração); na refeição, por medo de a pessoa se deixar levar e continuar comendo além do planejado; e no julgamento, por medo de que um juiz, ao ouvir um argumento novo já perto do veredito, reverta sua decisão. Mas, uma vez que a atividade já começou sem esses percalços, não há razão para interrompê-la, e a pessoa pode concluí-la tranquilamente antes de rezar.
"Que se quebre a tesoura" — das tesouras (de corte), e (a pessoa) precise procurar outra tesoura.
"No banho" — também não digas que (se refere) a todo o processo do banho, senão a apenas suar.
"Desmaie" — pashmir, em língua estrangeira.
"Apenas inspecionar" — pois isso não é o início de seu preparo (das peles), e ainda assim, de início, não deve entrar perto da Minchá grande.
"Que veja prejuízo em suas mercadorias" — (por medo de) que as peles se tenham estragado dentro dele (do curtume).
"E fique aflito" — (a ponto de) se afligir e ficar preocupado com sua dor, e não rezar (com a devida concentração).
"E reverte o julgamento" — (por medo de que os juízes) revertam o que já haviam decidido e voltem atrás, retornando (o caso) a ser o início do julgamento.
A partir de quando (se considera) o início do corte de cabelo? Disse Rav Avin: a partir de quando (o barbeiro) coloca o pano dos barbeiros sobre os joelhos (do cliente). E a partir de quando (se considera) o início do banho? Disse Rav Avin: a partir de quando (a pessoa) retira de si o seu pano. E a partir de quando (se considera) o início do curtume? A partir de quando (a pessoa) amarra (o avental) entre os ombros. E a partir de quando (se considera) o início da refeição? Rav disse: a partir de quando (a pessoa) lava as mãos. E Rabi Chanina disse: a partir de quando (a pessoa) afrouxa o cinto.
A Guemará agora precisa os marcos que definem o "início" de cada uma das atividades mencionadas na Mishná, pois é esse início que determina se a pessoa pode ou não concluir a atividade sem interromper para rezar. Para o corte de cabelo, o marco é quando o barbeiro coloca o pano protetor sobre os joelhos do cliente. Para o banho, é quando a pessoa retira o próprio pano (a toalha ou vestimenta) de si, preparando-se para entrar. Para o curtume, é quando o trabalhador amarra o avental de trabalho entre os ombros. E para a refeição, há uma controvérsia: Rav diz que o início é quando se lavam as mãos (antes de comer pão), enquanto Rabi Chanina diz que é quando se afrouxa o cinto (um gesto de preparação para se acomodar à mesa).
"A partir de quando (se considera) o início do corte de cabelo" — para dizermos que, a partir daí, não se interrompe mais, conforme se ensinou: "se já começaram, etc."
"Pano" — um lenço, e (o barbeiro) o coloca sobre os joelhos (do cliente), para que o cabelo não caia sobre suas roupas.
"A partir de quando retira de si o seu pano" — seu lenço é o primeiro (passo) de despir suas roupas.
"A partir de quando amarra entre os ombros" — as mangas de seus braços, que se chamam bretzeira.
E não discordam (Rav e Rabi Chanina): este (o critério de lavar as mãos vale) para nós (na Babilônia), e aquele (o critério de afrouxar o cinto vale) para eles (na Terra de Israel).
A Guemará harmoniza a aparente disputa entre Rav e Rabi Chanina sobre o início da refeição, explicando que ambos estão certos, cada um a respeito do costume de sua própria região: na Babilônia, onde os homens usavam cintos apertados que precisavam ser afrouxados antes de comer, o marco natural do início da refeição era lavar as mãos (pois o afrouxar do cinto não seria um sinal tão específico, já que era feito por outros motivos também); já na Terra de Israel, onde não havia esse costume de cinto apertado antes da refeição, o marco distintivo do início era justamente o afrouxar do cinto, feito especificamente para se preparar para comer.
"Este para nós, e aquele para eles" — os filhos da Babilônia costumavam se cingir com força, e quando comiam precisavam afrouxar (o cinto); e os filhos da Terra de Israel não costumavam assim, com o afrouxar do cinto antes da lavagem das mãos.
Disse Abaie: estes companheiros babilônios (que dizem que, uma vez afrouxado o cinto, não se incomoda mais a pessoa para rezar arvit) — segundo quem diz que a tefilá de arvit é facultativa, faz sentido que, uma vez que (a pessoa) já afrouxou seu cinto, não a incomodemos (para interrompesse e rezar); mas segundo quem diz que (arvit) é obrigatória, (por que) a incomodaríamos (a interromper, e não os incomodam)?! Ora, a tefilá da Minchá, segundo todos, é obrigatória, e ensinamos: "se já começaram, não interrompem" — e disse Rabi Chanina: "a partir de quando (a pessoa) afrouxa o cinto"!
O daf fecha com uma observação de Abaie que amplia a discussão para além da Minchá, tocando também a tefilá da noite (arvit). Há uma disputa (tratada em Berachot 27b) sobre se a tefilá de arvit é obrigatória ou facultativa. Abaie nota que os "companheiros babilônios" tinham o costume de, uma vez que alguém já havia afrouxado o cinto para começar a refeição da noite, não mais incomodá-lo para interromper e rezar arvit. Isso faria sentido perfeito segundo a opinião de que arvit é facultativa — não há por que interromper uma refeição já iniciada por uma oração que não é estritamente obrigatória. Mas, segundo a opinião de que arvit é obrigatória, seria de se esperar que a pessoa fosse sim incomodada a interromper — e, no entanto, não era esse o costume. Abaie resolve a dificuldade observando que a própria Mishná já ensina o princípio geral: mesmo para a tefilá da Minchá, que é obrigatória segundo todas as opiniões, uma vez que a refeição (ou outra atividade listada) já começou, não se interrompe — e Rabi Chanina já havia estabelecido que o início da refeição se dá justamente quando se afrouxa o cinto. Portanto, o costume dos companheiros babilônios está em plena conformidade com a Mishná, e não constitui prova a favor de nenhuma das duas opiniões sobre arvit.
"Segundo quem diz que a tefilá de arvit é facultativa" — no tratado Berachot (27b) — pois ela corresponde à queima dos sebos e das partes (sacrificiais), cuja expiação eles (quando não queimados a tempo) não impedem.
"Não o incomodamos" — a interromper, senão que (a pessoa) termina (a refeição) e depois reza.
"E segundo quem diz que é obrigatória, etc." — em tom de dificuldade.