Shabbat 139b abre completando o relato interrompido ao final de 139a: no caso da sinagoga de Maon, não se sabia se a morte ocorrera antes ou depois do Yom Tov adjacente ao Shabat, e, diante da dúvida, vieram perante Rabi Yochanan, que permitiu que gentios se ocupassem do morto. Rava generaliza a regra: num morto no primeiro dia de Yom Tov, que gentios se ocupem dele; no segundo dia de Yom Tov — mesmo o segundo dia de Rosh Hashaná — que os próprios israelitas o façam, ao contrário da lei do ovo posto num dos dois dias; e, ainda assim, Rav Menashiá respondera aos filhos de Bashkar de modo absolutamente restritivo, precisamente porque não eram versados na Torá. Segue-se um novo tema: Rabi Avin bar Rav Huna, em nome de Rav Chama bar Guria, ensina que um homem pode se envolver num dossel, com suas franjas penduradas, e sair com ele ao domínio público no Shabat, sem se preocupar — o que a guemará distingue do ensinamento de Rav Huna, em nome de Rav, de que quem sai com um manto sem franjas corretas é obrigado a uma oferenda pelo pecado: as franjas do manto são significativas e não se anulam nele, enquanto as franjas do dossel se anulam. A guemará então traz uma sequência de estratagemas permitidos em Yom Tov e no Chol HaMoed: Rabá bar Rav Huna ensina que se pode pendurar romãs no coador antes de usá-lo para as borras, condicionado por Rav Ashi a que as romãs sejam realmente penduradas primeiro; a guemará compara isso a uma baraita sobre fabricar cerveja no Chol HaMoed apenas para a necessidade do próprio Chol HaMoed, ainda que se possa beber da nova por estratagema mesmo sem prova alguma, distinguindo os dois casos pelo critério de a coisa ser ou não evidente; e conta-se o episódio de um jovem erudito que usava um dente de alho, fingindo apenas guardá-lo, para tapar um barril vazando, e uma viagem de balsa, fingindo apenas querer dormir, para que um gentio transportasse suas frutas pela água no Shabat — ao que Rav Ashi responde que o estratagema só é válido para proibições de origem rabínica, e um jovem erudito não agiria abertamente contra uma proibição da Torá. O daf then apresenta uma nova Mishná, ainda dentro do mesmo Perek Vinte: colocam-se água sobre as borras do vinho para que se clarifiquem, filtra-se o vinho com toalhas e com um cesto egípcio, coloca-se um ovo no coador de mostarda, e fazem-se anomlin no Shabat — com Rabi Yehuda distinguindo o recipiente conforme o dia (copo no Shabat, jarro em Yom Tov, barril no Chol HaMoed) e Rabi Tzadok preferindo decidir conforme o número de convidados. A Guemará sobre essa Mishná traz o ensinamento de Zeiri, permitindo vinho e água claros no coador no Shabat, mas não turvos; uma objeção de uma baraita de Rabán Shimon ben Gamliel, resolvida por Zeiri como referente ao período entre os lagares, quando todo vinho já está turvo; as condições de Rav Shimi bar Chiya, contra fazer uma cavidade na toalha, e de Rav, contra levantar o cesto egípcio um palmo do fundo do recipiente; o dito de Rav sobre o pano de cobertura do barril, permitido sobre metade dele e proibido sobre o todo; o de Rav Papa contra pressionar ramos na boca do jarro pequeno, por parecer um coador; e o episódio da casa de Rav Papa, que despejava cerveja de vaso a vaso sem se importar com as gotas residuais. O daf termina no meio do ensinamento de Yaakov Karcha sobre o ovo no coador, prosseguindo em Shabat 140a. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo — a nova Mishná que aqui se inicia é apenas uma nova unidade mishnaica dentro do mesmo Perek Vinte, e não o começo de um Perek Vinte e Um, que só começa em 141b:19.
(completando o relato interrompido ao final de 139a: houve um caso de morte na sinagoga de Maon, num Yom Tov adjacente ao Shabat) e não sabíamos se a morte ocorrera antes dele ou depois dele, e vieram perante Rabi Yochanan, e ele lhes disse: que os gentios se ocupem dele.
"E não sabíamos se antes dele" — se o Yom Tov caiu na véspera do Shabat e o morto morreu naquele mesmo dia, e, como não poderiam se ocupar dele no dia seguinte (Shabat), permitiram sepultá-lo por meio de gentios.
"Ou depois dele" — e ele morreu no Shabat, e, como já havia sido retardado e começaria a exalar mau odor, permitiram igualmente.
Completa-se aqui a frase deixada cortada ao final de 139a. O caso de Maon envolvia uma dúvida real sobre o momento exato da morte, num Yom Tov colado ao Shabat: se antes do Yom Tov, o corpo ficaria sem cuidados até o dia seguinte, que era Shabat; se depois, já durante o Shabat, o atraso causaria decomposição. Em ambos os cenários, Rabi Yochanan permitiu que gentios se ocupassem do morto — precisamente o precedente que a guemará traz como objeção à resposta categórica de Rav Menashiá aos filhos de Bashkar, segundo a qual "nem judeus, nem arameus" deveriam se ocupar de um morto em Yom Tov.
E disse Rava: havendo um morto no primeiro dia de Yom Tov, que os gentios se ocupem dele; no segundo dia de Yom Tov, que os israelitas se ocupem dele, e mesmo no segundo dia de Yom Tov de Rosh Hashaná — o que não é assim quanto ao ovo (posto num dos dois dias, cuja proibição se estende ao outro). E, mesmo sendo essa a lei verdadeira, Rav Menashiá respondeu de modo absolutamente restritivo aos filhos de Bashkar, porque eles não eram versados na Torá.
"Um morto no primeiro dia de Yom Tov, etc." — trata-se de um morto que já foi retardado, como no caso de alguém que morreu no Shabat e, no dia seguinte, era Yom Tov.
"O que não é assim quanto ao ovo" — pois Rosh Hashaná não é equiparável aos dias festivos da diáspora; Rosh Hashaná é mais rigoroso, de modo que, quanto a seu segundo dia, um ovo posto num dos dois dias é proibido no outro (os dois dias sendo tratados como um só).
Rava resolve a objeção trazida pelo precedente de Maon, distinguindo o que a guemará chamara de regra absoluta: na verdade, a proibição de israelitas se ocuparem de um morto vale apenas no primeiro dia de Yom Tov, quando gentios podem fazê-lo; no segundo dia, mesmo israelitas podem se ocupar do morto — inclusive no segundo dia de Rosh Hashaná, que, apesar de mais rigoroso quanto ao ovo posto num dos dois dias, é tratado com a mesma leniência quanto ao morto. E, no entanto, essa mesma explicação retroativamente justifica por que Rav Menashiá respondeu aos filhos de Bashkar com a proibição categórica, sem as distinções finas de Rava: eles não eram versados na Torá, e uma resposta simples e restritiva evitava erros de aplicação — exatamente o mesmo raciocínio já aplicado, em 139a, às perguntas sobre o dossel e o lúpulo.
Disse Rabi Avin bar Rav Huna, disse Rav Chama bar Guria: um homem pode se envolver num dossel (usando-o como manto), com suas franjas penduradas, e sair ao domínio público no Shabat, e não precisa se preocupar.
"Um homem pode se envolver num dossel" — pois o dossel é como um lençol, e ele o envolve à maneira de uma veste.
"E com suas franjas" — as tiras que ficam penduradas nele; e não dizemos que essas tiras não servem para o propósito de envolver-se, constituindo, naquele momento, um peso, ainda que essas franjas sejam feitas apenas para estendê-lo como uma tenda-dossel.
Encerrado o tema do morto em Yom Tov, a guemará retoma o assunto do dossel — já discutido em 138a-138b e nas perguntas de Bnei Bashkar — sob um novo ângulo: pode-se usá-lo não como cobertura estendida, mas como manto sobre o corpo, saindo com ele, e com as tiras penduradas usadas para amarrá-lo, ao domínio público, sem que essas tiras sejam consideradas um peso adicional proibido.
Em que isso difere do ensinamento de Rav Huna? Pois disse Rav Huna, disse Rav: quem sai ao domínio público com um manto que não está franjado conforme sua lei, no Shabat, é obrigado a uma oferenda pelo pecado! Resposta: as franjas em relação ao manto são significativas, e não se anulam nele, constituindo peso à parte; estas (as franjas do dossel) não são significativas, e se anulam.
"É obrigado a uma oferenda pelo pecado" — ao passo que, se o manto não estivesse franjado de modo algum, ele não seria responsável, pois o manto é sua própria veste; isso mostra que as franjas incorretas são, para ele, um peso, pois, não estando conforme seu preceito, ele não tem necessidade delas, e elas não são verdadeiramente parte da veste, a ponto de contarmos com elas como tal.
"São significativas" — porque são de tehelet (lã tingida de azul), e não se anulam, constituindo nele um peso.
A guemará compara os dois casos aparentemente contraditórios: no manto ritual, franjas incorretas tornam-se um peso proibido, precisamente porque as franjas de tzitzit, sendo de lã tingida e destinadas a um preceito específico, mantêm identidade própria e não se fundem com a veste quando inválidas. Já as tiras do dossel, sem tal significado religioso independente, são consideradas parte integrante do próprio dossel, anulando-se nele como qualquer outro acessório de um manto comum.
Disse Rabá bar Rav Huna: um homem pode usar de um estratagema quanto ao coador, em Yom Tov, para pendurar nele romãs, e depois pendurar nele as borras (do vinho, filtrando-as). Disse Rav Ashi: e isso vale apenas quando ele de fato pendurou romãs nele primeiro.
"Um homem pode usar de um estratagema quanto ao coador em Yom Tov" — segundo os sábios, que dizem não se pode pendurar o coador em Yom Tov, e já estabelecemos que a razão não é por causa de uma tenda proibida, mas por parecer um ato de dia comum; por isso, ele usa de um estratagema e o pendura para o propósito das romãs, o que não é um ato de dia comum, e filtra ali as borras, já que o coador está pendurado, pois já dissemos que se pode colocar borras num coador já pendurado em Yom Tov.
"E isso vale apenas quando pendurou romãs nele" — primeiro, de modo que fique evidente que, de início, não o pendurou para as borras.
Encerrado o tema do dossel, a guemará abre um novo excurso sobre estratagemas permitidos. Pendurar o coador diretamente em Yom Tov para filtrar as borras do vinho pareceria um ato de dia comum, e é proibido pelos sábios; mas, se alguém o pendura primeiro com o propósito legítimo e evidente de guardar romãs, pode depois usá-lo também para as borras, pois já não parece um ato feito exclusivamente para esse fim — desde que a ordem seja respeitada, penduradas as romãs antes.
Em que isso difere do que foi ensinado: fabrica-se cerveja no Chol HaMoed para a necessidade do próprio Chol HaMoed; para o que não é necessidade do Chol HaMoed — é proibido, tanto cerveja de tâmaras quanto cerveja de cevada. Ainda que já tenham cerveja velha, é permitido usar de estratagema e beber da nova!
"Fabrica-se" — em francês antigo, "brasser" (preparar bebida fermentada).
"No Moed" — durante o Chol HaMoed.
"Usa de estratagema e bebe da nova" — isso mostra que, mesmo sem prova alguma de que a bebida é destinada à necessidade do Moed, é permitido usar de estratagema.
A guemará traz uma aparente contradição: o precedente do coador exigiu uma prova evidente (as romãs penduradas antes) para justificar o estratagema, mas a baraita sobre a cerveja permite beber da nova por mero estratagema, sem qualquer evidência externa de necessidade, mesmo havendo cerveja velha disponível.
Lá (no caso da cerveja), a coisa não é evidente (ninguém sabe, ao vê-lo beber, se ele já tem cerveja velha ou não, então não há aparência de transgressão); aqui (no caso do coador), a coisa é evidente (pois, sem as romãs penduradas primeiro, fica claro que o coador foi pendurado apenas para as borras).
"Lá a coisa não é evidente" — pois é uma questão de proibição em que quem vê diria que é para a necessidade do Chol HaMoed, já que nem todos sabem que ele tem cerveja velha. Aqui a coisa é evidente para a proibição, pois, normalmente, quem pendura o coador o faz para as borras; e, se ele não colocou romãs nele primeiro, apenas para guardá-las, quando depois coloca borras, fica evidente que foi para isso que o pendurou.
A guemará resolve a aparente contradição com um único critério: o estratagema é sempre permitido, mas sua validade depende de haver, ou não, uma prova visível e concreta do propósito legítimo. No caso da cerveja, a ausência de evidência já favorece o bebedor, presumindo-se boa-fé; no caso do coador, a ausência de prova (romãs penduradas primeiro) trai imediatamente o propósito ilícito.
Disseram os rabinos a Rav Ashi: veja, mestre, este jovem erudito — seu nome é Rav Huna, filho de Rabi Chion, e alguns dizem que seu nome é Rav Huna, filho de Rabi Chilvon —, que toma um dente de alho e o coloca no orifício do barril, e diz: "eu apenas pretendo guardá-lo". E vai e dorme na balsa, e ela atravessa para o outro lado, e ele vigia as frutas (de seu pomar, do lado de lá), e diz: "eu apenas pretendia dormir!".
"Um dente de alho" — um gomo de alho.
"E o coloca no orifício do barril" — no lugar onde há um furo no barril, por onde o vinho escorre, ele o coloca ali no Shabat para tapar, o que equivale a um conserto, e ele usa de estratagema de propósito, de antemão.
"E diz que pretende guardá-lo" — "é a este dente de alho que me refiro"; e, além disso, faz outra coisa: vai dormir na balsa, um barco largo feito para atravessar as águas, pertencente a um gentio, sabendo que o gentio a levará para o outro lado.
"E vigia as frutas" — e guarda ali as frutas de seu vinhedo, de modo que se constata que o gentio o transporta pela água no Shabat.
A guemará ilustra, com um episódio concreto e algo cômico, a aplicação prática — e a sagacidade — dos estratagemas: esse jovem erudito encontrava pretextos plausíveis (guardar um dente de alho, apenas desejar dormir) para, na verdade, consertar um barril vazando e conseguir que um gentio o transportasse pela água até seu pomar no Shabat, sem executar ele mesmo o trabalho proibido.
Ele lhes disse: estratagema é o que estás dizendo? O estratagema só é válido quanto a proibições de origem rabínica, e um jovem erudito não viria a agir assim de propósito (transgredindo abertamente uma proibição da Torá sem sequer um pretexto real).
"O estratagema vale apenas quanto a proibições de origem rabínica" — esta é a versão correta do texto: este estratagema não se aplica a uma proibição da Torá, mas apenas a uma proibição rabínica, pois, mesmo que ele tivesse agido realmente sem estratagema algum, teria transgredido apenas uma proibição rabínica; por isso, sendo ele um jovem erudito, não o trataram com rigor, pois ele não agiria abertamente, de propósito, sem estratagema, transgredindo ali diante de todos.
Rav Ashi esclarece o limite do princípio: o estratagema pressupõe uma transgressão apenas rabínica, disfarçada por um pretexto plausível; um jovem erudito jamais transgrediria abertamente uma proibição bíblica, mesmo sob disfarce. Por isso, o episódio relatado, embora pareça extremo, é permitido — ambas as ações (tapar o barril, transportar as frutas pela água) envolviam apenas proibições rabínicas, disfarçadas por pretextos coerentes.
Colocam-se água sobre as borras (do vinho), para que se clarifiquem. E filtra-se o vinho com toalhas e com um cesto egípcio. E coloca-se um ovo no coador de mostarda, e fazem-se anomlin (uma bebida de vinho, mel e especiarias) no Shabat. Rabi Yehuda diz: no Shabat, num copo; em Yom Tov, num jarro; e no Chol HaMoed, num barril. Rabi Tzadok diz: tudo conforme os convidados.
Encerrado o excurso sobre estratagemas, uma nova Mishná se inicia, dentro do mesmo Perek Vinte (Tolin) — não o começo de um novo capítulo, que só ocorrerá bem mais adiante, em 141b:19. A Mishná reúne quatro procedimentos permitidos no Shabat, todos ligados ao preparo e à filtragem de bebidas: verter água sobre as borras do vinho para clarificá-las, filtrar vinho com panos ou um cesto de fibra de tamareira, filtrar um ovo através de um coador de mostarda, e preparar anomlin — uma bebida composta de vinho, mel e pimenta. As duas últimas cláusulas trazem opiniões divergentes sobre o recipiente adequado para o anomlin: Rabi Yehuda vincula o recipiente ao tipo de dia (copo, jarro ou barril, em ordem crescente), enquanto Rabi Tzadok prefere um critério prático — o número de convidados presentes.
"Mishná: colocam-se água" — no Shabat, sobre as borras já colocadas no coador desde a véspera.
"Para que se clarifiquem" — para que fiquem límpidas, permitindo que o vinho escoe, por causa das partículas residuais que ficam retidas.
"Com toalhas e com um cesto egípcio" — feito de ramos de tamareira.
"Cesto" — isto é, um cesto comum.
"E coloca-se um ovo no coador" — no qual a mostarda está colocada para se filtrar, e o coador retém o resíduo grosso; e também do ovo, sua gema goteja e se filtra junto, dando à mostarda sua coloração, enquanto a clara, que é mais consistente, permanece por cima. E Rabenu HaLevi explicou que a filtragem do ovo é para dentro de um prato cozido, não para dentro da mostarda, e é permitido fazê-lo no coador de mostarda por se tratar de uma mudança quanto ao uso habitual do utensílio, de modo que o ovo filtrado desce para dentro da tigela, que é um recipiente secundário, clareando o prato.
"Anomlin" — em francês antigo, "poison" (bebida).
"Jarro (lagin)" — maior que um copo e menor que um barril.
Guemará: disse Zeiri: um homem pode colocar vinho claro e água clara dentro do coador no Shabat, e não precisa se preocupar; mas vinho e água turvos — não pode.
A Guemará abre sua discussão sobre a Mishná com um refinamento de Zeiri: colocar líquidos já claros no coador não constitui verdadeira filtragem proibida, pois nada de novo é separado; mas colocar líquidos turvos, que ainda contêm sedimentos a serem retidos, seria um ato de filtragem genuína, e portanto proibido.
Levantaram uma objeção: Rabán Shimon ben Gamliel diz: um homem pode misturar um barril de vinho — seu vinho junto com suas borras —, e colocá-lo dentro do coador no Shabat, e não precisa se preocupar! Zeiri interpretou-a: ensinaram isso a respeito do período entre os lagares (quando todo o vinho ainda está turvo).
"Misturar (tored)" — significa mexer, misturar.
"Ensinaram isso a respeito de entre os lagares" — pois, nessa época, todos os vinhos estão turvos, e bebem-nos junto com suas borras; por isso, aqui não há verdadeiro reparo envolvido, pois, de qualquer modo, já se bebe assim.
A objeção parecia contradizer Zeiri, já que Rabán Shimon ben Gamliel permite colocar vinho turvo, misturado às próprias borras, no coador. Zeiri resolve limitando o caso ao período sazonal entre os lagares, logo após a vindima, quando todo o vinho disponível é naturalmente turvo e as pessoas o bebem assim mesmo, sem esperar clarificação — de modo que passá-lo pelo coador não constitui um verdadeiro aperfeiçoamento proibido, mas apenas a forma costumeira de consumi-lo.
A Mishná ensinou: filtra-se o vinho com toalhas. Disse Rav Shimi bar Chiya: contanto que não faça uma cavidade na toalha, na boca do recipiente.
"Que não faça uma cavidade" — com a toalha, na boca do recipiente, pois isso teria a aparência de um ato de dia comum, ou ainda, viria a resultar em espremer a toalha, proibido no Shabat.
Rav Shimi bar Chiya acrescenta uma restrição prática: ao usar a toalha como filtro, ela não pode ser moldada com uma cavidade funda dentro do recipiente, o que a assemelharia a um funil sofisticado, com aparência de trabalho proibido, além de correr o risco de resultar em espremer o líquido retido para fora do tecido.
A Mishná ensinou: e com um cesto egípcio. Disse Rav Chiya bar Ashi, disse Rav: contanto que não o levante um palmo do fundo do recipiente.
"Que não o levante" — isto é, o cesto, um palmo do fundo do recipiente inferior, a mesma medida mínima de uma tenda.
Do mesmo modo, o cesto egípcio usado como filtro não pode ser suspenso a um palmo ou mais do fundo do recipiente que o recebe — a medida mínima que, segundo as leis de Shabat, transformaria o espaço sob ele numa tenda proibida, com teto e paredes reconhecíveis.
Disse Rav: este pano de cobertura, sobre metade do barril de vinho — é permitido; sobre todo o barril — é proibido.
"Pano de cobertura" — um tecido que se estende sobre uma tina de vinho para cobri-la.
"Sobre metade do barril é permitido" — pois assim não constitui uma tenda.
Ainda na mesma preocupação com a proibição de tendas no Shabat, Rav distingue: um pano estendido apenas sobre metade da boca do barril não forma uma cobertura completa e reconhecível como tenda, sendo permitido; mas, cobrindo-o inteiramente, o pano passa a funcionar como o teto de uma tenda, sendo proibido.
Disse Rav Papa: que ninguém pressione firmemente ramos na boca do jarro pequeno (usado para despejar vinho do barril), porque isso parece um coador.
"Que ninguém pressione firmemente ramos na boca do jarro do barril" — um pequeno recipiente de barro com o qual se despeja vinho de um barril; não se devem colocar em sua boca palhas e gravetos com firmeza, pois não há coador maior e mais reconhecível do que este.
Rav Papa adverte contra um ato aparentemente inofensivo — colocar gravetos ou palhas firmemente na boca do pequeno jarro usado para servir vinho — precisamente porque a aparência resultante seria indistinguível da de um coador propriamente dito, mesmo que a intenção fosse apenas conter respingos.
Na casa de Rav Papa, despejavam cerveja de um vaso para outro. Disse-lhe Rav Acha de Difti a Ravina: mas há gotas residuais que se destacam do restante! Respondeu Ravina: as gotas, para a casa de Rav Papa, não são significativas.
"Despejavam cerveja" — sempre que se ensina a expressão "despejar" (shefui), trata-se de fazê-lo com cuidado, de modo que o resíduo permanece no fundo do recipiente.
"Mas há gotas" — pequenas gotículas que se derramam por último, junto com o resíduo, e que evidenciam tratar-se de uma verdadeira separação, proibida no Shabat.
"As gotas, para a casa de Rav Papa, não são significativas" — pois Rav Papa era um comerciante que fabricava cerveja, como dissemos em Bava Metzia e em Pessachim; por isso, não se preocupava tanto com as gotas, e, ao chegar a elas, descartava-as junto com o resíduo para fora — e, desde o início do despejo, já é evidente que o objetivo não é escolher e separar.
O episódio ilustra um princípio subjetivo: a mesma ação — despejar líquido de um vaso para outro, deixando gotas residuais que efetivamente se separam do resíduo — poderia parecer uma "escolha" proibida no Shabat, mas, para a casa de Rav Papa, comerciante habitual de cerveja, essas poucas gotas eram irrelevantes o bastante para não constituírem um ato de separação intencional; desde o início, ficava claro que ele não visava a essas gotas, e sim apenas verter o líquido principal.
A Mishná ensinou: e coloca-se um ovo no coador. Ensinou Yaakov Karcha [o ensinamento é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 140a].
O daf termina exatamente neste ponto, no meio de um novo ensinamento de Yaakov Karcha sobre a cláusula da Mishná a respeito de colocar o ovo no coador — retomando o tema tratado pela glosa de Rashi sobre a própria Mishná. O conteúdo desse ensinamento e sua continuação ficam cortados aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 140a.