Shabbat 140b abre completando o ensinamento de Rav Chisda, interrompido ao final de 140a: retirar a túnica de linho do caniço em que está estendida para secar é permitido, mas retirar o caniço junto com ela é proibido, pois o caniço, sozinho, não tem status de utensílio — a menos que seja, como acrescenta Rava, o instrumento de um tecelão. Segue-se uma longa cadeia de máximas práticas de Rav Chisda a estudiosos pobres da casa de estudo: sobre mover um maço de verduras ou um gancho de pendurar carne; a rejeição de uma comparação de Rav Katina; conselhos sobre comprar verduras e caniços compridos, evitar a verdura por abrir o apetite, não fatiar o pão mesquinhamente, a discussão de bal tashchit a propósito do pão de trigo e do vinho — rejeitada em favor do cuidado com o corpo —, lavar-se com água de valas, comprar carne do pescoço, a túnica de linho de Dinhar Abba, não sentar em esteira nova, e não confiar a roupa ao hospedeiro. Segue-se uma série de conselhos de Rav Chisda a suas próprias filhas sobre modéstia diante dos maridos, culminando na parábola da pérola e do torrão de terra. A Guemará retorna então à Mishná anterior sobre os karshinin, citando a opinião mais restritiva de Rabi Eliezer ben Yaakov. Apresenta-se uma nova Mishná, ainda dentro do Perek Vinte: varre-se o cocho de diante do animal que se engorda, e afasta-se a palha para os lados — palavras de Rabi Dosa, que os sábios proíbem; mas toma-se comida de diante de um animal e coloca-se diante de outro. A Guemará sobre essa Mishná examina o alcance da disputa, a distinção entre cocho de terra e cocho que é utensílio, e a aparente contradição entre duas baraitot sobre animais de boca boa e de boca ruim, resolvida por Abaye. O daf termina no meio da explicação de Abaye sobre a vaca, prosseguindo em Shabat 141a. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.
(completando o ensinamento interrompido ao final de 140a, sobre a túnica de linho) — retirá-la do caniço em que está pendurada para secar é permitido; o caniço dela (retirar o caniço junto) é proibido. Disse Rava: e, se é um utensílio de tecelão, é permitido.
"Retirá-la do caniço" — quando se estende a túnica para secá-la, enfia-se um caniço de manga a manga; e, quando se toma a túnica no Shabat, tira-se do caniço, mas não o caniço junto dela, pois este não é próprio para ser movido, sendo destinado à lenha.
"E, se é um utensílio de tecelão" — isto é, o caniço dos tecelões, que tem sobre si o status de utensílio, e por isso é permitido.
Completa-se aqui o ensinamento deixado cortado ao final de 140a. Rav Chisda esclarece as leis de muktzeh aplicadas ao varal doméstico: a túnica de linho, estendida sobre um caniço enfiado pelas mangas, pode ser retirada normalmente no Shabat, mas o caniço em si — objeto sem função além de servir de lenha — não pode ser movido junto. Rava acrescenta uma exceção: se o caniço pertence a um tear, tendo status de utensílio de trabalho, seu manuseio é permitido.
Disse Rav Chisda: este maço de verduras — se é próprio para alimento de animal, é permitido movê-lo; e, se não, é proibido.
Rav Chisda aplica o mesmo princípio de muktzeh a um maço de verduras: se ainda serve de alimento — mesmo que apenas para animais —, tem status de utensílio comestível e pode ser movido no Shabat; se já se deteriorou a ponto de não servir para nada, é muktzeh e não pode ser tocado.
Disse Rav Chiya bar Ashi, disse Rav: este gancho de pendurar — se é de carne, é permitido movê-lo; se é de peixes, é proibido.
"Gancho de carne" — carne salgada pendurada para secar; e chama-se "talya" a corda cheia dela.
"É permitido" — pois essa carne pode ser comida crua, como carne fresca.
"De peixes" — é proibido, pois os peixes não são comidos crus.
O mesmo princípio se estende ao gancho onde se pendura a carne para secar: se é carne, que pode ser comida crua e portanto conserva status de alimento mesmo antes de seca, o gancho e seu conteúdo podem ser movidos; se é peixe, impróprio para consumo cru, o gancho é muktzeh.
Disse Rav Katina: quem fica em pé no meio da cama (sobre uma tábua) é como se estivesse em pé sobre o ventre de uma mulher. Mas isso não é correto (não é regra aceita).
"No meio da cama" — em que marido e mulher costumam dormir.
"É como se estivesse em pé, etc." — pois isso desperta pensamentos (impuros).
Rav Katina compara o ato de ficar em pé sobre uma tábua colocada no meio de uma cama conjugal — algo que evoca pensamentos indevidos — a ficar sobre o ventre da esposa. A guemará rejeita a comparação como não normativa, sem se estender sobre o motivo.
E disse Rav Chisda: o estudioso da casa de estudo que compra verdura — que compre a comprida; maço por maço (o preço é o mesmo), e o comprimento vem de graça. E disse Rav Chisda: o estudioso que compra caniços — que compre os compridos; feixe por feixe (o preço é o mesmo), e o comprimento vem de graça.
"Que compre a comprida" — um maço comprido de repolho comprido, ou de alho-poró comprido.
"Maço por maço" — pois todos os maços de hortaliça têm a mesma espessura, todos com a mesma medida quanto à corda com que são atados.
"E o comprimento vem de graça" — isto é, o comprimento deste, que é maior que o do outro, ele ganha sem pagar mais por isso.
"Caniços" — feixes de caniços para lenha.
Encerrado o excurso sobre muktzeh, a guemará abre uma longa série de conselhos práticos de Rav Chisda para estudiosos de recursos limitados. O primeiro par de conselhos trata de economia doméstica: como o preço de um maço de verdura ou de um feixe de caniços é fixado pela espessura do maço, e não pelo comprimento, vale a pena escolher sempre os exemplares mais compridos, pois o comprimento extra não custa nada a mais.
E disse Rav Chisda: o estudioso que não tem muito pão não deve comer verdura, pois ela abre o apetite. E disse Rav Chisda: eu, nem na minha pobreza comia verdura, nem na minha riqueza comia verdura. Na minha pobreza — pois abre o apetite. Na minha riqueza — pois eu dizia: onde entra verdura, que entre carne e peixe em vez dela.
"Não deve comer verdura" — verdura crua, como alho-poró, salsa e agrião.
"Pois abre o apetite" — e faz comer muito pão, e ele não tem.
Rav Chisda desaconselha a verdura ao estudioso pobre, pois ela estimula o apetite sem saciar, levando ao consumo excessivo do pão escasso. Ele então relata seu próprio hábito, consistente em ambas as fases de sua vida, mas por razões opostas: quando pobre, evitava a verdura pelo mesmo motivo prático; quando rico, evitava-a por preferir substituí-la diretamente por carne e peixe, mais nutritivos.
E disse Rav Chisda: o estudioso que não tem muito pão não deve parti-lo em pedaços pequenos (comendo aos poucos). (E disse Rav Chisda: o estudioso que não tem muito pão não deve partir o pão para hóspedes. Qual é a razão? Pois não o faz de bom grado.) E disse Rav Chisda: eu, no princípio, não partia o pão até colocar minha mão em toda a tigela e verificar que havia nela tudo o que me era necessário.
"Não deve parti-lo em pedaços pequenos" — em francês antigo, "morseliont"; não deve comer agora um pouco do pão que encontrar, e depois de um tempo mais um pouco, pois assim não chega à saciedade; mas deve juntar tudo e comer de uma vez.
"No princípio" — antes de eu ter enriquecido.
"Até colocar minha mão em toda a tigela" — quando eu apalpava o cesto e encontrava nele bastante pão, eu abençoava "Hamotzi".
Prosseguindo os conselhos práticos, Rav Chisda recomenda comer o pouco pão disponível de uma vez, e não aos poucos ao longo do tempo, o que impede a saciedade real; e desaconselha partir o pão com mesquinhez diante de hóspedes, pois a escassez impede a generosidade genuína. Ele relata que, em sua própria pobreza, evitava recitar a bênção sobre o pão até ter certeza — apalpando toda a tigela — de que havia o suficiente.
E disse Rav Chisda: quem pode comer pão de cevada e come pão de trigo transgride o preceito de "não destruirás" (bal tashchit). E disse Rav Papa: quem pode beber cerveja e bebe vinho transgride "não destruirás". Mas isso não é correto — o "não destruirás" do cuidado com o corpo tem prioridade.
Rav Chisda e Rav Papa aplicam o princípio de bal tashchit — a proibição de desperdiçar recursos — à escolha entre alimentos mais baratos e mais caros, sugerindo que gastar mais do que o necessário constitui uma forma de destruição de bens. A guemará rejeita essa aplicação: o cuidado com a saúde e o vigor do próprio corpo tem prioridade sobre a economia de recursos, de modo que comer e beber o que é melhor para o corpo não é transgressão, ainda que custe mais.
E disse Rav Chisda: o estudioso que não tem azeite — que se lave (unte as mãos) com água de valas. E disse Rav Chisda: o estudioso que compra carne crua — que compre do pescoço, pois nele há três tipos de carne.
"Que não tem azeite" — pois costumavam untar as mãos com azeite antes da água final (depois da refeição), para remover a sujeira.
"Com água de valas" — que se acumula, e sobre ela cresce uma camada verde espessa e macia como azeite.
"Do pescoço" — o pescoço do animal.
"Três tipos de carne" — poderá saborear três tipos de iguarias: gorda, magra, e o tendão do pescoço.
Mais dois conselhos práticos: na falta de azeite para untar as mãos depois da refeição — costume da época —, a água acumulada em valas, com sua camada verde e oleosa, pode servir de substituto; e, ao comprar carne, a peça do pescoço oferece a melhor relação de variedade, reunindo em si carne gorda, magra e o tendão.
E disse Rav Chisda: o estudioso que compra uma túnica de linho (kitonita) — que a compre de quem trabalha em Dinhar Abba, e a lave a cada trinta dias, pois isso a fará durar os doze meses do ano, e eu sou fiador disso. O que é "kitonita"? Vem de "classe agradável" (kitta na'ah — pois veste bem, dá boa aparência).
"De Dinhar Abba" — daquele lugar cujo linho é de boa qualidade.
"Pois isso a fará durar os doze meses do ano, e eu sou fiador" — eu garanto que durará o ano inteiro, e o dispensará de precisar comprar outra túnica.
"Classe agradável" — uma classe boa, própria para colocar quem a veste entre pessoas de boa aparência.
Rav Chisda recomenda a origem específica do melhor linho e o cuidado da lavagem regular a cada trinta dias, garantindo pessoalmente que a peça durará o ano inteiro. A guemará aproveita para explicar a etimologia da palavra "kitonita" (túnica), ligando-a a "kitta na'ah" — uma vestimenta que confere boa aparência a quem a usa.
E disse Rav Chisda: o estudioso não deve sentar-se numa esteira nova, pois ela desgasta suas roupas. E disse Rav Chisda: o estudioso não deve enviar sua roupa ao seu hospedeiro para que a lave, pois isso não é um costume respeitoso — talvez ele veja nela algo, e venha a ser desprezado.
"Esteira nova" — uma esteira nova de junco úmido, e a umidade do junco desgasta as roupas.
"Ao seu hospedeiro" — à sua hospedeira, não deve enviar sua túnica para que a lave.
"Talvez ele veja nela algo" — um sinal de emissão seminal, e seja desprezado por isso.
Dois últimos conselhos de decoro prático: evitar esteiras de junco recém-feitas, cuja umidade estraga as roupas; e não confiar a roupa pessoal a uma hospedeira para lavar, para não expor sinais íntimos que possam gerar constrangimento.
Disse-lhes Rav Chisda a suas filhas: sede modestas diante de vossos maridos; não comais pão diante de vossos maridos.
"Não comais pão diante de vossos maridos" — pois às vezes comeríeis demais, e seríeis desprezadas por ele.
Depois de citar os conselhos de Rav Chisda a estudiosos, a guemará traz seus conselhos a suas próprias filhas. O primeiro recomenda evitar comer diante dos maridos, para não correr o risco de comer demais e perder o respeito conjugal com isso.
Não comais verdura à noite; não comais tâmaras à noite; e não bebais cerveja à noite; e não vos aliveis no lugar onde vossos maridos se aliviam.
"Não comais verdura à noite" — por causa do mau hálito.
"Cerveja e tâmaras" — são laxativas, e causam flatulência.
"No lugar onde vossos maridos se aliviam" — abertamente na frente deles, nos campos, e mesmo não na frente deles, pois ele conhece o lugar dele e o vosso, e ficaríeis desprezadas a ele ao lembrar-se disso.
Continuam os conselhos práticos: evitar verdura à noite pelo mau hálito; evitar tâmaras e cerveja, que provocam efeitos indesejados; e nunca usar o mesmo local que os maridos para necessidades fisiológicas, mesmo sem sua presença, para preservar o respeito mútuo.
E, quando alguém chamar à porta, não digais "quem é" no masculino (mannu), mas sim "quem é" no feminino (manni).
"Não digais mannu" — "quem é ele", no masculino; não acostumeis vossa língua a se dirigir a homens com essa familiaridade.
"Mas sim manni" — "quem é ela", no feminino.
Um último conselho de discrição verbal: ao perguntar quem bate à porta, usar sempre a forma gramatical feminina, evitando qualquer familiaridade linguística que pudesse sugerir intimidade com homens fora do lar.
Rav Chisda segurava uma pérola numa mão e um torrão de terra na outra. A pérola — mostrava-lhes de imediato; e o torrão de terra — não lhes mostrava até que ficassem aflitas (de curiosidade), e só então lhes mostrava.
"Segurava uma pérola numa mão e um torrão de terra na outra" — isto é, quando teu marido te toca, para desejar-te para a relação conjugal, e segura os seios com uma mão e a outra até aquele lugar (as partes íntimas) — a pérola (os seios), oferece-lhe de imediato, para que aumente o seu desejo; o lugar da relação, não lhe ofereças depressa, para que aumente o seu desejo e o seu apego, e ele se aflija, e só então lhe mostra.
"Torrão de terra (chura)" — na acepção de forno de fundição (acima, Shabat 78a); outra explicação: na acepção de "poço", como em "cova" (bor shucha).
Rav Chisda ilustra a seus filhas, com uma demonstração física, o valor pedagógico da reserva: a pérola, valiosa, ele mostrava sem demora; o torrão de terra, sem valor, retinha até que a curiosidade delas se tornasse aflição, e só então revelava — mostrando que até o comum ganha atrativo quando não se entrega de imediato. Rashi lê essa parábola como referência velada à conduta na intimidade conjugal: assim como a mãe ensina a valorizar o que não se entrega depressa, a esposa deve, no âmbito íntimo, oferecer afeto com naturalidade, mas reservar o que aumenta o desejo e o apego do marido, sem pressa.
Ensinamos na Mishná (140a): "não se lava por imersão os karshinin". A guemará observa: a Mishná não está de acordo com este tanna, pois foi ensinado: Rabi Eliezer ben Yaakov diz: não se olha para a peneira em absoluto.
"A Mishná" — que ensina: "mas coloca-se dentro da peneira".
A guemará volta brevemente à Mishná do daf anterior sobre os karshinin, que permitia colocá-los numa peneira ou cesto mesmo sabendo que o refugo cairia por si só. Uma baraita traz a opinião mais restritiva de Rabi Eliezer ben Yaakov, que proíbe até mesmo olhar para a peneira nessas condições, por temor de que isso leve à separação intencional — mostrando que a Mishná do tratado segue a posição mais permissiva dos sábios anônimos, e não a dele.
Varre-se o cocho de diante do animal que se engorda, e afasta-se a palha para os lados por causa do esterco — palavras de Rabi Dosa; e os sábios proíbem. Toma-se comida de diante deste animal e coloca-se diante daquele animal, no Shabat.
Encerrado o excurso sobre os karshinin e as máximas de Rav Chisda, uma nova Mishná se inicia, dentro do mesmo Perek Vinte (Tolin) — não o começo de um novo capítulo, que só ocorrerá em 141b:19. Rabi Dosa permite varrer o cocho e afastar a palha excedente para os lados, para que o animal engordado não a pise junto ao esterco; os sábios proíbem esses dois atos. A Mishná acrescenta, por unanimidade, que se pode transferir comida de diante de um animal para diante de outro no Shabat.
"Mishná: varre-se de diante do animal que se engorda" — um boi que se engorda; varre-se, no Shabat, o cocho que está diante dele, para colocar nele a palha e a cevada, e para que não se misture nelas pó, e o animal venha a se enojar de sua comida.
"E afasta-se" — a palha que está diante dele, para os lados, quando é abundante, para que ele não a pise junto ao esterco.
"E os sábios proíbem" — a Guemará explica sobre qual das duas cláusulas.
"E toma-se de diante deste animal" — cevada e palha, e coloca-se diante daquele; e não dizemos que se trata de mover algo impróprio, mas sim que certamente é próprio, pois um animal não se enoja da comida tomada de diante de outro.
Guemará: indagaram: os sábios discordam de Rabi Dosa quanto à primeira cláusula (varrer o cocho), ou discordam quanto à última (afastar a palha), ou discordam de ambas?
"Discordam quanto à primeira cláusula" — isto é, quanto a varrer, proibindo-o, pois às vezes o cocho é de terra, e há quem tenha a intenção de nivelar buracos, para que a cevada não caia neles.
"Ou discordam quanto à última" — pois a palha empurrada para os lados não é própria, já que se torna repugnante ao ser pisada.
A guemará abre sua análise da disputa com uma indagação estrutural: a proibição dos sábios se aplica apenas ao ato de varrer o cocho (por risco de nivelar buracos), apenas ao ato de afastar a palha (por torná-la imprópria ao ser pisada), ou a ambos os atos da Mishná?
Venha e ouça, pois foi ensinado: e os sábios dizem: tanto isto quanto aquilo (varrer o cocho e afastar a palha) — não se deve afastar para os lados.
"Venha e ouça" — a resolução: que discordam de ambas as cláusulas.
"Tanto isto quanto aquilo" — tanto varrer o cocho quanto afastar a palha diante dele — não se deve afastá-la para os lados.
Uma baraita resolve a indagação: os sábios discordam de Rabi Dosa em ambas as cláusulas da Mishná, proibindo tanto varrer o cocho quanto afastar a palha para os lados.
Disse Rav Chisda: a disputa é quanto a um cocho de terra; mas, quanto a um cocho que é utensílio — segundo todos, é permitido. A guemará objeta: mas, quanto a um cocho de terra, há alguém que permita?! Isso é nivelar buracos! Mas, se foi dito, foi dito assim: disse Rav Chisda: a disputa é quanto a um cocho que é utensílio; mas, quanto a um cocho de terra — segundo todos, é proibido.
"De terra" — como um pequeno muro que se faz diante do animal, colocando a comida dentro dele, onde há que se temer o nivelamento de buracos.
"A disputa é quanto ao cocho que é utensílio" — pois os sábios decretaram um decreto por causa do cocho de terra.
Rav Chisda propõe uma distinção entre dois tipos de cocho: quanto ao formado na própria terra, a disputa se aplicaria; quanto ao que é um utensílio móvel, todos concordariam em permitir. A guemará rejeita essa formulação como incoerente — pois num cocho de terra ninguém poderia permitir, dado o risco claro de nivelar buracos, uma violação de arar ou construir — e corrige a tradição: a disputa recai apenas sobre o cocho que é utensílio, enquanto o de terra é proibido por consenso, como decreto preventivo.
Ensinamos na Mishná: "e toma-se de diante de um animal e coloca-se diante de outro". Sobre isso, uma baraita ensinou: toma-se de diante de um animal de boca boa e coloca-se diante de um animal de boca ruim. E outra baraita ensinou: toma-se de diante de um animal de boca ruim e coloca-se diante de um animal de boca boa! Há aqui uma contradição.
"De boca boa" — mais adiante se explica o que isso significa.
A guemará retorna à última cláusula da Mishná, sobre transferir comida entre animais, e nota uma contradição aparente entre duas baraitot: uma permite tomar de um animal "de boca boa" para dar a um "de boca ruim"; a outra ensina exatamente o oposto.
Disse Abaye: ambas as baraitot concordam que, de diante de um jumento para diante de um boi — toma-se; de diante de um boi para diante de um jumento — não se toma. E o que se ensina "toma-se de diante de um animal de boca boa" — refere-se ao jumento, que não tem saliva. "E coloca-se diante de um animal de boca ruim" — refere-se à vaca, [o ensinamento é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 141a].
"Ambas" — as duas baraitot concordam quanto a isso.
"De diante de um jumento para diante de um boi — toma-se" — pois ele (o jumento) não solta saliva, e o que está diante dele não fica repugnante, sendo próprio para se dar a um boi.
"De diante de um boi para diante de um jumento — não se toma" — pois ele (o boi) tem saliva, e a comida fica repugnante; e o que se chama aqui "boca boa" e ali "boca ruim", como se explica adiante: "boca boa" é o animal que não tem saliva; "boca ruim" é o que não é cuidadoso ao comer, comendo espinhos e cardos sem discriminar.
Abaye resolve a contradição entre as duas baraitot mostrando que, na verdade, ambas concordam sobre a regra prática — do jumento para o boi, sim; do boi para o jumento, não —, e a aparente discrepância se deve a que cada uma usa os termos "boca boa" e "boca ruim" para descrever o mesmo animal por um critério diferente: o jumento, sem saliva, não suja a comida (por isso "boca boa"); o boi, com saliva, suja a comida deixada para trás. O ensinamento de Abaye sobre a vaca — segundo Rashi, o outro exemplo de "boca ruim", por comer sem discriminar espinhos e cardos — é interrompido exatamente aqui, ao final do daf.