101b abre concluindo a prova trazida ao final de 101a: a Guemará explica que a permissão que Rav deu, no caso do barco, não é uma afirmação geral sobre partições suspensas, mas sim uma leniência específica que os Sábios instituíram quanto à água. A Guemará pergunta por que foram leves, já que há ali a passagem de peixes por baixo do barco — a mesma dificuldade levantada por Rav Acha a Rav Ashi em 101a; e responde que se aprende exatamente daí que a passagem de peixes não tem o nome de passagem, fechando em definitivo o desenvolvimento iniciado ainda em 100b. A Guemará então retorna à mishná sobre barcos amarrados um ao outro, da qual se pode carregar de um para o outro: pergunta se isso não é óbvio, e Rava responde que a mishná foi necessária apenas para permitir carregar através de uma pequena embarcação que fica entre os dois barcos grandes. Rav Safra desafia Rava, chamando-o de "Moshe" (um título de honra) e apontando que a mishná ensina "de um para o outro", sem mencionar uma terceira embarcação intermediária; Rav Safra propõe, em vez disso, que a mishná ensina a necessidade de unir um eiruv entre os dois barcos, pois pertencem a donos diferentes — e cita uma baraita completa: barcos amarrados um ao outro unem-se por eiruv e carrega-se de um para o outro; se os laços foram cortados, fica proibido; se voltaram a ser amarrados, seja por esquecimento, intencionalmente, por força maior, ou por engano, voltam à sua permissão original. A mesma baraita ensina uma regra idêntica quanto a esteiras estendidas como partição voltada para o domínio público, concluindo o princípio de que toda partição feita no Shabat, seja por esquecimento seja intencionalmente, tem o nome de partição válida. A Guemará então questiona esse princípio a partir de um ensinamento de Rav Nachman, segundo o qual uma partição feita no Shabat vale apenas para o efeito de lançar (responsabilizando quem lança um objeto para dentro dela), mas não para carregar dentro dela, o que seria proibido; a resposta é que o ensinamento de Rav Nachman foi dito especificamente a respeito de quem age intencionalmente, como penalidade. A folha então passa ao ensinamento de Shmuel: os barcos são considerados amarrados mesmo quando presos apenas pelo fio fino de um manto, desde que esse fio seja capaz de sustentá-los; Shmuel traz essa regra para excluir o caso do Shabat da exigência, válida a respeito de impureza ritual, de que somente uma corrente de ferro amarrando um barco a uma tenda com um cadáver transmite impureza a ele. A folha termina explicando a razão dessa diferença: quanto à impureza, a Torá exige especificamente um objeto de metal, por analogia com "morto pela espada"; mas quanto ao Shabat, como o fio é capaz de sustentar os barcos e serve apenas como um sinal distintivo de que estão de fato unidos, até mesmo o fio de um manto basta. A folha termina aqui; 102a, quando publicado, deverá trazer a transição para o Perek Yud-Bet, o perek final de Shabat, que começa com "Amar Rabi Akiva".
Mas, quanto à água, é leve essa permissão: foi uma leniência que os Sábios foram leves quanto à água. E por que foram leves ali? Não há, no caso do barco, passagem de peixes por baixo dele? Mas, aprende-se daí — a passagem de peixes não tem o nome de passagem.
101b abre concluindo exatamente a prova interrompida ao final de 101a. Rav havia respondido a Rabi Tavla que uma partição suspensa, em geral, não permite carregar — como no caso de uma ruína, onde a base da parede caiu. A Guemará agora esclarece que essa resposta não contradiz a permissão do barco: a permissão quanto ao barco (e a outros casos envolvendo água, como uma varanda erguida sobre o mar, cujas paredes são estendidas por uma partição suspensa) é uma leniência específica e limitada que os Sábios instituíram apenas em relação à água — não uma afirmação geral sobre partições suspensas. A Guemará então repete, num formato ligeiramente diferente, a mesma dificuldade que Rav Acha havia levantado a Rav Ashi: por que os Sábios foram leves quanto à água, se há ali a passagem de peixes por baixo do barco, o que deveria invalidar a partição, como a passagem de cabras invalida a partição do cesto sobre a cana? A resposta, repetindo a conclusão já estabelecida, fecha o argumento: precisamente porque essa leniência existe apesar da passagem de peixes, aprende-se daí que a passagem de peixes não tem o nome de "passagem" que invalida uma partição — pois os peixes não são vistos atravessando. Com isso, conclui-se em definitivo o desenvolvimento sobre partições suspensas iniciado ainda ao final de 100b.
"'Mas em água'" — como no caso de uma varanda que está acima do mar, pois aprendemos em Eruvin (87b) que a pessoa faz uma partição suspensa ao redor dela e enche água do mar, e da mesma forma quanto a um poço entre dois pátios, cuja água dividiram com uma partição suspensa por cima — este enche de um lado e aquele enche do outro, mesmo que não tenham feito eiruv (ali, 86a). "'Não há ali passagem de peixes'" — a respeito da varanda; assim parece-me correta esta abordagem, e admirei-me com o que meus mestres explicaram — que eles explicaram que aquele "é isso comparável" dito por Abaye ali no caso do cesto é porque se trata de uma partição que as cabras atravessam por baixo dela, e que Rav Yosef estava respondendo a Abaye assim: "é isso comparável, aquele caso da coluna, ao caso daqui do cesto? Ali na coluna, é porque se trata de uma partição que as cabras atravessam por baixo dela, e ela precisa de 'estende para baixo a partição'; por isso dizemos ali 'estende para baixo a partição'; mas quanto ao barco, onde não há passagem de cabras, não dizemos 'estende para baixo a partição'". E admirei-me se meus mestres disseram isso, pois é impossível dizê-lo: no primeiro capítulo de Eruvin, em dois lugares (14b e 16a), dizemos que a passagem de cabras impede "estende para baixo a partição", para que não se diga esse princípio numa partição suspensa; e aqui, como diríamos que a passagem de cabras ajuda a respeito de "estende para baixo a partição"? E, além disso, qual seria a necessidade de Rav Yosef de responder assim? Que lhe dissessem: isto segue a opinião de quem, de Rabi Yossei, filho de Rabi Yehuda? E o próprio Abaye, o que lhe objetou com "e tu não sustentas isso"? Isso certamente segue a opinião de Rabi Yossei, filho de Rabi Yehuda, pois vemos que os Sábios isentam a respeito do cesto. Mas, por força, aquele "é isso comparável" é a conclusão da palavra de Abaye, e serve para dizer que os Sábios que isentam disseram isso porque o caso do cesto não é semelhante ao caso da coluna, mas sim ao caso do barco.
Aprendemos na mishná: "Barcos amarrados um ao outro etc." Isso é óbvio! Rava disse: não foi necessário ensinar isso senão para permitir carregar através de uma pequena embarcação que está entre eles.
Encerrada a prova sobre a partição suspensa, a Guemará retorna à mishná ensinada ainda antes de 100b: "barcos amarrados um ao outro, carrega-se de um para o outro; se não estão amarrados, ainda que estejam cercados, não se carrega de um para o outro" (Mishná Shabat 11:5). A Guemará cita essa cláusula e pergunta: por que isso precisaria ser ensinado? Não é óbvio que dois barcos amarrados formam um único domínio, permitindo carregar entre eles como dentro de qualquer domínio privado contíguo? Rava responde que a mishná não veio ensinar o caso simples de dois barcos diretamente amarrados um ao outro, mas sim um caso mais sutil: quando há uma pequena embarcação entre os dois barcos grandes, e são as duas embarcações grandes que estão amarradas uma à outra (passando por cima ou ao redor da pequena, sem que esta mesma esteja amarrada), ainda assim é permitido carregar através da pequena embarcação do meio, pois ela está presa no lugar pela amarração das duas externas.
"'É óbvio'" — que se carrega. "'Não foi necessário'" — a permissão de carregar na mishná, senão para carregar de uma embarcação para a outra através de uma pequena embarcação que está entre as duas grandes; e ainda que ela mesma não esteja amarrada, ela é permitida por meio da amarração das duas embarcações externas, e não nos preocupamos que talvez ela seja retirada de entre elas e a pessoa esteja carregando através do ar de um carmelit. "'Uma pequena embarcação'" — isto é, as "bitziata" mencionadas acima.
Rav Safra lhe disse: Moshe — título de honra, isto é, nosso mestre em sua geração como Moshé na sua — falaste bem?! "Carrega-se de um barco para o outro" é o que aprendemos na mishná, sem outra embarcação a interromper entre eles! Mas, Rav Safra disse: não foi necessário ensinar isso senão para obrigar a unir um eiruv e então carregar de um barco para o outro, como foi ensinado numa baraita: barcos amarrados um ao outro — unem-se por eiruv e carrega-se de um para o outro. Se os laços foram cortados — ficam proibidos. Se voltaram a ser amarrados, seja por esquecimento, seja intencionalmente, seja por força maior, seja por engano — voltam à sua permissão original.
Rav Safra desafia a resposta de Rava, dirigindo-se a ele com o título honorífico "Moshe" — "nosso mestre em sua geração, como Moshé em sua geração" — numa expressão de espanto irônico: "falaste bem?!" A objeção é textual: a mishná diz explicitamente "carrega-se de um barco para o outro" (mizu lazo), o que indica que não há nada de intermediário entre os dois — nenhuma terceira embarcação pela qual o objeto carregado passaria. Se a mishná estivesse ensinando sobre uma pequena embarcação entre as duas grandes, como propôs Rava, o texto teria de mencionar essa terceira embarcação. Rav Safra propõe, então, uma leitura diferente: a mishná não trata de nenhuma dificuldade física quanto à ligação entre os barcos, mas de uma dificuldade jurídica quanto à propriedade — os dois barcos pertencem a donos diferentes, e por isso, mesmo estando fisicamente amarrados (formando um único domínio contíguo), ainda seria necessário unir um eiruv (uma união simbólica de domínios) entre eles para permitir carregar de um para o outro, tal como se exige entre residências de donos diferentes num mesmo pátio. Rav Safra apoia sua leitura citando uma baraita completa, que trata do mesmo tema com mais detalhe: barcos amarrados um ao outro precisam unir-se por eiruv, e então se pode carregar de um para o outro. Se, num determinado Shabat, os laços que os prendiam foram cortados, a permissão cessa imediatamente — pois os barcos deixaram de formar um único domínio. Mas se, no mesmo Shabat, os laços foram recolocados, restaurando a ligação física entre eles, a permissão original retorna automaticamente, sem necessidade de um novo eiruv — e isso vale independentemente da intenção de quem os amarrou novamente: seja por esquecimento (tendo esquecido que era Shabat, ou esquecido a proibição da melacha envolvida), seja intencionalmente, seja por força maior (circunstâncias fora de seu controle), seja por engano (ocupado com outra tarefa e amarrando este laço sem perceber).
"'Moshe'" — isto é, nosso mestre em sua geração, como Moshé em sua geração. "'Falaste bem'" — em tom de espanto. "'De um para o outro, aprendemos'" — isso indica que não há outra embarcação interrompendo, pela qual entraria o objeto que se carrega. "'Para unir por eiruv'" — isso a mishná nos ensina: que mesmo quando os dois barcos pertencem a duas pessoas, que precisam unir-se por eiruv, unem-se por eiruv e carregam. "'Se os laços foram cortados'" — anula-se o eiruv, porque os barcos se separam. "'Por esquecimento'" — esquecimento do Shabat ou esquecimento das leis das melachot. "'Por engano'" — estavam ocupados com outra coisa, para amarrá-la, e esta embarcação foi então amarrada.
E, da mesma forma, esteiras estendidas como partição voltadas para o domínio público — unem-se por eiruv e carrega-se de uma para a outra. Se foram enroladas — ficam proibidas. Se voltaram a ser estendidas, seja por esquecimento, seja intencionalmente, seja por força maior, seja por engano — voltam à sua permissão original, pois toda partição que é feita no Shabat, seja por esquecimento, seja intencionalmente — tem o nome de partição.
A mesma baraita citada por Rav Safra continua com um caso paralelo: esteiras (mechatzalot) que são desenroladas e estendidas para servir de partição entre dois espaços privados e o domínio público — por exemplo, quando duas pessoas montam suas esteiras lado a lado, formando divisórias entre suas respectivas áreas e o espaço público. Assim como no caso dos barcos, essas esteiras precisam ser unidas por um eiruv para permitir carregar de um lado para o outro. Se, num determinado Shabat, as esteiras foram enroladas — desfazendo a partição —, a permissão cessa; mas se voltaram a ser estendidas naquele mesmo Shabat, a permissão original retorna, novamente independentemente da intenção de quem as estendeu de novo. A baraita conclui com o princípio geral que sustenta toda essa regra: qualquer partição que seja estabelecida durante o próprio Shabat — mesmo que sua construção envolva uma ação normalmente proibida, como estender uma esteira ou amarrar um laço —, seja essa ação feita por esquecimento, seja intencionalmente, tem plenamente o nome (o status) de partição válida. Este princípio geral, que parece contradizer o que a Guemará vai citar a seguir em nome de Rav Nachman, precisará ser qualificado no próximo passo do argumento.
"'Esteiras estendidas'" — e fizeram muitas partições, e indivíduos passaram o Shabat nelas, este numa e aquele noutra.
É mesmo assim?! Não disse Rav Nachman: não ensinaram que uma partição feita no Shabat é válida senão a respeito de lançar, mas quanto a carregar, é proibido! Resolve-se: quando foi dito o ensinamento de Rav Nachman — foi dito a respeito de quem age intencionalmente.
A Guemará questiona o princípio geral com que a baraita concluiu: se toda partição feita no Shabat tem o nome de partição, independentemente da intenção de quem a fez, isso pareceria valer tanto para o efeito de responsabilizar quem lança um objeto para dentro dela (do domínio público) quanto para permitir carregar livremente dentro dela. Mas Rav Nachman ensinou, em outro contexto, que a validade de uma partição feita no Shabat foi ensinada apenas quanto ao efeito de lançar — ou seja, quem lança um objeto do domínio público para dentro do espaço demarcado por essa partição é responsabilizado, como se tivesse lançado para dentro de um domínio privado pleno —, mas quanto a carregar livremente dentro desse espaço, isso continua proibido, por decreto rabínico, como penalidade contra quem construiu a partição no próprio Shabat. A Guemará resolve a aparente contradição distinguindo os casos pela intenção: o ensinamento de Rav Nachman, que restringe a validade da partição apenas ao efeito de lançar, foi dito especificamente a respeito de quem constrói a partição intencionalmente — pois, nesse caso, os Sábios penalizam quem agiu de propósito, negando-lhe o benefício pleno da partição que ele mesmo criou. Já a baraita, que afirma que toda partição feita no Shabat — seja por esquecimento, seja intencionalmente — tem plenamente o nome de partição (inclusive para permitir carregar), refere-se aos casos de esquecimento, força maior e engano, onde não há penalidade a aplicar; a menção de "intencionalmente" na baraita, por sua vez, refere-se apenas ao efeito de lançar, alinhando-se, nesse ponto específico, com o próprio ensinamento de Rav Nachman.
"'Não ensinaram'" — que essa partição tem o nome de partição. "'Senão a respeito de lançar'" — para responsabilizar quem lança de dentro dela para o domínio público, ou o inverso. "'Mas quanto a carregar'" — para que seja permitido carregar dentro dela, é proibido pelas palavras dos Sábios. "'Foi dito a respeito de quem age intencionalmente'" — e isso é por causa de penalidade; e o que a baraita ensina, "voltam à sua permissão original", refere-se aos casos de esquecimento, força maior e engano; e quando a baraita ensina "intencionalmente", refere-se a que a partição tem o nome de partição — apenas a respeito de lançar, conforme a opinião de Rav Nachman.
Shmuel disse: e mesmo se estão amarradas com o fio de um manto. Como são as circunstâncias? Se o fio é capaz de sustentá-las — é óbvio que carregar é permitido. Se o fio não é capaz de sustentá-las — por que seria permitido?
Shmuel acrescenta um detalhe à regra dos barcos amarrados: a permissão de carregar entre eles se aplica mesmo quando eles estão amarrados apenas com o fio fino usado para fechar a abertura do pescoço de um manto — um laço bem mais frágil que uma corda comum. A Guemará pergunta imediatamente quais seriam as circunstâncias exatas dessa afirmação: se o fio, apesar de fino, é de fato capaz de sustentar os barcos juntos (impedindo que se separem com o movimento da água), então a afirmação de Shmuel pareceria óbvia — trata-se apenas de mais um exemplo de amarração válida, sem novidade alguma. Mas se o fio não é capaz de sustentar os barcos juntos — ou seja, se ele se romperia com facilidade ou não impediria realmente a separação —, então por que Shmuel permitiria carregar entre eles? Um laço que não cumpre sua função de manter os barcos unidos não deveria contar como uma amarração válida.
"'Com o fio de um manto'" — com o qual se amarra a abertura do pescoço, que chamam de "montil". "'Sustentá-las'" — para que não se separem.
Na verdade, trata-se de um fio capaz de sustentá-las, e Shmuel veio excluir esse caso de sua própria afirmação anterior, pois aprendemos numa mishná: se alguém amarrou-a — a embarcação — com um objeto capaz de sustentá-la — isso traz-lhe impureza; se a amarrou com um objeto que não é capaz de sustentá-la — isso não traz-lhe impureza. E Shmuel disse sobre essa mishná: e isso vale quando a embarcação está amarrada com uma corrente de ferro.
A Guemará resolve: na verdade, Shmuel está falando de um fio que é de fato capaz de sustentar os barcos juntos — a novidade não está na eficácia do fio, mas noutro ponto: Shmuel veio excluir esse caso de uma afirmação que ele mesmo havia feito noutro contexto, a respeito de impureza ritual. A Guemará explica: aprendemos numa mishná (Massechet Kelim) que, se alguém amarra um barco a um objeto capaz de sustentá-lo (impedindo-o de se soltar), e esse objeto está dentro de uma tenda com um cadáver, o barco recebe impureza através dessa amarração; mas se o objeto usado para amarrar não é capaz de sustentar o barco, a amarração não transmite impureza a ele. E, quanto a essa mesma mishná, Shmuel havia ensinado que a expressão "objeto capaz de sustentá-lo" — para efeitos de impureza — refere-se especificamente a uma corrente de ferro: apenas um objeto de metal, ligado a um cadáver, pode transmitir ao barco o mesmo grau elevado de impureza que teria a fonte primária de impureza. Assim, ao dizer aqui que mesmo o fio fino de um manto sustenta os barcos para os fins de Shabat, Shmuel está deixando claro que essa afirmação exclui, especificamente, sua própria regra quanto à impureza — isto é, ele está esclarecendo que, embora para efeitos de impureza seja necessária uma corrente de ferro, para efeitos de Shabat qualquer objeto capaz de sustentar os barcos, mesmo um simples fio, é suficiente.
"'Para excluir esse caso de sua própria afirmação'" — daquilo que Shmuel disse em outro lugar, que precisamos de correntes de ferro; e ensina-nos aqui que não precisamos disso como ali. "'Amarrou-a'" — refere-se ao barco. "'Com um objeto capaz de sustentá-la, traz-lhe impureza'" — se uma de suas pontas estava amarrada numa tenda com um cadáver, traz impureza aos utensílios que estão no barco e ao próprio barco, como no caso do barco do Jordão, que recebe impureza, como dissemos (acima, Shabat 83b). "'Com um objeto que não é capaz de sustentá-la'" — isto é, que não costuma sustentá-la, como algo que não é metal, não traz impureza ao barco, pois então o barco não se torna impuro por causa daquele objeto a ponto de tornar-se fonte primária de impureza, mas apenas primeiro grau de impureza, e não torna impuros os utensílios que estão dentro dele. E Shmuel nos ensina aqui que, quanto a este "amarradas" da mishná, ainda que precisemos de um objeto capaz de sustentá-la, qualquer coisa que a sustente é válida a respeito do Shabat, e não se assemelha ao "capaz de sustentá-la" exigido ali quanto à impureza. "'E Shmuel disse: e isso é quando está amarrada com uma corrente de ferro'" — este "amarrou-a com um objeto capaz de sustentá-la" é a corrente de ferro, como a Guemará explicará o motivo adiante; isto é, amarrou-a com um objeto com que costumam sustentá-la, que é a corrente — isso traz impureza, tornando o barco impuro a ponto de ser fonte primária de impureza.
Essa exigência de metal é a respeito de impureza, pois está escrito: "morto pela espada" (Números 19:16) — a espada, eis que ela é como o morto por ela — isto é, assume o mesmo grau de impureza do próprio cadáver. Mas a respeito do Shabat, já que o fio é capaz de sustentá-la, é um mero sinal distintivo que basta — mesmo que seja o fio de um manto.
A Guemará explica a razão da diferença entre os dois âmbitos. A exigência específica de uma corrente de ferro — e não de qualquer outro material — para transmitir impureza através da amarração é derivada de um verso: "E todo aquele que tocar, no campo aberto, um morto pela espada, ou alguém que morreu por si mesmo, ou um osso humano, ou uma sepultura, ficará impuro sete dias" (Números 19:16). Os Sábios derivam da expressão "morto pela espada" que uma espada — um instrumento de metal que entrou em contato com um cadáver — assume o mesmo grau de impureza do próprio cadáver, tornando-se ela mesma uma fonte primária de impureza. Por essa razão, apenas um objeto de metal (como uma corrente de ferro) que esteja em contato com o cadáver pode transmitir esse grau elevado de impureza ao barco amarrado à outra ponta; um fio de outro material não tem essa capacidade. Mas, a respeito do Shabat, a lógica é totalmente diferente: ali, o que importa não é a natureza do material usado para amarrar, mas apenas que ele seja de fato capaz de sustentar os barcos juntos, servindo como um sinal distintivo — um indício claro e reconhecível de que os dois barcos estão de fato unidos, formando um único domínio. Como essa é a única exigência para os fins de Shabat, até mesmo um simples fio de manto, contanto que sustente de fato a ligação entre os barcos, é suficiente para permitir carregar de um para o outro. A folha termina aqui, com essa distinção entre os requisitos de impureza e de Shabat; 102a, quando publicado, deverá trazer a transição para o Perek Yud-Bet, o perek final de Shabat, que se abre com "Amar Rabi Akiva".