Shabbat 110a abre completando exatamente o caso que 109b deixou interrompido na palavra solta "הָהוּא": um oficial (bar kasha) de Pumbedita foi mordido por uma serpente; treze jumentas brancas da cidade foram abertas para exame e nenhuma revelou veneno letal, e uma décima quarta, do outro lado da cidade, foi devorada por um leão antes que pudesse ser trazida. Abaié sugere que se trata de uma "serpente dos Sábios" — cuja mordida não tem cura, por punir a transgressão de um decreto rabínico — e os presentes confirmam: quando Rav morreu, Rav Yitzchak bar Bisna decretara que não se trouxesse murta e ramos de palmeira, ao som de tambor, à casa do banquete nupcial, em sinal de luto; o oficial violara esse decreto, foi mordido e morreu. Seguem-se então remédios práticos contra perigos de serpente, em estilo de manual: para quem foi enrolado por uma serpente, descer à água com um cesto sobre a cabeça para que ela se solte nele; para quem é perseguido por uma serpente irada, cavalgar um companheiro, saltar um fosso, atravessar um rio ou, à noite, dormir sobre quatro barris cercado de gatos amarrados às pernas da cama e gravetos para alertá-los; e para quem foge dela, correr em terreno arenoso. Seguem-se remédios para mulheres: a que não sabe se uma serpente reparou nela deve testar jogando sua roupa diante do animal; o remédio (debatido) de relações conjugais diante da serpente, ou, alternativamente, uma incantação com cabelo e unha dizendo "sou menstruada"; e, para a mulher que a serpente penetrou, um procedimento elaborado com brasas, carne gorda, agrião e vinho perfumado, atraindo a serpente para fora com o cheiro antes de queimá-la. A guemará então retoma a mishná apresentada em 109b, explicando suas cláusulas: "todos os alimentos" inclui o baço (para os dentes) e a vícia (para os intestinos); "todas as bebidas" inclui água de alcaparras com vinagre; e uma pergunta de Ravina a Rava sobre beber urina no Shabat é respondida pela própria mishná, já que urina não é considerada bebida. Identifica-se então a "água de tamareiras" (mei dekalim, ou "água que fere", mei dekarim, segundo outra tradição) com uma fonte que brota entre duas palmeiras específicas em Eretz Israel, descrita por Rabá bar Berona por seu efeito gradual sobre os intestinos, com o comentário de Ulla de que a cerveja babilônica é ainda mais eficaz. Rav Yossef e Rav Pappa descrevem, com pequenas variações, a receita do "zeitom hamitzri" (fermento egípcio) — cevada ou trigo, açafrão e sal —, com o mnemônico "sisanei" e a indicação de consumo entre Pessach e Shavuot. O daf se encerra no meio da explicação do "copo de raízes" (kos ikarin) de Rabi Yochanan — goma da Alexandria, alúmen e açafrão de horta, moídos juntos — e seu uso, em doses diferentes, para a zava e para a icterícia, com o texto interrompido logo após a palavra "três" (תְּלָתָא), no início de uma nova cláusula alternativa, cuja continuação é o ponto de partida de Shabbat 110b, ainda não publicado.
O oficial (bar kasha) de Pumbedita, a quem mordeu uma serpente — havia treze jumentas brancas em Pumbedita; rasgaram-nas (abriram-nas para exame) a todas, e foram encontradas (imprestáveis, sem sinal do veneno procurado). Havia uma (jumenta) do outro lado de Pumbedita; até que foram trazê-la, um leão a comeu. Disse-lhes Abaié: talvez uma serpente dos Sábios o tenha mordido, para a qual não há cura, como está escrito: "e quem rompe uma cerca, uma serpente o morderá" (Eclesiastes 10:8). Disseram-lhe: sim, meu mestre, (assim foi); pois quando faleceu Rav, decretou Rav Yitzchak bar Bisna que ninguém trouxesse murta e ramos (de palmeira) à casa do banquete (nupcial, ao som de) tambor; e ele foi e trouxe murta e ramos à casa do banquete ao som de tambor. Mordeu-o uma serpente, e morreu.
Este beat completa exatamente o caso que 109b deixou interrompido na palavra solta "הָהוּא". Confirmado via Sefaria, o conteúdo é: um oficial judeu de Pumbedita foi mordido por uma serpente; a comunidade examinou treze jumentas brancas (procedimento para verificar se a carne de uma delas, alimentada com a serpente ou usada em algum teste, revelaria veneno mortal) e nenhuma se mostrou fatalmente afetada, enquanto uma décima quarta, do outro lado da cidade, foi devorada por um leão antes de chegar. Abaié interpreta essa série de eventos frustrados como sinal de que se trata de uma "serpente dos Sábios" — um agente de punição divina contra quem transgride um decreto rabínico, "cerca" que protege a lei, e cuja mordida por isso não tem cura natural. Os Sábios confirmam: o oficial havia violado o decreto de luto instituído por Rav Yitzchak bar Bisna após a morte de Rav, que proibia trazer murta e ramos de palmeira ao som de tambor às celebrações de casamento; por essa transgressão, foi mordido e morreu.
"'Bar kasha'" — era um oficial nomeado pelo rei, e era judeu. "'Talvez uma serpente dos Sábios'" — porque transgrediu a excomunhão (nidui) dos Sábios, e a serpente que o morde por isso não tem cura; por isso não se encontrou cura para ele. "'Sim, meu mestre'" — "assim foi, nosso mestre". "'Pois quando faleceu Rav, decretou Rav Yitzchak'" — que diminuíssem a alegria naquele ano, e que ninguém trouxesse murta e ramos de palmeira à casa do banquete ao som de tambor: pois costumavam trazer murta e ramos de palmeiras para alegrar diante do noivo e da noiva, e quando os traziam diante deles, faziam barulho diante deles na rua, com tambores e sinos ("tavla", instrumento musical); e decretou que não fizessem mais esse barulho diante deles.
Aquele a quem uma serpente enrolou-se em volta: que desça à água, e coloque um cesto (dikula) virado sobre sua cabeça, e a afaste dele (pouco a pouco); e quando ela subir sobre ele (o cesto), que o lance à água, e suba, e venha. Aquele contra quem uma serpente está irada (e o persegue): se tiver um companheiro consigo, que o monte por quatro côvados (garmidei); e se não, que salte um fosso (nigra); e se não, que atravesse um rio; e à noite, que coloque sua cama sobre quatro barris, e durma sob as estrelas; e que se tragam quatro gatos, e se amarrem nas quatro pernas de sua cama; e que se tragam gravetos (shachfei), e se lancem ali, para que, quando (os gatos) ouçam o som (da serpente), a comam. Aquele que (a serpente) persegue: que corra em (terreno de) areia.
Encerrado o caso do oficial de Pumbedita, a guemará traz uma série de remédios práticos e populares contra o perigo de serpentes, sem atribuição a um sábio específico. Para quem foi enrolado por uma serpente, a técnica é entrar na água com um cesto invertido sobre a cabeça, permitindo que a serpente se solte lentamente para dentro dele (puxá-la à força a faria morder). Para quem é perseguido por uma serpente irada — que reconhece o cheiro de seus pés e o persegue —, uma escala de recursos: cavalgar um companheiro para que os pés fiquem fora do alcance, saltar um fosso de água, atravessar um rio, ou, à noite, armar uma barreira defensiva completa — cama elevada sobre barris, ao relento sob as estrelas, cercada por quatro gatos amarrados que, alertados por gravetos espalhados, comerão a serpente ao ouvi-la. Por fim, quem está sendo perseguido deve correr em terreno arenoso, onde a serpente se move mais devagar do que uma pessoa.
"'Que se enrolou nele'" — enrolou-se ao redor dele. "'E coloque um cesto virado'" — "dikula" é um cesto. "'Sobre sua cabeça'" — da serpente, acima de sua cabeça. "'E afaste-a dele'" — que desça o cesto pouco a pouco em direção à serpente, e assim a serpente se separará da carne dele, para subir ao cesto; pois se a segurar com a mão ou a arrancar à força, ela se irará e o morderá. "'E quando subir'" — a serpente sobre o cesto, que se apresse e o lance na água, e fuja. "'Contra quem uma serpente está irada'" — irada, e persegue-o, e cheira o cheiro de seus pés, e o persegue. "'Que o monte por quatro côvados'" — para que se interrompa o rastro de seus pés e (a serpente) não consiga cheirá-los. "'Que salte um fosso'" — vala de água, que salte. "'Quatro barris'" — para que (a serpente) não suba até ele rapidamente nem sinta seu cheiro. "'Sob as estrelas'" — em lugar aberto, para que (a serpente) não suba pelo telhado e se lance sobre ele. "'Gravetos'" — galhos e lascas, e tudo que faz barulho ao se chocar, para que, ao passar (a serpente) sobre eles, os gatos percebam e a comam. "'Em (terreno de) areia'" — entre as areias, onde a serpente não consegue correr, e retrocede.
Aquela mulher que foi vista por uma serpente, e não sabe se (a serpente) dirigiu sua atenção a ela ou se não dirigiu sua atenção a ela: que tire sua roupa e a lance diante dela. Se (a serpente) se enrolar nela, (é sinal de que) dirigiu sua atenção a ela; e se não, não dirigiu sua atenção a ela.
A guemará passa a remédios voltados especificamente a mulheres perseguidas ou ameaçadas por serpentes — associação que, no imaginário talmúdico refletido nesta sugia, liga o comportamento da serpente a um desejo dirigido à mulher (compare-se a Gênese 3). O primeiro caso é diagnóstico: uma mulher vê uma serpente e não sabe se foi notada por ela. O teste é lançar sua própria roupa diante do animal; se ele se enrolar nela, confirma-se que sua atenção estava voltada à mulher, exigindo as medidas de defesa que seguem no próximo beat.
"'Se dirigiu sua atenção a ela'" — por desejo de relação. "'Que lance sua roupa'" — que tire suas vestes e as lance diante dela.
Qual é o remédio dela (para que a serpente a deixe em paz)? Que tenha relações (com o marido) diante dela (a serpente). Há quem diga: pelo contrário — ainda mais se fortalecerá o desejo dela (da serpente)! Mas (o correto é): que ela tome de seu cabelo e de sua unha, e as lance sobre ela, e diga: "sou menstruada (dishtana)". Aquela mulher em quem entrou uma serpente: que a façam abrir as pernas e a sentem sobre dois barris; e que tragam carne gorda e a lancem sobre brasas; e que tragam uma bacia de agrião e vinho perfumado, e os coloquem ali, e os batam juntos; e que (alguém) tome uma tenaz em sua mão — pois quando (a serpente) sentir o cheiro, sairá e virá — e que a tome e a queime no fogo; pois, se não (a queimar), ela voltará sobre ela.
A guemará debate o remédio para a mulher já identificada como alvo da atenção da serpente. A primeira opinião propõe relações conjugais diante da serpente — talvez para satisfazer indiretamente o "desejo" percebido; mas outra tradição rejeita isso como contraproducente, argumentando que só intensificaria o desejo da serpente. O remédio aceito é, então, uma incantação com seu próprio cabelo e unha, lançados diante da serpente com a declaração "sou menstruada" (afastando-a por associação de impureza). Para o caso mais grave — a mulher que a serpente já penetrou —, a guemará descreve um procedimento elaborado, quase cirúrgico: abrir suas pernas e sentá-la sobre dois barris para abrir a via, assar carne gorda sobre brasas e preparar uma mistura de agrião com vinho perfumado para atrair a serpente pelo cheiro, com uma tenaz pronta para capturá-la assim que emergir — e queimá-la, pois, se sobreviver, retornará para atacar novamente.
"'Qual é o remédio'" — se dirigiu sua atenção a ela. "'Que tenha relações diante dela'" — com seu marido, e que se faça repugnante diante dele (para desestimular a serpente). "'E as lance sobre ela'" — e as jogue sobre ela. "'Sou menstruada'" — "assim é o costume das mulheres para mim"; é apenas um encantamento simples. "'Em quem entrou uma serpente'" — quando ela (a serpente) a deseja, entra inteira naquele lugar. "'Que abram suas pernas'" — que separem suas pernas uma da outra. "'Sobre dois barris'" — parte dela sobre um, parte sobre o outro, para que se abra seu ventre. "'E lancem sobre brasas'" — para que suba o cheiro. "'Bacia de agrião'" — cesto cheio de agrião. "'Perfumado'" — que tem bom cheiro. "'E os coloquem ali'" — sobre o chão, sob seu assento. "'E os batam juntos'" — o vinho e o agrião, para que suba o cheiro. "'Tenaz'" — "tenailles" em francês antigo. "'Pois se não'" — a queimar, ela volta sobre ela.
"Todos os alimentos", etc. "Todos os alimentos" — para incluir o quê? Para incluir baço (para curar) os dentes, e vícia (charshinin, para curar) os intestinos. "Todas as bebidas" — para incluir o quê? Para incluir água de alcaparras (mei tzelafin) com vinagre. Disse-lhe Ravina a Rava: qual é a lei quanto a beber urina no Shabat? Disse-lhe: já aprendemos (na mishná): "bebe-se todas as bebidas" — e urina, as pessoas não bebem (não é considerada uma bebida).
Concluída a série de remédios contra serpentes, a guemará retoma a mishná apresentada em 109b, examinando suas cláusulas gerais uma a uma — retomando o padrão "lekhi mai" ("para incluir o quê") já usado antes nesta sugia. "Todos os alimentos" (que podem ser comidos para cura) vem incluir dois casos não óbvios: o baço, comido para fortalecer os dentes, e a vícia, comida para os intestinos — alimentos incomuns cujo consumo delataria intenção medicinal, mas que a mishná permite mesmo assim. Da mesma forma, "todas as bebidas" inclui a água em que se maceraram alcaparras, misturada com vinagre. Por fim, Ravina pergunta a Rava sobre beber urina no Shabat; Rava responde que a própria mishná já resolve a questão: como a mishná fala apenas de "bebidas", e urina não é algo que as pessoas normalmente bebem, ela nunca esteve incluída na permissão nem precisa de discussão à parte.
"'Para incluir baço para os dentes'" — ainda que seja prejudicial aos intestinos. "'Vícia para os intestinos'" — ainda que seja prejudicial aos dentes, como dizemos em Berachot (44b): poderia se pensar que, sendo prejudiciais à pessoa, não é seu costume comê-los a não ser para a cura que neles há, e assim ficaria evidente (a intenção curativa), e deveriam ser proibidos — por isso nos ensina (que são permitidos). "'Alcaparras (tzelafim)'" — fruto do arbusto da alcaparra, "câpres" em francês antigo.
"Exceto a água de tamareiras (mei dekalim)". Foi ensinado (numa baraita): "exceto a água que fere (mei dekarim)". Aquele que ensinou "água que fere" — porque elas ferem (dokrim) a bile (mara); e aquele que disse "água de tamareiras" — porque saem de duas tamareiras (dikelei). O que é a água de tamareiras? Disse Rabá bar Berona: há duas palmeiras (talei) em Eretz Israel, e sai uma fonte de água entre elas. O primeiro copo (que se bebe dessa água) afrouxa (os intestinos); o outro, causa diarreia; e o outro (terceiro), assim como entrou, assim sai. Disse Ulla: eu bebo cerveja da Babilônia, e é mais eficaz do que elas (as águas de tamareiras) — e isto quando não se está habituado a ela por quarenta dias.
A guemará prossegue explicando a exceção da mishná — a "água de tamareiras", que só pode ser bebida para saciar a sede, não para cura. Duas tradições textuais divergem no próprio nome: "mei dekarim" (água que fere), explicada como referência ao efeito da água sobre a bile, e "mei dekalim" (água de tamareiras), referência à sua origem geográfica. Rabá bar Berona identifica o local: uma fonte de água que brota entre duas palmeiras específicas em Eretz Israel, com efeito medicinal gradual e progressivo — o primeiro copo afrouxa os intestinos, o segundo causa diarreia forte, e o terceiro simplesmente atravessa o corpo sem digestão, "como entra, assim sai". Ulla acrescenta um comentário lateral, comparando essa água à cerveja babilônica, que considera ainda mais eficaz para o mesmo efeito — desde que a pessoa não esteja habituada a bebê-la havia quarenta dias, condição que preserva sua potência medicinal (paralela à condição já vista para o remédio do zeitom, no daf anterior).
"'Talei'" — palmeiras, mudas de uma espécie de tamareira chamada em aramaico "ta'alei". "'O primeiro copo'" — daquela água que se bebeu. "'Afrouxa'" — o excremento que há nos intestinos, parcialmente. "'O outro'" — o segundo copo. "'Causa diarreia'" — fortemente. "'Como entra'" — límpida. "'Assim sai'" — pois limpa os intestinos do excremento anterior. "'E isto quando não está habituado'" — a beber cerveja: já se passaram quarenta dias.
Rav Yossef disse: o zeitom egípcio é (feito de) um terço de cevada, um terço de açafrão (kurtemei), e um terço de sal. Rav Pappa disse: é (feito de) um terço de trigo, um terço de açafrão, e um terço de sal e cominho; e teu sinal (para lembrar) é "sisanei". E bebe-se entre a Páscoa (divcha) e Shavuot (a'atzarta); a quem está obstruído, (a bebida) o afrouxa; e a quem está solto, (a bebida) o obstrui.
A guemará volta a um item já mencionado no daf anterior (109b), o "zeitom hamitzri" (fermento egípcio, identificado ali como a explicação de "mei dekarim"), agora detalhando sua receita através de duas tradições paralelas e quase idênticas: Rav Yossef fala em partes iguais de cevada, açafrão e sal; Rav Pappa substitui a cevada por trigo, e acrescenta cominho ao sal. Um mnemônico — "sisanei", palavra com dois samech — ajuda a lembrar qual sábio (cujo nome começa com samech, Yossef) associa o preparo à cevada (se'orim, com sin, letra intercambiável com samech). A bebida deve ser consumida na temporada entre Pessach e Shavuot, e tem efeito regulador duplo e oposto: quem sofre de obstrução intestinal é afrouxado por ela, e quem sofre de intestino solto é por ela obstruído — a mesma lógica reguladora observada nos remédios do daf anterior.
"'Rav Yossef disse: zeitom hamitzri'" — é a "água que fere" (mei dekarim), assim chamada porque fere (dokrim) a doença. "'Um terço de açafrão (kurtemei)'" — açafrão. "'Sisanei'" — recipiente em que se colocam tâmaras, como dizemos em outro lugar (Bava Metzia 67b): "e se as levantou num sisani, adquiriu-as"; e teu sinal, para que não troques a tradição, é: o nome desse recipiente terá para ti o sinal de que tem duas letras samech — Rav Yossef, (cujo nome tem samech,) diz cevada (se'orim, com sin). "'Entre Pessach e Shavuot'" — entre a Páscoa e Shavuot. "'Obstruído'" — preso (constipado).
"E o copo de raízes (kos ikarin)". O que é o copo de raízes? Disse Rabi Yochanan: que se traga o peso de um zuz de goma da Alexandria (kuma alexandria), e o peso de um zuz de alúmen (gavia gila), e o peso de um zuz de açafrão de horta (curcuma rishka), e se os moa juntos. Para a zava — três (medidas) com vinho, e não se torna estéril. Para a icterícia — duas (medidas) com cerveja, e (a pessoa) se torna estéril. Para a zava — três (medidas) com vinho, e não se torna estéril. E se não (funcionar) — que se traga três...
A guemará passa ao último item da mishná explicado neste daf: o "copo de raízes" (kos ikarin), a segunda bebida proibida para uso medicinal explícito por estar associada à icterícia. Rabi Yochanan fornece a receita: partes iguais (em peso, medidas em zuz) de goma da Alexandria, alúmen e açafrão de horta, moídas juntas. A guemará então lista os usos terapêuticos dessa mistura, com dosagens diferentes conforme a condição: três medidas com vinho tratam a zava (mulher com fluxo anormal) sem causar esterilidade; duas medidas com cerveja tratam a icterícia, mas causam esterilidade como efeito colateral. A repetição da linha sobre a zava sugere uma transição textual, e o texto se interrompe abruptamente na palavra "três" (תְּלָתָא), no início do que parece ser uma nova cláusula alternativa — uma opção de reforço para quando a receita principal não funciona ("e se não..."). O conteúdo dessa alternativa, e o restante da discussão sobre o copo de raízes, ficam para a continuação em Shabbat 110b, ainda não publicado.
"'Goma da Alexandria'" — resina de árvores da Alexandria. "'Alúmen (gavya gila)'" — "alum" em francês antigo. "'Açafrão de horta (curcuma rishka)'" — açafrão de jardim, "oriental" (variedade), que cresce nas hortas. "'Para a zava'" — que se dê a beber estas três substâncias com vinho. "'E não se torna estéril'" — não se torna incapaz de dar à luz, porque o vinho dissipa a força dos ingredientes, e ela se cura da doença. "'Para a icterícia, duas'" — dessas (substâncias), que se bebam com cerveja, e este é o seu remédio. "'E se torna estéril'" — incapaz de gerar (filhos). "'Para a zava, três, com vinho'" — repete-o por causa dos remédios que menciona a seguir. "'E se não (funcionar)'", etc. — todas (essas versões) só são benéficas para a zava.