A folha abre com uma frase fechada e independente, que resolve a última cláusula da baraita discutida ao longo de 72b: a primeira cláusula da baraita (o rigor do Shabat sobre os demais preceitos) trata da idolatria — como já se havia estabelecido — e a última cláusula (o rigor dos demais preceitos sobre o Shabat, o erro sem intenção alguma) trata dos demais preceitos em geral, e não apenas da idolatria. O caso concreto: segundo Rava, quem pensava que estava comendo gordura permitida e, por engano, comeu sebo proibido, é responsável — mesmo sendo, em certo sentido, um mitasek — porque, quanto aos sebos e às relações proibidas, o mitasek é responsável, já que obteve prazer com o ato, ao contrário do Shabat, onde não há prazer algum envolvido. Segundo Abaye, o caso equivalente é mais sutil: pensava que estava engolindo saliva, e na verdade engoliu sebo derretido — pois a saliva não é própria para "comer", apenas para engolir, mas o resultado foi um ato de comer sem que houvesse qualquer intenção de comer. A Guemará então relata um caso análogo, ensinado de forma independente: quem pretendia lançar um objeto a uma distância de dois côvados e, por erro de força, lançou-o a quatro côvados; ou quem pensava estar lançando dentro de um domínio privado e descobriu-se, depois, que era domínio público. Em ambos os casos, Rava isenta — pela mesma razão de sempre: não havia intenção específica do ato proibido (lançar quatro côvados, ou lançar em domínio público) — e Abaye responsabiliza, porque havia intenção genérica de lançar. A Guemará explica por que ambos os casos — o do corte (de 72b) e o do lançamento (aqui) — precisavam ser ensinados separadamente: se apenas o primeiro tivesse sido ensinado, poder-se-ia pensar que Rava concordaria com Abaye no caso do lançamento de dois que virou quatro, já que os quatro incluem os dois pretendidos; e se apenas o segundo tivesse sido ensinado, poder-se-ia pensar que Rava concordaria com Abaye no caso do domínio público, já que ali há intenção de um lançamento completo de quatro côvados. A Guemará muda então de assunto, retomando a Mishná que enumera "as categorias principais de trabalho são trinta e nove", e perguntando por que a Mishná precisou dar esse número exato. Responde Rabi Yochanan: para ensinar que, se alguém realizou todas as trinta e nove em um só esquecimento, é responsável por cada uma separadamente. Isto se ajusta bem à posição de Abaye, que responsabiliza mesmo por uma intenção genérica — mas gera dificuldade para Rava, que exige conhecimento do Shabat e erro apenas quanto às medidas: como configurar transgressão deliberada do Shabat e erro apenas quanto aos trabalhos, se a pessoa esqueceu tudo? A Guemará resolve isto apoiando-se em Rabi Yochanan, para quem basta que a pessoa soubesse da proibição simples do Shabat (mesmo tendo errado quanto à extirpação), mas para Reish Lakish — que exige erro tanto quanto à proibição simples quanto à extirpação — a única forma de configurar algum conhecimento do Shabat é o conhecimento dos limites de tehum (o limite de caminhada no Shabat), que, segundo Rabi Akiva, é proibido apenas por um preceito simples, sem extirpação. A folha então se fecha com a própria Mishná — um dos textos mais fundamentais de toda a Massechet Shabat — que enumera, de forma completa, as trinta e nove categorias principais de trabalho proibido: da agricultura (semear, arar, colher, ajuntar em feixes, debulhar, peneirar ao vento) à preparação de alimentos (escolher, moer, peneirar fino, amassar, assar); do trabalho com a lã (tosquiar, alvejar, cardar, tingir, fiar, urdir, fazer liços, tecer, separar fios) à costura (amarrar, desatar, costurar, rasgar a fim de costurar); da caça e do couro (caçar, abater, esfolar, salgar, curtir, raspar, cortar) à escrita e à construção (escrever, apagar a fim de escrever, construir, demolir, apagar o fogo, acender o fogo, golpear com o martelo, transportar de um domínio a outro) — todas derivadas, segundo a tradição talmúdica, dos trabalhos realizados na construção do Tabernáculo no deserto.
Mas não; a primeira cláusula trata da idolatria, e a última cláusula trata dos demais preceitos. E este "errou sem ter intenção" quanto aos demais preceitos, como se configura? Que pensava que era gordura permitida, e o comeu. O que não ocorre quanto ao Shabat, onde é isento — pois quem pretendia cortar o que já estava destacado e cortou o preso à terra é isento. E, segundo Abaye, o "errou sem ter intenção", como se configura? Que pensava que era saliva, e a engoliu. O que não ocorre quanto ao Shabat, onde é isento — pois quem pretendia levantar o que já estava destacado e cortou o preso à terra é isento. Mas quem pretendia cortar o que já estava destacado e cortou o preso à terra — é responsável.
Esta frase, gramaticalmente completa e independente, resolve a dificuldade que fechara a folha anterior. A Guemará esclarece que a baraita do duplo rigor tem duas cláusulas com referentes distintos: a primeira ("o rigor do Shabat", duas ações em um esquecimento) trata da idolatria, como já se estabelecera; a última ("o rigor dos demais preceitos", o erro sem intenção alguma) não se limita à idolatria, mas se refere aos demais preceitos em geral. O caso, segundo Rava: alguém pensa estar comendo uma gordura permitida (sheiman) e, por erro, come sebo proibido (cheilev) — e é responsável, apesar de, num certo sentido, tratar-se de um mitasek, porque nos casos de sebos e relações proibidas o mitasek é responsável (por obter prazer com o ato), diferentemente do Shabat, onde o mitasek é isento por não haver prazer envolvido. Segundo Abaye, o caso equivalente é ainda mais indireto: pensava estar engolindo saliva, e na verdade engoliu sebo derretido — não havia sequer a intenção de "comer", mas o ato de comer se configurou de qualquer forma. A última frase reafirma a posição de Abaye sobre o caso do corte: quem pretendia cortar o já destacado e cortou o preso à terra é responsável, segundo ele.
"'Que pensava que era gordura permitida, e o comeu'" — e isto é o erro: que pensava que era gordura permitida, e não pretendia comer sebo proibido; e é responsável, ainda que se trate de mitasek, segundo Rava — pois é este o caso de "não pretendia comer o proibido", e é responsável; pois disse Shmuel, em Keritot (cap. 4, 19b): quanto aos sebos e às relações proibidas, o mitasek é responsável, porque obteve prazer; mas quanto ao Shabat é isento, porque não obteve prazer — e esta é a prova para sua posição, pois disse: quem pretendia cortar o que já estava destacado e cortou o preso à terra é isento. "'E Abaye'" — disse-te: na verdade, um caso como este, mesmo quanto ao Shabat, é responsável, pois não se trata de mitasek. E como se configura o mitasek que, quanto aos demais preceitos, é responsável? Pensava que era saliva — quando na verdade era sebo derretido — e o engoliu; pois não pretendia comer, já que a saliva não é própria para comer, mas apenas para engolir, como está escrito (Jó 7:19): "até que eu engula minha saliva"; e resultou em suas mãos um ato de comer, pois não pretendia comer. E o equivalente, quanto ao Shabat, onde é isento: pretendia levantar, e resultou em suas mãos um corte.
Foi dito: quem pretendia lançar um objeto a uma distância de dois côvados e lançou-o a quatro côvados — Rava disse: é isento. Abaye disse: é responsável. Rava disse isento — pois não pretendia um lançamento de distância de quatro. Abaye disse responsável — pois pretendia um lançamento qualquer. Pensava que era domínio privado, e descobriu-se que era domínio público — Rava disse: é isento. E Abaye disse: é responsável. Rava disse isento — pois não pretendia um lançamento proibido. E Abaye disse responsável — pois pretendia um lançamento qualquer.
A Guemará traz dois novos casos, análogos aos do corte discutidos em 72b, mas agora referentes ao trabalho proibido de lançar (transportar um objeto de um domínio para outro). No primeiro: alguém pretendia lançar um objeto a uma distância de dois côvados (permitido) e, por erro de força ou cálculo, o objeto percorreu quatro côvados (proibido, pois no domínio público o transporte de quatro côvados é a medida mínima da transgressão). No segundo: alguém lançava um objeto pensando estar dentro de um domínio privado (onde tal lançamento seria permitido) e descobriu-se, depois, que na verdade estava em domínio público. Em ambos, a disputa se repete: Rava isenta, porque a pessoa não tinha a intenção específica do ato proibido; Abaye responsabiliza, porque havia a intenção genérica de lançar.
"'Pois não pretendia um lançamento proibido'" — e seria um erro quanto ao Shabat ou quanto ao trabalho; mas este não é um erro nem quanto ao Shabat nem quanto aos trabalhos, mas sim mitasek em algo permitido, e resultou em suas mãos algo proibido.
E era necessário ensinar ambos os casos: pois, se nos tivesse ensinado apenas o primeiro, poder-se-ia pensar que Rava disse aquilo apenas ali — pois não pretendia um corte proibido; mas quem pretendia lançar dois côvados e lançou quatro, onde os quatro não se lançam sem os dois, diríamos que ele concorda com Abaye. E se nos tivesse ensinado apenas neste segundo caso, poder-se-ia pensar que Rava disse aquilo apenas ali — pois não pretendia um lançamento de quatro; mas quem pensava que era domínio privado e descobriu-se que era domínio público, onde pretende um lançamento de quatro, diríamos que ele concorda com Abaye. Por isso era necessário ensinar ambos.
A Guemará explica por que era preciso ensinar todos estes casos separadamente, mesmo parecendo redundantes entre si. Se apenas o caso do corte (72b) tivesse sido ensinado, poder-se-ia pensar que Rava isenta ali especificamente porque o objeto cortado (preso à terra) é totalmente diferente do pretendido (destacado) — mas, no caso do lançamento de dois que virou quatro, onde os quatro contêm os dois pretendidos, poder-se-ia supor que aqui Rava concordaria com Abaye e responsabilizaria. Da mesma forma, se apenas este segundo caso tivesse sido ensinado, poder-se-ia pensar que Rava isenta ali porque a distância pretendida (dois) é menor que a realizada (quatro) — mas, no caso do domínio privado que se revelou público, onde a pessoa pretendia um lançamento completo de quatro côvados (apenas errando quanto ao domínio), poder-se-ia supor que aqui Rava concordaria com Abaye. Por isso, cada caso precisava ser ensinado por si, para deixar claro que a posição de Rava se mantém em todos eles.
"'E era necessário'" — discordar em todos os casos, ainda que se assemelhem entre si. "'Pois os quatro não se lançam sem os dois'" — e este que pretendia lançar dois e lançou quatro, seu pensamento se cumpriu, pois no total de quatro há dois; portanto, não é mitasek. "'Pois não pretendia um lançamento de quatro'" — e com menos do que isso, não se aplica o nome de lançamento. "'Mas pensava que era domínio privado, etc.'" — pois pretendia um lançamento completo.
Ensinamos na Mishná: "as categorias principais de trabalho são trinta e nove". E discutimos a este respeito: por que preciso da contagem? E disse Rabi Yochanan: para que, se as fez todas em um só esquecimento, seja responsável por cada uma delas. Está bem para Abaye, que diz que num caso como este é responsável — encontras isto configurado quando a pessoa sabia da proibição do Shabat e sabia da proibição dos trabalhos, mas errou quanto às medidas. Mas para Rava, que diz isento, como encontras isto configurado com transgressão deliberada quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos?
A Guemará muda de assunto, retomando a Mishná que está prestes a ser citada por completo — "as categorias principais de trabalho são trinta e nove" — e perguntando por que era necessário especificar esse número exato. Responde Rabi Yochanan: o número serve para ensinar que, se alguém realizou as trinta e nove melachot todas dentro de um só período de esquecimento (sem tomar consciência do Shabat entre uma e outra), é responsável por cada uma separadamente, como se fossem esquecimentos distintos. Isto se ajusta perfeitamente à posição de Abaye, que responsabiliza mesmo por uma intenção apenas genérica: basta que a pessoa soubesse, em geral, que era proibido transgredir o Shabat e que aqueles trabalhos eram proibidos, e apenas errasse quanto às medidas mínimas de cada um (pretendendo fazer menos que o suficiente, mas de fato realizando o suficiente). Mas para Rava — que exige, para responsabilizar por cada ação separadamente, uma transgressão deliberada quanto ao Shabat combinada com um erro apenas quanto aos trabalhos específicos —, surge uma dificuldade: se a pessoa esqueceu completamente que era Shabat, como pode haver nela qualquer traço de transgressão "deliberada" do Shabat?
"'Encontras isto configurado'" — para este de quem se esqueceu toda a lei das leis do Shabat, e ainda assim considera-se para ele como transgressão deliberada do Shabat e erro dos trabalhos, para responsabilizá-lo por cada uma; por exemplo, quando ele sabia do Shabat quanto às proibições, e errou quanto às medidas — que pretendia fazer menos que a medida mínima, e fez a medida exigida, pois todas as melachot têm uma medida. "'Mas para Rava, que diz isento, como encontras isto configurado'" — que se responsabiliza alguém por cada trabalho, dentro de um só esquecimento, forçosamente precisas encontrar isto configurado como transgressão deliberada quanto ao Shabat e erro quanto aos trabalhos; e aqui, onde tudo lhe foi esquecido, que transgressão deliberada do Shabat há? Em que ele reconhece o Shabat, distinguindo-o dos demais dias?
Isto está bem se Rava se acha na opinião como Rabi Yochanan, que diz: já que errou quanto à pena de extirpação, ainda que tenha transgredido deliberadamente quanto à proibição simples, encontras isto configurado como alguém que sabia do Shabat quanto à proibição simples. Mas se se acha na opinião como Rabi Shimon ben Lakish, que diz que só é responsável quando erra quanto à proibição simples e à extirpação juntas, em que sentido ele sabia do Shabat? Que o sabia quanto aos limites de tehum, e conforme Rabi Akiva.
A Guemará resolve a dificuldade recorrendo a uma disputa independente entre Rabi Yochanan e Reish Lakish sobre a natureza do erro que gera responsabilidade por oferenda. Segundo Rabi Yochanan, basta que a pessoa tenha transgredido deliberadamente quanto à proibição simples do Shabat (sabendo que era proibido, em termos gerais) e apenas errado quanto à pena de extirpação (karet) — nesse caso, ainda se considera que ela "sabia" do Shabat, mesmo tendo esquecido as medidas específicas de cada trabalho, e por isso o caso de Rava se sustenta sem dificuldade. Mas segundo Reish Lakish, só há responsabilidade quando a pessoa erra tanto quanto à proibição simples quanto à extirpação juntas — o que pareceria eliminar qualquer forma de "conhecimento do Shabat" no caso de esquecimento total. A solução: há um único preceito do Shabat que carrega apenas proibição simples, sem extirpação — os limites de caminhada no Shabat (tehum), segundo a opinião de Rabi Akiva, que os considera proibidos apenas por um preceito bíblico simples. Basta, então, que a pessoa soubesse dos limites de tehum (mas tivesse esquecido todas as demais leis do Shabat) para que se configure, também segundo Reish Lakish, algum "conhecimento do Shabat" combinado com esquecimento das medidas dos trabalhos — sustentando assim a posição de Rava mesmo na visão mais exigente de Reish Lakish. A Guemará não traz aqui nenhum comentário de Rashi a este trecho.
MISHNÁ. As categorias principais de trabalho proibido são trinta e nove: o que semeia, e o que ara, e o que colhe, e o que ajunta em feixes, e o que debulha, e o que peneira ao vento. O que escolhe, o que mói, e o que passa na peneira fina, e o que amassa, e o que assa.
Abre-se aqui a Mishná mais fundamental de toda a Massechet Shabat, a que dá nome, segundo a tradição, ao próprio capítulo — "Klal Gadol" (a grande regra) —, listando as trinta e nove categorias principais (avot) de trabalho proibido no Shabat. O primeiro grupo trata do processo completo de produção do pão, do campo à mesa: semear, arar, colher, ajuntar em feixes, debulhar (separar o grão da palha), peneirar ao vento (aventar, para separar o grão da palha miúda), escolher (retirar o refugo restante), moer, passar na peneira fina, amassar e assar. Estas onze categorias formam uma sequência lógica e cronológica, todas derivadas, segundo a Guemará, dos trabalhos necessários à produção dos corantes (tinturas de tekhelet, púrpura e carmesim) usados na confecção das cortinas do Tabernáculo — exceto o próprio ato de assar, que a Guemará questiona por que a Mishná escolheu, já que cozinhar seria mais diretamente aplicável aos corantes.
"'MISHNÁ. O que peneira ao vento'" — com a pá, ao vento. "'O que escolhe'" — o refugo, com as mãos. "'O que passa na peneira fina'" — com a peneira; e na Guemará se pergunta: todas estas três são uma só, pois se fazem para separar o refugo do alimento, as três. "'O que assa'" — não havia isto no Tabernáculo, pois só se aplica ao pão, e o pão não se aplica à obra do Tabernáculo; mas todas as anteriores havia nos corantes da tintura de techeilet, púrpura e carmesim; e na Guemará se pergunta por que a Mishná deixou de lado "o que cozinha", que também se aplicava aos corantes, e tomou "o que assa"; e a medida mínima destes é como uma fruta seca grogueret, exceto o que ara, cuja medida é qualquer quantidade, mais adiante, no capítulo "O que constrói" (Shabat 103a).
O que tosquia a lã, o que a alveja, o que a carda, o que a tinge, e o que a fia, e o que urde, e o que faz dois liços, e o que tece dois fios, e o que separa dois fios. O que amarra, e o que desata, e o que costura dois pontos, o que rasga a fim de costurar [dois pontos].
O segundo grupo trata do processo completo de produção do tecido, também derivado dos trabalhos com a lã na confecção das cortinas do Tabernáculo: tosquiar, alvejar (lavar no rio), cardar, tingir, fiar, urdir, fazer os dois liços (o mecanismo do tear), tecer dois fios, e separar (desfazer) dois fios quando há excesso. Seguem-se os trabalhos de acabamento, aplicados às próprias cortinas: amarrar, desatar, costurar dois pontos, e rasgar a fim de costurar — este último aplicável quando o furo a ser reparado é redondo e só pode ser costurado corretamente após ser rasgado; rasgar sem a intenção de costurar não é uma categoria derivada do Tabernáculo.
"'O que tosquia a lã'" — e todos os demais trabalhos se aplicam à lã da obra do Tabernáculo. "'O que a alveja'" — lava-a no rio. "'O que a carda'" — carpir, em francês antigo. "'O que urde'" — ourdir, em francês antigo. "'Dois liços'" — lices, quando se coloca dois fios dentro da casa do liço; e quanto ao tosquiar e ao alvejar, e todos os demais, a Guemará explica sua medida mais adiante, no capítulo "O que tece". "'O que separa'" — desfaz; às vezes há, em dois fios, mais do que o necessário, e ele desfaz deles e os afina conforme a necessidade; e todos estes, de "o que urde" em diante, até "o que amarra" e "o que desata", se aplicam às cortinas do Tabernáculo; e mais adiante se explica o que é "amarrar" e o que é "desatar". "'E o que costura, e o que rasga'" — é também nas cortinas. "'A fim de costurar'" — às vezes o furo é redondo, e não se pode costurá-lo bem a menos que o rasgue, como se explica na Guemará; mas quem rasga sem a intenção de costurar, isto não havia no Tabernáculo.
O que caça um cervo, o que o abate, e o que o esfola, o que o sala, e o que curte o seu couro, e o que o raspa, e o que o corta.
O terceiro grupo trata do processo completo de produção do couro, derivado do trabalho com as peles de tachash (um animal cuja identidade exata é discutida pelos comentaristas) usadas na cobertura do Tabernáculo: caçar o animal, abatê-lo, esfolá-lo, salgar o couro, curti-lo, raspar o pelo restante, e cortá-lo — este último entendido por Rashi como aparar e cortar em correias e sandálias.
"'O que caça um cervo'" — e todo o trabalho do seu couro se aplicava aos tachash animais para o Tabernáculo, quanto às suas peles. "'O que o sala'" — o couro. "'O que o raspa'" — remove o seu pelo raspando. "'O que o corta'" — apara-o e corta-o em correias e sandálias.
O que escreve duas letras, e o que apaga a fim de escrever duas letras. O que constrói, e o que demole, o que apaga o fogo, e o que acende, o que golpeia com o martelo, o que transporta de um domínio para outro — estas são as categorias principais de trabalho proibido, trinta e nove.
O quarto e último grupo fecha a lista com sete categorias finais: escrever duas letras e apagar a fim de escrever duas letras (relacionado, segundo Rashi, à marcação das tábuas do Tabernáculo, para saber qual tábua correspondia a qual, escrevendo uma letra em cada uma e apagando quando havia erro); construir e demolir; apagar o fogo e acender o fogo (o fogo sob a caldeira dos corantes); golpear com o martelo (o acabamento final de qualquer trabalho, como o artesão que golpeia a peça sobre a bigorna ao concluí-la); e transportar de um domínio para outro (o trabalho discutido nos dois casos do lançamento, acima nesta mesma folha). A Mishná se fecha com a fórmula "estas são as categorias principais de trabalho, trinta e nove" — uma frase gramaticalmente completa, que encerra tanto esta lista quanto a folha inteira.
"'O que escreve, e o que apaga'" — mais adiante (Shabat 103b) a Guemará explica para que precisava do apagar: pois marcavam nas tábuas do Tabernáculo para saber qual era seu par, e escreviam uma letra em uma e uma letra em outra, e apagavam quando às vezes erravam. "'O que apaga o fogo, e o que acende'" — no fogo que estava sob a caldeira dos corantes. "'O que golpeia com o martelo'" — este é o acabamento de todo trabalho, pois assim o artesão golpeia com o martelo sobre a bigorna para alisá-lo no acabamento do trabalho; e também na Mishná não se responsabiliza senão pelo acabamento do trabalho.
Esta folha termina de forma fechada: encerra-se com a própria Mishná, na frase completa "הֲרֵי אֵלּוּ אֲבוֹת מְלָאכוֹת אַרְבָּעִים חָסֵר אַחַת" ("estas são as categorias principais de trabalho, trinta e nove"), que fecha tanto a enumeração quanto o pensamento. Não há transição de perek dentro deste daf: a Mishná das trinta e nove categorias é a segunda Mishná do próprio Perek Zayin (Klal Gadol), que já estava em curso desde antes de 72b, e a Guemará sobre ela prossegue diretamente no início de 73b.