Shabbat 109b abre completando exatamente a objeção de Rav Nachman bar Yitzchak que 109a deixou interrompida: contra a resolução de Rabi Yochanan (que atribuíra as duas baraitot contraditórias sobre o grande mar a Rabi Meir e a Rabi Yehudá), Rav Nachman objeta que, quanto à impureza e à pureza, pode-se até dizer que os tanaítas discordam sobre o versículo, mas quanto ao Shabat — cujo fundamento é apenas a suspeita de intenção curativa — ninguém jamais ouviu que discordassem. Em vez disso, o próprio Rav Nachman bar Yitzchak propõe sua resolução: a baraita que proíbe trata de quem permanece na água (ishtahi), revelando intenção de cura, e a que permite trata de quem não permanece (lo ishtahi). A guemará testa essa resolução e a rejeita para o caso da água de maceração do linho, pois outra baraita explícita já distingue ali entre permanecer e não permanecer, sem depender do grande mar; por fim, a contradição sobre o grande mar é resolvida de outro modo — entre suas águas boas (de uso comum, não medicinal) e suas águas ruins (de uso exclusivamente curativo) —, enquanto a contradição sobre a água de maceração volta a ser resolvida pela distinção entre permanecer e não permanecer, encerrando así a sugia dos locais de banho aberta em 108b. Surge então uma nova mishná: não se come izvyon no Shabat, por não ser alimento de pessoas saudáveis (o que denunciaria intenção curativa), mas pode-se comer o yoezer e beber o abuvroe, plantas de uso comum; todo alimento pode ser comido para cura, e toda bebida pode ser bebida, exceto a água de tamareiras e o "copo de raízes", associados especificamente à cura da icterícia — ainda que a água de tamareiras seja permitida para saciar a sede, e o óleo de raízes possa ser usado sem intenção curativa. A guemará então identifica cada planta: o ezov (hissopo) bíblico e o izvyon da mishná, segundo Rav Yossef, Ulla (que o identifica com a salva branca, confirmado num episódio na casa de Rav Shmuel bar Yehudá), Rav Pappi (que propõe o shumshuk) e Rav Yirmeya de Difti (que sustenta essa última opinião a partir da mishná sobre os três talos do hissopo), com a receita do shumshuk contra vermes intestinais. Identifica o yoezer como o potank, remédio contra vermes do fígado, com uma cadeia de alternativas — agrião branco, jejum com carne gorda e vinagre, e raspas de espinheiro fervidas em cerveja — para quando o remédio principal falha. Identifica o abuvroe como a chumatria (o "bastão solitário"), remédio contra o perigo de beber água exposta que uma serpente possa ter envenenado, com uma receita alternativa de rosas fervidas em cerveja, ilustrada pela história da mãe de Rav Achadvoi bar Ami, que tratou um homem envenenado até fazê-lo vomitar o veneno. Seguem-se outros remédios contra o mesmo perigo — o leite de cabra branca de Rav Avya, o citron recheado de mel de Rav Huna bar Yehudá, a urina de quarenta dias de Rabi Chanina (em doses graduadas para vespão, escorpião, água exposta e até feitiçaria) e o anigron, avangar e tiryaka de Rabi Yochanan. O daf se encerra com os remédios contra quem engoliu ou foi mordido por uma serpente — o lúpulo com sal seguido de uma corrida de três mil, ilustrado pela história de Rav Shimi bar Ashi (em duas versões, numa das quais o próprio Rav Shimi é socorrido por Eliyahu disfarçado de cavaleiro), e o feto de jumenta branca aplicado sobre a mordida, com a ressalva de que a mãe não deve ser treifá — texto interrompido no meio de um novo caso, cuja continuação é o ponto de partida de Shabbat 110a, ainda não publicado.
Diga-se que discordam quanto à questão da impureza e da pureza — mas quanto à questão do Shabat, acaso ouviste que discordam a esse respeito? Mas disse Rav Nachman bar Yitzchak: não há dificuldade: esta (baraita, que proíbe) é (o caso) em que permaneceu (na água); aquela (que permite) é (o caso) em que não permaneceu.
Este beat completa exatamente a objeção que 109a deixou interrompida na palavra solta "מַתְקֵיף לַהּ רַב נַחְמָן בַּר יִצְחָק". Confirmado via Sefaria, o conteúdo da objeção é: a resolução de Rabi Yochanan (atribuindo as baraitot a Rabi Meir e a Rabi Yehudá) faz sentido para a disputa sobre a condição jurídica dos mares quanto à impureza e à pureza, apoiada num versículo — mas, quanto ao Shabat, cuja única razão de proibição é a suspeita de intenção curativa, não há tradição de que esses tanaítas jamais tenham discordado. Rav Nachman bar Yitzchak propõe então sua própria resolução, independente da disputa Meir/Yehudá: a distinção está em permanecer ou não na água — permanecer denuncia intenção medicinal (proibido), enquanto um simples banho de entrada e saída não a denuncia (permitido).
"'Diga-se que discordam quanto à questão da impureza e da pureza'" — e isto por causa do versículo. "'Quanto à questão do Shabat'" — pois a razão (da proibição) é por causa da cura; acaso ouviste que discordassem a esse respeito? "'Este é o caso em que permaneceu'" — dentro delas (as águas), é proibido, pois é evidente que sua intenção é para a cura. "'Aquele é o caso em que não permaneceu'" — mas apenas se banhou e saiu, é permitido.
E com que (fundamento) você estabeleceu a última (baraita, que permite banhar-se no grande mar)? Que é (o caso) em que não permaneceu? Se é (o caso) em que não permaneceu, então até na água de maceração (do linho) também (seria permitido). Pois foi ensinado (numa baraita): banha-se nas águas de Tiberíades, e na água de maceração, e no Mar de Sodoma, e isto mesmo que se tenham pústulas (chatatim) na cabeça. Em que caso se disse isto? Quando não permaneceu; mas se permaneceu, é proibido.
A guemará testa a resolução de Rav Nachman bar Yitzchak levando-a à sua conclusão lógica: se a baraita que permite banhar-se no grande mar trata de quem não permanece na água, então esse mesmo raciocínio deveria permitir banhar-se, sem permanecer, até na água de maceração do linho — que a baraita original havia proibido incondicionalmente. A guemará traz então uma terceira baraita, que confirma exatamente essa lógica: permite-se banhar-se nas águas de Tiberíades, na água de maceração e no Mar de Sodoma, mesmo que a pessoa tenha pústulas na cabeça (que seriam curadas por essas águas) — desde que não permaneça ali. Se permanecer, revela intenção curativa e o banho é proibido.
"'A última (baraita)'" — que ensina "banha-se" é (o caso) em que não permaneceu. "'Pústulas (chatatim)'" — "malanz" (feridas, crostas, em francês antigo). "'Que não permaneceu'" — dentro da água, pois assim parece que é apenas para refrescar-se.
Mas (a contradição) "grande mar" contra "grande mar" não é difícil: esta (baraita, que permite) refere-se às (águas) boas que há nele; aquela (que proíbe) refere-se às (águas) ruins que há nele. "Água de maceração" contra "água de maceração" também não é difícil: esta (que proíbe) é (o caso) em que permaneceu; aquela (que permite) é (o caso) em que não permaneceu.
Rejeitada a tentativa de resolver tudo pela distinção "permanecer/não permanecer" aplicada ao grande mar, a guemará propõe a resolução definitiva, em dois passos. Primeiro, a contradição sobre o grande mar se resolve geograficamente: a baraita que permite refere-se às suas águas boas — a parte usada comumente para lazer, sem conotação medicinal —, e a que proíbe refere-se às suas águas ruins ou poluídas, usadas apenas para fins curativos; em ambas, presume-se que a pessoa permanece na água. Segundo, volta-se à distinção original para a água de maceração: a baraita que proíbe trata de quem permanece, e a que permite (a última mencionada, com a ressalva das pústulas) trata de quem não permanece. Com isso, encerra-se toda a sugia sobre os locais de banho permitidos e proibidos no Shabat, aberta ainda em 108b/109a.
"'Nas (águas) boas'" — pois nelas se costuma banhar em dia de semana, para um banho que não é para cura. "'Nas (águas) ruins'" — não se banha, pois é evidente que a intenção é para cura, e ambas (as baraitot sobre o grande mar) tratam do caso em que se permaneceu. "'Água de maceração contra água de maceração não é difícil'" — esta que ensina "banha-se na água de maceração" contra aquelas duas mencionadas acima, que ensinam "mas não na água de maceração": esta é o caso em que permaneceu, aquela é o caso em que não permaneceu.
MISHNÁ. Não se come izvyon no Shabat, porque não é alimento de pessoas saudáveis; mas come-se o yoezer, e bebe-se o abuvroe. Todos os alimentos — o homem pode comê-los para cura; e todas as bebidas — pode bebê-las; exceto a água de tamareiras (mei dekalim) e o copo de raízes (kos ikarin), porque são (associados) à icterícia (yeroka). Mas bebe-se água de tamareiras para saciar a sede, e unta-se com óleo de raízes sem intenção de cura.
Uma nova mishná surge no meio do daf, aplicando à alimentação o mesmo princípio de fundo que regeu toda a sugia dos locais de banho: o que é evidentemente medicinal é proibido, o que não o é, é permitido, mesmo com intenção curativa. O izvyon (planta amarga) é proibido porque só se come com finalidade curativa — comê-lo denuncia a intenção. Já o yoezer e o abuvroe, plantas de consumo comum, são permitidos, ainda que também tenham propriedades curativas, precisamente porque seu uso não é exclusivamente medicinal. A mishná generaliza: qualquer alimento comum pode ser comido mesmo visando à cura, pois o ato em si não o denuncia; o mesmo vale para as bebidas — com duas exceções, a água de tamareiras e o "copo de raízes", ambas associadas quase exclusivamente ao tratamento da icterícia, e por isso proibidas quando bebidas com esse fim. A mishná fecha com duas ressalvas: a água de tamareiras continua permitida se bebida por sede (uso não medicinal evidente), e o óleo de raízes pode ser passado no corpo desde que não seja explicitamente para cura.
"'MISHNÁ. Izvyon'" — explicado na guemará, que não é alimento de pessoas saudáveis, e é evidente que come-se para cura. "'Mas come-se o yoezer'" — pois muitos o comem quando estão saudáveis. "'Água de tamareiras'" — explicado na guemará. "'E o copo de raízes'" — bebida em que se socam raízes de vegetais e especiarias; explicado na guemará. "'Porque são para a icterícia'" — para a doença do icterícia (yeroka), e não é alimento de pessoas saudáveis. "'Para saciar a sede'" — se não estiver doente.
GUEMARÁ. Disse Rav Yossef: (o) ezov (da Torá) é "avrata bar hamag"; (o) izvyon é "avrata bar hing". Ulla disse: é a salva branca (marva chivara). Ulla chegou (por acaso) à casa de Rav Shmuel bar Yehudá; trouxeram diante dele salva branca. Disse: este é o ezov que está escrito na Torá. Rav Pappi disse: é o shumshuk. Disse Rav Yirmeya de Difti: (a opinião) de Rav Pappi é razoável, pois aprendemos (numa mishná): o preceito do ezov (exige) três talos, e neles três hastes, e é o shumshuk que se encontra assim. Para que o comem? Para (curar) os vermes intestinais (kukyanei). Com que o comem? Com sete tâmaras pretas. De que (causa) provêm (os vermes)? Da farinha de cevada (deixada) num recipiente que passou (sem uso) quarenta dias.
A guemará abre a discussão sobre a nova mishná identificando botanicamente o ezov (hissopo) mencionado na Torá — usado na aspersão da vaca ruiva e na purificação do leproso — e o izvyon da mishná, uma espécie semelhante mas proibida por não ser alimento comum. Rav Yossef dá os nomes populares de ambos; Ulla identifica o ezov bíblico com a salva branca, confirmado num episódio concreto na casa de Rav Shmuel bar Yehudá; Rav Pappi propõe outra identificação, o shumshuk, que Rav Yirmeya de Difti defende como mais razoável a partir de uma mishná (Massechet Pará) que descreve a estrutura física exigida do hissopo ritual — três talos, cada um com três hastes —, estrutura que o shumshuk exibe naturalmente. A guemará então explica o uso medicinal do shumshuk: comido com sete tâmaras pretas, cura os vermes intestinais que se formam a partir de farinha de cevada guardada por muito tempo num mesmo recipiente.
"'GUEMARÁ. Disse Rav Yossef: ezov'" — o (ezov) da Torá, apto para a aspersão (hazaá), é o que chamam "avrata bar hamag". "'Izvyon'" — o (izvyon) da mishná é o que chamam "avrata bar hing"; e há, entre meus mestres, quem explique: "bar hamag" é o que cresce em lugar de junco, "bar hing" é o que cresce entre os espinheiros — "ronts" (em francês antigo). "'Ulla disse'" — o ezov da Torá é a salva branca, "sauge" em francês antigo. "'Shumshuk'" — é o ezov da Torá. "'Três talos'" — pois está escrito "agudá" (feixe), e não há feixe com menos de três. "'E neles três hastes'" — em cada talo, três hastes, canas finas como as do cânhamo. "'Para (curar) kukyanei'" — vermes que há nos intestinos. "'Que passou sobre ela quarenta dias'" — desde que foi moída.
"Mas come-se o yoezer". O que é o yoezer? É o potank. Para que o comem? Para (curar) arkata (vermes do fígado). Com que o comem? Com sete tâmaras brancas. De que (causa) provêm (os vermes)? De carne crua com água em jejum (estômago vazio); e de carne gorda em jejum; e de carne de boi em jejum; de nozes em jejum; e de brotos de feno-grego (guirei derubya) em jejum, e beber água depois disso.
A guemará identifica agora o yoezer, a segunda planta permitida pela mishná, com o vegetal chamado potank. Seu uso medicinal é contra os "vermes do fígado" (arkata), comido com sete tâmaras brancas — em paralelo estrutural exato ao shumshuk contra vermes intestinais, comido com sete tâmaras pretas. A guemará então lista as causas alimentares dessa condição: uma série de combinações de carnes (crua, gorda, de boi), nozes ou brotos de feno-grego, todas consumidas em jejum (com o estômago vazio), especialmente quando seguidas de água — um padrão dietético que, segundo a medicina talmúdica, favorece o desenvolvimento de vermes no fígado.
"'Putank'" — "poirée" em francês antigo (acelga). "'Para (curar) arkata'" — vermes que há no fígado. "'De que provêm'" — a doença. "'De carne crua (umtsa)'" — carne (assada) sobre brasas. "'Em jejum'" — antes de comer. "'De brotos de rubya'" — folhas novas de feno-grego, como as folhas novas da videira. "'Rubya'" — feno-grego, "fenigrec" em francês antigo. "'E beber água depois disso'" — quem come um destes antes de comer (outra coisa), e bebe água depois.
E se não (tiver, ou não ajudou), engula agrião branco (tachlei chivarata). E se não (tiver, ou não ajudou), sente-se em jejum, e traga carne gorda, e a lance sobre as brasas, e sugue o osso, e engula vinagre. E há quem diga: vinagre não, porque é prejudicial ao fígado. E se não (tiver isso), traga raspas (girda) de espinheiro (assinta), raspadas de cima para baixo, e não de baixo para cima, para que talvez (os vermes) saiam pela boca; e as cozinhe em cerveja ao entardecer; e no dia seguinte, tape os seus orifícios e beba; e quando defecar, que defeque sobre o tronco de uma tamareira, por causa da rachadura da palmeira.
A guemará continua listando remédios em cadeia decrescente de preferência, um padrão recorrente nesta seção do Talmud: se o remédio principal (o potank) não estiver disponível ou não surtir efeito, recorre-se a alternativas cada vez mais elaboradas. Primeiro, o agrião branco; depois, um regime combinando jejum, carne gorda assada sobre brasas (sugada até a medula) e vinagre — embora uma tradição alternativa rejeite o vinagre por ser prejudicial ao próprio fígado que se está tentando curar. Por fim, o remédio mais elaborado: raspas da casca de um espinheiro, colhidas numa direção específica (para induzir os vermes a saírem pela boca, e não por baixo), fervidas em cerveja e bebidas com as narinas tapadas — terminando com uma instrução sobre onde defecar depois, ligada à imagem da rachadura natural na casca da palmeira.
"'E se não (tiver)'" — se não tem potank, ou se o comeu e não se curou. "'Tachlei'" — agrião, "cresson" em francês antigo. "'Sugue o osso'" — que sugue bem um membro daquela carne, e sugue sua gordura com a boca. "'Raspas de espinheiro'" — casca raspada do espinheiro (sená). "'De cima para baixo'" — que seja raspada de cima para baixo. "'Ao entardecer'" — na escuridão do pôr do sol; outra explicação: numa casa de um dos vizinhos, para não sentir o cheiro, que lhe é prejudicial. "'Tape os seus orifícios'" — que tape as narinas para não sentir o cheiro; outra explicação: que tape as narinas e os orifícios das orelhas, para que a força da bebida não saia de seu corpo.
"E bebe-se o abuvroe". O que é o abuvroe? É a chumatria. O que é a chumatria? É o "bastão solitário" (chutra yechidaa). Para que se usa? Para (o perigo de) água exposta (giluy). E se não (tiver), traga cinco (flores em) coroa e cinco copos de cerveja, e cozinhe-os juntos até restar (a medida de) um anfaka, e beba.
A guemará identifica a terceira substância mencionada na mishná, o abuvroe (a bebida permitida), com uma planta chamada chumatria — descrita como uma árvore que cresce solitária, sem ramos ao redor. Seu uso medicinal é específico: contra o perigo de ter bebido água exposta (giluy), deixada descoberta e sob suspeita de que uma serpente tenha bebido dela e deixado veneno. Quando a chumatria não está disponível, ou não ajuda, a guemará oferece uma receita alternativa: cinco rosas e cinco copos de cerveja, fervidos juntos até reduzir ao volume de um "anfaka" (um quarto de log), a ser bebido como antídoto.
"'Bastão solitário'" — árvore que cresce sozinha, sem ramos. "'Para (o perigo de) água exposta'" — quem bebeu água exposta. "'Cinco (flores em) coroa'" — rosas. "'Copos de cerveja'" — copos. "'Até que fiquem na medida de um anfaka'" — que se reduzam até a medida que comporta um "anfak", que é um quarto de log, como dizemos em Chazakat HaBatim (Bava Batra 58b).
A mãe de Rav Achadvoi bar Ami preparou para um certo homem uma (rosa em) coroa e uma cerveja. Cozinhou e deu-lhe de beber; e acendeu o forno, e o limpou (das brasas), e colocou nele um tijolo, e o sentou sobre ele (dentro do forno); e saiu dele algo como uma folha verde (de palmeira).
A guemará ilustra a receita alternativa (uma única rosa e uma única cerveja, versão reduzida da receita anterior) com um episódio concreto: a mãe de Rav Achadvoi bar Ami trata um homem que havia bebido água exposta e suspeita-se envenenado. Depois de dar-lhe a bebida cozida, ela prepara um forno aceso, remove suas brasas para que esfrie um pouco, coloca dentro um tijolo para que ele se sente sem se queimar, e o instala ali dentro — provavelmente para provocar suor e vômito através do calor controlado. O resultado é que "algo como uma folha verde" sai dele: uma descrição vívida do veneno expelido pelo vômito.
"'E acendeu o forno'" — acendeu-o com fogo. "'E o limpou'" — das brasas, para que esfriasse um pouco. "'E colocou nele um tijolo'" — para que se sentasse sobre ele e não se queimasse. "'E saiu dele'" — vomitou o veneno que havia engolido. "'Hutza'" — folha de palmeira (lulav).
Rav Avya disse: um quarto de log de leite de cabra branca. Rav Huna bar Yehudá disse: traga um citron doce, fure-o, encha-o de mel, coloque-o entre brasas de fogo, e coma-o. Rabi Chanina disse: urina de quarenta dias: um copo pequeníssimo (barzina) — para picada de vespão; um quarto de log — para (picada de) escorpião; meio quarto — para (o perigo de) água exposta; um quarto inteiro — é benéfico até mesmo contra feitiçaria. Disse Rabi Yochanan: anigron, avangar e tiryaka são benéficos tanto para (o perigo de) água exposta quanto para feitiçaria.
A guemará reúne mais quatro tradições de remédios, ainda no tema da água exposta (giluy) e, na sequência, da feitiçaria. Rav Avya recomenda leite de cabra branca em dose específica; Rav Huna bar Yehudá, um citron doce, esvaziado e recheado de mel, assado sobre brasas. Rabi Chanina apresenta um sistema graduado de doses de urina envelhecida (quarenta dias), cada volume associado a um perigo diferente — do menor (picada de vespão) ao maior (feitiçaria) —, sugerindo uma escala de potência crescente. Rabi Yochanan encerra com três substâncias — água de acelga fervida, água de outra erva chamada avangar, e bálsamo (tiryaka) — eficazes tanto contra o perigo da água exposta quanto contra feitiçaria, ligando tematicamente os dois perigos que se repetem ao longo de toda esta seção.
"'Citron doce'" — doce. "'E fure-o'" — que fure um buraco em seu interior. "'E coloque-o entre brasas de fogo'" — coloca-o sobre brasas em fogo brando, para que o citron cozinhe com o mel. "'De quarenta dias'" — que passaram por quarenta dias; outra explicação: de uma criança de quarenta dias. "'Riva'" — um log. "'Barzina para vespão'" — um copo muito pequeno chamado barzina; dessa urina se bebe para quem foi picado por uma vespa, e se cura. "'Anigron, avangar e tiryaka'" — água em que se cozinhou avangar, um tipo de erva chamada avangar; e o anigron simples é água em que se cozinharam acelgas, como dizemos (Berachot 39a): "anigron é água de acelga"; e tiryaka é bálsamo (tzori).
Aquele que engoliu uma serpente: alimente-o com lúpulo (keshuta) com sal, e faça-o correr três mil (de distância). Rav Shimi bar Ashi viu um certo homem que havia engolido uma serpente; (Rav Ashi) apareceu-lhe disfarçado como um cavaleiro; alimentou-o com lúpulo e sal, e o fez correr diante de si três mil, e (a serpente) saiu dele em pedaços. Há quem diga: foi o próprio Rav Shimi bar Ashi quem engoliu a serpente; veio Eliyahu, (e) apareceu-lhe como um cavaleiro; alimentou-o com lúpulo e sal, e o fez correr diante de si três mil, e (a serpente) saiu dele em pedaços. Aquele a quem uma serpente mordeu: traga-se o feto de uma jumenta branca, rasgue-se, e coloque-se sobre ele. E isto (vale) apenas quando não se constate (que a mãe é) treifá. Certo (homem)...
O daf se encerra com uma última série de remédios, agora contra a mordida ou a ingestão de uma serpente. Para quem engoliu uma serpente, o remédio é o lúpulo com sal, seguido de uma corrida forçada de três milhas — o medo, o esforço físico e o efeito do lúpulo, juntos, enfraquecem e matam a serpente por dentro. A guemará ilustra com uma história contada em duas versões: numa, Rav Shimi bar Ashi socorre um homem, disfarçando-se de cavaleiro para assustá-lo e fazê-lo correr; na outra, é o próprio Rav Shimi quem é socorrido, e quem se disfarça de cavaleiro é o profeta Eliyahu. Em ambas, a serpente sai do corpo em pedaços. Para quem foi mordido (e não engoliu) uma serpente, o remédio é diferente: o feto retirado do ventre de uma jumenta branca, rasgado e colocado sobre a ferida — desde que a mãe não seja encontrada com um defeito que a torne treifá. O daf termina abruptamente com as palavras "הָהוּא" ("certo..."), no início de um novo caso cujo conteúdo fica para a continuação em Shabbat 110a, ainda não publicado.
"'Apareceu-lhe como um cavaleiro'" — prende-o e o disciplina, pois o medo, a corrida e o lúpulo enfraquecem sua força, e o calor mata a serpente em seu interior. "'Em pedaços (gubei)'" — pedaço por pedaço saiu a serpente dele; "gubei", "tronçons" em francês antigo. "'Que o mordeu (tarkei)'" — que o mordeu. "'Feto de jumenta branca'" — o feto encontrado no ventre de uma jumenta branca. "'Que não se constate treifá'" — a mãe.