Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Chet (Hamotzi Yayin)
עַד שֶׁיֹּאמַר לֹוֶה

A pergunta de 78b se completa — "até que o devedor diga 'paguei' e 'não paguei'" —, com as explicações alternativas de Rava e Rav Ashi; e a extensa sugia sobre o couro processado e destinado a ser processado, com a baraita dos três tipos de couro

Shabbat 79a — a folha abre completando a frase interrompida em 78b: "até que o devedor diga 'paguei' e 'não paguei'". Rava então rejeita a explicação de Abaye e propõe a sua própria — a disputa está em se se escreve um recibo de quitação sobre um documento já pago —, e Rav Ashi propõe uma terceira: o devedor guarda o documento pago para mostrá-lo a um segundo credor, provando que é homem que paga suas dívidas. A Guemará passa então à Mishná anterior sobre o couro: Rava pergunta a Rav Nachman se a medida de responsabilidade muda entre couro já processado e couro apenas destinado a ser processado — a resposta é que não muda, provada pela analogia com a lã, cuja medida já conta como fiada, tingida ou tecida desde que destinada a esse fim. Três objeções sucessivas — corantes já dissolvidos, sementes de horta já plantadas, argila já amassada — testam esse princípio e são todas resolvidas pelo mesmo raciocínio: ninguém se dá ao trabalho de preparar antecipadamente algo só para uma quantidade mínima. Uma baraita de Rabi Chiya bar Ami em nome de Ulá distingue três tipos de couro — matsá, chifá e diftera —, cada um com sua própria medida, harmonizada por Rashi quanto a couro úmido e seco. A folha se encerra fechada, com uma objeção final a partir das medidas de impureza de roupa, saco, couro e esteira, resolvida como referindo-se a um couro endurecido pelo cozimento (kurtuvla).

78b havia se encerrado em aberto, no meio do raciocínio de Abaye sobre a baraita do documento de dívida: Abaye explicara que a disputa entre o primeiro tanaíta e Rabi Yehuda não está em se é proibido manter um documento já pago (todos concordam que é proibido), mas em se o devedor que reconhece, perante o tribunal, ter escrito o documento precisa ratificá-lo formalmente para que o credor possa cobrá-lo com ele; e a folha terminara com a pergunta ainda sem resposta: "e o que significam, então, 'antes de pagá-lo' e 'depois de pagá-lo'?" 79a abre respondendo exatamente essa pergunta: "até que o devedor diga 'paguei', e antes disso, 'não paguei'" — isto é, antes que o devedor diga "paguei", quem transporta o documento é responsável; depois que ele diz "paguei", é isento, porque o documento fica então anulado. Encerrada assim a explicação de Abaye, Rava discorda dele por completo, propondo que todos concordam, isso sim, que quando o devedor reconhece ter escrito o documento é necessário ratificá-lo em juízo — e que a disputa real está em se se escreve um recibo de quitação sobre um documento pago: o primeiro tanaíta entende que sim, e por isso o credor deve devolver o documento original ao devedor (que o queima), sendo proibido retê-lo; Rabi Yehuda entende que não se escreve recibo de quitação, e por isso o credor precisa manter o próprio documento como prova de que já foi pago. Rav Ashi propõe ainda uma terceira diferença prática, também quando é o próprio devedor quem transporta o documento pago: ele o guarda não para embrulhar a boca de um frasco, mas para mostrá-lo a um segundo credor, provando que é homem que paga suas dívidas. Encerrada essa disputa em três camadas, a Guemará retorna à Mishná anterior a 78b, sobre o couro: Rava pergunta a Rav Nachman se quem transporta couro no Shabat é responsável pela mesma medida (o suficiente para um amuleto) tanto se o couro já foi processado quanto se ainda está apenas destinado a ser processado — e Rav Nachman responde que não há diferença, provando isso a partir da lã: quem alveja, carda, tinge ou fia lã, e quem tece dois fios, tem a mesma medida (a largura de um sit dobrado), porque, já que a lã está destinada a ser fiada, sua medida já conta como se estivesse fiada; do mesmo modo, o couro destinado a ser processado já conta com a medida de couro processado. Uma primeira objeção vem dos corantes: quem transporta corantes já dissolvidos em água tem uma medida pequena (o suficiente para tingir uma amostra), mas corantes ainda não dissolvidos têm uma medida bem maior (o suficiente para tingir uma peça de roupa pequena) — o que pareceria contradizer o princípio, já que os corantes secos também estão destinados a ser dissolvidos; a Guemará resolve, com Rav Nachman em nome de Raba bar Avuh, que ninguém se dá ao trabalho de dissolver corantes apenas para uma amostra tão pequena. A segunda objeção vem das sementes de horta: antes de plantadas, sua medida é pequena (menos que um figo seco, ou cinco sementes segundo Rabi Yehuda ben Beteira); depois de plantadas, a medida do esterco necessário para adubá-las é bem maior — resolvida por Rav Pappa com o mesmo raciocínio: ninguém se dá ao trabalho de extrair uma única semente de esterco só para plantio. A terceira objeção vem da argila: antes de amassada, a água de esgoto necessária para amassá-la tem uma medida pequena (um quarto de log); depois de amassada, a medida da própria argila é bem maior (o suficiente para a boca de um forno) — resolvida pelo mesmo princípio. Vem então uma baraita de Rabi Chiya bar Ami em nome de Ulá, que distingue três tipos de couro segundo seu grau de tratamento: matsá (sem nenhum tratamento), cuja medida é o suficiente para embrulhar um pequeno peso de prumo (um quarto de um quarto de litra de Pumbedita); chifá (salgado, mas sem farinha nem noz-de-galha), cuja medida é o suficiente para um amuleto; e diftera (salgado e tratado com farinha, mas sem noz-de-galha), cuja medida é o suficiente para escrever um documento de divórcio (get) — a menor de todas as medidas de escrita. Uma objeção nota que a baraita, ao repetir a medida do peso de prumo para a diftera, contradiz a medida do get, mas a Guemará resolve que ali se trata de couro ainda úmido, recém-esfolado, que ainda não serve para ser processado. A folha se fecha com uma última objeção, a partir da Mishná de impurezas: a medida de responsabilidade para roupa, saco, couro e esteira no Shabat é a mesma que sua medida de impureza (três, quatro, cinco e seis dedos por lado, respectivamente) — uma medida bem maior que a de um amuleto para o couro; a Guemará resolve que essa medida maior se refere a um couro especial, endurecido pelo cozimento (kurtuvla), usado para assentos e cobertas.

Nota — continuação direta de 78b

78b se encerrara em frase aberta, no meio do raciocínio de Abaye sobre a baraita do documento de dívida: depois de rejeitar a resposta de Rav Yosef e propor que a disputa real está em se o devedor que reconhece ter escrito o documento precisa ratificá-lo em juízo, a folha terminara com a pergunta ainda sem resposta — "e o que significam 'antes de pagá-lo' e 'depois de pagá-lo'?" Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 79a abre respondendo exatamente a essa pergunta, na primeira linha da folha: "até que o devedor diga 'paguei' e 'não paguei'". O raciocínio de Abaye, portanto, só se completa aqui — não há novo assunto nem nova Mishná; a folha começa em pleno meio de uma resposta.

A frase se completa; Rava e Rav Ashi propõem duas outras diferenças práticas · עַד שֶׁיֹּאמַר לֹוֶה, כּוֹתְבִין שׁוֹבָר

01A resposta de Abaye se completa: "até que o devedor diga 'paguei' e 'não paguei'"
A Guemará
עַד שֶׁיֹּאמַר לֹוֶה ״פָּרַעְתִּי״ וְ״לֹא פָּרַעְתִּי״.

Até que o devedor diga "paguei" — e, antes disso, "não paguei".

Nota

Esta é a resposta que fecha a pergunta deixada aberta ao final de 78b. Segundo Rashi, o sentido é: antes que o devedor diga "paguei" (isto é, enquanto ele ainda nega o pagamento, dizendo "não paguei"), quem transporta o documento no Shabat é responsável; depois que o devedor diz "paguei", quem o transporta é isento, porque o documento fica então anulado. Com isso, completa-se inteiramente o raciocínio de Abaye: a disputa entre o primeiro tanaíta e Rabi Yehuda está em se o reconhecimento do devedor, de que escreveu o documento, precisa ainda ser ratificado em juízo — e as expressões "antes de pagá-lo" e "depois de pagá-lo" referem-se, precisamente, ao momento em que o devedor admite ou nega o pagamento.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ad sheyomar para'ti velo para'ti"
עד שיאמר פרעתי ולא פרעתי - כלומר עד שלא אמר פרעתי חייב משאמר פרעתי פטור דבטל ליה:

"'Até que o devedor diga "paguei" e "não paguei"'" — isto é: antes que o devedor diga "paguei", quem transporta o documento é responsável; depois que o devedor diz "paguei", é isento, porque o documento fica anulado para ele.

02Rava: a disputa real é sobre escrever um recibo de quitação; Rav Ashi: mostrar o pagamento a um segundo credor
Rava; Rav Ashi
רָבָא אָמַר: דְּכוּלֵּי עָלְמָא מוֹדֶה בִּשְׁטָר שֶׁכְּתָבוֹ — שֶׁצָּרִיךְ לְקַיְּימוֹ, וְהָכָא בְּכוֹתְבִין שׁוֹבָר קָמִיפַּלְגִי: תַּנָּא קַמָּא סָבַר כּוֹתְבִין שׁוֹבָר, וְרַבִּי יְהוּדָה סָבַר אֵין כּוֹתְבִין שׁוֹבָר. רַב אָשֵׁי אָמַר: מִפְּנֵי שֶׁצָּרִיךְ לְהַרְאוֹתוֹ לְבַעַל חוֹב שֵׁנִי, דְּאָמַר לֵיהּ: חֲזִי, גַּבְרָא דְּפָרַע אֲנָא.

Rava disse: para todos os sábios, quando o devedor reconhece ter escrito o documento, é necessário ratificá-lo em juízo; e aqui, sobre se se escreve um recibo de quitação, discordam: o primeiro tanaíta entende que se escreve um recibo de quitação, e Rabi Yehuda entende que não se escreve um recibo de quitação. Rav Ashi disse: a diferença está em que o devedor precisa mostrá-lo a um segundo credor, pois lhe diz: veja, sou homem que paga suas dívidas.

Nota

Rava rejeita inteiramente a explicação de Abaye e propõe a sua própria versão da disputa: para ele, todos concordam que o reconhecimento do devedor precisa ser ratificado em juízo — não há disputa alguma nesse ponto. A verdadeira disputa está em outro lugar: se se escreve, ou não, um recibo de quitação (shovar) quando uma dívida é paga em documento. O primeiro tanaíta entende que se escreve; por isso, uma vez pago o documento original, ele deve ser devolvido ao devedor (que o queima), e é proibido ao credor mantê-lo — daí ser ele isento ao transportá-lo depois de pago. Rabi Yehuda entende que não se escreve recibo de quitação; por isso o credor precisa manter o próprio documento pago como sua prova de quitação, e continua responsável por transportá-lo. Rav Ashi propõe ainda uma terceira diferença prática, também no caso do próprio devedor que transporta o documento já pago: ele o guarda não para uso doméstico, mas para mostrá-lo a um segundo credor, como prova de que é homem que paga suas dívidas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "dechulei alma tzarich lekaymo", "vehacha bechotvin shovar", "rav ashi amar" e "lehar'oto leva'al chov sheni"
דכולי עלמא צריך לקיימו - והכא בפרעו ולא פרעו ממש קאמר ובשטר מקויים ודכולי עלמא אסור לשהות שטר פרוע: והכא בכותבין שובר קא מיפלגי - יש גורסין ת"ק סבר אין כותבין שובר על שטר פרוע שאתה מצריכו לשמור שוברו מן העכברים אלא מחזיר לו ושורפו ואסור להשהותו ורבי יהודה סבר כותבין שובר ועל ידי שובר מותר לשהות שטר פרוע לצור ע"פ צלוחיתו ולא היא חדא דכיון דאסור לשהות שטר פרוע אפי' על ידי שובר נמי אסור להשהותו שמא יאבד השובר וזה חוזר וגובה בו ועוד לרבי יהודה אין כותבין שובר שמעינן ליה בבבא בתרא (דף קע:) דתנן מי שפרע מקצת חובו ר' יהודה אומר יחליף רבי יוסי אומר יכתוב שובר וה"ג ת"ק סבר כותבים שובר והכי קאמר משפרעו לוה והוציאו מלוה בשבת פטור שאינו צריך לו ואי אמרת כיון דראוי לצור ע"פ צלוחיתו הוא דבעי אהדורי ללוה לא משהי ליה שמא יבא לידי מלוה ויחזור ויתבענו ואי נמי לא מהדר ליה מלוה לא איכפת ליה ללוה דמלוה כתב ליה ללוה שובר עילויה ורבי יהודה סבר אין כותבין שובר הלכך צריך הוא המלוה דבעי אהדורי ואי לא מהדר ליה חוזר ותובעו לו מה שפרעו דלא סגי ליה בשובר דצריך לשומרו מן העכברים: רב אשי אמר - פלוגתייהו כשהוציאו לוה הוא ומה הוא צריך לו דקאמר ודאי לא לצור דמשום סתימת פי צלוחית לא משהי ליה שמא יבא ליד המלוה אלא משהי ליה להראותו לשאר בעלי חובות ולהתהלל שהוא פורע חובותיו:

"'Para todos os sábios é necessário ratificá-lo'" — e aqui a baraita fala de "pagou-o" e "não o pagou" no sentido literal, tratando de um documento já ratificado em juízo; e todos concordam que é proibido manter um documento já pago. "'E aqui, sobre se se escreve um recibo de quitação, discordam'" — há quem tenha a versão: o primeiro tanaíta entende que não se escreve um recibo de quitação sobre um documento já pago, pois isso obrigaria o devedor a guardar seu recibo protegido dos ratos; em vez disso, o documento original é devolvido ao devedor, que o queima, sendo proibido mantê-lo; e Rabi Yehuda entende que se escreve um recibo de quitação, e por meio dele é permitido manter o documento já pago, para embrulhar com ele a boca de seu frasco. Mas isso não está certo: pois, já que é proibido manter um documento pago, também seria proibido mantê-lo mesmo por meio de um recibo de quitação, para que o recibo não se perca e o credor volte a cobrar com o documento. E, além disso, sabemos, de Bava Batra (170b), o oposto: que foi ensinado ali que quem pagou parte de sua dívida — Rabi Yehuda diz que o devedor deve trocar o documento por outro, menor; Rabi Yossei diz que se escreve um recibo de quitação; e assim se ensina também aqui: o primeiro tanaíta entende que se escreve um recibo de quitação. E a baraita quer dizer o seguinte: depois que o devedor a pagou, e o credor a transporta no Shabat, é isento, pois não precisa mais dela. E se disséssemos que, já que o documento serve para embrulhar a boca de seu frasco, o credor precisaria devolvê-lo ao devedor, responderíamos que ele não o mantém, para que não caia nas mãos do devedor, que voltaria a reclamar o pagamento com ele; e, mesmo que o credor não o devolva, não importa ao devedor, pois o credor já lhe escreveu um recibo de quitação sobre ele. E Rabi Yehuda entende que não se escreve recibo de quitação; por isso, o credor precisa devolvê-lo ao devedor, e, se não o devolver, o devedor pode voltar a exigir dele o que já pagou, pois não lhe basta um recibo de quitação, já que precisaria protegê-lo dos ratos. "'Rav Ashi disse'" — a disputa entre eles é sobre quando é o próprio devedor quem o transporta, e o que ele "precisa dele", como a baraita diz: certamente não é para embrulhar a boca de um frasco, pois, só por causa de tapar a boca de um frasco, o devedor não o manteria, para que não caia nas mãos do credor; mas ele o mantém para mostrá-lo a outros credores, e para se gabar de que paga suas dívidas.

A Guemará sobre o couro: processado e destinado a ser processado · עוֹר, מְעוּבָּד, לְעַבְּדוֹ

03Rava pergunta a Rav Nachman: a medida do couro muda entre processado e destinado a ser processado?
Rava; Rav Nachman
עוֹר כְּדֵי לַעֲשׂוֹת כּוּ׳. בְּעָא מִינֵּיהּ רָבָא מֵרַב נַחְמָן: הַמּוֹצִיא עוֹר, בְּכַמָּה? אֲמַר לֵיהּ: כְּדִתְנַן: עוֹר כְּדֵי לַעֲשׂוֹת קָמֵיעַ. [הַמְעַבְּדוֹ, בְּכַמָּה? אֲמַר לֵיהּ: לָא שְׁנָא.] לְעַבְּדוֹ בְּכַמָּה? אֲמַר לֵיהּ: לָא שְׁנָא.

"Couro, o suficiente para fazer..." etc. Rava perguntou a Rav Nachman: quem transporta couro, quanto é sua medida? Disse-lhe: como foi ensinado — couro, o suficiente para fazer um amuleto. Um couro já processado, quanto é sua medida? Disse-lhe: não há diferença. Um couro destinado a ser processado, quanto é sua medida? Disse-lhe: não há diferença.

Nota

A Guemará retoma a Mishná anterior a 78b, sobre o couro medido pelo suficiente para um amuleto. Rava pergunta a Rav Nachman se essa medida vale igualmente para o couro já processado (curtido) e para o couro apenas destinado a ser processado, mas ainda não processado — e Rav Nachman responde, para ambos os casos, que não há diferença: a mesma medida se aplica.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hamotzi or bechama" e "le'abdo bechama"
המוציא עור בכמה - משום דבעי למיבעי מיניה הנך בעיי אחרנייתא בעא מיניה הא ואף על גב דמתני' היא: לעבד - עור העומד לעבדו ועדיין לא עבדו בכמה שיעור הוצאתו:

"'Quem transporta couro, quanto é sua medida?'" — Rava perguntou isso porque queria lhe perguntar também as outras dúvidas que se seguem, e por isso perguntou também esta, embora já estivesse explícita na Mishná. "'Para processá-lo'" — um couro destinado a ser processado, mas ainda não processado; qual é a medida de seu transporte?

04Prova a partir da lã: o que está destinado a ser fiado já conta com a medida de fiado
A Guemará
וּמְנָא תֵּימְרָא? — כְּדִתְנַן: הַמְלַבֵּן וְהַמְנַפֵּץ וְהַצּוֹבֵעַ וְהַטּוֹוֶה — שִׁיעוּרוֹ כִּמְלֹא רוֹחַב הַסִּיט כָּפוּל. וְהָאוֹרֵג שְׁנֵי חוּטִין — שִׁיעוּרוֹ כִּמְלֹא רוֹחַב הַסִּיט כָּפוּל. אַלְמָא: כֵּיוָן דְּלִטְוִיָּיה קָאֵי — שִׁיעוּרוֹ כְּטָווּי. הָכָא נָמֵי, כֵּיוָן דִּלְעַבְּדוֹ קָאֵי — שִׁיעוּרוֹ כִּמְעוּבָּד. וְשֶׁלֹּא לְעַבְּדוֹ, בְּכַמָּה? אֲמַר לֵיהּ: לָא שְׁנָא.

E de onde se diz isso? Como foi ensinado: quem alveja, quem carda, quem tinge e quem fia — sua medida é o suficiente para encher a largura de um sit dobrado. E quem tece dois fios — sua medida é o suficiente para encher a largura de um sit dobrado. Isso mostra que, já que a lã está destinada a ser fiada, sua medida é como a de lã já fiada. Aqui também, já que o couro está destinado a ser processado, sua medida é como a de couro já processado. E um couro não destinado a ser processado, quanto é sua medida? Disse-lhe: não há diferença.

Nota

Rav Nachman prova sua resposta a partir de uma Mishná sobre o trabalho da lã: quem a alveja, carda, tinge ou fia, e quem tece dois fios, todos têm a mesma medida mínima de responsabilidade — a largura de um sit dobrado —, ainda que a lã, nesses estágios, ainda não esteja de fato fiada. Isso mostra que, quando um material está destinado a um uso posterior (aqui, ser fiado), sua medida já conta como se esse uso já tivesse sido realizado. O mesmo vale para o couro: destinado a ser processado, já conta com a medida do couro processado. Rava pergunta ainda pelo couro que nem sequer está destinado a ser processado, e Rav Nachman responde, mais uma vez, que não há diferença.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hamelaven", "sit", "kaful", "alma" e "shelo le'abdo"
המלבן - צמר: סיט - כדי הפרש אצבע מהאמה: כפול - שני סיטין: אלמא - כיון דמנפץ ומלבן לטווייה קאי שיעוריה כטוויה: שלא לעבדו - אינו עומד לעבד:

"'Quem alveja'" — refere-se à lã. "'Sit'" — a distância entre o dedo indicador e o polegar (esticados). "'Dobrado'" — dois sits. "'Isso mostra'" — que, já que quem carda e quem alveja a lã fazem-no destinada a ser fiada, sua medida é como a de lã já fiada. "'Não destinado a ser processado'" — um couro que não está destinado a ser curtido.

05Objeção dos corantes já dissolvidos e não dissolvidos; resolvida por Rav Nachman em nome de Raba bar Avuh
A Guemará; Rav Nachman; Raba bar Avuh
וְלָא שָׁנֵי בֵּין מְעוּבָּד לְשֶׁאֵינוֹ מְעוּבָּד? אֵיתִיבֵיהּ: הַמּוֹצִיא סַמָּנִין שְׁרוּיִן, כְּדֵי לִצְבּוֹעַ בָּהֶן דּוּגְמָא לְאִירָא. וְאִילּוּ בְּסַמָּנִין שֶׁאֵינָן שְׁרוּיִן תְּנַן: קְלִיפֵּי אֱגוֹזִים וּקְלִיפֵּי רִמּוֹנִין, סְטֵיס וּפוּאָה, כְּדֵי לִצְבּוֹעַ בָּהֶן בֶּגֶד קָטָן [לְפִי] סְבָכָה! הָא אִיתְּמַר עֲלַהּ, אָמַר רַב נַחְמָן אָמַר רַבָּה בַּר אֲבוּהּ: לְפִי שֶׁאֵין אָדָם טוֹרֵחַ לִשְׁרוֹת סַמָּנִין לִצְבּוֹעַ בָּהֶן דּוּגְמָא לְאִירָא.

E não há diferença entre couro já processado e couro não processado? Levantou uma objeção: quem transporta corantes já dissolvidos em água — o suficiente para tingir com eles uma amostra para o fio da urdidura (aira). Enquanto que, sobre corantes ainda não dissolvidos, foi ensinado: cascas de nozes e cascas de romãs, sátis e fuá — o suficiente para tingir com eles uma peça de roupa pequena, do tamanho de uma touca! Ora, já foi dito sobre isso: disse Rav Nachman, em nome de Raba bar Avuh: porque ninguém se dá ao trabalho de dissolver corantes só para tingir com eles uma amostra para o fio da urdidura.

Nota

A primeira objeção contra o princípio de Rav Nachman vem dos corantes: quem transporta corantes já dissolvidos em água tem uma medida pequena (o suficiente para tingir apenas uma amostra), mas os mesmos corantes, ainda secos e não dissolvidos, têm uma medida muito maior (o suficiente para tingir uma peça de roupa inteira). Se o princípio fosse "destinado a um uso já conta com a medida desse uso", os corantes secos — destinados a ser dissolvidos — deveriam ter a medida pequena dos já dissolvidos, e não têm. A Guemará resolve, com uma tradição de Rav Nachman em nome de Raba bar Avuh: ninguém se dá ao trabalho de dissolver corantes apenas para produzir uma quantidade tão pequena quanto uma amostra; por isso, essa exceção não invalida o princípio geral.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "dugma", "la'ira", "klipei egozim", "setis", "pu'ah", "pi sevacha" e "she'ein adam torei'ach"
דוגמא - כלומר מעט כעין שמראין לדוגמא לומר רוצה אתה בזה: לאירא - והוא כשיעור הצריך לאירא של גרדי לסתום פי קנה שפקעית הערב נתונה בו: קליפי אגוזים - קליפה לחה שעל קליפי האגוז: סטיס - וישודא: פואה - וורנצ"א: פי סבכה - קופ"א נותנין בגד באמצעיתה והאי שיעורא נפיש: שאין אדם טורח כו' - ואם בא לשרותה שורה כדי פי סבכה אבל עור טורח אדם לעבד כדי קמיע ומעובד נמי פחות מכדי קמיע לא חשיב:

"'Amostra'" — isto é, uma pequena quantidade, como a que se mostra por amostra, para dizer: queres isto? "'Para o aira'" — que é a medida necessária para o aira do tecelão, para tapar a boca do caniço em que se coloca o carretel da trama. "'Cascas de nozes'" — a casca úmida que recobre a casca da noz. "'Sátis'" — em francês antigo, guaisde (planta tintorial azul). "'Fuá'" — em francês antigo, warance (ruiva-dos-tintureiros). "'Boca de touca'" — em francês antigo, coife; coloca-se um pedaço de pano em seu centro, e essa medida é maior. "'Porque ninguém se dá ao trabalho...'" — mas, se vier a dissolvê-los, dissolve o suficiente para a boca de uma touca; já o couro, alguém se dá ao trabalho de processá-lo mesmo no tamanho de um amuleto, e, mesmo já processado, menos que o suficiente para um amuleto não é considerado.

06Objeção das sementes de horta, plantadas e não plantadas; resolvida por Rav Pappa
A Guemará; Rabi Yehuda ben Beteira; Rabi Akiva; os sábios; Rav Pappa
וַהֲרֵי זֵרְעוֹנֵי גִּינָּה, דְּמִקַּמֵּי דְּזַרְעִינְהוּ תְּנַן: זֵרְעוֹנֵי גִּינָה פָּחוֹת מִכִּגְרוֹגֶרֶת. רַבִּי יְהוּדָה בֶּן בְּתֵירָא אוֹמֵר: חֲמִשָּׁה. וְאִילּוּ בָּתַר דְּזַרְעִינְהוּ תְּנַן: זֶבֶל וְחוֹל הַדַּק כְּדֵי לְזַבֵּל בּוֹ קֶלַח שֶׁל כְּרוּב, דִּבְרֵי רַבִּי עֲקִיבָא. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: כְּדֵי לְזַבֵּל כְּרֵישָׁא! — הָא אִיתְּמַר עֲלַהּ, אָמַר רַב פָּפָּא: הָא דִּזְרִיעַ, הָא דְּלָא זְרִיעַ — לְפִי שֶׁאֵין אָדָם טוֹרֵחַ לְהוֹצִיא נִימָא אַחַת לִזְרִיעָה.

Mas eis as sementes de horta: antes de plantadas, foi ensinado: sementes de horta, menos que a medida de um figo seco. Rabi Yehuda ben Beteira diz: cinco sementes. Enquanto que, depois de plantadas, foi ensinado: esterco e areia fina, o suficiente para adubar com eles um pé de couve — palavras de Rabi Akiva. E os sábios dizem: o suficiente para adubar um pé de alho-porró! Ora, já foi dito sobre isso: disse Rav Pappa: esta baraita fala do que já foi plantado, e aquela, do que ainda não foi plantado — porque ninguém se dá ao trabalho de tirar um único grão só para plantio.

Nota

A segunda objeção vem das sementes de horta: antes de plantadas, sua medida é pequena — menos que um figo seco, ou apenas cinco sementes segundo Rabi Yehuda ben Beteira; depois de já plantadas, a medida do esterco necessário para adubá-las (um pé de couve inteiro, ou um pé de alho-porró) é muito maior. Se sementes ainda não plantadas já estão destinadas ao plantio, deveriam ter, pelo princípio anterior, a mesma medida grande do esterco pós-plantio — e não têm. Rav Pappa resolve com o mesmo raciocínio da objeção anterior: ninguém se dá ao trabalho de separar apenas um único grão de esterco só para plantar uma única semente; por isso a medida pequena permanece válida para as sementes ainda não plantadas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "chamisha", "ve'ilu batar dezarinhu tnan", "kerisha", "ha itmar alah" e "nima"
חמשה - גרעינין: ואילו בתר דזרעינהו תנן - דקלח אחד חשוב: כרישא - קפלוט: הא איתמר עלה - לקמן בפרק רבי עקיבא מתרץ לה רב פפא הכי: נימא - גרעינין:

"'Cinco'" — sementes. "'Enquanto que, depois de plantadas, foi ensinado'" — pois um único pé de couve já plantado é considerado importante o bastante para justificar essa medida de adubo. "'Alho-porró'" — em francês antigo, poriaus. "'Já foi dito sobre isso'" — mais adiante, no capítulo de Rabi Akiva, Rav Pappa resolve isso assim. "'Nima'" — sementes.

07Objeção da argila, amassada e não amassada; a mesma resolução
A Guemará; Rabi Shimon; Rabi Yirmeya
וַהֲרֵי טִיט, דְּמִקַּמֵּי דְּלִיגַבְּלֵיהּ תַּנְיָא: מוֹדִים חֲכָמִים לְרַבִּי שִׁמְעוֹן בְּמוֹצִיא שׁוֹפְכִין לִרְשׁוּת הָרַבִּים שֶׁשִּׁיעוּרָן בִּרְבִיעִית, וְהָוֵינַן [בַּהּ] שׁוֹפְכִין לְמַאי חֲזוּ? וְאָמַר רַבִּי יִרְמְיָה: לְגַבֵּל בָּהֶן אֶת הַטִּיט, וְאִילּוּ בָּתַר דְּגַבְּלֵיהּ תַּנְיָא: טִיט כְּדֵי לַעֲשׂוֹת (בָּהֶן) פִּי כוּר! הָתָם נָמֵי כְּדַאֲמַרַן: לְפִי שֶׁאֵין אָדָם טוֹרֵחַ (בָּהֶן) לְגַבֵּל אֶת הַטִּיט לַעֲשׂוֹת בּוֹ פִּי כוּר.

Mas eis a argila: antes de amassada, foi ensinado numa baraita: os sábios concordam com Rabi Shimon que, para quem transporta água de esgoto para o domínio público, sua medida é de um quarto de log; e discutimos: água de esgoto, para que serve? E disse Rabi Yirmeya: para amassar com ela a argila. Enquanto que, depois de amassada, foi ensinado: argila, o suficiente para fazer com ela a boca de um forno! Também ali, é como dissemos: porque ninguém se dá ao trabalho de amassar a argila só para fazer com ela a boca de um forno.

Nota

A terceira e última objeção vem da argila: antes de amassada, a água de esgoto necessária para amassá-la tem uma medida pequena (um quarto de log); depois de já amassada, a medida da própria argila é bem maior (o suficiente para a boca de um forno de ourives, já vista na Mishná de 78b). A resolução é a mesma das duas objeções anteriores: ninguém se dá ao trabalho de amassar argila apenas para produzir uma quantidade tão pequena quanto a boca de um forno; por isso a água de esgoto, ainda destinada a esse fim, mantém sua própria medida pequena. Com esta terceira resolução idêntica, encerra-se a defesa do princípio de Rav Nachman sobre o couro processado e destinado a ser processado.

A baraita: três tipos de couro — matsá, chifá e diftera · מַצָּה, חִיפָּה, דִּפְתְּרָא

08Baraita de Rabi Chiya bar Ami em nome de Ulá: matsá, sem tratamento, medida de um peso de prumo
Rabi Chiya bar Ami; Ulá; Rav Shmuel bar Rav Yehuda; Abaye
תָּא שְׁמַע, דְּאָמַר רַבִּי חִיָּיא בַּר אַמֵּי מִשְּׁמֵיהּ דְּעוּלָּא: שְׁלֹשָׁה עוֹרוֹת הֵן: מַצָּה, וְחִיפָּה, וְדִיפְתְּרָא. מַצָּה — כְּמַשְׁמָעוֹ, דְּלָא מְלִיחַ וּדְלָא קְמִיחַ וּדְלָא עֲפִיץ. וְכַמָּה שִׁיעוּרוֹ? תָּנֵי רַב שְׁמוּאֵל בַּר רַב יְהוּדָה: כְּדֵי לָצוּר בּוֹ מִשְׁקוֹלֶת קְטַנָּה. וְכַמָּה? אָמַר אַבָּיֵי: רִיבְעָא דְרִיבְעָא דְפוּמְבְּדִיתָא.

Venha e ouça, pois disse Rabi Chiya bar Ami, em nome de Ulá: há três tipos de couro: matsá, chifá e diftera. Matsá — é como o próprio nome indica: um couro que não foi salgado, nem tratado com farinha, nem curtido com noz-de-galha. E qual é sua medida? Ensinou Rav Shmuel bar Rav Yehuda: o suficiente para embrulhar com ele um pequeno peso de prumo. E quanto é isso? Disse Abaye: um quarto de um quarto de litra de Pumbedita.

Nota

A Guemará traz agora uma baraita independente, transmitida por Rabi Chiya bar Ami em nome de Ulá, que distingue três graus de tratamento do couro, cada um com nome próprio e medida própria. O primeiro, matsá, é o couro sem qualquer tratamento — nem salgado, nem tratado com farinha, nem curtido com noz-de-galha —, cuja medida de responsabilidade, ensinada por Rav Shmuel bar Rav Yehuda, é o suficiente para embrulhar um pequeno peso de prumo; Abaye quantifica essa medida como um quarto de um quarto de litra de Pumbedita — a unidade usada pelos comerciantes para embrulhar pesos de chumbo, que se desgastam com o uso.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "matsa kemashmao", "kemiach", "afitz", "vekama shiuro" e "riv'a direv'a defumbedita"
מצה כמשמעו - שאין לה שום תיקון: קמיח - משהין אותו בקמח ומים: עפיץ - מתקנין אותו בשחיקת עפצים כמו שעושין כאן בשחיקת קליפת ארז שקורין טנא: וכמה שיעורו - להוצאת שבת: רבעא דרבעא דפומבדיתא - רובע ליטרא של פומבדיתא דרך הסוחרים לצור משקולת של עופרת כדי שלא תפחת לפי שהמתכת נשחקת תמיד ונפחת מאליו:

"'Matsá, é como o próprio nome indica'" — um couro que não recebeu nenhum tratamento. "'Tratado com farinha'" — deixa-se o couro de molho em farinha e água. "'Curtido com noz-de-galha'" — trata-se o couro triturando nozes-de-galha, como se faz aqui triturando casca de cedro, chamada tana. "'E qual é sua medida?'" — para o transporte no Shabat. "'Um quarto de um quarto de litra de Pumbedita'" — um quarto de uma litra de Pumbedita; é costume dos comerciantes embrulhar um peso de chumbo nesse couro, para que não diminua, pois o metal se desgasta continuamente e diminui por si só.

09Chifá (amuleto) e diftera (get); objeção sobre o peso de prumo, resolvida como couro úmido
A Guemará
חִיפָּה — דִּמְלִיחַ וְלָא קְמִיחַ וְלָא עֲפִיץ. וְכַמָּה שִׁיעוּרוֹ? כְּדִתְנַן: עוֹר — כְּדֵי לַעֲשׂוֹת קָמֵיעַ. דִּיפְתְּרָא — דִּמְלִיחַ וּקְמִיחַ וְלָא עֲפִיץ וְכַמָּה שִׁיעוּרוֹ? — כְּדֵי לִכְתּוֹב עָלָיו אֶת הַגֵּט. קָתָנֵי מִיהַת, כְּדֵי לָצוּר בּוֹ מִשְׁקוֹלֶת קְטַנָּה, וְאָמַר אַבָּיֵי: רִיבְעָא דְרִיבְעָא דְּפוּמְבְּדִיתָא! הָתָם בְּבִישּׁוּלָא.

Chifá — é um couro salgado, mas não tratado com farinha, nem curtido com noz-de-galha. E qual é sua medida? Como foi ensinado: couro — o suficiente para fazer um amuleto. Diftera — é um couro salgado e tratado com farinha, mas não curtido com noz-de-galha; e qual é sua medida? O suficiente para escrever nele um get (documento de divórcio). Mas a baraita ensina, de qualquer modo, o suficiente para embrulhar com ele um pequeno peso de prumo, e Abaye disse: um quarto de um quarto de litra de Pumbedita! Ali trata-se de couro ainda úmido (recém-esfolado).

Nota

A mesma baraita prossegue com os outros dois graus: chifá, couro salgado mas ainda sem farinha nem noz-de-galha, com a medida já conhecida do amuleto; e diftera, couro salgado e tratado com farinha, mas ainda sem noz-de-galha, cuja medida é o suficiente para escrever um documento de divórcio — a menor de todas as medidas de escrita, segundo Rashi, pois o texto mínimo de um get é mais curto que o de qualquer outro documento. A Guemará nota uma aparente contradição: a mesma baraita já havia dado, para a diftera (ou para um couro nesse grau de tratamento), a medida do peso de prumo — maior que a do get. A resolução é que essa primeira menção se refere ao couro ainda úmido, recém-esfolado, que nesse estado ainda não serve para ser processado e por isso tem medida diferente; seco, já serve para ser processado, e é então tratado como couro processado.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "kamia", "lichtov et haget", "vekatani mihat" e "bevishula"
קמיע - בציר שיעוריה מכדי לצור משקולת: לכתוב גט - ותנן (גיטין דף פה.) גופו של גט הרי את מותרת לכל אדם ושמו ושמה והעדים והזמן ושיעור זה קטן מכולן: וקתני מיהת כו' - אלמא שיעור דאין מעובד נפיש: בבישולא - לח כמו שהופשט קרי בשולא לשון בשול שהוא לח דאכתי לא חזי לעיבוד אבל יבש חזי לעיבוד וכיון דחזי לעיבוד הוי כמעובד:

"'Amuleto'" — essa medida é menor que o suficiente para embrulhar um peso de prumo. "'Para escrever nele um get'" — e foi ensinado (Guitin 85a): o corpo do get é: "eis que estás permitida a qualquer homem", mais o nome dele e o dela, as testemunhas e a data; e essa medida de escrita é a menor de todas. "'Mas a baraita ensina, de qualquer modo...'" — isso mostra que a medida do couro ainda não processado é maior. "'Ainda úmido'" — chama-se bishula, termo ligado a cozimento, ao couro ainda úmido como quando foi esfolado, pois nesse estado ainda não serve para ser processado; mas, seco, já serve para ser processado, e, já que serve para ser processado, é considerado como já processado.

10Objeção final das medidas de impureza (roupa, saco, couro, esteira); resolvida: refere-se a um couro endurecido pelo cozimento
A Guemará; Rabi Shimon
וְהָתְנַן: הַבֶּגֶד — שְׁלֹשָׁה עַל שְׁלֹשָׁה לַמִּדְרָס, הַשַּׂק — אַרְבָּעָה עַל אַרְבָּעָה, הָעוֹר — חֲמִשָּׁה עַל חֲמִשָּׁה, מַפָּץ — שִׁשָּׁה עַל שִׁשָּׁה, בֵּין לַמִּדְרָס בֵּין לַמֵּת. וְתָאנֵי עֲלַהּ הַבֶּגֶד וְהַשַּׂק וְהָעוֹר — כְּשִׁיעוּר לַטּוּמְאָה כָּךְ שִׁיעוּר לַהוֹצָאָה! הָהוּא בְּקוּרְטוּבְלָא.

Mas não foi ensinado: a roupa, três dedos por três, para impureza por pisadura; o saco, quatro por quatro; o couro, cinco por cinco; a esteira, seis por seis — tanto para impureza por pisadura quanto para impureza por contato com um morto. E ensinaram sobre isso: a roupa, o saco e o couro — como a medida para impureza, assim é a medida para o transporte no Shabat! Aquilo refere-se a um couro endurecido pelo cozimento.

Nota — a folha se encerra fechada

A última objeção vem de uma Mishná sobre impurezas (contaminação por pisadura de um zav, e por contato com um cadáver): a medida mínima de uma roupa, saco, couro ou esteira, para que sejam suscetíveis a essas impurezas, é de três, quatro, cinco e seis dedos por lado, respectivamente. Uma baraita ensina que essa mesma medida se aplica também ao transporte no Shabat — o que, para o couro, daria cinco dedos por cinco, uma medida bem maior que a de um simples amuleto. A Guemará resolve que essa medida maior se refere a um tipo especial de couro, chamado kurtuvla — cozido em água fervente até endurecer, usado, segundo Rashi, para sentar-se sobre ele, para cobrir bancos e camas, e para fazer dele uma mesa —, e não ao couro comum já processado, cuja medida permanece a do amuleto. Com esta resolução, a folha se encerra fechada: o texto de Sefaria para 79b abre um assunto inteiramente novo (a medida do pergaminho para os tefilin), confirmando que nenhuma frase fica pendente entre as duas folhas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shlosha al shlosha letumat midras", "kach shiur lehotza'a" e "bekurtuvla"
שלשה על שלשה לטומאת מדרס - אבל למגע שלש על שלש והן אצבעות: כך שיעור להוצאת שבת - אלמא שאין מעובד חמשה טפחים בעינן ומתניתין מוקי במעובד: בקורטבלא - מבשלו ברותחין ומתקשה לישב עליו ולכסות דלובקאות שקורין פושדטוויי"ל ומטות ולעשותו שולחן:

"'Três por três, para impureza por pisadura'" — mas para impureza por contato, a medida é de três por três, e estes se medem em dedos. "'Assim é a medida para o transporte no Shabat'" — isso mostra que, para couro não processado, precisamos de cinco dedos, e a Mishná sobre o amuleto se refere a couro já processado. "'Kurtuvla'" — cozinha-se o couro em água fervente, e ele endurece, para sentar-se sobre ele e para cobrir bancos, chamados de fustevoil, e camas, e para fazer dele uma mesa.