Shabbat 125a abre completando a resposta de Rav Papa, interrompida ao final de 124b: se alguém jogou a rolha (ou uma capa) no lixo enquanto ainda era dia, antes de Shabat, é proibido manuseá-la, pois já revelou desde a véspera que não a considera mais um utensílio — diferente de jogá-la fora já em Shabat, quando esse estatuto já estava fixado desde antes. Bar Hamduri, em nome de Shmuel, ensina que fragmentos soltos de uma esteira podem ser manuseados em Shabat, pelo mesmo raciocínio que a esteira inteira: assim como ela serve para cobrir terra, os fragmentos servem para cobrir sujeira. Rabi Zeira, em nome de Rav, proíbe manusear os farrapos restantes de capas; Abaye restringe essa proibição aos retalhos menores que três por três dedos, que não servem nem a pobres nem a ricos. Segue-se uma baraita sobre os cacos de um forno velho: segundo Rabi Meir, podem ser manuseados no pátio como qualquer utensílio; Rabi Yehuda proíbe; Rabi Yosei testemunha, em nome de Rabi Elazar ben Yaakov, que os cacos do forno velho podem ser manuseados, e que sua tampa não precisa de alça. A Guemará busca a base da disputa: Abaye a liga à disputa da Mishná anterior, entre servir para qualquer tarefa e servir apenas para tarefa semelhante à original. Rava objeta que, sendo esse o caso, a disputa deveria valer para cacos de qualquer utensílio, não apenas de forno; responde-se que se trata dos cacos de um forno específico, colocado sobre a boca de um poço ou de uma cisterna e apoiado por uma pedra — remetendo à mishná de pureza ritual sobre esse mesmo forno, e à leitura do versículo de Vayicra 11:35 sobre fornos que "devem ser quebrados"; à distinção de Rav Yehuda em nome de Shmuel entre a primeira queima, que transforma o forno em utensílio, e a segunda, na qual todos concordam que já é impuro, mesmo pendurado no pescoço de um camelo; e à extensão de Ula dessa mesma leitura aos sábios. Rav Ashi objeta que, nesse caso, deveriam discordar sobre o próprio forno, não sobre seus cacos; responde-se que se trata de cacos usados como telha de assar, e que Rabi Meir formula sua opinião nos termos de Rabi Yehuda; este distingue: ali a queima é por dentro e o pão fica em pé, aqui a queima é por fora e o pão fica deitado. Ravina cita o testemunho de Rabi Elazar ben Yaakov para justificar o costume corrente, em sua época, de manusear as tampas de forno de Mechasya sem alça. O daf termina com uma nova Mishná: a pedra dentro da cabaça usada para tirar água — se, enchendo-a, a pedra não cai, pode-se encher com ela; caso contrário, não. Não há hadran nesta página: o Perek Yod-Zayin (Kol HaKelim) continua em curso, a continuar em Shabbat 125b (ainda não publicado).
Se a jogou no lixo enquanto ainda era dia (antes de Shabat), é proibida.
Completa-se aqui a resposta de Rav Papa, interrompida ao final de 124b: contra a objeção de que uma capa jogada no lixo em Shabat não deveria por isso ficar proibida, Rav Papa distingue o momento do descarte. Se o dono jogou o objeto no lixo enquanto ainda era dia, antes de Shabat, ele já revelou desde a véspera sua intenção de não mais usá-lo como utensílio — e esse estatuto de muktzê fica fixado para todo o Shabat. Mas se o jogou apenas depois que Shabat já havia começado, esse gesto não tem o poder de mudar retroativamente o estatuto que já estava fixado no início do dia.
"Enquanto ainda era dia" — o dono revelou sua intenção desde ontem (antes de Shabat), de que o objeto não é mais considerado um utensílio.
Disse Bar Hamduri, disse Shmuel: fragmentos de esteira (varas quebradas soltas de uma esteira velha) — é permitido manuseá-los em Shabat. Qual é a razão? Disse Rava: Bar Hamduri explicou-me o motivo: a esteira em si, para que serve? Serve para cobrir com ela terra (excremento, ou para que a poeira não suba); estes fragmentos também servem para cobrir com eles sujeira.
Bar Hamduri, em nome de Shmuel, ensina que pedaços soltos, quebrados de uma esteira velha de junco, podem ser manuseados livremente em Shabat. A razão, explicada por Rava, segue o mesmo princípio já visto: assim como a esteira inteira serve para cobrir imundície ou impedir que a poeira suba, os fragmentos, ainda que pequenos, também servem para cobrir sujeira — mantendo, portanto, seu estatuto de utensílio.
"Fragmentos de esteira" — varas ou tiras que se separaram de uma esteira velha. "Bar Hamduri explicou-me" — Bar Hamduri esclareceu-me a razão da coisa. "Para cobrir com ela terra" — a esteira está destinada a cobrir com ela excremento, ou então para que a poeira não suba.
Disse Rabi Zeira, disse Rav: os restos de capas (farrapos) — é proibido manuseá-los em Shabat. Disse Abaye: isso se refere a retalhos que não têm três dedos por três dedos, que não servem nem para os pobres, nem para os ricos.
Rabi Zeira, em nome de Rav, proíbe manusear os farrapos que restam de uma capa gasta. Abaye qualifica essa proibição: ela se refere apenas aos retalhos muito pequenos, menores que três dedos por três dedos, que não têm mais nenhuma utilidade prática — nem para os pobres, que poderiam usá-los como remendo, nem para os ricos, que não teriam uso algum para um pedaço tão pequeno. Retalhos maiores, que ainda servem para algo, continuam podendo ser manuseados.
"Restos de capas" — mantos, conforme se diz em Sucá (11a): "colocou uma corda de franjas na capa das pessoas de sua casa".
Ensinaram os sábios: os cacos de um forno velho são como todos os utensílios que podem ser manuseados no pátio em Shabat — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz: não podem ser manuseados. Rabi Yosei testemunhou, em nome de Rabi Elazar ben Yaakov, sobre os cacos de um forno velho, que podem ser manuseados em Shabat, e sobre sua tampa, que não precisa de alça.
Uma baraita traz uma nova disputa: os cacos de um forno de barro velho, já rachado e inutilizado como forno. Segundo Rabi Meir, esses cacos podem ser manuseados no pátio como qualquer outro utensílio, pois ainda servem para alguma finalidade. Rabi Yehuda proíbe. Rabi Yosei traz um testemunho independente, em nome de Rabi Elazar ben Yaakov, confirmando que os cacos do forno velho podem ser manuseados, e acrescentando que a tampa do forno pode ser manuseada mesmo sem ter uma alça própria para segurá-la.
"Forno velho" — que já foi aceso anteriormente, e seus cacos são duros e aptos para alguma tarefa. "São como todos os utensílios" — mais adiante a Guemará explica a disputa entre eles e sua razão. "E sobre sua tampa" — do forno, que não precisa de alça, pois mesmo sem lugar próprio de segurar, manuseiam-na; e há uma disputa sobre isso numa mishná, onde há quem diga que se precisa de lugar de segurar.
Sobre o que discordam? Disse Abaye: sobre servir para alguma tarefa, mas não servir para tarefa semelhante à sua própria original, discordam. E Rabi Yehuda segue seu próprio raciocínio, e Rabi Meir segue seu próprio raciocínio (conforme discordaram na Mishná anterior).
Abaye liga esta disputa àquela já vista na Mishná de 124b, entre o primeiro tanná (identificado aqui com Rabi Meir) e Rabi Yehuda: os cacos do forno velho servem para alguma tarefa nova, mas não para uma tarefa semelhante à sua função original de assar. Rabi Meir, que aceita qualquer tarefa nova, permite manuseá-los; Rabi Yehuda, que exige tarefa semelhante à original, proíbe.
"Servir para alguma tarefa" — como cobrir com eles a boca do barril. "Mas não servir para tarefa semelhante à sua original" — assar. "E Rabi Meir segue seu próprio raciocínio" — pois disse na Mishná anterior que não exigimos que sirva para tarefa semelhante à sua original.
Objetou Rava: se é assim, em vez de discordarem sobre cacos de forno, que discordassem sobre cacos de utensílios em geral?
Rava questiona a explicação de Abaye: se a disputa é realmente a mesma da Mishná anterior — entre servir para qualquer tarefa e servir para tarefa semelhante à original — ela já foi discutida ali em termos gerais, para os cacos de qualquer utensílio quebrado. Por que a baraita precisaria repetir a mesma disputa especificamente a respeito de cacos de forno?
Antes, disse Rava: sobre os cacos deste forno específico discordam, conforme aprendemos numa mishná: colocou-o o forno sobre a boca do poço, ou sobre a boca da cisterna, e pôs ali uma pedra (para firmá-lo) — Rabi Yehuda diz: se a pessoa acende o fogo por baixo e o forno se aquece por cima, é impuro; e se não, é puro. E os sábios dizem: já que se aqueceu de algum modo, é impuro.
Rava responde retificando: a disputa da baraita não trata de cacos de qualquer forno, mas especificamente dos cacos de um tipo particular de forno — aquele que, por não estar fixado ao chão da maneira usual, era colocado sobre a boca de um poço ou de uma cisterna, apoiado por uma pedra entre ele e a parede. Uma mishná sobre pureza ritual (tratado Keilim) já discute o estatuto desse mesmo forno: Rabi Yehuda o considera um utensílio completo, capaz de contrair impureza, apenas se o calor de baixo aquece efetivamente por cima; os sábios o consideram impuro de qualquer modo, bastando que tenha sido aquecido.
"Deste forno específico" — feito à semelhança daquele que é ensinado nesta mishná que trago a ti, que não foi consertado o quanto bastava desde o princípio, e se quebrou; sobre isso é que discordam. "Colocou-o sobre a boca do poço" — seus fornos eram feitos como panelas grandes, sem base própria, e a pessoa o assenta na terra e cola barro ao redor para engrossá-lo e assim manter seu calor; e isso se chama "revestimento", que chega até o chão — e por isso seu calor se conserva. E se o colocou sobre a boca do poço, ou sobre a boca da cisterna, que é semelhante a um poço, salvo que o poço é escavado e a cisterna é construída, e pôs ali uma pedra entre ele e a parede do poço, para prendê-lo, para que não caísse e ficasse suspenso no ar.
E sobre o que discordam? Sobre este versículo: "forno e fogão devem ser quebrados; impuros são, e impuros serão para vós" (Vayicra 11:35). Rabi Yehuda entende: o forno a que falta ainda ser quebrado completamente — é impuro; aquele a quem não falta ser quebrado (que já não é fixado ao chão como um forno pleno) — é puro. E os sábios entendem: "impuros serão para vós" — de qualquer modo.
A Guemará identifica a raiz bíblica da disputa: o versículo repete duas vezes a impureza do forno, o que os dois lados leem de modo diferente. Rabi Yehuda entende que a impureza plena requer que o forno ainda "falte quebrar" — isto é, que esteja fixado ao chão de forma que só se torne puro depois de efetivamente demolido; quando o forno já não está fixado dessa maneira (como o forno sobre a boca do poço, sem apoio pleno no chão), ele já é considerado, na prática, "quebrado", e portanto puro. Os sábios leem a repetição do versículo como um reforço que estende a impureza a qualquer situação, independentemente de o forno estar plenamente fixado ao chão.
"Impuros são, e impuros serão para vós" — pois o versículo o repete, o que é um reforço de que é impuro, ainda que o forno não esteja consertado totalmente o quanto bastava.
E os sábios também, não está escrito "será quebrado"? A Guemará responde: aquilo serve para o lado oposto (um ensinamento diferente), pois poderia entrar em tua mente dizer: já que o dono o fixou à terra, é como o próprio corpo da terra (e a terra não contrai impureza); o versículo vem ensinar-nos que não é assim.
A Guemará questiona: se os sábios leem "impuros serão para vós" como reforço universal, o que fazem eles com a primeira palavra do versículo, "será quebrado", que Rabi Yehuda usa para sua leitura? Responde que os sábios também precisam dessa palavra, mas para o ensinamento oposto: sem ela, poder-se-ia pensar que um forno bem fixado ao chão, como parte da própria terra, estaria isento de impureza (como qualquer coisa presa ao solo); o versículo ensina que, apesar de fixado, ainda pode ser "quebrado" — ou seja, permanece um utensílio separado, capaz de contrair impureza.
"Aquilo serve para o lado oposto" — este termo "será quebrado" não vem para ensinar uma leniência, isto é, dizer que, se não há como se cumprir nele a condição de quebra — como este forno, que não está construído e fixado de modo pleno, e por si mesmo já está como se quebrado —, seria puro, de modo que o versículo precisasse repetir "impuros serão para vós" para reforçar essa leniência; antes, vem para ensinar uma restrição: para que não se diga que todos os fornos feitos corretamente e fixados à terra são como as demais casas, semelhantes ao próprio solo, já que estão fixados, e não sujeitos a contrair impureza — o versículo nos ensina "será quebrado", querendo dizer que, embora se aplique a ele a expressão de quebra, isto é, que está fixado, ainda assim é impuro; e tanto mais quando lhe falta ainda ser quebrado.
E o outro tanná, Rabi Yehuda, também, não está escrito "impuros serão para vós"? Aquilo se resolve conforme o que disse Rav Yehuda, disse Shmuel. Pois disse Rav Yehuda, disse Shmuel: a disputa é apenas quanto à primeira queima; mas quanto à segunda queima, todos concordam que é impuro, ainda que o forno esteja pendurado no pescoço de um camelo.
A Guemará pergunta de modo simétrico sobre Rabi Yehuda: o que ele faz com a repetição "impuros serão para vós", que os sábios usam para seu reforço universal? Responde, citando Rav Yehuda em nome de Shmuel: a disputa entre Rabi Yehuda e os sábios só existe quanto à primeira queima do forno — aquela que, pela primeira vez, transforma o barro ainda não completamente seco num utensílio pleno. Quanto à segunda queima em diante, uma vez que o forno já foi aceso e já se tornou utensílio, todos concordam que permanece impuro, mesmo que depois seja retirado do lugar e pendurado, por exemplo, no pescoço de um camelo — situação em que obviamente não está mais fixado ao chão.
"Quanto à primeira queima" — que nunca havia sido acesa antes, e a primeira queima é aquilo sobre o que discordam, pois isso o torna um utensílio, conforme aprendemos no tratado Keilim (capítulo 5): qual é o acabamento de sua fabricação? Desde que se acenda para assar nele bolinhos fritos; sobre isso Rabi Yehuda discorda, e diz que este forno não é apto para se tornar um utensílio dessa maneira. "Mas quanto à segunda queima" — isto é, que desde o início foi feito como os demais fornos, fixado à terra ou a uma pedra espessa, e ali foi aceso e se tornou um utensílio, e por fim foi retirado dali e colocado sobre a boca do poço, e ali se tornou impuro — nisso Rabi Yehuda concorda, pois o versículo foi ampliado a partir de "impuros serão para vós". "Ainda que esteja pendurado no pescoço de um camelo" — a menos que o tenham partido, conforme a lei da purificação de um forno, que requer quebrar até seus cacos, e não se purifica sendo retirado inteiro de seu lugar.
Disse Ula: e a primeira queima, segundo os sábios, é impura ainda que o forno esteja pendurado no pescoço de um camelo.
Ula acrescenta: mesmo quanto à primeira queima — o ponto sobre o qual Rabi Yehuda e os sábios discordam quando o forno está apoiado sobre a boca do poço —, os sábios seriam ainda mais permissivos em atribuir impureza: para eles, basta que o forno tenha sido aceso uma vez, de qualquer maneira, mesmo suspenso e sem qualquer fixação ao chão, como se estivesse pendurado no pescoço de um camelo, para que se torne um utensílio pleno, capaz de contrair impureza.
"Disse Ula: quanto à primeira queima, segundo os sábios" — que dizem, a partir do reforço do versículo, que ainda que seu calor não se conserve bem, o forno contrai impureza; não digas que isso vale apenas quando colocado sobre a boca do poço, mas ainda que o dono o tenha pendurado no pescoço de um camelo e ali o tenha aceso pela primeira vez, é impuro.
Objetou Rav Ashi: se é assim, em vez de discordarem sobre cacos de forno, que discordassem sobre o próprio forno. Ora, se o próprio forno, segundo Rabi Yehuda, não é sequer um utensílio, seus cacos, é preciso perguntar?!
Rav Ashi renova a dificuldade de Rava, com outro ângulo: se a disputa entre Rabi Meir e Rabi Yehuda depende do estatuto de pureza deste forno específico (sobre a boca do poço), então, segundo a explicação de Rava, a baraita deveria simplesmente dizer que o próprio forno inteiro é um utensílio ou não — e essa dependeria da mesma disputa. Mas se, segundo Rabi Yehuda, o próprio forno já não é considerado um utensílio pleno (por não estar fixado como manda o costume), é óbvio que seus cacos também não o seriam — não haveria necessidade de uma disputa separada especificamente sobre os cacos.
"Objetou Rav Ashi" — contra Rava, que estabeleceu a disputa sobre o manuseio dos cacos do forno velho, mencionada acima, como referente a cacos de um forno como este, que ele mesmo, segundo Rabi Yehuda, não é sequer um utensílio.
Antes, disse Rav Ashi: na verdade, é conforme dissemos no início (cacos de qualquer forno), e trata-se de um caco que faz a função de uma telha de assar. E Rabi Meir fala nos termos de Rabi Yehuda: disse-lhe: para mim, é permitido mesmo quando servem para qualquer tarefa; mas, para ti que exiges tarefa semelhante à original, concorda comigo ao menos que, num caso como este, é a própria tarefa original do forno!
Rav Ashi retoma a explicação original: a baraita trata de cacos de qualquer forno velho, e não especificamente do forno sobre a boca do poço. O ponto é que esses cacos, sendo largos e planos, podem ser usados como uma espécie de telha de assar — servindo para assar pão sobre eles, ainda que de modo diferente do forno original. Rabi Meir formula seu argumento nos termos de Rabi Yehuda: embora, para mim (Rabi Meir), bastasse que servissem para qualquer tarefa nova, para ti (Rabi Yehuda), que exiges tarefa semelhante à original, deves ao menos admitir que assar sobre um caco usado como telha é, de fato, uma tarefa semelhante à função original de assar do próprio forno.
"Conforme dissemos no início" — a disputa é sobre servir para alguma tarefa, mas não para tarefa semelhante à sua original; e trata-se de cacos de forno propriamente ditos. E o que te é difícil, por que a baraita tomou especificamente forno, e não discordou de modo geral sobre cacos de utensílio — para isso é que precisou, pois esses cacos fazem em parte uma tarefa semelhante à de assar, como a obra de uma telha chamada tapca, telhas que chamam de tuiles, com as quais se acende o fogo e se assa; assim também estes cacos, largos, mas sem cavidade interna, de modo que se acendem por fora, e não por dentro, como as telhas; e não é porque Rabi Meir exija tarefa semelhante à original, mas porque foi Rabi Yehuda quem o formulou assim. "E Rabi Meir fala nos termos de Rabi Yehuda" — tomou o exemplo do forno, e disse: para mim, é permitido mesmo quando servem para alguma tarefa, conforme já disse na Mishná anterior.
E Rabi Yehuda responde: não é semelhante (a tarefa da telha à do forno). Ali (no forno), sua queima é por dentro; aqui (na telha), sua queima é por fora. Ali, o pão assa em pé; aqui, não assa em pé.
Rabi Yehuda rejeita a comparação de Rav Ashi: no forno original, o fogo é aceso por dentro, e o pão gruda nas paredes internas e assa em pé; na telha feita de um caco, o fogo é aceso por fora, sobre a superfície externa, e o pão é colocado deitado sobre ela, e não em pé. Por essas duas diferenças, a tarefa da telha não é considerada semelhante à tarefa original de assar do forno, e por isso Rabi Yehuda mantém sua proibição quanto a esses cacos.
"Em pé" — no forno, assa-se em pé, pois o pão gruda nas paredes do forno e fica em pé, e não deitado sobre sua base, como as telhas, que ficam deitadas sobre sua largura.
Repete-se: Rabi Yosei testemunhou, em nome de Rabi Elazar ben Yaakov, sobre os cacos de um forno velho, que podem ser manuseados em Shabat, e sobre sua tampa, que não precisa de alça. Disse Ravina: segundo quem manuseamos hoje em dia as tampas dos fornos da cidade de Mechasya, que não têm lugar de segurar? Segundo quem é isso? Segundo Rabi Elazar ben Yaakov.
A Guemará retoma o testemunho de Rabi Yosei, citado na própria baraita, de que a tampa de um forno velho não precisa de alça para ser manuseada. Ravina observa que esse mesmo princípio é aplicado, na prática, em sua própria época: os fornos da cidade de Mechasya tinham tampas sem qualquer alça ou lugar próprio para segurá-las, e ainda assim eram manuseados livremente em Shabat — costume que só se sustenta segundo a opinião de Rabi Elazar ben Yaakov, e não segundo a opinião mais restritiva que exige um lugar de segurar.
"As tampas dos fornos de Mechasya" — a tampa do forno daquele lugar não tinha lugar de segurar; o forno, porque sua boca fica em cima, tem uma tampa, para que seu calor não escape; depois de grudar nele o pão, a pessoa o cobre.
A pedra que está na cabaça (usada para tirar água): se, enchendo-a com água, ela (a pedra) não cai, pode-se encher com ela; e se não (se a pedra cai), não se pode encher com ela.
Uma nova Mishná encerra o daf: trata-se de uma cabaça seca e oca, leve demais para afundar sozinha na água, à qual se amarra uma pedra para que fique mais pesada e possa realmente tirar água de um poço ou de uma cisterna. Se a pedra está bem amarrada, de modo que, ao encher a cabaça de água, ela não caia, a cabaça inteira, com sua pedra, é considerada um único utensílio, e pode-se tirar água com ela em Shabat. Mas se a pedra não está bem presa e cairia ao se encher a cabaça, então a pedra tem estatuto de simples pedra solta — que não pode ser manuseada — e a cabaça não pode servir para tirar água, pois faltaria seu contrapeso.
Mishná: "a pedra que está na cabaça" — trata-se de uma cabaça seca e oca, e enche-se com ela água; mas, sendo leve, ela não tira água por si, e apenas flutua; por isso põem nela uma pedra, para torná-la mais pesada. "Se, enchendo-a, ela não cai" — ou seja, está bem amarrada à boca da cabaça, e então a cabaça inteira se torna um único utensílio. "E se não" — a pedra é como as demais pedras (muktzê), e não se manuseia a cabaça, pois ela se tornaria mera base para a pedra que a carrega.