Shabbat 143a abre resolvendo, sem qualquer pausa, a objeção deixada em suspenso ao final de 142b: o relato de Rava mandando seu servo assar um ganso e jogar as vísceras ao gato, que pareceria contradizer a posição de Rabi Yehuda sobre muktzeh. A guemará responde: como as vísceras apodrecem rapidamente e deixam de servir ao homem, a intenção de Rava já estava voltada para o gato desde a véspera, antes de o Shabat ou Yom Tov começar — diferente do pombo cru, que permanecia apto ao consumo humano. Confirma-se então, por meio de outro ensinamento de Rava — sobre não entrar na lenheira para tomar um tição, e sobre ser proibido acender um tição que se quebrou no próprio Yom Tov, por se tornar "nolad" — que Rava de fato sustenta a posição mais restritiva de Rabi Yehuda. Encerrada essa questão, uma nova mishná trata de como limpar a mesa depois da refeição: Bet Shamai permite remover ossos e cascas diretamente com as mãos, sem reconhecer neles qualquer proibição de muktzeh; Bet Hilel, mais cauteloso, exige levantar e sacudir a travessa inteira, evitando o contato direto. Migalhas menores que um kezayit, e vagens de ervilha e de lentilha, podem ser removidas por todos, pois ainda servem de alimento ao animal. Quanto à esponja usada para limpar a mesa: só se pode usá-la se tiver um apoio de couro para segurá-la sem espremê-la; os Sábios discordam dessa distinção inteira, permitindo-a sempre, pois, não sendo utensílio de madeira, tecido, saco ou metal, não recebe impureza. A guemará então busca, cláusula por cláusula, a filiação tannaítica dessa mishná: Rav Nachman afirma que Bet Shamai segue Rabi Yehuda e Bet Hilel segue Rabi Shimon quanto a muktzeh; a cláusula das migalhas apoia um ensinamento independente de Rabi Yochanan, que proíbe destruí-las com a mão, por ainda servirem de alimento; a cláusula das vagens é identificada com Rabi Shimon, que não sustenta muktzeh algum, já que, antes do Shabat, elas ainda estavam unidas ao próprio grão; a cláusula da esponja parece, à primeira vista, exigir a posição mais restritiva de Rabi Yehuda quanto a atos não intencionais, mas a guemará responde que mesmo Rabi Shimon concorda quando o resultado proibido é absolutamente inevitável — o princípio de "pesik reishei". Por fim, a guemará volta a um caso concreto de comida com resíduo: os caroços de tâmaras arameias, de qualidade inferior, são permitidos de mover, pois servem de alimento ao animal junto com a própria polpa; os de tâmaras persas, de boa qualidade, permanecem proibidos. Seguem-se os diferentes métodos pessoais de vários sábios para descartar esses caroços sem tocá-los diretamente: Shmuel usava um pão como base; Rabá, uma jarra de água; Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, tratava o monte de caroços acumulado como um vaso de excremento — método questionado por Rav Ashi diante de Ameimar, por ser um recurso premeditado, não uma repugnância surgida por acaso; Rav Sheshet os jogava na dobra de sua manga; e, como Rav Papa, também se contava de Rabi Zecharia ben Avkulas, que virava o rosto e os jogava atrás do leito em que estava reclinado. O daf — e com ele todo o Perek Vinte e Um, Notel Adam et Beno — termina com a fórmula tradicional do hadran. Conforme confirmado pela estrutura de capítulos do Sefaria, o Perek Vinte e Dois (Chavit, חבית) começa apenas em Shabbat 143b:1, folha ainda não publicada neste site: este daf, portanto, encerra o capítulo, mas não chega a abrir o seguinte.
(continuando de 142b:) Responde-se: lá , no caso do ganso, já que as vísceras apodrecem rapidamente e logo deixam de servir ao homem, a intenção de Rava já estava voltada para elas desde ontem , antes de o Shabat ou o Yom Tov começar.
"Lá, já que apodrece" — as vísceras, se a pessoa as guardasse até a noite seguinte, já teriam se estragado.
"Desde ontem sua intenção já estava voltada para elas" — para o gato; e já no crepúsculo (bein hashemashot), elas estavam preparadas (muchan) para um animal.
A guemará resolve a objeção mostrando que o caso das vísceras do ganso não é comparável ao do pombo cru. As vísceras se estragam rapidamente e, por isso, jamais poderiam ter sido guardadas para consumo humano posterior; assim, desde antes mesmo do início do Shabat ou do Yom Tov, a intenção de Rava já estava voltada para dá-las ao gato — elas já estavam "preparadas" (muchan) para uso animal desde o crepúsculo, e não se tornaram desqualificadas (nolad) durante o dia sagrado. O pombo cru, ao contrário, permanecia apto ao consumo humano durante todo o tempo, e por isso exigia o artifício da faca.
A guemará conclui: assim também é razoável que Rava sustente a opinião de Rabi Yehuda, pois Rava ensinava: uma mulher não deve entrar na lenheira para tomar dali um tição aceso. E um tição que se quebrou é proibido de acender no Yom Tov, porque se acende com utensílios completos, mas não se acende com pedaços quebrados de utensílios. Conclui-se disso que Rava segue Rabi Yehuda.
"Tição" — uma brasa acesa, pois a lenha comum é destinada a acender, e não a ser movida como utensílio.
"E um tição que se quebrou" — no Yom Tov.
"Com pedaços quebrados de utensílios" — que se quebraram hoje , no próprio Yom Tov, pois se tornam nolad (algo recém-surgido, proibido como muktzeh).
"Conclui-se disso" — que Rava sustenta a opinião de Rabi Yehuda, segundo o qual há muktzeh mesmo quando o objeto ainda seria fisicamente útil.
A guemará traz uma confirmação independente, de outro ensinamento de Rava: um tição que se quebrou dentro do próprio Yom Tov é proibido de usar para acender, mesmo sendo ainda perfeitamente combustível, pois o princípio é que se acende apenas com utensílios completos, nunca com pedaços quebrados — que se tornam, no mesmo dia, algo "recém-surgido" (nolad), categoria de muktzeh. Essa posição rigorosa, que desconsidera a utilidade física remanescente do objeto em favor de sua categoria formal, é precisamente a de Rabi Yehuda; e, como o próprio Rava a ensina, conclui-se que ele de fato a sustenta — encerrando, de modo satisfatório, a pergunta levantada ao final de 142b.
Bet Shamai diz: removem-se da mesa ossos e cascas , diretamente com as mãos. E Bet Hilel diz: retira-se a travessa inteira, e sacode-se , sem tocar diretamente nos ossos e cascas.
"Mishná: removem-se" — com as mãos, de sobre a mesa.
"Ossos" — duros, que não são próprios nem para o cão.
"E cascas" — de nozes, pois Bet Shamai não sustenta a existência de muktzeh nesse caso.
"E Bet Hilel diz: retira-se a travessa" — pois ela tem sobre si o estatuto de utensílio completo, mas não se movem as cascas diretamente com as mãos, conforme a posição de Rabi Yehuda.
Abre-se uma nova mishná, ainda dentro do Perek Vinte e Um: como limpar a mesa depois de comer, quando restam sobre ela ossos duros — que não servem sequer ao cão — e cascas de nozes, ambos potencialmente muktzeh. Bet Shamai, surpreendentemente o mais indulgente aqui, permite removê-los diretamente com as mãos, sem reconhecer neles proibição alguma; Bet Hilel exige o método indireto já familiar destas folhas: levantar e sacudir a travessa inteira, evitando o contato direto com os ossos e cascas.
Removem-se de diante da mesa migalhas menores que o volume de um kezayit (azeitona), e vagens de ervilha e vagens de lentilha, porque isso é alimento de animal.
"Removem-se de sobre a mesa" — esta cláusula é anônima , aceita por todos, sem disputa.
"Migalhas menores que um kezayit" — e com mais razão as do tamanho de um kezayit ou maior, conforme se explica a razão: são alimento de animal.
"E vagens de ervilha" — as cascas dos legumes, dentro das quais o grão cresce.
Esta cláusula, ao contrário da anterior, é ensinada sem atribuição a nenhuma das duas escolas — vale, portanto, para todos. Migalhas pequenas demais para valer sequer um kezayit, e as vagens vazias de ervilha e lentilha, continuam servindo de alimento ao animal, e por isso nunca chegam a se tornar muktzeh; podem ser removidas livremente.
Esponja: se tem um apoio de couro para segurá-la — limpa-se a mesa com ela; e, se não — não se limpa com ela. E os Sábios dizem: de um modo ou de outro, é permitido tomá-la no Shabat, e ela não recebe impureza.
"Apoio de couro" — um apoio de couro para segurá-la.
"Limpa-se com ela" — a travessa.
"Não se limpa com ela" — pois, ao segurá-la sem esse apoio, ela se espreme entre os dedos , e a água sai — o que é proibido, como espremer no Shabat.
"É permitido tomá-la no Shabat" — quando está seca.
"E não recebe impureza" — pois não é utensílio de madeira, nem tecido, nem saco, nem metal.
A terceira cláusula trata da esponja usada para limpar a mesa: só é permitida se tiver um pedaço de couro fixado como apoio, permitindo segurá-la sem apertar diretamente sua superfície — pois segurá-la sem esse apoio a espreme entre os dedos, liberando a água nela absorvida, o que se assemelha ao ato proibido de espremer (lavar) no Shabat. Os Sábios rejeitam inteiramente essa distinção, permitindo a esponja em qualquer caso: como ela não é feita de madeira, tecido, saco ou metal — os materiais sujeitos à impureza ritual — não conta, para eles, como um "utensílio" no sentido que geraria essa preocupação.
Guemará. Disse Rav Nachman: nós não temos senão isto: Bet Shamai segue a posição de Rabi Yehuda, e Bet Hilel segue a posição de Rabi Shimon , quanto à existência de muktzeh.
"Guemará: nós não temos" — não nos apoiamos em nossa mishná exatamente como está ensinada à primeira vista, mas entendemos que sua atribuição deve ser lida de outro modo, e Bet Shamai segue Rabi Yehuda, e assim por diante.
Rav Nachman fixa a filiação tannaítica geral da mishná: Bet Shamai corresponde à posição mais restritiva de Rabi Yehuda sobre muktzeh, e Bet Hilel, à posição mais lenient de Rabi Shimon. Como observa Rashi, essa correspondência não decorre de modo óbvio da simples leitura da primeira cláusula — daí a ressalva de Rav Nachman, "nós não temos senão isto": é a conclusão firme a que se chega, ainda que a atribuição não salte imediatamente aos olhos. As cláusulas seguintes da mishná são então examinadas, uma a uma, à luz dessa correspondência.
A Mishná ensinou: "removem-se de diante da mesa migalhas etc." Isto apoia a opinião de Rabi Yochanan, pois disse Rabi Yochanan: migalhas que não têm o volume de um kezayit — é proibido destruí-las com a mão.
"É proibido destruí-las com a mão" — pois a mishná ensina "removem-se com as mãos" , deslocando-as com cuidado, para que ainda sirvam ao animal, e não "jogam-se fora" diretamente, o que as destruiria.
A cláusula sobre as migalhas, aceita por todos, serve de apoio a um ensinamento independente de Rabi Yochanan: mesmo migalhas pequenas demais para valer um kezayit não podem ser simplesmente destruídas com a mão — pois ainda servem de alimento ao animal, e destruir alimento é proibido. O verbo empregado pela mishná, "removem-se", em vez de "jogam-se fora", já sugere esse cuidado.
A Mishná ensinou: "vagens de ervilha etc." Quem sustenta essa cláusula? É a opinião de Rabi Shimon, que não sustenta a existência de muktzeh.
"Que não sustenta muktzeh" — pois, se seguisse Rabi Yehuda, essas vagens não estariam, desde ontem, destinadas ao animal, já que o alimento (o grão) ainda estava unido a elas , e só hoje a pessoa as retira dele , separando-as.
A cláusula das vagens de ervilha e lentilha só se sustenta segundo Rabi Shimon, que dispensa completamente o conceito de muktzeh. Segundo a posição mais restritiva de Rabi Yehuda — que exige que um objeto já estivesse designado a seu uso atual desde antes do início do Shabat — essas vagens seriam proibidas: antes do Shabat, o grão ainda estava dentro delas, de modo que elas eram parte do alimento humano, não algo já destinado ao animal; só hoje, ao serem descascadas, tornam-se resíduo. Como a mishná as permite, forçosamente segue Rabi Shimon.
A guemará objeta: mas diga-se a última cláusula: "esponja, se tem apoio para segurá-la — limpa-se com ela; e, se não — não se limpa com ela." Chegamos , então, a Rabi Yehuda, que diz: um ato não intencional (davar she'eino mitkavein) é proibido!
"Não intencional" — que a pessoa não tem intenção de espremer a esponja, embora o resultado ocorra de qualquer modo.
A guemará levanta uma dificuldade: se a mishná inteira segue Rabi Shimon, por que a cláusula da esponja exigiria um apoio de couro, evitando o risco de espremê-la sem querer? Essa cautela parece pressupor a posição mais restritiva de Rabi Yehuda, segundo o qual até um ato sem intenção proibida, mas com resultado possivelmente proibido, é vedado — contradizendo a atribuição a Rabi Shimon estabelecida nas cláusulas anteriores.
Responde-se: nisto, mesmo Rabi Shimon concorda, pois Abaie e Rava, ambos, disseram: Rabi Shimon concorda no caso de "cortar a cabeça, e o animal não morrer" — isto é, quando o resultado proibido é absolutamente certo e inevitável, mesmo Rabi Shimon o proíbe, apesar de faltar a intenção direta.
A resposta resolve a dificuldade: mesmo Rabi Shimon, que em geral permite atos cujo resultado proibido não é certo, admite que, quando esse resultado é absolutamente inevitável — como cortar a cabeça de um animal e ele necessariamente morrer —, o ato é proibido, ainda que a pessoa não tenha "intenção" dele em sentido estrito. Espremer água de uma esponja segurada diretamente, sem apoio, é exatamente esse tipo de resultado certo e inevitável; por isso, mesmo Rabi Shimon exige o apoio de couro, e a cláusula da esponja permanece perfeitamente compatível com a atribuição geral da mishná a sua posição.
Estes caroços de tâmaras arameias , de qualidade inferior, são permitidos de mover, já que servem de alimento ao animal junto com sua "mãe" , a polpa que os envolve. Mas os caroços de tâmaras persas , de boa qualidade, — é proibido movê-los.
"Caroços" — de tâmaras, e também eles servem ao animal.
"Arameias" — são tâmaras ruins, e alimenta-se com as próprias tâmaras o animal; por isso, junto com sua "mãe" , a polpa, também os caroços estão destinados ao animal.
"Persas" — são tâmaras boas, e não se alimenta com elas o animal.
A guemará volta a um caso concreto de alimento com resíduo. Caroços de tâmaras de qualidade inferior ("arameias") são permitidos de mover, pois costuma-se alimentar o animal com a própria fruta inteira, incluindo o caroço; assim, desde antes do Shabat, o caroço já compartilhava, "junto com sua mãe", a designação de alimento animal. Caroços de tâmaras de boa qualidade ("persas"), que nunca são dadas inteiras ao animal, permanecem proibidos — verdadeiro muktzeh, sem qualquer designação prévia.
Shmuel costumava mover os caroços proibidos por meio de um pão , colocado sobre eles como base. (Sinal mnemônico para os métodos seguintes: shrnm shp"z.) Shmuel segue seu próprio raciocínio, pois disse Shmuel: a pessoa pode fazer com o pão tudo que precisa.
"Tudo que precisa" — usa-se o pão como instrumento, e não há aqui desrespeito por seu uso, pois depois a pessoa o amassa dentro de um guisado , aproveitando-o normalmente.
Shmuel movia os caroços proibidos colocando sobre eles um pão como base, servindo-se do mesmo artifício já visto quanto a bolsas e alforjes de moedas em 142b. Esse hábito seguia seu próprio princípio mais amplo: o pão pode ser usado como instrumento para qualquer necessidade, sem que isso conte como desrespeito ao alimento, pois, ao final, ainda pode ser aproveitado normalmente — por exemplo, amassado dentro de um guisado.
Rabá costumava movê-los por meio de uma jarra de água , colocada junto a eles. Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, tratava-os como um vaso de excremento , que se pode remover mesmo com o excremento dentro, por causa da repugnância. Disse Rav Ashi a Ameimar: acaso se faz um vaso de excremento de propósito, desde o início?
"Uma jarra de água" — uma bacia de água.
"Vaso de excremento" — Rav Huna os juntava diante de si, os caroços, enquanto comia as tâmaras, até que se tornassem repugnantes a seus olhos; e então os removia de diante de si como um vaso de excremento, e os dava ao animal.
Rabá usava uma bacia de água como base, ao lado dos caroços. Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, adotava uma abordagem mais original: deixava os caroços se acumularem diante de si, enquanto comia, até se tornarem visualmente repugnantes — e, nesse ponto, valia-se da leniência conhecida como "vaso de excremento" (geraf shel re'i), que permite remover algo sujo por respeito à dignidade e à limpeza, mesmo que tecnicamente muktzeh. Rav Ashi questiona essa comparação diante de Ameimar: a leniência do vaso de excremento foi pensada para uma repugnância que surge de fato, não como método deliberado, planejado de antemão para descartar caroços.
Rav Sheshet costumava jogá-los na dobra de sua manga. Rav Papa costumava jogá-los atrás do leito em que estava reclinado. Disseram de Rabi Zecharia ben Avkulas que ele virava o rosto para trás do leito, e os jogava ali.
"Jogava-os na dobra de sua manga" — para o outro lado da mesa , dentro da dobra de sua roupa.
"Atrás do leito" — o leito sobre o qual estava reclinado à mesa, como era costume nas refeições.
Encerra-se a sugiá com uma última série de práticas pessoais, cada sábio evitando tocar diretamente nos caroços proibidos à sua própria maneira: Rav Sheshet os jogava na dobra da manga de sua roupa; Rav Papa, atrás do leito em que se reclinava à mesa, como era costume nas refeições formais; e o mesmo se contava de Rabi Zecharia ben Avkulas, que ainda virava o rosto para não olhar diretamente ao jogá-los. Com esse pequeno catálogo de costumes práticos, encerra-se a discussão da mishná — e, com ela, todo o Perek Vinte e Um.
Com o pequeno catálogo de práticas para descartar caroços de tâmara sem tocá-los, encerra-se todo o Perek Vinte e Um, Notel Adam et Beno ("toma um homem o seu filho" — nome tirado de sua mishná de abertura, em 141b:19), que se estendera de Shabat 141b:19 a 143a:15. Ao longo de quase três folhas, o perek percorreu o filho com a pedra na mão, o cesto e a teruma impura movida com a pura, a longa discussão sobre elevar o medumá no Shabat e sua filiação a Rabi Eliezer, depois a Rabi Shimon, e por fim a Rabi Shimon ben Elazar, a pedra na boca do barril e as moedas na almofada, a distinção entre esquecer e colocar de propósito, a bolsa, o tijolo e o alforje de moedas, a colher de Abaie e a faca de Rava, e finalmente as vísceras do ganso e a mesa depois da refeição. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach Notel Adam et Beno" ("Retornaremos a você, Notel Adam et Beno"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Conforme confirmado pela estrutura de capítulos do Sefaria (alt_structs → Chapters), o Perek Vinte e Dois, Chavit (חבית — "o barril", nome tirado de sua própria mishná de abertura), começa apenas em Shabbat 143b:1, uma folha inteiramente distinta e ainda não publicada neste site. Diferentemente das transições anteriores desta massechet — em que o capítulo seguinte já abria na mesma folha, logo após o hadran —, aqui o hadran cai exatamente no último segmento (143a:15) do próprio daf, sem que sobre qualquer conteúdo do Perek Vinte e Dois para ser incluído nesta página. Este daf, portanto, encerra o Perek Vinte e Um por completo, mas não chega a abrir o capítulo seguinte — o que só ocorrerá quando Shabat 143b for publicado.