Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Zayin (Klal Gadol)
שֶׁכֵּן יְרִיעָה

A folha completa, em sua primeira linha, a frase interrompida sobre onde "o que rasga para costurar" ocorreu no Tabernáculo, passa aos três ensinamentos de Rav Zutra bar Tovia em nome de Rav — esticar o fio, aprender do mago, calcular as estações —, e chega à categoria seguinte da Mishná, "o que caça", com o caso do chilazon esmagado e abatido

Shabbat 75a — a primeira linha completa a frase que a Guemará havia deixado aberta ao final de 74b ("Rabá e Rabi Zeira, que ambos disseram..."): já que, numa cortina do Tabernáculo em que caía um verme, rasgava-se e costurava-se de novo; segue-se, sem transição marcada, o ensinamento de Rav Zutra bar Tovia em nome de Rav sobre três responsabilidades distintas — esticar um fio de costura no Shabat (oferenda de pecado), aprender algo do mago (pena de morte) e saber calcular as estações e constelações sem o fazer (desqualificação para transmitir tradições); a Guemará elucida "mago" através da disputa entre Rav e Shmuel (feiticeiro ou blasfemo), concluindo pela segunda opção a partir da própria gravidade da pena; e elucida a obrigação de calcular as estações com os ensinamentos de Bar Kappara (quem pode calcular e não calcula, sobre ele o versículo de Isaías fala) e de Rabi Yochanan (a fonte no versículo de Deuteronômio sobre a sabedoria "aos olhos dos povos"). A Guemará passa então à categoria seguinte da Mishná, "o que caça o cervo... o que caça o chilazon": a baraita sobre quem caça o chilazon e o esmaga, responsável por apenas uma oferenda, contra Rabi Yehuda, que exige duas (esmagar incluído em debulhar) — disputa resolvida por Rava (debulhar só se aplica ao que cresce da terra) e por Rabi Yochanan (o caso trata de esmagar um chilazon já morto); Rava explica ainda o caso de esmagá-lo vivo através do princípio do mitasek, com a ressalva sobre a exceção de "pescoço cortado" e a explicação de por que aqui é diferente; e a folha se fecha com a disputa entre Rav e Shmuel sobre se quem abate o chilazon é responsável por "o que tinge" ou por "o que tira a alma".

A folha abre completando, em sua primeira linha, a frase que 74b havia deixado cortada ao final: a Guemará perguntara onde "o que rasga para costurar" ocorreu no Tabernáculo, e começara a responder com os nomes de Rabá e Rabi Zeira, "que ambos disseram..." — sem completar o dito. Aqui, o dito chega: "já que, numa cortina em que caía um verme, rasgava-se nela e costurava-se de novo" — quando um verme perfurava um pequeno buraco redondo numa das cortinas do Tabernáculo, era preciso rasgar acima e abaixo do buraco antes de costurá-lo de novo, para que a costura não ficasse enrugada; e assim "o que rasga para costurar" — rasgar com a finalidade de, em seguida, costurar — de fato ocorreu ali. Sem qualquer fórmula de transição, a Guemará passa então a um ensinamento de três partes: Rav Zutra bar Tovia, em nome de Rav, ensina que quem estica um fio de costura no Shabat (unindo duas partes de uma peça já cortada, cujo fio se afrouxara) é responsável por oferenda de pecado, pois isto equivale ao próprio ato de costurar; que quem aprende uma única coisa do "mago" (amgusha) é responsável por pena de morte; e que quem sabe calcular as estações do ano e as posições das constelações, e não o faz, é proibido de ter suas tradições relatadas em seu nome. A Guemará primeiro elucida o termo "mago": Rav e Shmuel discordam sobre seu sentido — um diz que se trata de um feiticeiro comum (chorashei), e o outro, de um blasfemo idólatra que incita as pessoas à idolatria (gardufei). A Guemará conclui que Rav sustentava a segunda opinião, pois, se "mago" significasse mero feiticeiro, o versículo que proíbe "aprender a fazer" (Deuteronômio 18) permitiria, ainda assim, aprender para compreender e para ensinar — o que tornaria incompreensível a pena de morte por aprender "uma única coisa" dele; a pena extrema só se justifica se se tratar de um idólatra blasfemo, de quem nada, nem mesmo para compreensão, deve ser aprendido. Em seguida, a Guemará elucida a terceira parte do ensinamento — a obrigação de calcular as estações e constelações — com dois ensinamentos: Rabi Shimon ben Pazi, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, em nome de Bar Kappara, ensina que sobre quem sabe calcular e não calcula, o versículo de Isaías declara que "a obra do Senhor não contemplam, e a obra de suas mãos não veem"; e Rabi Shmuel bar Nachmani, em nome de Rabi Yochanan, deriva do versículo de Deuteronômio ("pois esta é vossa sabedoria e vosso entendimento aos olhos dos povos") que o cálculo das estações e constelações é, especificamente, a sabedoria "visível aos olhos dos povos" — pois suas previsões sobre chuva e seca se confirmam publicamente. A Guemará então avança à próxima categoria da Mishná, retomando o texto mishnaico "o que caça o cervo, etc.": uma baraita ensina que quem caça o chilazon (o molusco da tintura azul) e o esmaga para extrair seu sangue é responsável por apenas uma oferenda de pecado, pela caça; Rabi Yehuda discorda, exigindo duas, pois considera o esmagar parte da categoria "o que debulha" — posição rejeitada pelos sábios. Rava explica a razão dos sábios: eles entendem que "debulhar" só se aplica ao que cresce da terra, não a uma criatura viva. A Guemará então pergunta por que não haveria responsabilidade, ao menos, por "o que tira a alma" (matar), e Rabi Yochanan responde que o caso da baraita trata de esmagar um chilazon já morto. Rava acrescenta que, mesmo esmagando-o vivo, não haveria responsabilidade por matar, pois o caçador está "ocupado com outra coisa" (mitasek) em relação à morte do animal — sua intenção plena é extrair o sangue mantendo-o vivo o quanto possível, pois o sangue do animal vivo produz uma tinta mais pura; a Guemará questiona isto à luz do princípio de que Rabi Shimon concorda em casos de "pescoço cortado" (onde a morte é uma consequência inevitável do ato, ainda que não desejada), mas responde que aqui é diferente, pois, ao contrário de degolar, quanto mais o animal permanece vivo durante o processo, melhor é para o próprio caçador — de modo que a morte não é sequer um resultado inevitável, mas ativamente indesejado. A folha se fecha com a próxima cláusula da Mishná, "e o que o abate": a Guemará pergunta por qual categoria é responsável quem abate o chilazon, e traz a disputa final entre Rav, que responde "por 'o que tinge'" (pois a finalidade do abate é preservar a cor do sangue), e Shmuel, que responde "por 'o que tira a alma'" (a categoria direta e literal do ato de abater).

Nota — a costura com 74b

Esta primeira linha de 75a não é um raciocínio novo: é a conclusão direta e gramatical da frase que a Guemará havia começado ao final de 74b, ao perguntar onde "o que rasga para costurar" ocorreu no Tabernáculo e responder com os nomes de "רַבָּה וְרַבִּי זֵירָא דְּאָמְרִי תַּרְוַויְיהוּ" ("Rabá e Rabi Zeira, que ambos disseram..."), interrompida pela virada da página sem que se chegasse a dizer o que, de fato, disseram. Aqui, o dito enfim chega: "שֶׁכֵּן יְרִיעָה שֶׁנָּפַל בָּהּ דַּרְנָא, קוֹרְעִין בָּהּ וְתוֹפְרִין אוֹתָהּ" ("já que, numa cortina em que caiu um verme, rasgava-se nela e costurava-se de novo"). A ideia completa: assim como as demais categorias de trabalho examinadas nesta longa sugia, "o que rasga para costurar" precisa ter ocorrido literalmente no Tabernáculo para ser contado como categoria plena — e Rabá e Rabi Zeira encontram esta ocorrência no caso de um verme (dorso) que perfurava um pequeno buraco redondo numa das cortinas: era preciso rasgar o tecido acima e abaixo do buraco, para então costurá-lo de novo sem que a costura ficasse enrugada. Este rasgar — feito com a finalidade explícita de, em seguida, costurar — é exatamente "o que rasga para costurar" da Mishná, e assim se completa a sugia iniciada ainda em 74b.

A frase completada: onde ocorreu o rasgar no Tabernáculo · קְרִיעָה בַּמִּשְׁכָּן

01"Já que, numa cortina em que caía um verme, rasgava-se e costurava-se de novo"
Rabá e Rabi Zeira
שֶׁכֵּן יְרִיעָה שֶׁנָּפַל בָּהּ דַּרְנָא, קוֹרְעִין בָּהּ וְתוֹפְרִין אוֹתָהּ.

...já que, numa cortina em que caía um verme, rasgava-se nela e costurava-se de novo.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "darna"
דרנא - תולעת ומנקב בו נקב קטן ועגול וצריך לקרוע למטה ולמעלה את הנקב שלא תהא התפירה עשויה קמטין קמטין:

"'Verme' (darna)" — um verme, que perfura nela um pequeno buraco redondo, e é preciso rasgar abaixo e acima do buraco, para que a costura não fique feita em dobras e mais dobras.

Três ensinamentos de Rav Zutra bar Tovia em nome de Rav · הַמּוֹתֵחַ חוּט שֶׁל תְּפִירָה

02Esticar o fio da costura; aprender do mago; calcular as estações e não calcular
Rav Zutra bar Tovia em nome de Rav
אָמַר רַב זוּטְרָא בַּר טוֹבִיָּה אָמַר רַב: הַמּוֹתֵחַ חוּט שֶׁל תְּפִירָה בְּשַׁבָּת — חַיָּיב חַטָּאת, וְהַלּוֹמֵד דָּבָר אֶחָד מִן הַמָּגוֹשׁ — חַיָּיב מִיתָה, וְהַיּוֹדֵעַ לְחַשֵּׁב תְּקוּפוֹת וּמַזָּלוֹת וְאֵינוֹ מְחַשֵּׁב — אָסוּר לְסַפֵּר הֵימֶנּוּ.

Disse Rav Zutra bar Tovia, disse Rav: quem estica um fio de costura no Shabat é responsável por oferenda de pecado; e quem aprende uma única coisa do mago é responsável por pena de morte; e quem sabe calcular as estações e as constelações, e não calcula, é proibido relatar tradições em seu nome.

Nota

Um único ensinamento de três partes, transmitido por Rav Zutra bar Tovia em nome de Rav, todas ouvidas e memorizadas juntas, sem relação temática direta entre si além da autoria comum. A primeira parte pertence ao contexto imediato (costura): quem tem uma peça já costurada, mas cujo fio se afrouxou entre dois pedaços do tecido, e a estica para reaproximá-los e uni-los novamente, é responsável como se tivesse costurado — pois o resultado final (a união firme das duas partes) é idêntico. A segunda e a terceira partes, sobre o "mago" e sobre o cálculo das estações, serão elucidadas separadamente pela Guemará nos passos seguintes.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hamote'ach chut shel tefira", "vehalomed davar echad min hamagosh" e "vehayodea"
המותח חוט של תפירה - בגד התפור ועומד והניח החוט ארוך ונתפרדו שתי חתיכות הבגד זו מזו במקצת וחוטי התפירות נמשכין ומותח את ראשי החוט להדק ולחבר זו היא תפירתו וחייב: והלומד דבר אחד מן המגוש - מין הממשיכו לע"ז אפי' דבר תורה אסור ללמוד ממנו: והיודע כו' - הני תלת שמעתתא שמעינהו (מר) זוטרא מרב כי הדדי וגרסינהו:

"'Quem estica um fio de costura'" — uma peça já costurada, deixando o fio comprido, e as duas partes do tecido se separaram uma da outra em parte, e os fios da costura se esticam, e estica as pontas do fio para apertá-las e uni-las — esta é a sua costura, e é responsável. "'E quem aprende uma única coisa do mago'" — um herege que o atrai à idolatria; mesmo uma palavra de Torá, é proibido aprender dele. "'E quem sabe...'" — estes três ensinamentos, Rav Zutra ouviu-os de Rav juntos uns com os outros, e os transmitiu assim.

O que é o "mago" (amgusha)? · אַמְגּוּשְׁתָּא

03Rav e Shmuel: feiticeiro ou blasfemo? Conclui-se: blasfemo
Rav e Shmuel
אַמְגּוּשְׁתָּא — רַב וּשְׁמוּאֵל, חַד אָמַר: חָרָשֵׁי, וְחַד אָמַר: גָּדוֹפֵי. תִּסְתַּיֵּים דְּרַב דְּאָמַר גָּדוֹפֵי, דְּאָמַר רַב זוּטְרָא בַּר טוֹבִיָּה אָמַר רַב: הַלּוֹמֵד דָּבָר אֶחָד מִן הַמָּגוֹשׁ חַיָּיב מִיתָה. דְּאִי סָלְקָא דַעְתָּךְ חָרָשֵׁי: הָכְתִיב ״לֹא תִלְמַד לַעֲשׂוֹת״ — אֲבָל אַתָּה לָמֵד לְהָבִין וּלְהוֹרוֹת — תִּסְתַּיֵּים.

"Mago" (amgushta): Rav e Shmuel discordam — um diz: feiticeiro; e um diz: blasfemo. Conclui-se que é Rav quem disse "blasfemo", pois disse Rav Zutra bar Tovia, disse Rav: quem aprende uma única coisa do mago é responsável por pena de morte. Pois, se te ocorresse que fosse feiticeiro: não está escrito "não aprenderás a fazer" (Deuteronômio 18:9) — mas tu podes aprender para compreender e para instruir os outros? Conclui-se.

Nota

A Guemará elucida o termo aramaico "amgusha" (mago), sobre o qual Rav e Shmuel discordam, como em tantos outros pontos: um sustenta que se refere a um feiticeiro comum (charashei); o outro, a um herege blasfemo, dedicado à idolatria e que incita outros a ela (gardufei). A Guemará conclui, a partir do próprio ensinamento anterior de Rav (que proíbe aprender "uma única coisa" do mago, sob pena de morte), que Rav sustentava a segunda opinião: se "mago" significasse mero feiticeiro, o versículo de Deuteronômio que proíbe "aprender a fazer" as práticas dos feiticeiros permitiria, ainda assim, aprender sobre eles para compreendê-los (e assim reconhecer um falso profeta) e para instruir outros — de modo que a proibição de aprender "uma única coisa", sob pena de morte, seria incompreensível demais. Só faz sentido se "mago" se referir a um blasfemo idólatra, de quem nada — nem mesmo para mera compreensão — pode ser aprendido, pois todas as suas palavras são palavras de idolatria.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "amgusha", "charashei", "gardufei", "de'i salka da'atach charashei" e "tistayem degardufei hu"
אמגושא - דאמרינן בכל דוכתא רב ושמואל פליגי ביה: חד אמר חרשי - מכשף: וחד אמר גדופי - מין האדוק בע"ז ומגדף תמיד את השם ומסית אנשים לע"ז: דאי סלקא דעתך חרשי - וטעמא משום דכתיב לא ימצא בך וגו' וקא חשיב מכשף: והא כתיב - לעיל מיניה לא תלמד לעשות כדי שתעשה: להבין - שתוכל לעמוד בהן ואם יעשה נביא שקר לפניך שתבין שהוא מכשף: תסתיים דגדופי הוא - הלכך כל דבריו דברי ע"ז והסתלק מעליו שלא ישיאך:

"'Mago'" — sobre o qual dizemos, em todo lugar, que Rav e Shmuel discordam a seu respeito. "'Um diz: feiticeiro'" — um que faz magia. "'E um diz: blasfemo'" — um herege dedicado à idolatria, que blasfema constantemente o Nome e incita as pessoas à idolatria. "'Pois, se te ocorresse que fosse feiticeiro'" — proibido aprender, e a razão é que está escrito "não se ache entre vós..." (Deuteronômio 18:10), e ali se enumera o feiticeiro. "'Não está escrito'" — antes disso — "'não aprenderás a fazer'", isto é, para praticares. "'Para compreender'" — para que possas resistir a eles, e se um falso profeta agir diante de ti, para que compreendas que é um feiticeiro. "'Conclui-se que é blasfemo'" — e por isso todas as suas palavras são palavras de idolatria, e afasta-te dele, para que não te seduza.

A obrigação de calcular as estações e as constelações · חִישּׁוּב תְּקוּפוֹת וּמַזָּלוֹת

04Bar Kappara: "a obra do Senhor não contemplam"; Rabi Yochanan: a fonte em Deuteronômio
Rabi Shimon ben Pazi em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, em nome de Bar Kappara; Rabi Shmuel bar Nachmani em nome de Rabi Yochanan
אָמַר רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן פַּזִּי, אָמַר רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן לֵוִי מִשּׁוּם בַּר קַפָּרָא: כָּל הַיּוֹדֵעַ לְחַשֵּׁב בִּתְקוּפוֹת וּמַזָּלוֹת וְאֵינוֹ מְחַשֵּׁב, עָלָיו הַכָּתוּב אוֹמֵר: ״וְאֵת פֹּעַל ה׳ לֹא יַבִּיטוּ וּמַעֲשֵׂה יָדָיו לֹא רָאוּ״. אָמַר רַבִּי שְׁמוּאֵל בַּר נַחְמָנִי אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: מִנַּיִן שֶׁמִּצְוָה עַל הָאָדָם לְחַשֵּׁב תְּקוּפוֹת וּמַזָּלוֹת — שֶׁנֶּאֱמַר: ״וּשְׁמַרְתֶּם וַעֲשִׂיתֶם כִּי הִיא חׇכְמַתְכֶם וּבִינַתְכֶם לְעֵינֵי הָעַמִּים״, אֵיזוֹ חָכְמָה וּבִינָה שֶׁהִיא לְעֵינֵי הָעַמִּים — הֱוֵי אוֹמֵר: זֶה חִישּׁוּב תְּקוּפוֹת וּמַזָּלוֹת.

Disse Rabi Shimon ben Pazi, disse Rabi Yehoshua ben Levi em nome de Bar Kappara: todo aquele que sabe calcular as estações e as constelações, e não calcula, sobre ele o versículo diz: "e a obra do Senhor não contemplam, e a obra de suas mãos não veem" (Isaías 5:12). Disse Rabi Shmuel bar Nachmani, disse Rabi Yochanan: de onde se aprende que é mandamento sobre o homem calcular as estações e as constelações? Pois foi dito: "e guardareis e fareis, pois esta é vossa sabedoria e vosso entendimento aos olhos dos povos" (Deuteronômio 4:6) — qual é a sabedoria e o entendimento que está aos olhos dos povos? Deves dizer: este é o cálculo das estações e das constelações.

Nota

A Guemará elucida a terceira parte do ensinamento de Rav Zutra bar Tovia — que quem sabe calcular as estações e constelações e não o faz é desqualificado como transmissor de tradições — com dois ensinamentos que fundamentam a própria obrigação de calcular. Bar Kappara ensina que a negligência em usar este conhecimento é censurada pelo versículo de Isaías sobre os que "não contemplam a obra do Senhor": calcular as estações e os movimentos celestes é reconhecer e contemplar a ordem divina inscrita na criação, e quem tem a capacidade de fazê-lo e se abstém é como quem se recusa a ver a obra de Deus. Rabi Yochanan deriva a fonte bíblica direta da obrigação: o versículo de Deuteronômio elogia a "sabedoria e entendimento" de Israel como algo "visível aos olhos dos povos" — isto é, uma sabedoria cujos frutos são publicamente verificáveis, pois quem calcula corretamente as estações prevê com exatidão anos de chuva e de seca, e essas previsões se confirmam diante de todos; e assim se identifica esta sabedoria pública com o cálculo dos ciclos solares e das constelações.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "le'einei ha'amim"
לעיני העמים - שחכמה הניכרת היא שמראה להם סימן לדבריו בהילוך החמה והמזלות שמעידין כדבריו שאומר שנה זו גשומה והיא כן שנה זו שחונה והיא כן שכל העיתים לפי מהלך החמה במזלותיה ומולדותיה במזל תלוי הכל לפי השעה המתחלת לשמש בכניסת החמה למזל:

"'Aos olhos dos povos'" — pois é uma sabedoria reconhecível, que lhes mostra um sinal de suas palavras no movimento do sol e das constelações, que testemunham suas palavras: quando diz "este ano será chuvoso", e assim é; "este ano será seco", e assim é — pois todas as estações seguem o movimento do sol em suas constelações e em seus nascimentos mensais; tudo depende da constelação, conforme a hora em que o sol começa a atuar ao entrar na constelação.

O que caça — o cervo e o chilazon · הַצָּד צְבִי, הַצָּד חִלָּזוֹן

05Baraita: caçar o chilazon e esmagá-lo — uma oferenda ou duas? Rabi Yehuda contra os sábios
Baraita; Rabi Yehuda; sábios; Rava; Rabi Yochanan
הַצָּד צְבִי וְכוּ׳. תָּנוּ רַבָּנַן: הַצָּד חִלָּזוֹן וְהַפּוֹצְעוֹ — אֵינוֹ חַיָּיב אֶלָּא אַחַת. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר חַיָּיב שְׁתַּיִם. שֶׁהָיָה רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: פְּצִיעָה בִּכְלַל דִּישָׁה. אָמְרוּ לוֹ: אֵין פְּצִיעָה בִּכְלַל דִּישָׁה. אָמַר רָבָא: מַאי טַעְמָא דְּרַבָּנַן — קָסָבְרִי אֵין דִּישָׁה אֶלָּא לְגִדּוּלֵי קַרְקַע. וְלִיחַיַּיב נָמֵי מִשּׁוּם נְטִילַת נְשָׁמָה! אָמַר רַבִּי יוֹחָנָן: שֶׁפְּצָעוֹ מֵת.

"O que caça o cervo, etc." Ensinaram os rabinos: quem caça o chilazon e o esmaga não é responsável senão por uma oferenda. Rabi Yehuda diz: é responsável por duas. Pois Rabi Yehuda dizia: esmagar está incluído em "o que debulha". Disseram-lhe: esmagar não está incluído em "o que debulha". Disse Rava: qual é a razão dos sábios? Entendem que debulhar só se aplica ao que cresce da terra. Mas que seja responsável também por "o que tira a alma"! Disse Rabi Yochanan: trata-se de um caso em que o esmagou já morto.

Nota

A Guemará retoma o texto da Mishná (73a), que passa agora à categoria "o que caça" — exemplificada ali pelo cervo, e aqui pelo chilazon, o molusco cujo sangue produzia a tintura azul (tejelet) usada no Tabernáculo. Uma baraita ensina que quem caça o chilazon e o esmaga em seguida (para extrair seu sangue, pressionando-o com as mãos) é responsável por apenas uma oferenda de pecado, pela caça — o esmagar em si não constitui categoria adicional. Rabi Yehuda discorda, exigindo duas oferendas, pois entende que esmagar o chilazon para extrair seu sangue equivale a "o que debulha" (dash) — assim como se separa o grão da palha ao debulhar, separa-se o sangue do corpo do animal ao esmagá-lo. Os sábios rejeitam esta equivalência. Rava explica sua razão: para eles, "debulhar" é uma categoria que, por definição, só se aplica a produtos que crescem da terra (grãos, sementes), não a uma substância extraída de uma criatura viva. A Guemará então levanta uma dificuldade diferente: mesmo que esmagar não seja "debulhar", por que não haveria responsabilidade, ao menos, por "o que tira a alma" (matar um ser vivo)? Rabi Yochanan responde que o caso descrito na baraita — apenas uma oferenda — trata de esmagar um chilazon que já estava morto, e por isso não há questão de tirar a alma.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hapotz'o", "eino chayav ela achat" e "bichlal disha"
הפוצעו - דוחקו בידיו שיצא דמו: אינו חייב אלא אחת - משום צידה אבל אפציעה ליכא חיוב: בכלל דישה - שמפרק דמו הימנו כמפרק תבואה מקשין שלה:

"'E o esmaga'" — pressiona-o com as mãos, para que saia seu sangue. "'Não é responsável senão por uma'" — por "o que caça", mas por esmagar não há responsabilidade. "'Incluído em debulhar'" — pois separa dele seu sangue, como quem separa o grão de suas palhas.

06Rava: mesmo vivo, é mitasek em relação a matar — e aqui é diferente do "pescoço cortado"
Rava; Abaye e Rava
רָבָא אָמַר: אֲפִילּוּ תֵּימָא שֶׁפְּצָעוֹ חַי, מִתְעַסֵּק הוּא אֵצֶל נְטִילַת נְשָׁמָה. וְהָא אַבָּיֵי וְרָבָא דְּאָמְרִי תַּרְוַויְיהוּ: מוֹדֶה רַבִּי שִׁמְעוֹן בִּ״פְסִיק רֵישֵׁיהּ וְלֹא יָמוּת״! שָׁאנֵי הָכָא, דְּכַמָּה דְּאִית בֵּיהּ נְשָׁמָה טְפֵי נִיחָא לֵיהּ, כִּי הֵיכִי דְּלֵיצִיל צִיבְעֵיהּ.

Rava disse: mesmo que digas que o esmagou vivo, ele está "ocupado com outra coisa" (mitasek) em relação a "o que tira a alma". Mas não disseram Abaye e Rava, ambos: Rabi Shimon concorda no caso de "pescoço cortado" e não haver como não morrer! Diferente é aqui, pois quanto mais o chilazon tem alma nele, mais lhe é bom, para que se preserve sua cor.

Nota

Rava propõe uma segunda explicação, que dispensa até mesmo a solução de Rabi Yochanan (o chilazon já estava morto): mesmo esmagando-o vivo, o caçador não seria responsável por "tirar a alma", pois sua ação se enquadra na categoria de mitasek — realizar uma ação com a intenção voltada inteiramente para outro fim, sem qualquer intenção quanto ao resultado que a lei proíbe. Aqui, toda a intenção do caçador é extrair o sangue mantendo o animal vivo pelo maior tempo possível, pois o sangue de um chilazon vivo produz uma tintura mais pura; a morte do animal não é buscada nem é sequer bem-vinda. A Guemará contesta com o princípio geral de "pescoço cortado" (pesik reisha): Rabi Shimon, que costuma isentar ações não intencionais, concorda que, quando um resultado proibido é a consequência física inevitável de uma ação (como decapitar um animal para obter sua cabeça, garantindo sua morte), há responsabilidade mesmo sem intenção direta de matar, pois a "falta de intenção" não pode ser levada a sério quando o resultado é certo. Por que, então, esmagar o chilazon vivo não seria um caso análogo, já que a morte também tende a resultar do esmagamento? A resposta: os dois casos são estruturalmente diferentes. No "pescoço cortado", quanto mais rápida a morte, melhor para quem realiza a ação (a cabeça é obtida mais depressa); aqui, ao contrário, quanto mais tempo o animal permanecer vivo durante o esmagamento, melhor para o caçador, pois o sangue extraído de um animal ainda vivo preserva a cor de modo mais puro — de modo que a morte não é apenas indesejada, mas ativamente contrária ao interesse de quem age, tornando o caso um mitasek genuíno, sem o elemento de inevitabilidade que define "pescoço cortado".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mitasek hu etzel netilat neshama", "tefei nicha leih" e "deleitzil tzivo"
מתעסק הוא אצל נטילת נשמה - כלומר לגבי נטילת נשמה הוי מתעסק בדבר אחר ולא הויא מלאכת מחשבת שאינו מתכוין שימות: טפי ניחא ליה - שדם החי טוב מדם המת וכיון דכל עצמו מתכוין וטורח לשומרו שלא ימות בידו אפי' מת אין כאן אלא מתעסק וכי מודה ר' שמעון במידי דלא איכפת ליה אי מיתרמי ומיהו איכווני לא מיכוין: דליציל ציבעיה גרסינן - שתהא מראית צבעו צלולה:

"'Ele está ocupado com outra coisa em relação a tirar a alma'" — isto é, quanto a tirar a alma, está ocupado com outra coisa, e não é uma obra intencional, pois não tem em mente que o animal morra. "'Quanto mais lhe é bom'" — pois o sangue do vivo é melhor que o do morto, e já que toda a sua intenção e esforço é preservá-lo para que não morra por sua mão, mesmo que morra não há aqui senão caso de mitasek; e Rabi Shimon só concorda em algo que não lhe importa se acontecer ou não — mas ainda assim não tem essa intenção. "'Para que se preserve sua cor', lemos" — para que a aparência de sua cor seja límpida.

07"E o que o abate": Rav — por "o que tinge"; Shmuel — por "o que tira a alma"
Rav; Shmuel
וְהַשּׁוֹחֲטוֹ. שׁוֹחֵט מִשּׁוּם מַאי חַיָּיב? רַב אָמַר: מִשּׁוּם צוֹבֵעַ. וּשְׁמוּאֵל אָמַר: מִשּׁוּם נְטִילַת נְשָׁמָה.

"E o que o abate": quem o abate, por que categoria é responsável? Rav disse: por "o que tinge". E Shmuel disse: por "o que tira a alma".

Nota

A Guemará retoma a cláusula seguinte da Mishná, "e o que o abate", referindo-se ao abate do chilazon para a extração de seu sangue tintorial, e pergunta sob qual das trinta e nove categorias principais este ato se enquadra. Rav responde que a responsabilidade é por "o que tinge" (tzove'a): já que a finalidade de todo o processo — caçar, esmagar ou abater o chilazon — é obter seu sangue para a tintura, o próprio ato de abater, sendo o meio empregado para esse fim, é classificado pela sua finalidade última, e não pelo ato físico em si. Shmuel discorda, respondendo que a responsabilidade é, simplesmente, por "o que tira a alma" (netilat neshamá): o abate é, em sua essência física direta, o ato de matar o animal, e é por esta categoria — literal e imediata — que se deve responder, independentemente do uso posterior que se fará do sangue extraído.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "shochet mishum mai michayav"
שוחט משום מאי מיחייב - שחיטה במלאכת המשכן היכא ומאי עבידת' אי מעורות אילים מאדמים למה לי בהו שחיטה בחניקה נמי סגי:

"'Quem abate, por que é responsável'" — a pergunta é: onde esteve o abate no trabalho do Tabernáculo, e para que servia? Se fosse para as peles de carneiro tingidas de vermelho, para que precisaria ali de abate — bastaria também o estrangulamento.

Nota — fechamento do daf

Ao contrário das duas folhas anteriores, 75a se fecha em frase gramaticalmente completa: a disputa entre Rav e Shmuel sobre a categoria do abate do chilazon ("por 'o que tinge'" ou "por 'o que tira a alma'") é uma unidade fechada, sem continuação pendente. Não há, dentro deste daf, nenhuma transição de perek: toda a folha permanece dentro do Perek Zayin (Klal Gadol), na mesma sugia da Guemará sobre a Mishná das trinta e nove categorias de trabalho, examinada categoria por categoria desde 73b — aqui, a categoria "o que caça" (com os subcasos do chilazon), que dá início à sequência de categorias ligadas ao trabalho com couro e peles, a continuar em 75b.