Shabbat 140a abre completando o ensinamento de Yaakov Karcha, interrompido ao final de 139b: coloca-se um ovo no coador de mostarda porque isso se faz apenas para dar cor, e não como verdadeira separação de refugo — tanto a gema quanto a clara são consideradas alimento. Segue-se uma disputa sobre amassar mostarda já preparada na véspera do Shabat: Rav permite fazê-lo num recipiente, mas não com a mão; Shmuel inverte essa regra; e Rabi Elazar e Rabi Yochanan discordam sobre se ambos os modos são proibidos ou permitidos — com Rabi Yochanan primeiro adotando a posição mais restritiva de Rabi Elazar, e Abaye e Rava, por fim, decidindo a favor dessa posição revisada. Uma série de episódios ilustra a disputa na prática — a mãe de Abaye, a esposa de Zeiri e Ravina —, até que Mar Zutra encerra o debate com uma regra própria: pode-se amassar tanto com a mão quanto num recipiente, acrescentar mel e apenas misturar, sem bater com força — regra estendida ao agrião com óleo, vinagre e hortelã, e ao alho esmagado com favas e grãos partidos. Segue-se a definição de anomlin (vinho, mel e pimenta) e alunit (vinho velho, água clara e bálsamo, para refrescar após o banho), e o episódio de Rav Yosef, que sentiu profundamente o efeito de um único copo de vinho na casa de banhos de Mar Ukva. O daf apresenta então uma nova Mishná, ainda dentro do Perek Vinte: não se molha o chiltit (assa-fétida) em água morna, mas pode-se colocá-lo no vinagre; não se lavam por imersão nem se esfregam os karshinin, mas podem-se colocar na peneira ou no cesto; e não se peneira a palha para que a palha miúda caia, mas pode-se levá-la na peneira até a manjedoura. A Guemará sobre essa Mishná examina a responsabilidade por molhar o chiltit, a distinção entre água quente e fria segundo Rabi Yannai e a baraita de Rabi Yosei, o uso medicinal do chiltit para dores no coração — com o episódio de Rav Acha bar Yosef e o conselho de Mar Ukva —, e a pergunta sobre esfregar uma túnica de linho no Shabat, distinguida do lenço. O daf termina no meio do ensinamento de Rav Chisda sobre a túnica de linho, prosseguindo em Shabat 140b. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.
(completando o ensinamento interrompido ao final de 139b, sobre colocar um ovo no coador de mostarda) — porque não se faz isso senão para dar cor.
"Porque não se faz isso senão para dar cor" — para a aparência, pois a gema é boa para dar cor, e não a clara; portanto, tanto uma quanto a outra são alimento, e não há aqui separação de refugo do alimento.
Completa-se aqui o ensinamento deixado cortado ao final de 139b. Yaakov Karcha explica por que filtrar um ovo através do coador de mostarda não constitui a separação proibida de refugo (borer): a intenção não é separar a gema (útil) da clara (inútil), mas apenas usar a gema para colorir a mostarda — e, como ambas as partes do ovo são igualmente alimento, não há ali verdadeira seleção entre comida e refugo.
Foi dito: mostarda que se amassou na véspera do Shabat, no dia seguinte — disse Rav: mistura-se num recipiente, mas não com a mão.
"Amassa-a (memacho)" — em francês antigo, "destemprer" (dissolver), com água ou vinho.
"Amassa-a num recipiente" — isso implica que essa é a mudança própria dele (quanto ao modo usual).
"E não a amassa com a mão" — pois, amassando-a assim (com a mão), fica melhor misturada (sendo por isso o modo comum em dia de semana).
Encerrado o tema do coador, a guemará abre um novo excurso sobre alterar o modo habitual de preparo de alimentos no Shabat. Segundo Rav, misturar mostarda já pronta desde a véspera é permitido apenas com uma mudança visível quanto ao dia comum: usa-se um recipiente em vez da mão, já que amassar com a mão produz uma mistura melhor e por isso é o método usual.
Disse-lhe Shmuel: (com a mão?!) Acaso, todos os dias, a amassam com a mão?! É comida de jumentos (feita sem cuidado)! Mas disse Shmuel: amassa-a com a mão, e não a amassa num recipiente.
"Mas disse Shmuel: amassa-a com a mão" — pois esse não é seu modo usual em dia comum (sendo, portanto, a mudança exigida).
Shmuel objeta e inverte a lógica de Rav: em dia comum, ninguém amassa mostarda apenas com a mão, pois o resultado seria grosseiro, "comida de jumentos"; o modo habitual e cuidadoso é usar um recipiente. Portanto, é o uso da mão — e não do recipiente — que constitui a mudança exigida para permitir o preparo no Shabat.
Foi dito: Rabi Elazar disse: tanto isto quanto aquilo (amassar com a mão ou num recipiente) — é proibido. E Rabi Yochanan disse: tanto isto quanto aquilo — é permitido. Abaye e Rava, ambos disseram: a halachá não é como Rabi Yochanan.
A disputa entre Rav e Shmuel sobre qual modo requer mudança é substituída por uma disputa mais radical entre Rabi Elazar e Rabi Yochanan: para Rabi Elazar, nenhum dos dois modos é permitido, pois amassar mostarda no Shabat é sempre problemático; para Rabi Yochanan, ambos são permitidos, sem exigência de mudança alguma. Abaye e Rava, nesta primeira formulação, rejeitam a posição lenient de Rabi Yochanan.
Rabi Yochanan adotou a posição de Rabi Elazar; Rabi Elazar adotou a posição de Shmuel. Abaye e Rava, ambos disseram: a halachá é como Rabi Yochanan.
"Rabi Yochanan adotou a posição de Rabi Elazar" — isto é, voltou atrás de sua opinião original e proibiu.
"Abaye e Rava, ambos disseram: a halachá é como Rabi Yochanan" — referindo-se à sua posição revisada, que proíbe.
A cadeia se completa: Rabi Yochanan abandona sua posição lenient original e adota a de Rabi Elazar (proibindo ambos os modos), enquanto Rabi Elazar, por sua vez, recua para a posição original de Shmuel (permitindo apenas com a mão). Abaye e Rava, então, revisam sua própria decisão: a halachá segue Rabi Yochanan — mas já em sua nova posição, mais restritiva, e não a original citada no beat anterior.
A mãe de Abaye a (mostarda) preparou para ele, e ele não comeu. A esposa de Zeiri a preparou para Rav Chiya bar Ashi, e ele não comeu. Ela lhe disse: "para o teu mestre eu a preparei, e ele comeu, e tu não comeste?". Disse Rava bar Shava: eu estava de pé perante Ravina, e ele a mexeu com um pedaço de alho, e comeu.
"Para o teu mestre" — para Zeiri.
"Com um pedaço de alho" — isto é, o miolo (talo central) do alho.
Uma série de episódios ilustra a incerteza prática gerada pela disputa: a mãe de Abaye preparou a mostarda de um modo que ele considerou incorreto e recusou comer; o mesmo ocorreu com Rav Chiya bar Ashi, cuja anfitriã observou que seu próprio mestre, Zeiri, havia comido a mesma preparação sem objeção. Rava bar Shava acrescenta que Ravina misturava a mostarda com um pedaço de alho — talvez como estratagema adicional para evitar a proibição.
Disse Mar Zutra: a halachá não é como todos esses ditos, mas sim como o que foi outra vez dito: mostarda amassada na véspera do Shabat — no dia seguinte, mistura-se tanto com a mão quanto num recipiente, e coloca-se nela mel. E não deve bater vigorosamente, mas sim misturar.
"E não deve bater vigorosamente" — como se batem ovos numa tigela com uma colher, à maneira de bater com força.
Mar Zutra rejeita toda a cadeia de opiniões anteriores e propõe uma regra própria e mais simples: o modo de mistura (mão ou recipiente) não importa, mas dois elementos são decisivos — pode-se acrescentar mel à mostarda já pronta, e o ato de misturar deve ser suave, uma simples mescla, e não um bater vigoroso, que se assemelharia ao preparo original, proibido.
Agrião (shachalayim) que se triturou na véspera do Shabat — no dia seguinte, coloca-se nele óleo e vinagre, e acrescenta-se nele amita. E não deve bater vigorosamente, mas sim misturar. Alho que se esmagou na véspera do Shabat — no dia seguinte, coloca-se nele favas e grãos partidos, e não deve moer, mas sim misturar, e acrescenta-se amita neles. O que é amita? Hortelã (ninya). Disse Abaye: aprende-se disso que essa hortelã é boa para o agrião.
"Agrião (shachalayim)" — uma hortaliça, e costumavam triturá-la em água.
"Acrescenta (mamshich)" — significa "coloca".
"Amita" — em francês antigo, "menthe" (hortelã).
"É boa para o agrião" — para se misturar com o agrião.
A guemará estende a regra de Mar Zutra a outras preparações semelhantes: o agrião já triturado desde a véspera pode receber óleo, vinagre e hortelã, misturados suavemente; e o alho já esmagado pode receber favas e grãos partidos, também apenas misturados. A pergunta sobre a identidade da "amita" (hortelã) leva Abaye a concluir, a partir dessas duas baraitot paralelas, que a hortelã combina bem tanto com o alho quanto com o agrião.
A Mishná ensinou: e fazem-se anomlin no Shabat. Ensinaram os sábios: fazem-se anomlin no Shabat, mas não se faz alunit. E o que é anomlin, e o que é alunit? Anomlin é vinho, mel e pimenta. Alunit é vinho velho, água clara e bálsamo, que se preparam para a casa de banhos, para refrescar.
"E não se faz alunit" — pois não é para saciar a sede, mas para refrescar depois do banho, à maneira de um remédio.
A guemará esclarece a cláusula final da Mishná anterior sobre fazer anomlin no Shabat, trazendo uma baraita que define os dois termos e distingue sua permissibilidade: anomlin, uma bebida de vinho, mel e pimenta, é permitido por ser uma bebida comum; alunit, de vinho velho, água clara e bálsamo, usada para refrescar após o banho como um remédio, é proibida, pois seu preparo se assemelha a um ato medicinal, vedado por decreto rabínico no Shabat.
Disse Rav Yosef: certa vez, entrei atrás de Mar Ukva na casa de banhos. Quando saímos, veio alguém e me deu de beber um copo de vinho, e senti seu efeito desde a raiz dos meus cabelos até a unha dos meus pés. E, se me dessem outro copo, eu temeria que descontassem de meus méritos do mundo vindouro. Mas Mar Ukva não bebia todos os dias? Diferente é Mar Ukva, que estava habituado a isso.
"E senti desde a raiz da minha cabeça" — senti seu frescor desde os cabelos da minha cabeça até as unhas dos meus pés.
"Descontariam de meus méritos" — se eu fosse salvo dele, de modo a não morrer.
"Bebia todos os dias" — e isso não lhe fazia mal.
"Que estava habituado a isso" — acostumado com isso.
Encerrado o tema do anomlin, a guemará traz um episódio pessoal de Rav Yosef, quase à margem do assunto: o vinho servido após o banho de Mar Ukva teve sobre ele um efeito intensamente prazeroso, a ponto de temer que um segundo copo esgotasse méritos reservados para o mundo vindouro — diferentemente de Mar Ukva, cujo hábito diário tornava a mesma bebida um prazer moderado e sem risco espiritual.
Não se molha o chiltit (assa-fétida) em água morna, mas coloca-se dentro do vinagre. E não se lava por imersão os karshinin (vagens de ervilhaca), nem se esfregam, mas coloca-se dentro da peneira ou dentro do cesto. Não se peneira a palha na peneira, nem se coloca sobre um lugar elevado para que a palha miúda caia. Mas pode-se pegá-la com a peneira e colocá-la dentro da manjedoura.
Encerrado o excurso sobre a mostarda, o agrião, o alho, o anomlin e o alunit, uma nova Mishná se inicia, dentro do mesmo Perek Vinte (Tolin) — não o começo de um novo capítulo, que só ocorrerá em 141b:19. A Mishná trata de três procedimentos vinculados à separação proibida (borer) e à preparação de alimentos: o chiltit, que não se pode molhar em água morna (o que aceleraria sua dissolução, à maneira de um preparo de dia comum), mas pode-se colocar em vinagre para temperar comida; os karshinin, que não se podem lavar por imersão nem esfregar para remover seu refugo, mas podem-se colocar numa peneira ou cesto, onde o refugo cai por si só; e a palha, que não se pode peneirar propositalmente, mas pode-se transportar com a peneira até a manjedoura do animal, mesmo que a palha miúda caia incidentalmente.
"Mishná: chiltit" — em árabe, "chalatish"; em francês antigo, "laser" (assa-fétida); e costumavam molhá-lo em água morna e beber essa água como remédio.
"Mas coloca-se" — o chiltit.
"Dentro do vinagre" — e mergulha nele sua comida; e mais adiante se explica por que não se pode molhá-lo em água morna.
"E não se lava por imersão os karshinin" — isto é, despejar água sobre eles num recipiente, para separar seu refugo, como ensinamos no tratado Beitzá (14b): "também se enxágua e se lava por imersão".
"Nem se esfregam" — com a mão, para remover o refugo, o que constituiria uma separação proibida.
"Mas coloca-se dentro da peneira" — e, embora às vezes o refugo caia pelos buracos da peneira, e assim se separe por si só, isso não é considerado uma separação proibida, pois não é essa a intenção.
"Palha (teven)" — é o que se faz da haste, cortando-a com trilhadeiras, e toda a cauda da espiga se torna palha.
"Palha miúda (motz)" — é a barba superior da espiga, que não é apta para alimento, e peneiram-na em peneiras para que a palha miúda caia.
"Mas pode-se pegá-la com a peneira" — para colocá-la dentro da manjedoura, ainda que a palha miúda caia por si só, seguindo Rabi Shimon, que diz que uma coisa não intencional é permitida.
Guemará: indagaram: se, apesar da proibição da Mishná, alguém molhou o chiltit em água morna, qual é a lei quanto à sua responsabilidade? Rav Adda Narshaah interpretou perante Rav Yosef: se molhou — é obrigado a uma oferenda pelo pecado.
"Molhou" — a indagação é: molhou o chiltit em água morna, qual é a lei quanto à sua responsabilidade?
A Guemará abre sua discussão sobre a nova Mishná com uma indagação prática: a proibição de molhar o chiltit em água morna é apenas uma restrição preventiva, ou constitui, ela mesma, uma transgressão da Torá, punível com oferenda pelo pecado? Rav Adda Narshaah responde na forma mais severa: quem molha o chiltit é de fato obrigado a essa oferenda.
Disse-lhe Abaye: mas então, se alguém molhou carne crua na água, também seria obrigado assim? Mas, na verdade, disse Abaye: a proibição é apenas de origem rabínica, para que não se faça como se faz em dia comum.
"Carne crua (umtza)" — carne não cozida.
"Para que não se faça, etc." — os sábios não permitiram que se fizesse um ato de dia comum.
Abaye rejeita a resposta severa, apontando por analogia que molhar carne crua na água certamente não gera responsabilidade bíblica, pois isso não constitui um trabalho proibido pela Torá. Ele reformula, então, o verdadeiro fundamento da proibição: trata-se de um decreto puramente rabínico, destinado a impedir que se realize, no Shabat, um ato que tem a aparência de uma atividade de dia comum, e não de uma transgressão da Torá.
Indagou Rabi Yochanan a Rabi Yannai: qual é a lei quanto a molhar o chiltit em água fria? Disse-lhe: é proibido. Mas nós ensinamos na Mishná: não se molha o chiltit em água morna — o que implica que em água fria é permitido!
Rabi Yochanan traz um novo caso — água fria, em vez de morna — e Rabi Yannai o proíbe também. Rabi Yochanan objeta com a própria linguagem da Mishná: ao proibir especificamente água morna, ela parece implicar, por exclusão, que água fria é permitida.
Disse-lhe: se assim fosse — que necessidade haveria de me perguntar? Eu apenas repetiria a Mishná; qual seria então a diferença entre mim e ti? A nossa Mishná é uma opinião isolada, pois foi ensinado: não se molha o chiltit nem em água quente nem em água fria. Rabi Yosei diz: em água quente — é proibido; em água fria — é permitido.
"Se assim" — isto é, se eu não soubesse explicar a Mishná melhor do que tu, que diferença haveria entre mim e ti?
"A nossa Mishná é uma opinião isolada" — isto é, foi Rabi Yosei quem a disse; mas, para os sábios, mesmo em água fria, é proibido.
Rabi Yannai resolve a objeção mostrando que a própria Mishná, que menciona apenas água morna, reflete a opinião isolada de Rabi Yosei numa baraita paralela — que de fato distingue água quente (proibida) de água fria (permitida) —, enquanto os sábios anônimos, cuja opinião Rabi Yannai segue, proíbem ambas. A Mishná do tratado, embora formulada de modo mais restrito, deve ser lida à luz dessa baraita mais completa.
Para que costuma-se usá-lo (o chiltit)? Para a pesadez do coração (mal-estar cardíaco). Rav Acha bar Yosef sentiu pesadez de coração. Foi perante Mar Ukva. Disse-lhe: vai e bebe três pesos de chiltit em três dias. Foi e bebeu na quinta-feira e na véspera do Shabat.
"Para a pesadez do coração" — quando seu coração está pesado sobre ele (sente opressão cardíaca).
"Três pesos de chiltit" — o peso de três moedas de ouro.
A guemará explica o uso terapêutico do chiltit — para dores ou opressão no peito — e ilustra com um episódio: Rav Acha bar Yosef, sofrendo desse mal, recebeu de Mar Ukva a prescrição de beber uma dose diária ao longo de três dias, e começou o tratamento na quinta-feira, de modo que a terceira dose caía no próprio Shabat.
Pela manhã (de Shabat), foi perguntar na casa de estudo. Disseram-lhe: ensinou a escola de Rav Adda, e alguns dizem, a escola de Mar bar Rav Adda: um homem pode beber um cav ou dois cavim de chiltit dissolvido em água, sem se preocupar.
"Foi perguntar na casa de estudo" — o que ele queria saber era o que fazer no Shabat (pois faltava ainda a terceira dose).
Como a terceira e última dose recairia no próprio Shabat, Rav Acha bar Yosef consultou a casa de estudo, que lhe respondeu com um ensinamento aparentemente favorável: beber chiltit dissolvido em água — mesmo em quantidade generosa — não é motivo de preocupação, sugerindo que se trata de uma bebida comum, sem restrição especial no Shabat.
Disse-lhes: quanto a beber, não tenho dúvida; o que me é dúvida é: quanto a molhá-lo (prepará-lo no Shabat mesmo), qual é a lei? Disse-lhes Rav Chiya bar Avin: eu mesmo tive esse caso, e fui perguntar a Rav Adda bar Ahavá, e ele não tinha resposta em mãos. Fui perguntar a Rav Huna, e ele disse: assim disse Rav — molha-se em água fria, e deixa-se ao sol.
"Quanto a beber, não tenho dúvida" — pois, mesmo sem ser remédio, é uma bebida, e ensinamos: "todas as bebidas, pode-se beber" (acima, Shabat 109b).
"Quanto a molhá-lo" — pois ensinamos na Mishná: não se molha.
Rav Acha bar Yosef esclarece que a casa de estudo respondeu a uma pergunta que ele não havia feito: beber chiltit já preparado nunca foi problemático, pois toda bebida é permitida no Shabat. Sua verdadeira dúvida era se poderia preparar (molhar) a terceira dose no próprio Shabat — questão que a Mishná parecia proibir. Rav Chiya bar Avin relata um precedente próprio, no qual, após uma busca sem sucesso, Rav Huna lhe transmitiu em nome de Rav uma solução prática: molhar o chiltit em água fria e deixá-lo ao sol, que aquece a água gradualmente sem o ato direto de água quente.
Isso é segundo quem permite molhar em água fria? Não necessariamente — mesmo segundo quem proíbe, isso vale apenas onde a pessoa não bebeu nada ainda; mas aqui, já que ele bebeu na quinta-feira e na véspera do Shabat, se não beber no Shabat, corre perigo.
"Isso é segundo quem permite?" — é uma indagação: será que esse dito de Rav segue Rabi Yosei, que permite molhar em água fria, mas, segundo os sábios, seria proibido?
A guemará questiona se a solução de Rav Huna (molhar em água fria) reflete apenas a opinião de Rabi Yosei, já rejeitada acima como isolada, e responde que não é necessário chegar a essa conclusão: mesmo segundo os sábios que proíbem categoricamente, a proibição pressupõe uma pessoa que ainda não iniciou o tratamento; mas quem já bebeu duas doses e corre risco real de saúde sem a terceira pode continuar o tratamento mesmo no Shabat.
Rav Acha bar Yosef ia apoiado nos ombros de Rav Nachman bar Yitzchak, filho de sua irmã. Disse-lhe: quando chegarmos à casa de Rav Safra, entremos. Quando chegaram, ele o levou para dentro. Indagou-lhe: qual é a lei quanto a esfregar uma túnica de linho no Shabat? Se a intenção é amaciar a túnica de linho — está bem; ou, quem sabe, a intenção é embranquecê-la — e é proibido? Disse-lhe: a intenção é amaciar, e está bem.
"Entremos" — isto é, "leva-me para dentro"; e Rav Acha bar Yosef era um homem idoso.
"Esfregar a túnica de linho" — uma túnica de linho que foi lavada e ficou rígida, e ele a esfrega entre as duas mãos, e ela se amacia; e também seu branco se intensifica por meio do esfregar.
Encerrado o tema do chiltit, a guemará passa a um novo assunto por meio do mesmo protagonista: Rav Acha bar Yosef, já idoso e apoiado no ombro do sobrinho, faz uma visita especial a Rav Safra para perguntar sobre esfregar uma túnica de linho rígida entre as mãos — ato que amacia o tecido, mas também intensifica seu branco, levantando a dúvida entre uma finalidade permitida (amaciar) e uma proibida (embranquecer, à maneira de lavar roupa). Rav Safra decide pela intenção permitida.
Quando saiu (Rav Acha da casa de Rav Safra), veio Rav Nachman bar Yitzchak e lhe disse: o que o mestre lhe perguntou? Disse-lhe: perguntei-lhe qual é a lei quanto a esfregar a túnica de linho no Shabat, e ele me disse: está bem.
Rav Nachman, que havia esperado do lado de fora, indaga sobre o conteúdo da consulta, e Rav Acha bar Yosef relata a pergunta e a resposta favorável de Rav Safra.
Perguntou Rav Nachman: e não deveria o mestre lhe ter perguntado também sobre o lenço (sudar)? Respondeu Rav Acha: quanto ao lenço, não tenho dúvida, pois já perguntei a Rav Huna, e ele me resolveu a questão.
Rav Nachman observa que a mesma dúvida se aplicaria a esfregar um lenço, e Rav Acha bar Yosef responde que essa questão específica já havia sido resolvida anteriormente por Rav Huna, dispensando nova consulta.
Perguntou ainda: e não poderia o mestre ter resolvido a questão da túnica a partir da lei já sabida do lenço? Disse-lhe: lá (no lenço), parece que se pretende embranquecê-lo; aqui (na túnica), não parece que se pretende embranquecê-la.
"Embranquecê-lo (olodei chivara)" — isto é, o branco se intensifica.
"Lá parece que se pretende embranquecê-lo" — pois se é mais cuidadoso quanto ao branco e ao brilho de um lenço do que de uma túnica.
Rav Nachman pressiona a questão: já que ambos os casos (lenço e túnica) envolvem o mesmo ato físico de esfregar linho, por que não aplicar diretamente ao lenço a permissão já obtida para a túnica, ou vice-versa? Rav Acha bar Yosef responde que a aparência muda conforme o objeto: como as pessoas se preocupam mais com o brilho e a alvura de um lenço do que de uma túnica comum, esfregar o lenço parece uma tentativa deliberada de embranquecê-lo — proibida —, enquanto o mesmo ato na túnica não desperta essa suspeita.
Disse Rav Chisda: esta túnica de linho [o ensinamento é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 140b].
O daf termina exatamente neste ponto, no meio de um novo ensinamento de Rav Chisda sobre a túnica de linho — retomando e possivelmente ampliando o tema recém-discutido entre Rav Acha bar Yosef, Rav Nachman e Rav Safra. O conteúdo desse ensinamento e sua continuação ficam cortados aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 140b.