Shabbat 112b continua diretamente de 112a, retomando a Guemará exatamente no meio da réplica final interrompida na palavra “onde”. A resposta completa esclarece que a regra segundo a qual a chalitzá feita com a sandália esquerda calçada por engano no pé direito é válida aplica-se onde a sandália ainda serve normalmente, para seu próprio pé, como utensílio; mas no caso discutido — a tira externa rompida, segundo Rabi Yehuda — ela já não serve nem mesmo para seu próprio pé, e por isso a comparação não se sustenta diretamente, exigindo a leitura emendada de que Rabi Yehuda também concorda quanto à chalitzá. A Guemará então questiona a própria premissa de que Rabi Yochanan tenha dito que a lei segue Rabi Yehuda: já que Rabi Yochanan também ensinou que a lei segue a mishná anônima, e há uma mishná anônima — de tratado Kelim — segundo a qual uma sandália cuja primeira orelha se rompe e é consertada permanece impura por midrás, e cuja segunda orelha se rompe e é consertada torna-se pura do midrás mas impura por contato, parece não haver diferença entre a tira interna e a externa, contradizendo a distinção de Rabi Yehuda. A Guemará resolve que essa mishná fala especificamente da tira interna, questiona por que não o disse explicitamente, e conclui, por proposta de Rav Yitzchak ben Yossef, que a mishná deve ser entendida como referindo-se a uma sandália com quatro orelhas e quatro tiras — de modo a não contradizer Rabi Yochanan. Quando Ravin chegou da Terra de Israel, trouxe uma tradição invertida em nome de Rav Chanan bar Abba, dizendo Rav: a lei segue Rabi Yehuda; e Rabi Yochanan: a lei não segue Rabi Yehuda — o que gera nova objeção, pois o próprio modo como Rabi Yochanan resolveu a questão sugeriria o contrário; a resposta é que se trata de amoraim diferentes, cada um citando em nome de Rabi Yochanan. Uma digressão então se abre a partir de uma mishná de tratado Kelim: os utensílios de madeira dos donos de casa se purificam com um furo do tamanho suficiente para que saia uma romã; Rabi Chizkiya pergunta sobre o caso de furos sucessivos, cada um do tamanho de uma azeitona, sendo tapado antes que o seguinte se abra, até que a soma complete o tamanho de uma romã. Rabi Yochanan, seu aluno, responde citando de volta o próprio ensinamento de Chizkiya sobre a sandália cujas orelhas se rompem uma após a outra, e a explicação que o próprio Chizkiya dera então — “novas faces chegaram aqui”, isto é, a sandália consertada é considerada um objeto novo, purificado de sua impureza anterior — aplicando o mesmo princípio aos furos sucessivos do utensílio de madeira. Chizkiya, impressionado com a resposta do próprio aluno usando seu próprio raciocínio, exclama que Rabi Yochanan não é um simples ser humano — segundo uma versão, querendo dizer que é como um anjo; segundo outra, que é um ser humano completo, no sentido mais elevado. A esse propósito, a Guemará acrescenta o dito de Rabi Zeira em nome de Rava bar Zimuna: se os sábios das gerações anteriores eram como filhos de anjos, nós somos como filhos de homens; e se eles eram como filhos de homens, nós somos como jumentos — não como o jumento extraordinário de Rabi Chanina ben Dossa ou o de Rabi Pinchas ben Yair, mas como jumentos comuns. A Guemará então retorna à lista da própria Mishná do capítulo sobre os nós permitidos, retomando itens ainda não explicados: por que não é óbvio que se possa atar odres de vinho e azeite — porque o caso relevante é o de um odre com duas bocas, onde se poderia pensar que uma delas seria deixada permanentemente atada; por que não é óbvio atar uma panela de carne — porque o caso relevante é o de uma panela com um cordão para abrir a tampa, onde se poderia pensar que o nó do pano seria anulado; e por que não é óbvio que Rabi Eliezer ben Yaakov permita atar uma corda diante de um animal para que não saia — porque o caso relevante é o de uma entrada com duas cordas. O daf termina interrompido exatamente no meio dessa última explicação, com as palavras “poderias pensar”, sem que se saiba ainda o que se poderia pensar nem a resposta; a continuação é o início de Shabat 113a, ainda não publicado.
(A regra vale) onde, para seu próprio uso, é utensílio; mas aqui, para seu próprio uso, não é utensílio.
A Guemará completa a réplica iniciada no fim de Shabat 112a. A regra "se ela descalçou a sandália esquerda no pé direito, sua chalitzá é válida" só se aplica onde a sandália, apesar de estar no pé errado, ainda serve normalmente como utensílio para seu próprio pé (o pé para o qual foi feita). No caso aqui discutido — uma sandália cuja tira externa se rompeu, segundo a opinião de Rabi Yehuda — ela já não serve nem mesmo para seu próprio pé, pois o próprio Rabi Yehuda a considera pura, isto é, sem condição de utensílio. Por isso a comparação direta com a mishná da chalitzá não se sustenta, e a resposta anterior exigiu a leitura emendada: "e também para a chalitzá", entendendo que Rabi Yehuda concorda que a mesma regra vale igualmente para este caso.
E acaso disse Rabi Yochanan assim? Mas não disse Rabi Yochanan: a lei segue a mishná anônima (não atribuída a um sábio específico)? E ensinamos (numa mishná): uma sandália cuja uma de suas orelhas se rompeu e ele a consertou — está impura (com impureza de) midrás; (se) se rompeu a segunda e ele a consertou — está pura de transmitir impureza de midrás, mas está impura por contato com (algo) impuro por midrás. Isso não (significa) que não há diferença entre (a tira) interna e (a tira) externa?!
A Guemará questiona a premissa de que Rabi Yochanan tenha realmente dito que a lei segue Rabi Yehuda (que distingue tira interna de externa), pois Rabi Yochanan também estabeleceu o princípio de que a lei sempre segue a mishná anônima — uma mishná ensinada sem menção de autor, presumivelmente aceita por todos. E há justamente uma mishná anônima, de tratado Kelim, que trata do mesmo tema: uma sandália impura cuja primeira orelha se rompe e é consertada permanece impura por midrás (a impureza do pisar de um zav), pois a segunda orelha ainda está intacta e a sandália continua sendo um utensílio pleno; se a segunda orelha também se rompe e é consertada, a sandália deixa de transmitir impureza de midrás como fonte primária, mas continua impura por contato consigo mesma (com seu estado anterior). Como essa mishná não distingue qual orelha se rompeu primeiro — interna ou externa —, ela parece tratar igualmente qualquer uma delas, contradizendo a distinção de Rabi Yehuda entre tira interna e externa.
"E acaso disse Rabi Yochanan assim" — que a lei segue Rabi Yehuda. "Está impura (com impureza de) midrás" — se era (a sandália) de um zav e estava impura por midrás, não se purificou de sua impureza quando (a orelha) se rompeu, e ainda é fonte primária de impureza (av hatumá). "Isso não (significa)" — mesmo (que se trate) da externa, e porque é apta para ser invertida e consertada; e o mesmo se aplicaria ainda que não a tivesse consertado, pois, de todo modo, se ao se romper sua impureza já se afastasse dela, ela não retornaria; mas foi por causa da cláusula final que (a mishná) mencionou "consertou" — para nos ensinar a novidade de que, ainda que se tenha consertado a primeira, quando a segunda voltar a se romper, está pura do midrás.
Não, (a mishná fala) especificamente da (tira) interna. Mas a externa, o que (é a lei)? É pura? Se assim é, em vez de ensinar: "se se rompeu a segunda e ele a consertou — está pura do midrás, mas está impura por contato com midrás", que distinga nisso mesmo: "em que caso se disse isto? Quando se rompeu a interna; mas (se se rompeu) a externa — está pura!" Disse Rav Yitzchak ben Yossef: seja nossa mishná (entendida como referindo-se) a uma sandália que tem quatro orelhas e quatro tiras, para não contradizer as palavras de Rabi Yochanan.
A Guemará rejeita a objeção: a mishná de Kelim fala especificamente do caso em que é a tira interna que se rompe primeiro, e nesse caso mesmo Rabi Yehuda concorda que a sandália permanece impura. Mas então surge uma nova dificuldade: se assim é, e a mishná trata apenas do caso da interna, por que ela não distinguiu explicitamente, no seu próprio texto, entre o caso da tira interna (onde permanece impura por contato) e o caso da externa (onde já estaria pura)? Isso seria mais claro e mais informativo do que a formulação atual, que simplesmente fala em "a segunda". Rav Yitzchak ben Yossef propõe uma solução engenhosa: a mishná deve ser entendida como referindo-se a uma sandália especial, com quatro orelhas e quatro tiras (duas de cada lado), de modo que, quando fala em "a segunda que se rompeu", refere-se à segunda tira externa — preservando assim a distinção de Rabi Yehuda sem forçar a mishná a fazer uma distinção explícita que ela não fez, e evitando contradizer a afirmação de Rabi Yochanan de que a lei segue a mishná anônima.
"Em vez de ensinar: se se rompeu a segunda" — ainda que a tenha consertado, está pura do midrás, pois já que ambas se romperam, ela está anulada (como utensílio). "Mas está impura por contato com midrás" — e é (impureza) de primeiro grau (rishon letumá), pois ainda é um utensílio, apto para seu uso, já que a primeira (orelha) está consertada, e (a sandália) ainda é apta para midrás, se um zav a calçasse doravante; porém, da impureza de midrás anterior que estava sobre ela, ela está pura, como diremos adiante: "novas faces chegaram aqui", e toda a condição de calçado que havia sobre ela no momento em que recebeu a primeira impureza já se foi; e, já que é (agora) um utensílio (novo), ela é de primeiro grau, pois tocou em si mesma quando era fonte primária de impureza; e enquanto for um utensílio apto a receber impureza, não se purifica da impureza de contato. "Que distinga etc." — por que me é necessário mencionar "se se rompeu a segunda", (implicando) que ambas se romperam? Pois, de todo modo, esta segunda é a externa, e por causa dela sozinha deveria ter ensinado "está pura do midrás". "Seja nossa mishná" — esta (mishná) do midrás. "Quatro orelhas, quatro tiras" — e esta (cláusula) de "se se rompeu a segunda", que ensina ambas, refere-se às (tiras) externas, e (a mishná) anônima é como Rabi Yehuda: já que se romperam as externas, está pura. "Para não contradizer as palavras de Rabi Yochanan" — que disse que a lei segue Rabi Yehuda.
Quando veio Ravin (da Terra de Israel para a Babilônia), disse (em nome de) Rav Chanan bar Abba, que disse Rav: a lei segue Rabi Yehuda. E Rabi Yochanan disse: a lei não segue Rabi Yehuda. E acaso disse Rabi Yochanan assim? Mas, do fato de que Rabi Yochanan resolve (a questão) segundo a opinião de Rabi Yehuda, aprende-se disso que ele sustenta como Rabi Yehuda! São amoraim diferentes, e (cada um transmite) segundo a opinião de Rabi Yochanan.
Quando o amora Ravin veio da Terra de Israel para a Babilônia (trazendo tradições atualizadas), ele relatou uma versão invertida da disputa: Rav Chanan bar Abba, em nome de Rav, sustentava que a lei segue Rabi Yehuda; e Rabi Yochanan sustentava o oposto, que a lei não segue Rabi Yehuda. A Guemará novamente questiona: como pode Rabi Yochanan ter dito isso, se o próprio modo como ele explicou e resolveu a questão anterior (distinguindo tira interna de externa, tal como Rabi Yehuda) mostra que ele concordava com Rabi Yehuda? A resposta é que se trata de amoraim diferentes: uma tradição (a primeira, relatada acima) foi transmitida por um amora (Rabá bar bar Chaná), e a segunda (esta, invertida) foi transmitida por Ravin — e ambas as versões, apesar de contraditórias entre si quanto ao que Rabi Yochanan disse sobre a halachá final, concordam que a explicação técnica de Rabi Yochanan seguiu o raciocínio de Rabi Yehuda.
"São amoraim diferentes" — Raba bar bar Chaná disse aquela (afirmação) mencionada acima, e esta (a de agora), Ravin a disse.
Ensinamos ali (numa mishná de Kelim): todos os utensílios (de madeira) dos donos de casa, sua medida (para se purificarem por furo) é como (a de) romãs. Perguntou Rabi Chizkiya: (se) se furou (com um furo) do tamanho suficiente para que saia uma azeitona e ele o tapou, e voltou a se furar do tamanho suficiente para que saia uma azeitona e ele o tapou, até completar (o total) para (o tamanho) de que saia uma romã, o que é (a lei)?
A Guemará abre uma digressão a partir de uma mishná paralela, de tratado Kelim: utensílios de madeira pertencentes a donos de casa comuns (em contraste com os utensílios de artesãos, que têm medidas diferentes) tornam-se puros de sua impureza quando adquirem um furo grande o suficiente para que saia uma romã por ele — a partir desse ponto, o utensílio é considerado quebrado e sem função, e a impureza se afasta. Rabi Chizkiya levanta uma questão sobre o processo: e se o furo não surgir de uma vez, mas em etapas — um furo do tamanho de uma azeitona é feito e imediatamente tapado, depois outro furo do mesmo tamanho é feito (talvez no mesmo lugar) e também tapado, e assim sucessivamente, até que a soma de todos os furos, se fossem somados, equivalesse ao tamanho de uma romã? A dúvida é se contamos a soma acumulada dos furos (tornando o utensílio puro) ou se, como cada furo foi tapado antes do seguinte se abrir, o utensílio nunca esteve, em nenhum momento, com um furo do tamanho de uma romã, e por isso permanece impuro.
"Todos os utensílios dos donos de casa" — a respeito de utensílios de madeira, ensinou-a (esta mishná) no tratado de Kelim. "Sua medida é como (a de) romãs" — para se purificarem de sua impureza; mas menos que isso, ele tem consideração pelo utensílio e não o anula. "E voltou a se furar do (tamanho) suficiente para que saia uma azeitona" — junto ao primeiro furo. "Até completar" — a soma (dos furos tapados) para (o tamanho) de que saia uma romã.
Disse-lhe Rabi Yochanan: Rabi, ensinaste-nos: uma sandália cuja uma de suas orelhas se rompeu e ele a consertou — está impura (com impureza de) midrás. (Se) se rompeu a segunda e ele a consertou — está pura do midrás, mas está impura por contato com midrás. E dissemos-te: em que é diferente a primeira (orelha, que a torna impura)? Porque a segunda ainda está intacta. A segunda também (deveria manter a impureza): eis que a primeira está consertada!
Rabi Yochanan, respondendo à pergunta de seu mestre Rabi Chizkiya sobre os furos sucessivos, lembra-o de seu próprio ensinamento anterior sobre a sandália: quando a primeira orelha se rompe e é consertada, a sandália permanece impura por midrás, porque a segunda orelha ainda está intacta — a sandália, portanto, nunca deixou de funcionar plenamente como utensílio. Mas quando a segunda orelha também se rompe (e é consertada), poderíamos pensar que, pelo mesmo raciocínio — já que a primeira está consertada e intacta —, a sandália deveria permanecer plenamente impura por midrás, como se nada tivesse mudado. Rabi Yochanan está preparando o terreno para a resposta que dará no próximo beat, mostrando que essa lógica simples não se sustentou naquele caso.
"Eis que a primeira está consertada" — e (a sandália) não está anulada da condição de calçado.
E tu nos disseste a respeito disso: novas faces chegaram aqui. Aqui também: novas faces chegaram aqui.
Rabi Yochanan completa sua resposta: apesar da lógica aparente de que a sandália deveria permanecer plenamente impura (já que a primeira orelha está consertada e a sandália nunca deixou de ser funcional), o próprio Rabi Chizkiya havia explicado que isso não ocorre, porque "novas faces chegaram aqui" — isto é, uma vez que ambas as orelhas já se romperam e foram consertadas em algum momento, ainda que não simultaneamente, a sandália deixa de ser considerada o mesmo objeto que originalmente contraiu a impureza; ela se torna, em sentido legal, um objeto novo, que nunca teve contato direto com a fonte de impureza original enquanto utensílio pleno, e por isso está pura da impureza de midrás (embora permaneça impura por contato, num grau inferior). Rabi Yochanan aplica exatamente o mesmo princípio ao caso dos furos sucessivos no utensílio de madeira: assim como a soma de danos parciais, ocorridos em momentos diferentes mas cada um reparado antes do seguinte, ainda assim resulta em "novas faces" — um objeto legalmente distinto —, também aqui a soma dos furos, ainda que cada um tenha sido tapado antes do próximo se abrir, deve ser contada, e o utensílio se torna puro quando a soma completa o tamanho de uma romã.
"Novas faces" — desde que lhe desceu a impureza de midrás, renovaram-se estas faces, e esta não é (mais) aquela (sandália) primeira, que já se estragara nela o suficiente para sua anulação.
Exclamou a respeito dele (Chizkiya, sobre Rabi Yochanan): este não é um filho de homem. Há quem diga: (exclamou) assim: este sim é um filho de homem. Disse Rabi Zeira, que disse Rava bar Zimuna: se os primeiros (sábios das gerações anteriores) são filhos de anjos, nós somos filhos de homens; e se os primeiros são filhos de homens, nós somos como jumentos — e não como o jumento de Rabi Chanina ben Dossa, nem como o de Rabi Pinchas ben Yair, mas como os demais jumentos.
Rabi Chizkiya, impressionado com a resposta precisa e elegante de seu aluno Rabi Yochanan — que aplicou seu próprio raciocínio, sobre a sandália, à nova questão dos furos sucessivos —, exclama a respeito dele: "este não é um filho de homem", isto é, um ser tão perspicaz mais parece um anjo do que um homem comum. Segundo outra versão da exclamação, o sentido é oposto em tom, mas igualmente elogioso: "este sim é um filho de homem", ou seja, um homem completo, um verdadeiro exemplo do que um ser humano pode alcançar. A Guemará acrescenta, a propósito, uma reflexão de humildade transmitida por Rabi Zeira em nome de Rava bar Zimuna sobre o declínio das gerações: se os sábios das gerações anteriores eram como filhos de anjos (em sabedoria e santidade), então os sábios da geração atual são, na melhor das hipóteses, como filhos de homens comuns; e se aqueles sábios anteriores eram já apenas como filhos de homens comuns, então os sábios de hoje seriam como jumentos — mas não como os jumentos excepcionais e quase miraculosamente inteligentes de Rabi Chanina ben Dossa ou de Rabi Pinchas ben Yair (conhecidos por histórias de animais que se recusavam a comer produtos não dizimados), e sim como jumentos comuns, sem qualquer virtude especial.
"Este não é filho de homem" — mas sim um anjo. "Assim é um filho de homem" — um homem completo em tudo. "O jumento de Rabi Pinchas" — explicado (no tratado Chulin, capítulo) HaKol Shochatin (Chulin 7a), e o de Rabi Chanina, no tratado Ta'anit (24a).
"E odres de vinho e de azeite" (que se pode atar) — é óbvio! Não é necessário (dizer isso), exceto quando ele tem duas orelhas (duas bocas). Poderias pensar: uma delas ele anula (deixando-a permanentemente atada) — por isso nos ensina (que não é assim).
A Guemará retoma a lista de itens da Mishná do capítulo (Ve'elu Kesharim) que ainda não haviam sido explicados, voltando ao tema dos nós permitidos de antemão. Questiona por que seria necessário ensinar que se pode atar o nó de odres de vinho ou de azeite, já que esses nós são obviamente desatados e reatados a cada uso, para retirar o conteúdo. A resposta: o caso relevante é o de um odre com duas bocas (duas orelhas ou bicos), onde se poderia supor que o dono deixaria uma delas permanentemente fechada e atada, usando apenas a outra para retirar o líquido — o que tornaria essa boca um nó permanente, proibido. A Mishná ensina que isso não ocorre, e ambas permanecem permitidas.
"Duas orelhas" — bocas que se dobram para dentro dele, e por uma delas se pode tirar o vinho. "Poderias pensar que ele o anula" — o nó que está sobre sua boca, e tira o que está dentro por meio do cordão (shelacha).
"Uma panela de carne" (que se pode atar) — é óbvio! Não é necessário, exceto quando ela tem um cordão. Poderias pensar que ele anula (o nó) — por isso nos ensina (que não é assim).
Do mesmo modo, a Guemará questiona por que seria necessário ensinar que se pode atar o pano que cobre uma panela de carne, já que esse nó também é obviamente desatado a cada refeição. A resposta: o caso relevante é o de uma panela que tem um cordão (shelacha) pelo qual se pode abrir uma aba e retirar a comida sem desatar o nó principal. Poderia-se pensar que, havendo essa alternativa, o dono anularia o nó principal, tratando-o como permanente, já que raramente precisaria desatá-lo. A Mishná ensina que isso não ocorre, e o nó permanece plenamente permitido.
"Shelacha" — em francês antigo (la'az), termo para o cordão ou laço com que se abre a aba do pano que cobre a panela.
"Rabi Eliezer ben Yaakov diz: ata-a" etc. (uma corda diante de um animal, para que não saia) — é óbvio? Não é necessário, exceto quando ela (a entrada) tem duas cordas. Poderias pensar...
A Guemará passa ao último item ainda pendente da lista da Mishná: a opinião de Rabi Eliezer ben Yaakov, segundo a qual se pode atar uma corda diante de uma entrada, para impedir que um animal saia. Também aqui a Guemará pergunta por que isso não seria óbvio, já que a corda é claramente temporária. A resposta começa a se formar: o caso relevante é o de uma entrada que tem duas cordas — situação em que se poderia pensar (dizer) algo específico sobre por que uma delas poderia ser considerada permanente. O daf termina interrompido exatamente nesse ponto, nas palavras "poderias pensar" (מַהוּ דְּתֵימָא), sem que se saiba qual seria a suposição a ser refutada, nem a conclusão da explicação; a continuação é o início de Shabat 113a, ainda não publicado.
"Duas cordas" — ata duas cordas ao longo da largura da entrada, uma acima da outra; outra versão: "duas cordas" que se atam hoje nos dois lados da entrada, e (a corda) não estava pendurada ali desde ontem.