O daf abre completando a Mishná interrompida ao fim de 51a: quem isolou e cobriu a panela com material que não pode ser movido em Shabat — ou isolou com material que pode ser movido, mas cobriu com material que não pode —, se nenhuma parte da panela ficou descoberta, não pode tirá-la nem devolvê-la, pois não há por onde segurá-la sem tocar no material proibido. Segue-se uma baraita de Rabi Yehudá, que restringe uma das opções da Mishná anterior (4:1): a estopa fina de linho, embora ali listada entre os materiais aptos para isolar, na verdade se equipara a esterco — pois, sendo tão fina, ela também acrescenta calor, e por isso não se pode isolar nela nem mesmo antes de escurecer. Uma nova baraita trata do empilhamento de vasilhas: pode-se colocar chaleira sobre chaleira e panela sobre panela, pois o utensílio de baixo não aquece o de cima, mas não panela sobre chaleira nem chaleira sobre panela, pois aí há receio de que o utensílio superior se aqueça a mais; e pode-se vedar a boca da panela com massa, não para aquecer, mas para que o calor se conserve. Vem então a baraita-fonte da disputa já citada em 51a: assim como não se isola o quente, também não se isola o frio — mas Rebbi permitiu isolar o frio; e o daf fecha essa sugya com a proibição de socar neve ou granizo em Shabat para que a água escorra, por se assemelhar à criação de uma entidade nova, embora seja permitido colocar a neve ou o granizo dentro de um copo ou de uma tigela e deixá-los derreter por si mesmos, sem se preocupar. Com essas linhas, encerra-se toda a sugya de Hatmaná e, com ela, o Perek Dalet inteiro, Bameh Tomnin ("Com que se isola"), que se abrira em 47b com a Mishná dos materiais aptos e inaptos para conservar o calor da comida; o texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach Bameh Tomnin" ("Retornaremos a você, Bameh Tomnin"). Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do Perek Heh, Bameh Behemah ("Com que o animal sai"): com que o animal pode sair em Shabat e com que não pode sair — o camelo sai com cabresto, a camela com argola no focinho, o jumento líbio com focinheira de ferro, e o cavalo com coleira; e todos os animais que costumam usar coleira podem sair com ela e ser puxados por ela; e, se essas coleiras se tornarem impuras, aspergem-se sobre elas as águas de purificação e imergem-nas no próprio lugar em que estão, sem necessidade de removê-las do animal. A Guemará começa esclarecendo os termos obscuros da Mishná: Rabá bar bar Chana explica que a "camela com argola" é uma camela branca com uma argola de ferro no focinho, e Rav Huna explica que o "jumento líbio com focinheira" é um jumento vindo da Líbia, preso por uma armação de ferro na cabeça e na queixada. A menção do jumento líbio traz à memória o episódio de Levi, que enviou dinheiro à região de Bei Chozai para comprar para si um desses jumentos de reputada qualidade superior; os moradores de lá amarraram o dinheiro e o devolveram, enviando-lhe em vez disso cevada, para lhe dizer que o desempenho de um jumento depende da cevada que come — bastava alimentar melhor seu próprio animal, sem necessidade de importar um jumento exótico. Rav Yehudá, em nome de Shmuel, relata que os alunos, diante de Rebbi, trocaram os elementos da Mishná e perguntaram: e se as amarras fossem trocadas entre os animais — a camela poderia sair com cabresto, ou o camelo com argola? A Guemará esclarece que a camela com cabresto não é uma verdadeira dúvida, pois o cabresto não a prende o bastante, sendo considerado carga; a dúvida real é sobre o camelo com argola: já que o cabresto lhe basta, seria a argola uma segurança excessiva e, portanto, carga proibida — ou será que segurança excessiva nunca se considera carga? Rabi Yishmael ben Rabi Yosei relata, em nome de seu falecido pai, Rabi Yosei, que quatro animais saem com cabresto — o cavalo, a mula, o camelo e o jumento —, e a Guemará debate se essa lista vem excluir o camelo com argola ou apenas a camela com cabresto, concluindo pela segunda opção. Uma baraita ensina que o jumento líbio e o camelo saem com cabresto — afirmação paralela a uma disputa tannaítica sobre o animal selvagem e a coleira: o primeiro tanna proíbe, e Chananya permite, com qualquer coisa que o prenda bem. A Guemará identifica que a diferença prática real entre essas duas posições está no gato — pequeno o bastante para ser preso por uma simples corda, de modo que uma coleira já seria segurança excessiva —, e conclui que a halachá segue Chananya: segurança excessiva não é considerada carga. O daf se fecha com o episódio de Levi, filho de Rav Huna bar Chiya, e Rabá filho de Rav Huna, que caminhavam juntos por uma estrada; o jumento de Levi, por conta própria, ultrapassou o de Rabá filho de Rav Huna, que se sentiu ofendido, pensando que Levi o fizera por se considerar o maior sábio; Levi então decidiu dizer-lhe algo para que… — e a citação, interrompida no meio dessa frase, prossegue em 52a.
…não se tira e não se devolve.
Aqui se completa a Mishná sobre isolar e cobrir a panela, interrompida ao fim de 51a no meio da frase "וְאִם לָאו" ("e se não"). Quando tanto o isolamento quanto a cobertura são de material que não pode ser movido em Shabat — ou quando apenas a cobertura não pode, mesmo que o isolamento por baixo possa —, e nenhuma parte da panela ficou visível e descoberta, a pessoa não pode tirá-la nem devolvê-la, pois não tem por onde segurá-la sem tocar no material que não pode ser movido, que se tornou muktzê ao servir de base para o isolamento.
Rabi Yehudá diz: a estopa fina de linho (mencionada entre os materiais aptos para isolar na Mishná anterior, 4:1) é como esterco.
Rabi Yehudá restringe a permissão da Mishná anterior (4:1), que incluíra a estopa fina de linho entre os materiais em que se pode isolar a panela mesmo antes de escurecer. Ele ensina que, sendo tão fina, essa estopa na verdade acrescenta calor, tal como o esterco — e, por isso, não se pode isolar nela em nenhum momento, nem mesmo antes de escurecer, ao contrário da estopa grossa, que não acrescenta calor e é permitida.
"É como esterco" — pois acrescenta calor, e não se isola nela mesmo ainda de dia.
Colocam-se chaleira sobre chaleira e panela sobre panela, mas não panela sobre chaleira, nem chaleira sobre panela. E veda-se sua boca com massa — não para que se aqueçam, mas para que se conservem (quentes).
Uma baraita trata do empilhamento de vasilhas quentes em Shabat: é permitido colocar uma chaleira de cobre sobre outra chaleira de cobre, ou uma panela de barro sobre outra panela de barro, pois o utensílio de baixo não faz o de cima esquentar mais do que já estava. Mas não se pode misturar os materiais — panela sobre chaleira, ou chaleira sobre panela —, pois nesse caso há receio de que o utensílio superior, frio, se aqueça por contato com o inferior, quente, o que equivaleria a um novo aquecimento proibido. E pode-se vedar a boca da panela com massa de pão, desde que a intenção não seja fazer a massa (ou o conteúdo) esquentar mais, mas apenas conservar o calor que já existe, sem deixá-lo escapar.
"Chaleira" — de cobre.
"Panela" — de barro. Há versões que trazem "mas não chaleira sobre panela", explicando o motivo como sendo que a panela aumenta o calor e acrescenta calor à chaleira; mas na Tosefta lemos "e chaleira sobre panela" (como está impresso aqui).
"E veda sua boca com massa" — amassada ainda de dia; todas essas ações também se realizam em Shabat.
"Não para que se aqueçam" — que o de cima esteja frio e o coloquem para que se aqueça com o calor do de baixo.
"Mas para que se conservem" — que ambos já estavam quentes, e colocaram um sobre o outro para que seu calor se conserve.
E assim como não se isola o quente (depois de escurecer), também não se isola o frio. Rebbi permitiu isolar o frio.
Esta linha é a baraita-fonte da própria disputa já citada em 51a: ali, Rav Huna, em nome de Rav, havia dito "é proibido isolar o frio", e a Guemará objetara "mas não se ensinou numa baraita que Rebbi permitiu isolar o frio?" — referindo-se exatamente a este texto. Agora a Guemará traz a baraita por extenso, em sua formulação original: a regra geral é que, assim como não se pode começar a isolar o quente depois de escurecer, por temor de mexer nas brasas, também não se pode isolar o frio depois de escurecer, por decreto semelhante; mas Rebbi, ao final, permitiu isolar o frio — como já se narrou em 51a, a partir do momento em que ouviu a tradição de Rabi Yishmael ben Rabi Yosei em nome de seu pai, Rabi Yosei.
E não se soca a neve nem o granizo em Shabat, para que sua água escorra; mas pode-se colocá-los dentro do copo ou dentro da tigela, e não precisa se preocupar.
A baraita fecha esta sugya com uma última regra: é proibido socar ou esmagar deliberadamente neve ou granizo em Shabat com o propósito de extrair sua água, pois esse ato se assemelha à criação de uma entidade nova — transformar gelo sólido em água líquida —, o que constitui uma forma de trabalho proibido. Mas é permitido colocar a neve ou o granizo dentro de um copo de vinho ou de uma tigela, para resfriar a bebida, mesmo sabendo que eles se derreterão por si mesmos com o calor ambiente; como isso ocorre sem ação direta da pessoa, não há problema algum, e não é preciso se preocupar com o derretimento espontâneo.
"E não se soca" — como "merasekin", quebrar em pedaços finos; granizo, em francês antigo, "glace".
"Para que sua água escorra" — porque isso gera algo novo em Shabat, e se assemelha ao trabalho de quem cria essa água.
"Mas pode-se colocar dentro do copo" — de vinho, nos dias quentes, para resfriar; e ainda que se derreta por si mesmo, não precisa se preocupar.
Com a conclusão da baraita sobre não socar neve ou granizo em Shabat, encerra-se toda a sugya de Hatmaná e, com ela, o Perek Dalet inteiro, Bameh Tomnin ("Com que se isola"), que se abrira no daf 47b com a Mishná dos materiais aptos e inaptos para conservar o calor da comida, e que atravessou, ao longo de mais de três folhas, os temas do gefet e do zevel, do empilhamento de chaleiras e panelas, da disputa sobre isolar o frio (com a história de Rebbi e Rabi Yishmael ben Rabi Yosei, e de Rav Nachman e seu servo Daru), e da Mishná sobre tirar e devolver a panela. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach Bameh Tomnin" ("Retornaremos a você, Bameh Tomnin"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.
Mishná: com que o animal pode sair (à rua em Shabat) e com que não pode sair? O camelo sai com afsar (cabresto), e a naka (camela) com chatam (argola no focinho), e o lubdekim (jumento líbio) com prumbiya (focinheira de ferro), e o cavalo com sheir (coleira).
Abre-se o Perek Heh, Bameh Behemah, com uma nova Mishná sobre as leis de transporte aplicadas ao animal: como a pessoa é responsável por dar descanso a seu animal em Shabat, este não pode sair à rua carregando um "fardo" qualquer; mas um objeto destinado a proteger o animal ou a impedir que fuja não é considerado fardo, e por isso o animal pode sair com ele, como se fosse um adorno ou vestimenta. A Mishná lista, para cada tipo de animal, a amarra apropriada e proporcional a suas necessidades reais de contenção: o camelo, dócil, basta-lhe o cabresto simples; a camela (fêmea), mais arisca, precisa de uma argola de ferro no focinho; o jumento líbio, de raça mais forte e cara, precisa de uma focinheira de ferro mais robusta; e o cavalo, uma coleira ao redor do pescoço. Os termos exatos de cada amarra — chatam, prumbiya, sheir — serão esclarecidos na Guemará.
"Mishná: com que o animal sai etc." — pois a pessoa é ordenada quanto ao descanso de seu animal em Shabat; e algo que serve para prender o animal é considerado adorno e costume, não sendo carga; e algo que não serve para prendê-lo é carga.
"Afsar" — (cabresto simples de corda), em francês antigo, "chevêtre".
"Naka" — (camela fêmea), em francês antigo, "dromedaire".
"Com chatam" — explicado na Guemará.
"E o lubdekim com prumbiya" — explicado na Guemará.
"Com sheir" — como uma pulseira ao redor do pescoço, com um anel fixo nela, em que se enfia uma correia ou corda, e puxa-se o animal por ela.
E todos os que costumam usar coleira (animais e cães de caça) saem com coleira em Shabat e podem ser puxados por ela.
A Mishná generaliza a regra do cavalo para qualquer animal — inclusive cães de caça e animais pequenos criados por adorno — que costuma usar coleira ao pescoço: para eles, a coleira é o adorno apropriado e não constitui carga, e por isso podem sair com ela em Shabat e, além disso, ser puxados pela coleira, sem que isso conte como transporte proibido, já que se trata do modo habitual de conduzi-los.
"E todos os donos de coleira" — como cães de caça e animais pequenos, a cujo pescoço se põe coleira por adorno.
"Saem e são puxados" — explicado na Guemará.
E aspergem-se sobre elas (as coleiras, se se tornarem impuras) as águas de purificação, e imergem-nas em seu próprio lugar (sem removê-las do animal).
A Mishná fecha essa unidade tratando da pureza ritual das coleiras: se uma coleira, sendo um utensílio metálico capaz de contrair impureza, se tornar impura, pode-se purificá-la aspergindo sobre ela as águas de purificação (no caso de impureza por contato com um cadáver) ou imergindo-a em um mikvê — e ambos os procedimentos podem ser feitos com a coleira ainda no pescoço do animal, sem necessidade de retirá-la primeiro, bastando imergir o próprio animal na água de modo que a coleira fique completamente coberta.
"E aspergem-se sobre elas em seu lugar" — como estão, no pescoço do animal, caso tenham ficado impuras.
"E imergem-nas em seu lugar" — introduz-se o animal na água, para imergir a coleira.
Guemará: o que é "naka com chatam"? Disse Rabá bar bar Chana: uma camela branca com uma argola de ferro (no focinho). "E o lubdekim com prumbiya" — disse Rav Huna: um jumento líbio com uma armação de ferro (na cabeça e na queixada).
A Guemará esclarece dois termos técnicos que permaneceram obscuros na Mishná. Rabá bar bar Chana explica que "naka" designa uma camela fêmea branca, mais difícil de conter por ser mais propensa a fugir, e que seu "chatam" é uma argola de ferro perfurada no focinho, presa como um anel. Rav Huna explica que "lubdekim" designa um jumento vindo da região da Líbia — de raça reputadamente superior — e que sua "prumbiya" é uma armação de ferro que envolve a cabeça e a queixada do animal, mais robusta que o simples cabresto.
"Branca" — pois é difícil de conter, por costumar fugir.
"Com argola de ferro" — em francês antigo, "musel"; perfura-se seu focinho e introduz-se nele, sendo como uma espécie de anel.
"Jumento líbio" — jumento vindo da região da Líbia, como "os cuchitas e os líbios" de Assa, em Crônicas.
"Com armação de ferro" — como as nossas armações; "pagei", como em "comprou este jumento e o lugar da armação" (Bava Metzia 9); em francês antigo, algo que envolve a cabeça e a queixada.
Levi enviou dinheiro à região de Bei Chozai para comprar para si um jumento líbio. Amarraram (o dinheiro) e lhe enviaram cevada, para lhe dizer que os passos do jumento dependem da cevada.
A menção do jumento líbio traz à memória este episódio: Levi enviou dinheiro a Bei Chozai, região distante, para adquirir um jumento líbio de reputada qualidade superior. Os moradores de lá, em vez de comprarem o animal, amarraram o próprio dinheiro de Levi e o devolveram, enviando-lhe cevada no lugar — uma mensagem simbólica de que o bom desempenho de um jumento não depende de sua origem exótica, mas da qualidade de sua alimentação: bastava a Levi alimentar melhor seu próprio jumento com cevada, e ele andaria tão bem quanto um jumento líbio.
"Amarraram e lhe enviaram cevada" — amarraram seu dinheiro e lhe enviaram cevada dentro do embrulho de seu dinheiro, e não quiseram comprar-lhe um jumento, pois aquele lugar fica longe da Babilônia, a meio ano de caminho, como se diz em "HaGozel" (Bava Kama 112b); e lhe deram o conselho de comprar um jumento em seu próprio lugar e alimentá-lo sempre com cevada, e seu jumento se tornaria tão bom e excelente (quanto um líbio).
"Os passos do jumento são a cevada" — os passos do jumento se medem pela cevada que come.
Disse Rav Yehudá, em nome de Shmuel: trocaram diante de Rebbi (os alunos, ao formular a pergunta): a amarra de um (destes animais, servindo) para o outro, qual é a lei?
Rav Yehudá relata que os alunos, diante de Rebbi, formularam uma pergunta trocando os elementos da Mishná: já que a Mishná designou uma amarra específica para cada animal — cabresto para o camelo, argola para a camela —, o que aconteceria se essas amarras fossem trocadas entre os dois animais? Poderia a camela sair com o simples cabresto do camelo, ou o camelo sair com a robusta argola da camela? A Guemará passa a examinar cada uma dessas duas possibilidades.
"Trocaram" — sua pergunta foi: a camela com cabresto e o camelo com argola, qual é a lei — é carga, e proibido?
A camela com cabresto não é dúvida para ti; já que não é presa o bastante por ele — é carga. Quando é que há dúvida para ti? O camelo com argola, qual é a lei? Já que o cabresto lhe basta — é carga (a argola, sendo excessiva), ou talvez, quanto à segurança excessiva, não digamos que é carga?
A Guemará resolve metade da dúvida de imediato: a camela, sendo mais arisca, não fica suficientemente presa por um simples cabresto — por isso, se saísse com ele, o cabresto seria considerado carga inútil, e isso é claramente proibido, sem dúvida alguma. A verdadeira dúvida está no caso inverso: o camelo, dócil, já se contenta com o simples cabresto; se saísse com a robusta argola de ferro da camela, essa segurança seria excessiva para suas necessidades reais. A questão é se essa segurança a mais, por não ser estritamente necessária, se considera carga proibida, ou se, ao contrário, qualquer medida adicional de segurança para o animal continua sendo considerada parte de seu adorno e cuidado legítimo, e não carga.
Disse diante dele Rabi Yishmael ben Rabi Yosei: assim disse meu pai: quatro animais saem com cabresto — o cavalo, a mula, o camelo e o jumento. Para excluir o quê? Não é para excluir o camelo com argola? Não; é para excluir a camela com cabresto.
Rabi Yishmael ben Rabi Yosei traz uma tradição de seu falecido pai, Rabi Yosei, que parece resolver a dúvida: apenas quatro animais podem sair com cabresto simples — cavalo, mula, camelo e jumento —, uma lista que exclui deliberadamente algum caso. A Guemará propõe, à primeira vista, que essa lista viria excluir o camelo saindo com a argola robusta da camela — o que resolveria a dúvida a favor da proibição —, mas rejeita essa leitura: a lista, na verdade, vem apenas excluir a camela saindo com o simples cabresto do camelo (já estabelecido acima como claramente proibido), e não resolve a dúvida sobre o camelo com argola, que permanece em aberto.
"Não é para excluir o camelo com argola" — e assim se diria: estes quatro animais se prendem com cabresto, e é proibido sair com argola.
"Não; para excluir a camela com cabresto" — pois, já que não é presa o bastante por ele, é carga; mas segurança excessiva, como a argola para o camelo, não é carga.
Numa baraita foi ensinado: o lubdekim e o camelo saem com cabresto. É paralelo a uma disputa tannaítica: o animal selvagem não sai com coleira; Chananya diz: sai com coleira e com qualquer coisa que o prenda.
Uma baraita traz mais um dado a favor de que a segurança excessiva não é considerada carga: tanto o jumento líbio quanto o camelo podem sair com o simples cabresto, sem exigir amarra mais robusta. A Guemará nota que essa questão — se um dispositivo de segurança mais forte do que o estritamente necessário se considera carga proibida — é paralela a uma disputa expressa entre tannaítas quanto ao animal selvagem (não domesticado, mas mantido em cativeiro): o primeiro tanna proíbe que ele saia com uma coleira ao redor do pescoço, e Chananya permite que saia com coleira e, de modo geral, com qualquer objeto que sirva para prendê-lo com segurança, por mais robusto que seja.
"Saem com cabresto" — pois o lubdekim também é preso o bastante por ele.
Esta é a versão correta: "é paralelo a uma disputa tannaítica: o animal selvagem não sai com coleira".
"É paralelo a uma disputa tannaítica" — se segurança excessiva é carga ou não.
"Com coleira" — uma gargantilha de corda, como traduzimos "e o puseram em coleira, com correntes" (Yechezkel 19).
Com que estamos lidando? Se dizes que se trata de um animal selvagem grande — uma coleira lhe basta? E se dizes que se trata de um animal pequeno — uma coleira não lhe basta?
A Guemará questiona os termos exatos da disputa: se o "animal selvagem" da baraita for de grande porte, como um urso, uma simples coleira certamente não bastaria para prendê-lo com segurança — então por que o primeiro tanna a proibiria como carga desnecessária, sendo ela claramente necessária? E se for de pequeno porte, como uma doninha ou um rato, uma coleira certamente bastaria para prendê-lo — então por que Chananya precisaria permitir expressamente algo além da coleira? Em ambos os casos, a disputa parece sem sentido, levando a Guemará a buscar o verdadeiro ponto de discórdia.
"Animal selvagem grande" — como o urso.
"Pequeno" — como a doninha e o rato.
Antes, não é o gato o que há entre eles? O primeiro tanna entende que, já que uma simples corda lhe basta, a coleira é carga; e Chananya entende que toda segurança excessiva não se diz que é carga. Disse Rav Huna bar Chiya, em nome de Shmuel: a halachá é como Chananya.
A Guemará identifica o verdadeiro ponto da disputa: o gato, animal de porte intermediário para o qual uma simples corda pequena já basta para prendê-lo com segurança. O primeiro tanna entende que, sendo a corda suficiente, uma coleira mais robusta seria segurança excessiva e desnecessária, e por isso considerada carga proibida. Chananya, por sua vez, entende que qualquer medida de segurança adicional para o animal, por mais que exceda o estritamente necessário, nunca se considera carga, mas parte legítima de seu cuidado. A Guemará conclui, com Rav Huna bar Chiya em nome de Shmuel, que a halachá segue Chananya: segurança excessiva não é carga — resolvendo, assim, também a dúvida anterior sobre o camelo com argola, a favor da permissão.
"Gato" — não precisa de tanta segurança quanto mesmo um animal pequeno, pois não deseja fugir tanto assim.
"Com uma corda" — uma corda pequena.
"A halachá é como Chananya" — e segurança excessiva não é carga.
Levi, filho de Rav Huna bar Chiya, e Rabá filho de Rav Huna, caminhavam juntos por uma estrada. O jumento de Levi ultrapassou o jumento de Rabá filho de Rav Huna. Rabá filho de Rav Huna sentiu-se ofendido, e disse (para si mesmo): direi a ele algo, para que…
A Guemará, tendo acabado de firmar a halachá segundo Chananya sobre segurança excessiva, narra um novo episódio envolvendo a família de Rav Huna: Levi, filho de Rav Huna bar Chiya, e Rabá, filho de Rav Huna, caminhavam juntos por uma estrada, cada um montado em seu jumento. Por conta própria — sem que Levi o guiasse deliberadamente para isso —, o jumento de Levi ultrapassou o de Rabá filho de Rav Huna. Este, sendo o maior sábio entre os dois, sentiu-se ofendido, supondo que Levi tivesse deixado seu animal passar à frente como gesto de que se considerava superior em erudição. Levi, percebendo o mal-estar, decidiu dizer-lhe algo para desfazer esse mal-entendido — mas a citação é interrompida exatamente no meio dessa frase, com o texto de 51b terminando em "אֵימָא לֵיהּ מִילְּתָא כִּי הֵיכִי" ("direi a ele algo, para que"). Sua continuação e o desfecho do episódio — a pergunta de Levi sobre o jumento arisco e a focinheira, respondida por Rabá filho de Rav Huna com a mesma halachá de Chananya que acaba de ser fixada — aparecem apenas no início de 52a.
"Rabá filho de Rav Huna se sentiu ofendido" — pois era o maior (dos dois em erudição), e supôs que (Levi) o fizera de propósito.