A folha abre com uma pergunta distinta da que fechou 68a: se quem esqueceu o princípio do Shabat depois de tê-lo conhecido é responsável por cada Shabat separadamente, o que se diz de quem conheceu o Shabat e nunca o esqueceu — seria responsável por cada trabalho e trabalho individualmente, já que não há sequer o elemento "esquecimento" para agrupar as transgressões? A Guemará resolve a questão reformulando toda a leitura da mishná: ela não fala de quem "sabe" o princípio do Shabat, mas de quem "conheceu e depois esqueceu" — e, segundo Rav e Shmuel, essa mesma categoria inclui até o bebê capturado entre os gentios e o convertido, que também "contam" como tendo conhecido e esquecido. Rabi Yochanan e Reish Lakish discordam: apenas quem realmente conheceu e esqueceu se enquadra nessa regra; o bebê capturado e o convertido são isentos por completo, sem nenhuma oferenda — posição que atribuem a Monbaz. Uma baraita, porém, parece contradizê-los, ao tratar explicitamente do bebê capturado como caso exemplar da regra que exige uma única oferenda; a Guemará responde que Rabi Yochanan e Reish Lakish adotam a posição minoritária de Monbaz contra os sábios daquela mesma baraita. Em seguida, reproduz-se o debate original entre Monbaz e Rabi Akiva sobre se "pecador" (chotê) aplicado tanto ao transgressor doloso quanto ao inadvertido implica que este também precisa ter tido algum tipo de conhecimento — debate que termina com Rabi Akiva virando o argumento de Monbaz contra ele mesmo. A Guemará então busca a fonte bíblica da posição de Monbaz (a comparação de "torá achat" com a transgressão dolosa) e pergunta o que os sábios, que discordam de Monbaz, fazem desse mesmo versículo — pergunta que fica em aberto, pois a resposta (a leitura de Rabi Yehoshua ben Levi a seu filho) é citada apenas em seu início, sendo concluída já na folha seguinte, 69a.
Mas, se não a esqueceu, o quê — é responsável por cada trabalho e trabalho separadamente? Em vez de ensinar "aquele que sabe que é Shabat, e realiza muitos trabalhos em muitos Shabatot, é responsável por cada trabalho e trabalho", deveria ter ensinado "aquele que conhece o princípio do Shabat" — e, com muito mais razão, isto se aplicaria! Mas, na verdade, a mishná trata do caso em que ele conheceu e depois esqueceu, e também a opinião de Rav e Shmuel é como quem conheceu e depois esqueceu. E assim se transmitiu: Rav e Shmuel, ambos disseram: até mesmo o bebê capturado entre os gentios, e o convertido que se converteu vivendo entre os gentios — é como quem conheceu e depois esqueceu, e é responsável.
68a fechou o caso de quem conheceu o Shabat e depois o esqueceu, responsável por cada Shabat separadamente. Agora se pergunta o caso oposto: quem conheceu o Shabat e jamais o esqueceu — seria responsável por cada trabalho individual, já que nem sequer há um "esquecimento" que agrupe as transgressões sob um único período de inadvertência? A Guemará aplica aqui o mesmo raciocínio usado em 68a: se essa fosse a intenção, a mishná deveria ter formulado diretamente "aquele que sabe que é Shabat", e com muito mais razão a regra se aplicaria a "aquele que conhece o princípio do Shabat" (o caso mais brando de esquecimento intermitente). Como a mishná não formula assim, conclui-se que ela trata apenas do caso de quem conheceu e depois esqueceu — e é a esse caso que se aplica também a opinião de Rav e Shmuel, citada em 68a: eles não pretendiam dizer que o bebê capturado e o convertido são uma categoria à parte, isenta com uma única oferenda por definição; antes, sustentam que esses dois casos são tratados, para efeitos legais, como se tivessem "conhecido e depois esquecido" o Shabat — e por isso são responsáveis (com uma única oferenda, dado o esquecimento contínuo, mas responsáveis).
"Mas se não a esqueceu" — refere-se ao princípio do Shabat, mas se esqueceu que hoje é Shabat, o quê se diz? "É responsável por cada categoria principal de trabalho" — pois, com certeza, se a mishná sustentasse que ele não é responsável senão por uma oferenda para cada Shabat, deveria ter reunido e ensinado assim: "aquele que sabia o princípio do Shabat e o esqueceu"; e do mesmo modo, "aquele que conhece o princípio do Shabat, e realiza muitos trabalhos em muitos Shabatot, é responsável por cada Shabat e Shabat". "Deveria ter ensinado 'aquele que conhece o princípio do Shabat'" — pois então haveria erro quanto ao Shabat e dolo quanto aos muitos trabalhos, e ainda assim seria responsável por cada trabalho, ainda que em cada Shabat não haja senão um único erro; e com muito mais razão se aplicaria isso ao erro quanto aos trabalhos e dolo quanto ao Shabat, onde há muitos erros. "É como quem conheceu e depois esqueceu" — e a mishná precisou mencionar "conheceu e depois esqueceu", para que não se pensasse que tal pessoa é responsável por cada Shabat e Shabat.
Já Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish, ambos disseram: especificamente quem conheceu e depois esqueceu é responsável; mas o bebê capturado entre os gentios e o convertido que se converteu vivendo entre os gentios são isentos. Objeta-se: ensinaram uma grande regra a respeito do Shabat: todo aquele que esquece o princípio do Shabat, e realiza muitos trabalhos em muitos Shabatot, não é responsável senão por uma oferenda. Como assim? O bebê capturado entre os gentios, e o convertido que se converteu entre os gentios, e realizou muitos trabalhos em muitos Shabatot — não é responsável senão por uma única oferenda pelo pecado. E é responsável por comer sangue, uma única oferenda; e por comer gordura proibida, uma única oferenda; e por idolatria, uma única oferenda; mas Monbaz isenta.
Rabi Yochanan e Reish Lakish restringem ainda mais a regra: apenas quem realmente conheceu o Shabat e depois esqueceu é responsável (com uma única oferenda); o bebê capturado e o convertido, que nunca tiveram conhecimento algum, são isentos por completo — nem sequer uma oferenda, pois lhes falta o requisito mínimo de terem alguma vez sabido o que era proibido. A Guemará traz uma baraita que parece contradizê-los: ela lista expressamente o bebê capturado e o convertido como exemplo padrão de quem é responsável por uma única oferenda pelo Shabat — e, por analogia, também por comer sangue, gordura proibida e praticar idolatria, uma única oferenda para cada uma dessas transgressões, apesar da repetição em muitas ocasiões — mas acrescenta que Monbaz os isenta por completo, revelando que a posição da isenção total é a de uma minoria explícita.
"É isento" — pois Rabi Yochanan e Reish Lakish sustentam que quem age pensando que lhe é permitido é como um coagido, e não se enquadra em erro propriamente dito. "E é responsável por comer sangue" — durante toda a sua vida, uma única oferenda; e o mesmo vale para qualquer transgressão sujeita a karet na Torá.
E assim argumentava Monbaz perante Rabi Akiva: uma vez que o transgressor doloso é chamado "pecador", e o transgressor inadvertido é chamado "pecador" — assim como o doloso precisa ter tido conhecimento, também o inadvertido precisa ter tido conhecimento. Disse-lhe Rabi Akiva: eis que acrescento a teus dizeres: se assim é, então, assim como o doloso precisa ter tido o conhecimento no momento do ato, também o inadvertido precisa ter tido conhecimento no momento do ato!
A Guemará traz a fonte do debate por trás da posição de Monbaz. Ele argumentava perante Rabi Akiva a partir de uma analogia verbal (guezerá shavá implícita): tanto o transgressor doloso quanto o inadvertido são chamados, na Torá, de "chotê" (pecador) — por exemplo, a respeito do juramento de testemunho, que fala em "nefesh ki techeta" tanto para o caso doloso quanto para o inadvertido. Já que o termo é o mesmo, Monbaz infere que, assim como o transgressor doloso precisa ter tido conhecimento da proibição (para ser considerado "doloso" e não coagido), também o inadvertido precisa ter tido, em algum momento, conhecimento da proibição — daí sua conclusão de que o bebê capturado e o convertido, que nunca tiveram esse conhecimento, são isentos por completo. Rabi Akiva responde virando o argumento contra o próprio Monbaz: se a comparação com o doloso for levada a sério até esse ponto, dever-se-ia exigir que o conhecimento estivesse presente no próprio momento do ato — o que descaracterizaria por completo a noção de erro (shegagá), pois quem tem conhecimento no momento do ato é, por definição, um transgressor doloso, não inadvertido.
"O doloso é chamado pecador" — pois está escrito, a respeito do juramento de testemunho (Levítico 5:1): "se alguém pecar, e ouvir a voz do juramento", etc., e não está escrito ali "e lhe for oculto". "Eis que acrescento a teus dizeres" — isto é: se assim vieste expor uma analogia verbal, para deduzir o caso inadvertido a partir do doloso, venho eu também acrescentar aos teus dizeres mais um passo, e por ele verás se teus dizeres se sustentam. "Também o inadvertido que teve conhecimento no momento do ato" — torna-o também responsável, nesse caso, por uma oferenda pelo pecado.
Disse-lhe Monbaz: sim, e com muito mais razão o que acrescentaste se aplicaria. Disse-lhe Rabi Akiva: mas então, segundo teus dizeres, isto não se chama inadvertido, mas doloso!
Monbaz, sem perceber a armadilha, aceita o acréscimo de Rabi Akiva como um reforço natural de seu próprio raciocínio: se o inadvertido precisa ter tido conhecimento em algum momento anterior, com muito mais razão precisaria tê-lo no próprio momento do ato. Mas é exatamente aí que Rabi Akiva fecha sua refutação: quem tem conhecimento da proibição no momento em que realiza o ato não é, por definição, um transgressor inadvertido — é um transgressor doloso. Levada a extremo, a lógica de Monbaz destrói a própria categoria de "erro" que ele pretendia definir, reduzindo ao absurdo sua posição.
"Com muito mais razão o que acrescentaste" — aos meus dizeres, e eis que me apoias; e também nesse caso eu digo que ele é responsável — e mais adiante a Guemará explica em que então ele erra.
Ensina-se, de todo modo, "como assim, o bebê..." Isso está bem, segundo Rav e Shmuel; mas, segundo Rabi Yochanan e Rabi Shimon ben Lakish, é difícil! Dir-te-iam Rabi Yochanan e Reish Lakish: acaso não há Monbaz, que isenta? Nós dizemos a lei conforme Monbaz.
A Guemará volta à objeção original: a baraita citada usa expressamente o bebê capturado como o caso exemplar de "quem esquece o princípio do Shabat", responsável por uma única oferenda — o que se ajusta perfeitamente à posição de Rav e Shmuel, para quem o bebê capturado é responsável (por analogia a quem conheceu e esqueceu). Mas contradiz Rabi Yochanan e Reish Lakish, que o isentam por completo. A resposta é que Rabi Yochanan e Reish Lakish não seguem a maioria anônima daquela baraita, mas sim a posição explícita e minoritária de Monbaz, citada no final da própria baraita — encerrando essa contradição sem forçar uma reinterpretação do texto.
"Ensina-se, de todo modo" — na primeira cláusula, que o bebê capturado entre os não judeus é responsável. "Isso está bem, segundo Rav e Shmuel" — pois eles também consideram tal pessoa responsável, e é possível estabelecer que o mesmo vale para "conheceu e depois esqueceu", como a mishná; e a baraita, que ensina especificamente o bebê capturado, é necessária, ela mesma, para nos ensinar a controvérsia entre Monbaz e os sábios.
Qual é a razão de Monbaz? Pois está escrito: "uma só torá haverá para vós, para quem age por erro" — e, logo em seguida, "e a pessoa que agir com mão altiva" — o versículo comparou o inadvertido ao doloso. Assim como o doloso precisa ter tido conhecimento, também o inadvertido precisa ter tido conhecimento.
A Guemará busca a fonte bíblica da posição de Monbaz: o versículo fala em "uma só torá" (mesma lei) para quem age por erro, e imediatamente a seguir menciona quem age "com mão altiva" (o transgressor doloso, ver Números 15:29-30) — a justaposição serve de comparação (hekesh), igualando as condições de um e outro. Já que o transgressor doloso precisa ter tido conhecimento da proibição para ser considerado como tal, o mesmo se exige do transgressor inadvertido: também ele precisa ter tido, em algum momento, conhecimento da proibição — daí a isenção de Monbaz para o bebê capturado e o convertido, que nunca a tiveram.
"Qual é a razão de Monbaz" — pois certamente ele não se apoia numa construção lógica (binyan av) para tornar o inadvertido semelhante ao doloso, já que este inadvertido é o oposto do doloso, e não há como igualá-los, sendo este responsável e aquele isento; por isso, Monbaz apoia-se num versículo. "Comparou o inadvertido" — quanto à oferenda pelo pecado, ao doloso, quanto ao karet; e, ainda que não se assemelhem, o versículo os comparou de todo modo.
E os sábios, este versículo "uma só torá", o que fazem dele? É-lhes necessário para o que Rabi Yehoshua ben Levi lia a seu filho: "uma só torá haverá para vós, para quem age por erro" — e está escrito:
Se os sábios (que discordam de Monbaz) não leem "torá achat" como uma comparação entre o inadvertido e o doloso quanto à exigência de conhecimento prévio, o que fazem desse mesmo versículo? A Guemará começa a responder citando o costume de Rabi Yehoshua ben Levi de ler o versículo a seu filho, unindo-o ao versículo seguinte — mas a citação da continuação bíblica, e a explicação completa de para que serve "torá achat" segundo os sábios, é interrompida no meio, retomando apenas na abertura de Shabat 69a: ali se explica que os sábios usam a justaposição para comparar, por meio de uma analogia (hekesh) com a idolatria, todas as transgressões da Torá — de modo que a oferenda pelo pecado só se aplica onde o ato doloso é punido com karet.
"E os sábios" — essa mesma comparação lhes é necessária para o que segue, conforme a leitura de Rabi Yehoshua ben Levi. "Uma só torá haverá para vós" — está escrito a respeito da oferenda pela idolatria, na seção "Shelach Lechá Anashim" (Números 15).