Shabbat 138b abre concluindo o ensinamento de Shmuel, em nome de Rabi Chiya, que ficara interrompido ao final de 138a: o dossel dos noivos pode ser estendido e desmontado no Shabat, pois, ao contrário dos demais dosséis, seu teto não tem a largura de um palmo, e por isso não constitui uma tenda. Rav Sheshet, filho de Rav Idi, refina essa regra com quatro qualificações técnicas — sobre a largura do teto, a distância de um palmo até ele, a inclinação lateral e a altura em relação à cama — e aplica um raciocínio semelhante ao siyaná, um chapéu de feltro: permitido quando não há nele um palmo de aba saliente sobre a cabeça, proibido quando há. Uma objeção — se assim, também quem deixasse a própria capa saliente por um palmo sobre a cabeça seria responsável? — é resolvida distinguindo-se entre a capa bem ajustada à cabeça, que é permitida, e a solta, que é proibida, pois o receio ali não é de "construir uma tenda", mas de que o vento a leve e alguém a carregue por engano no domínio público. Rami bar Yechezkel então envia uma mensagem a Rav Huna, pedindo que lhe repita três ensinamentos que este costumava transmitir em nome de Rav — dois sobre o Shabat e um sobre a Torá. Os dois primeiros tratam ainda de tendas temporárias: o cortinado já preso a seus ganchos, que Rav permite estender no Shabat quando duas pessoas o fazem juntas, mas proíbe quando o faz uma só (Abaye acrescenta que o dossel comum permanece proibido mesmo com dez pessoas, pois é impossível não esticá-lo além do necessário); e o fogão do qual se soltou uma perna, que uma baraita permite mover quando apenas uma se soltou, mas Rav proíbe, por decreto, mesmo nesse caso, temendo que se fixe a perna com força excessiva. O terceiro ensinamento, sobre a Torá, é bem mais grave: Rav ensina, a partir de um versículo de Devarim lido à luz de outro em Yeshayahu, que a Torá está destinada a ser esquecida por Israel — o que introduz a célebre baraita de quando os sábios entraram no "vinhedo" (a academia) em Iavne e citaram o profeta Amós sobre uma fome futura, não de pão nem de água, mas de ouvir as palavras do Eterno, um povo vagando de mar a mar sem encontrá-las. A guemará interpreta essa "palavra do Eterno" como halachá, o fim dos tempos e profecia, e ilustra o sentido da busca vã com a imagem de uma mulher que percorrerá sinagogas e casas de estudo carregando um pão de teruma, sem que ninguém saiba responder-lhe — não se é puro ou impuro (o que está explícito na Torá escrita), mas se sua impureza é de primeiro ou de segundo grau. Uma objeção — que essa mesma dúvida já constaria, sem necessidade de profecia, numa mishná sobre o réptil morto encontrado dentro de um forno, tornando o pão ali contido impuro de segundo grau, pois o forno é impuro de primeiro — leva à pergunta de Rav Ada bar Ahavá a Rabá: por que não considerar o forno inteiramente preenchido pela impureza do réptil caído em seu ar interno, tornando o próprio pão impuro de primeiro grau? Rabá responde citando uma baraita que limita, por dedução escriturística, a contaminação pelo ar de um utensílio de barro apenas aos alimentos e bebidas nele contidos, nunca a outros utensílios. O daf termina no meio de uma nova baraita, de Rabi Shimon bar Yochai, que nega, com base em Devarim 31:21, que a Torá venha a ser totalmente esquecida, e começa a reinterpretar o versículo de Amós num sentido mais brando — mas o texto é interrompido exatamente nesse ponto, prosseguindo em Shabat 139a, ainda não publicado. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.
"E disse Shmuel, em nome de Rabi Chiya" (retomando a frase interrompida ao final de 138a): o dossel dos noivos é permitido estendê-lo, e é permitido desmontá-lo no Shabat.
"O dossel dos noivos" — não se assemelha aos demais dosséis; pois os demais dosséis são estendidos sobre a armação de quatro pernas, e têm teto, o que constitui uma tenda; mas o dos noivos fica sobre dois suportes apenas, no meio da cama, com uma vara colocada sobre eles e o pano posto sobre a vara, caindo para um lado e para outro, sem que seu teto tenha a largura de um palmo — por isso não é uma tenda.
O daf abre completando o ensinamento que ficara suspenso ao final de 138a. A permissão do dossel nupcial se explica por sua estrutura peculiar: diferentemente dos demais dosséis, apoiados sobre quatro pernas e com um teto plano, o dossel dos noivos se sustenta apenas sobre dois suportes centrais, com o pano caindo obliquamente para os lados — de modo que seu teto, no sentido técnico exigido para constituir uma tenda proibida, nunca chega à largura mínima de um palmo.
Disse Rav Sheshet, filho de Rav Idi: não dissemos essa permissão senão quando seu teto não tem a largura de um palmo; mas, se seu teto tem um palmo, é proibido. E, mesmo quando seu teto não tem um palmo, também não dissemos isso senão quando, a menos de três dedos de distância do teto, não há um palmo de largura; mas, se a menos de três dedos do teto já há um palmo, é proibido. E não dissemos isso senão quando sua inclinação lateral não chega a um palmo; mas, se sua inclinação chega a um palmo, as inclinações das tendas equivalem às próprias tendas. E não dissemos isso senão quando o pano não desce um palmo abaixo da cama; mas, se desce um palmo abaixo da cama, é proibido.
"A menos de três dedos" — pois a inclinação do pano vai se alargando à medida que desce.
"E não dissemos isso senão quando sua inclinação lateral não chega a um palmo" — isto é, quando cada lado, ao descer, não se afasta um palmo do centro — ou seja, quando sua largura, embaixo, não chega a dois palmos; e o dossel dos noivos não é feito para se dormir debaixo dele.
"Mas, se desce um palmo abaixo da cama" — esse palmo passa a servir de parede à tenda, e a própria cama se torna seu teto.
Rav Sheshet, filho de Rav Idi, adiciona quatro precisões técnicas ao princípio geral: a permissão do dossel nupcial vale apenas dentro de limites estritos de largura, distância, inclinação e altura — bastando ultrapassar um palmo em qualquer dessas medidas para que o dossel deixe de ser uma exceção e passe a constituir uma tenda proibida como qualquer outra.
E disse Rav Sheshet, filho de Rav Idi: este siyaná (um chapéu de feltro) é permitido. Mas não foi ensinado, em outro lugar: "o siyaná é proibido"?! Não há dificuldade: este caso, em que há nele um palmo de aba saliente, é proibido; aquele caso, em que não há nele um palmo, é permitido.
"Siyaná" — um chapéu de feltro (glosa de Rashi em francês antigo).
"É proibido" — sair com ele no Shabat; e adiante isso será explicado.
"O caso em que há nele um palmo" — isto é, quando ele se estende, além da cabeça, por um palmo, é proibido, por constituir uma tenda.
Rav Sheshet aplica ao siyaná — um chapéu de feltro — a mesma lógica do palmo já usada para o dossel nupcial: um chapéu comum, ajustado à cabeça, é permitido; mas, se possui uma aba que se projeta um palmo além da cabeça, essa aba passa a formar, tecnicamente, um teto, tornando o próprio chapéu uma tenda proibida no Shabat.
Mas então, se alguém deixou a capa saliente por um palmo sobre a cabeça, também seria, do mesmo modo, responsável? Antes, não há dificuldade: este caso é quando a capa está bem ajustada à cabeça; aquele caso é quando não está ajustada.
"Mas então, se deixou a capa saliente por um palmo" — colocou seu manto sobre a cabeça, do modo como costuma envolver-se nele, e o afastou, além da cabeça, por um palmo.
"Antes" — o motivo da proibição do siyaná não é por constituir uma tenda, mas para que o vento não o levante da cabeça, levando-o a carregá-lo, por engano, quatro côvados no domínio público; por isso, se está bem ajustado à cabeça, é permitido; se não está ajustado, é proibido.
A guemará testa o limite da regra do palmo com um caso análogo — a capa deixada saliente sobre a cabeça — e descobre que ali o motivo é outro: não se trata de evitar a construção de uma tenda, mas de evitar que o vento a leve, fazendo com que o usuário a carregue inadvertidamente pelo domínio público. Por isso, a distinção relevante nesse caso não é a largura da aba, mas se a peça está firmemente ajustada à cabeça ou solta.
Rami bar Yechezkel enviou uma mensagem a Rav Huna: dize-nos, por favor, aquelas boas palavras que nos disseste em nome de Rav — duas sobre o Shabat e uma sobre a Torá.
"Duas sobre o Shabat e uma sobre a Torá" — pois Rav Huna costumava dizer dois ensinamentos em nome dele sobre as leis do Shabat, e um sobre a Torá, como se segue adiante.
Rami bar Yechezkel pede a Rav Huna que lhe relembre três ensinamentos específicos, transmitidos em nome de Rav — dois de ordem prática, sobre o Shabat, e um terceiro, de natureza bem diversa, sobre o destino da Torá. Os três serão respondidos em sequência nos ensinamentos seguintes.
Enviou-lhe Rav Huna, em resposta: quanto àquilo que foi ensinado — "o cortinado preso sobre seus ganchos é permitido estendê-lo no Shabat" —, disse Rav: isso só foi ensinado quando o estendem duas pessoas; mas, quando o estende uma só pessoa, é proibido.
"O cortinado sobre seus ganchos" — isto é, o cortinado já preso com suas correias, colocado em seu lugar fixo.
"É permitido estendê-lo no Shabat" — e aquilo que dissemos acima, "isento, mas proibido", refere-se a quando o cortinado ainda não está preparado em seus ganchos.
"Com duas pessoas" — o cortinado não se estica bem de uma vez, exigindo esforço demorado.
"Com uma só pessoa" — o cortinado se estica bem, pois ele o estica sobre esta estaca e o amarra nela, e depois volta a esticá-lo sobre aquela e o amarra nela — assim explicaram meus mestres, e assim também encontrei num responsum dos Gueonim, mas não sei ao certo o que essa distinção significa.
O primeiro dos ensinamentos que Rami bar Yechezkel pedira trata de um cortinado já fixado a seus ganchos, permanentemente preparado em seu lugar: estendê-lo no Shabat é permitido, mas apenas quando duas pessoas o fazem em conjunto — de modo mais rápido e menos assemelhado ao esforço de "construir" — e proibido quando o faz uma pessoa sozinha, ainda que, como observa Rashi, o motivo exato dessa distinção não fosse totalmente claro nem para os próprios comentaristas medievais.
Disse Abaye: mas o dossel comum, ao contrário do cortinado, mesmo estendido por dez pessoas, é proibido, pois é impossível que não se estique um pouco mais, no processo, além do que já estava preparado.
Abaye distingue o dossel comum do cortinado sobre ganchos: por mais pessoas que participem de sua montagem, um dossel novo sempre exige que se estique algum trecho de pano além do que já estava fixo — um mínimo de "construção" que, por si só, basta para tornar proibido o ato, independentemente de quantas mãos o realizem.
O outro ensinamento sobre o Shabat, qual é? Como foi ensinado: um fogão do qual se soltou uma de suas pernas — é permitido movê-lo no Shabat. Se se soltaram duas, é proibido. Rav disse: mesmo se se soltou apenas uma, também é proibido, por decreto, para que não a fixe de volta, com força.
"O outro" — ensinamento sobre o Shabat, qual é.
"De suas pernas" — os suportes do fogão, semelhantes a pernas.
"Para que não a fixe" — pois, ao recolocar a perna, poderia fixá-la com força, constituindo o trabalho de construir; mas o primeiro tanná, da baraita, quando apenas uma perna se soltou, não teme que ele a fixe com tanta força.
O segundo ensinamento sobre o Shabat trata de um fogão portátil que perdeu parte de sua sustentação: a baraita distingue entre uma perna solta, cuja recolocação é permitida, e duas, que já tornam o fogão proibido de mover — mas Rav é mais restritivo, proibindo mesmo o caso de uma única perna solta, por temer que, ao recolocá-la, a pessoa a fixe com força excessiva, praticando, sem perceber, o trabalho de construir.
Quanto à Torá — o terceiro ensinamento: disse Rav: a Torá está destinada a ser esquecida por Israel, como está dito: "e o Eterno fará maravilhosas as tuas pragas" (Devarim 28:59) — essa "maravilha" eu não sei o que é. Quando o versículo diz: "portanto, eis que continuarei a maravilhar este povo, maravilha sobre maravilha" (Yeshayahu 29:14) — deves dizer: essa "maravilha" é a Torá.
"Maravilha sobre maravilha" — o final desse mesmo versículo continua: "e perecerá a sabedoria dos seus sábios" (Yeshayahu 29:14).
O terceiro ensinamento, sobre a Torá, é de natureza inteiramente diferente dos dois anteriores: Rav prevê que a Torá será esquecida por Israel, apoiando-se numa leitura conjunta de dois versículos — um em Devarim, que fala de uma "maravilha" nas pragas futuras sem especificar do que se trata, e outro em Yeshayahu, que usa a mesma raiz para descrever o desaparecimento da sabedoria dos sábios. Essa afirmação abre o longo excurso agádico que ocupa o restante do daf.
Ensinaram os sábios: quando nossos mestres entraram no "vinhedo" (a academia) em Iavne, disseram: a Torá está destinada a ser esquecida por Israel, como está dito: "eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Eterno" (Amós 8:11); e está escrito: "e vagarão de mar a mar, e do norte até o oriente correrão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão" (Amós 8:12).
"No vinhedo" — assim chamado porque os sábios se sentavam em fileiras, como as vinhas de um vinhedo.
A guemará traz uma baraita independente que corrobora o ensinamento de Rav: reunidos na academia de Iavne — apelidada de "vinhedo" por sua disposição em fileiras —, os sábios já haviam chegado à mesma conclusão, apoiando-se num par de versículos do profeta Amós que descrevem uma fome futura não de alimento físico, mas da própria palavra do Eterno, tão severa que o povo vagaria de um extremo a outro da terra sem conseguir encontrá-la.
"A palavra do Eterno" — isto é a halachá; "a palavra do Eterno" — isto é o fim dos tempos, a data da redenção; "a palavra do Eterno" — isto é a profecia.
"Isto é a halachá" — como está escrito: "[para vos anunciar] a palavra do Eterno" (Devarim 5:5), isto é, a Torá.
"Isto é a profecia" — como está escrito: "a palavra do Eterno que veio a Hoshea..." (Hoshea 1:1).
"Isto é o fim" — não sei de onde se extrai essa associação.
A guemará explora a expressão "palavra do Eterno" do versículo de Amós, propondo três sentidos possíveis para o que seria esquecido: a halachá — o corpo prático da lei —, o momento previsto para a redenção final, e a própria profecia, como dom de comunicação direta com o Divino. Rashi confirma fontes escriturísticas para as duas primeiras associações, mas admite desconhecer a origem exata da terceira.
E o que significa "correrão buscando a palavra do Eterno"? Disseram: está destinada uma mulher a tomar um pão de teruma (oferenda sacerdotal) e a percorrer as sinagogas e as casas de estudo, para saber se ele é impuro ou se é puro, e ninguém entenderá para lhe responder.
A guemará concretiza a profecia de Amós com uma imagem vívida: no futuro, o conhecimento da Torá terá decaído a tal ponto que uma mulher, com uma dúvida prática e cotidiana sobre a pureza ritual de um pão sacerdotal, não encontrará em lugar algum — nem nas sinagogas, nem nas casas de estudo — quem saiba lhe responder.
Mas, se é pura ou se é impura, está escrito explicitamente: "de toda comida que se come" (Vayikra 11:34)! Antes, o sentido é: para saber se sua impureza é de primeiro grau ou de segundo grau, e ninguém entenderá.
"Está escrito explicitamente" — e a Torá escrita está ali, disponível; que a leiam e vejam.
A guemará refina a imagem anterior: se a dúvida da mulher fosse simplesmente saber se o pão é puro ou impuro, bastaria consultar o texto explícito da Torá escrita, sempre disponível. A verdadeira lacuna de conhecimento, portanto, não está na regra básica, mas numa aplicação mais fina dela — saber classificar o grau exato da impureza, de primeiro ou de segundo grau —, um conhecimento que depende da tradição oral e da capacidade analítica dos sábios, e não apenas da leitura do versículo.
Mas isso também é ensinado explicitamente numa mishná? Como aprendemos: "o réptil morto que foi encontrado dentro do forno — o pão que está dentro dele é impuro de segundo grau, pois o forno é impuro de primeiro grau."
"Pois o forno é de primeiro grau" — porque se contaminou pelo ar interno, como está escrito: "em seu interior" (Vayikra 11:33), e ele, por sua vez, contamina os alimentos que estão dentro dele, através desse mesmo ar.
A guemará objeta que a regra sobre o grau de impureza também já está registrada de forma explícita — não apenas na Torá escrita, mas numa mishná —, que trata precisamente do caso de um réptil morto encontrado dentro de um forno: o próprio forno se torna impuro de primeiro grau, por contaminação através do ar, e o pão que está em seu interior, impuro apenas de segundo grau.
Ficaram em dúvida os sábios, quanto ao que Rav Ada bar Ahavá disse a Rabá: consideremos este forno como se estivesse cheio de impureza de ponta a ponta, e que o pão que está dentro dele seja impuro de primeiro grau!
"Como se estivesse cheio de impureza" — quando o réptil caiu no ar interno do forno, pois ele contamina mesmo sem contato direto; por isso, é como se o forno inteiro estivesse cheio de impureza, e o pão deveria ser impuro de primeiro grau.
Rav Ada bar Ahavá formula, a Rabá, exatamente a mesma dificuldade prática que a mulher da profecia enfrentaria: por que o pão dentro do forno recebe apenas o segundo grau de impureza, e não o primeiro? Afinal, o réptil contamina o ar inteiro do forno por presença, sem necessidade de contato — logo, poder-se-ia argumentar que o próprio forno está inteiramente "cheio" de impureza, e o pão, tocando essa impureza plena, deveria ser tão impuro quanto o forno mesmo.
Disse-lhe Rabá: não dizemos "consideremos este forno como se estivesse cheio de impureza". Pois foi ensinado: poder-se-ia pensar que todos os utensílios se contaminam pelo ar de um utensílio de barro; por isso o texto ensina: "tudo o que está em seu interior se contaminará" (Vayikra 11:33), e logo em seguida, "de toda comida que se come" (Vayikra 11:34) — os alimentos se contaminam pelo ar de um utensílio de barro, mas os utensílios não se contaminam pelo ar de um utensílio de barro.
"Não é de se pensar" — que o forno seja considerado como cheio de impureza.
"Pois foi ensinado: poder-se-ia pensar que todos os utensílios se contaminam pelo ar de um utensílio de barro" — isto é, se houvesse outro utensílio dentro do forno, que se contaminasse por causa do réptil que está no ar do utensílio externo, ou porque o próprio ar do utensílio externo, já impuro, o contaminasse.
"Por isso o texto ensina: tudo o que está em seu interior se contaminará" — e, logo em seguida, "de toda comida que se come": os alimentos e as bebidas que estão dentro dele ficam impuros, mas não os utensílios; daí se aprendem duas coisas — primeiro, que não dizemos "consideremo-lo cheio de impureza", pois, se assim fosse, mesmo um utensílio suscetível a impureza por contato externo, se estivesse dentro do forno, ficaria impuro, por ter tocado a impureza; mas isso não se diz — apenas os alimentos e as bebidas dentro do utensílio externo se contaminam por causa dele, pois o utensílio é de primeiro grau e eles, de segundo, mas os utensílios não, pois, sendo essa impureza proveniente unicamente do utensílio, este versículo nos ensina que nenhum utensílio, salvo a própria fonte primária de impureza, contamina outro utensílio.
Rabá resolve a dificuldade apontando uma dedução escriturística precisa: o mesmo par de versículos que ensina a contaminação pelo ar de um utensílio de barro também restringe seu alcance — apenas alimentos e bebidas contidos no interior são afetados, nunca outros utensílios. Por isso o forno, ainda que "cheio" de impureza no sentido de que qualquer alimento em seu interior a recebe, não transmite ao pão o mesmo grau de impureza que ele próprio possui — o pão permanece de segundo grau, e o forno, de primeiro.
Foi ensinado: Rabi Shimon bar Yochai diz: longe esteja que a Torá venha a ser esquecida por Israel, como está dito: "pois não será esquecida da boca de sua descendência" (Devarim 31:21). Mas, então, como cumpro o versículo "e vagarão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão"? Isso significa que não encontrarão [o ensinamento é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 139a].
O daf termina exatamente neste ponto, no meio de uma nova baraita: Rabi Shimon bar Yochai contesta a leitura pessimista de Rav e da baraita do vinhedo de Iavne, apoiando-se num versículo de Devarim que promete, categoricamente, que a Torá jamais será esquecida da boca da descendência de Israel. Ele começa então a reinterpretar o próprio versículo de Amós num sentido mais brando — mas a explicação exata de "que não encontrarão" fica cortada aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 139a.