Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Vinte (Tolin)
כִּילַּת חֲתָנִים

O dossel nupcial e o siyaná; os três ensinamentos de Rav Huna; a baraita do vinhedo em Iavne sobre a Torá esquecida

Shabbat 138b · continua diretamente de 138a · integralmente dentro do Perek Vinte (Tolin), sem transição de capítulo

Shabbat 138b abre concluindo o ensinamento de Shmuel, em nome de Rabi Chiya, que ficara interrompido ao final de 138a: o dossel dos noivos pode ser estendido e desmontado no Shabat, pois, ao contrário dos demais dosséis, seu teto não tem a largura de um palmo, e por isso não constitui uma tenda. Rav Sheshet, filho de Rav Idi, refina essa regra com quatro qualificações técnicas — sobre a largura do teto, a distância de um palmo até ele, a inclinação lateral e a altura em relação à cama — e aplica um raciocínio semelhante ao siyaná, um chapéu de feltro: permitido quando não há nele um palmo de aba saliente sobre a cabeça, proibido quando há. Uma objeção — se assim, também quem deixasse a própria capa saliente por um palmo sobre a cabeça seria responsável? — é resolvida distinguindo-se entre a capa bem ajustada à cabeça, que é permitida, e a solta, que é proibida, pois o receio ali não é de "construir uma tenda", mas de que o vento a leve e alguém a carregue por engano no domínio público. Rami bar Yechezkel então envia uma mensagem a Rav Huna, pedindo que lhe repita três ensinamentos que este costumava transmitir em nome de Rav — dois sobre o Shabat e um sobre a Torá. Os dois primeiros tratam ainda de tendas temporárias: o cortinado já preso a seus ganchos, que Rav permite estender no Shabat quando duas pessoas o fazem juntas, mas proíbe quando o faz uma só (Abaye acrescenta que o dossel comum permanece proibido mesmo com dez pessoas, pois é impossível não esticá-lo além do necessário); e o fogão do qual se soltou uma perna, que uma baraita permite mover quando apenas uma se soltou, mas Rav proíbe, por decreto, mesmo nesse caso, temendo que se fixe a perna com força excessiva. O terceiro ensinamento, sobre a Torá, é bem mais grave: Rav ensina, a partir de um versículo de Devarim lido à luz de outro em Yeshayahu, que a Torá está destinada a ser esquecida por Israel — o que introduz a célebre baraita de quando os sábios entraram no "vinhedo" (a academia) em Iavne e citaram o profeta Amós sobre uma fome futura, não de pão nem de água, mas de ouvir as palavras do Eterno, um povo vagando de mar a mar sem encontrá-las. A guemará interpreta essa "palavra do Eterno" como halachá, o fim dos tempos e profecia, e ilustra o sentido da busca vã com a imagem de uma mulher que percorrerá sinagogas e casas de estudo carregando um pão de teruma, sem que ninguém saiba responder-lhe — não se é puro ou impuro (o que está explícito na Torá escrita), mas se sua impureza é de primeiro ou de segundo grau. Uma objeção — que essa mesma dúvida já constaria, sem necessidade de profecia, numa mishná sobre o réptil morto encontrado dentro de um forno, tornando o pão ali contido impuro de segundo grau, pois o forno é impuro de primeiro — leva à pergunta de Rav Ada bar Ahavá a Rabá: por que não considerar o forno inteiramente preenchido pela impureza do réptil caído em seu ar interno, tornando o próprio pão impuro de primeiro grau? Rabá responde citando uma baraita que limita, por dedução escriturística, a contaminação pelo ar de um utensílio de barro apenas aos alimentos e bebidas nele contidos, nunca a outros utensílios. O daf termina no meio de uma nova baraita, de Rabi Shimon bar Yochai, que nega, com base em Devarim 31:21, que a Torá venha a ser totalmente esquecida, e começa a reinterpretar o versículo de Amós num sentido mais brando — mas o texto é interrompido exatamente nesse ponto, prosseguindo em Shabat 139a, ainda não publicado. Confirma-se, via a estrutura de capítulos do Sefaria (Shabbat 137b:11-141b:18 para o Perek Vinte), que todo este daf permanece dentro do mesmo perek, Tolin, sem qualquer transição de capítulo.

O dossel nupcial e o siyaná: mais qualificações sobre tendas temporárias · כִּילַּת חֲתָנִים

1256Conclusão do ensinamento de Shmuel: o dossel nupcial pode ser estendido e desmontado
Shmuel; Rabi Chiya
כִּילַּת חֲתָנִים מוּתָּר לִנְטוֹתָהּ וּמוּתָּר לְפוֹרְקָהּ.

"E disse Shmuel, em nome de Rabi Chiya" (retomando a frase interrompida ao final de 138a): o dossel dos noivos é permitido estendê-lo, e é permitido desmontá-lo no Shabat.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kilat chatanim"
כילת חתנים - לא דמיא לשאר כילות ששאר כילות פרוסות על גבי קינוף שהיא לד' רגלים ויש לה גג דהוי אהל ושל חתנים על גבי נקליטין שאינם אלא שנים באמצעית המטה וקנה נתון עליהם והבגד נתון עליו ונופל לכאן ולכאן ואין לה גג טפח הלכך לאו אהל הוא:

"O dossel dos noivos" — não se assemelha aos demais dosséis; pois os demais dosséis são estendidos sobre a armação de quatro pernas, e têm teto, o que constitui uma tenda; mas o dos noivos fica sobre dois suportes apenas, no meio da cama, com uma vara colocada sobre eles e o pano posto sobre a vara, caindo para um lado e para outro, sem que seu teto tenha a largura de um palmo — por isso não é uma tenda.

Nota

O daf abre completando o ensinamento que ficara suspenso ao final de 138a. A permissão do dossel nupcial se explica por sua estrutura peculiar: diferentemente dos demais dosséis, apoiados sobre quatro pernas e com um teto plano, o dossel dos noivos se sustenta apenas sobre dois suportes centrais, com o pano caindo obliquamente para os lados — de modo que seu teto, no sentido técnico exigido para constituir uma tenda proibida, nunca chega à largura mínima de um palmo.

1257Rav Sheshet, filho de Rav Idi: quatro qualificações sobre o teto, a inclinação e a altura da cama
Rav Sheshet filho de Rav Idi
אָמַר רַב שֵׁשֶׁת בְּרֵיהּ דְּרַב אִידִי: לָא אֲמַרַן אֶלָּא שֶׁאֵין בְּגַגָּהּ טֶפַח, אֲבָל יֵשׁ בְּגַגָּהּ טֶפַח — אֲסוּרָה. וְכִי אֵין בְּגַגָּהּ טֶפַח נָמֵי לָא אֲמַרַן אֶלָּא שֶׁאֵין בְּפָחוֹת מִשְּׁלֹשָׁה סָמוּךְ לְגַגָּהּ טֶפַח, אֲבָל יֵשׁ בְּפָחוֹת מִשְּׁלֹשָׁה סָמוּךְ לְגַגָּהּ טֶפַח — אָסוּר. וְלָא אֲמַרַן אֶלָּא שֶׁאֵין בְּשִׁיפּוּעָהּ טֶפַח, אֲבָל יֵשׁ בְּשִׁיפּוּעָהּ טֶפַח — שִׁפּוּעֵי אֹהָלִים כְּאֹהָלִים דָּמוּ. וְלָא אֲמַרַן אֶלָּא דְּלָא נָחֵית מִפּוּרְיָא טֶפַח, אֲבָל נָחֵית מִפּוּרְיָא טֶפַח — אָסוּר.

Disse Rav Sheshet, filho de Rav Idi: não dissemos essa permissão senão quando seu teto não tem a largura de um palmo; mas, se seu teto tem um palmo, é proibido. E, mesmo quando seu teto não tem um palmo, também não dissemos isso senão quando, a menos de três dedos de distância do teto, não há um palmo de largura; mas, se a menos de três dedos do teto já há um palmo, é proibido. E não dissemos isso senão quando sua inclinação lateral não chega a um palmo; mas, se sua inclinação chega a um palmo, as inclinações das tendas equivalem às próprias tendas. E não dissemos isso senão quando o pano não desce um palmo abaixo da cama; mas, se desce um palmo abaixo da cama, é proibido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "bepachot mishlosha", "shelo bishipuah tefach" e "aval nachet mipurya tefach"
בפחות מג' - שהיא הולכת ומתפשטת למטה: ולא אמרן אלא שאין בשיפועה טפח - שאין כל צד וצד נפשט למטה להתרחק טפח מכנגד אמצעיתו דהיינו שאין ברחבו למטה טפחיים וכילת חתנים אינה עשויה לישן תחתיה: אבל נחתא מפוריא טפח - ההוא טפח הוה קיר לאהל והמטה נעשית לו גג:

"A menos de três dedos" — pois a inclinação do pano vai se alargando à medida que desce.

"E não dissemos isso senão quando sua inclinação lateral não chega a um palmo" — isto é, quando cada lado, ao descer, não se afasta um palmo do centro — ou seja, quando sua largura, embaixo, não chega a dois palmos; e o dossel dos noivos não é feito para se dormir debaixo dele.

"Mas, se desce um palmo abaixo da cama" — esse palmo passa a servir de parede à tenda, e a própria cama se torna seu teto.

Nota

Rav Sheshet, filho de Rav Idi, adiciona quatro precisões técnicas ao princípio geral: a permissão do dossel nupcial vale apenas dentro de limites estritos de largura, distância, inclinação e altura — bastando ultrapassar um palmo em qualquer dessas medidas para que o dossel deixe de ser uma exceção e passe a constituir uma tenda proibida como qualquer outra.

1258O mesmo Rav Sheshet: o siyaná segue a mesma distinção do palmo
Rav Sheshet filho de Rav Idi
וְאָמַר רַב שֵׁשֶׁת בְּרֵיהּ דְּרַב אִידִי: הַאי סְיָאנָא שָׁרֵי. וְהָאִיתְּמַר: סְיָאנָא אָסוּר! לָא קַשְׁיָא: הָא דְּאִית בֵּיהּ טֶפַח, הָא דְּלֵית בֵּיהּ טֶפַח.

E disse Rav Sheshet, filho de Rav Idi: este siyaná (um chapéu de feltro) é permitido. Mas não foi ensinado, em outro lugar: "o siyaná é proibido"?! Não há dificuldade: este caso, em que há nele um palmo de aba saliente, é proibido; aquele caso, em que não há nele um palmo, é permitido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "siyana", "assur" e "ha deit beih tefach"
סייאנא - כובע של לבד פלטר"ץ: אסור - לצאת בו בשבת ולקמיה מפרש ואזיל: הא דאית ביה טפח - שהוא מתפשט להלן מראשו טפח אסור משום אהלא:

"Siyaná" — um chapéu de feltro (glosa de Rashi em francês antigo).

"É proibido" — sair com ele no Shabat; e adiante isso será explicado.

"O caso em que há nele um palmo" — isto é, quando ele se estende, além da cabeça, por um palmo, é proibido, por constituir uma tenda.

Nota

Rav Sheshet aplica ao siyaná — um chapéu de feltro — a mesma lógica do palmo já usada para o dossel nupcial: um chapéu comum, ajustado à cabeça, é permitido; mas, se possui uma aba que se projeta um palmo além da cabeça, essa aba passa a formar, tecnicamente, um teto, tornando o próprio chapéu uma tenda proibida no Shabat.

1259Objeção sobre a capa saliente: resolvida pela distinção entre ajustada e solta
Anônimo da guemará
אֶלָּא מֵעַתָּה, שַׁרְבֵּיב בִּגְלִימָא טֶפַח הָכִי נָמֵי דְּמִיחַיַּיב? אֶלָּא לָא קַשְׁיָא: הָא דְּמִיהַדַּק, הָא דְּלָא מִיהַדַּק.

Mas então, se alguém deixou a capa saliente por um palmo sobre a cabeça, também seria, do mesmo modo, responsável? Antes, não há dificuldade: este caso é quando a capa está bem ajustada à cabeça; aquele caso é quando não está ajustada.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "sharbev bigelima tefach" e "ela"
אלא מעתה שרביב בגלימיה טפח - הניח טליתו על ראשו כדרך שהוא מתעטף והרחיקה להלן מראשו טפח: אלא - טעמא לאו משום אהל הוא אלא משום שלא יגביהנו הרוח מראשו ואתי לאתויי ארבע אמות הלכך מיהדק בראשו שפיר שרי לא מיהדק אסור:

"Mas então, se deixou a capa saliente por um palmo" — colocou seu manto sobre a cabeça, do modo como costuma envolver-se nele, e o afastou, além da cabeça, por um palmo.

"Antes" — o motivo da proibição do siyaná não é por constituir uma tenda, mas para que o vento não o levante da cabeça, levando-o a carregá-lo, por engano, quatro côvados no domínio público; por isso, se está bem ajustado à cabeça, é permitido; se não está ajustado, é proibido.

Nota

A guemará testa o limite da regra do palmo com um caso análogo — a capa deixada saliente sobre a cabeça — e descobre que ali o motivo é outro: não se trata de evitar a construção de uma tenda, mas de evitar que o vento a leve, fazendo com que o usuário a carregue inadvertidamente pelo domínio público. Por isso, a distinção relevante nesse caso não é a largura da aba, mas se a peça está firmemente ajustada à cabeça ou solta.

Rami bar Yechezkel pergunta a Rav Huna: dois ensinamentos sobre o Shabat e um sobre a Torá · תַּרְתֵּי בְּשַׁבָּת וַחֲדָא בְּתוֹרָה

1260O pedido de Rami bar Yechezkel a Rav Huna
Rami bar Yechezkel
שְׁלַח לֵיהּ רָמֵי בַּר יְחֶזְקֵאל לְרַב הוּנָא: אֵימָא לַן אִיזִי הָנָךְ מִילֵּי מְעַלְּיָיתָא דַּאֲמַרְתְּ לַן מִשְּׁמֵיהּ דְּרַב, תַּרְתֵּי בְּשַׁבָּת וַחֲדָא בְּתוֹרָה.

Rami bar Yechezkel enviou uma mensagem a Rav Huna: dize-nos, por favor, aquelas boas palavras que nos disseste em nome de Rav — duas sobre o Shabat e uma sobre a Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "tartei beshabbat vechada betorah"
תרתי בשבת וחדא בתורה - שהיית רגיל לומר שני דברים משמו בהלכות שבת ואחת בתורה כדלקמן:

"Duas sobre o Shabat e uma sobre a Torá" — pois Rav Huna costumava dizer dois ensinamentos em nome dele sobre as leis do Shabat, e um sobre a Torá, como se segue adiante.

Nota

Rami bar Yechezkel pede a Rav Huna que lhe relembre três ensinamentos específicos, transmitidos em nome de Rav — dois de ordem prática, sobre o Shabat, e um terceiro, de natureza bem diversa, sobre o destino da Torá. Os três serão respondidos em sequência nos ensinamentos seguintes.

1261Primeiro ensinamento: o cortinado sobre seus ganchos, permitido com duas pessoas
Rav Huna; Rav
שְׁלַח לֵיהּ: הָא דְּתַנְיָא גּוֹד בְּכִיסָנָא מוּתָּר לִנְטוֹתָהּ בְּשַׁבָּת — אָמַר רַב: לֹא שָׁנוּ אֶלָּא בִּשְׁנֵי בְּנֵי אָדָם, אֲבָל בְּאָדָם אֶחָד — אָסוּר.

Enviou-lhe Rav Huna, em resposta: quanto àquilo que foi ensinado — "o cortinado preso sobre seus ganchos é permitido estendê-lo no Shabat" —, disse Rav: isso só foi ensinado quando o estendem duas pessoas; mas, quando o estende uma só pessoa, é proibido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "gud bechisana", "mutar linoto beshabbat", "bishnei bnei adam" e "beadam echad"
גוד בכיסנא - גוד ברצועותיו ומונח על מקום קבוע שלו: מותר לנטותו בשבת - והא דאמרן לעיל פטור אבל אסור היכא דלא הוי מתוקן בכיסנין: בב' בני אדם - לא מימתח ליה שפיר: באדם אחד - ממתח ליה שפיר שמותחו על יתד זו וקושרו בה וחוזר ומותחו על זו וקושרו בה כך פירשו רבותי וכן מצאתי בתשובת הגאונים ואיני יודע מהו:

"O cortinado sobre seus ganchos" — isto é, o cortinado já preso com suas correias, colocado em seu lugar fixo.

"É permitido estendê-lo no Shabat" — e aquilo que dissemos acima, "isento, mas proibido", refere-se a quando o cortinado ainda não está preparado em seus ganchos.

"Com duas pessoas" — o cortinado não se estica bem de uma vez, exigindo esforço demorado.

"Com uma só pessoa" — o cortinado se estica bem, pois ele o estica sobre esta estaca e o amarra nela, e depois volta a esticá-lo sobre aquela e o amarra nela — assim explicaram meus mestres, e assim também encontrei num responsum dos Gueonim, mas não sei ao certo o que essa distinção significa.

Nota

O primeiro dos ensinamentos que Rami bar Yechezkel pedira trata de um cortinado já fixado a seus ganchos, permanentemente preparado em seu lugar: estendê-lo no Shabat é permitido, mas apenas quando duas pessoas o fazem em conjunto — de modo mais rápido e menos assemelhado ao esforço de "construir" — e proibido quando o faz uma pessoa sozinha, ainda que, como observa Rashi, o motivo exato dessa distinção não fosse totalmente claro nem para os próprios comentaristas medievais.

1262Abaye acrescenta: o dossel comum é sempre proibido, mesmo com dez pessoas
Abaye
אָמַר אַבָּיֵי: וְכִילָּה אֲפִילּוּ בַּעֲשָׂרָה בְּנֵי אָדָם אָסוּר. אִי אֶפְשָׁר דְּלָא מִימַּתְחָא פּוּרְתָּא.

Disse Abaye: mas o dossel comum, ao contrário do cortinado, mesmo estendido por dez pessoas, é proibido, pois é impossível que não se estique um pouco mais, no processo, além do que já estava preparado.

Nota

Abaye distingue o dossel comum do cortinado sobre ganchos: por mais pessoas que participem de sua montagem, um dossel novo sempre exige que se estique algum trecho de pano além do que já estava fixo — um mínimo de "construção" que, por si só, basta para tornar proibido o ato, independentemente de quantas mãos o realizem.

1263Segundo ensinamento: o fogão com uma perna solta
Baraita; Rav
אִידַּךְ מַאי הִיא דְּתַנְיָא: כִּירָה שֶׁנִּשְׁמְטָה אַחַת מִיַּרְכוֹתֶיהָ — מוּתָּר לְטַלְטְלָהּ. שְׁתַּיִם — אָסוּר. רַב אָמַר: אֲפִילּוּ חַד נָמֵי אָסוּר, גְּזֵירָה שֶׁמָּא יִתְקַע.

O outro ensinamento sobre o Shabat, qual é? Como foi ensinado: um fogão do qual se soltou uma de suas pernas — é permitido movê-lo no Shabat. Se se soltaram duas, é proibido. Rav disse: mesmo se se soltou apenas uma, também é proibido, por decreto, para que não a fixe de volta, com força.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "idach", "mi'yarchoteha" e "shema yitka"
אידך - דשבת מאי היא: מירכותיה - פטפוטים שלה כעין רגלים: שמא יתקע - כשמחבר לה הרגל יתקענה בחוזק והוי בונה אבל (ת"ק) היכא דלא נשמטה אלא אחת לא חייש למתקע כולי האי:

"O outro" — ensinamento sobre o Shabat, qual é.

"De suas pernas" — os suportes do fogão, semelhantes a pernas.

"Para que não a fixe" — pois, ao recolocar a perna, poderia fixá-la com força, constituindo o trabalho de construir; mas o primeiro tanná, da baraita, quando apenas uma perna se soltou, não teme que ele a fixe com tanta força.

Nota

O segundo ensinamento sobre o Shabat trata de um fogão portátil que perdeu parte de sua sustentação: a baraita distingue entre uma perna solta, cuja recolocação é permitida, e duas, que já tornam o fogão proibido de mover — mas Rav é mais restritivo, proibindo mesmo o caso de uma única perna solta, por temer que, ao recolocá-la, a pessoa a fixe com força excessiva, praticando, sem perceber, o trabalho de construir.

1264Terceiro ensinamento, sobre a Torá: Rav — a Torá está destinada a ser esquecida por Israel
Rav
תּוֹרָה — דְּאָמַר רַב: עֲתִידָה תּוֹרָה שֶׁתִּשְׁתַּכַּח מִיִּשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״וְהִפְלָא ה׳ אֶת מַכֹּתְךָ״, הַפְלָאָה זוֹ אֵינִי יוֹדֵעַ מַהִי. כְּשֶׁהוּא אוֹמֵר: ״לָכֵן הִנְנִי יוֹסִיף לְהַפְלִיא אֶת הָעָם הַזֶּה הַפְלֵא וָפֶלֶא״ — הֱוֵי אוֹמֵר: הַפְלָאָה זוֹ תּוֹרָה.

Quanto à Torá — o terceiro ensinamento: disse Rav: a Torá está destinada a ser esquecida por Israel, como está dito: "e o Eterno fará maravilhosas as tuas pragas" (Devarim 28:59) — essa "maravilha" eu não sei o que é. Quando o versículo diz: "portanto, eis que continuarei a maravilhar este povo, maravilha sobre maravilha" (Yeshayahu 29:14) — deves dizer: essa "maravilha" é a Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hafle vafele"
הפלא ופלא - סיפא דקרא ואבדה חכמת חכמיו:

"Maravilha sobre maravilha" — o final desse mesmo versículo continua: "e perecerá a sabedoria dos seus sábios" (Yeshayahu 29:14).

Nota

O terceiro ensinamento, sobre a Torá, é de natureza inteiramente diferente dos dois anteriores: Rav prevê que a Torá será esquecida por Israel, apoiando-se numa leitura conjunta de dois versículos — um em Devarim, que fala de uma "maravilha" nas pragas futuras sem especificar do que se trata, e outro em Yeshayahu, que usa a mesma raiz para descrever o desaparecimento da sabedoria dos sábios. Essa afirmação abre o longo excurso agádico que ocupa o restante do daf.

Quando nossos mestres entraram no vinhedo em Iavne: a profecia da Torá esquecida · כְּשֶׁנִּכְנְסוּ רַבּוֹתֵינוּ לַכֶּרֶם

1265A baraita do vinhedo em Iavne: fome não de pão, mas de ouvir a palavra do Eterno
Baraita
תָּנוּ רַבָּנַן: כְּשֶׁנִּכְנְסוּ רַבּוֹתֵינוּ לַכֶּרֶם בְּיַבְנֶה אָמְרוּ, עֲתִידָה תּוֹרָה שֶׁתִּשְׁתַּכַּח מִיִּשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״הִנֵּה יָמִים בָּאִים נְאֻם ה׳ אֱלֹהִים וְהִשְׁלַחְתִּי רָעָב בָּאָרֶץ לֹא רָעָב לַלֶּחֶם וְלֹא צָמָא לַמַּיִם כִּי אִם לִשְׁמוֹעַ אֵת דִּבְרֵי ה׳״, וּכְתִיב: ״וְנָעוּ מִיָּם עַד יָם וּמִצָּפוֹן וְעַד מִזְרָח יְשׁוֹטְטוּ לְבַקֵּשׁ אֶת דְּבַר ה׳ וְלֹא יִמְצָאוּ״.

Ensinaram os sábios: quando nossos mestres entraram no "vinhedo" (a academia) em Iavne, disseram: a Torá está destinada a ser esquecida por Israel, como está dito: "eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Eterno" (Amós 8:11); e está escrito: "e vagarão de mar a mar, e do norte até o oriente correrão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão" (Amós 8:12).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "bakerem"
בכרם - על שם שהיו יושבין שורות שורות ככרם:

"No vinhedo" — assim chamado porque os sábios se sentavam em fileiras, como as vinhas de um vinhedo.

Nota

A guemará traz uma baraita independente que corrobora o ensinamento de Rav: reunidos na academia de Iavne — apelidada de "vinhedo" por sua disposição em fileiras —, os sábios já haviam chegado à mesma conclusão, apoiando-se num par de versículos do profeta Amós que descrevem uma fome futura não de alimento físico, mas da própria palavra do Eterno, tão severa que o povo vagaria de um extremo a outro da terra sem conseguir encontrá-la.

1266"A palavra do Eterno": halachá, o fim dos tempos, profecia
Anônimo da guemará
״דְּבַר ה׳״ — זוֹ הֲלָכָה, ״דְּבַר ה׳״ — זֶה הַקֵּץ, ״דְּבַר ה׳״ — זוֹ נְבוּאָה.

"A palavra do Eterno" — isto é a halachá; "a palavra do Eterno" — isto é o fim dos tempos, a data da redenção; "a palavra do Eterno" — isto é a profecia.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "zo halacha", "zo nevuah" e "zeh hakets"
זו הלכה - כדכתיב [להגיד לכם] את דבר ה' דהיינו תורה: זו נבואה - כדכתיב דבר ה' אשר היה אל הושע וגו': זה הקץ - לא ידענא מהיכא:

"Isto é a halachá" — como está escrito: "[para vos anunciar] a palavra do Eterno" (Devarim 5:5), isto é, a Torá.

"Isto é a profecia" — como está escrito: "a palavra do Eterno que veio a Hoshea..." (Hoshea 1:1).

"Isto é o fim" — não sei de onde se extrai essa associação.

Nota

A guemará explora a expressão "palavra do Eterno" do versículo de Amós, propondo três sentidos possíveis para o que seria esquecido: a halachá — o corpo prático da lei —, o momento previsto para a redenção final, e a própria profecia, como dom de comunicação direta com o Divino. Rashi confirma fontes escriturísticas para as duas primeiras associações, mas admite desconhecer a origem exata da terceira.

1267O que significa "correrão buscando"? A mulher com o pão de teruma
Anônimo da guemará
וּמַאי ״יְשׁוֹטְטוּ לְבַקֵּשׁ אֶת דְּבַר ה׳״? אָמְרוּ: עֲתִידָה אִשָּׁה שֶׁתִּטּוֹל כִּכָּר שֶׁל תְּרוּמָה וְתַחֲזוֹר בְּבָתֵּי כְנֵסִיּוֹת וּבְבָתֵּי מִדְרָשׁוֹת לֵידַע אִם טְמֵאָה הִיא וְאִם טְהוֹרָה הִיא, וְאֵין מֵבִין.

E o que significa "correrão buscando a palavra do Eterno"? Disseram: está destinada uma mulher a tomar um pão de teruma (oferenda sacerdotal) e a percorrer as sinagogas e as casas de estudo, para saber se ele é impuro ou se é puro, e ninguém entenderá para lhe responder.

Nota

A guemará concretiza a profecia de Amós com uma imagem vívida: no futuro, o conhecimento da Torá terá decaído a tal ponto que uma mulher, com uma dúvida prática e cotidiana sobre a pureza ritual de um pão sacerdotal, não encontrará em lugar algum — nem nas sinagogas, nem nas casas de estudo — quem saiba lhe responder.

1268Objeção: isso já está explícito na Torá; resposta: a dúvida é sobre o grau da impureza
Anônimo da guemará
אִם טְהוֹרָה הִיא וְאִם טְמֵאָה הִיא בְּהֶדְיָא כְּתִיב בֵּיהּ: ״מִכׇּל הָאוֹכֶל אֲשֶׁר יֵאָכֵל״! אֶלָּא: לֵידַע אִם רִאשׁוֹנָה הִיא וְאִם שְׁנִיָּה הִיא, וְאֵין מֵבִין.

Mas, se é pura ou se é impura, está escrito explicitamente: "de toda comida que se come" (Vayikra 11:34)! Antes, o sentido é: para saber se sua impureza é de primeiro grau ou de segundo grau, e ninguém entenderá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "behedia ketiv"
בהדיא כתיב - ותורה שבכתב הרי כתובה ומונחת יקראו ויראו:

"Está escrito explicitamente" — e a Torá escrita está ali, disponível; que a leiam e vejam.

Nota

A guemará refina a imagem anterior: se a dúvida da mulher fosse simplesmente saber se o pão é puro ou impuro, bastaria consultar o texto explícito da Torá escrita, sempre disponível. A verdadeira lacuna de conhecimento, portanto, não está na regra básica, mas numa aplicação mais fina dela — saber classificar o grau exato da impureza, de primeiro ou de segundo grau —, um conhecimento que depende da tradição oral e da capacidade analítica dos sábios, e não apenas da leitura do versículo.

1269Objeção: isso já não é uma mishná explícita? O réptil encontrado no forno
Mishná
הָא נָמֵי מַתְנִיתִין הִיא? כְּדִתְנַן: הַשֶּׁרֶץ שֶׁנִּמְצָא בַּתַּנּוּר — הַפַּת שֶׁבְּתוֹכוֹ שְׁנִיָּה, שֶׁהַתַּנּוּר תְּחִילָּה.

Mas isso também é ensinado explicitamente numa mishná? Como aprendemos: "o réptil morto que foi encontrado dentro do forno — o pão que está dentro dele é impuro de segundo grau, pois o forno é impuro de primeiro grau."

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "shehatanur techilah"
שהתנור תחלה - שנטמא מן האויר כדכתיב אל תוכו והוא חוזר ומטמא אוכלין שבתוכו מן האויר:

"Pois o forno é de primeiro grau" — porque se contaminou pelo ar interno, como está escrito: "em seu interior" (Vayikra 11:33), e ele, por sua vez, contamina os alimentos que estão dentro dele, através desse mesmo ar.

Nota

A guemará objeta que a regra sobre o grau de impureza também já está registrada de forma explícita — não apenas na Torá escrita, mas numa mishná —, que trata precisamente do caso de um réptil morto encontrado dentro de um forno: o próprio forno se torna impuro de primeiro grau, por contaminação através do ar, e o pão que está em seu interior, impuro apenas de segundo grau.

1270A pergunta de Rav Ada bar Ahavá a Rabá: por que o pão não é impuro de primeiro grau?
Rav Ada bar Ahavá
מִסְתַּפְּקָא לְהוּ הָא דַּאֲמַר לֵיהּ רַב אַדָּא בַּר אַהֲבָה לְרָבָא: לֶיחְזְיֵיהּ לְהַאי תַּנּוּרָא כְּמַאן דִּמְלֵי טוּמְאָה וְתִיהְוֵי פַּת רִאשׁוֹנָה!

Ficaram em dúvida os sábios, quanto ao que Rav Ada bar Ahavá disse a Rabá: consideremos este forno como se estivesse cheio de impureza de ponta a ponta, e que o pão que está dentro dele seja impuro de primeiro grau!

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "kemaan dimlei tumah"
כמאן דמלי טומאה - כשנפל השרץ באוירו דהא בלא נגיעה מטמא והלכך כמאן דמלי טומאה הוא ותהוי פת ראשונה:

"Como se estivesse cheio de impureza" — quando o réptil caiu no ar interno do forno, pois ele contamina mesmo sem contato direto; por isso, é como se o forno inteiro estivesse cheio de impureza, e o pão deveria ser impuro de primeiro grau.

Nota

Rav Ada bar Ahavá formula, a Rabá, exatamente a mesma dificuldade prática que a mulher da profecia enfrentaria: por que o pão dentro do forno recebe apenas o segundo grau de impureza, e não o primeiro? Afinal, o réptil contamina o ar inteiro do forno por presença, sem necessidade de contato — logo, poder-se-ia argumentar que o próprio forno está inteiramente "cheio" de impureza, e o pão, tocando essa impureza plena, deveria ser tão impuro quanto o forno mesmo.

1271Rabá responde: a impureza pelo ar contamina apenas alimentos e bebidas, nunca outros utensílios
Rabá; Baraita
אֲמַר לֵיהּ: לָא אָמְרִינַן לֶיחְזְיֵיהּ לְהַאי תַּנּוּרָא כְּמַאן דִּמְלֵי טוּמְאָה. דְּתַנְיָא: יָכוֹל יְהוּ כׇּל הַכֵּלִים מִיטַּמְּאִין בַּאֲוִיר כְּלִי חֶרֶס, תַּלְמוּד לוֹמַר: ״כֹּל אֲשֶׁר בְּתוֹכוֹ יִטְמָא״, ״מִכׇּל הָאוֹכֶל אֲשֶׁר יֵאָכֵל״ — אוֹכָלִין מִטַּמְּאִין בַּאֲוִיר כְּלִי חֶרֶס, וְאֵין כֵּלִים מִטַּמְּאִין בַּאֲוִיר כְּלִי חֶרֶס.

Disse-lhe Rabá: não dizemos "consideremos este forno como se estivesse cheio de impureza". Pois foi ensinado: poder-se-ia pensar que todos os utensílios se contaminam pelo ar de um utensílio de barro; por isso o texto ensina: "tudo o que está em seu interior se contaminará" (Vayikra 11:33), e logo em seguida, "de toda comida que se come" (Vayikra 11:34) — os alimentos se contaminam pelo ar de um utensílio de barro, mas os utensílios não se contaminam pelo ar de um utensílio de barro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "lo sedaatach", "dechayol yehu chol hakelim" e "talmud lomar"
לא ס"ד - למיהוי כמאן דמלי טומאה: דתניא יכול יהו כל הכלים טמאים מאויר כלי חרס - שאם היה כלי אחר בתוכו שיטמא מחמת השרץ שבאויר החיצון או מחמת שיטמאנו אויר כלי החיצון שהוא טמא: תלמוד לומר כל אשר בתוכו יטמא - וסמיך ליה מכל האוכל אשר יאכל אוכלין ומשקין שבתוכו טמאים ולא כלים שמע מינה תרתי חדא דלא אמרינן חזייה כמאן דמלי טומאה דאם כן אם כלי שטף הוא הפנימי שמטמא מגבו יהא טמא דהא נגע בטומאה אלא לא אמרינן חזייה כמאן דמלי טומאה ואוכלין ומשקין שבחיצון הוא דמטמאי מחמת הכלי שהכלי ראשון והם שניים אבל כלים לא דהואיל דאין טומאה זו באה אלא מחמת הכלי אשמעינן האי קרא שאין כלי שאינו אב הטומאה מטמא כלי:

"Não é de se pensar" — que o forno seja considerado como cheio de impureza.

"Pois foi ensinado: poder-se-ia pensar que todos os utensílios se contaminam pelo ar de um utensílio de barro" — isto é, se houvesse outro utensílio dentro do forno, que se contaminasse por causa do réptil que está no ar do utensílio externo, ou porque o próprio ar do utensílio externo, já impuro, o contaminasse.

"Por isso o texto ensina: tudo o que está em seu interior se contaminará" — e, logo em seguida, "de toda comida que se come": os alimentos e as bebidas que estão dentro dele ficam impuros, mas não os utensílios; daí se aprendem duas coisas — primeiro, que não dizemos "consideremo-lo cheio de impureza", pois, se assim fosse, mesmo um utensílio suscetível a impureza por contato externo, se estivesse dentro do forno, ficaria impuro, por ter tocado a impureza; mas isso não se diz — apenas os alimentos e as bebidas dentro do utensílio externo se contaminam por causa dele, pois o utensílio é de primeiro grau e eles, de segundo, mas os utensílios não, pois, sendo essa impureza proveniente unicamente do utensílio, este versículo nos ensina que nenhum utensílio, salvo a própria fonte primária de impureza, contamina outro utensílio.

Nota

Rabá resolve a dificuldade apontando uma dedução escriturística precisa: o mesmo par de versículos que ensina a contaminação pelo ar de um utensílio de barro também restringe seu alcance — apenas alimentos e bebidas contidos no interior são afetados, nunca outros utensílios. Por isso o forno, ainda que "cheio" de impureza no sentido de que qualquer alimento em seu interior a recebe, não transmite ao pão o mesmo grau de impureza que ele próprio possui — o pão permanece de segundo grau, e o forno, de primeiro.

1272Rabi Shimon bar Yochai: longe esteja que a Torá seja esquecida — interrompido
Rabi Shimon bar Yochai
תַּנְיָא, רַבִּי שִׁמְעוֹן בֶּן יוֹחַי אוֹמֵר: חַס וְשָׁלוֹם שֶׁתִּשְׁתַּכַּח תּוֹרָה מִיִּשְׂרָאֵל, שֶׁנֶּאֱמַר: ״כִּי לֹא תִשָּׁכַח מִפִּי זַרְעוֹ״. אֶלָּא מָה אֲנִי מְקַיֵּים ״יְשׁוֹטְטוּ לְבַקֵּשׁ אֶת דְּבַר ה׳ וְלֹא יִמְצָאוּ״? שֶׁלֹּא יִמְצְאוּ [...]

Foi ensinado: Rabi Shimon bar Yochai diz: longe esteja que a Torá venha a ser esquecida por Israel, como está dito: "pois não será esquecida da boca de sua descendência" (Devarim 31:21). Mas, então, como cumpro o versículo "e vagarão buscando a palavra do Eterno, e não a acharão"? Isso significa que não encontrarão [o ensinamento é interrompido aqui, ao final do daf, e prossegue em Shabat 139a].

Nota

O daf termina exatamente neste ponto, no meio de uma nova baraita: Rabi Shimon bar Yochai contesta a leitura pessimista de Rav e da baraita do vinhedo de Iavne, apoiando-se num versículo de Devarim que promete, categoricamente, que a Torá jamais será esquecida da boca da descendência de Israel. Ele começa então a reinterpretar o próprio versículo de Amós num sentido mais brando — mas a explicação exata de "que não encontrarão" fica cortada aqui, prosseguindo diretamente em Shabat 139a.

O daf termina aqui, no meio do ensinamento de Rabi Shimon bar Yochai, reinterpretando o versículo de Amós sobre a busca da "palavra do Eterno". O restante do Perek Vinte (Tolin) prossegue em Shabbat 139a, ainda não publicado.