Shabbat 142a abre completando, sem qualquer pausa, a pergunta deixada suspensa ao final de 141b: se a permissão de tomar o filho com uma pedra na mão depende de seu apego especial ao pai, por que insistir especificamente em pedra? Mesmo um dinar deveria ser permitido! A resposta invoca o próprio ensinamento de Rava, distinguindo os dois casos: uma pedra, se cai da mão do bebê, o pai não se incomoda em vir buscá-la; um dinar, por ser valioso, o pai viria buscá-lo — incorrendo então em carregar pelo domínio público, sem a justificativa do apego do bebê. Uma baraita é trazida em apoio a Rava, distinguindo entre carregar roupas dobradas sobre o ombro (responsável, pois equivale a carregá-las como objeto à parte) e vestir essas mesmas roupas (isento); e entre tirar uma pessoa vestida, calçada e com anéis nos dedos (isento) e tirar essas mesmas peças separadamente, seguras na mão (responsável). A guemará volta então à segunda cláusula da Mishná — o cesto com a pedra dentro — e pergunta por que o cesto não se torna, com isso, "base para um objeto proibido", ficando ele mesmo vedado ao manuseio: a resposta é que se trata de um cesto cheio de frutas que se sujariam se derramadas no chão para separar a pedra; e, quando se propõe ainda sacudir delicadamente o cesto, separando frutas de pedra por sacudidura, responde-se com um segundo caso, de cesto danificado, em que a própria pedra passou a servir de parede. Segue-se longa discussão sobre mover, no Shabat, teruma que se tornou impura junto com a pura: Rav Chisda ensina que isso só é permitido quando a pura está embaixo da impura (de modo que se está tomando a impura por necessidade do lugar da pura); quando a pura está em cima, toma-se apenas ela. Uma baraita aparentemente contraditória — que permite mover em ambas as disposições — é resolvida distinguindo necessidade do próprio objeto (a Mishná) de necessidade apenas do lugar do recipiente (a baraita), distinção que Rava confirma com a última cláusula da própria Mishná, sobre moedas espalhadas numa almofada. Por fim, o daf dedica sua maior extensão à permissão de Rabi Yehuda de "elevar" o medumá no Shabat — separar dele, na proporção de um se'ah para cento e um, o equivalente à teruma nele caída, tornando lícito o restante: por que isso não conta como "consertar", proibido no Shabat? A guemará rastreia essa permissão, primeiro, à opinião de Rabi Eliezer, segundo a qual a teruma, mesmo misturada, permanece em sua essência como um monte à parte; ao perceber que essa opinião foi ouvida apenas para o lado estrito, e não para o lado permissivo, a guemará a rastreia então a Rabi Shimon, por meio de outra Mishná sobre dois se'ah de teruma caídos sucessivamente; e, quando também essa filiação se mostra incerta, rastreia-a por fim a Rabi Shimon ben Elazar, segundo o qual quem apenas "põe os olhos" na porção de teruma dentro do medumá já pode começar a comer do restante, de modo que a separação física posterior não conta como consertar algo até então proibido. O daf termina em meio a uma nova pergunta da guemará, questionando se Rabi Yehuda de fato sustenta essa última opinião — pergunta cuja resposta segue em Shabbat 142b.
(continuando de 141b:) Se é assim que a permissão depende do apego especial do bebê a seu pai, por que insistir especificamente em pedra? Mesmo um dinar (uma moeda) também deveria ser permitido! Ora, não disse Rava: não se ensinou a permissão senão com pedra, mas com dinar — é proibido! Pedra, se caísse dela — o pai não viria buscá-la. Dinar, se caísse — o pai viria buscá-lo.
"Viria buscá-lo" — e a razão desta proibição não é por causa do carregar em si mesmo, pois mesmo apenas segurá-lo na mão, enquanto o bebê caminha por seus próprios pés, Rava proibiu, temendo que caia e o pai venha buscá-lo; e, como não é caso de risco de vida, não permitiram por causa disso a manipulação do dinar.
Sem qualquer pausa em relação ao final de 141b, a guemará completa a pergunta ali interrompida. A resposta recorre a um ensinamento já conhecido de Rava, que distinguira precisamente entre pedra e dinar: uma pedra sem valor não desperta no pai o desejo de recuperá-la caso caia da mão do bebê, de modo que carregá-la junto com o filho não gera risco real de que o pai venha, depois, buscá-la deliberadamente pelo domínio público; já um dinar, por seu valor, levaria o pai a isso — configurando então um ato de carregar plenamente proibido, sem a cobertura da necessidade de saúde do bebê.
Foi ensinado em concordância com Rava: quem tira, no Shabat, suas roupas dobradas e colocadas sobre o ombro, e suas sandálias e seus anéis na mão — é responsável. Mas, se estava vestido e calçado com eles — está isento.
"Foi ensinado em concordância com Rava" — pois, quando a pessoa segura a peça de cima (dobrada sobre o ombro, não vestida), é como se estivesse tirando a peça de baixo mesma , um objeto à parte, e por isso é responsável.
"E suas sandálias e seus anéis na mão" — segurando-os fechados na mão, não da maneira normal de vestir e calçar.
A baraita traz apoio independente à distinção de Rava, embora sobre outro conjunto de casos: roupas carregadas dobradas sobre o ombro, ou sandálias e anéis simplesmente seguros na mão fechada — sem estarem sendo usados da maneira normal —, contam como carregar um objeto à parte, plenamente proibido; já as mesmas peças, quando efetivamente vestidas e calçadas, são consideradas parte da pessoa, e seu transporte é isento, pelo mesmo princípio de que um ser vivo (e o que está sobre ele em uso normal) carrega a si mesmo.
Quem tira uma pessoa com suas roupas vestidas sobre si, suas sandálias em seus pés, e seus anéis em suas mãos (dedos) — está isento; mas, se as tirasse tal como são (separadamente, não vestidas nem calçadas) — seria responsável.
"Quem tira uma pessoa com suas roupas sobre si" — vestido com elas.
"E seus anéis em suas mãos" — nos dedos, pois não se ensinou "em sua mão" no singular, como se ensinou no início desta baraita.
"Está isento" — pois suas roupas se anulam em relação a ele, e por ele mesmo (o corpo vestido) está isento, conforme o princípio de Rabi Natan , que um ser vivo carrega a si mesmo.
"Mas, se as tirasse tal como são" — quando aquele que estava por cima as segurava sem estar vestido com elas, quem as carrega é responsável — e isso está de acordo com Rava.
A mesma baraita fecha o paralelo com o caso do bebê: uma pessoa inteira, com suas roupas, sandálias e anéis todos em uso normal, é considerada um só corpo — quem a carrega está isento, pois nada ali conta como objeto adicional. Mas, se as mesmas peças fossem tiradas separadamente do corpo, seguras à parte, voltariam a contar como objetos independentes, plenamente sujeitos à responsabilidade de carregar, exatamente como a bolsa pendurada no pescoço do bebê, discutida ao final de 141b.
A Mishná ensinou: "e toma-se um cesto, ainda que haja uma pedra dentro dele". A guemará pergunta: mas por que seria isso permitido? O cesto deveria se tornar base para um objeto proibido , e ficar ele mesmo proibido de mover! Disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: aqui, trata-se de um cesto cheio de frutas. A guemará pergunta: que se derramem as frutas, e se derrame a pedra junto, e se recolham as frutas com as mãos , deixando a pedra à parte! Conforme disse Rabi Ilai, disse Rav: trata-se de frutas que se sujam facilmente; aqui também: trata-se de frutas que se sujam facilmente.
"O cesto deveria se tornar base" — e ele mesmo ficaria proibido de ser movido.
"Cheio de frutas" — pois, principalmente, o cesto se torna base para as frutas, que são permitidas; por isso a pedra pode ser movida em virtude do utensílio e das frutas, que são permitidos.
"E se recolham com as mãos" — a pessoa as junte do chão com as mãos e as devolva ao cesto, e então as mova; e pergunta a guemará: por que permitiram mover a pedra em virtude do utensílio e das frutas , se essa alternativa era possível?
"Frutas que se sujam" — frutas maduras e muito macias, como figos, amoras e uvas, que, se lançadas ao chão, se sujariam.
Encerrada a primeira parte da Mishná, sobre o filho e a pedra, a guemará passa à segunda cláusula: o cesto com uma pedra dentro. A dificuldade é que a pedra, apoiada sobre o cesto, deveria tornar o próprio cesto um "base para um objeto proibido" — categoria que torna todo o conjunto proibido de mover, mesmo que o cesto em si seja um utensílio permitido. A primeira resposta limita o caso a um cesto cheio de frutas comestíveis e permitidas, cuja presença absorve a proibição da pedra; e, quando se propõe simplesmente derramar tudo no chão e recolher só as frutas com a mão, responde-se que se trata de frutas delicadas, que se sujariam ao tocar o solo — tornando essa alternativa impraticável.
A guemará pergunta ainda: que se sacuda o cesto, separando as frutas da pedra por sacudidura! Responde-se: disse Rav Chiya bar Ashi, disse Rava: aqui, trata-se de um cesto danificado, no qual a própria pedra se tornou parede do cesto.
"Que se sacuda por sacudidura" — até que as frutas se afastem da pedra, indo para os lados dentro do cesto, e então se lance apenas a pedra fora, na própria sacudidela.
"Danificado" — um cesto cuja parede ou fundo está deficiente, faltando parte dele.
Ainda insatisfeita, a guemará propõe uma segunda alternativa: bastaria sacudir o cesto com cuidado para separar as frutas da pedra sem tocá-la diretamente, e então descartar só a pedra. A resposta muda por completo a base do caso: não se trata mais de um cesto intacto cheio de frutas, mas de um cesto danificado — com a parede ou o fundo furado —, no qual a pedra colocada no lugar do buraco passou a cumprir a função estrutural de parede do próprio cesto, tornando-se parte funcional do utensílio, e por isso plenamente apta a ser movida com ele.
A Mishná ensinou: "move-se teruma etc." Disse Rav Chisda: não se ensinou essa permissão senão quando a teruma pura está embaixo e a impura está em cima. Mas, quando a pura está em cima e a impura está embaixo — a pessoa toma apenas a pura, e deixa a impura de lado, sem movê-la.
"E a impura em cima" — e a pessoa precisa da pura, mas não pode tomar a impura com as mãos, pois ela é muktzeh; por isso pode mover o conjunto todo até a mesa, e despejar tudo sobre ela, e então tomar a pura.
A guemará passa à terceira cláusula da Mishná, sobre mover teruma impura junto com a pura ou com o chulin. Rav Chisda restringe a permissão: só se aplica quando a teruma pura, que a pessoa deseja, está embaixo da impura — de modo que mover o conjunto é necessário para chegar até ela, já que a impura (muktzeh) não pode ser tomada diretamente com as mãos. Quando a pura está em cima, não há razão para mover a impura junto: basta tomar a pura, que já está acessível, e deixar a impura no lugar.
A guemará objeta: mas, quando a pura está embaixo também, que se derrame tudo e se recolha apenas a pura! Disse Rabi Ilai, disse Rav: trata-se de frutas que se sujam facilmente.
"Que se derrame" — todas as frutas ao chão.
"E se recolha" — a pura, com a mão, e se devolva ao cesto.
Como no caso do cesto, a guemará questiona por que não bastaria derramar tudo no chão e recolher com a mão apenas a teruma pura, evitando mover a impura. A resposta é a mesma de antes: trata-se de frutas delicadas, que se sujariam ao serem derramadas — tornando necessário mover o conjunto para chegar até a pura.
A guemará objeta com uma baraita: move-se teruma impura junto com a pura e com o chulin, seja a pura em cima e a impura embaixo, seja a impura em cima e a pura embaixo — isso é uma refutação de Rav Chisda!
Uma baraita parece contradizer diretamente Rav Chisda, permitindo mover o conjunto de teruma impura e pura em qualquer disposição, mesmo quando a pura está em cima — caso em que Rav Chisda exigira tomar apenas a pura, deixando a impura de lado.
Responde-se: poderia dizer-te Rav Chisda: a Mishná trata de quando se precisa da teruma pura por necessidade do próprio objeto (para comê-la); a baraita trata de quando se precisa apenas por necessidade de seu lugar (o lugar onde ambas estão).
"A Mishná trata de necessidade do próprio objeto" — pois a pessoa precisa da teruma pura em si mesma, para comê-la; por isso, se a pura não estivesse embaixo, não lhe permitiriam mover a impura, mas apenas tomaria a pura e a levaria até a mesa.
"A baraita trata de necessidade de seu lugar" — pois a pessoa precisa do lugar do utensílio, e por isso precisa retirar o conjunto todo dali, e os sábios lhe permitiram mover isto por causa daquilo.
A resolução distingue os dois textos pela finalidade do movimento: a Mishná trata de quando a pessoa quer especificamente a teruma pura, para comê-la — necessidade do próprio objeto —, caso em que Rav Chisda exige que a pura esteja embaixo; a baraita trata de quando a pessoa precisa apenas liberar o lugar onde ambas estão — necessidade do lugar —, caso em que a disposição não importa, pois o objetivo é apenas remover tudo dali.
A guemará pergunta: o que obriga Rav Chisda a estabelecer a Mishná como tratando de necessidade do próprio objeto , em vez de também ela tratar de necessidade do lugar?
"E o que obriga etc." — pois foi necessário a Rav Chisda dizer "não se ensinou senão quando a impura está em cima", proibindo deixá-la de lado nesse caso, quando poderia ter-se pensado que a permissão valeria tanto quando a impura está em cima quanto quando está embaixo, estabelecendo a Mishná inteira como tratando de necessidade do lugar.
A guemará pergunta o que levou Rav Chisda a limitar a Mishná à necessidade do próprio objeto, em vez de simplesmente lê-la, como a baraita, tratando de necessidade do lugar — o que teria evitado toda a dificuldade.
Disse Rava: a própria Mishná se ajusta precisamente à opinião de Rav Chisda, pois ensina, na última cláusula: moedas (muktzeh) que estão sobre uma almofada — sacode-se a almofada, e elas caem. E disse Rabá bar bar Chana, disse Rabi Yochanan: não se ensinou essa permissão de sacudir senão quando se precisa da almofada por necessidade do próprio objeto; mas, por necessidade de seu lugar — move-se-a diretamente, ainda com as moedas sobre ela. E, visto que a última cláusula trata de necessidade do próprio objeto, a primeira cláusula também trata de necessidade do próprio objeto.
"Senão por necessidade do próprio objeto" — pois a pessoa precisa da almofada para deitar-se sobre ela ali mesmo, e não para retirá-la; por isso não lhe permitiram tomá-la com as moedas, mas apenas sacudi-la em seu próprio lugar; mas, quando se precisa do lugar da almofada, move-se o conjunto junto.
"E, visto que a última cláusula etc., a primeira cláusula também trata de necessidade do próprio objeto" — por isso, se a pura estivesse em cima, não lhe seria permitido mover a impura, exatamente como se ensina sobre as moedas: sacode-se e caem, e move-se apenas o que é permitido, à parte.
Rava resolve a dúvida trazendo prova da própria Mishná, adiante nesse mesmo perek: quanto a moedas espalhadas sobre uma almofada, a regra é sacudir a almofada em seu lugar, e não retirá-la com as moedas — o que só faz sentido se a pessoa precisa da almofada por necessidade do próprio objeto (para deitar-se ali). Sendo essa a leitura estabelecida da última cláusula da Mishná, e vindo as cláusulas de um mesmo autor num mesmo texto, conclui-se que também a primeira cláusula, sobre a teruma, trata de necessidade do próprio objeto — confirmando a leitura de Rav Chisda.
A Mishná ensinou: "Rabi Yehuda diz: também se pode neutralizar o medumá etc." A guemará pergunta: mas por que seria isso permitido? Ora, ele está consertando o produto, tornando-o permitido!
"Ora, ele está consertando" — pois o ato traz o produto à permissão, e decretou-se proibição por causa disso, temendo confusão com o consertar realizado por meio de uma melachá (uma das trinta e nove categorias de trabalho proibido).
Encerrada a discussão sobre a segunda e a terceira cláusulas da Mishná, a guemará chega à quarta e última: a permissão de Rabi Yehuda de "elevar" o medumá — separar dele, no Shabat, a medida equivalente à teruma nele caída, tornando o restante permitido para consumo comum. A objeção é imediata: esse ato torna permitido algo que, antes dele, era proibido — o que é exatamente o que se entende, no Shabat, por "consertar" (metaken), categoria geralmente vedada.
Responde-se: Rabi Yehuda segue a opinião de Rabi Eliezer, que diz: a teruma, em sua própria essência, é como um monte separado (considera-se ainda distinta dentro da mistura, não verdadeiramente unida a ela).
Conforme Rabi Eliezer, que diz que a teruma — visto que foi dado o direito de separar dela a medida que se quiser — é, em sua própria essência, como um monte, como se estivesse colocada sozinha e não misturada; por isso, quem a separa não está consertando coisa alguma.
A resposta reformula a categoria da mistura em si: para Rabi Eliezer, a teruma que caiu no chulin nunca perde, do ponto de vista legal, seu estatuto de porção distinta — ela permanece, conceitualmente, como um "monte" separado dentro da massa maior, mesmo sem estar fisicamente isolada. Sendo assim, separá-la fisicamente não é criar algo novo (consertar), mas apenas tornar visível uma distinção que já existia — e Rabi Yehuda, ao permitir elevar o medumá, estaria seguindo essa mesma lógica.
Pois ensinamos numa Mishná, em Terumot: um se'ah de teruma que caiu em menos de cem se'ah de chulin, e o conjunto todo se tornou medumá, e uma porção caiu do medumá para outro lugar — Rabi Eliezer diz: essa porção torna o chulin em que caiu medumá, como se fosse teruma certa (intacta).
"Torna medumá" — esta porção que se separou dali e caiu em outro lugar torna proibidos noventa e nove se'ah de chulin, como se fosse teruma certa.
A guemará traz a fonte da opinião de Rabi Eliezer: um se'ah de teruma caído em menos de cem se'ah de chulin — proporção que não neutraliza — torna todo o conjunto medumá. Se, então, uma porção desse medumá cai para um novo lote de chulin, Rabi Eliezer trata essa porção como se fosse ainda teruma certa e intacta, capaz de tornar medumá até noventa e nove se'ah do novo lote — evidência de que, para ele, a teruma nunca realmente se dissolveu na mistura original.
E os sábios dizem: o medumá não torna outro chulin medumá senão na proporção real de teruma que nele resta.
"E os sábios dizem: o medumá não torna medumá" outro chulin senão na proporção da teruma que há no medumá; por exemplo: se, no início, sessenta se'ah de chulin se tornaram medumá por meio de um se'ah de teruma, e um se'ah desse medumá voltou e caiu dentro de outros se'ah de chulin, não contamos como teruma senão a sexagésima parte que há nesse se'ah, e ele torna medumá até noventa e nove se'ah correspondentes a essa fração; e, se há mais de cem se'ah de chulin correspondentes a ela, a proporção se anula, e o conjunto todo é permitido.
Os sábios discordam, sustentando que a mistura original de fato dilui a teruma proporcionalmente: uma porção do medumá carrega, ao cair num novo local, apenas a fração real de teruma que contém — calculada pela proporção original —, e não o valor de um se'ah inteiro de teruma certa. Essa disputa mede exatamente até que ponto a teruma "se mistura de fato" (posição dos sábios) ou permanece "conceitualmente separada" (posição de Rabi Eliezer).
A guemará objeta: diga-se que ouviste a opinião de Rabi Eliezer para o lado da estringência (tratando a porção caída do medumá como teruma certa, o que é mais restritivo para o novo lote de chulin); ouviste-a para o lado da leniência (permitindo, no Shabat, separar do medumá a proporção de um para cento e um, o que envolveria consertar)?!
"Diga-se que ouviste a opinião" — de Rabi Eliezer, que diz que a teruma é, em sua própria essência, como um monte.
"Para a estringência" — para torná-la medumá como se fosse teruma certa.
"Para a leniência" — ou seja, que aquele que a separa como teruma no Shabat não seja considerado como consertando.
"Ouviste-a para esse lado?" — pois quem a separa certamente está consertando, forçosamente.
A guemará questiona a filiação de Rabi Yehuda a Rabi Eliezer: a opinião de Rabi Eliezer, conhecida da Mishná de Terumot, foi expressa apenas no lado estrito da questão — tornando o medumá mais restritivo. Não há evidência de que Rabi Eliezer também sustentasse o lado permissivo — que separar a teruma do medumá no Shabat não conta como consertar —, e por isso a filiação de Rabi Yehuda a ele permanece sem base sólida.
Responde-se, corrigindo: antes, Rabi Yehuda é quem disse essa permissão conforme Rabi Shimon, como ensinamos noutra Mishná, em Terumot: um se'ah de teruma que caiu em cem se'ah de chulin, e a pessoa não teve tempo de retirá-lo antes que outro se'ah de teruma caísse na mesma mistura — eis que isso é proibido. E Rabi Shimon permite.
"Ele é quem disse" — Rabi Yehuda, o autor da Mishná, fala conforme Rabi Shimon, que diz que a permissão vale também para o lado da leniência, pois, para ele, a teruma é considerada como um monte em sua própria essência.
"Em cem" — e o se'ah de teruma é apto a ser separado, tornando permitido o chulin restante.
"Antes que outro caísse" — e agora não há ali chulin suficiente para separá-lo na proporção de um para cento e um.
"Rabi Shimon permite" — pensa-se, a princípio, que é porque ele sustenta que o primeiro se'ah é considerado, em sua própria essência, como um monte, de modo que este último se'ah resulta caindo dentro de cem se'ah de chulin puro, sem interferência do primeiro.
Abandonando a filiação a Rabi Eliezer, a guemará propõe que Rabi Yehuda segue, na verdade, Rabi Shimon — cuja posição permissiva é conhecida diretamente de outra Mishná de Terumot: quando um se'ah de teruma cai em exatamente cem se'ah de chulin (proporção que neutraliza), mas antes de a pessoa conseguir retirá-lo cai um segundo se'ah de teruma na mesma mistura, o primeiro tanna proíbe todo o conjunto (pois agora há dois se'ah de teruma para cem de chulin, proporção insuficiente), mas Rabi Shimon permite — evidência direta de que ele já sustenta essa mesma leniência.
A guemará objeta: e de onde se sabe isso? Talvez ali a disputa entre o primeiro tanna e Rabi Shimon seja sobre isto: o primeiro tanna sustenta que, embora os dois se'ah tenham caído um após o outro, é como se tivessem caído de uma só vez — e este se'ah caiu equivalente a cinquenta (por cem), e este outro se'ah caiu também equivalente a cinquenta (por cem, e juntos não se neutralizam). E Rabi Shimon sustenta: o primeiro se'ah se anula em cem, e este segundo, caído depois, se anulará em cento e um.
"Se anula em cem" — e todo o conjunto se torna chulin; mas, como é necessário separar a medida correspondente, forçosamente quem a separa está consertando o restante, tornando-o utilizável.
A guemará questiona a inferência anterior: talvez a disputa entre o primeiro tanna e Rabi Shimon, nessa Mishná de Terumot, não seja sobre se separar a teruma conta como consertar, mas sobre um ponto técnico diferente — se duas quedas sucessivas de teruma na mesma mistura se somam como uma queda simultânea (posição do primeiro tanna, que soma os dois se'ah contra os cem, dando uma proporção insuficiente) ou se são tratadas em sequência, cada uma neutralizada separadamente antes da próxima (posição de Rabi Shimon, para quem o primeiro se'ah já se anulou em cem antes de o segundo cair, e este se anula então em cento e um). Se for esse o eixo real da disputa, nada se aprende dali sobre se Rabi Shimon permitiria separar fisicamente a teruma no Shabat sem que isso conte como consertar — e a base para filiar Rabi Yehuda a ele volta a ficar incerta.
Responde-se, corrigindo mais uma vez: antes, Rabi Yehuda é quem disse essa permissão conforme Rabi Shimon ben Elazar. Pois foi ensinado: Rabi Shimon ben Elazar diz: a pessoa põe os olhos na medida equivalente à teruma deste lado do medumá, e come do outro lado , sem separá-la fisicamente.
"Põe os olhos" — no medumá, deste lado, designando mentalmente essa porção para separá-la como teruma, e come do outro lado; por isso, visto que, mesmo sem a separação física, a pessoa já começa a comer, não há consertar na separação que faz depois.
Diante da fragilidade da filiação a Rabi Shimon, a guemará propõe uma terceira e última fonte: Rabi Shimon ben Elazar, segundo o qual, diante de um medumá, basta "pôr os olhos" mentalmente sobre a porção equivalente à teruma de um lado — designando-a, sem separá-la fisicamente — para já poder comer livremente do restante. Como a permissão de comer já existe antes de qualquer ato físico de separação, a separação física realizada depois não introduz nenhuma novidade legal, e por isso não conta como consertar.
A guemará pergunta: e Rabi Yehuda sustenta de fato a opinião de Rabi Shimon ben Elazar?
O daf 142a termina exatamente aqui, com uma nova pergunta que ainda não recebeu resposta: há, de fato, evidência independente de que Rabi Yehuda sustente a posição de Rabi Shimon ben Elazar sobre "pôr os olhos"? Como ocorreu ao final de 141b, a divisão tradicional das folhas do Talmud não coincide com o fim desta unidade de pensamento — a resposta segue no início de Shabbat 142b.