Shabbat 136a dá continuidade direta à guemará de 135b, ainda dentro do Perek Yud-Tet, sem abrir nova Mishná. A guemará retoma exatamente a pergunta interrompida ao final do daf anterior: se, antes de completados os trinta dias, a viabilidade de um recém-nascido é caso de dúvida, como se pode circuncidá-lo em Shabat, arriscando profanar o dia por causa de um possível nefel? Rav Adda bar Ahava responde que se circuncida de qualquer modo que se veja: se a criança está viva, a milá é válida; se não, é apenas um corte na carne de um corpo já sem vida, o que não constitui ferimento proibido. A guemará desafia essa resposta com a beraita do safek ben shiva, safek ben shmona (dúvida se nasceu com sete ou oito meses de gestação), que proíbe profanar o Shabat por essa criança — e Mar, filho de Ravina, resolve, em nome próprio e de Rav Nechumi bar Zecharia, que a circuncisão em si sempre se realiza; apenas os preparativos da milá (como forjar o bisturi), segundo a opinião de Rabi Eliezer, não afastam o Shabat quando há dúvida. Abaye então aponta uma disputa tannaítica paralela: o animal nascido no oitavo mês de gestação, e se seu abate o purifica da impureza de carcaça — disputa que, depois do desafio de Rava (por que não discordariam quanto a comer, e não quanto à pureza?), se revela centrada na comparação com a tereifá, cuja "hora de aptidão" a distingue do nascido no oitavo mês, que nunca a teve; e a guemará ainda distingue esse caso do de uma tereifá desde o ventre, cujo abate também purifica por haver abate eficaz em sua espécie. A guemará levanta então uma dúvida dupla: discordam os sábios de Raban Shimon ben Gamliel quanto aos oito dias do animal, e, se discordam, a halachá segue sua opinião? Três tentativas de prova são propostas e as duas primeiras refutadas (o bezerro nascido em Yom Tov e o primogênito com defeito de nascença, ambos casos em que se tem certeza da gestação completa), até que a citação de Rav Yehuda em nome de Shmuel — de que a halachá é como Raban Shimon ben Gamliel — resolve ambas as dúvidas de uma vez. Abaye distingue então dois casos de morte de uma criança dentro de trinta dias: se caiu do telhado ou foi devorada por um leão, todos concordam que estava viva, com a diferença prática de isentar sua mãe do levirato; se bocejou e morreu por si mesma, é onde os sábios discordam. Essa distinção é desafiada pelo episódio de Rav Pappa e Rav Huna filho de Rav Yehoshua, que recusaram comer de um bezerro abatido no sétimo dia — mostrando que a dúvida também se aplica à morte por causa externa —, levando a guemará a reformular a posição de Abaye em sentido inverso: quando bocejou e morreu, todos concordam que é caso de nefel; a disputa está, isso sim, no caso de queda ou de ataque de animal. O daf conclui com dois episódios de luto — o filho de Rav Dimi bar Yosef, e Rav Ashi na casa de Rav Kahana —, em que cada enlutado justifica seu luto por uma criança morta dentro de trinta dias afirmando ter certeza de que seus meses de gestação se completaram, mesmo contra a halachá estabelecida como Raban Shimon ben Gamliel — e o daf se encerra interrompido, bem no início da resposta de Ravina em nome de Rava sobre o caso de quem morreu dentro de trinta dias e cuja mãe, viúva, foi desposada antes de se resolver sua condição, retomada em Shabbat 136b.
(Retomando a frase cortada ao final de 135b — "mas se não sobreviveu, é caso de dúvida":) Quanto a circuncidá-lo, como o circuncidamos? (Se sua condição permanece em dúvida — talvez seja um nefel, não viável — como se pode profanar o Shabat por sua causa, fazendo nele um ferimento sem propósito de mitzvá?)
"Quanto a circuncidá-lo, como o circuncidamos" — refere-se a qualquer criança pequena, ao oitavo dia, em Shabat: talvez seja um nefel, e não seja apta a ser circuncidada, e o mohel esteja fazendo um ferimento sem propósito de mitzvá.
Este daf abre completando a frase interrompida ao final de 135b, que concluía que, não tendo a criança sobrevivido o prazo — trinta dias no ser humano —, sua condição de nefel ou de ser plenamente viável permanece em dúvida. A guemará extrai daí uma dificuldade prática imediata: se há dúvida sobre a viabilidade, como se pode profanar o Shabat circuncidando a criança ao oitavo dia, arriscando fazer um mero corte de carne, sem propósito de mitzvá alguma, num corpo que talvez já não estivesse vivo?
Disse Rav Adda bar Ahava: circuncidamo-lo, de qualquer modo que se veja: se ele está vivo — o mohel circuncida corretamente (cumprindo a mitzvá plena); e se não (se for um nefel) — o mohel apenas corta carne (de um corpo já sem vida, o que não constitui ferimento proibido em Shabat).
"Se ele está vivo" — isto é, se seus meses de gestação se completaram, o mohel circuncida corretamente.
"Corta carne" — pois é como carne já abatida, e não constitui ferimento.
Rav Adda bar Ahava resolve a dificuldade com um argumento de "de qualquer modo": não é preciso saber com certeza se a criança é viável para justificar a circuncisão em Shabat, pois em ambos os cenários possíveis não há problema. Se ela está viva, cumpre-se a mitzvá da milá; se está morta, o ato do mohel equivale a cortar a carne de um corpo já sem vida — o que, segundo o princípio de que só se produz um ferimento proibido em tecido vivo, não constitui violação alguma do Shabat.
Mas então a guemará objeta: aquilo que se ensina numa beraita — havendo dúvida se nasceu com sete meses de gestação, havendo dúvida se nasceu com oito — não se profana por sua causa o Shabat: por quê? Circuncidemo-lo, de qualquer modo que se veja! Se ele está vivo — o mohel circuncida corretamente; e se não — o mohel apenas corta carne!
A guemará desafia o argumento de Rav Adda bar Ahava com uma beraita já conhecida, que trata exatamente do caso oposto: quando há dúvida se a criança nasceu completando sete ou oito meses de gestação, a beraita proíbe explicitamente profanar o Shabat por sua causa. Se o argumento "de qualquer modo que se veja" bastasse para justificar a milá em qualquer caso de dúvida, essa beraita deveria permitir a circuncisão também aqui — o que contradiz sua proibição expressa.
Disse Mar, filho de Ravina: eu e Rav Nechumi bar Zecharia explicamos assim: quanto a circuncidá-lo — de fato, também nesse caso o circuncidamos (mesmo em Shabat, pelo mesmo argumento de Rav Adda bar Ahava). A beraita só foi necessária a respeito dos preparativos (machshirei) da milá (como forjar o bisturi na hora), segundo a opinião de Rabi Eliezer (que sustenta que tais preparativos afastam o Shabat quando feitos no momento próprio da milá — mas não quando há dúvida se ela sequer deve ocorrer).
"Só foi necessária" — isto que se ensina, que não se profana o Shabat, refere-se apenas aos preparativos da milá, segundo Rabi Eliezer, que diz que tais preparativos afastam o Shabat — isso vale quando se tem certeza de que os meses de gestação se completaram, isto é, que se passaram nove meses desde que o marido teve relações com ela até que ela deu à luz, sem que ela tivesse relações durante todos os dias de sua gravidez. Mas, havendo dúvida, os preparativos não afastam o Shabat, pois talvez a criança não seja apta a ser circuncidada, e quem os prepara estaria profanando o Shabat ao fazer carvão e ferro (para o bisturi) sem necessidade real.
Mar, filho de Ravina, resolve a contradição distinguindo dois níveis: a circuncisão em si, quando o oitavo dia já chegou, sempre se realiza em Shabat, pelo argumento "de qualquer modo que se veja" — pois, em ambos os cenários, não há proibição. O que a beraita do safek ben shiva/safek ben shmona proíbe é apenas preparar os instrumentos da milá em Shabat, e isso apenas segundo a opinião de Rabi Eliezer, que trata tais preparativos como parte da própria mitzvá que afasta o Shabat — mas somente quando há certeza da viabilidade; havendo dúvida, arriscar uma profanação adicional (como forjar o bisturi) não se justifica.
Disse Abaye: isso é como uma disputa tannaítica (a respeito de saber se, antes de sobreviver o prazo, o recém-nascido já é tratado como plenamente vivo): "e se morrer algum dos animais que vos são permitidos para comer" (Vayikrá 11:39) — este verso vem incluir o animal nascido no oitavo mês de gestação, cujo abate não o purifica (da impureza que uma carcaça transmite, tratando-o como já morto antes mesmo do abate). Rabi Yosei, filho de Rabi Yehuda, e Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon, dizem: seu abate o purifica.
"Como disputa tannaítica" — a questão é se um nefel completo (natimorto) é considerado como morto, conforme diz Rav Adda bar Ahava, de modo que quem o corta apenas corta carne, ou não é considerado morto, constituindo o corte um ferimento.
"Para comer — vem incluir o animal nascido no oitavo mês" — pois todo o versículo é interpretado, em Torat Kohanim, frase por frase: "dos animais" — alguns animais transmitem impureza quando mortos sem abate, e alguns não transmitem — excetuando-se a tereifá abatida (cujo abate a purifica, mesmo sendo tereifá); e, por se excluir a tereifá abatida, conclui-se que o verso trata de um animal puro (kasher). "Que vos é permitido" — vem incluir o animal impuro (não kasher, que também transmite impureza ao morrer sem abate), pois a primeira seção da Torá, onde está escrito "quanto a todo animal que tem casco fendido e não rumina, etc." (Vayikrá 11:26), é ali interpretada como referindo-se a um membro arrancado de um animal ainda vivo, e esta outra seção trata, com certeza, de um animal já morto. "Para comer" — vem incluir o animal nascido no oitavo mês de gestação, pois mesmo seu abate equivale a uma morte, e transmite impureza.
Abaye estabelece um paralelo entre a dúvida sobre a criança e uma disputa tannaítica sobre animais: um verso sobre a impureza de carcaças é interpretado como incluindo o animal nascido no oitavo mês de gestação (um mês antes do prazo normal), cujo abate não o livra da impureza de carcaça — tratando-o, portanto, como já morto de antemão. Rabi Yosei filho de Rabi Yehuda e Rabi Elazar filho de Rabi Shimon discordam, sustentando que o abate desse animal o purifica normalmente, como a qualquer animal vivo.
Não é sobre isto que eles discordam? Que este Sábio entende que o animal nascido no oitavo mês está considerado vivo, e por isso seu abate o purifica, e aquele Sábio entende que está considerado morto (e por isso seu abate não o purifica, tratando-o como carcaça)?
"Este entende que está vivo" — por isso seu abate o purifica.
A guemará propõe, num primeiro momento, que a disputa entre os tanaítas é exatamente paralela à disputa amoraica sobre a criança: um lado considera o animal nascido no oitavo mês como já vivo, e por isso seu abate é plenamente eficaz; o outro o considera como já morto, tratando o abate como um ato sem efeito purificador algum.
Disse Rava: se assim fosse, em vez de discordarem quanto à impureza e à pureza, que discordassem quanto a comer (se é permitido comer esse animal, depois de abatido)!
"Quanto a comer" — se é permitido comer o animal, mediante seu abate, ou não.
Rava desafia a leitura inicial: se a disputa fosse realmente sobre se o animal está vivo ou morto, ela deveria se manifestar também — e talvez principalmente — na questão de saber se é permitido comer sua carne depois do abate, e não apenas na questão técnica da transmissão de impureza. Como a beraita formula a disputa apenas em termos de pureza, algo mais preciso deve estar em jogo.
Mas na verdade, todos concordam que ele está considerado morto, e Rabi Yosei, filho de Rabi Yehuda, e Rabi Elazar, filho de Rabi Shimon, entendem que seu caso é como o de uma tereifá (animal com lesão que a levará à morte dentro de doze meses): a tereifá — não é que, ainda que esteja halachicamente considerada morta, seu abate a purifica? Também aqui (no animal nascido no oitavo mês) não há diferença. E os rabanan (que discordam) dizem: não é semelhante à tereifá — a tereifá teve sua hora de aptidão (um momento em que estava plenamente apta, antes de se tornar tereifá); este animal não teve sua hora de aptidão (pois já nasceu nessa condição).
"Tereifá" — seu abate a purifica e evita que transmita impureza, como já expliquei.
"Teve sua hora de aptidão" — para ser abatida e purificada, antes de se tornar tereifá.
A guemará reformula a disputa: não se trata de saber se o animal nascido no oitavo mês está vivo ou morto — ambos os lados concordam que ele está, halachicamente, considerado morto. A disputa é se ele se assemelha à tereifá, cujo abate a purifica apesar de sua condição fatal, precisamente porque ela teve, em algum momento anterior, uma "hora de aptidão" plena. O animal nascido no oitavo mês, por nunca ter tido tal momento — já nascendo em condição irremediável —, não se qualifica, segundo os rabanan, para essa comparação.
E se disseres: mas há também o caso de uma tereifá desde o ventre (nascida já nessa condição, sem jamais ter tido hora de aptidão), o que há a dizer (pois, quanto a ela, o abate também purifica, apesar de nunca ter tido hora de aptidão)? Ali (na tereifá desde o ventre), há abate eficaz em sua espécie (há casos de animais dessa mesma categoria cujo abate é plenamente eficaz); aqui (no nascido no oitavo mês), não há abate eficaz em sua espécie (nenhum animal nascido nessa condição prematura tem abate eficaz).
A guemará antecipa e resolve uma objeção adicional: também a tereifá desde o ventre nunca teve hora de aptidão, e ainda assim seu abate purifica — o que pareceria contradizer a distinção recém-estabelecida. A resposta é que a comparação relevante não é sobre o animal individual, mas sobre sua espécie: existem animais tereifá desde o ventre de tipos em que, noutras circunstâncias, o abate é plenamente eficaz, ao passo que nenhum animal nascido no oitavo mês de gestação, de qualquer tipo, tem abate eficaz — a própria categoria já nasce sem essa possibilidade.
Foi levantada uma dúvida perante os sábios: discordam os rabanan de Raban Shimon ben Gamliel (que estabelece que basta ao animal sobreviver oito dias para não ser considerado nefel), ou não? Se disseres que discordam, a dúvida seguinte é: a halachá é como ele, ou a halachá não é como ele?
"Discordam?" — a questão é se discordam quanto a permitir o abate do filhote de um animal dentro de oito dias de vida.
A guemará muda de foco, voltando à beraita já citada em 135b-136a, de Raban Shimon ben Gamliel, segundo a qual um animal que sobreviveu oito dias já não é considerado nefel. Levanta-se uma dúvida dupla: primeiro, se os demais sábios (os rabanan) de fato discordam dessa posição; e, caso discordem, se a halachá prática segue Raban Shimon ben Gamliel ou os rabanan.
Venha e ouça uma prova: um bezerro nascido em Yom Tov — abate-se em Yom Tov! Isso mostraria que não se aguardam os oito dias de Raban Shimon ben Gamliel — donde se concluiria que os rabanan discordam dele e a halachá não é como ele. Responde-se: aqui, com que caso estamos tratando? Com um caso em que se tem certeza de que seus meses de gestação se completaram (e por isso não há dúvida alguma de viabilidade, independentemente da questão dos oito dias).
"Abate-se em Yom Tov" — e não é considerado muktzê, pois já no crepúsculo anterior a seu nascimento estava preparado para uso, por estar junto de sua mãe; mas, de qualquer modo, aprendemos daí que é permitido abatê-lo no próprio dia de seu nascimento.
A primeira tentativa de prova parte de uma halachá conhecida sobre um bezerro nascido em Yom Tov, que pode ser abatido no mesmo dia, sem aguardar oito dias — o que pareceria mostrar que a regra de Raban Shimon ben Gamliel não é aceita como halachá vinculante. A guemará refuta a prova: esse caso trata de um bezerro cuja gestação completa é certa, de modo que não há dúvida alguma sobre sua viabilidade, e a questão dos oito dias simplesmente não se coloca ali.
Venha e ouça outra prova: e concordam (Rabi Yehuda e Rabi Shimon, que discordam sobre examinar defeitos de primogênitos em Yom Tov) que, se o animal nasceu já com seu defeito, isso é considerado preparado (desde o crepúsculo anterior, e por isso pode ser examinado e, sendo o defeito permanente, até abatido)! Isso mostraria, novamente, que não se aguardam os oito dias. Responde-se: também aqui, trata-se de um caso em que seus meses se completaram.
"E concordam" — Rabi Yehuda e Rabi Shimon, que discordam, em Massechet Beitzá, sobre examinar defeitos de primogênitos em Yom Tov, concordam que, se o animal nasceu hoje e seu defeito já está com ele, isso é considerado preparado, e é permitido examinar seu defeito em Yom Tov, pois não se assemelha a consertar algo em Yom Tov, já que o defeito não estava estabelecido em proibição antes disso; e ali a guemará situa esse caso como sendo um em que havia juízes sentados no local e o viram no momento mesmo do nascimento.
A segunda tentativa parte de outra halachá — sobre o primogênito animal nascido já com um defeito visível, cujo defeito pode ser examinado em Yom Tov por ser considerado "preparado" desde antes da entrada do dia. A guemará refuta pelo mesmo caminho da primeira: trata-se de um caso em que havia testemunhas presentes no momento exato do parto, atestando a gestação completa — de modo que, também aqui, a dúvida sobre a viabilidade simplesmente não se coloca.
Venha e ouça a solução, pois disse Rav Yehuda, em nome de Shmuel: a halachá é como Raban Shimon ben Gamliel. Ora, dizer "a halachá é" pressupõe, por inferência, que os rabanan discordam dele. Conclui-se daí a resposta às duas dúvidas levantadas.
A terceira prova resolve as duas dúvidas de uma só vez: a própria fórmula usada por Shmuel — "a halachá é como Raban Shimon ben Gamliel" — só faz sentido se houver, de fato, uma opinião discordante contra a qual a halachá se decide. Assim se conclui tanto que os rabanan discordam de Raban Shimon ben Gamliel quanto que a halachá prática segue sua opinião, exigindo que o animal sobreviva oito dias para não ser considerado nefel.
Disse Abaye: se, dentro dos trinta dias, ela caiu do telhado, ou foi devorada por um leão — segundo todos, é considerado que estava viva (e sua morte adveio de causa externa, não de sua própria condição de nefel). Quando os sábios discordam é no caso em que ela bocejou e morreu (por conta própria, sem causa externa). Este Sábio entende que está considerado que estava viva, e aquele Sábio entende que está considerado que nasceu morta.
"Caiu do telhado, ou foi devorada por um leão" — isto é, morreu por causa de uma morte que lhe sobreveio, dentro dos trinta dias, de outra origem externa: segundo todos, ela se mantém na presunção de que seus meses se completaram, pois, não fosse essa outra morte, ela não teria morrido; portanto está considerado que estava viva — e, tratando-se de um ser humano, é considerado um filho legítimo, e isenta sua mãe do levirato; e, quanto a um animal também, o filhote comum de um animal, abatido dentro de oito dias, é permitido para comer, pois não vemos nele sinal de deficiência, e a maioria das que dão à luz não abortam.
"Que bocejou" — bâiller, em francês antigo; isto é, depois de seu nascimento, não se observou nela senão um pouco de vida — ela bocejou e morreu; e isso se refere ao ser humano.
Esta é a versão correta do texto seguinte: "e prepararam-lhes um bezerro de terceira ninhada no dia de vida sete".
Abaye introduz uma distinção sobre uma criança que morre dentro dos trinta dias: se a causa da morte é externa — uma queda do telhado, um ataque de animal —, todos concordam que ela estava viva até então, pois, não fosse esse acidente, teria sobrevivido; a morte por causa externa não revela nada sobre sua condição de nefel. A disputa entre os sábios se restringe ao caso em que a criança morre por si mesma, sem causa aparente, mostrando apenas um sinal fraco de vida (o bocejo) antes de expirar — caso em que permanece a dúvida sobre se já estava, desde o início, condenada.
Qual a diferença prática disso? Isentar a mãe do levirato (se o marido morreu sem outros filhos, a viabilidade dessa criança determina se a viúva está livre da obrigação do ievum, ou se seu marido é considerado como tendo morrido sem filhos).
A guemará esclarece a relevância prática dessa distinção: quando um homem morre sem outros filhos e sua esposa, grávida, dá à luz uma criança que morre dentro de trinta dias, a questão de saber se essa criança é tratada como plenamente viável determina se a viúva é considerada como tendo tido um filho — o que a isentaria do levirato — ou como não tendo tido filho algum, obrigando-a ao ievum.
A guemará questiona: "caiu do telhado, ou foi devorado por um leão — segundo todos, é considerado que estava vivo"? Mas não aconteceu que Rav Papa e Rav Huna, filho de Rav Yehoshua, chegaram à casa do filho de Rav Idi bar Avin, e este preparou-lhes um bezerro de terceira ninhada no dia de vida sete (abatendo-o antes de completar oito dias)? E disseram-lhe: se tivesses esperado com ele até a noite, teríamos comido dele; agora, não comeremos dele! (Mostrando que, mesmo num caso de morte por causa externa — o abate —, permanece a suspeita de nefel antes de completados os oito dias.)
"Se tivesses esperado" — de abatê-lo até a noite, que é a noite do oitavo dia.
"Teríamos comido dele" — pois parte do dia é considerada como todo ele, como está escrito: "e ficará sete dias sob sua mãe" (Vayikrá 22:27) — donde se conclui que a noite seguinte ao sétimo dia já serve. Mas, quanto a ser aceito como oferenda, isso é apenas a partir do oitavo dia, pois a noite anterior não é apta para ser trazida como oferenda, como está escrito: "no dia em que Deus o ordenou, para o trazer" (ibid. 7:38); mas o animal já saiu da categoria de nefel, e é apto para ser consagrado como oferenda, conforme dizemos em Zevachim (12a): a noite serve para a consagração, o dia serve para a aceitação plena. Portanto, quanto ao uso comum (não sagrado), já serve, desde a noite do sétimo dia, para ser abatido e comido. Isso mostra que quem sustenta a opinião de Raban Shimon ben Gamliel discorda também quanto à morte advinda de causa externa, e diz que também nesse caso é caso de dúvida.
A guemará desafia a distinção de Abaye com um episódio concreto: quando o filho de Rav Idi bar Avin abateu um bezerro já no sétimo dia de vida (um pouco antes de completar os oito dias exigidos), Rav Pappa e Rav Huna filho de Rav Yehoshua se recusaram a comer dele, dizendo que teriam comido caso ele tivesse esperado até a noite seguinte. Isso mostra que, mesmo quando a "morte" advém de causa externa — o próprio abate —, a suspeita de nefel persiste até completados os oito dias, contradizendo a afirmação de Abaye de que, nesses casos, "todos concordam" que o animal estava vivo.
Reformula-se, portanto, a afirmação de Abaye: quando a criança bocejou e morreu — segundo todos, é considerado que nasceu morta desde o início. Quando os sábios discordam é no caso em que caiu do telhado ou foi devorada por um leão: este Sábio entende que está considerado que nasceu morta (Raban Shimon ben Gamliel, para quem, não tendo sobrevivido trinta dias por conta própria, permanece em dúvida mesmo diante de causa externa), e aquele Sábio entende que, já que não morreu por si mesma, está considerado que estava viva.
Diante da contradição levantada, a guemará inverte os termos da distinção de Abaye: na verdade, quando a criança bocejou e morreu por si mesma, todos concordam que se trata de um nefel — esse sinal fraco de vida não basta para estabelecer viabilidade. A disputa real está no caso de morte por causa externa (queda, ataque de animal): um lado sustenta que, mesmo assim, sem ter sobrevivido o prazo por conta própria, permanece a condição de dúvida ou de nefel; o outro sustenta que, por não ter morrido por si mesma, deve-se presumir que estava viva.
Ao filho de Rav Dimi bar Yosef nasceu-lhe certo bebê. Dentro de trinta dias ele morreu. O filho sentou-se e pôs-se a fazer luto por ele. Disse-lhe seu pai (Rav Dimi bar Yosef): és tu que queres comer as guloseimas (dadas aos enlutados, e por isso finges luto por uma criança que a halachá trata como possível nefel)? Disse-lhe o filho: tenho certeza a respeito dele de que seus meses de gestação se completaram (e por isso, ainda que tenha morrido antes de completar trinta dias, é caso de luto genuíno).
"Morreu, dentro de trinta" — contados desde seu nascimento.
"Dentro de trinta dias" — contados desde o nascimento da criança.
"Guloseimas" — as iguarias que se dão de comer ao enlutado.
"É que queres comer" — por isso choras em vão (pois, sem essa certeza, a halachá trataria a criança como possível nefel, sem exigir luto).
A guemará relata um episódio prático: o filho de Rav Dimi bar Yosef perdeu um bebê antes de este completar trinta dias, e ainda assim se pôs a fazer luto por ele. Seu pai, brincando, insinua que ele só quer as guloseimas dadas aos enlutados — pois, segundo a halachá estabelecida como Raban Shimon ben Gamliel, um bebê que não sobreviveu trinta dias é tratado como possível nefel, isento de luto formal. O filho responde que seu caso é diferente: ele tem certeza pessoal de que a gestação se completou plenamente, o que remove a dúvida e justifica o luto genuíno.
Rav Ashi chegou à casa de Rav Kahana. Ocorreu-lhe a este um infortúnio dentro de trinta dias (seu filho morreu antes de completar trinta dias de vida). Rav Ashi viu-o sentado, fazendo luto por ele. Disse-lhe: não sustenta o Mestre aquilo que disse Rav Yehuda, em nome de Shmuel: a halachá é como Raban Shimon ben Gamliel (segundo o qual, não tendo sobrevivido trinta dias, é caso de dúvida — e não se faz luto por dúvida)? Disse-lhe Rav Kahana: tenho certeza a respeito dele de que seus meses de gestação se completaram.
"Ocorreu-lhe um infortúnio" — isto é, entrou em luto.
Um segundo episódio, paralelo ao primeiro: Rav Ashi encontra Rav Kahana em luto por um filho morto antes de trinta dias, e o questiona diretamente, citando a halachá já estabelecida (Rav Yehuda em nome de Shmuel) segundo a qual, sem sobreviver esse prazo, o caso permanece em dúvida — não devendo, portanto, gerar luto formal. Rav Kahana responde com a mesma justificativa: ele tinha certeza pessoal de que a gestação da criança havia se completado, o que dissipava a dúvida e tornava o luto legítimo, apesar da regra geral.
Foi dito: se a criança morreu dentro de trinta dias (e sua condição de nefel ou de plena viabilidade permanecia em dúvida, deixando incerto se a mãe estava sujeita ao levirato), e ela (a mãe, viúva) se levantou e foi desposada (por outro homem, antes de se resolver a questão) — disse Ravina, em nome de Rava…
"A criança morreu dentro de trinta" — contados desde seu nascimento, e seu pai não tinha outro filho senão ele, e a criança nasceu depois da morte do pai, e por meio dela isentariam sua mãe da chalitzá, caso fosse considerada viável.
"E ela se levantou e foi desposada" — depois de certo tempo, por supor que não estava sujeita ao levirato.
A guemará introduz um novo caso, ainda mais complexo: um homem morreu sem outros filhos, sua esposa grávida deu à luz, e a criança morreu dentro de trinta dias — deixando em aberto se a mãe estava, ou não, isenta do levirato. Antes que essa dúvida se resolvesse, ela própria concluiu que estava livre e se deixou desposar por outro homem. Ravina, em nome de Rava, está prestes a explicar a implicação halachica dessa situação — mas o daf se interrompe exatamente no início de sua resposta.