93b abre completando, sem qualquer interrupção, a citação de Rav Papi em nome de Rava que ficara suspensa no fim de 93a: o ensinamento de Rabi Yosei de que o cavalo transmite impureza por pressão (midras) através das patas dianteiras, e o burro através das traseiras, pois cada animal se apoia principalmente nessas patas — o que gera a mesma objeção de sempre (as patas, afinal, sustentam o animal em conjunto) e a mesma resposta (quem apenas auxilia não tem substância). Rav Ashi acrescenta então uma prova independente, a partir do ensinamento de Rabi Eliezer sobre o sacerdote que serve com um pé sobre um utensílio ou uma pedra e o outro sobre o pavimento do Templo: o seu serviço só é válido se, removido o utensílio, ele ainda pudesse ficar de pé sobre o pé restante sozinho — o que prova, mais uma vez, que o pé meramente auxiliar não tem substância própria. Ravina, por sua vez, traz uma terceira prova, do serviço de recepção do sangue do sacrifício: se recebeu com a mão direita, e a esquerda apenas auxiliou, o serviço é válido, apesar de as duas mãos, tecnicamente, terem agido juntas — e a Guemará conclui, depois dessas três provas concordantes, que o princípio está estabelecido. A discussão retorna então à afirmação de que, quando ambos os transportadores podiam realizar sozinhos a obra, Rabi Meir os responsabiliza, e levanta uma nova dúvida: nesse caso, é necessária uma medida mínima separada para cada um dos dois, ou basta que o objeto transportado tenha, ao todo, uma única medida mínima, ainda que dividida entre os dois? Rav Chisda e Rav Hamnuna discordam sobre isso, e uma sucessão de amoraim traz provas para o lado de que basta uma única medida compartilhada: Rav Papa, a partir da Mishná da cama do zav com quatro panos sob as quatro pernas; Rav Nachman bar Yitzchak, a partir do cervo que dois caçadores prenderam numa casa; e Ravina, a partir de sócios que roubaram e abateram juntos um animal, responsáveis pelo pagamento múltiplo apesar de nenhum ter agido sozinho. Rav Ashi tenta uma prova semelhante a partir do caniço do tecelão transportado por dois, mas Rav Acha, filho de Rava, refuta-a, mostrando que o caniço poderia conter, ele mesmo, duas medidas completas e independentes — uma para cada transportador —, de modo que nada se aprende sobre medidas compartilhadas a partir desse caso; a Guemará conclui que, de fato, dali nada se pode deduzir. Por fim, um tanaíta ensinara diante de Rav Nachman uma versão do próprio caso do caniço do tecelão que parecia invertida — isentando quando deveria responsabilizar, e vice-versa — e a Guemará corrige o texto para a leitura esperada. Encerrada essa sequência de provas, chega uma nova Mishná: quem transporta alimentos abaixo da medida mínima dentro de um recipiente é isento até pelo recipiente, pois este é secundário ao alimento; quem transporta um vivo sobre uma cama é isento até pela cama, pelo mesmo motivo; mas quem transporta um morto sobre uma cama é responsável, e o mesmo vale para uma azeitona de cadáver humano, uma azeitona de carcaça de animal ou uma lentilha de réptil impuro — ainda que Rabi Shimon isente. A Guemará seguinte, sobre essa Mishná, ensina que quem transporta alimentos na medida mínima exata dentro de um recipiente é responsável pelo alimento e isento pelo recipiente, a não ser que o recipiente lhe fosse necessário para outro uso; e infere daí que quem come duas azeitonas de gordura proibida num único lapso de consciência seria responsável duas vezes — uma dificuldade que Rav Sheshet começa a resolver dizendo "aqui, do que estamos tratando? De um caso em que...", mas a folha termina exatamente nesse ponto. Confirmado via Sefaria, 94a completa a resposta de Rav Sheshet — "ele errou quanto ao alimento, mas agiu deliberadamente quanto à proibição da gordura" —, de modo que o daf termina em aberto, no meio de uma frase, sem qualquer "הדרן", e o Perek Yud prossegue sem interrupção.
93a terminara no meio de uma citação de Rav Papi, em nome de Rava: "também nós aprendemos isso —", sem que o ensinamento citado tivesse sido ainda transcrito. Confirmado via Sefaria, 93b abre exatamente completando essa citação, com o ensinamento de Rabi Yosei sobre a impureza do cavalo e do burro, prosseguindo depois com mais provas do mesmo princípio antes de retomar a discussão sobre a medida mínima compartilhada.
Rabi Yosei diz: o cavalo transmite impureza por pressão, quando um zav monta sobre ele, pelas patas dianteiras; o burro — pelas patas traseiras; pois o cavalo se apoia principalmente nas patas dianteiras, e o burro nas traseiras. Mas por quê deveriam ser puros os panos sob as outras patas? Eis que todas as patas auxiliam-se mutuamente a sustentar o animal! Não é por isso que dizemos que quem apenas auxilia não tem substância?
A citação de Rav Papi, deixada em aberto no fim de 93a, completa-se aqui com o ensinamento de Rabi Yosei, que distingue, dentro do próprio corpo do animal, entre as patas em que ele verdadeiramente se apoia e as demais: o cavalo sustenta-se principalmente sobre as patas dianteiras, e por isso só um pano sob elas se torna impuro por pressão quando um zav o monta; o burro, ao contrário, apoia-se principalmente sobre as traseiras. As patas restantes, em cada caso, contribuem apenas como auxiliares dispensáveis — ainda que estejam, de fato, tocando o chão e sustentando parte do peso do animal — e por isso os panos sob elas permanecem puros, exatamente pelo mesmo princípio de que quem apenas auxilia numa obra não tem substância.
"'O cavalo transmite impureza pelas patas dianteiras'" — se o zav está montado sobre ele, e um pano está sob uma das patas dianteiras do cavalo, esse pano é impuro; mas sob as patas traseiras é puro, pois o cavalo não se apoia nas patas traseiras; e o que ensinamos acima , em 93a, que os quatro panos sob as quatro patas do animal são puros todos eles, não segue a opinião de Rabi Yosei , mas a da Mishná anônima.
Disse Rav Ashi: também nós aprendemos este mesmo princípio numa outra Mishná. Rabi Eliezer diz: se o sacerdote que serve estava com um pé sobre um utensílio e um pé sobre o pavimento do Templo, ou com um pé sobre uma pedra e um pé sobre o pavimento — considera-se: se, caso fosse removido o utensílio e removida a pedra, ele pudesse ficar de pé sobre o outro pé sozinho — o seu serviço é válido; e, se não pudesse — o seu serviço é inválido.
Rav Ashi acrescenta uma prova independente do mesmo princípio, extraída das leis do serviço sacerdotal no Templo: a Torá exige que o sacerdote sirva de pé, apoiado diretamente sobre o pavimento consagrado, tal como os demais levitas. Se ele serve com um pé sobre um objeto qualquer — um utensílio, uma pedra — e o outro sobre o próprio pavimento, o critério para validar o seu serviço é hipotético: removendo-se mentalmente o objeto interposto, ele ainda conseguiria manter-se de pé, sozinho, sobre o pé que toca diretamente o pavimento? Se sim, o serviço é válido, pois esse pé, por si só, já realiza toda a "posição em pé" exigida; o outro pé, sobre o objeto, é meramente auxiliar. Se não — se ele precisa de fato de ambos os pés para se sustentar —, então nenhum dos dois pés, isoladamente, satisfaz a exigência, e o serviço é inválido.
"'O sacerdote que fica de pé'" — sobre um utensílio, ou uma pedra, ou qualquer coisa que se interponha entre ele e o pavimento, e realizou o seu serviço assim — o seu serviço é inválido, pois está escrito: "e servirá como todos os seus irmãos, os levitas, que ficam de pé" (Deuteronômio 18:7) — que a sua posição em pé seja como a dos seus outros irmãos; e a escola de Rabi Yishmael ensinou: já que o pavimento é consagrado e os utensílios do serviço são consagrados , ambos servem igualmente para a posição em pé, etc. — isto se discute no tratado Zevachim.
Mas por quê deveria bastar o pé que toca o pavimento, se, de fato, ambos os pés sustentam o corpo do sacerdote enquanto ele está de pé? Eis que os dois pés auxiliam-se mutuamente a sustentá-lo! Não é por isso que dizemos que quem apenas auxilia não tem substância.
A mesma objeção que se levantara contra a Mishná do animal, e que se levantará de novo contra a prova de Ravina logo a seguir, aplica-se aqui: enquanto o sacerdote está de pé sobre o utensílio, os dois pés, tecnicamente, sustentam-no em conjunto. A resposta, repetida como refrão ao longo de toda esta sequência de provas, é sempre a mesma — o pé que, por si só, não bastaria para sustentar o corpo é apenas um auxiliar dispensável, sem substância própria, ao passo que o pé que sozinho já bastaria realiza, por si mesmo, toda a "posição em pé" exigida.
Disse Ravina: também nós aprendemos este mesmo princípio, numa terceira fonte. Se o sacerdote recebeu o sangue do sacrifício com a mão direita, e a esquerda o auxiliava a segurar o recipiente — o seu serviço é válido. Mas por quê deveria ser válido, se as duas mãos auxiliam-se mutuamente a sustentar o recipiente? Não é por isso que dizemos que quem apenas auxilia não tem substância? Conclui-se disso que este é, de fato, o princípio estabelecido.
Ravina traz uma terceira prova, desta vez do próprio serviço de recepção do sangue do sacrifício, que a Torá exige seja feito com a mão direita. Se o sacerdote recebe o sangue com a direita, e a esquerda apenas o ajuda a segurar o recipiente, o serviço permanece válido, pois só a mão direita é considerada como tendo realmente "recebido" o sangue; a esquerda, ainda que fisicamente envolvida no ato, não tem substância própria como auxiliar. Depois de três provas concordantes — a do animal, a do sacerdote sobre o utensílio, e esta do recebimento do sangue —, a Guemará declara "conclui-se disso": o princípio de que quem apenas auxilia não tem substância está agora firmemente estabelecido, e a discussão pode prosseguir para a sua próxima aplicação.
"'A mão esquerda é inválida para o serviço'" — como se diz no primeiro capítulo do tratado Chulin (22a): em todo lugar em que se menciona "dedo" referido ao sacerdócio, trata-se apenas da mão direita.
Disse o Mestre , na baraita citada em 93a: "quando este podia transportar sozinho e aquele podia, Rabi Meir responsabiliza". Foi perguntado: precisamos de uma medida mínima para este e uma medida mínima para aquele, separadamente, ou talvez uma única medida mínima baste para todos , dividida entre os dois? Rav Chisda e Rav Hamnuna — um disse: uma medida para este e uma medida para aquele; e o outro disse: uma única medida para todos. Disse Rav Papa, em nome de Rava: também nós aprendemos esta questão: se um zav estava sentado sobre uma cama, e quatro panos estavam sob as quatro pernas da cama — são impuros, pois a cama não consegue ficar de pé sobre três pernas apenas. Mas por quê bastaria isso para tornar os panos impuros? Deveria ser necessária uma medida mínima de fluxo do zav para este pano e uma medida mínima de fluxo para aquele , separadamente, exigindo talvez quatro zavim distintos! Não é porque dizemos que uma única medida de fluxo basta para todos os quatro panos juntos?
A discussão retorna à afirmação, já estabelecida antes, de que quando ambos os dois transportadores poderiam ter carregado o objeto sozinhos, Rabi Meir os responsabiliza — pois, para ele, não há decréscimo no versículo que os isente nesse caso. Levanta-se agora uma nova dúvida, aplicável a qualquer caso de ação conjunta: será necessário que o objeto transportado (ou, no caso do zav, a impureza gerada) atinja, para cada um dos dois participantes individualmente, a medida mínima completa exigida pela lei — o que tornaria a responsabilização praticamente rara —, ou basta que o total, somado entre os dois, atinja essa medida uma única vez? Rav Papa traz uma prova a favor da segunda posição a partir da própria Mishná da cama do zav, discutida em 93a: os quatro panos sob as quatro pernas indispensáveis da cama são impuros por pressão do zav, ainda que, para essa impureza, seja necessário que a maior parte do peso do zav se apoie sobre o objeto — um requisito que, aplicado individualmente a cada perna, pareceria exigir quatro zavim diferentes, um para cada pano. Como isso obviamente não é exigido, conclui-se que basta uma única medida de impureza compartilhada entre as quatro pernas.
"'Uma medida mínima para este'" — por exemplo, um figo seco, se for alimento o que se transporta. "'Uma medida mínima de fluxo'" — que a maior parte do peso do zav se apoie sobre o pano; e seria necessário haver aqui quatro zavim , um para cada perna, para que cada pano, individualmente, alcançasse essa medida.
Disse Rav Nachman bar Yitzchak: também nós aprendemos a mesma questão: se um cervo entrou numa casa, e uma pessoa fechou a porta diante dele — essa pessoa é responsável por tê-lo caçado. Se duas pessoas fecharam a porta juntas — são isentas. Se uma só não conseguia fechar a porta sozinha, e duas a fecharam juntas — são responsáveis. Mas por quê deveriam ser responsáveis? Deveria ser necessária uma medida mínima de caça para este e uma medida mínima de caça para aquele , separadamente! Não é porque dizemos que uma única medida basta para todos?
Rav Nachman bar Yitzchak traz uma segunda prova, desta vez das leis sobre caça em Shabat: fechar a porta de uma casa onde um cervo entrou constitui o ato de "caçá-lo", pois ele fica assim aprisionado. A Mishná já distinguira este caso, em linhas gerais análogas às do transporte conjunto: se um só não conseguia fechar a porta pesada sozinho, e dois a fecharam juntos, ambos são responsáveis pela caça — exatamente como no caso do transporte de um objeto pesado demais para um só. Se cada participante precisasse, individualmente, realizar uma "medida completa" de caça, seria difícil entender como o ato conjunto de fechar uma única porta, uma única vez, poderia gerar responsabilidade para ambos; a prova é que basta que o ato como um todo — não cada contribuição individual — atinja a medida exigida pela lei.
Disse Ravina: também nós aprendemos a mesma questão: sócios que roubaram um animal e o abateram juntos — são responsáveis pelo pagamento múltiplo previsto para o furto de gado abatido. Mas por quê deveriam ser responsáveis, cada um pelo pagamento inteiro? Deveria ser necessária uma medida mínima de abate para este e uma medida mínima de abate para aquele , separadamente! Não é porque dizemos que uma única medida basta para todos?
Ravina acrescenta uma terceira prova, agora das leis civis sobre o pagamento múltiplo pelo furto de gado (o dobro pelo furto simples, quatro ou cinco vezes o valor se o animal foi abatido ou vendido — Êxodo 21:37). Se dois sócios roubam um animal e o abatem juntos, ambos são responsáveis pelo pagamento múltiplo do abate, ainda que nenhum, isoladamente, tenha realizado sozinho o ato completo de abate. Mais uma vez, a prova é que a lei considera o ato conjunto como uma unidade só, satisfazendo uma única medida compartilhada, e não exige que cada sócio, individualmente, tenha executado um abate "completo" por si mesmo.
"'Se uma pessoa fechou a porta diante dele'" — essa é a sua caça , o ato que a constitui. "'Se duas fecharam — são isentas'" — e é Rabi Yehuda quem isenta, no caso de ambas poderem fechar a porta sozinhas. "'Uma medida'" — de caça de cervo para cada uma delas , separadamente — pergunta a Guemará se seria essa a exigência; mas conclui-se disso que uma única medida basta para todas, e de Rabi Yehuda , quanto a este ponto, deduzimos a posição de Rabi Meir também no caso de "ambas podiam", pois nisso os dois não discordam. "'São responsáveis para pagar'" — os pagamentos de quatro e cinco vezes o valor do animal roubado e abatido, conforme Êxodo 21:37.
E disse Rav Ashi: também nós aprendemos a mesma questão: dois que transportaram para o domínio público um caniço de tecelão — são responsáveis. Mas por quê? Deveria ser necessária uma medida mínima de transporte para este e uma medida mínima de transporte para aquele , separadamente! Não é porque dizemos que uma única medida basta para todos? Disse-lhe Rav Acha, filho de Rava, a Rav Ashi: talvez o caniço contivesse madeira suficiente para cozinhar um ovo leve (a medida mínima de lenha) para este e um ovo leve para aquele , separadamente — de modo que cada um teria, por si só, a sua própria medida completa, e nada se prova daqui! Objeta a Guemará: se assim fosse, deveria a Mishná ter nos ensinado com um caniço qualquer — por que haveria de mencionar especificamente o caniço de tecelão? Responde Rav Acha: e talvez o caniço de tecelão contivesse o suficiente para tecer uma toalha para este e o suficiente para tecer uma toalha para aquele , separadamente, o que constitui uma medida completa própria de tecelagem, e não de lenha. Mas, então, disto , deste caso do caniço, não há como aprender a questão da medida compartilhada.
Rav Ashi tenta uma quarta prova, retornando ao próprio caniço de tecelão discutido em 92b-93a como um dos exemplos clássicos de objeto grande demais para uma só pessoa transportar. Rav Acha, filho de Rava, refuta a tentativa: ao contrário do zav, do cervo e do abate, onde a natureza do ato torna claro que a contribuição de cada participante, isoladamente, não atingiria a medida mínima completa, o caniço de tecelão é longo o suficiente para conter, ele mesmo, duas medidas independentes — seja como lenha (o suficiente para cozinhar um ovo, a medida mínima de transporte de madeira), seja como material para tecelagem (o suficiente para tecer uma toalha inteira). Se assim for, cada um dos dois transportadores estaria, de fato, individualmente responsável por sua própria medida completa, contida na sua metade do caniço — e o caso nada provaria sobre medidas verdadeiramente compartilhadas. A Guemará levanta uma objeção a essa explicação (por que a Mishná especificaria "caniço de tecelão", e não qualquer caniço, se a medida relevante fosse a de lenha?), mas Rav Acha responde que a medida relevante é antes a de tecelagem, específica do caniço de tecelão — de modo que, afinal, nada se pode aprender com certeza deste caso.
"'Caniço de tecelão'" — é a maneira usual de o mencionar, pois este é o caso comum, e é aquele que sobe e desce na urdidura do tear. "'Caniço qualquer'" — que não serve senão para acender fogo, cuja medida mínima de responsabilidade é como a da lenha; ao passo que este , o caniço de tecelão, a sua medida é a necessária para tecer.
Ensinou um tanaíta diante de Rav Nachman: dois que transportaram para o domínio público um caniço de tecelão — são isentos, e Rabi Shimon responsabiliza. Exclama a Guemará: para que lado faria isso sentido?! Isto inverte a posição já conhecida de Rabi Shimon, que sempre isenta nesses casos de transporte conjunto. Antes, diga: são responsáveis, e Rabi Shimon isenta.
Um tanaíta cita, diante de Rav Nachman, uma versão do caso do caniço de tecelão que atribui a posição oposta à esperada: isentando por padrão e responsabilizando apenas segundo Rabi Shimon. A Guemará rejeita de imediato essa formulação, pois contradiz tudo o que já se estabeleceu ao longo desta e das folhas anteriores — Rabi Shimon é consistentemente a voz que isenta no transporte conjunto, fundamentado na sua leitura de "בעשותה" como exigindo um único indivíduo realizando a obra inteira, ao passo que a opinião anônima (que segue Rabi Yehuda) responsabiliza quando nenhum dos dois poderia transportar sozinho. A Guemará corrige o texto para a formulação esperada: são responsáveis (segundo a opinião anônima), e Rabi Shimon isenta.
"'Para que lado'" — para onde se inverteria esta afirmação? Eis que é Rabi Shimon quem isenta , na disputa toda desta baraita, quando dois o transportaram juntos.
Aquele que transporta alimentos, numa quantidade menor do que a medida mínima, dentro de um recipiente — é isento até mesmo pelo recipiente, pois o recipiente é secundário em relação a ele , ao alimento. Aquele que transporta um vivo sobre uma cama — é isento até mesmo pela cama, pois a cama é secundária em relação a ele. Mas aquele que transporta um morto sobre uma cama — é responsável; e, do mesmo modo, quem transporta o tamanho de uma azeitona de um morto, ou o tamanho de uma azeitona de uma carcaça de animal não abatido ritualmente, ou o tamanho de uma lentilha de um réptil impuro — é responsável; e Rabi Shimon isenta.
Depois de encerrar a longa discussão sobre o transporte conjunto de objetos pesados, a Guemará introduz uma nova Mishná, que retoma o tema geral da responsabilidade por transporte em Shabat a partir de um ângulo diferente: o do objeto transportado ser, ele mesmo, "principal" ou meramente "secundário" a algo mais importante. Quando alguém transporta uma pequena quantidade de alimento, abaixo da medida mínima que geraria responsabilidade, dentro de um recipiente maior, o recipiente é considerado secundário ao alimento — a razão de ele estar sendo transportado é servir o alimento —, e por isso a pessoa é isenta tanto pelo alimento (que não atinge a medida) quanto pelo recipiente (que não é o objetivo do transporte). Da mesma forma, quem transporta uma pessoa viva sobre uma cama é isento até pela cama, pois o vivo "carrega-se a si mesmo" (como explica Rashi) e a cama serve apenas a ele. Mas quando se transporta um morto sobre a cama, a situação se inverte: o morto não se carrega a si mesmo, e por isso ele mesmo, ou mesmo uma pequena parte impura dele — uma azeitona de cadáver humano, uma azeitona de carcaça de animal não abatido ritualmente, ou uma lentilha de réptil impuro — gera responsabilidade plena, pois o transporte é considerado significativo em si mesmo: livrar-se da impureza. Rabi Shimon, consistente com a sua doutrina de que um trabalho realizado apenas para remover algo indesejado de si (e não pelo valor intrínseco do próprio ato) não constitui "trabalho pensado", isenta mesmo nesse caso.
"'MISHNÁ — Aquele que transporta um vivo sobre uma cama'" — e um vivo não gera responsabilidade pelo seu próprio transporte, pois ele se aligeira a si mesmo e carrega-se a si mesmo. "'E, do mesmo modo, o tamanho de uma azeitona de um morto'" — é responsável, se o transportou, pois, já que o morto transmite impureza, o seu transporte é considerado significativo, feito para livrar-se a si mesmo da impureza. "'E Rabi Shimon isenta'" — mesmo no caso de um morto inteiro, pois isso constitui um trabalho que não é necessário para o seu próprio fim (מְלָאכָה שֶׁאֵינָהּ צְרִיכָה לְגוּפָהּ); e todo trabalho que não é necessário para o seu próprio fim, senão apenas para remover o objeto indesejado de si, é considerado um trabalho que não é necessário para o seu próprio fim, pois esse trabalho não veio por sua vontade, e ele não precisava dele; por isso não é um "trabalho pensado" (מְלֶאכֶת מַחֲשָׁבֶת) para Rabi Shimon.
Ensinaram os Sábios numa baraita: aquele que transporta alimentos na medida mínima exata, se os transportou dentro de um recipiente — é responsável pelos alimentos e isento pelo recipiente; mas, se o recipiente lhe era necessário , para usá-lo noutra função no lugar para onde o transportou, é responsável também pelo recipiente. Conclui a Guemará: conclui-se disso que aquele que come duas azeitonas de gordura proibida (chelev) num único lapso de consciência é responsável duas vezes , tal como aqui o alimento e o recipiente, quando este é necessário, são contados separadamente! Disse Rav Sheshet: aqui, do que estamos tratando? De um caso em que …
Uma baraita esclarece a nova Mishná: quando o alimento transportado atinge exatamente a medida mínima, e o recipiente que o contém não tinha função própria naquele momento — servindo apenas para carregar o alimento —, a pessoa é responsável somente pelo transporte do alimento, e isenta pelo recipiente, que permanece secundário. Mas, se o recipiente lhe era necessário para outro uso no destino do transporte, ele deixa de ser secundário, e a pessoa é responsável por dois atos de transporte simultâneos — o do alimento e o do recipiente — como se tivesse transportado dois objetos distintos e importantes num só movimento. A Guemará infere disso uma aplicação surpreendente às leis de responsabilidade por transgressões alimentares: se dois objetos transportados juntos, cada um "importante" à sua maneira, geram responsabilidade dupla, então, por analogia, alguém que come duas azeitonas de gordura proibida (chelev) num único lapso de consciência (sem saber, durante todo o processo, que estava transgredindo) deveria ser responsável duas vezes — uma por cada azeitona, já que cada uma, isoladamente, já constitui a medida mínima completa para a transgressão. Rav Sheshet começa a explicar por que essa inferência não é necessariamente correta, dizendo "aqui, do que estamos tratando? De um caso em que —", mas a folha termina exatamente neste ponto, no meio da frase. Confirmado via Sefaria, 94a completa a resposta de Rav Sheshet: "de um caso em que ele errou quanto ao alimento, mas agiu deliberadamente quanto à proibição da gordura" — isto é, a baraita sobre a medida exata do alimento não trata de um lapso de consciência total, mas de um caso em que a pessoa sabia que a gordura era proibida, e errou apenas quanto ao ato de transportá-la em Shabat; por isso, dali nada se pode inferir sobre quem come, num único lapso de consciência completo, duas azeitonas de gordura proibida. Não há, em nenhum ponto desta folha, a expressão "הדרן" (a fórmula que assinalaria o encerramento do Perek Yud), de modo que o perek prossegue sem interrupção, e a discussão sobre essa dificuldade continua diretamente no início de 94a.
"'GUEMARÁ — E é isento pelo recipiente'" — pois ele é secundário em relação ao alimento. "'Mas, se o recipiente lhe era necessário'" — para usá-lo, numa função diferente, no lugar para onde o transportou. "'É responsável'" — por cada um dos dois, separadamente, do mesmo modo que ele é responsável duas vezes por dois atos de transporte de Shabat num único lapso de consciência.