Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Gimel (HaOreg)
לֹא כׇּל הַבֵּיבָרִין שָׁוִין

Conclusão da mishná sobre cervo e cercados; Rabban Shimon ben Gamliel; a contradição entre Beitzá e a Tosefta sobre os cercados; a halakhá; baraitot sobre cervo e insetos; duas novas mishnayot sobre fechar a porta ao cervo

Shabbat 106b · continuação direta de 106a · Perek Yud-Gimel, HaOreg

Shabbat 106b abre completando a frase com que 106a terminou em meio à opinião dos Sábios: além do pássaro para o pombal, quem caça um cervo para o jardim, para o pátio ou para os cercados também está obrigado. Rabban Shimon ben Gamliel discorda dos Sábios quanto ao critério: nem todos os cercados são iguais — a regra é que, quando a caça ainda está deficiente (o animal pode escapar), está isento, e quando não está deficiente, está obrigado. A guemará então traz uma contradição entre a mishná de Beitzá, que permite caçar animal e ave (mas não peixe) dos cercados em Yom Tov, e uma Tosefta que proíbe caçar de todos os cercados. A contradição quanto a animais é resolvida atribuindo as fontes a Rabi Yehudá e aos Sábios; quanto a aves, permanece difícil até que Rabá bar Rav Huná explique que a mishná (que isenta pássaro para casa) trata do pássaro livre (tzipor dror), que não aceita domínio algum. A guemará então estabelece, também para animais, a distinção entre cercado grande e pequeno, com três critérios possíveis de Rav Ashi. Segue-se a halakhá — como Rabban Shimon ben Gamliel —, com o breve diálogo entre Abaié e Rav Yosef sobre a utilidade de se estudar mesmo sem consequência prática. Duas baraitot tratam de casos específicos de captura: cervo cego, dormindo, coxo, velho ou doente; e gafanhotos, vespas e mosquitos, com a opinião de Elazar ben Mahavai sobre insetos em bando. O daf termina com duas novas mishnayot: a primeira, sobre um cervo que entra sozinho na casa e a porta é fechada por um ou por dois; a segunda, sobre sentar-se na entrada para completá-la ou para guardá-la, com a guemará intermediária de Shmuel sobre caçar um leão, que só se considera capturado ao ser introduzido em sua jaula.

Conclusão da mishná: cervo para jardim, pátio e cercados; Rabban Shimon ben Gamliel · לֹא כׇּל הַבֵּיבָרִין שָׁוִין

447Conclusão da mishná: um cervo para o jardim, para o pátio ou para os cercados — está obrigado. Rabban Shimon ben Gamliel: nem todos os cercados são iguais; a regra: quando a caça é deficiente, está isento; quando não é deficiente, está obrigado
Mishná (continuação de 106a)
וּצְבִי לַגִּינָּה וְלֶחָצֵר וְלַבֵּיבָרִין — חַיָּיב. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר: לֹא כׇּל הַבֵּיבָרִין שָׁוִין. זֶה הַכְּלָל: מְחוּסָּר צִידָה — פָּטוּר, שֶׁאֵינוֹ מְחוּסָּר צִידָה — חַיָּיב.

(Continuação de 106a — "e os Sábios dizem: um pássaro para um pombal —") e (quem caça) um cervo para o jardim, para o pátio ou para os cercados — está obrigado. Rabban Shimon ben Gamliel diz: nem todos os cercados são iguais. Esta é a regra: (quando) a caça (do animal) é deficiente — está isento; (quando) a caça não é deficiente — está obrigado.

Nota — completando a mishná de 106a

Confirmado via Sefaria: esta é exatamente a continuação da opinião dos Sábios que 106a deixou interrompida. Os Sábios completam sua lista: além do pássaro capturado ao ser introduzido em um pombal, também um cervo é considerado capturado ao ser introduzido em um jardim, em um pátio ou em cercados (bivarin, recintos murados para animais). Rabban Shimon ben Gamliel qualifica essa regra: não basta o animal estar dentro de um espaço cercado — depende do tamanho e das características do cercado. Ele formula um princípio geral: se, apesar de estar dentro do cercado, ainda é necessário perseguir e apanhar o animal (a "caça está deficiente"), a introdução no cercado não constitui, por si só, a captura completa, e quem o introduziu não está obrigado; mas se o animal já não pode escapar de modo algum dentro daquele espaço, a captura já está completa, e há obrigação.

Guemará: a contradição entre a mishná de Beitzá e a Tosefta sobre os cercados · בֵּיבָרִין שֶׁל חַיּוֹת וְשֶׁל עוֹפוֹת

448Guemará: aprendemos em Beitzá — não se caça peixes dos cercados em Yom Tov, mas caça-se animal e ave; contrapõe-se a Tosefta — não se caça de nenhum cercado; difícil quanto a animal e quanto a aves
A Guemará
גְּמָ׳ תְּנַן הָתָם: אֵין צָדִין דָּגִים מִן הַבֵּיבָרִין בְּיוֹם טוֹב, וְאֵין נוֹתְנִין לִפְנֵיהֶם מְזוֹנוֹת. אֲבָל צָדִין חַיָּה וָעוֹף, וְנוֹתְנִין לִפְנֵיהֶם מְזוֹנוֹת. וּרְמִינְהוּ: בֵּיבָרִין שֶׁל חַיּוֹת וְשֶׁל עוֹפוֹת וְשֶׁל דָּגִים — אֵין צָדִין מֵהֶם בְּיוֹם טוֹב, וְאֵין נוֹתְנִין לִפְנֵיהֶם מְזוֹנוֹת. קַשְׁיָא חַיָּה אַחַיָּה, קַשְׁיָא עוֹפוֹת אַעוֹפוֹת.

GUEMARÁ. Aprendemos ali (na mishná de Beitzá): não se caça peixes dos cercados em Yom Tov, e não se coloca alimento diante deles; mas caça-se animal e ave, e coloca-se alimento diante deles. E contrapuseram (uma baraita): cercados de animais, de aves e de peixes — não se caça deles em Yom Tov, e não se coloca alimento diante deles. É difícil (a contradição) animal contra animal; é difícil aves contra aves.

Nota

A guemará abre citando a mishná de Beitzá, que trata das leis do Festival: dos cercados de peixe não se pode caçar, nem alimentá-los, pois o peixe é muktzê (não se pode comê-lo recém-capturado, sem preparo prévio) e não vale a pena o trabalho por ele; mas de cercados de animais ou aves, pode-se caçar e alimentá-los, porque já são considerados "capturados" dentro do cercado. A guemará então cita uma Tosefta que parece contradizer diretamente essa mishná, proibindo caçar de qualquer tipo de cercado — de animais, aves ou peixes igualmente. Surge, assim, uma dupla dificuldade: por que a mishná permite caçar animal do cercado, se a Tosefta proíbe? E por que a mishná permite caçar ave, se a Tosefta também proíbe?

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "beivarin", "ein tzadin mehen" e "ein notnin lifneihen mezonot"
ביברין - קרפיפות מוקפין: אין צדין מהן בי"ט - אלמא לאו ניצוד ועומד קא חשיב ליה ש"מ המכניסו לביבר אין זו צידתו: ואין נותנין לפניהן מזונות - כיון דהן מוקצה לא מצי למטרח עלייהו:

"'Cercados'" — recintos murados. "'Não se caça deles em Yom Tov'" — logo, não se considera (o animal ali) já capturado e parado; disso se aprende que introduzi-lo no cercado não é sua captura completa. "'E não se coloca alimento diante deles'" — visto que são (considerados) muktzê, não se pode dar-se ao trabalho por eles.

449Está bem quanto a animal contra animal, não é difícil: isto (segue) Rabi Yehudá, isto (segue) os Sábios
A Guemará
בִּשְׁלָמָא חַיָּה אַחַיָּה לָא קַשְׁיָא: הָא רַבִּי יְהוּדָה, הָא רַבָּנַן.

Está bem quanto a (contradição) animal contra animal, não é difícil: isto (segue) Rabi Yehudá, isto (segue) os Sábios (Rabanan).

Nota

A guemará resolve primeiro a metade mais simples da contradição. A Tosefta, que proíbe caçar animais do cercado, segue a opinião de Rabi Yehudá (mishná de 106a), para quem um cervo só está capturado ao ser introduzido numa casa fechada — dentro de um mero cercado, ainda é necessário persegui-lo, e por isso a captura ali não se considera concluída. Já a mishná de Beitzá, que permite caçar animais dos cercados, segue os Sábios, para quem o cercado já é suficiente para considerar o animal capturado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ha Rabi Yehudá"
הא רבי יהודה - ההיא דאין צדין רבי יהודה היא דבמתניתין לא חשיב לה צידה עד שיכניסו לבית:

"'Isto (é) Rabi Yehudá'" — aquela (Tosefta), de que não se caça, é (segundo) Rabi Yehudá, que, na mishná, não considera (haver) captura até que o introduza na casa.

450Mas quanto a aves contra aves é difícil! E se disseres: cercado coberto contra descoberto — mas tanto para Rabi Yehudá quanto para os Sábios, pássaro para o pombal, sim; para a casa, não!
A Guemará
אֶלָּא עוֹפוֹת אַעוֹפוֹת קַשְׁיָא! וְכִי תֵּימָא, עוֹפוֹת אַעוֹפוֹת נָמֵי לָא קַשְׁיָא: הָא בֵּיבָר מְקוֹרֶה, הָא בֵּיבָר שֶׁאֵינוֹ מְקוֹרֶה — וְהָא בַּיִת דִּמְקוֹרֶה הוּא, וּבֵין לְרַבִּי יְהוּדָה וּבֵין לְרַבָּנַן צִפּוֹר לַמִּגְדָּל — אִין, לַבַּיִת — לָא!

Mas (quanto à contradição) aves contra aves é difícil! E se disseres: aves contra aves também não é difícil: isto (é) cercado coberto, isto (é) cercado que não é coberto — mas a casa é coberta, e tanto para Rabi Yehudá quanto para os Sábios, (dizem que quem caça) um pássaro para um pombal — sim (está obrigado); para uma casa — não!

Nota

A segunda metade da contradição, sobre aves, permanece de pé. A guemará tenta uma solução paralela: talvez a mishná de Beitzá (que permite caçar ave do cercado) trate de um cercado coberto, no qual a ave já é considerada capturada, e a Tosefta (que proíbe) trate de um cercado descoberto, no qual a ave ainda pode voar para fora. Mas essa solução falha: uma casa comum já é coberta, e, mesmo assim, tanto Rabi Yehudá quanto os Sábios concordam (na mishná de 106a) que um pássaro só é considerado capturado ao ser introduzido especificamente num pombal fechado — não basta ser introduzido numa casa coberta comum, pois dali ainda pode escapar por janelas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ofot a'ofot kashya" e "beivar mekoreh"
עופות אעופות קשיא - דהא בין לר' יהודה בין לרבנן צפור למגדל קאמרי: ביבר מקורה - הוי ניצוד:

"'Aves contra aves é difícil'" — pois tanto Rabi Yehudá quanto os Sábios dizem (que a captura se dá) com pássaro para o pombal. "'Cercado coberto'" — é (considerado) capturado.

451Rabá bar Rav Huná: trata-se aqui de um pássaro livre (tzipor dror), que não aceita domínio; agora que chegaste a isto, animal contra animal também não é difícil — cercado grande contra cercado pequeno
Rabá bar Rav Huná
אָמַר רַבָּה בַּר רַב הוּנָא: הָכָא בְּצִפּוֹר דְּרוֹר עָסְקִינַן, לְפִי שֶׁאֵינָהּ מְקַבֶּלֶת מָרוּת. דְּתָנָא דְּבֵי רַבִּי יִשְׁמָעֵאל: לָמָּה נִקְרָא שְׁמָהּ ״צִפּוֹר דְּרוֹר״ — מִפְּנֵי שֶׁדָּרָה בַּבַּיִת כְּבַשָּׂדֶה. הַשְׁתָּא דְּאָתֵית לְהָכִי — חַיָּה אַחַיָּה נָמֵי לָא קַשְׁיָא, הָא בְּבֵיבָר גָּדוֹל, הָא בְּבֵיבָר קָטָן.

Disse Rabá bar Rav Huná: aqui (na mishná que não considera capturado um pássaro para a casa), estamos tratando de um pássaro livre (tzipor dror), porque ele não aceita domínio (sobre si). Pois ensinou a escola de Rabi Yishmael: por que se chama seu nome "pássaro livre" (tzipor dror)? Porque ele mora (dará) na casa como no campo. Agora que chegaste a isto — (a contradição) animal contra animal também não é difícil: isto (é) em cercado grande, isto (é) em cercado pequeno.

Nota

Rabá bar Rav Huná resolve a contradição sobre aves de outro modo: a mishná não fala de qualquer pássaro comum, mas especificamente do tzipor dror, um pássaro por natureza indomável, que se recusa a se acostumar a viver sob teto — daí seu nome, "livre" (dror), pois "mora" (dará) numa casa exatamente como moraria num campo aberto, sempre buscando escapar de canto em canto. Por isso, mesmo numa casa coberta, esse pássaro em particular não está capturado; só num pombal fechado, de onde não há como escapar. Uma vez estabelecida essa distinção qualitativa (o tipo de animal, não o tipo de cercado), a guemará aplica um raciocínio análogo, mas quantitativo, à contradição sobre animais: a mishná de Beitzá (que permite) trata de um cercado pequeno, do qual o animal não pode escapar de forma alguma; a Tosefta (que proíbe) trata de um cercado grande, no qual, apesar de estar murado, o animal ainda consegue evitar ser apanhado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "betzipor dror", "hashta de'atit lehacha", "chaya achaya nami", "veha beivar katan" e "veha"
בצפור דרור - מתני' דקתני צפור לבית לא בצפור דרור עסקינן שדרכה לדור בבית כבשדה ונשמטת מזוית לזוית: השתא דאתית להכי - לאוקמינהו לתרווייהו כרבנן: חיה אחיה נמי - מוקמי כרבנן: והא ביבר קטן - מתניתין דהכא: והא - מתניתין דביצה בביבר גדול:

"'Com um pássaro livre'" — a mishná que ensina (que) um pássaro para a casa (não está capturado) não trata de um pássaro livre, cujo costume é morar na casa como no campo, escapulindo de canto em canto. "'Agora que chegaste a isto'" — para estabelecer ambas (as fontes) segundo os Sábios (Rabanan). "'Animal contra animal também'" — estabelecem-se segundo os Sábios. "'E isto (é) cercado pequeno'" — a mishná daqui (deste tratado, 106a). "'E isto'" — a mishná de Beitzá, em cercado grande.

452Como são cercado grande e cercado pequeno? Rav Ashi: alcançável em uma investida, ou sombras das paredes que se tocam, ou ausência de cantos — cercado pequeno; o resto — cercado grande
Rav Ashi
הֵיכִי דָּמֵי בֵּיבָר גָּדוֹל, הֵיכִי דָּמֵי בֵּיבָר קָטָן? אָמַר רַב אָשֵׁי: כׇּל הֵיכָא דְּרָהֵיט בָּתְרֵיהּ וּמָטֵי לֵהּ בְּחַד שִׁיחְיָיא — בֵּיבָר קָטָן, וְאִידַּךְ — בֵּיבָר גָּדוֹל. אִי נָמֵי: כׇּל הֵיכָא דְּנָפֵיל טוּלָּא דִכְתָלִים אַהֲדָדֵי — בֵּיבָר קָטָן, וְאִידַּךְ — בֵּיבָר גָּדוֹל. וְאִי נָמֵי: כׇּל הֵיכָא דְּלֵיכָּא עוּקְצֵי עוּקְצֵי — בֵּיבָר קָטָן, וְאִידַּךְ — בֵּיבָר גָּדוֹל.

Como são (as circunstâncias) de um cercado grande, como são (as circunstâncias) de um cercado pequeno? Disse Rav Ashi: todo lugar onde se corre atrás dele e se o alcança em uma só investida — é cercado pequeno; e o outro — é cercado grande. Ou então: todo lugar onde a sombra das paredes cai uma sobre a outra — é cercado pequeno; e o outro — é cercado grande. E também: todo lugar onde não há cantos e mais cantos — é cercado pequeno; e o outro — é cercado grande.

Nota

A guemará busca uma definição prática para a distinção recém-estabelecida. Rav Ashi propõe três critérios possíveis, sem decidir entre eles: (1) um critério de esforço — se, correndo atrás do animal, é possível alcançá-lo numa só investida, sem perseguição prolongada, o cercado é pequeno; caso contrário, é grande; (2) um critério visual — como todos os cercados tinham a mesma altura de parede, se as sombras das paredes opostas se encontram (indicando que o espaço entre elas é estreito o bastante), o cercado é pequeno; (3) um critério de forma — se o cercado não tem reentrâncias ou cantos onde o animal possa se esconder e evitar a captura, é pequeno; se tem, é grande.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "shichyá", "uktzei" e "ve'idach"
שיחייא - מרוצה שהוא שוחה לאחוז בה: עוקצי - פיאות להשמט בהן: ואידך - כל מי שאינו כן:

"'Investida (shichyá)'" — uma corrida em que ele se abaixa para agarrá-lo. "'Cantos'" — recantos para se escapar neles. "'E o outro'" — todo (cercado) que não é assim.

453"Rabban Shimon ben Gamliel diz" etc. Rav Yosef, em nome de Shmuel: a halakhá é como Rabban Shimon ben Gamliel. Abaié: segue-se que discordam? Rav Yosef: que diferença isso faz? Abaié: aprender a tradição como uma canção?
Rav Yosef; Abaié
רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר וְכוּ׳. אָמַר רַב יוֹסֵף אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: הֲלָכָה כְּרַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל. אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי: הֲלָכָה, מִכְּלָל דִּפְלִיגִי? אֲמַר לֵיהּ מַאי נָפְקָא לָךְ מִינַּהּ? אֲמַר לֵיהּ גְּמָרָא גְּמוֹר זְמוֹרְתָּא תְּהֵא?

"Rabban Shimon ben Gamliel diz" etc. (retomando a mishná). Disse Rav Yosef, disse Rav Yehudá, disse Shmuel: a halakhá é como Rabban Shimon ben Gamliel. Disse-lhe Abaié: "a halakhá" — segue-se disso que (os Sábios) discordam (dele)? Disse-lhe: que diferença isso faz para ti? Disse-lhe: (é para) aprender a tradição, (e que) seja como uma canção?

Nota

A guemará registra a decisão halákhica: segue-se Rabban Shimon ben Gamliel, para quem a distinção entre cercado grande e pequeno é o critério decisivo. Abaié questiona a formulação: dizer que "a halakhá é como Rabban Shimon ben Gamliel" pressupõe que há uma disputa — mas, pela resolução anterior (450), os próprios Sábios também concordam, em última análise, com a distinção entre cercado grande e pequeno! Rav Yosef responde que, na prática, não importa se há disputa real ou não — o resultado halákhico é o mesmo. Abaié retruca com uma expressão popular: aprender e transmitir a tradição não deve ser um mero repetir mecânico, "como uma canção" cantarolada sem compreensão; é preciso entender exatamente o que está em jogo, mesmo quando isso não altera a conclusão prática.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "mikelal deplig'i", "mai nafka lach mina" e "zemorta tehei"
מכלל דפליגי - והא אוקימנא דרבנן נמי בביבר קטן אמרי: מאי נפקא לך מינה - כ"ש כיון דלא פליגי עליה הלכתא כוותיה: זמורתא תהא - אומר השמועה בזמירה בעלמא בלא צורך:

"'Segue-se que discordam'" — mas nós já estabelecemos que os Sábios também dizem (que se aplica) em cercado pequeno! "'Que diferença isso faz para ti'" — tanto mais, já que não discordam dele, a halakhá é como ele. "'Que seja como uma canção'" — dizer a tradição (apenas) como uma melodia, sem necessidade (de compreendê-la)?

Baraitot: cervo cego e dormindo; gafanhotos, vespas e mosquitos · הַצָּד צְבִי סוֹמֵא וְיָשֵׁן

454Baraita: cervo cego ou dormindo — obrigado; coxo, velho ou doente — isento, pois não costumam fugir; contradição sobre o doente, resolvida entre febre e fadiga
Baraita; Abaié e Rav Yosef; Rav Sheshet
תָּנוּ רַבָּנַן: הַצָּד צְבִי סוֹמֵא וְיָשֵׁן — חַיָּיב. חִיגֵּר, וְזָקֵן וְחוֹלֶה — פָּטוּר. אֲמַר לֵיהּ אַבָּיֵי לְרַב יוֹסֵף: מַאי שְׁנָא הָנֵי, וּמַאי שְׁנָא הָנֵי? הָנֵי עֲבִידִי לְרַבּוֹיֵי, הָנֵי לָא עֲבִידִי לְרַבּוֹיֵי. וְהָתַנְיָא: חוֹלֶה חַיָּיב! אָמַר רַב שֵׁשֶׁת, לָא קַשְׁיָא: הָא בְּחוֹלֶה מֵחֲמַת אִישָּׁתָא, הָא בְּחוֹלֶה מֵחֲמַת אוּבְצָנָא.

Ensinaram os Sábios: quem caça um cervo cego ou dormindo — está obrigado; (quem caça um cervo) coxo, velho ou doente — está isento. Disse-lhe Abaié a Rav Yosef: em que são diferentes estes, e em que são diferentes aqueles? (Respondeu Rav Yosef:) estes costumam fugir; aqueles não costumam fugir. Mas não foi ensinado: (o cervo) doente — está obrigado! Disse Rav Sheshet: não é difícil: isto (é) em doente por causa de febre; isto (é) em doente por causa de fadiga.

Nota

A baraita distingue casos em que um cervo, embora ainda não formalmente preso, já não pode fugir — sendo, por isso, considerado "já capturado", de modo que apanhá-lo nessas condições não constitui a melachá de caçar (e, portanto, quem o faz está isento). Um cervo cego ou dormindo, ao sentir a presença de um homem, ainda tende a se assustar e fugir — por isso, capturá-lo é considerado caçar de verdade, e há obrigação. Já um cervo coxo, velho ou doente, tipicamente, não tem mais condições físicas de fugir — já está, de fato, "capturado e parado" antes mesmo de ser apanhado. A guemará nota uma contradição interna: outra baraita ensina que o cervo doente está obrigado! Rav Sheshet resolve distinguindo dois tipos de doença: a febre, que debilita mas não imobiliza completamente (o animal ainda pode, com esforço, tentar fugir — obrigado), e a fadiga extrema, que o deixa totalmente incapaz de se mover (isento).

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "sumá veyashen avidi leravuyei" e "uvtzaná"
סומא וישן עבידי לרבויי - לישמט כשמרגישין יד אדם: אובצנא - עייפות שאינו יכול לזוז ממקומו נצוד ועומד הוא:

"'Cego e dormindo costumam fugir'" — escapulir quando sentem a mão de um homem. "'Fadiga (uvtzaná)'" — cansaço, de modo que não pode mover-se do lugar; está capturado e parado.

455Baraita: gafanhotos, vespas e mosquitos — Rabi Meir obriga; os Sábios: depende se a espécie costuma ser caçada; outra baraita: gafanhotos no orvalho, isento; no calor, obrigado; Elazar ben Mahavai: se em bando, isento — dúvida resolvida
Baraita; Rabi Meir; os Sábios; Elazar ben Mahavai
תָּנוּ רַבָּנַן: הַצָּד חֲגָבִין, גַּזִּין, צְרָעִין וְיַתּוּשִׁין בְּשַׁבָּת — חַיָּיב, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: כׇּל שֶׁבְּמִינוֹ נִיצּוֹד — חַיָּיב, וְכֹל שֶׁאֵין בְּמִינוֹ נִיצּוֹד — פָּטוּר. תַּנְיָא אִידַּךְ: הַצָּד חֲגָבִים בִּשְׁעַת הַטַּל — פָּטוּר, בִּשְׁעַת הַשָּׁרָב — חַיָּיב. אֶלְעָזָר בֶּן מַהֲבַאי אוֹמֵר: אִם הָיוּ מְקַלְּחוֹת וּבָאוֹת — פָּטוּר. אִיבַּעְיָא לְהוּ: אֶלְעָזָר בֶּן מַהֲבַאי אַרֵישָׁא קָאֵי, אוֹ אַסֵּיפָא קָאֵי? תָּא שְׁמַע: הַצָּד חֲגָבִין בִּשְׁעַת הַטַּל — פָּטוּר, בִּשְׁעַת הַשָּׁרָב — חַיָּיב, אֶלְעָזָר בֶּן מַהֲבַאי אוֹמֵר: אֲפִילּוּ בִּשְׁעַת הַשָּׁרָב, אִם הָיוּ מְקַלְּחוֹת וּבָאוֹת — פָּטוּר.

Ensinaram os Sábios: quem caça gafanhotos, gazin, vespas e mosquitos no Shabat — está obrigado; palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: tudo cuja espécie é (costumeiramente) caçada — está obrigado; e tudo cuja espécie não é (costumeiramente) caçada — está isento. Foi ensinado em outra (baraita): quem caça gafanhotos na hora do orvalho — está isento; na hora do calor — está obrigado. Elazar ben Mahavai diz: se estavam vindo em bando — está isento. Foi levantada uma dúvida perante eles: Elazar ben Mahavai refere-se à primeira cláusula, ou refere-se à última cláusula? Vem e ouve: quem caça gafanhotos na hora do orvalho — está isento; na hora do calor — está obrigado; Elazar ben Mahavai diz: mesmo na hora do calor, se estavam vindo em bando — está isento.

Nota

A primeira baraita opõe Rabi Meir, para quem caçar qualquer um desses pequenos animais obriga, aos Sábios, para quem a obrigação depende do uso costumeiro da espécie: gafanhotos e gazin (uma espécie pura de gafanhoto, comestível) costumam ser caçados para consumo, e por isso obrigam; vespas e mosquitos não têm essa utilidade típica, e por isso isentam. Uma segunda baraita acrescenta uma distinção temporal específica para gafanhotos: pela manhã, com o orvalho, seus olhos ficam temporariamente ofuscados pela umidade, tornando-os incapazes de fugir — já "capturados e parados", isentando quem os apanha; no calor do dia, quando estão ativos e podem escapar, há obrigação plena. Elazar ben Mahavai acrescenta uma ressalva sobre gafanhotos em bando (voando juntos, em massa, prontos para serem colhidos com facilidade). A guemará levanta a dúvida sobre a que cláusula essa ressalva se aplica, e resolve, com uma versão mais explícita da baraita, que ela se aplica mesmo à cláusula do calor: mesmo quando geralmente haveria obrigação (por estarem ativos), se estão em bando denso, a facilidade extrema da captura a torna, ainda assim, isenta.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hagazin", "beminó nitzod", "she'ein beminó nitzod", "chagavim bishat hatal", "mekalchot" e "arisha ka'i"
הגזין - מין חגב טהור הוא ונאכלין: במינו ניצוד - כגון חגבים והגזין: שאין במינו ניצוד - צירעין ויתושין שאינן לצורך: חגבים בשעת הטל - עיניהם מתעוורות והרי הן ניצודין ועומדין: מקלחות - הרבה ביחד שהן מזומנות ליקח: ארישא קאי - דאף בשעת הטל אם מקלחות ובאות שרי ואי לא אסור:

"'Os gazin'" — uma espécie de gafanhoto puro (kasher), e são comestíveis. "'Cuja espécie é caçada'" — como os gafanhotos e os gazin. "'Cuja espécie não é caçada'" — vespas e mosquitos, que não são para (esse) uso. "'Gafanhotos na hora do orvalho'" — seus olhos ficam ofuscados, e eis que estão capturados e parados. "'Vindo em bando (mekalchot)'" — muitos juntos, de modo que estão prontos para serem tomados. "'Refere-se à primeira cláusula'" — que mesmo na hora do orvalho, se vêm em bando, é permitido; e, se não, é proibido.

Nova mishná: um cervo que entrou na casa e a porta foi fechada · צְבִי שֶׁנִּכְנַס לַבַּיִת

456Mishná: um cervo que entrou na casa e um fechou (a porta) diante dele — obrigado. Se dois a fecharam — isentos. Se um não podia fechá-la sozinho e dois a fecharam — obrigados. E Rabi Shimon isenta
Mishná
מַתְנִי׳ צְבִי שֶׁנִּכְנַס לַבַּיִת וְנָעַל אֶחָד בְּפָנָיו — חַיָּיב. נָעֲלוּ שְׁנַיִם — פְּטוּרִין. לֹא יָכוֹל אֶחָד לִנְעוֹל וְנָעֲלוּ שְׁנַיִם — חַיָּיבִין. וְרַבִּי שִׁמְעוֹן פּוֹטֵר.

MISHNÁ. Um cervo que entrou na casa, e um (homem) fechou (a porta) diante dele — está obrigado. Se dois a fecharam — estão isentos. Se um não podia fechá-la sozinho, e dois a fecharam — estão obrigados. E Rabi Shimon isenta.

Nota — nova mishná

Confirmado via Sefaria: esta é uma nova mishná (a sexta do Perek Yud-Gimel, HaOreg), que retoma o tema da captura de um cervo, agora tratando de um cervo que já entrou sozinho na casa, sem ter sido perseguido — e a única ação humana é fechar a porta atrás dele. Se um único homem fecha a porta, ele é o único que realiza a melachá completa de captura, e está plenamente obrigado. Se dois homens fecham a porta juntos, nenhum dos dois realizou sozinho a melachá completa — e, pela regra geral de que "dois que fizeram" (juntos) uma única melachá completa não são responsáveis por ela individualmente, ambos ficam isentos. Mas se a porta era tão pesada que um único homem não conseguiria fechá-la sozinho, então, quando dois a fecham juntos, cada um deles realiza um trabalho que, sem o outro, não se realizaria — e, nesse caso especial, ambos são considerados obrigados. Rabi Shimon discorda dessa última cláusula e isenta também nesse caso, por sustentar, com base em sua leitura dos versículos (já discutida no capítulo HaMatzní), que "isto não pode e isto não pode" nunca gera responsabilidade conjunta pela Torá.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "tzvi shenichnas", "ve'na'al echad befanav", "na'alu shnayim petzurim", "lo yachol echad linol" e "veRabi Shimon poter"
מתני' צבי שנכנס - מאליו: ונעל אחד בפניו - זו היא צידתו: נעלו שנים פטורים - דהוי להו שנים שעשאוה: לא יכול אחד לנעול - אורחיה הוא לנעול בשנים והרי לכל אחד מלאכה דבלא איהו לא מתעבדא: ורבי שמעון פוטר - לטעמיה דדריש קראי למיפטר זה אינו יכול וזה אינו יכול בפרק המצניע (לעיל שבת צב:):

"'MISHNÁ: um cervo que entrou'" — por si mesmo. "'E um fechou diante dele'" — esta é sua captura completa. "'Se dois a fecharam, estão isentos'" — pois são, para eles, dois que a fizeram (juntos). "'Se um não podia fechá-la sozinho'" — seu costume é fechá-la com dois, e assim há, para cada um, um trabalho que, sem ele, não se realizaria. "'E Rabi Shimon isenta'" — segundo seu próprio raciocínio, pois ele deriva dos versículos para isentar (o caso de) "este não pode e este não pode", no capítulo HaMatzní (acima, Shabat 92b).

457Guemará: Shmuel — quem caça um leão no Shabat só está obrigado ao introduzi-lo em sua jaula
Rabi Yirmeya bar Abá em nome de Shmuel
גְּמָ׳ אָמַר רַבִּי יִרְמְיָה בַּר אַבָּא אָמַר שְׁמוּאֵל: הַצָּד אֲרִי בְּשַׁבָּת — אֵינוֹ חַיָּיב עַד שֶׁיַּכְנִיסֶנּוּ לַגּוּרְזָקִי שֶׁלּוֹ.

GUEMARÁ. Disse Rabi Yirmeya bar Abá, disse Shmuel: quem caça um leão no Shabat não está obrigado até que o introduza em sua jaula (gurzeki).

Nota

A guemará insere, entre as duas novas mishnayot, um ensinamento sobre a captura de animais especialmente perigosos ou fortes. Um leão não é considerado capturado do mesmo modo que um cervo comum — mesmo que alguém o segure fisicamente ou o feche num cercado comum, isso não constitui captura completa, pois, ao se enfurecer, o leão é capaz de romper barreiras, destruir o que estiver à sua frente e escapar. Só se considera verdadeiramente capturado quando introduzido numa jaula própria e reforçada, construída especificamente para contê-lo com segurança.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hatzad ari" e "ad sheyachnisenu legurzaki shelo"
גמ' הצד ארי - אפילו תופסו אין זו צידתו שכשכועס משחית והולך: עד שיכניסנו לגורזקי שלו - בית משמר העשוי לו כמין תיבה:

"'GUEMARÁ: quem caça um leão'" — mesmo que o segure, isso não é sua captura, pois, quando se enfurece, ele destrói e prossegue. "'Até que o introduza em sua jaula'" — uma casa de guarda feita para ele, em forma de caixa.

Nova mishná: sentar-se na entrada para completá-la ou para guardá-la · יָשַׁב הָאֶחָד עַל הַפֶּתַח

458Mishná: o primeiro senta-se e não a preenche, o segundo preenche — o segundo está obrigado. O primeiro senta-se e preenche, e vem o segundo e senta-se ao lado — o primeiro obrigado, o segundo isento; é como quem fecha sua casa para guardá-la e se constata um cervo guardado dentro
Mishná
מַתְנִי׳ יָשַׁב הָאֶחָד עַל הַפֶּתַח וְלֹא מִילְּאָהוּ, יָשַׁב הַשֵּׁנִי וּמִילְּאָהוּ — הַשֵּׁנִי חַיָּיב. יָשַׁב הָרִאשׁוֹן עַל הַפֶּתַח וּמִילְּאָהוּ, וּבָא הַשֵּׁנִי וְיָשַׁב בְּצִידּוֹ, אַף עַל פִּי שֶׁעָמַד הָרִאשׁוֹן וְהָלַךְ לוֹ — הָרִאשׁוֹן חַיָּיב וְהַשֵּׁנִי פָּטוּר. הָא לְמָה זֶה דּוֹמֶה — לְנוֹעֵל אֶת בֵּיתוֹ לְשׁוֹמְרוֹ וְנִמְצָא צְבִי שָׁמוּר בְּתוֹכוֹ.

MISHNÁ. Sentou-se o primeiro na entrada e não a preencheu; sentou-se o segundo e a preencheu — o segundo está obrigado. Sentou-se o primeiro na entrada e a preencheu, e veio o segundo e sentou-se ao seu lado; ainda que o primeiro se tenha levantado e ido embora — o primeiro está obrigado, e o segundo está isento. A que isto se assemelha? A quem fecha sua casa para guardá-la, e se constata que há um cervo guardado dentro dela.

Nota — nova mishná

Confirmado via Sefaria: esta é a sétima mishná do Perek Yud-Gimel (HaOreg), última do capítulo, que trata de um cervo que já está numa casa cuja entrada está aberta, e um ou mais homens se sentam nessa entrada para bloqueá-la (sem porta física). Se o primeiro se senta mas não ocupa todo o vão — ainda há espaço por onde o cervo poderia escapar —, e só o segundo, ao se sentar, completa o bloqueio, é o segundo quem realiza a captura, e só ele está obrigado. Mas se o primeiro já ocupa todo o vão da entrada — completando, sozinho, a captura —, e um segundo depois vem apenas sentar-se ao seu lado (sem acrescentar nada à vedação), o primeiro permanece o único responsável, mesmo que depois se levante e vá embora, deixando o segundo ali sentado sozinho; o segundo nunca chegou a realizar a captura, apenas passou, incidentalmente, a "guardar" um cervo que já estava capturado. A mishná ilustra esse último caso com uma analogia: é como alguém que tranca a porta de sua própria casa simplesmente para protegê-la (contra ladrões, por exemplo), sem saber que, por acaso, havia um cervo lá dentro — ele não teve intenção de caçar, e por isso está isento, ainda que o efeito final seja o mesmo de uma captura.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hasheni chayav", "ha lemah", "lenoel et beito leshomro" e "venimtza tzvi"
מתני' השני חייב - שהוא צדו: הא למה - שני זה דומה מאחר שנצוד ע"י הראשון: לנועל את ביתו לשומרו - ולא לצוד: ונמצא צבי - שהוא ניצוד כבר שמור בתוכו וכן אע"פ שעמד הראשון אין זה אלא כשומרו לצבי שהיה לו מאתמול:

"'MISHNÁ: o segundo está obrigado'" — pois é ele quem o capturou. "'A que isto se assemelha'" — este segundo, depois que (o cervo) já foi capturado pelo primeiro. "'A quem fecha sua casa para guardá-la'" — e não para caçar. "'E se constata (que há) um cervo'" — que já está capturado, guardado dentro dela; e assim, ainda que o primeiro se tenha levantado, isto não é senão como quem guarda um cervo que já tinha desde ontem.