Shabbat 113a abre concluindo, em poucas palavras, a explicação de por que não é óbvio que Rabi Eliezer ben Yaakov permita atar uma corda diante de um animal, interrompida no fim de 112a nas palavras "poderias pensar": tratando-se de uma entrada com duas cordas, poderias pensar que se anularia uma delas como permanente, já que o animal poderia sair, com dificuldade, soltando apenas uma — por isso se ensina que ambas continuam sendo nós temporários e permitidos. Rav Yossef, em nome de Rav Yehuda e de Shmuel, estabelece então que a halachá segue Rabi Eliezer ben Yaakov; Abaie pergunta se isso implica que os sábios discordam dele, e Rav Yossef responde que tanto faz, pois em qualquer caso a halachá é como Rabi Eliezer ben Yaakov — ao que Abaie retruca, num dito popular, que não basta memorizar a Guemará como quem canta uma canção, sem entender o raciocínio. Segue-se uma nova mishná do capítulo: pode-se atar o balde com uma faixa (paskiá), mas não com uma corda comum; Rabi Yehuda permite também com corda, e formula o princípio geral de que todo nó que não é permanente não gera responsabilidade por atá-lo no Shabat. A Guemará pergunta de que corda se trata — não pode ser corda comum, pois então seria nó permanente mesmo para Rabi Yehuda — e conclui que se trata da corda de tecelão, que este certamente desatará depois do Shabat para seu trabalho; questiona se isso significa que os sábios decretam contra a corda de tecelão por causa da corda comum, e Rabi Yehuda não decreta. Uma baraita é trazida em contradição: a corda do balde que se rompeu não se deve atar com nó, mas apenas com laço; e Rabi Yehuda permite enrolar uma faixa ou cinto oco ao redor, contanto que não se faça laço. A contradição — tanto na opinião dos sábios quanto na de Rabi Yehuda — é resolvida: para os sábios, corda se confunde com corda (por isso decretam), mas laço não se confunde com nó (por isso não decretam contra o laço); para Rabi Yehuda, ali ele não permite o laço por medo de confusão, mas porque o próprio laço já é, para ele, um nó pleno. Rav Abba, em nome de Rav Chiya bar Ashi e de Rav, ensina que se pode trazer uma corda de dentro de casa e atá-la entre a vaca e a manjedoura; Rabi Acha Aricha objeta de uma baraita que permite apenas reaproveitar uma corda já atada de um lado para o outro, mas não trazer corda nova de casa para ambos os lados — resolvido que ali se trata de corda comum, e aqui, de corda de tecelão. Rav Yehuda, em nome de Shmuel, ensina que os utensílios de tecelão podem ser carregados no Shabat; perguntado sobre a viga superior e a viga inferior do tear, ele hesita; posteriormente, Rav Nachman, em nome de Shmuel, afirma que sim, mesmo as vigas, mas não os postes do tear. Rava pergunta a Rav Nachman a razão da diferença — seria por causa dos buracos que se formam ao retirá-los do chão? — citando a mishná segundo a qual buracos que se formam por si sós, como ao desenterrar nabos e rabanetes plantados sob a videira, não geram preocupação de nenhuma ordem, e podem ser retirados no Shabat. Rav Nachman responde que no campo não se vem a nivelar os buracos, mas em casa, sim. Rabi Yochanan, por sua vez, pergunta a Rabi Yehuda bar Livai sobre os mesmos utensílios de tecelão, e este responde que não se carregam, porque não costumam ser carregados nem em dia de semana, dado o seu peso. Segue-se nova mishná: dobram-se as roupas ao despi-las, mesmo quatro ou cinco vezes, e arrumam-se as camas da noite de Shabat para o dia de Shabat, mas não do Shabat para a saída do Shabat; Rabi Yishmael permite dobrar e arrumar de Yom Kipur para Shabat quando coincidem; e há disputa entre o primeiro sábio e Rabi Akiva sobre os sebos de sacrifícios de um dia sagrado oferecidos no outro. A Guemará traz as condições estabelecidas pela escola de Rabi Yanai — a permissão de dobrar vale apenas para uma pessoa sozinha, roupas novas, brancas, e para quem não tem outra roupa para trocar — e a baraita de que a casa do Raban Gamliel não dobrava sequer suas roupas brancas, por terem outras para trocar. Rav Huna ensina: quem tem roupa para trocar, troque; quem não tem, deixe suas roupas soltas para baixo, por respeito ao Shabat, como faziam os ricos. Rav Safra objeta que isso pareceria arrogância; responde-se que, por ser feito apenas às vésperas de Shabat, e não todos os dias, não parece arrogância, mas honra ao dia. Por fim, a Guemará abre o midrash sobre Isaías 58,13 — "e o honrarás", que teu traje de Shabat não seja como o de dia de semana, tal como Rabi Yochanan chamava suas roupas de "meus honradores"; "de não seguires teus próprios caminhos", que teu andar de Shabat não seja como o de dia de semana; "de buscar teus assuntos", teus assuntos são proibidos, mas os assuntos do Céu são permitidos — terminando interrompido exatamente nas palavras "e falar palavra", sem que se explique ainda o que isso ensina; a continuação é o início de Shabat 113b, ainda não publicado.
(Poderias pensar que) uma delas ele anula (tornando-a permanente) — por isso nos ensina (que não é assim).
A Guemará completa a explicação interrompida no fim de Shabat 112b: no caso de uma entrada com duas cordas atadas para impedir que o animal saia, poderia-se pensar que o dono trataria uma delas como permanente e nunca a desataria, já que, soltando apenas a outra, o animal ainda conseguiria sair — ainda que com dificuldade, forçando a passagem por uma abertura mais estreita. A Mishná ensina que isso não ocorre: ambas as cordas continuam sendo consideradas nós temporários, plenamente permitidos, pois o dono normalmente desatará qualquer uma delas quando precisar.
"Uma delas" — uma das extremidades (das cordas). E, segundo outra versão: uma delas ele anula, (pensando que) quando for tirar o animal, não desatará senão a de baixo, e o tirará com dificuldade (pela abertura estreitada pela outra corda ainda atada).
Disse Rav Yossef, que disse Rav Yehuda, que disse Shmuel: a halachá segue Rabi Eliezer ben Yaakov. Disse-lhe Abaie: (se dizes) "a halachá (segue)", segue-se disso que (os sábios) discordam (dele)? Disse-lhe: que diferença faz isso para ti? Disse-lhe: aprender a Guemará (de cor) — vai ela ser (como) uma canção?!
Rav Yossef estabelece, em nome de Rav Yehuda e de Shmuel, que a halachá prática segue a opinião de Rabi Eliezer ben Yaakov, que permite atar a corda diante do animal mesmo quando há duas cordas. Abaie pergunta: mas quando se diz "a halachá segue Fulano", isso pressupõe que existe uma disputa — então os sábios (anônimos) discordam dele? Ou talvez, no caso desta mishná específica, não haja disputa alguma, e todos concordem com Rabi Eliezer ben Yaakov, sendo desnecessário dizer "a halachá segue"? Rav Yossef responde, com certa impaciência: que diferença prática faz para ti saber se há ou não disputa, já que de qualquer forma a halachá é como Rabi Eliezer ben Yaakov? Abaie retruca com uma expressão popular: pretende-se apenas memorizar a conclusão da Guemará, sem entender o raciocínio por trás dela, como quem recita uma canção sem compreender sua letra? É preciso examinar a questão a fundo, mesmo quando isso não altera a prática.
"Segue-se disso que discordam" — em tom de pergunta admirada: e por que discordariam, já que este caso se assemelha aos anteriores (onde não há disputa)?
Atam-se (no Shabat) o balde com uma faixa (paskiá), mas não com uma corda. Rabi Yehuda permite. Princípio disse Rabi Yehuda: todo nó que não é permanente — não se é responsável por ele.
Segue-se nova mishná do capítulo Ve'elu Kesharim, tratando de outro tipo de nó: o que prende um balde à corda com que se puxa água de um poço. Permite-se atar o balde com uma faixa (paskiá), uma espécie de cinto ou tira de tecido, mas não com uma corda comum, presumivelmente porque a corda faria um nó considerado permanente. Rabi Yehuda discorda e permite também com corda, e formula um princípio geral que resume sua posição ao longo de todo o capítulo: qualquer nó que não seja de caráter permanente não acarreta responsabilidade por transgressão de atar no Shabat, mesmo que seja feito com material que, noutro contexto, produziria um nó permanente.
"Atam-se o balde com uma faixa" — à boca do poço, pois a faixa ele não a anula ali (permanentemente). "Mas não com uma corda" — pois ele a anula ali, e (o nó) se torna permanente, já que fica atado e pendurado ali sempre. "E Rabi Yehuda permite" — a Guemará explicará.
Guemará: corda de quê? Se dissermos: corda comum — (mas então) Rabi Yehuda permite? É um nó permanente! Mas (deve ser) corda de tecelão. Isso quer dizer que os sábios sustentam que decretamos (contra a) corda de tecelão por causa da corda comum, e Rabi Yehuda sustenta que não decretamos?
A Guemará questiona a que tipo de corda a mishná se refere quando permite ou proíbe atá-la ao balde. Não pode ser uma corda comum, pois nesse caso até Rabi Yehuda concordaria que se trata de um nó permanente — ele mesmo já ensinou o princípio de que só nós não permanentes são isentos. Conclui-se, portanto, que se trata da corda usada pelo tecelão em seu trabalho, que ele certamente desatará após o Shabat para retomar sua tarefa, tornando o nó temporário. Mas então surge uma questão: os sábios anônimos proíbem atar essa corda de tecelão ao balde, presumivelmente por um decreto preventivo, para que não se confunda com a corda comum e se venha a permitir esta também; e Rabi Yehuda, que permite, sustentaria que não há motivo para tal decreto.
"Corda de tecelão" — é sobre ela que discordam, pois ele precisa dela (para seu trabalho) e não a anula (permanentemente).
E levantemos contra isso (uma baraita): a corda do balde que se rompeu, não a atará (com nó), mas fará (apenas) um laço. E Rabi Yehuda diz: enrola-se sobre ela um cinto (funda) ou uma faixa (paskiá), contanto que não faça laço.
A Guemará levanta uma contradição de uma baraita: quando a corda do balde se rompe no meio, no Shabat, ela não pode ser atada com um nó comum — mesmo que fosse corda de tecelão —, mas apenas com um laço (uma espécie de nó frouxo, facilmente desfeito, chamado "aniva"). E Rabi Yehuda, nesta baraita, parece mais restritivo, não mais permissivo: ele ensina que se deve enrolar sobre a corda rompida um cinto oco (pundá) ou uma faixa (paskiá), evitando fazer até mesmo o laço. Isso parece contradizer tanto a posição dos sábios quanto a de Rabi Yehuda na mishná anterior.
Difícil é (a afirmação) de Rabi Yehuda contra (a afirmação de) Rabi Yehuda, difícil é (a afirmação) dos sábios contra (a afirmação) dos sábios. (A afirmação) dos sábios contra (a afirmação) dos sábios não é difícil: corda com corda se confunde; laço com nó não se confunde. (A afirmação) de Rabi Yehuda contra (a afirmação) de Rabi Yehuda não é difícil: ali, não é porque o laço se confunda com o nó, mas porque o próprio laço, (para ele,) é (considerado) nó pleno.
A Guemará reconhece a dificuldade dupla: há contradição entre uma afirmação de Rabi Yehuda e outra, e entre uma afirmação dos sábios anônimos e outra. Resolve primeiro a dos sábios: eles decretam contra atar a corda de tecelão ao balde (na mishná) porque uma corda pode ser confundida com outra corda — um observador não distingue entre corda de tecelão e corda comum, e poderia vir a permitir esta última também. Mas, na baraita, permite-se fazer um laço (mesmo com corda comum) porque um laço não se confunde visualmente com um nó comum — a distinção é clara, e não há preocupação de que se venha a permitir o nó comum por causa do laço. Quanto a Rabi Yehuda: na mishná ele permite atar (mesmo com nó) a corda de tecelão, porque não teme confusão; mas, na baraita, ele restringe mais, exigindo que se evite até o laço — não por medo de confusão entre laço e nó, mas porque, na sua própria opinião, o laço em si já é considerado um nó pleno e proibido, e por isso deve ser evitado, substituindo-se por um simples enrolar de faixa sem qualquer amarração.
"Se confunde" — não se distingue entre uma e outra; e se permitíssemos com a de tecelão, viríamos a permitir com a comum.
Disse Rabi Abba, que disse Rav Chiya bar Ashi, que disse Rav: uma pessoa pode trazer uma corda de dentro de sua casa e atá-la (entre) a vaca e a manjedoura. Objetou-lhe Rabi Acha Aricha — que é Rabi Acha bar Papa — a Rabi Abba: a corda que está na manjedoura, ata-se (a outra ponta) na vaca; e a que está na vaca, ata-se na manjedoura; contanto que não traga corda de dentro de sua casa e ate (as duas pontas, uma) na vaca e (outra) na manjedoura! (Resposta:) ali (na baraita) é corda comum; aqui (no ensinamento de Rav) é corda de tecelão.
Rav ensina que se pode trazer uma corda de dentro de casa e atar suas duas pontas, uma à vaca e outra à manjedoura, para prendê-la no Shabat — não se trata de nó permanente, pois certamente a desatará depois. Rabi Acha Aricha objeta de uma baraita que parece mais restritiva: permite-se apenas reaproveitar uma corda que já estava atada de um lado (à manjedoura ou à vaca), estendendo-a e atando a outra ponta ao lado que falta; mas não se pode trazer uma corda nova de casa e atar ambas as pontas de uma vez, pois isso pareceria criar um nó permanente logo de início. A Guemará resolve que não há contradição: a baraita, mais restritiva, fala de corda comum, para a qual o receio de nó permanente é maior; o ensinamento de Rav, mais permissivo, fala de corda de tecelão, que ele certamente desatará após o Shabat.
"E ata-o na vaca" — uma extremidade (na manjedoura) e a outra na vaca; e não nos preocupamos que, quando for desatar a vaca, desate apenas o nó que está junto à cabeça (dela), e anule (como permanente) a corda que está na manjedoura, deixando-a pronta para isso; ou que desate a que está na manjedoura e anule a que está na vaca — resultando que uma delas seria permanente.
Disse Rav Yehuda, que disse Shmuel: os utensílios de tecelão é permitido carregá-los no Shabat. Perguntaram a Rav Yehuda: a viga superior e a viga inferior (do tear), o que é (a lei)? Sim e não estava indeciso em sua mão. Foi dito: disse Rav Nachman, que disse Shmuel: os utensílios de tecelão é permitido carregá-los no Shabat, mesmo a viga superior e a viga inferior, mas não os postes.
Rav Yehuda ensina, em nome de Shmuel, que os utensílios do ofício de tecelão podem ser movidos no Shabat, apesar de sua função ser proibida (tecer) — pois se trata de "utensílio cuja função é para uso proibido", que ainda assim pode ser deslocado para outros usos permitidos. Perguntam-lhe especificamente sobre as duas vigas do tear, superior e inferior, que são particularmente pesadas: Rav Yehuda hesita, sem dar resposta clara. Mais tarde, é relatado que Rav Nachman, em nome do mesmo Shmuel, resolve a dúvida afirmativamente: mesmo as vigas podem ser carregadas, mas não os postes verticais do tear, que são fixados no chão e considerados parte da estrutura fixa da casa, e não meros utensílios móveis.
"Utensílios de tecelão" — utensílios de tecelões, e por estar tratando da corda de tecelão, os menciona aqui. "É permitido carregá-los" — as duas varas, para outro uso, e nos ensina que o tecelão não se importa (excessivamente) com eles, e sua função não é (exclusivamente) para uso proibido. "A viga superior e a inferior" — (termo em francês antigo). "O que é (a lei)" — dizemos, acaso, que por serem pesadas não servem normalmente para outro uso, e (o utensílio) se torna algo cuja função é para uso proibido? "E estava indeciso em sua mão" — a resposta estava frouxa em sua boca, se para proibir ou para permitir. "Os postes" — (termo em francês antigo) as (peças) perfuradas nas quais as mulheres tecem.
Disse-lhe Rava a Rav Nachman: em que são diferentes os postes, que não (se carregam)? Se dissermos que é porque faz buracos (ao retirá-los), buracos que se formam por si sós — eis que ensinamos: aquele que esconde nabo e rabanetes sob a videira, se parte de suas folhas estão descobertas, não se preocupa nem por (proibição de) diversos tipos (kilaim), nem por (a lei do) ano sabático, nem por dízimo, e podem ser retirados no Shabat.
Rava questiona Rav Nachman: por que os postes do tear não podem ser carregados no Shabat, se as vigas podem? Se a razão for que, ao retirar o poste do chão (onde está fincado), se cria um buraco — e escavar é proibido no Shabat —, isso não deveria ser um problema, pois o buraco se forma por si só, como efeito colateral inevitável de mover o poste, sem intenção direta de cavar. Rava traz prova de uma mishná sobre quem esconde nabos ou rabanetes sob uma videira para preservá-los: mesmo que parte das folhas fique exposta (o que poderia, por analogia, ligar a planta escondida à videira, gerando preocupações de mistura proibida de espécies, do ano sabático, ou de dízimo), não há preocupação alguma quanto a essas leis, e pode-se retirar o nabo ou rabanete do solo mesmo no Shabat — mostrando que um buraco formado incidentalmente, sem intenção, não é problemático.
"Por que faz buraco" — quando os retira do chão, onde estão fincados num buraco, remove a terra e faz um buraco no lugar do poste. "Não se preocupa" — porque (o nabo) não está enraizado (ali). "Nem por dízimo" — de estar anulado (o dever de dízimo) por causa desta plantação, de modo que, ao retirá-lo, precisaria voltar a dizimá-lo.
No campo — não se vem a nivelar buracos; aqui, em casa — vem-se a nivelar buracos. Perguntou Rabi Yochanan a Rabi Yehuda bar Livai: os utensílios de tecelão, como a viga superior e a viga inferior, o que é (a lei) quanto a carregá-los no Shabat? Disse-lhe: não se carregam. Qual a razão? Porque não são (costumeiramente) levantados (carregados).
Rav Nachman responde a Rava: a diferença está no local. No campo, onde a terra é irregular e não há preocupação estética, ninguém se incomodaria em nivelar o buraco deixado por um nabo retirado — por isso não há decreto. Mas em casa, onde o chão costuma ser mantido plano, há receio real de que a pessoa venha a nivelar o buraco deixado pelo poste, o que constituiria uma proibição plena de trabalho no Shabat; por isso os postes, fincados no chão da casa, não podem ser carregados. Já Rabi Yochanan traz uma pergunta paralela, mas de outra fonte, a seu mestre Rabi Yehuda bar Livai: pode-se carregar os utensílios de tecelão, como as vigas? A resposta aqui é negativa, com um fundamento diferente do de Rav Nachman: não por causa dos buracos, mas simplesmente porque tais vigas, por seu grande peso, não costumam ser carregadas nem durante a semana — sendo praticamente parte fixa do equipamento —, e por isso também no Shabat permanecem no domínio do "não se carrega".
"Porque não são levantados" — mesmo em dia de semana, por causa de seu peso; portanto, toda a sua função é apenas para isso (tecer), e não para outros usos.
Dobram-se as roupas mesmo quatro e cinco vezes, e arrumam-se as camas da noite de Shabat para o (dia de) Shabat, mas não do Shabat para a saída do Shabat. Rabi Yishmael diz: dobram-se as roupas, e arrumam-se as camas de Yom Kipur para Shabat. E os sebos (de sacrifícios) do Shabat são oferecidos em Yom Kipur, mas não os de Yom Kipur no Shabat. Rabi Akiva diz: nem os do Shabat são oferecidos em Yom Kipur, nem os de Yom Kipur são oferecidos no Shabat.
Nova mishná do capítulo trata de preparações que se pode fazer no Shabat em vista de necessidades futuras: pode-se dobrar roupas ao despi-las, mesmo repetidamente (quatro ou cinco vezes ao longo do dia), e arrumar as camas na noite de sexta-feira para o dia de Shabat — mas não se pode arrumar as camas no próprio dia de Shabat em vista da noite seguinte (saída do Shabat), pois isso seria preparar no Shabat para um dia comum, o que é proibido. Rabi Yishmael acrescenta um caso especial: quando Yom Kipur cai numa sexta-feira, pode-se dobrar roupas e arrumar camas nesse Yom Kipur em vista do Shabat que se segue — pois, apesar de Yom Kipur ter suas próprias restrições, a preparação para o Shabat (um dia de maior santidade relativa nesse contexto) é permitida. A mishná passa então a um tema relacionado, mas distinto: quando o Shabat e o Yom Kipur caem em dias sucessivos, os sebos de sacrifícios oferecidos no Shabat (mas não queimados a tempo) podem ser oferecidos no Yom Kipur seguinte — porque a santidade de ambos permite essa continuidade —, mas não o inverso: os sebos de Yom Kipur não podem ser oferecidos num Shabat que o suceda. Rabi Akiva discorda e proíbe em ambas as direções, por considerar os dois dias sagrados como domínios totalmente distintos quanto às ofertas.
"Dobram-se as roupas" — roupas, ao despi-las, dobram-se, porque se amoleceram por terem sido lavadas e se enrugam quando não estão dobradas. "Mesmo quatro ou cinco vezes" — para voltar a vesti-las no mesmo dia. "De Yom Kipur para Shabat" — por exemplo, se Yom Kipur cair na véspera de Shabat. "São oferecidos em Yom Kipur" — quando (o Shabat) cai na saída do Shabat (isto é, Yom Kipur segue imediatamente o Shabat).
Dizem (os sábios) da escola de Rabi Yanai: não ensinaram (que se pode dobrar) senão (quando o faz) uma pessoa sozinha; mas (quando o fazem) duas pessoas — não. E (mesmo quando o faz) uma pessoa sozinha, também não dissemos (que é permitido) senão com roupas novas; mas com (roupas) velhas — não. E (mesmo roupas) novas, também não dissemos (que é permitido) senão (se são) brancas; mas (se são) coloridas — não. E não dissemos (que é permitido) senão quando não tem (outra roupa) para trocar; mas quando tem (outra) para trocar — não.
A escola de Rabi Yanai estabelece quatro condições cumulativas que restringem a permissão da mishná de dobrar roupas no Shabat, pois dobrar pode, em certas circunstâncias, assemelhar-se ao trabalho proibido de "consertar" (metaken) uma peça amassada: (1) a permissão vale apenas quando uma única pessoa dobra sozinha — quando duas pessoas dobram juntas, esticando a peça entre si, isso alisa as rugas de modo mais eficaz e se assemelha mais a um verdadeiro conserto, o que é proibido; (2) mesmo uma pessoa sozinha só pode dobrar roupas novas, que ainda não amoleceram pelo uso e pela lavagem — roupas velhas, mais maleáveis, se alisam mais facilmente ao serem dobradas, tornando o ato mais parecido com consertar; (3) mesmo entre roupas novas, a permissão vale só para as brancas — as coloridas mostram vincos de forma mais nítida, e alisá-los se assemelha mais a consertar; e (4) a permissão vale apenas para quem não tem outra roupa para vestir em substituição — se tem, dobrar a que está usando parece um cuidado excessivo, mais próximo de consertar do que de simplesmente guardar a peça.
"Com duas pessoas" — quando as dobram (juntas), esticam suas rugas, e parece que estão consertando(-as). "Velhas" — dobrá-las conserta-as mais do que às novas, pois as novas já são naturalmente rígidas e não se enrugam depressa. "Coloridas" — dobrá-las conserta-as (mais visivelmente). "Tem" — outras (roupas) para trocar hoje; (se não tem,) não (pode dobrar).
Ensinamos (numa baraita): os da casa do Raban Gamliel não dobravam suas roupas brancas, porque tinham (outras) para trocar. Disse Rav Huna: se tem (roupa) para trocar, troque; e se não tem (roupa) para trocar, deixe suas roupas caídas (soltas). Contestou isso Rav Safra: mas isso não parece arrogância (soberba)? Já que todos os dias não o faz, e agora é que o faz — não parece arrogância.
A baraita relata que a nobre casa do Raban Gamliel, tendo abundância de roupas, sequer se preocupava em dobrar suas roupas brancas ao despi-las — pois sempre tinham outras prontas para vestir, tornando a quarta condição da escola de Rabi Yanai (não ter para trocar) irrelevante para eles. Rav Huna estabelece então uma regra prática para quem não tem tantas roupas: quem dispõe de outra roupa para trocar no Shabat, que a troque, como sinal de honra ao dia; e quem não tem roupa extra, que ao menos deixe suas próprias roupas pendendo mais soltas e compridas do que o habitual — costume dos ricos, que não precisavam recolher as vestes para trabalhar — como gesto de deferência ao Shabat. Rav Safra objeta que esse gesto poderia parecer ostentação ou arrogância, se feito apenas para impressionar; a resposta é que, precisamente por ser um comportamento incomum, reservado apenas às vésperas de Shabat, e não praticado nos dias comuns, fica claro que se trata de honra ao Shabat, e não de soberba.
"Suas roupas brancas" — mencionou o caso mais notável, e tanto mais as coloridas. "Se tem para trocar, troque" — quem tem roupas além das que vestiu em dia de semana, que as troque no Shabat. "Deixe suas roupas caídas" — para baixo, para que pareçam compridas; e esse é o costume dos ricos que ficam em casa e não precisam levantar suas roupas do chão por causa do trabalho — e é honra ao Shabat.
"E o honrarás, de não seguires teus (próprios) caminhos" (Isaías 58,13). "E o honrarás" — que teu traje de Shabat não seja como teu traje de dia de semana; e é como aquilo que Rabi Yochanan chamava suas roupas de "meus honradores". "De não seguires teus caminhos" — que teu andar de Shabat não seja como teu andar de dia de semana. "De buscar teus assuntos" — teus assuntos (pessoais) são proibidos; os assuntos do Céu são permitidos. "E falar palavra" —
A Guemará abre o midrash sobre o versículo de Isaías 58,13, que trata da honra devida ao Shabat, expondo-o frase por frase. "E o honrarás" ensina que o modo de vestir no Shabat deve se distinguir do modo de vestir em dia comum — daí o costume, exemplificado por Rabi Yochanan, de referir-se com carinho e reverência às próprias roupas como "meus honradores" (mechabdotai), pois são elas que conferem honra à sua pessoa no Shabat. "De não seguires teus (próprios) caminhos" ensina que também o andar — o modo de caminhar, mais pausado e digno — deve ser diferente no Shabat. "De buscar teus assuntos" ensina que os assuntos pessoais e mundanos do indivíduo são proibidos de serem tratados ou mesmo discutidos no Shabat, mas os assuntos relativos ao Céu — orações, palavras de Torá, atos de caridade — são plenamente permitidos, e até incentivados. O daf termina interrompido exatamente nas palavras iniciais da próxima cláusula do versículo, "e falar palavra" (vedaber davar), sem que se explique ainda o que essa expressão ensina; a continuação — a explicação de que a fala no Shabat não deve ser como a fala em dia de semana, e a distinção entre fala proibida e mero pensamento permitido — é o início de Shabat 113b, ainda não publicado.
"Meus honradores" — pois honram a seus donos. "Que teu andar não seja etc." — adiante (a Guemará) o explicará. "De buscar teus assuntos" — como aquilo que dizemos (em tratado Eruvin 38b): que não passeie uma pessoa até o fim de seu campo no Shabat para saber do que ele precisará (depois do Shabat). "Os assuntos do Céu são permitidos" — como, por exemplo, comprometer-se com doações de caridade e arranjar casamentos para crianças (adiante, Shabat 150a).