Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Alef (HaZorek)
כׇּל מָקוֹם שֶׁתִּרְצֶה תָּנוּחַ

Rav Yosef resolve a dificuldade de Rav Chana — Rabi Yehuda, não Rabi —, a nova baraita de propriedade privada à via pública, a tentativa de prova rejeitada, e o princípio de ‘em qualquer lugar que queira, que repouse’

Shabbat 97b resolve a dificuldade que fechara 97a, distinguindo Rabi de Rabi Yehuda; debate o caso de lançar de propriedade privada à via pública com Rabi Yehuda e os Sábios; examina e rejeita uma prova sobre alinhar e bater o tear; e fecha com nova baraita sobre via pública a via pública, deixada em aberto para 98a

97b abre resolvendo, com Rav Yosef falando diretamente a Rav Chana, a dificuldade que fechara a folha anterior: o ensinamento de que Rabi (Yehuda HaNassi) responsabilizaria por duas ofertas de pecado no caso de via pública a via pública com propriedade privada coberta no meio pareceria contradizer a baraita em que o próprio Rabi ensina, a partir das palavras superabundantes “estas são as coisas” (Êxodo 35:1), que há exatamente trinta e nove categorias primárias de trabalho proibido — o que implicaria que ele jamais responsabilizaria por uma subcategoria realizada junto com uma categoria primária, como carregar para fora e carregar para dentro. Rav Yosef resolve a dificuldade: a declaração sobre as duas ofertas não se referia a Rabi (Yehuda HaNassi), mas a Rabi Yehuda — um Tana distinto, apenas homônimo. A Guemará então examina uma nova baraita paralela, sobre lançar de propriedade privada à via pública com o objeto percorrendo quatro cúbitos na via pública, onde Rabi Yehuda responsabiliza e os Sábios isentam; Rav Yehuda em nome de Shmuel explica que Rabi Yehuda responsabilizaria por duas ofertas — uma por carregar para fora, e uma por fazer o objeto passar os quatro cúbitos — fundamentado no princípio de que um objeto capturado no espaço aéreo é considerado como tendo repousado. A Guemará tenta e rejeita uma prova, a partir de uma baraita sobre Rabi Yehuda acrescentar “alinhar” e “bater” os fios do tear à lista de categorias primárias, de que ele responsabilizaria por subcategoria junto com categoria primária — concluindo, ao final, que Rabá e Rav Yosef sustentam que Rabi Yehuda responsabiliza por apenas uma oferta de pecado. Ravina então questiona a Rav Ashi como a posição original de duas ofertas faria sentido, já que a intenção de pousar no início da via pública contradiz a intenção de pousar quatro cúbitos adiante; Rav Ashi resolve com o princípio de que alguém pode dizer “em qualquer lugar que o objeto queira pousar, que repouse” — cumprindo sua intenção onde quer que ele venha a repousar. Esse mesmo princípio resolve uma nova questão, levantada de modo independente: o que ocorre quando alguém pretende lançar um objeto quatro cúbitos mas o lança oito, comparado ao caso, tido por óbvio, de lançar oito mas alcançar apenas quatro (semelhante a escrever “shem”, as duas primeiras letras de “Shimon”); a comparação com “shem”/“Shimon” é então questionada, e a questão permanece, ao final, sem resposta explícita. A folha fecha com uma nova baraita — a continuação direta do tema com que 97a havia terminado — sobre quem lança um objeto de via pública a via pública com propriedade privada no meio: ele é responsável se o objeto percorrer, ao todo, quatro cúbitos nas duas partes da via pública — frase que a folha deixa em aberto, a ser detalhada em 98a.

Rav Yosef resolve a dificuldade de Rav Chana · לְמֵימְרָא דִּמְחַיֵּיב רַבִּי אַתּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב

255A dificuldade se formula: isto quer dizer que Rabi responsabiliza por subcategoria junto com categoria primária?
A Guemará
לְמֵימְרָא דִּמְחַיֵּיב רַבִּי אַתּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב?

Isto quer dizer que Rabi responsabiliza por uma subcategoria de trabalho proibido quando é realizada junto com uma categoria primária de trabalho proibido? Afinal, carregar para fora e carregar para dentro constituem uma categoria primária de trabalho proibido e sua subcategoria.

Nota

A folha 97b abre formulando, de modo explícito, a dificuldade que 97a havia deixado apenas insinuada: o ensinamento de que Rabi (Yehuda HaNassi) responsabilizaria por duas ofertas de pecado distintas — uma por carregar para fora, e uma por carregar para dentro — pareceria implicar que ele responsabiliza alguém por uma subcategoria de trabalho realizada junto com sua categoria primária, já que carregar para dentro é considerado subcategoria de carregar para fora.

256Prova da dificuldade: uma baraita em que o próprio Rabi deriva as trinta e nove categorias fixas de trabalho
Uma baraita (Rabi)
וְהָתַנְיָא, רַבִּי אוֹמֵר: ״דְּבָרִים״ ״הַדְּבָרִים״ ״אֵלֶּה הַדְּבָרִים״ — אֵלּוּ שְׁלֹשִׁים וָתֵשַׁע מְלָאכוֹת שֶׁנֶּאֶמְרוּ לְמֹשֶׁה בְּסִינַי!

Mas não foi ensinado numa baraita que Rabi diz: "coisas" (devarim), "as coisas" (hadevarim), "estas são as coisas" (eleh hadevarim) — expressões superabundantes no versículo "estas são as coisas que o Eterno ordenou fazer" (Êxodo 35:1): a Torá poderia ter dito apenas "uma coisa" (davar); ao dizer "coisas", no plural, ensina ao menos dois pontos; o artigo definido em "as coisas" acrescenta ao menos um terceiro; e o valor numérico das letras de "eleh" — alef, um; lamed, trinta; e he, cinco — é trinta e seis; de modo que a frase "estas são as coisas" alude ao total de três mais trinta e seis — estas são as trinta e nove categorias de trabalho proibido que foram ditas a Moshé no Sinai! Visto que Rabi sustenta que há um número fixo de categorias primárias de trabalho, certamente ele responsabilizaria por categorias primárias, mas não por subcategorias.

Nota

A Guemará traz a prova da dificuldade: numa baraita, o próprio Rabi deriva, das expressões superabundantes do versículo "estas são as coisas que o Eterno ordenou fazer", que existem exatamente trinta e nove categorias primárias de trabalho proibido no Shabat — a forma plural "coisas" ensina ao menos dois pontos, o artigo definido em "as coisas" acrescenta um terceiro, e o valor numérico das letras de "eleh" (um mais trinta mais cinco, trinta e seis) completa a soma de trinta e nove. Como Rabi sustenta que o número de categorias primárias é fixo e exaustivo, ele certamente responsabilizaria apenas por elas, e não por subcategorias realizadas junto com uma categoria primária — o que contradiz diretamente o ensinamento de Rav Chana sobre as duas ofertas de pecado.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "devarim hadevarim eleh hadevarim"
דברים הדברים אלה הדברים - גבי שבת דכתיב בויקהל אלה הדברים אשר צוה וגו' דברים משמע תרין ה"א מרבי חד הא תלת אלה בגימטריא תלתין ושש אלו ל"ט כו' ומניינא למה לי על כרחיך לדעת כמה חטאות אדם מתחייב בהעלם אחד על השבת ואי מחייב אתולדה במקום אב בהעלם אחד הוו להו טובא:

"'Coisas', 'as coisas', 'estas são as coisas'" — a respeito do Shabat, pois está escrito em Vayakhel: "estas são as coisas que o Eterno ordenou" etc. (Êxodo 35:1). "Coisas" indica dois pontos; do artigo definido "ha" acrescenta um, eis três; "eleh" por gematria é trinta e seis; estas são as trinta e nove categorias de trabalho, etc. E por que a Torá precisava dar o número exato? Necessariamente, para que se saiba quantas ofertas de pecado uma pessoa é responsável, num único esquecimento, por transgredir o Shabat; e se ela fosse responsável por uma subcategoria junto com uma categoria primária num único esquecimento, elas seriam muitas mais que trinta e nove.

257Rav Yosef, dirigindo-se a Rav Chana: a declaração é sobre Rabi Yehuda, não sobre Rabi — e não há dificuldade
Rav Yosef (a Rav Chana)
אֲמַר לֵיהּ רַב יוֹסֵף: מָר אַהָא מַתְנֵי לַהּ, וְקַשְׁיָא לֵיהּ דְּרַבִּי אַדְּרַבִּי. אֲנַן אַדְּרַבִּי יְהוּדָה מַתְנִינַן — וְלָא קַשְׁיָא לַן.

Disse-lhe Rav Yosef a Rav Chana: o Mestre ensina esta declaração de Rav Yehuda em nome de Shmuel a respeito deste , isto é, atribuindo-a a Rabi Yehuda HaNassi, e por isso lhe é difícil, pois uma declaração de Rabi contradiria outra declaração de Rabi. Nós ensinamos esta declaração a respeito de Rabi Yehuda — um sábio distinto, e não Rabi Yehuda HaNassi —, e não nos é difícil.

Nota — a dificuldade de 97a se resolve

Aqui se resolve, diretamente, a dificuldade com que 97a havia terminado: Rav Yosef fala a Rav Chana em pessoa. A resolução é uma questão de atribuição: Rav Chana havia ensinado a declaração de Rav Yehuda em nome de Shmuel — sobre as duas ofertas de pecado — como referindo-se a "Rabi", isto é, a Rabi Yehuda HaNassi, o editor da Mishná. Sendo assim, ela contradiria a baraita em que o próprio Rabi fixa o número de trinta e nove categorias primárias, negando implicitamente responsabilidade por subcategorias. Mas Rav Yosef ensina essa mesma declaração como referindo-se, na verdade, a Rabi Yehuda — um Tana diferente (bar Ilai), cujo nome apenas soa semelhante ao apelido "Rabi" usado para Yehuda HaNassi. Não havendo, então, duas declarações do mesmo sábio, a contradição desaparece. Este site distingue "Rabi", sozinho, sempre como Rabi Yehuda HaNassi; e "Rabi Yehuda", por extenso, como o Tana homônimo diferente — a partir daqui até o fim da folha, é a este último que a Guemará se refere.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "amar leih Rav Yosef", "mar matnei lah" e "vekashya leih derabi aderabi"
אמר ליה רב יוסף - לרב חנא: מר מתני לה - להא דרב יהודה אמר שמואל מחייב היה רבי שתים אהא דרבי: וקשיא ליה דרבי אדרבי - רב יהודה לאו אהא אמרה אלא אדר' יהודה מתני לה ולא קשיא ליה דלא אשכחן בעלמא דפטר ר"י אתולדה במקום אב:

"'Disse-lhe Rav Yosef'" — a Rav Chana. "'O Mestre a ensina'" — esta declaração de Rav Yehuda em nome de Shmuel, de que Rabi responsabilizaria por duas ofertas, o Mestre a ensina a respeito de Rabi (Yehuda HaNassi). "'E lhe é difícil, Rabi contra Rabi'" — mas Rav Yehuda não disse isto a respeito deste (Rabi Yehuda HaNassi); antes, ensina-o a respeito de Rabi Yehuda , o Tana distinto, e não lhe é difícil, pois em nenhum outro lugar encontramos que Rabi Yehuda isente por subcategoria junto com categoria primária.

Nova baraita: de propriedade privada à via pública, com Rabi Yehuda · מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים

258Baraita: quem lança de propriedade privada à via pública, percorrendo quatro cúbitos — Rabi Yehuda responsabiliza, os Sábios isentam
Uma baraita
דְּתַנְיָא: מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים וְעָבַר אַרְבַּע אַמּוֹת בִּרְשׁוּת הָרַבִּים — רַבִּי יְהוּדָה מְחַיֵּיב וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין.

Pois foi ensinado numa baraita: de propriedade privada para via pública, e o objeto percorreu quatro cúbitos na via pública — Rabi Yehuda responsabiliza, e os Sábios isentam.

Nota

A Guemará traz a fonte da declaração de Rav Yehuda em nome de Shmuel, agora corretamente atribuída a Rabi Yehuda: uma baraita que trata de quem lança um objeto de uma propriedade privada para a via pública, e o objeto percorre quatro cúbitos dentro da própria via pública antes de pousar. Rabi Yehuda responsabiliza nesse caso, e os Sábios isentam.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "merashut hayachid lirshut harabim ve'avar dalet amot birshut harabim"
מרה"י לרה"ר ועבר ד' אמות ברה"ר - קודם שתנוח דאיכא תרתי הוצאה וזריקה ארבע אמות:

"'De propriedade privada para via pública, e percorreu quatro cúbitos na via pública'" — antes que o objeto repousasse, pois há dois atos: carregar para fora, e lançar quatro cúbitos.

259Rav Yehuda em nome de Shmuel: Rabi Yehuda responsabilizaria por duas ofertas; a Guemará testa e rejeita uma explicação alternativa
Rav Yehuda em nome de Shmuel; a Guemará
אָמַר רַב יְהוּדָה אָמַר שְׁמוּאֵל: מְחַיֵּיב הָיָה רַבִּי יְהוּדָה שְׁתַּיִם — אַחַת מִשּׁוּם הוֹצָאָה וְאַחַת מִשּׁוּם הַעֲבָרָה. דְּאִי סָלְקָא דַּעְתָּךְ חֲדָא הוּא דִּמְחַיֵּיב, מִכְּלָל דְּרַבָּנַן פָּטְרִי לִגְמָרֵי? הָא אַפֵּיק לַהּ מֵרְשׁוּת הַיָּחִיד לִרְשׁוּת הָרַבִּים. מִמַּאי? דִּילְמָא לְעוֹלָם אֵימָא לָךְ רַבִּי יְהוּדָה חֲדָא הוּא דִּמְחַיֵּיב, וְרַבָּנַן פָּטְרִי לִגְמָרֵי, וְהֵיכִי מַשְׁכַּחַתְּ לַהּ? כְּגוֹן דְּאָמַר עַד דְּנָפְקָא לֵיהּ לִרְשׁוּת הָרַבִּים תְּנוּחַ.

Disse Rav Yehuda, disse Shmuel: Rabi Yehuda responsabilizaria por duas ofertas de pecado — uma por carregar para fora, e uma por fazer o objeto passar os quatro cúbitos na via pública. Pois, se te viesse à mente dizer que é apenas uma oferta que ele responsabiliza, segue-se, por inferência, que os Sábios isentam completamente? Ora, ele carregou o objeto para fora, de propriedade privada para via pública — como poderia ser isento por completo? A Guemará responde: de onde tiras essa conclusão? Talvez, na verdade, eu possa te dizer que Rabi Yehuda é apenas por uma oferta que ele responsabiliza, e os Sábios isentam completamente — e como se encontra tal caso? Por exemplo, quando ele disse: até que o objeto saia para a via pública, que repouse.

Nota

Rav Yehuda, em nome de Shmuel, explica que Rabi Yehuda responsabilizaria, neste caso, por duas ofertas de pecado distintas — pelo carregar para fora e pelo fazer passar quatro cúbitos —, e não apenas uma; pois, se fosse apenas uma oferta, os Sábios, que isentam completamente, teriam de negar até mesmo a responsabilidade básica de carregar o objeto para fora da propriedade privada, o que seria estranho. A Guemará tenta uma explicação alternativa: talvez Rabi Yehuda de fato responsabilize por apenas uma oferta (a de carregar para fora) e os Sábios isentem completamente, no caso específico em que a pessoa pretendeu que o objeto pousasse assim que saísse para a via pública — de modo que o carregar para fora e o pretendido pouso coincidem num único ato, sem uma segunda etapa de "fazer passar".

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "hachi garsinan ve'achat mishum ha'avarah"
ה"ג ואחת משום העברה - ורבנן פטרי אהעברה משום דלא סבירא לה קלוטה כמה שהונחה ותהוי כמי שהונחה משיצתה בפתח וחזרה ונעקרה ונחה לסוף ד' אבל חייב הוא משום הוצאה:

"'Esta é a versão correta: e uma por fazê-lo passar'" — e os Sábios isentam quanto a fazê-lo passar, porque não sustentam que um objeto capturado no espaço aéreo é considerado como tendo repousado, de modo que seria como se tivesse repousado ao sair pela porta, e depois fosse novamente arrancado dali e repousasse ao final dos quatro cúbitos; mas ele é responsável por carregar para fora.

260O ponto exato da disputa: objeto capturado no espaço aéreo é considerado repousado — mas subcategoria com categoria primária não é responsabilizada
A Guemará
וּבְהָא קָמִיפַּלְגִי, דְּרַבִּי יְהוּדָה סָבַר: אָמְרִינַן קְלוּטָה כְּמָה שֶׁהוּנְּחָה, וְאִיתְעֲבִידָא לֵיהּ מַחְשַׁבְתּוֹ. וְרַבָּנַן סָבְרִי: לָא אָמְרִינַן קְלוּטָה כְּמָה שֶׁהוּנְּחָה, וְלָא אִיתְעֲבִידָא לֵיהּ מַחְשַׁבְתּוֹ! אֲבָל אַתּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב לָא מְחַיֵּיב רַבִּי יְהוּדָה.

E é quanto a isto que discordam: Rabi Yehuda entende que dizemos que um objeto capturado no espaço aéreo é considerado como tendo repousado, e por isso sua intenção se cumpriu — assim que o objeto entra no espaço aéreo da via pública, é considerado como tendo repousado ali. E os Sábios entendem que não dizemos que um objeto capturado no espaço aéreo é considerado como tendo repousado, e sua intenção não se cumpriu , de modo que ele está isento. Mas, quanto a uma subcategoria realizada junto com uma categoria primária, Rabi Yehuda não responsabiliza.

Nota

A Guemará identifica o ponto exato da disputa nesse caso específico (onde a pessoa pretendeu que o pouso ocorresse já na saída): Rabi Yehuda sustenta o princípio de que um objeto "capturado" no espaço aéreo é tratado como se tivesse repousado ali mesmo, de modo que sua intenção original — o pouso na saída — teria se cumprido; os Sábios rejeitam esse princípio, de modo que a intenção não se cumpre e a pessoa fica isenta mesmo do carregar para fora. Mas a última frase ressalva algo importante: mesmo Rabi Yehuda, apesar de responsabilizar aqui, não sustenta o princípio geral de que se responsabiliza por uma subcategoria realizada junto com sua categoria primária — preservando, assim, a resolução de Rav Yosef.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ve'itavida leih machshavto"
ואיתעביד ליה מחשבתו - שנחה ביציאתה מיד הלכך חייב משום הוצאה אבל משום העברה לא מחייב ואע"ג דחשיב ליה כמה שהונחה ונעקרה והונחה משום דהויא תולדה במקום אב:

"'E sua intenção se cumpriu'" — pois o objeto repousou assim que saiu; por isso é responsável por carregar para fora; mas por fazê-lo passar não é responsável, e, ainda que o objeto seja considerado como tendo repousado e depois arrancado e repousado novamente, isso ocorre porque seria uma subcategoria junto com uma categoria primária , e por isso ele não responsabiliza.

A tentativa de prova rejeitada: alinhar e bater os fios do tear · רַבִּי יְהוּדָה מוֹסִיף אַף הַשּׁוֹבֵט וְהַמְדַקְדֵּק

261Tentativa de prova: uma baraita sobre Rabi Yehuda acrescentar "alinhar" e "bater" às categorias primárias — sugerindo que ele responsabiliza subcategoria com categoria primária
A Guemará; uma baraita; os Sábios
לָא סָלְקָא דַּעְתָּךְ, דְּתַנְיָא: רַבִּי יְהוּדָה מוֹסִיף אַף הַשּׁוֹבֵט וְהַמְדַקְדֵּק. אָמְרוּ לוֹ: שׁוֹבֵט הֲרֵי הוּא בִּכְלַל מֵיסֵךְ, מְדַקְדֵּק הֲרֵי הוּא בִּכְלַל אוֹרֵג. מַאי לָאו דְּעַבְדִינְהוּ לְתַרְוַויְיהוּ בַּהֲדֵי הֲדָדֵי, וּשְׁמַע מִינַּהּ מְחַיֵּיב הָיָה רַבִּי יְהוּדָה אַתּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב!

A Guemará rejeita esta explicação: não te venha à mente dizer isso, pois foi ensinado numa baraita: Rabi Yehuda acrescenta também o ato de alinhar os fios da urdidura e bater os fios da trama à lista de categorias primárias de trabalho. Disseram-lhe: alinhar já está incluído na categoria de esticar a urdidura, e bater já está incluído em tecer. Não se trata, acaso, de um caso em que ele realizou ambas as ações juntas — e daí se aprende que Rabi Yehuda responsabilizaria por uma subcategoria junto com uma categoria primária?

Nota

A Guemará rejeita a explicação anterior (de que a disputa se restringe ao caso de intenção de pouso imediato na saída) e traz o que parece ser uma prova direta de que Rabi Yehuda de fato responsabiliza por subcategoria realizada junto com categoria primária: uma baraita ensina que ele acrescenta duas ações — alinhar os fios da urdidura e bater os fios da trama — à lista das categorias primárias de trabalho proibido no tear. Os Sábios objetam que essas ações são meras subcategorias, já incluídas respectivamente em "esticar a urdidura" e "tecer". A Guemará sugere que o caso da baraita seria de alguém que realizou as duas ações juntas — a subcategoria e sua categoria primária —, o que provaria que Rabi Yehuda responsabiliza nesse tipo de combinação.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "af hashovet", "shovet", "umedakdek" e "mai lav de'avdinhu lechulhu"
אף השובט - עם שאר אבות מלאכות להא דאמרן דלכך נמנו שאם עשאן בהעלם א' חייב על כל א' וא': שובט - מכרכר בכרכר: ומדקדק - לאחר שמתח החוט של ערב מכה בכרכר בב' וג' מקומות וי"מ מדקדק משוה האריגה כשיש שני חוטין כרוכין זה עם זה ומובדלים מן השאר משוה אותן בכרכר או במחט: מאי לאו דעבדינהו לכולהו - שובט ומדקדק בהדי שאר מלאכות דהא מוסיף קתני ומיסך ואורג נמנו עם אבות מלאכות ואלה תולדותיה' כדקתני שובט בכלל מיסך:

"'Também alinhar'" — junto com as demais categorias primárias de trabalho, conforme dissemos, que por isso foram contadas: para que, se alguém as realizasse todas num único esquecimento, fosse responsável por cada uma delas. "'Alinhar'" — bater os fios com a lançadeira. "'E bater'" — depois de esticar o fio da trama, bate com a lançadeira em dois ou três lugares; e há quem explique que "bater" significa nivelar o tecido, quando há dois fios enrolados um no outro e separados dos demais, nivelando-os com a lançadeira ou com a agulha. "'Não se trata, acaso, de ele ter realizado todas juntas'" — alinhar e bater junto com as demais categorias de trabalho, pois a baraita ensina "acrescenta", e esticar a urdidura e tecer já estão contados entre as categorias primárias, e estas seriam suas subcategorias, como se ensina: alinhar está incluído em esticar a urdidura.

262A prova é rejeitada: talvez sejam ações separadas, e a disputa seja sobre se são categorias primárias adicionais ou subcategorias
A Guemará
מִמַּאי? דִּילְמָא לְעוֹלָם דְּעַבְדַּהּ לְהָא לְחוּדַּהּ וְהָא לְחוּדַּהּ, וְרַבִּי יְהוּדָה אַתּוֹלָדָה בִּמְקוֹם אָב לָא מְחַיֵּיב, וּבְהָא קָמִיפַּלְגִי: דְּרַבִּי יְהוּדָה סָבַר הָנֵי אָבוֹת נִינְהוּ, וְרַבָּנַן סָבְרִי הָנֵי תּוֹלְדוֹת נִינְהוּ.

A Guemará rejeita esta prova: de onde tiras essa conclusão? Talvez, na verdade, trate-se de um caso em que ele realizou esta ação sozinha, e aquela ação sozinha, e Rabi Yehuda não responsabiliza por subcategoria junto com categoria primária. E é quanto a isto que Rabi Yehuda e os Sábios discordam: Rabi Yehuda entende que estas ações, alinhar e bater, são categorias primárias adicionais, e os Sábios entendem que estas são subcategorias.

Nota

A Guemará rejeita a prova: talvez a baraita trate de alguém que realizou apenas uma das duas ações de cada vez, não ambas juntas — e Rabi Yehuda continue não responsabilizando por subcategoria com categoria primária. Nesse caso, a disputa real entre Rabi Yehuda e os Sábios não é sobre esse princípio, mas sobre a própria classificação das ações: Rabi Yehuda as considera categorias primárias adicionais e independentes (elevando o número total acima de trinta e nove, ao menos em sua própria opinião), enquanto os Sábios as consideram meras subcategorias já subsumidas em categorias existentes.

263Prova de que são categorias primárias adicionais, pela palavra "acrescenta"; conclusão: Rabá e Rav Yosef sustentam apenas uma oferta de pecado
A Guemará; Rabá e Rav Yosef
תֵּדַע, דְּקָתָנֵי ״רַבִּי יְהוּדָה מוֹסִיף״. אִי אָמְרַתְּ בִּשְׁלָמָא אָבוֹת, מַאי מוֹסִיף — מוֹסִיף אָבוֹת. אֶלָּא אִי אָמְרַתְּ תּוֹלָדוֹת, מַאי מוֹסִיף? אִיתְּמַר נָמֵי, רַבָּה וְרַב יוֹסֵף דְּאָמְרִי תַּרְוַיְיהוּ: לֹא חִיֵּיב רַבִּי יְהוּדָה אֶלָּא אַחַת.

Sabe que isto é assim, pois a baraita ensina: "Rabi Yehuda acrescenta". Isto se explica bem se dizes que estas ações são categorias primárias — o que significa "ele acrescenta"? Significa que ele acrescenta categorias primárias. Mas, se dizes que são subcategorias, o que significa "ele acrescenta"? Foi dito também que foram Rabá e Rav Yosef, ambos disseram: Rabi Yehuda responsabilizava apenas por uma oferta de pecado.

Nota

A Guemará confirma que "alinhar" e "bater" são, na opinião de Rabi Yehuda, categorias primárias adicionais, e não subcategorias: a própria linguagem da baraita — "Rabi Yehuda acrescenta" — só faz sentido se ele estivesse acrescentando novas categorias primárias à lista; dizer que ele "acrescenta" meras subcategorias não teria sentido algum, pois subcategorias sempre acompanham suas categorias primárias sem precisar ser "acrescentadas" à parte. Com isso, a tentativa de prova (beat 261) fica definitivamente afastada, e a Guemará relata que, de fato, Rabá e Rav Yosef concordam: Rabi Yehuda responsabiliza, no caso de lançar de propriedade privada à via pública com quatro cúbitos percorridos, por apenas uma oferta de pecado — não duas.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "mai mosif"
מאי מוסיף - הרי לא נמנו אלא אבות:

"'O que significa "acrescenta"'" — ora, apenas categorias primárias foram contadas , ao todo trinta e nove; se alinhar e bater fossem subcategorias, não haveria sentido em dizer que Rabi Yehuda "acrescenta" algo à lista.

Ravina e Rav Ashi: um lançamento, duas responsabilidades? · כׇּל מָקוֹם שֶׁתִּרְצֶה תָּנוּחַ

264Ravina questiona como duas ofertas fariam sentido; Rav Ashi resolve: quando se diz "em qualquer lugar que queira, que repouse"
Ravina; Rav Ashi
אֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְרַב אָשֵׁי: וּלְמַאי דִּסְלֵיק אַדַּעְתִּין מֵעִיקָּרָא דִּמְחַיֵּיב הָיָה רַבִּי יְהוּדָה שְׁתַּיִם? אִי לְהָכָא קָבָעֵי לַהּ — לְהָכָא לָא קָבָעֵי לַהּ. אִי לְהָכָא קָבָעֵי לַהּ — לְהָכָא לָא קָבָעֵי לַהּ. אֲמַר לֵיהּ: בְּאוֹמֵר ״כׇּל מָקוֹם שֶׁתִּרְצֶה — תָּנוּחַ״.

Disse-lhe Ravina a Rav Ashi: e segundo o que originalmente nos veio à mente, que Rabi Yehuda responsabilizaria por duas ofertas de pecado — como poderia ele ser responsável tanto por carregar para fora, de propriedade privada para via pública, quanto por fazer o objeto passar quatro cúbitos na via pública? Se ele quis que o objeto pousasse aqui, no início da via pública, ele não quis que pousasse ali, quatro cúbitos adiante na via pública. E se ele quis que pousasse ali, quatro cúbitos adiante, ele não quis que pousasse aqui, no início. Disse-lhe Rav Ashi: isso é possível quando ele disse: "em qualquer lugar que o objeto queira pousar, que repouse" — indicando que sua intenção se cumpriria onde quer que o objeto lançado pousasse.

Nota

Ravina levanta uma dificuldade sobre a suposição original — já afastada como halachá, mas ainda relevante para o raciocínio — de que Rabi Yehuda responsabilizaria por duas ofertas de pecado: intenção e resultado parecem incompatíveis entre si, pois quem quer que o objeto pouse logo na saída não pode, ao mesmo tempo, ter querido que pousasse quatro cúbitos adiante, e vice-versa — de modo que apenas uma das duas "intenções" poderia de fato ter se cumprido, tornando misteriosa a dupla responsabilidade. Rav Ashi resolve com uma terceira possibilidade de formulação da intenção: a pessoa pode dizer, de antemão, que lhe é indiferente onde exatamente o objeto pouse — "em qualquer lugar que queira, que repouse" — de modo que sua intenção se cumpre tanto se o objeto pousa na saída (responsabilizando por carregar para fora) quanto se continua e pousa quatro cúbitos adiante (responsabilizando também por fazê-lo passar).

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "ulemai deslik ada'ata" e "ve'i lehacha"
ולמאי דסלק אדעתא כו' - נהי נמי דמיחייב אתולדה במקום אב הכא לאו תרתי איכא דאי להכא לסוף ד' בעי לה דתנוח הכא לא מיחייב אהעברת ד' דלא עבר מתחלת לסוף ד' ברה"ר אלא אהוצאה לחודיה הוא דמיחייב והוצאה אריכא הוא דעבד: ואי להכא - אצל היציאה קבעי לה דתנוח הכא לסוף ד' לא בעי לה דתנוח וליתא לזריקה ד' ולא מיחייב לה דבעינן עקירה מתחילת ד' ברה"ר והנחה לסוף ד' ברה"ר והכא עם יציאת הפתח הא לא נח והעביר לסוף ד' דניחייב אתרווייהו ומיהו אהוצאה הוא דמתחייב דנתקיימה מחשבתו דהא נח ברה"ר:

"'E segundo o que nos veio à mente'" etc. — ainda que ele fosse responsável por subcategoria junto com categoria primária, aqui não há dois atos; pois, se ele quis que o objeto repousasse ali, ao final dos quatro cúbitos, aqui ele não é responsável por fazê-lo passar quatro cúbitos, pois não o fez passar do início ao final dos quatro cúbitos na via pública; é apenas por carregar para fora que ele é responsável, e realizou um carregar para fora mais longo. "'E se aqui'" — junto à saída, ele quis que repousasse, aqui, ao final dos quatro cúbitos, ele não quis que repousasse, e não há lançamento de quatro cúbitos, e ele não é responsável por isso, pois é necessário um levantamento no início dos quatro cúbitos na via pública e um repouso ao final dos quatro cúbitos na via pública; e aqui, ao sair pela porta, o objeto não repousou, e foi levado até o final dos quatro cúbitospara que fosse responsável por ambos os atos, seria preciso que repousasse na saída; mas ele é responsável por carregar para fora, pois sua intenção se cumpriu, já que o objeto repousou na via pública.

Lançar mais ou menos cúbitos do que se pretendia · נִתְכַּוֵּון לִזְרוֹק שְׁמֹנֶה וְזָרַק אַרְבַּע

265Óbvio: pretender oito e lançar quatro é como escrever "shem" de "Shimon"; mas pretender quatro e lançar oito, o que é?
A Guemará
פְּשִׁיטָא נִתְכַּוֵּון לִזְרוֹק שְׁמֹנֶה וְזָרַק אַרְבַּע — הֲרֵי כָּתַב ״שֵׁם״ מִשִּׁמְעוֹן. נִתְכַּוֵּון לִזְרוֹק אַרְבַּע וְזָרַק שְׁמֹנֶה — מַהוּ? מִי אָמְרִינַן: הָא אַפֵּיק לֵיהּ, אוֹ דִילְמָא: הֵיכָא דְּבָעֵי, הָא לָא נָח. וְלָאו הַיְינוּ דַּאֲמַר לֵיהּ רָבִינָא לְרַב אָשֵׁי, וַאֲמַר לֵיהּ: בְּאוֹמֵר ״כׇּל מָקוֹם שֶׁתִּרְצֶה תָּנוּחַ״.

É óbvio que quem pretendeu lançar um objeto oito cúbitos na via pública e de fato lançou apenas quatro é responsável, pois isto é semelhante ao caso de quem escreveu "shem", as duas primeiras letras de "Shimon" — pois, no caso de escrever "shem", a pessoa realizou o trabalho proibido de escrever uma palavra de duas letras, ainda que não tenha completado a palavra que originalmente pretendia escrever. A questão é a seguinte: qual é a halachá se alguém pretendeu lançar o objeto quatro cúbitos e lançou oito? Dizemos que ele, de fato, carregou o objeto , e é responsável, ou talvez dizemos que, afinal, o objeto não pousou onde ele quis que pousasse, e ele está isento? Mas não é isto precisamente o que Ravina disse a Rav Ashi, como mencionado acima? E Rav Ashi lhe disse, em resposta, que se trata de um caso em que ele disse: "em qualquer lugar que o objeto queira pousar, que repouse".

Nota

A Guemará levanta uma nova questão, independente, sobre a intenção no lançamento: é óbvio que quem pretendeu lançar um objeto oito cúbitos, mas na verdade o lançou apenas quatro (talvez por falta de força), é responsável — pois isso é comparável a quem pretendia escrever uma palavra longa, mas escreveu apenas as duas primeiras letras, que por si só formam uma palavra válida e mais curta (como "shem", as duas primeiras letras de "Shimon"): o trabalho proibido de escrever já se consumou com essas duas letras. A dúvida real é o caso inverso: alguém pretende lançar apenas quatro cúbitos, mas o objeto voa mais longe e pousa em oito — nesse caso, ele carregou de fato o objeto pelo ar, mas não exatamente como pretendia. A Guemará observa que essa mesma pergunta já havia sido, na prática, respondida pelo diálogo entre Ravina e Rav Ashi (beat 264): a solução está em dizer que a pessoa formulou sua intenção de modo amplo — "em qualquer lugar que queira, que repouse" — cumprindo-se assim sua intenção onde quer que o objeto efetivamente pouse.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "velav haynu deba'i minei" e "be'omer kol makom shetirtzeh tanuach"
ולאו היינו דבעי מיניה כו' ואמר ליה באומר כו' - הא לא אמר הכי לא מיחייב אלא אם כן נחה במקום מחשבתו הכי נמי בתרוייהו מיפטר לא שנא נתכוון לזרוק שמונה וזרק ארבע לא שנא לזרוק ארבע וזרק שמונה פטור: באומר כל מקום שתרצה תנוח - וכיון דלא איכפת ליה הויא ליה קיום מחשבה בתרווייהו:

"'E não é isto que Ravina lhe perguntou'" etc., "'e ele lhe disse: quando ele diz'" etc. — pois, se ele não disse isso, não é responsável a menos que o objeto tenha repousado no lugar de sua intenção; assim também, em ambos os casos, ele está isento — tanto faz se pretendeu lançar oito e lançou quatro, tanto faz se pretendeu lançar quatro e lançou oito, está isento. "'Quando ele diz: em qualquer lugar que queira, que repouse'" — e, já que não lhe importa onde, há cumprimento de sua intenção em ambos os casos.

266Objeção: a analogia com "shem" de "Shimon" não é exata; a questão permanece sem resposta
A Guemará
וּדְקָאָמְרַתְּ הֲרֵי כָּתַב ״שֵׁם״ מִשִּׁמְעוֹן, מִי דָּמֵי? הָתָם כַּמָּה דְּלָא כְּתִיב ״שֵׁם״ לָא מִכְּתִיב לֵיהּ ״שִׁמְעוֹן״, הָכָא כַּמָּה דְּלָא זָרֵיק אַרְבַּע — לָא מִיזְדַּרְקִי לֵיהּ תַּמְנֵי?!

Além disso, o primeiro caso, que parece óbvio, também requer esclarecimento. E quanto ao que disseste, que isto é semelhante ao caso de quem escreveu "shem" , as duas primeiras letras de "Shimon" — será que é de fato semelhante? Ali , no caso de "shem", enquanto não se escreve "shem" não se pode escrever "Shimon"; aqui , onde alguém pretendeu lançar o objeto oito cúbitos e o lançou apenas quatro, enquanto o objeto não foi lançado quatro cúbitos, é que não pode ser lançado oito?!

Nota

A Guemará volta e questiona até mesmo o primeiro caso, que parecia óbvio: a comparação entre "pretender lançar oito e lançar apenas quatro" e "pretender escrever 'Shimon' e escrever apenas 'shem'" não é, de fato, exata. No caso da escrita, é logicamente necessário passar pela etapa de escrever "shem" antes de completar "Shimon" — as duas letras "shem" são parte inevitável e sequencial da palavra maior, de modo que escrevê-las já realiza, por si, um ato de escrita válido. Mas, no caso do lançamento, não há necessidade lógica de que um objeto lançado a oito cúbitos "passe" ou "pouse" primeiro nos quatro cúbitos — ele pode percorrer a distância inteira em voo contínuo, sem tocar o chão na metade do caminho. Por isso, a premissa de que "lançar oito" contém necessariamente "lançar quatro" é posta em dúvida, e a folha deixa a questão, ao final, sem resolução explícita.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "harei katav shem miShimon" e as duas versões do texto
הרי כתב שם משמעון - דתנן לקמן בפ' הבונה (לקמן שבת דף קג) דחייב בב' אותיות ואף על פי שנתכוין למלאכה גדולה: ה"ג ודקאמרת הרי כתב שם משמעון - ואנתכוין לזרוק שמונה וזרק ד' דפשיטא ליה לחיובא קא מותיב מי דמי התם כל כמה דלא כתב שם לא מכתב שמעון הלכך כי כתב שם בכוונה כתבי' והא עבד ליה מלאכה דיש שם אדם בב' אותיות הללו: הכא כל כמה דלא זריק ד' - שתנוח לסוף ד' לא מזדרק ליה תמניא בתמיה הלכך כי נח לסוף ד' לא נתקיימה מחשבתו ולא דמי לשם משמעון לשון אחר ה"ג אמר מר הרי כתב שם משמעון מי דמי כו' והיא היא:

"'Eis que escreveu "shem" de "Shimon"'" — pois ensinamos adiante, no capítulo HaBoneh (Shabat 103a), que ele é responsável por escrever duas letras, ainda que tenha pretendido realizar um trabalho maior , uma palavra mais longa. "'Esta é a versão correta: e quanto ao que disseste, eis que escreveu "shem" de "Shimon"'" — refere-se a quem pretendeu lançar oito e lançou quatro, caso que lhe parecia óbvio para responsabilização; a Guemará objeta: será que é semelhante? Ali, enquanto não se escreve "shem" não se escreve "Shimon"; por isso, quando escreveu "shem" com intenção, escreveu-o, e realizou um trabalho, pois há nome de pessoa nestas duas letras. "'Aqui, enquanto não lançou quatro'" — para que repouse ao final dos quatro, não se lançam oito para ele, em tom de pergunta retórica; por isso, quando o objeto repousa ao final dos quatro, sua intenção não se cumpriu, e não é semelhante a "shem" de "Shimon". Outra versão: "Disse o Mestre: eis que escreveu 'shem' de 'Shimon', será que é semelhante?" etc. — e é a mesma explicação.

Nova baraita: de via pública a via pública, por propriedade privada · מֵרְשׁוּת הָרַבִּים לִרְשׁוּת הָרַבִּים וּרְשׁוּת הַיָּחִיד בָּאֶמְצַע

267Nova baraita: quatro cúbitos ao todo, nas duas partes da via pública — a folha termina em aberto
Uma baraita
תָּנוּ רַבָּנַן: הַזּוֹרֵק מֵרְשׁוּת הָרַבִּים לִרְשׁוּת הָרַבִּים וּרְשׁוּת הַיָּחִיד בָּאֶמְצַע, אַרְבַּע אַמּוֹת — חַיָּיב,

Ensinaram os Sábios numa baraita: quem lança um objeto de via pública a via pública, com propriedade privada no meio, é responsável se o objeto percorrer, ao todo, quatro cúbitos — a frase que se seguiria permanece em aberto ao final desta folha.

Nota — a folha termina aqui

A folha 97b fecha em aberto, retomando diretamente o tema com que 97a terminara: uma nova baraita, ensinada pelos Sábios, sobre quem lança um objeto de uma via pública a outra via pública, com uma propriedade privada no meio — o mesmo caso da baraita citada em 97a (beat 253), mas agora formulada de modo independente e com um detalhe técnico novo: a responsabilidade depende de o objeto ter percorrido, ao todo, quatro cúbitos somando as duas partes da via pública (por exemplo, dois cúbitos antes de entrar na propriedade privada, e mais dois depois de sair dela). Rashi confirma essa leitura: é responsável mesmo que os quatro cúbitos se completem por soma das duas partes. A frase é interrompida exatamente neste ponto — o texto hebraico termina com uma vírgula, no meio da oração —, e a formulação completa da baraita, com suas condições e possíveis exceções, deve abrir a folha 98a, ainda não publicada.

Rashi · רַשִׁ״י
Sobre "merashut harabim lirshut harabim ureshut hayachid ba'emtza arba amot chayav"
מרה"ר לרה"ר ורה"י באמצע ד"א חייב - אם עבר ברה"ר ד"א ואפי' ע"י צירוף חייב:

"'De via pública a via pública com propriedade privada no meio, quatro cúbitos: é responsável'" — se o objeto percorreu quatro cúbitos na via pública, mesmo que essa distância se complete por soma das duas partes da via pública, é responsável.