86a fechara com a discussão sobre relações conjugais durante o dia e as leniências do quarto escuro e do talit — um fechamento gramatical completo, mas que deixara em aberto, tematicamente, toda a sugya da entrega da Torá e da abstinência que a precedeu. 86b retoma esse mesmo tema com uma nova pergunta, ainda dentro da mesma discussão: se o povo de Israel imergiu na noite de Shabat, antes de completar o pôr do sol, não estariam eles em status de tevulei yom (que já se banharam, mas ainda aguardam o anoitecer para a purificação plena) no momento de receber a Torá? A Guemará traz o ensinamento de que a Torá foi dada — ou, segundo a correção de Ravina, era apta a ser dada — a um tevul yom, e prossegue perguntando por que não imergiram e receberam a Torá ao crepúsculo, ou pela manhã de Shabat, com as respostas de Rabi Yitzchak. Em seguida, Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan, qualifica a baraita anterior: a exigência de apenas cinco períodos de impureza é somente segundo Rabi Yishmael e Rabi Akiva, mas os sábios exigem seis períodos completos; e Rav Chisda distingue entre a emissão que se separa do corpo da mulher (sujeita à contagem de dias) e a que se separa do corpo do homem (impura enquanto úmida), distinção que Rav Sheshet tenta contestar com um verso e que a Guemará defende. Rav Pappa então levanta uma dúvida não resolvida: o sêmen de um homem israelita, depositado nas entranhas de uma mulher gentia, apodrece no mesmo prazo que o de uma israelita, ou o calor do corpo de quem se preocupa em cumprir os mandamentos é que causa a putrefação — e, se for o calor em geral, o mesmo se aplicaria às entranhas de um animal? A questão fica sem solução (teiku). A folha então abre uma nova baraita, sobre em que dia do mês de Sivan foram dados os Dez Mandamentos — no sexto, segundo a maioria, ou no sétimo, segundo Rabi Yosi —, com a demonstração de Rava de que ambas as opiniões concordam que o povo chegou ao deserto do Sinai no primeiro dia do mês e que a Torá foi dada num Shabat, divergindo apenas sobre em que dia da semana se fixou o novo mês. A explicação dessa fixação, e da sequência de ordens que Moshe deu ao povo dia após dia, fica interrompida no meio da frase — "no segundo dia da semana disse-lhes: 'e vós sereis para mim um reino de sacerdotes'" — e só se completa no início de 87a.
86a terminara com uma frase gramaticalmente completa, sobre as leniências do quarto escuro e do talit para relações conjugais de dia. 86b não continua essa frase, mas retoma o mesmo argumento maior — a discussão sobre a abstinência de Israel antes da entrega da Torá — com uma nova pergunta lançada pela Guemará: "וְהָא טְבוּלֵי יוֹם נִינְהוּ?" ("mas não são eles tevulei yom?"). Trata-se de continuidade temática, não de um corte no meio de uma frase: a Guemará havia estabelecido, ao longo de 86a, que o povo imergiu na noite de Shabat antes de receber a Torá; agora ela examina uma consequência dessa mesma conclusão — se, não tendo ainda passado o pôr do sol completo desde a imersão, o povo não estaria, tecnicamente, em status de tevul yom no momento da revelação.
Pergunta a Guemará: mas não são eles tevulei yom — pois imergiram na noite de Shabat, e ainda não haviam completado o pôr do sol quando receberam a Torá naquela manhã? Abaye bar Ravin e Rav Chanina bar Avin, que ambos disseram: a Torá foi dada a um tevul yom. Sentou-se Marimar e disse esse ensinamento diante dos sábios. Disse-lhe Ravina a Marimar: "foi dada" disseste, ou "era apta a ser dada" disseste? Disse-lhe: "era apta" eu disse.
A Guemará havia estabelecido que o povo de Israel imergiu na noite de Shabat, antes de receber a Torá na manhã seguinte. Mas, sem ter passado o pôr do sol completo depois da imersão, tecnicamente permaneciam em status de tevul yom — alguém que já se banhou mas cuja purificação só se completa ao anoitecer. Abaye bar Ravin e Rav Chanina bar Avin ensinam que a Torá foi dada a esse povo, mesmo em status de tevul yom. Quando Marimar repete esse ensinamento, Ravina lhe pergunta se a formulação exata era que a Torá "foi" dada a um tevul yom — implicando que de fato havia tevulei yom presentes na entrega — ou apenas que a Torá "seria apta" a ser dada a alguém nessa condição, uma afirmação teórica sobre a lei, sem implicar que tenha efetivamente ocorrido assim. Marimar esclarece que sua formulação era a segunda, mais cautelosa.
"'Mas não são eles tevulei yom'" — pois de todos os sábios mencionados na baraita anterior ouvimos que na noite de Shabat imergiram, e por isso eram tevulei yom quando receberam a Torá, pois não tiveram o pôr do sol completo depois da imersão; e, sendo assim, pode-se dizer que já ali, antes do anoitecer, tinham imergido, e ainda assim a emissão deles , se ocorresse depois, é pura, e falta a eles um período a menos, na contagem, segundo todas as opiniões. "'Apta eu disse'" — apta a ser dada a um tevul yom, e esses tanaítas entendem que a Torá não se preocupou com o status de tevul yom, pois não está escrito "o pôr do sol" senão quanto ao consumo de coisas sagradas; portanto, todos os três dias mencionados quanto à abstinência precisavam ser antes da imersão; mas de fato não foi dada a um tevul yom, pois o povo imergiu ainda antes do anoitecer e não emitiu sêmen depois; e se emitissem, voltariam a imergir depois de escurecer, mas não precisaram disso.
Pergunta ainda a Guemará: e que o povo imergisse ao crepúsculo da noite de Shabat, e recebesse a Torá ao crepúsculo , evitando de vez o status de tevul yom? Disse Rabi Yitzchak: "não desde o princípio em segredo falei" (Isaías 45:19) — a revelação da Torá deveria ocorrer à luz clara do dia, não no crepúsculo, que se assemelha ao sigilo da noite. E que imergissem na manhã de Shabat, e recebessem a Torá na manhã de Shabat , evitando também assim o status de tevul yom? Disse Rabi Yitzchak: para que não fosse que uns estivessem indo receber a Torá enquanto outros ainda estivessem indo à imersão.
A Guemará propõe duas soluções alternativas para evitar que o povo recebesse a Torá em status de tevul yom, e Rabi Yitzchak rejeita ambas. A primeira: se tivessem imergido e recebido a Torá ambos ao crepúsculo da sexta-feira para o Shabat, não haveria intervalo algum em que permanecessem tevulei yom — mas Rabi Yitzchak explica, com o verso de Isaías, que a revelação da Torá precisava ocorrer abertamente, à luz do dia, e o crepúsculo, por se assemelhar às trevas, não seria apropriado. A segunda: se tivessem esperado e imergido apenas na manhã de Shabat, momento em que também receberiam a Torá, evitariam igualmente o intervalo problemático — mas Rabi Yitzchak explica que isso criaria uma cena incongruente, com parte do povo já a caminho de receber a revelação enquanto outra parte ainda se dirigia à imersão ritual, uma falta de coesão inadequada para o momento mais solene da história de Israel.
"'E que imergissem ao crepúsculo, e recebessem a Torá ao crepúsculo'" — a noite de Shabat é chamada "crepúsculo" (bein hashmashot) em todo lugar, porque o seu crepúsculo é diferente do de todos os outros dias, e por isso a Guemará precisou mencioná-lo em vários lugares; e assim a Guemará objeta contra Rabi Akiva, que diz que a Torá se preocupou com a contagem dos períodos, e não se preocupou senão com cinco: por que não a receberam à noite? Responde a Guemará que, visto que Moshe esperou até de manhã, pode-se dizer que a Torá se preocupou também com a emissão da noite, e por isso há seis períodos. "'Não em segredo falei'" — isto é, não falei num lugar de terra de trevas, e a noite é trevas. "'Que imergissem em Shabat, de manhã'" — e por que precisou Moshe descer de madrugada do dia, se bastaria que o povo se abstivesse ao anoitecer do quarto dia e imergisse no Shabat pela manhã? E se emitissem depois da imersão, seriam puros, pois já se passaram cinco períodos completos; e se emitissem na noite de Shabat e ficassem impuros, não haveria problema, e imergiriam pela manhã, pois quem tem emissão por polução noturna imerge no mesmo dia; e tu dizes que a Torá foi dada a um tevul yom, o que implica que ainda não haviam imergido antes de recebê-la! E há livros em que se lê duas versões diferentes deste ensinamento, lendo assim: segundo Rabi Elazar, tiveram relações de dia na quinta-feira; segundo Rabi Yishmael, tiveram relações na noite de quinta-feira; segundo Rabi Akiva, tiveram relações de dia na quarta-feira. E eu digo que isso é um erro, e quem assim o lê se equivocou e não soube explicar o que disse Rabi Yishmael, que às vezes são cinco períodos, etc.
Disse Rabi Chiya, filho de Rabi Abba, em nome de Rabi Yochanan: isto — a baraita anterior, com as opiniões de Rabi Elazar ben Azaria, Rabi Yishmael e Rabi Akiva sobre quantos períodos tornam impura a emissão tardia — são as palavras de Rabi Yishmael e Rabi Akiva; mas os sábios (chachamim) dizem: seis períodos completos são necessários. Disse Rav Chisda: a disputa é apenas sobre a emissão que se separou do corpo da mulher , isto é, o sêmen que ela recebeu do homem e depois expele; mas o sêmen que se separou do corpo do homem , sobre uma roupa ou objeto, é impuro por todo o tempo em que estiver úmido , sem depender da contagem de períodos. Objeta Rav Sheshet: "e toda roupa e todo couro sobre o qual houver sêmen" (Levítico 15:17, que ensina a impureza do sêmen sobre roupa ou couro) — excetua-se o sêmen que está putrefeito , o qual não transmite mais impureza. Isso não se refere ao sêmen que se separou do corpo do homem , o que contradiria Rav Chisda? Responde a Guemará: não, refere-se ao sêmen que se separou do corpo da mulher.
Rabi Chiya, em nome de Rabi Yochanan, esclarece que a exigência de contar apenas cinco períodos (a disputa entre Rabi Yishmael e Rabi Akiva) é uma posição específica desses dois tanaítas; os sábios em geral, porém, exigem seis períodos completos antes de considerar pura a emissão tardia. Rav Chisda então introduz uma distinção importante: essa disputa sobre a contagem de períodos aplica-se apenas ao sêmen que uma mulher recebeu de um homem e depois expele de seu próprio corpo — cuja pureza depende do tempo decorrido, medido em períodos. Mas o sêmen que sai diretamente do corpo do homem, e cai sobre uma roupa ou objeto, segue outra regra: permanece impuro simplesmente enquanto estiver fisicamente úmido, sem relação com a contagem de dias ou períodos. Rav Sheshet tenta refutar essa distinção com um verso que exclui expressamente o sêmen "putrefeito" da impureza sobre roupas — argumentando que, se a regra fosse apenas "enquanto úmido", não haveria necessidade de mencionar a putrefação. A Guemará responde que o verso, na verdade, trata do sêmen que passou pelo corpo da mulher (e por isso pode apodrecer mesmo estando ainda fisicamente úmido sobre a roupa), preservando a distinção de Rav Chisda.
"'Mas os sábios dizem seis períodos completos'" — entendem a questão como Rabi Yosi, que diz que na quarta-feira o povo fez a abstinência, e, quanto ao horário, como a regra de madrugada de Rav Adda bar Ahavá, aplicada à opinião de Rabi Akiva; e não sustentam que imergiram na noite de Shabat, mas entendem que aqueles que imergiram na noite de Shabat e emitiram depois da imersão precisaram imergir de novo no Shabat pela manhã, e por isso a Divina Presença se atrasou em dar a Torá até de manhã, e não apenas por causa de "não em segredo falei" isoladamente. "'Que se separou da mulher'" — como a que expele sêmen que recebeu de um homem, é sobre isso que disse Rabi Elazar ben Azaria que em dois dias apodrece, pois se aquece dentro do corpo dela. "'Mas se separou do homem'" — sobre a roupa, torna impuro para sempre. "'Enquanto estiver úmido'" — mas depois de secar não torna impuro, pois já não é apto para gerar. "'Isso não é o que se separou do homem'" — sobre a roupa, e a baraita declara puro o sêmen que ainda está úmido mas já apodrecido, pois não ensina "exceto quando secar".
Perguntou Rav Pappa: sêmen de um israelita, depositado nas entranhas de uma gentia, qual é a lei — apodrece no mesmo prazo de dois dias, tornando-se puro no terceiro, como o de uma israelita, ou não? Será que os israelitas, que se preocupam com os mandamentos, têm o corpo quente — e é esse calor que faz o sêmen apodrecer depressa —, enquanto os gentios, que não se preocupam com os mandamentos, não têm o corpo quente da mesma forma? Ou talvez, já que os gentios comem répteis e criaturas repugnantes, o corpo deles também é quente , e o sêmen apodreceria igualmente depressa dentro deles. E se disseres que, já que comem répteis e criaturas repugnantes, o corpo deles é quente , e por isso apodrece no mesmo prazo: nas entranhas de um animal, qual é a lei? Será que é especificamente a mulher, que tem um vestíbulo (prozdor, a parte externa do útero), que faz o sêmen apodrecer, mas o animal, que não tem vestíbulo, não o faz apodrecer da mesma forma? Ou talvez não haja diferença alguma entre eles. Teiku — a questão permanece sem solução.
Rav Pappa levanta uma dúvida em duas camadas, nunca resolvida pela Guemará. A primeira: o ensinamento de que o sêmen depositado no corpo de uma mulher apodrece em dois dias (tornando-se puro no terceiro) foi dito a respeito de uma mulher israelita — mas aplicar-se-ia também ao sêmen de um israelita depositado nas entranhas de uma gentia? A resposta poderia depender de saber se o motivo do apodrecimento é o calor específico do corpo de quem se preocupa em cumprir os mandamentos (o que excluiria a gentia) ou simplesmente o calor corporal em geral, presente também nos gentios (que, segundo esse raciocínio, teriam o corpo aquecido por comerem alimentos proibidos e repugnantes). A segunda camada: se se concluir que o calor é geral, e não específico de quem cumpre mandamentos, então o mesmo sêmen depositado nas entranhas de um animal deveria igualmente apodrecer no mesmo prazo — a menos que o fator decisivo não seja o calor, mas sim o vestíbulo (prozdor) anatômico específico da mulher, ausente no animal. A Guemará deixa ambas as perguntas sem solução, com a palavra teiku.
"'De um israelita, nas entranhas de uma cutita'" — a questão é se o sêmen apodrece em três dias como o de uma mulher israelita, e se ela o expelisse depois de três dias, aquele que tocasse na gota seria puro, ou não; e por isso a Guemará menciona sêmen de um israelita, pois quanto ao sêmen de um cuti (gentio), dizemos no tratado Nidá, no capítulo "Bnot Kutim" (Nidá 34a), que sua emissão é pura desde o início, sem depender do apodrecimento. "'Que se preocupam com os mandamentos'" — preocupam-se em cumprir os mandamentos e são cuidadosos com isso, e por causa dessa preocupação se aquecem, conforme está escrito: "aqueceu-se meu coração dentro de mim" (Salmos 39:4). "'Chavil'" — quente. "'Que tem um vestíbulo (prozdor)'" — a carne das paredes do útero que se projeta dos dentes (a entrada) para fora, e o próprio útero fica dos dentes para dentro. "'A mulher tem um vestíbulo'" — por isso o ar não penetra nela, e o corpo dela se aquece.
Ensinaram os sábios numa baraita: no sexto dia do mês de Sivan foram dados os Dez Mandamentos a Israel. Rabi Yosi diz: no sétimo dia dele. Disse Rava: todos concordam que o povo chegou ao deserto do Sinai no princípio do mês (Rosh Chodesh). Isso porque está escrito aqui: "neste dia vieram ao deserto do Sinai" (Êxodo 19:1), e está escrito ali: "este mês será para vós o princípio dos meses" (Êxodo 12:2) — assim como ali se fala do princípio do mês, também aqui se fala do princípio do mês. E todos concordam que no Shabat foi dada a Torá a Israel. Isso porque está escrito aqui: "lembra-te do dia de Shabat, para santificá-lo" (Êxodo 20:8), e está escrito ali: "e disse Moshe ao povo: lembrai-vos deste dia" (Êxodo 13:3) — assim como ali se fala do próprio dia, no seu decurso, também aqui se fala do próprio dia, no seu decurso. Sobre que ponto então discordam? Sobre a fixação do mês: Rabi Yosi entende que no primeiro dia da semana (domingo) se fixou o mês, e nesse primeiro dia Moshe não lhes disse absolutamente nada, por causa do cansaço da viagem; no segundo dia (segunda-feira) disse-lhes: "e vós sereis para mim um reino de sacerdotes" (Êxodo 19:6); — a explicação de Rabi Yosi continua, dia após dia, mas a frase fica aqui interrompida; completa-se apenas no início de 87a —
A nova baraita traz uma disputa sobre em que dia exato do mês de Sivan foram dados os Dez Mandamentos: no sexto, segundo a opinião anônima (a maioria dos sábios), ou no sétimo, segundo Rabi Yosi. Rava demonstra que essa disputa não é sobre os fatos bíblicos centrais, nos quais todos concordam: que o povo chegou ao deserto do Sinai precisamente no primeiro dia do mês (Rosh Chodesh), derivado por uma analogia verbal (gzerá shavá) entre "neste dia" em Êxodo 19:1 e "este mês" em Êxodo 12:2; e que a Torá foi dada especificamente num Shabat, derivado de outra analogia verbal entre "lembra-te" no mandamento do Shabat e "lembrai-vos deste dia" a respeito da saída do Egito. A disputa real está em outro ponto, mais técnico: em que dia da semana caiu o primeiro dia daquele mês — pois, dependendo disso, a contagem de dias entre a chegada ao Sinai e o Shabat da entrega da Torá muda, afetando se o sexto ou o sétimo dia do mês corresponde ao Shabat. Rabi Yosi explica que o mês se fixou num domingo; nesse mesmo domingo, por causa do cansaço da longa viagem, Moshe não deu nenhuma instrução ao povo; apenas na segunda-feira começou a transmitir as ordens que os preparariam para a revelação, começando pela promessa de que se tornariam "um reino de sacerdotes e uma nação santa". A explicação de Rabi Yosi prossegue, dia após dia da semana, até chegar ao Shabat — mas a frase da baraita é interrompida exatamente neste ponto, no meio da descrição do que Moshe disse na segunda-feira, e a continuação, com as ordens dadas na terça, quarta e quinta-feira, e a resposta dos sábios sobre sua própria contagem, só aparece na abertura de 87a.
"'No sexto dia do mês, etc.'" — pois isto que está escrito: "e a nuvem o cobriu seis dias, e chamou a Moshe no sétimo dia" (Êxodo 24:16), os sábios entendem como Rabi Yosi Haglili, que diz, no primeiro capítulo de Yomá (4a), que isso aconteceu depois dos Dez Mandamentos; e Rabi Yosi ben Rabi Yehuda, autor desta baraita, entende que Moshe e todo Israel estavam parados para receber os Dez Mandamentos, e o texto daquele outro verso veio apenas para conferir honra a Moshe. "'Está escrito aqui'" — "este" e "este", palavras idênticas usadas para uma gzerá shavá (analogia verbal). "'Assim como ali'" — "lembra-te deste dia" (Êxodo 13:3), no próprio dia foi dita a eles a lembrança da saída do Egito, conforme está escrito "este"; também aqui, no próprio dia foi dada a eles a lembrança do Shabat, pois foi dito: "lembra-te do dia..." etc. "'Sobre a fixação do mês'" — em que dia da semana se fixou o mês. A leitura correta é: "por causa do cansaço da viagem". "'No segundo dia disse-lhes: e vós sereis para mim'" — "e Moshe subiu, e o Eterno o chamou do monte" (Êxodo 19:3), toda essa passagem, até "estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel" (Êxodo 19:6), foi dita a ele no dia seguinte à chegada deles ao deserto, conforme dizemos que todas as suas subidas foram de madrugada; e mesmo segundo quem não sustenta que a descida também foi de madrugada, por não fazer a comparação (hekesh), sustenta que a subida foi de madrugada, pois isso está escrito explicitamente no verso.