81b se encerrara aberta, no meio da pergunta retórica da matrona feiticeira aos sábios no barco: "o que posso fazer contra vós?" Confirma-se, pelo texto de Sefaria, que 82a completa essa fala: porque não se limpam com um caco, não matam piolho sobre a própria roupa, e não arrancam verdura para comer de um maço já amarrado pelo hortelão — três práticas vulneráveis à feitiçaria, das quais os sábios se resguardam. Segue-se um relato pessoal: Rav Huna pergunta a seu filho Rabá por que não frequenta Rav Chisda, cujos ensinamentos são afiados; Rabá responde que Rav Chisda só o faz sentar com "assuntos mundanos" — a saber, um ensinamento sobre como sentar-se na privada sem se ferir, para que os dentes do reto não se desloquem; Rav Huna replica: isso é a vida das criaturas, e não algo mundano — tanto mais razão para ires a ele. Rav Huna e Rav Chisda discordam sobre limpar-se com seixo ou caco; uma objeção é resolvida por Rafram bar Pappa, distinguindo as bordas lisas de utensílios. Uma disputa paralela, entre Rav Chisda e Rav Hamnuna, sobre seixo e ervas, é resolvida pela distinção entre ervas úmidas (que cortam a carne) e secas. Uma dúvida separa o espírito mau (o mau hálito) do espírito de imundície (o suor fétido) de quem precisa aliviar-se e não consegue; uma baraita apoia a segunda opinião. Seguem-se remédios práticos — de Rav Chisda, Rav Chanan de Neharde'a, Rav Hamnuna e dos sábios — para quem não consegue aliviar-se, com a anedota de Rav Yirmeya de Difti sobre o árabe que se levantava e sentava repetidamente; e a baraita de quem entra numa refeição fixa, que deve caminhar antes de se sentar. Uma nova Mishná — a última do Perek Hamotzi Yayin — fixa a medida mínima do caco para responsabilidade no transporte em Shabat, com a disputa entre Rabi Yehuda, Rabi Meir e Rabi Yosi, este último apoiado num verso de Isaías sobre atiçar fogo e tirar água de uma cisterna; a Guemará elucida a disputa com o ensinamento de Abaye sobre um grande incêndio. Registra-se então o hadran, a fórmula que encerra o Perek Chet, Hamotzi Yayin; e abre-se o Perek Tet, Amar Rabi Akiva, com sua Mishná: de onde se aprende que a idolatria transmite impureza por transporte, como a menstruada? Do verso "tu os lançarás como coisa impura, e lhe dirás: sai!" A Guemará relaciona essa Mishná com as leis de reconstrução de uma casa cuja parede era comum a um templo idólatra e que caiu — proibida, a menos que se recolha quatro amot dentro do próprio terreno.
81b se interrompera exatamente na pergunta retórica da matrona: "אֲמַרָה לְהוּ: מַאי אֶיעְבֵּיד לְכוּ?" — "disse-lhes ela: o que posso fazer contra vós?" — sem que se soubesse a resposta. A folha aqui abre com a continuação exata: "דְּלָא מִקַּנַּח לְכוּ בְּחַסְפָּא, וְלָא קְטִיל לְכוּ כִּינָּא אַמָּנַיְיכוּ, וְלָא שְׁלִיף לְכוּ יַרְקָא וַאֲכִיל לְכוּ מִכִּישָּׁא דְּאָסַר גִּינָּאָה" — "porque não vos limpais com um caco, e não matais piolho sobre vossas roupas, e não arrancais verdura para comer de um maço que o hortelão amarrou" —, revelando que a impotência da feitiçaria contra os sábios vinha justamente de sua fidelidade a essas práticas cuidadosas.
...porque não vos limpais com um caco, e não matais piolho sobre vossas roupas, e não arrancais verdura para comer de um maço que o hortelão amarrou.
A explicação da matrona conecta-se diretamente às duas sugyot que dominarão o restante da folha: a proibição de Rabi Yochanan de limpar-se com um caco em Shabat (já discutida em 81b) e a atenção meticulosa dos sábios às práticas de higiene. Segundo ela, três hábitos populares descuidados — usar um caco para limpar-se, matar piolhos diretamente sobre as roupas do corpo, e arrancar verdura de um maço já amarrado (em vez de desatá-lo primeiro) — são justamente os pontos por onde a feitiçaria consegue agir sobre uma pessoa. Como os sábios evitam escrupulosamente essas três práticas, a feitiçaria da matrona não teve onde se apoiar.
"'Porque não vos limpais com um caco'" — pois eu poderia fazer feitiçaria contra vós por meio dele. "'E não matais piolho sobre vossas roupas'" — e não matais o piolho em cima das próprias roupas. "'E não comeis verdura de um maço que o hortelão amarrou'" — vós não retirais alho, alho-poró e cebola de um maço que os hortelões amarram, comendo-o assim; antes, desatais o maço primeiro; conclui-se que todas essas coisas são difíceis para a feitiçaria (oferecem ponto de apoio à feitiçaria, quando feitas sem cuidado).
Disse-lhe Rav Huna a Rabá, seu filho: qual é a razão de não frequentares diante de Rav Chisda, cujos ensinamentos são afiados? Disse-lhe: para que eu vou até ele? Pois, quando vou até ele, ele me faz sentar com assuntos mundanos. Disse-me: quem entra na privada não deve sentar-se abruptamente, nem se esforçar demais — pois este reto (karkeshta) está apoiado sobre três dentes, e talvez se desloquem os dentes do reto e ele venha a correr perigo. Disse-lhe Rav Huna: ele se ocupa da vida das criaturas, e tu dizes que são assuntos mundanos?! Tanto mais razão para ires até ele.
Este breve relato pessoal ilustra, na prática, a mesma preocupação com a saúde do corpo que atravessa toda a sugya da privada iniciada em 81a-81b. Rabá, filho de Rav Huna, subestima o valor do ensinamento de Rav Chisda por considerá-lo um "assunto mundano" — uma instrução prática sobre como sentar-se na privada sem se ferir, e não um raciocínio jurídico complexo. Rav Huna corrige essa avaliação: um ensinamento que preserva a vida e a integridade física das pessoas não é "mundano" — é, ao contrário, ainda mais importante, e por isso Rabá deveria buscar Rav Chisda com mais frequência, não menos.
"'Ele me faz sentar com assuntos mundanos'" — ele me faz sentar diante dele com palavras vãs, que não são Torá. "'Não deve sentar-se abruptamente'" — rapidamente e com força, pois assim o orifício se abre com violência, deslocam-se os dentes do reto, e a carne interna sai de seu lugar. "'Nem se esforçar demais'" — em francês antigo (la'az), o termo para o ato de fazer força ao evacuar.
Se estavam diante dele um seixo e um caco: Rav Huna disse: limpa-se com o seixo, e não se limpa com o caco; e Rav Chisda disse: limpa-se com o caco, e não se limpa com o seixo. Objetaram: se estavam diante dele um seixo e um caco — limpa-se com o caco, e não se limpa com o seixo; é uma refutação de Rav Huna! Interpretou-a Rafram bar Pappa diante de Rav Chisda, de acordo com Rav Huna: trata-se de um caco tirado das bordas de utensílios.
Retoma-se aqui, de modo mais preciso, a disputa já implícita na proibição de Rabi Yochanan (81b) de limpar-se com um caco por causa do perigo. Rav Huna prefere o seixo, evitando o risco do caco; Rav Chisda prefere o caco, confiante em seu estatuto de utensílio. Uma baraita parece refutar Rav Huna ao preferir explicitamente o caco; Rafram bar Pappa salva sua posição limitando-a a um caco comum, perigoso — enquanto a baraita, ao preferir o caco, refere-se especificamente a um pedaço tirado da borda lisa e arredondada de um utensílio já quebrado, que não corta a carne como um caco de bordas ásperas.
"'Limpa-se com o seixo'" — em Shabat, ainda que o seixo, em geral, não seja apto para ser transportado. "'E não se limpa com o caco'" — por causa do perigo. "'Limpa-se com o caco'" — pois o caco tem sobre si o estatuto de utensílio. "'Nas bordas de utensílios'" — que são lisas e não rasgam a carne.
Se estavam diante dele um seixo e ervas: Rav Chisda e Rav Hamnuna — um disse: limpa-se com o seixo, e não se limpa com as ervas; e um disse: limpa-se com as ervas, e não se limpa com o seixo. Objetaram: quem se limpa com algo sobre o qual o fogo tem domínio, seus dentes inferiores caem! Não há dificuldade: isto fala das ervas úmidas, aquilo das secas.
Uma disputa paralela à anterior, agora entre seixo e ervas. A objeção final introduz um terceiro elemento: coisas "sobre as quais o fogo tem domínio" — isto é, secas o bastante para arder — fazem cair os dentes inferiores, um risco distinto do corte. A resolução distingue as ervas úmidas, que cortam a carne mas não têm domínio do fogo sobre si, das ervas secas, inflamáveis e por isso mais perigosas de outro modo; cada opinião, na disputa original, falaria de um tipo de erva.
"'E não se limpa com as ervas'" — pois as ervas úmidas cortam a carne; e nossos mestres explicam a razão por causa de arrancar algo preso ao solo em Shabat, mas não sei bem o que isso significa, pois, se as ervas estão presas ao solo, haveria quem permitisse tocá-las? E parece-me que se refere a ervas presas ao solo, e a pessoa se limpa com elas ainda presas. "'E não se limpa com o seixo'" — pois o seixo não é apto para ser transportado; portanto, limpa-se com as ervas quando estão presas ao solo, sem movê-las, e por usá-las presas ao solo isso não se proíbe, como se diz em Eruvin, capítulo três (34b), que só proibiram o uso em árvore e em canas de espinheiro, por serem duras. "'Seus dentes caem'" — os dentes da boca, e não os do reto (distinto do caso anterior). "'Nas úmidas'" — o fogo não tem domínio sobre elas.
Quem precisa aliviar-se e não consegue: Rav Chisda e Ravina — um disse: um espírito mau (ruach ra'ah) domina sobre ele; e um disse: um espírito de imundície (ruach zuhama) domina sobre ele. Ensina-se numa baraita como quem disse que um espírito de imundície domina sobre ele, pois se ensina: quem precisa atender suas necessidades e come é semelhante a um forno que foi aceso sobre suas próprias cinzas — e este é o começo do espírito de imundície.
A dúvida distingue dois efeitos possíveis de reter as próprias necessidades: o espírito mau, explicado por Rashi como o mau hálito que sai da boca quando o excremento apodrece nos intestinos; e o espírito de imundície, um suor fétido que impregna todo o corpo. A baraita decide a favor da segunda opinião, comparando quem come nessa condição a um forno aceso sobre as próprias cinzas ainda quentes — uma imagem de sujeira acumulada sobre sujeira.
"'Espírito mau'" — o mau odor da boca, pois o excremento apodrece nos intestinos, e o odor sai pela boca. "'Espírito de imundície'" — todo o seu corpo cheira mal, com um suor fétido, pois o odor é absorvido em sua carne e em seus membros, e nele se transforma num suor imundo.
Precisou aliviar-se e não consegue aliviar-se: disse Rav Chisda: que se levante e sente, se levante e sente. Rav Chanan de Neharde'a disse: que se afaste para os lados. Rav Hamnuna disse: que apalpe com um seixo naquele lugar. E os sábios dizem: que distraia sua mente. Disse-lhe Rav Acha, filho de Rava, a Rav Ashi: tanto mais isso é difícil, pois, quando distrai sua mente, não se alivia! Disse-lhe: que distraia sua mente de outros assuntos (mas permaneça atento a aliviar-se). Disse Rav Yirmeya de Difti: eu mesmo vi aquele árabe (tayaa) que se levantava e sentava, se levantava e sentava, até que despejou como uma panela.
Uma coleção de conselhos práticos, cada sábio propondo seu próprio remédio para o desconforto de não conseguir aliviar-se: repetir o movimento de levantar e sentar, mudar de posição, aplicar pressão local com um seixo, ou distrair a mente. A objeção de Rav Acha bar Rava capta uma tensão real: distrair-se completamente impediria o próprio ato; a resposta de Rav Ashi refina o conselho — distrair-se de outras preocupações, sem perder o foco da necessidade em si. A anedota final, contada por Rav Yirmeya de Difti, ilustra com humor o remédio de Rav Chisda (levantar e sentar repetidamente) sendo eficaz na prática.
"'E não consegue aliviar-se'" — pois o orifício não se abre. "'Que se afaste para os lados'" — quando se examinou neste canto, que se afaste para outro canto e examine novamente. "'Árabe (tayaa)'" — um ismaelita.
Ensinaram os sábios: quem entra numa refeição fixa deve caminhar dez vezes de quatro amot cada uma; e alguns dizem: quatro vezes de dez amot cada uma; e alivia-se, e entra e senta-se em seu lugar.
Encerra-se aqui a sequência de conselhos práticos sobre a privada com uma recomendação preventiva: quem vai participar de uma refeição fixa — da qual seria uma vergonha ter que se levantar no meio para se aliviar — deve caminhar um pouco antes de se sentar à mesa, precisamente para verificar suas próprias necessidades e atendê-las com antecedência.
"'Quem entra numa refeição fixa'" — e é uma vergonha para ele se precisar levantar-se da refeição para aliviar-se. "'Dez vezes'" — que aguarde entre uma vez e outra, e se examine. "'E alguns dizem: quatro vezes de dez, dez'" — pois assim é preferível, já que caminhar mais faz descer o excremento até seus orifícios.
MISHNÁ. Um caco: a medida mínima que gera responsabilidade por transportá-lo em Shabat é o suficiente para colocá-lo entre uma tábua e outra, palavras de Rabi Yehuda. Rabi Meir diz: o suficiente para atiçar com ele o fogo. Rabi Yosi diz: o suficiente para receber nele um quarto de log. Disse Rabi Meir: ainda que não haja prova para a coisa, há uma alusão à coisa: "não se achará em seus destroços um caco para atiçar fogo do braseiro" (Isaías 30:14). Disse-lhe Rabi Yosi: dali é a prova? "e para tirar água de uma cisterna" também está no mesmo verso.
Esta é a última Mishná do Perek Chet, Hamotzi Yayin, encerrando a lista de medidas mínimas de transporte iniciada com o vinho no começo do perek. Os três tanaítas discordam sobre a medida do caco, cada um propondo um uso de referência — encaixe entre tábuas, atiçar fogo, ou receber líquido —, e Rabi Meir busca apoio no verso de Isaías sobre a destruição total, que menciona um caco tanto para atiçar fogo quanto para tirar água de uma cisterna; Rabi Yosi contesta que a menção da segunda função no mesmo verso enfraquece, e não fortalece, a prova de Rabi Meir.
GUEMARÁ. Foi perguntado: a medida de Rabi Meir é maior, ou a medida de Rabi Yosi é maior? Pelo raciocínio, a medida de Rabi Yosi é maior; e pelo verso, a medida de Rabi Meir é maior. Pois, se te ocorresse que a medida de Rabi Yosi é maior, o profeta amaldiçoaria o povo com um utensílio pequeno, e depois voltaria a amaldiçoá-lo com um utensílio grande?! Disse Abaye: também a Mishná fala de atiçar fogo de um grande incêndio.
A Guemará pergunta qual das duas medidas — a de Rabi Meir (atiçar fogo) ou a de Rabi Yosi (receber um quarto de log) — é maior. Pelo bom senso, receber líquido exigiria um caco maior do que apenas atiçar uma brasa; mas pelo verso de Isaías, a ordem das cláusulas (primeiro atiçar fogo, depois tirar água) sugeriria o oposto, pois um profeta que amaldiçoa não començaria pelo utensílio pequeno para depois amaldiçoar com um maior. Abaye resolve a tensão explicando que a Mishná de Rabi Meir também se refere a um grande incêndio, que exige um caco maior para não queimar a mão — igualando, assim, a medida de Rabi Meir à de Rabi Yosi.
"'Pelo raciocínio, a medida de Rabi Yosi é maior; e pelo verso, a medida de Rabi Meir é maior'" — é uma objeção; ou seja, segundo suas palavras na Mishná, parece que Rabi Meir é mais rigoroso, pois disse "para atiçar com ele o fogo" sem especificar a medida, e um caco pequeno já serve para uma única brasa; enquanto para receber um quarto de log de água a medida é maior. Mas, quando se examina o verso, "tirar água" indicaria um caco pequeno; pois, se te ocorresse que "tirar água" indica um caco grande, o profeta amaldiçoaria de modo que não sobrasse sequer um utensílio pequeno, e só depois diria que não sobraria um utensílio grande — e acaso é esse o costume de quem amaldiçoa? "'Disse Abaye: também a Mishná'" — pois, quando Rabi Meir diz "para atiçar o fogo", refere-se a atiçar fogo de um grande incêndio, caso em que mesmo uma pequena brasa não é apta para ser atiçada senão com um caco grande, porque a mão se queimaria com um pequeno.
"Rabi Yosi disse: dali é a prova?" Corretamente lhe disse Rabi Yosi a Rabi Meir! E Rabi Meir dizia no sentido de "não é preciso dizer": não é preciso dizer que, quanto a algo que as pessoas consideram importante, não sobrará dele nada depois da destruição; mas mesmo quanto a algo que as pessoas não consideram importante, não sobrará dele nada.
A Guemará valida a objeção de Rabi Yosi contra a leitura simples do verso — de fato, mencionar a função de tirar água logo depois da de atiçar fogo sugere que ambas se referem a objetos pequenos e sem importância, não grandes. Mas reinterpreta a intenção original de Rabi Meir: ele não estava comparando as duas medidas dentro do verso, mas usando a lógica do "não é preciso dizer" — se o profeta profetiza que nem mesmo algo tão trivial quanto um caco para tirar água sobrará após a destruição, tanto mais não sobrará algo maior e mais valioso; a prova de Rabi Meir, assim entendida, permanece de pé.
"'Corretamente disse Rabi Yosi'" — pois, do fato de o profeta amaldiçoar o povo mencionando este uso, conclui-se que um caco assim serve para tirar água, sendo relativamente grande. "'Mesmo algo que não é importante'" — como tirar água, não se achará sequer isso depois da destruição; e, na realidade, a medida fixada por Rabi Meir não é senão a de atiçar o fogo de uma pequena brasa, permanecendo a menor das três.
Com a Mishná do caco e a discussão de sua medida mínima, encerra-se todo o Perek Chet, Hamotzi Yayin ("quem transporta vinho"), que se abrira em Shabat 76b com a Mishná sobre as medidas mínimas de vinho, leite, mel, azeite e água, e havia percorrido, ao longo de mais de cinco folhas, as medidas de corda, couro, pergaminho, tinta e outros materiais de escrita, a sugya das pedras da privada, a honra das criaturas, o campo lavrado, o parpisa, e a proibição de limpar-se com um caco. O texto talmúdico tradicional marca esse encerramento com a fórmula "Hadran Alach HaMotzi Yayin" ("Retornaremos a você, Hamotzi Yayin"), dita ao concluir o estudo de um capítulo. Sem qualquer interrupção no texto original, o daf prossegue imediatamente com a Mishná de abertura do capítulo seguinte.
MISHNÁ. Disse Rabi Akiva: de onde se aprende que a idolatria (avodá zará) transmite impureza por transporte (massá), como a menstruada (nidá)? Pois está dito: "tu os lançarás fora como coisa impura, e lhe dirás: sai!" (Isaías 30:22) — assim como a menstruada transmite impureza por transporte, também a idolatria transmite impureza por transporte.
Abre-se aqui o Perek Tet, cujo nome, "Amar Rabi Akiva" ("Disse Rabi Akiva"), vem de suas primeiras palavras. A Mishná estabelece, por uma gezerá shavá (analogia verbal) a partir do verso de Isaías, que objetos de idolatria transmitem impureza a quem os carrega, mesmo sem tocá-los diretamente — exatamente como ocorre com a menstruada, cuja impureza se transmite também por transporte (massá), e não apenas por contato direto. Segundo Rashi, este ensinamento é agrupado, na Mishná original, com outro tema semelhante — de onde se aprende que se pode lavar o bebê antes da circuncisão —, reunidos por sua semelhança formal, ainda que o assunto central do perek seja outro, como se verá adiante.
"'MISHNÁ: disse Rabi Akiva: de onde se aprende que a idolatria...'" — porque o Tana precisa ensinar, junto com isso, "de onde se aprende que se pode lavar o bebê para a circuncisão", ele reuniu nesta Mishná os ensinamentos que se assemelham a ele. "'Por transporte'" — a pessoa que a carrega. "'Tu os lançarás como coisa impura, etc.'" — o verso fala da idolatria.
GUEMARÁ. Aprendemos ali (numa Mishná de outro tratado): quem tinha sua casa próxima a um templo de idolatria, e ela caiu, é proibido reconstruí-la. Como deve proceder? Recolhe-se quatro amot dentro de seu próprio terreno, e constrói.
A Guemará começa a explorar o tema da idolatria trazendo, de outro tratado (Avodá Zará), uma Mishná relacionada: a parede de uma casa que servia também de divisória para um templo idólatra vizinho não pode ser reconstruída no mesmo lugar depois de cair, pois isso beneficiaria indiretamente o templo; o dono deve recuar quatro amot dentro de seu próprio terreno antes de reconstruir, garantindo que a nova parede não sirva, de modo algum, à estrutura idólatra. Esta folha termina aqui de forma fechada — a última frase, "recolhe-se quatro amot dentro de seu próprio terreno e constrói", completa o pensamento sem deixar nada em aberto.
"'Sua parede próxima a idolatria'" — pois aquela parede servia de divisória também para o templo de idolatria. "'É proibido reconstruí-la'" — pois ao reconstruí-la no mesmo lugar beneficiaria o templo de idolatria.