Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Gimel (HaOreg)
יִדְאֲגוּ כׇּל הָאַחִין

Continuação: um dos irmãos que morre, todos devem temer; a baraita rejeitada sobre ferir e acender; a disputa Rabi Yehudá/Rabi Shimon; a medida de branquear; nova mishná sobre quem caça um pássaro ou um cervo

Shabbat 106a · continuação direta de 105b · Perek Yud-Gimel, HaOreg

Shabbat 106a abre completando o ensinamento com que 105b terminou em meio de frase: Rabi Chiya bar Abá, em nome de Rabi Yochanan, ensina que quando um dos irmãos morre, todos os irmãos devem temer (pois a morte pode estar se aproximando da casa); e, do mesmo modo, quando um dos membros de uma chavurá (grupo, sociedade de estudo ou negócios) morre, toda a chavurá deve temer — dizem alguns que o temor é maior quando morre o maior do grupo, e dizem alguns que é maior quando morre o menor. A guemará então retoma a mishná anterior, no ponto em que esta havia dito que "todos os que danificam estão isentos", trazendo a baraita que Rabi Abbahu ensinou perante Rabi Yochanan — segundo a qual quem fere ou quem acende (fogo) estariam obrigados mesmo sendo atos destrutivos —, e a rejeição de Rabi Yochanan, que a manda ensinar "lá fora", por não ser uma mishná aceita, ainda que, se aceita, só se aplicasse a quem precisa do sangue para seu cão ou das cinzas. A guemará então observa a contradição direta com a própria mishná, resolvida atribuindo a mishná a Rabi Yehudá e a baraita a Rabi Shimon, com base em sua disputa sobre um trabalho que não é necessário por si mesmo; traz a derivação de que a necessidade de um versículo para permitir a circuncisão implica que ferir, em geral, obriga; e a derivação paralela a partir da proibição de acender fogo na execução da filha de um sacerdote. Por fim, explica-se a posição de Rabi Yehudá com a explicação de Rav Ashi, de que reparar por circuncisão e cozinhar o pavio de chumbo (na execução) são, ali, atos verdadeiramente construtivos. Segue-se a medida mínima de quem branqueia lã — o "sit dobrado" —, ilustrada pelas demonstrações de Rav Yosef (que dobrava a medida entre o indicador e o médio) e Rav Chiya bar Ami (que usava, de modo simples, a distância entre o polegar e o indicador). O daf termina com o início de uma nova mishná, ensinada por Rabi Yehudá e pelos Sábios sobre quem caça um pássaro para um pombal ou um cervo para uma casa — interrompida no meio da opinião dos Sábios, que continuará em 106b.

Continuação de 105b: um dos irmãos que morre, um dos membros de uma chavurá que morre · אֶחָד מִן הָאַחִין שֶׁמֵּת

440Continuação de 105b: todos os irmãos devem temer; um dos membros de uma chavurá que morre — toda a chavurá deve temer; alguns dizem: quando morre o maior; alguns dizem: quando morre o menor
Rabi Chiya bar Abá em nome de Rabi Yochanan
יִדְאֲגוּ כׇּל הָאַחִין כּוּלָּן. אֶחָד מִבְּנֵי חֲבוּרָה שֶׁמֵּת — תִּדְאַג כָּל הַחֲבוּרָה כּוּלָּהּ. אָמְרִי לַהּ דְּמֵת גָּדוֹל, וְאָמְרִי לַהּ דְּמֵת קָטָן.

(Continuação de 105b — "um dos irmãos que morre") — todos os irmãos, todos eles, devem temer. Um dos membros de uma chavurá que morre — deve temer toda a chavurá, toda ela. Dizem alguns que (o maior temor é) quando morre o maior; e dizem alguns que (o maior temor é) quando morre o menor.

Nota — completando o ensinamento de 105b

Confirmado via Sefaria: esta é exatamente a continuação do ensinamento que 105b deixou interrompido. Quando um dos irmãos de uma família morre, todos os demais irmãos devem temer, pois a morte pode estar rondando a casa; e o mesmo vale, por extensão, para os membros de uma chavurá — um grupo unido por estudo, negócios ou convívio próximo. Há uma divergência sobre em qual caso o temor deveria ser maior: segundo uma opinião, quando o falecido era o maior (o mais velho ou mais eminente) do grupo, pois, se nem mesmo suas virtudes o protegeram do castigo, tanto mais os demais não estarão protegidos; segundo outra opinião, quando o falecido era o menor, pois costuma-se começar o castigo pelos membros menos significativos, o que pode indicar o início de uma punição para todo o grupo.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "yid'agu", "demet katan" e "demet gadol"
ידאגו - ייראו מן המיתה: ואמרי לה דמת קטן - שבקלקלה מתחילין מן הקטן: דמת גדול - יש לדאוג הואיל ושלטה מדת הדין בראש הבית:

"'Devem temer'" — devem temer a morte. "'E dizem alguns que (é) quando morre o pequeno'" — pois, no dano (castigo), começa-se pelo pequeno. "'Quando morre o grande'" — há motivo para temer, já que o atributo do juízo passou a dominar sobre o chefe da casa.

"Todos os que danificam estão isentos": a baraita de Rabi Abbahu perante Rabi Yochanan · תָּנֵי רַבִּי אֲבָהוּ קַמֵּיהּ דְּרַבִּי יוֹחָנָן

441Rabi Abbahu ensinou perante Rabi Yochanan: quem fere ou acende está obrigado; Rabi Yochanan: ensina isso lá fora, não é mishná aceita; se aceita, seria quando precisa do sangue para seu cão ou das cinzas
A Mishná; Rabi Abbahu; Rabi Yochanan
וְכׇל הַמְקַלְקְלִין פְּטוּרִין. תָּנֵי רַבִּי אֲבָהוּ קַמֵּיהּ דְּרַבִּי יוֹחָנָן: כׇּל הַמְקַלְקְלִין פְּטוּרִין חוּץ מֵחוֹבֵל וּמַבְעִיר. אֲמַר לֵיהּ: פּוֹק תָּנֵי לְבַרָּא, חוֹבֵל וּמַבְעִיר אֵינָהּ מִשְׁנָה. וְאִם תִּמְצָא לוֹמַר מִשְׁנָה — חוֹבֵל בְּצָרִיךְ לְכַלְבּוֹ, מַבְעִיר בְּצָרִיךְ לְאֶפְרוֹ.

"E todos os que danificam estão isentos" (retomando a mishná). Rabi Abbahu ensinou perante Rabi Yochanan: todos os que danificam estão isentos, exceto quem fere e quem acende (fogo). Disse-lhe (Rabi Yochanan): sai e ensina isso lá fora; "quem fere e quem acende" não é (uma) mishná (aceita). E, se quiseres dizer que é (uma) mishná — quem fere (só estaria obrigado) quando precisa (do sangue) para seu cão; quem acende (só estaria obrigado) quando precisa de suas cinzas.

Nota

A guemará retoma a cláusula final da mishná já ensinada — "todos os que danificam estão isentos" — para examiná-la em profundidade. Rabi Abbahu trouxe, perante seu mestre Rabi Yochanan, uma baraita que parecia contradizer essa regra geral: quem fere (causa uma ferida, tirando sangue) ou quem acende um fogo estaria obrigado mesmo praticando um ato destrutivo. Rabi Yochanan rejeitou essa baraita com veemência, mandando que fosse ensinada apenas "lá fora" — isto é, fora do beit midrash, sinal de que não era uma tradição confiável ou aceita para discussão séria. Ainda assim, ele oferece uma leitura possível caso alguém insista em aceitá-la: a obrigação só se aplicaria em casos limítrofes, onde o ato, embora destrutivo em relação ao corpo ferido ou ao objeto queimado, tem um propósito construtivo paralelo — como ferir para obter sangue destinado ao cão, ou acender para obter cinzas úteis.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "chutz mechovel", "u'mavir", "eina mishná" e "betzarich"
חוץ מחובל - באדם דמקלקל הוא וחייב דתנן (ב"ק פז.) החובל בחברו בשבת פטור מלשלם מפני שנדון בנפשו: ומבעיר - את הגדיש מקלקל הוא וחייב כדתנן (שם דף לד:) והוא שהדליק את הגדיש פטור מן תשלומין מפני שנדון בנפשו: אינה משנה - דאם מקלקל הוא פטור: בצריך - לדם היוצא מן החבלה לכלבו ואם מקלקל הוא אצל נחבל מתקן הוא אצל הכלב:

"'Exceto quem fere'" — em uma pessoa, pois é (ato) destrutivo, e, ainda assim, está obrigado, como aprendemos (Bava Kamma 87a): quem fere seu próximo no Shabat está isento de pagar, porque é julgado por sua vida. "'E quem acende'" — a meda (de trigo), é (ato) destrutivo, e, ainda assim, está obrigado, conforme aprendemos (ali, 34b): e aquele que incendiou a meda está isento dos pagamentos, porque é julgado por sua vida. "'Não é (uma) mishná'" — pois, se é (ato) destrutivo, está isento. "'Quando precisa'" — do sangue que sai da ferida, para seu cão; e, ainda que seja (ato) destrutivo em relação ao ferido, é (ato) construtivo em relação ao cão.

442Mas nós aprendemos: todos os que danificam estão isentos! A mishná é Rabi Yehudá, a baraita é Rabi Shimon; a razão de Rabi Shimon: da necessidade do versículo que permite a circuncisão, segue que ferir em geral obriga
A Guemará
וְהָאֲנַן תְּנַן: כׇּל הַמְקַלְקְלִין פְּטוּרִין! מַתְנִיתִין רַבִּי יְהוּדָה, בָּרָיְיתָא רַבִּי שִׁמְעוֹן. מַאי טַעְמָא דְּרַבִּי שִׁמְעוֹן: מִדְּאִיצְטְרִיךְ קְרָא לְמִישְׁרֵא מִילָה, הָא חוֹבֵל בְּעָלְמָא חַיָּיב.

Mas nós não aprendemos (na mishná): todos os que danificam estão isentos?! A mishná (segue) Rabi Yehudá; a baraita (segue) Rabi Shimon. Qual é o motivo de Rabi Shimon? De que foi necessário um versículo para permitir a circuncisão (no Shabat) — segue que, em geral, quem fere está obrigado.

Nota

A guemará aponta a contradição direta: a própria mishná estudada ensinou, sem exceções, que todos os que danificam estão isentos — o que parece invalidar completamente a baraita de Rabi Abbahu. A resolução atribui as duas fontes a tannaim diferentes: a mishná segue Rabi Yehudá, a baraita segue Rabi Shimon. A guemará então explica a lógica de Rabi Shimon: a Torá precisou de um versículo explícito para permitir a circuncisão no Shabat (apesar de envolver ferir a criança e derramar sangue); se ferir em geral já fosse permitido por ser um ato destrutivo, esse versículo especial seria desnecessário. Logo, por inferência, quem fere em geral — mesmo fora do contexto da circuncisão — está obrigado, pois se trata de um ato que a Torá considerou necessário permitir explicitamente.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "veha'anan tenan", "matnitin Rabi Yehudá", "u'varaita Rabi Shimon" e "mide'itztrich kera"
והא תנן כל המקלקלין פטורין - ואפי' חובל ומבעיר וקשיין אהדדי ולר' אבהו פריך: מתני' ר' יהודה - דאית ליה מקלקל בחבורה פטור ולא איתפרש היכא ול"נ מתני' ר' יהודה היא דאמר מלאכה שאינה צריכה לגופה חייב עליה הלכך חיובא דחובל בצריך לכלבו ומבעיר בצריך לאפרו משכחת לה דאע"פ דמקלקל הוא אצל מלאכה עצמה מתקן הוא אצל אחרים ולר' יהודה כי האי גוונא מלאכה הוא משום תקון אחרים אבל מקלקל ואינו מתקן פטור ואע"ג דרישא דמתני' אוקימנא כר"ש דקתני קורע על מתו פטור סיפא ר"י: וברייתא ר"ש היא - דאמר מלאכה שאינה צריכה לגופה פטור עליה הלכך אין לך חובל ומבעיר שאין מקלקל ואפי' מבעיר עצים לקדרתו מקלקל הוא אצל עצים ומה שהוא מתקן אצל אחרים לר"ש לא חשיב דהא מלאכה שאינה צריכה לגופה היא אלא משום דמקלקל בחבלה ובהבערה חייב כדיליף לקמיה: מדאיצטריך קרא - וביום השמיני ביום יתירא ואפי' בשבת ומילה חובל הוא מכלל דשאר מקלקלין בחבורה חייב:

"'Mas nós não aprendemos: todos os que danificam estão isentos'" — mesmo quem fere e quem acende; e (as duas fontes) se contradizem uma à outra, e é contra Rabi Abbahu que se pergunta. "'A mishná (é) Rabi Yehudá'" — que sustenta que quem danifica ao ferir está isento, sem se especificar onde; e a mim parece que a mishná é (segundo) Rabi Yehudá, que diz: um trabalho que não é necessário por si mesmo — está obrigado por ele; por isso, a obrigação de quem fere quando precisa (do sangue) para seu cão, e de quem acende quando precisa de suas cinzas, encontra-se assim: ainda que seja destrutivo em relação ao próprio trabalho, é construtivo em relação a outros; e, para Rabi Yehudá, um caso desse tipo é (considerado) trabalho por causa do reparo de outros, mas quem apenas danifica, sem reparar, está isento. E, ainda que a primeira parte da mishná tenhamos estabelecido segundo Rabi Shimon — pois ensina que quem rasga por seu morto está isento —, a última parte é (segundo) Rabi Yehudá. "'E a baraita é (segundo) Rabi Shimon'" — que diz: um trabalho que não é necessário por si mesmo — está isento por ele; por isso, não há quem fira ou acenda que não seja destrutivo, e mesmo quem acende lenha para sua panela é destrutivo em relação à lenha; e o que ele repara em relação a outros, para Rabi Shimon, não se considera, pois é um trabalho que não é necessário por si mesmo; mas sim, quem danifica ao ferir e ao acender está obrigado, conforme se deriva adiante. "'De que foi necessário um versículo'" — "e no oitavo dia", sendo "dia" (uma expressão) superabundante, mesmo no Shabat; e a circuncisão é (um ato de) ferir; segue-se, por conseguinte, que quanto ao restante de quem danifica ao ferir está obrigado.

443E da proibição da Torá de acender fogo quanto à filha de sacerdote, aprende-se que quem acende em geral está obrigado
A Guemará
וּמִדַּאֲסַר רַחֲמָנָא הַבְעָרָה גַּבֵּי בַּת כֹּהֵן, שְׁמַע מִינַּהּ מַבְעִיר בְּעָלְמָא חַיָּיב.

E de que o Misericordioso proibiu o acender (fogo) quanto à filha de sacerdote (condenada à execução por fogo), aprende-se disso que, em geral, quem acende está obrigado.

Nota

A guemará traz uma segunda derivação, paralela à da circuncisão, agora quanto ao acender fogo. A Torá proibiu explicitamente que se acenda fogo no Shabat mesmo no caso da execução por fogo de uma filha de sacerdote que cometeu adultério — uma execução que, de outro modo, poderia ter sido realizada nesse dia por se tratar de um mandamento judicial. Se acender fogo já fosse permitido em geral no Shabat por ser considerado um ato destrutivo (queimar é destruir), essa proibição explícita não seria necessária. Logo, por inferência, quem acende fogo em geral está obrigado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "u'mida'asar rachmana havará devat kohen"
ומדאסר רחמנא הבערה דבת כהן - בשבת (לקמן בפרק ר' אליעזר):

"'E de que o Misericordioso proibiu o acender quanto à filha de sacerdote'" — no Shabat (adiante, no capítulo de Rabi Eliezer).

444E Rabi Yehudá (como responde)? Ali é ato construtivo, conforme Rav Ashi: que diferença há entre reparar por circuncisão e reparar um utensílio, entre cozinhar um pavio e cozinhar corantes
A Guemará; Rav Ashi
וְרַבִּי יְהוּדָה? הָתָם — מְתַקֵּן הוּא, כִּדְרַב אָשֵׁי. דְּאָמַר רַב אָשֵׁי: מַה לִּי לְתַקֵּן מִילָּה, מַה לִּי לְתַקֵּן כְּלִי. מַה לִּי לְבַשֵּׁל פְּתִילָה, מַה לִּי לְבַשֵּׁל סַמָּנִין.

E Rabi Yehudá (como responde a essas duas derivações)? Ali, é (ato) construtivo, conforme (a explicação) de Rav Ashi. Pois disse Rav Ashi: que diferença há para mim entre reparar (a criança) por circuncisão e reparar um utensílio? Que diferença há para mim entre cozinhar um pavio (de chumbo) e cozinhar corantes?

Nota

A guemará pergunta como Rabi Yehudá — para quem a mishná (que isenta todos os que danificam, sem exceção para ferir ou acender) foi atribuída — responderia às duas derivações apresentadas. A resposta é que, nos dois casos citados (circuncisão e execução por fogo), o ato não é, na realidade, destrutivo, mas construtivo, ainda que pareça o oposto à primeira vista. Rav Ashi explica com uma dupla analogia: ferir por circuncisão repara a criança (torna-a apta ao mandamento, como remover uma imperfeição), assim como reparar um utensílio quebrado é claramente um ato construtivo — não há diferença relevante entre os dois. Da mesma forma, derreter (cozinhar) um pavio de chumbo para vertê-lo na garganta do condenado é um processo de refinamento do metal, tecnicamente idêntico a cozinhar corantes vegetais para o trabalho do Tabernáculo — ambos são atos de "cozimento" construtivo. Portanto, esses dois casos nada provam sobre a responsabilidade por atos verdadeiramente destrutivos, e Rabi Yehudá pode manter, junto com Rabi Shimon, que todos os que danificam de fato estão isentos.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "mah li metaken keli", "bishul petilá" e "samanin"
מה לי מתקן כלי - הא נמי מתקן גברא הוא ויש מלאכה בתיקון זה: בישול פתילה - שהוא מדליק פתילה של אבר ונותנה לתוך פיה ודרך בישול הוא זה וחייב על הבישול שאינו מקלקל האבר בבישולו אלא מתקן וצורף: סמנין - של מלאכת המשכן:

"'Que diferença há para mim... reparar um utensílio'" — isto também é reparar a pessoa (o menino), e há trabalho nesse reparo. "'Cozinhar um pavio'" — que ele acende um pavio de chumbo e o coloca dentro da boca (do condenado), e este é o modo de cozinhar; e está obrigado pelo cozimento, pois não danifica o chumbo ao cozinhá-lo, mas antes o repara e o refina. "'Corantes'" — do trabalho do Tabernáculo.

A medida de branquear: as demonstrações de Rav Yosef e Rav Chiya bar Ami · שִׁיעוּר הַמְלַבֵּן

445"A medida de quem branqueia" etc. Rav Yosef demonstrava dobrado (indicador ao médio, duplicado); Rav Chiya bar Ami demonstrava simples (polegar ao indicador, já dobrado)
Rav Yosef; Rav Chiya bar Ami
שִׁיעוּר הַמְלַבֵּן כּוּ׳. רַב יוֹסֵף מַחְוֵי כָּפוּל, רַב חִיָּיא בַּר אַמֵּי מַחְוֵי פָּשׁוּט.

"A medida de quem branqueia" etc. (retomando a mishná citada em 105b). Rav Yosef demonstrava dobrado; Rav Chiya bar Ami demonstrava simples.

Nota

A guemará retorna à cláusula da mishná (já citada em 105b) sobre a medida mínima de quem branqueia, carda, tinge e fia lã — "a largura completa de um sit dobrado" — e traz duas maneiras diferentes, entre os sábios, de demonstrar fisicamente essa medida aos alunos. Rav Yosef indicava o espaço curto entre o dedo indicador e o dedo médio, e instruía que se dobrasse essa medida para obter o "sit dobrado" da mishná. Rav Chiya bar Ami demonstrava de modo mais direto e simples: o espaço entre o polegar e o indicador, medido uma única vez, já equivale ao dobro daquele espaço menor — de modo que essa distância única já corresponde exatamente à medida dobrada exigida pela mishná.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "Rav Yosef machvei" e "machvei pashut"
רב יוסף מחוי - האי הסיט כפול דמתני' כפול ממש בריוח קצר שבין אצבע לאמה משער שני פעמים: מחוי פשוט - בריוח שבין גודל לאצבע פעם אחד הוא כפול דמתניתא שיש בו כפלים כאותו שבין אמה לאצבע:

"'Rav Yosef demonstrava'" — que este "sit dobrado" da mishná é de fato dobrado, no espaço curto entre o dedo indicador e o dedo médio, medindo-se duas vezes. "'Demonstrava simples'" — no espaço entre o polegar e o dedo indicador, uma vez, (que) já é o dobro (da medida) da mishná, pois nele há o dobro daquele (espaço) que há entre o dedo médio e o indicador.

Nova Mishná: quem caça um pássaro para um pombal ou um cervo para uma casa · הַצָּד צִפּוֹר לַמִּגְדָּל

446Mishná: Rabi Yehudá diz — quem caça um pássaro para um pombal, ou um cervo para uma casa, está obrigado. E os Sábios dizem: um pássaro para um pombal — (o daf termina aqui, no meio da frase)
Mishná
מַתְנִי׳ רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר: הַצָּד צִפּוֹר לַמִּגְדָּל, וּצְבִי לַבַּיִת — חַיָּיב. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: צִפּוֹר לַמִּגְדָּל

MISHNÁ. Rabi Yehudá diz: quem caça um pássaro para um pombal (torre ou gaiola), ou um cervo para uma casa — está obrigado. E os Sábios dizem: um pássaro para um pombal —

Nota — nova mishná, interrompida no meio da frase

Confirmado via Sefaria: esta é uma nova mishná (a terceira do Perek Yud-Gimel, HaOreg), que trata da melachá de caçar (tzeidá) no Shabat, e especificamente de quando se considera consumada a captura de um animal ao introduzi-lo em um espaço fechado. Rabi Yehudá ensina que quem caça um pássaro, fazendo-o entrar num pombal (ou gaiola), ou um cervo, fazendo-o entrar numa casa, já está obrigado — pois, segundo Rashi, essa é a captura completa do pássaro (que, num espaço amplo como uma casa comum, ainda poderia escapar por janelas, mas não num pombal fechado), e a captura completa do cervo, uma vez fechada a porta atrás dele numa casa. Os Sábios começam a discordar quanto ao pássaro no pombal, mas a folha termina exatamente no meio dessa frase, sem que se saiba ainda qual é a opinião completa dos Sábios nem a conclusão da disputa. A continuação desta mishná e da sugya correspondente ficam para o início do daf 106b.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hatzad tzipor" e "u'tzvi"
מתני' הצד צפור - עד שהכניסו למגדל משטיי"ר בלע"ז חייב דזו היא צידתו אבל אם הכניסו לבית אינו ניצוד בכך שיוצא לו דרך חלונות: וצבי - ניצוד משהכניסו לביתו ונעל בפניו אבל אם הכניסו לגינה או לחצר אין זו צידה:

"'MISHNÁ: quem caça um pássaro'" — até que o introduza no pombal (mashteir, em língua estrangeira) — está obrigado, pois esta é sua captura completa; mas, se o introduziu numa casa, não está capturado só com isso, pois pode sair-lhe pelas janelas. "'E um cervo'" — está capturado desde que o introduza em sua casa e feche a porta diante dele; mas, se o introduziu num jardim ou num pátio, isso não é captura.