93a prossegue sem interrupção a baraita que terminara em aberto no fim de 92b, no meio da derivação de "בַּעֲשֹׂתָהּ" (Levítico 4:27): quem realiza a obra proibida por inteiro é responsável, e não quem realiza apenas parte dela. Depois dos exemplos já dados — o ancinho, a lançadeira, a pena e o caniço —, a baraita acrescenta mais dois: o disco de figos secos e a trave, ambos objetos grandes demais para uma só pessoa transportar sozinha. Sobre eles, Rabi Yehuda mantém a sua posição de que, se um só não conseguia transportá-los e dois os transportaram juntos, são responsáveis; mas Rabi Shimon dissente também aqui, isentando mesmo nesse caso, e fundamenta a sua leitura de "בעשותה" como exigindo que um único indivíduo realize a obra inteira. A Guemará pergunta em que exatamente discordam os tanaítas quanto à leitura do versículo, que contém três expressões redundantes — "pessoa pecará", "uma pecará", "ao realizá-la pecará" — cada uma interpretada como um decréscimo excluindo um caso diferente: quando um desprende o objeto do domínio público e o outro o deposita no domínio privado; quando ambos poderiam transportá-lo sozinhos; e quando nenhum dos dois poderia. Rabi Shimon lê os três decréscimos dessa forma; Rabi Yehuda troca o último decréscimo pela exclusão do indivíduo que age por instrução equivocada de um tribunal, responsabilizando por isso o caso de "nenhum dos dois podia"; e Rabi Meir, que não conta "pessoa" e "uma" como dois decréscimos separados, tem apenas dois decréscimos à sua disposição. A Guemará retorna então à afirmação anterior de que, quando um dos dois podia transportar sozinho e o outro não, ambos são responsáveis, e pergunta qual deles é o verdadeiro responsável: Rav Chisda diz que é apenas aquele que podia, pois o outro nada fez de essencial; Rav Hamnuna objeta que o outro ao menos auxiliou; Rav Chisda responde com o princípio de que quem apenas auxilia numa obra não tem substância e não é considerado como tendo feito nada. Rav Zvid, em nome de Rava, traz uma prova desse princípio a partir da Mishná sobre a impureza por pressão do zav: se ele senta sobre uma cama cujas quatro pernas têm panos por baixo, e a cama não consegue ficar de pé sobre três pernas apenas, os quatro panos são impuros, pois cada perna realiza a obra inteira; mas se está montado num animal capaz de ficar de pé sobre três patas, os panos sob as quatro patas são puros, pois cada pata é apenas uma auxiliar dispensável — ainda que, objeta a Guemará, todas as quatro estejam de fato sustentando o animal junto. Rav Yehuda MiDiskarta responde que, na verdade, quem auxilia tem sim substância, e o caso do animal é diferente porque, ao caminhar, cada perna se desprende do chão por completo em algum momento; mas a Guemará levanta nova dificuldade, comparando esse caso ao de um zav que se revira sobre bancos ou bolsas de couro, impuro por dúvida — o que sugere que os panos do animal deveriam, pela mesma lógica, ser impuros por dúvida. A Guemará conclui que, de fato, a razão de os panos serem puros é apenas porque quem auxilia não tem substância, e traz, através de Rav Papi em nome de Rava, mais uma prova desse princípio — terminando em aberto, no meio dessa citação. Confirmado via Sefaria, o daf termina exatamente aqui, e 93b prossegue imediatamente com o restante da citação de Rav Papi, seguida do ensinamento de Rabi Yosei sobre a impureza do cavalo pelas patas dianteiras e do burro pelas traseiras — sem qualquer "הדרן", de modo que o Perek Yud continua sem interrupção.
92b terminara no meio da baraita que deriva de "בַּעֲשֹׂתָהּ" a regra de que só é responsável quem realiza a obra proibida por inteiro, depois de ilustrá-la com o ancinho, a lançadeira, a pena e o caniço. Confirmado via Sefaria, 93a prossegue exatamente essa mesma baraita, acrescentando mais dois exemplos — o disco de figos secos e a trave —, e retomando com eles a disputa entre Rabi Yehuda e Rabi Shimon.
Ou, dois que seguravam juntos um disco de figos secos, e o transportaram para o domínio público; ou seguravam juntos uma trave, e a transportaram para o domínio público — Rabi Yehuda diz: se um só não conseguia transportá-lo, e dois o transportaram, são responsáveis; e, se não era esse o caso, isto é, se cada um poderia sozinho — são isentos. Rabi Shimon diz: ainda que um só não conseguisse transportá-lo, e dois o transportaram juntos — são isentos; por isso foi dito "ao realizá-la (בעשותה)" — um indivíduo que a realizou é responsável, mas dois que a realizaram são isentos.
A baraita, iniciada ao fim de 92b com o ancinho, a lançadeira, a pena e o caniço — casos em que ambos os que seguravam juntos o objeto poderiam, cada um, transportá-lo sozinho —, acrescenta agora dois exemplos do tipo oposto: o disco de figos secos e a trave, objetos grandes demais para que uma só pessoa os transporte sozinha. Sobre eles, Rabi Yehuda repete a distinção já conhecida da Mishná: se de fato um só não conseguia, e dois o transportaram juntos, ambos são responsáveis, pois juntos constituem a força mínima necessária para a obra; mas, se cada um poderia tê-lo feito sozinho, são isentos, pois nenhum realizou a obra inteira por si. Rabi Shimon, porém, isenta em qualquer caso, mesmo quando nenhum dos dois poderia transportar o objeto sozinho, e fundamenta essa posição, mais rigorosa, na própria expressão do versículo "בעשותה" — "ao realizá-la" —, que ele lê como exigindo que um único indivíduo realize a obra proibida por inteiro; sempre que dois a realizam em conjunto, ainda que necessariamente juntos, nenhum dos dois é, tecnicamente, "quem a realizou", e por isso ambos são isentos.
"'Disco de figos secos e trave'" — são grandes, e um só não consegue transportá-los. "'E, se não era esse o caso'" — isto é, um só conseguia transportá-lo.
Pergunta a Guemará: em que discordam os tanaítas quanto à leitura do versículo? Neste versículo: "e, se uma pessoa pecar por engano, dentre o povo da terra, ao realizá-la (בַּעֲשֹׂתָהּ)" (Levítico 4:27). Rabi Shimon entende: três decréscimos estão escritos nesta frase: "pessoa pecará", "uma pecará", "ao realizá-la pecará" — um decréscimo para excluir o caso de este desprende o objeto e aquele o deposita; um para excluir o caso de este podia transportá-lo sozinho e aquele podia; e um para excluir o caso de este não podia e aquele não podia.
A Guemará localiza a raiz da disputa no versículo sobre a oferenda pelo pecado do indivíduo comum, que contém três termos aparentemente redundantes para dizer, em essência, a mesma coisa: "uma pessoa" que peca, "ao realizá-la". Rabi Shimon lê cada um desses três termos como um decréscimo independente, excluindo da responsabilidade três casos distintos de ação conjunta: primeiro, quando dois realizam juntos uma única obra proibida em duas etapas — um desprendendo o objeto de um domínio e o outro depositando-o no outro; segundo, quando ambos poderiam ter feito a obra inteira sozinhos, mas a fizeram juntos; e terceiro — o mais extremo, e o que está em disputa nesta baraita — quando nenhum dos dois poderia tê-la feito sozinho, sendo necessário o esforço conjunto de ambos. Em todos os três casos, para Rabi Shimon, a Torá exige que um único indivíduo realize a obra por inteiro para que haja responsabilidade, e por isso isenta mesmo quando a colaboração era indispensável.
"'Pessoa pecará'" — dá a entender uma só pessoa, e não pessoas no plural. "'Um decréscimo para excluir o caso de este desprende'" — o objeto do domínio público. "'E aquele deposita'" — no domínio privado; pois, enquanto não estivesse escrito mais que um único decréscimo, seria razoável pensar que é este versículo que exclui apenas esse caso, já que este realiza a metade da obra e aquele a outra metade, e não há ali um só que auxilia o outro na obra inteira. "'E um'" — decréscimo excedente, para excluir, ainda que ambos ajam da mesma forma, isto é, este realiza a obra por inteiro e aquele também a realiza por inteiro — mas, mesmo assim, é apenas o caso de este podia e aquele podia que esse decréscimo exclui, pois não é este o seu costume de realizá-la a dois. "'E um'" — decréscimo excedente, para excluir ainda o caso de este não podia e aquele não podia, pois, ainda que seja costume deles realizá-la a dois nesse caso, o versículo os excluiu.
E, quanto a Rabi Yehuda: um decréscimo para excluir o caso de este desprende e aquele deposita; um para excluir o caso de este podia e aquele podia; e um para excluir da responsabilidade de trazer oferenda pelo pecado o indivíduo que a realizou por instrução equivocada de um tribunal. E, quanto a Rabi Shimon: para ele, o indivíduo que a realizou por instrução de um tribunal é responsável , e por isso ele precisa do terceiro decréscimo para outro fim — excluir "este não podia e este não podia".
Rabi Yehuda concorda com Rabi Shimon quanto aos dois primeiros decréscimos — "este desprende e aquele deposita" e "este podia e aquele podia" —, mas usa o terceiro para um propósito diferente: excluir da obrigação de trazer oferenda pelo pecado o indivíduo que transgrediu por ter agido conforme uma instrução equivocada de um tribunal (por exemplo, quando o tribunal declarou permitida uma gordura proibida, e o indivíduo, confiando nessa instrução, a comeu). Por isso, para Rabi Yehuda, o caso de "este não podia e aquele não podia" permanece responsável — não há decréscimo que o exclua. Rabi Shimon, por sua vez, sustenta noutro lugar (no tratado Horayot) que esse mesmo indivíduo que agiu por instrução equivocada de um tribunal é, na verdade, responsável, e não isento; por isso ele precisa do terceiro decréscimo para o seu próprio fim, excluindo "este não podia e aquele não podia".
"'O indivíduo que a realizou por instrução de um tribunal'" — por exemplo, quando um tribunal instruiu que certa gordura proibida era permitida, e o indivíduo foi e agiu conforme a sua palavra, pois ele é como um coagido , agindo por erro alheio; e Rabi Shimon segue aqui a sua opinião, pois diz, no tratado Horayot, que o indivíduo que agiu por instrução de um tribunal é responsável.
E, quanto a Rabi Meir — acaso está escrito separadamente "pessoa pecará", "uma pecará", "ao realizá-la pecará" , como se fossem três frases distintas? Apenas dois decréscimos estão escritos , pois "pessoa" e "uma" contam como um só: um para excluir o caso de este desprende e aquele deposita, e um para excluir o indivíduo que a realizou por instrução de um tribunal.
A Guemará explica a posição de Rabi Meir, que fundamenta a sua responsabilização de "este podia e aquele podia" precisamente na leitura oposta à de Rabi Shimon: para ele, as palavras "pessoa" e "uma" no versículo não constituem dois decréscimos separados, mas um único, pois essa é a forma costumeira do texto bíblico se expressar. Restam-lhe, portanto, apenas dois decréscimos à disposição — não três —, que ele emprega para excluir "este desprende e aquele deposita" e o indivíduo que age por instrução de um tribunal, seguindo aqui a mesma posição de Rabi Yehuda quanto a esse último ponto. Como não lhe resta nenhum decréscimo para excluir "este podia e aquele podia" nem "este não podia e aquele não podia", Rabi Meir responsabiliza em ambos os casos — a não ser que, no caso de nenhum dos dois poder, o próprio Rabi Yehuda se junte a ele.
"'Dois decréscimos estão escritos'" — pois "pessoa" e "uma", juntas, são um único decréscimo, já que é o costume do texto do versículo falar assim.
Disse o Mestre , na tradição citada em 92b: "quando este podia e aquele não podia — é opinião unânime que é responsável". Pergunta a Guemará: qual deles é responsável? Disse Rav Chisda: aquele que podia , e apenas ele, pois, se fosse aquele que não podia — o que ele está fazendo de fato, ao segurar o objeto junto com o outro? Disse-lhe Rav Hamnuna: mas ele está auxiliando junto com ele! Disse-lhe Rav Chisda: quem apenas auxilia numa obra não tem substância , e não é considerado como tendo feito nada.
A Guemará retorna à tradição citada anteriormente sobre as três combinações possíveis de transporte conjunto, e detém-se sobre a terceira: quando um dos dois poderia transportar o objeto sozinho e o outro não, todos concordam que "é responsável" — mas responsável quem, exatamente, já que os dois seguraram o objeto juntos? Rav Chisda responde que apenas aquele que tinha força para fazê-lo sozinho é, de fato, o responsável, pois somente ele realizou a obra proibida por inteiro; o outro, que não teria conseguido sozinho, não contribuiu com nada de essencial — se o objeto teria sido transportado de qualquer forma sem ele, o que ele fez não é mais do que um gesto vazio. Rav Hamnuna objeta que, ainda assim, o mais fraco prestou algum auxílio real ao segurar o objeto junto com o outro. Rav Chisda responde com um princípio que se tornará central no restante da folha: quem meramente auxilia numa obra, sem cuja contribuição a obra ainda assim se realizaria, não tem "substância" — a sua participação não é juridicamente considerada como um ato próprio, e por isso ele permanece isento.
"'Aquele que podia'" — pois é ele quem a realiza por inteiro. "'Não tem substância'" — aquele que não faz senão auxiliar numa obra, e que, se viesse a realizá-la sozinho, não conseguiria, não tem substância na sua participação e não é considerado nada — e o outro não fica por isso isento.
Disse Rav Zvid, em nome de Rava: também nós aprendemos este princípio numa Mishná: se um zav estava sentado sobre uma cama, e quatro panos de lã estavam sob as pernas da cama — são impuros, pois a cama não consegue ficar de pé sobre três pernas apenas; e Rabi Shimon purifica. Mas se estava montado sobre um animal, e quatro panos estavam sob as pernas do animal — são puros, pois o animal consegue ficar de pé sobre três patas. Mas por quê são puros no caso do animal? Eis que cada perna, ao sustentá-lo, está auxiliando junto com as outras! Não é isso porque dizemos que quem apenas auxilia não tem substância?
Rav Zvid traz, em nome de Rava, uma prova do princípio de Rav Chisda a partir da Mishná sobre a impureza por pressão (midras) do zav, que torna impuro tudo o que sustenta o seu peso. Se um zav senta sobre uma cama cujas quatro pernas repousam sobre panos, e essa cama, por ser pesada ou desequilibrada, não consegue ficar de pé apoiada em apenas três pernas — precisando necessariamente das quatro —, então os quatro panos são impuros, pois cada perna, sendo indispensável, realiza a obra de sustentação por inteiro, tal como no caso de "este não podia e aquele não podia". Rabi Shimon, coerente com a sua posição de isentar esse caso na disputa sobre o transporte, também aqui purifica. Mas se o zav está montado sobre um animal capaz de ficar de pé apoiado em apenas três das suas quatro patas, os panos sob as quatro patas são puros — pois cada pata, sendo dispensável (já que as outras três bastariam), é apenas uma auxiliar, e quem apenas auxilia não tem substância; por isso nenhuma delas, isoladamente, torna-se impura. A Guemará expõe a objeção evidente: mas, de fato, todas as quatro patas estão sustentando o animal ao mesmo tempo — por que, então, considerá-las meras auxiliares?
"'Também nós aprendemos isso'" — a Mishná ensina que quem apenas auxilia não tem substância. "'Se um zav estava'" — sentado sobre uma cama. "'E quatro panos de lã'" — panos de vestir. "'Pois ela não consegue ficar de pé sobre três pernas'" — e, já que este é o caso de este não podia e aquele não podia, cada perna realiza a obra por inteiro; e, quanto à impureza por pressão do zav, exige-se, segundo o Torat Kohanim, que a maior parte do peso seja sustentada sobre o objeto. "'E Rabi Shimon purifica'" — Rabi Shimon segue aqui a sua opinião, pois diz que também no caso de este não podia e aquele não podia, cada perna não é senão como quem auxilia, e por isso é isento. "'Pois ela consegue ficar de pé sobre três pernas'" — por isso, cada perna é como se fosse uma quarta, dispensável, e não é senão auxiliar; e a Mishná anônima segue Rabi Yehuda, que chama de "auxiliar" o caso de este podia e aquele podia.
Disse Rav Yehuda de Diskarta: em verdade, eu poderia ainda dizer-te que quem auxilia tem sim substância, e o caso aqui é diferente, pois cada perna, ao caminhar, se desprende do chão por completo naquele instante, sustentando sozinha todo o peso. Objeta a Guemará: e, já que ora esta perna se desprende sozinha, sustentando tudo, e ora aquela se desprende, não deveriam os panos sob as três patas restantes ser como o caso de um zav que se revira de um lado para outro, impuros por dúvida? Acaso não ensinamos: um zav que estava deitado sobre cinco bancos ou sobre cinco bolsas de couro — deitado ao longo deles, são impuros; deitado na largura deles, são puros. Se estava dormindo, e há dúvida se ele se revirou sobre eles — são impuros.
Rav Yehuda MiDiskarta propõe uma resposta diferente à objeção anterior: na verdade, quem auxilia tem sim substância como regra geral — a explicação de Rav Chisda não é necessária —, mas o caso do animal é distinto porque, ao caminhar, ele naturalmente ergue uma pata de cada vez, de modo que, em cada instante, apenas três patas tocam o chão e sustentam todo o peso, enquanto a quarta se desprende por completo, sem tocar o pano algum; por isso, nenhum pano específico pode ser dito impuro com certeza. A Guemará contesta: mas, já que ora é esta pata que se ergue e ora aquela, sempre há a possibilidade de que qualquer uma das três patas remanescentes, em algum momento, tenha sustentado sozinha o peso todo — o que deveria gerar, ao menos, uma impureza por dúvida, tal como ocorre com um zav que se revira de um banco para outro, ou de uma bolsa de couro para outra, sem que se saiba ao certo sobre qual objeto ele apoiou, de fato, a maior parte do seu peso. A Mishná citada ensina que, nesse caso de dúvida, declara-se o objeto impuro por precaução — o que sugere, por analogia, que os panos do animal deveriam igualmente ser impuros por dúvida.
"'Pois a perna, ao caminhar, se desprende por completo'" — a perna que se ergue desprende-se do chão, e nem mesmo como auxiliar se considera naquele instante. "'E perguntamos'" — se a razão de os panos serem puros é porque a perna se desprende por completo, então, já que ora esta perna se desprende sozinha, sustentando tudo, e ora aquela se desprende, e em todas as três patas restantes há sempre dúvida se o animal sobrecarregou sobre elas e não se desprendeu totalmente delas — que sejam impuros por dúvida, como o zav que se revira sobre cinco bolsas, que tornamos impuras por dúvida. "'Bolsas'" — como uma espécie de estojos, bolsas compridas, nas quais se colocam moedas, e, em língua estrangeira, "bolsas (bourse)"; e são próprias também para servir de assento, junto com a sua função própria, pois o dono senta-se sobre elas quando estão cheias de moedas, e abre a boca da bolsa e tira o dinheiro, sem que seja necessário dizer-lhe "levanta-te, para que façamos o nosso trabalho com a bolsa". "'Ao longo delas'" — por exemplo, quando o zav estava deitado de bruços ou de costas, e o seu comprimento se estendia ao longo das bolsas. "'São impuros'" — segundo a versão que lemos na Mishná de Seder Tohorot, pois se pode dizer, a respeito de cada uma delas, que a maior parte do seu peso foi sustentada sobre ela, ora sobre esta, ora sobre aquela. "'Na largura delas — são puros'" — pois o seu comprimento se estendia ao longo da largura delas, e a maior parte do seu peso não foi sustentada sobre nenhuma única delas. "'Dormindo'" — e ele estava deitado sobre elas na largura. "'Há dúvida se ele se revirou'" — sobre o seu comprimento, e nesse caso encontra-se todo apoiado sobre uma única delas. "'São impuras'" — pois, a respeito de cada uma, pode-se dizer que foi sobre ela que ele se revirou; eis que as tornamos impuras por dúvida! E ali , no caso do animal, também, se é por causa do desprendimento que os panos seriam puros, que os tornemos impuros por dúvida! Antes, não é a razão de serem puros senão porque todas elas são apenas auxiliares, e quem apenas auxilia não tem substância — assim me parece ser o sentido desta Mishná; mas os meus mestres leem de outra forma: "na largura delas — são puros", e explicaram a razão de, na largura, serem puros, porque se diz: talvez o zav tenha se deitado entre elas, e não sobre elas; e isto me é difícil, pois, se assim fosse, estaríamos sempre inclinando para a leniência — e por que, então, a Mishná ensina na cláusula final que, havendo dúvida se ele se revirou, são impuros?
Antes, não é assim que se deve explicar, e a verdadeira razão de os panos do animal serem puros é porque dizemos que quem apenas auxilia não tem substância , e não por causa do desprendimento de cada perna. Disse Rav Papi, em nome de Rava: também nós aprendemos isso numa outra Mishná, …
A Guemará rejeita a explicação de Rav Yehuda MiDiskarta e retorna à conclusão original de Rav Zvid: os panos sob as patas do animal são puros não por causa do desprendimento momentâneo de cada perna ao caminhar, mas simplesmente porque, quando o animal pode ficar de pé apoiado em apenas três patas, a quarta é sempre dispensável e, portanto, meramente auxiliar — e quem apenas auxilia não tem substância, sem que seja necessário recorrer à lógica da dúvida que se aplicaria ao zav que se revira. Rav Papi, em nome de Rava, traz então mais uma prova desse mesmo princípio, citando outra Mishná — mas o daf termina exatamente no início dessa citação, cortada em "também nós aprendemos isso". Confirmado via Sefaria, 93b prossegue imediatamente completando essa citação, com o ensinamento de Rabi Yosei sobre a impureza do cavalo, transmitida pelas patas dianteiras, e a do burro, pelas traseiras — pois é nelas que cada animal se apoia — antes de retomar a mesma discussão sobre "quem auxilia não tem substância" com mais exemplos. Não há, em nenhum ponto desta folha, a expressão "הדרן" (a fórmula que assinalaria o encerramento do Perek Yud), de modo que o perek prossegue sem interrupção.