Talmud Bavli · Massechet Shabat · Perek Yud-Bet (HaBoneh)
בְּהֶעְלֵם אֶחָד

Nova Mishná: quem escreve duas letras num único lapso; os materiais de escrita, o caso de ben Stada, e quem é o tanna por trás de cada cláusula

Shabbat 104b · continuação do Perek Yud-Bet (HaBoneh) · continua diretamente de 104a

Shabbat 104b abre com uma nova mishná, ainda dentro do Perek Yud-Bet (HaBoneh): quem escreve duas letras num único lapso de consciência está obrigado. A mishná lista os materiais válidos de escrita — tinta, sam, sicrá, goma e sulfato de cobre, e qualquer coisa que faça marca —, os casos de duas paredes de um canto e duas tábuas de um caderno lidas em conjunto, escrever na própria carne, e arranhar na carne, sobre o qual Rabi Eliezer e os Sábios discordam. Em seguida, lista os casos de isenção: líquidos, suco de frutas e outras substâncias que não permanecem; escrever com a mão ao contrário, com o pé, a boca ou o cotovelo; uma letra apenas, mesmo junto a uma escrita já existente; escrever sobre escrita já existente; um chet que se torna dois zayin por engano; letras em lugares distantes ou não lidos em conjunto; e a abreviação por notarikon, sobre a qual Rabi Yehoshua ben Beteira e os Sábios discordam. A guemará então define cada um dos materiais de escrita mencionados na mishná, e explica que a expressão \u201ce qualquer coisa que faça marca\u201d vem incluir os ensinamentos de Rabi Chananya e Rabi Chiyya sobre a validade de um documento de divórcio escrito com sucos vegetais ou metais. Segue-se a célebre discussão sobre quem arranha na própria carne, trazendo o caso de ben Stada, que teria trazido feitiçarias do Egito arranhadas em sua carne — os Sábios rejeitam a prova, chamando-o de tolo —, com uma digressão sobre sua verdadeira paternidade (seria filho de Pandirá) e a origem do apelido de sua mãe, Stada. O daf prossegue perguntando, para cada cláusula da mishná, qual tanna está por trás dela: a cláusula de uma letra junto a uma escrita existente não segue Rabi Eliezer, que obriga por um único fio adicionado a um tecido; a cláusula de escrita sobre escrita não segue Rabi Yehuda, a propósito do caso de quem erra ao tentar escrever \u201cYehudá\u201d e acaba escrevendo o Nome Divino por engano. Uma baraita ensina que quem escreve uma única letra e com ela completa um livro, ou tece um único fio e com ele completa uma peça de roupa, está obrigado — o que Rava bar Rav Huna atribui a Rabi Eliezer, e Rav Ashi explica mesmo segundo os Sábios, pois completar é diferente. Rabi Ami ensina que quem escreve uma letra em Tiberíades e outra em Tzipori está obrigado, pois já é um ato completo de escrita, faltando apenas a aproximação física — distinguindo-se do caso da mishná sobre duas tábuas não lidas em conjunto, onde falta também um ato de corte para aproximá-las. Por fim, uma baraita ensina que quem emenda uma única letra está obrigado, o que Rav Sheshet e Rava explicam com exemplos de um chet transformado em dois zayin, ou de um dálet transformado em reish através da remoção de sua coroa. O daf termina no meio de uma nova baraita, sobre quem tem a intenção de escrever uma única letra — cuja continuação se dará em 105a.

Nova Mishná: quem escreve duas letras num único lapso de consciência · הַכּוֹתֵב שְׁתֵּי אוֹתִיּוֹת בְּהֶעְלֵם אֶחָד

404Mishná: quem escreve duas letras num único lapso está obrigado; materiais válidos de escrita; duas paredes de um canto e duas tábuas de um caderno lidas juntas; escrever ou arranhar na própria carne; e os casos de isenção, incluindo notarikon
Mishná
מַתְנִי׳ הַכּוֹתֵב שְׁתֵּי אוֹתִיּוֹת בְּהֶעְלֵם אֶחָד — חַיָּיב. כָּתַב בִּדְיוֹ בְּסַם בְּסִיקְרָא בְּקוֹמוֹס וּבְקַנְקַנְתּוֹם וּבְכׇל דָּבָר שֶׁהוּא רוֹשֵׁם. עַל שְׁנֵי כּוֹתְלֵי זָוִיּוֹת וְעַל שְׁנֵי לוּחֵי פִינְקָס וְהֵן נֶהֱגִין זֶה עִם זֶה — חַיָּיב. הַכּוֹתֵב עַל בְּשָׂרוֹ — חַיָּיב. הַמְסָרֵט עַל בְּשָׂרוֹ — רַבִּי אֱלִיעֶזֶר מְחַיֵּיב חַטָּאת וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין. כָּתַב בְּמַשְׁקִין בְּמֵי פֵּירוֹת, בַּאֲבַק דְּרָכִים בַּאֲבַק הַסּוֹפְרִים וּבְכׇל דָּבָר שֶׁאֵינוֹ מִתְקַיֵּים — פָּטוּר. לְאַחַר יָדוֹ בְּרַגְלוֹ בְּפִיו וּבְמַרְפְּקוֹ, כָּתַב אוֹת אַחַת סָמוּךְ לַכְּתָב, וּכְתָב עַל גַּבֵּי כְּתָב, נִתְכַּוֵּון לִכְתּוֹב חֵי״ת וְכָתַב שְׁתֵּי זַיְינִין, אַחַת בָּאָרֶץ וְאַחַת בַּקּוֹרָה, כָּתַב עַל שְׁנֵי כּוֹתְלֵי הַבַּיִת, עַל שְׁנֵי דַּפֵּי פִנְקָס וְאֵין נֶהֱגִין זֶה עִם זֶה — פָּטוּר. כָּתַב אוֹת אַחַת נוֹטָרִיקוֹן — רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ בֶּן בְּתֵירָא מְחַיֵּיב וַחֲכָמִים פּוֹטְרִין.

MISHNÁ. Quem escreve duas letras num único lapso de consciência — está obrigado. Escreveu com tinta, com sam, com sicrá, com goma, e com sulfato de cobre, e com qualquer coisa que faça marca (também está obrigado). Sobre duas paredes de um canto, e sobre duas tábuas de um caderno, quando elas são lidas uma com a outra — está obrigado. Quem escreve em sua própria carne — está obrigado. Quem arranha em sua própria carne — Rabi Eliezer o considera obrigado a uma oferenda pelo pecado, e os Sábios o isentam. Escreveu com líquidos, com suco de frutas, com pó de estradas, com pó dos escribas, e com qualquer coisa que não permanece — está isento. (Escreveu) por trás de sua mão, com seu pé, com sua boca, ou com seu cotovelo; escreveu uma letra apenas, junto a uma escrita (já existente); e escreveu sobre uma escrita (já existente); teve a intenção de escrever um chet e escreveu dois zayin, um na terra e um na viga; escreveu sobre duas paredes da casa, sobre duas tábuas de um caderno, quando elas não são lidas uma com a outra — está isento. Escreveu uma letra por abreviação (notarikon) — Rabi Yehoshua ben Beteira o considera obrigado, e os Sábios o isentam.

Nota — nova Mishná

Confirmado via Sefaria: abre-se aqui uma nova mishná, ainda dentro do Perek Yud-Bet (HaBoneh), sobre a medida mínima da melachá de escrever no Shabat. A primeira cláusula estabelece o princípio geral: escrever duas letras — a menor unidade de escrita com significado — num único lapso de consciência já obriga. Seguem-se os materiais válidos de escrita, que a guemará definirá logo adiante, e dois casos especiais em que a escrita se dá em superfícies distintas mas conectadas: duas paredes que se encontram num canto, ou duas tábuas de um caderno, desde que sejam lidas em conjunto como uma única palavra ou frase. Escrever na própria carne também obriga, mas apenas arranhar (sem tinta) é objeto de disputa entre Rabi Eliezer, que exige uma oferenda pelo pecado, e os Sábios, que isentam. A segunda metade da mishná lista os casos de isenção: materiais que não deixam marca permanente; posições incomuns do corpo para escrever; uma única letra isolada (mesmo perto de outra escrita, ou sobre ela); o erro de escrever duas letras separadas em vez de uma; e superfícies distantes ou não lidas em conjunto. A última cláusula traz uma disputa: Rabi Yehoshua ben Beteira considera obrigado quem escreve uma única letra como abreviação de uma palavra inteira (notarikon), enquanto os Sábios isentam.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "al shenei kotlei zaviot", "al shenei luchei pinkas" (duas vezes), "hakotev al besaro" e "hamesaret"
מתני' על שני כותלי זויות - אחת במזרח ואחת בצפון סמוכות זו לזו במקצוע: על שני לוחי פנקס - פנקס של חנוונים כעין אותן של סוחרים שיש להם לוחים הרבה חקוקין וטוחין בשעוה: על שני לוחי פנקס - רבותא אשמועינן דאע"ג דלאו אלוח אחד הם אם נהגין ונקרין זה עם זה שכתובין על שני שפתי הלווחין סמוכים זה לזה חייב: הכותב על בשרו - בדיו: המסרט - במכתב או בסיד:

"MISHNÁ: sobre duas paredes de um canto" — uma a leste e uma ao norte, próximas uma da outra, no ângulo. "Sobre duas tábuas de um caderno" — um caderno de comerciantes, semelhante aos dos mercadores, que têm muitas tábuas entalhadas e revestidas de cera. "Sobre duas tábuas de um caderno" (segunda vez) — ensina-nos algo notável: que, embora não sejam uma única tábua, se são lidas e reconhecidas uma com a outra — porque estão escritas nas bordas das tábuas, próximas uma da outra — está obrigado. "Quem escreve em sua própria carne" — com tinta. "Quem arranha" — com um instrumento de escrever, ou com cal.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "bimeshakin", "o bemei perot", "ba'avak derachim", "ba'avak hasoferim", "le'achar yado", "marpiko", "ketav ot achat samuch lakhtav", "ketav al gabei haketav", "nitkaven likhtov chet", "al shenei kotlei habayit", "al shenei dapei pinkas" e "ketav ot achat al shem notarikon"
במשקין - כמו מי תותים שמשחירין: או במי פירות - כל פירות: באבק דרכים - בטיט לשון אחר באבק דרכים באצבעו שרט כמו אותיות בעפר נגוב: באבק הסופרי' - עפרורית של קסת הסופר: לאחר ידו - בגב ידו שאחז הקולמוס באצבעותיו והפך ידו וכתב: מרפיקו - אצילי ידיו: כתב אות אחת סמוך לכתב - אצל אות הכתובה זיוג אות להשלימה לשתים: כתב ע"ג הכתב - העביר הקולמוס על אותיות הכתובים כבר וחדשם: נתכוין לכתוב חי"ת - ודילג הקולמוס ולא נראה הגג של חי"ת אלא שני הרגלים ונראה כשני זיינין: על שני כותלי הבית - שאינו במקצוע: על שני דפי פנקס - שעשוי עמודים כמגילה וכתב אות בעמוד זה ואות בזה ואינו יכול לקרבן אלא אם כן יחתוך הפסק שביניהם וה"ה לכותלי הבית רחוקין זה מזה ותנא ברישא שני כותלי הבית דסתמא אין נהגין זה עם זה והדר תנא שני דפי פנקס וה"ה לכותלי הבית ולא זו אף זו קתני: כתב אות אחת על שם נוטריקון - שעשה סימן נקודה עליה לומר שלהבין בה תיבה שלימה כתבה:

"'Com líquidos'" — como água de amoras, que escurece. "'Ou com suco de frutas'" — qualquer fruta. "'Com pó de estradas'" — com lama; outra versão: com pó de estradas, riscou com o dedo algo como letras na poeira seca. "'Com pó dos escribas'" — a poeira do tinteiro do escriba. "'Por trás de sua mão'" — no dorso da mão, quando segurava a pena com os dedos e virou a mão, e escreveu assim. "'Com seu cotovelo'" — as juntas dos braços. "'Escreveu uma letra junto à escrita'" — perto de uma letra já escrita, unindo uma letra a ela para completá-las em duas. "'Escreveu sobre a escrita'" — passou a pena sobre letras já escritas e as renovou. "'Teve a intenção de escrever um chet'" — e a pena saltou, e não apareceu o teto do chet, mas apenas as duas pernas, e pareceram dois zayin. "'Sobre duas paredes da casa'" — que não estão no ângulo. "'Sobre duas tábuas de um caderno'" — que é feito em colunas, como um pergaminho, e escreveu uma letra nesta coluna e uma naquela, e não pode aproximá-las a menos que corte a divisão entre elas; e o mesmo se aplica às paredes da casa distantes uma da outra; e a mishná ensinou primeiro "duas paredes da casa", que, por padrão, não são lidas uma com a outra, e depois ensinou "duas tábuas de um caderno" — e o mesmo se aplica às paredes da casa — e ensinou um caso, e tanto mais o outro. "'Escreveu uma letra como notarikon'" — fez um sinal de ponto sobre ela, para dizer que, por meio dela, se deveria entender que escreveu uma palavra inteira.

Guemará: definindo os materiais de escrita mencionados na Mishná · דְּיוֹ דְּיוֹתָא, סַם סַמָּא

405A Guemará define, um a um, os materiais de escrita da Mishná: deyo, sam, sicrá, comos e cancantom
A Guemará; Rabá bar bar Chana; Shmuel
גְּמָ׳ דְּיוֹ — דְּיוֹתָא. סַם — סַמָּא. סִקְרָא — אָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה: סְקַרְתָּא שְׁמָהּ. קוֹמוֹס — קוֹמָא. קַנְקַנְתּוֹם — אָמַר רַבָּה בַּר בַּר חָנָה אָמַר שְׁמוּאֵל: חַרְתָּא דְאוּשְׁכָּפֵי.

GUEMARÁ. "Deyo" — é a "deyotá". "Sam" — é o "samá". "Sicrá" — disse Rabá bar bar Chaná: chama-se "sicretá". "Comos" — é a "comá". "Cancantom" — disse Rabá bar bar Chaná, disse Shmuel: é o "charta de-ushcafei" (o negro dos sapateiros).

Nota

A guemará abre definindo, em ordem, cada um dos cinco materiais de escrita mencionados na mishná, traduzindo os termos hebraicos para seus equivalentes arameus ou explicando sua natureza. "Deyo" é a tinta comum, feita de fuligem; "sam" é um pigmento amarelado, à base de arsênico; "sicrá", segundo Rabá bar bar Chaná, é chamada "sicretá" em aramaico, um pigmento vermelho à base de chumbo; "comos" é a "comá", uma tinta feita com a resina (goma) extraída de uma árvore; e "cancantom", segundo a tradição de Rabá bar bar Chaná em nome de Shmuel, é a substância negra usada pelos sapateiros — sulfato de cobre.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "sama", "sikreta", "koma" e "charta de-ushkafei"
גמ' סמא - אורפימינ"ט: סקרתא - אימני"א צבע אדום שצובעין בה תריסין: קומא - גומא שרף אילן: חרתא דאושכפי - ארמינ"ט:

"'Samá'" — orpimento (arsênico amarelado). "'Sicretá'" — "eimenia", tinta vermelha com que se tingem escudos. "'Comá'" — goma, resina de árvore. "'Charta de-ushcafei'" — "arminit" (tinta negra armênia).

406"E qualquer coisa que faz marca": o que vem incluir? Os ensinamentos de Rabi Chananya e Rabi Chiyya sobre a validade de um documento de divórcio escrito com sucos ou metais
A Guemará; Rabi Chananya; Rabi Chiyya
וּבְכׇל דָּבָר שֶׁהוּא רוֹשֵׁם. לְאֵתוֹיֵי מַאי? לְאֵתוֹיֵי הָא דְתָנֵי רַבִּי חֲנַנְיָא: כְּתָבוֹ בְּמֵי טַרְיָא וְאַפְצָא — כָּשֵׁר. תָּנֵי רַבִּי חִיָּיא: כְּתָבוֹ בַּאֲבָר בִּשְׁחוֹר וּבְשִׁיחוֹר — כָּשֵׁר.

"E com qualquer coisa que faça marca." Isto vem incluir o quê? Vem incluir aquilo que ensinou Rabi Chananya: escreveu-o (o documento de divórcio) com água de "teria" e "afetzá" — é válido. Ensinou Rabi Chiyya: escreveu-o com chumbo, com "shachor" e com "shichor" — é válido.

Nota

A guemará pergunta o que a expressão final da mishná — "e com qualquer coisa que faça marca" — vem incluir, além dos cinco materiais já nomeados explicitamente. A resposta traz dois ensinamentos paralelos sobre a validade de um documento de divórcio (guet) escrito com substâncias incomuns: Rabi Chananya ensina que um guet escrito com o suco da fruta chamada "teria", ou com suco de agalhas (afetzá), é válido; e Rabi Chiyya ensina que um guet escrito com chumbo, com fuligem ("shachor"), ou com outra tinta escura ("shichor"), também é válido. Como essas substâncias deixam uma marca permanente — requisito essencial tanto para a validade de um documento quanto para a responsabilidade no Shabat —, quem escreve com elas no Shabat também está obrigado.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "ketavo" (para o get), "bemei teria", "afetza", "ba'avar", "beshachor" e "shichor"
כתבו - לגט: במי טריא - י"א מין פרי וי"א מי גשמים: אפצא - מי עפצים גל"ש: באבר - בעופרת ומשחיר כשהוא משפשף עופרת על הקלף: בשחור - פיחם: שיחור - אדרמינ"ט:

"'Escreveu-o'" — refere-se a um documento de divórcio (guet). "'Com água de téria'" — há quem diga que é um tipo de fruta, e há quem diga que é água da chuva. "'Afetzá'" — suco de agalhas (galsh). "'Com chumbo'" — e escurece quando se esfrega chumbo sobre o pergaminho. "'Com shachor'" — fuligem. "'Shichor'" — "adramint" (outra tinta escura).

Quem arranha em sua carne: a discussão sobre ben Stada · הַמְסָרֵט עַל בְּשָׂרוֹ

407Rabi Eliezer traz o precedente de ben Stada, que trouxe feitiçarias do Egito arranhadas em sua carne; os Sábios rejeitam a prova, pois ele era um tolo; digressão sobre a verdadeira paternidade de ben Stada e a origem do apelido de sua mãe
Rabi Eliezer; os Sábios; Rav Chisda
הַמְסָרֵט עַל בְּשָׂרוֹ. תַּנְיָא, אָמַר לָהֶן רַבִּי אֱלִיעֶזֶר לַחֲכָמִים: וַהֲלֹא בֶּן סָטָדָא הוֹצִיא כְּשָׁפִים מִמִּצְרַיִם בִּסְרִיטָה שֶׁעַל בְּשָׂרוֹ? אָמְרוּ לוֹ: שׁוֹטֶה הָיָה, וְאֵין מְבִיאִין רְאָיָה מִן הַשּׁוֹטִים. ״בֶּן סָטָדָא״? בֶּן פַּנְדִּירָא הוּא! אָמַר רַב חִסְדָּא: בַּעַל ״סָטָדָא״, בּוֹעֵל ״פַּנְדִּירָא״. בַּעַל פַּפּוּס בֶּן יְהוּדָה הוּא? אֶלָּא אִמּוֹ ״סָטָדָא״. אִמּוֹ מִרְיָם מְגַדְּלָא שְׂעַר נְשַׁיָּא הֲוַאי? אֶלָּא כִּדְאָמְרִי בְּפוּמְבְּדִיתָא: סְטָת דָּא מִבַּעְלַהּ.

"Quem arranha em sua carne." Foi ensinado numa baraita: disse Rabi Eliezer aos Sábios: acaso não foi ben Stada que trouxe feitiçarias do Egito por meio de um arranhão em sua carne? Disseram-lhe: ele era um tolo, e não se traz prova dos tolos. "Ben Stada"? Ele é ben Pandirá! Disse Rav Chisdá: o marido (de sua mãe) era "Stada"; quem teve relações (com ela) era "Pandirá". Mas o marido era Papos ben Yehudá! Antes, sua mãe era "Stada". Mas sua mãe era Miriam, a que trançava o cabelo das mulheres! Antes, como dizem em Pumbedita: "setat da" (esta se desviou) do seu marido.

Nota

Sobre o caso de "quem arranha em sua carne" — a disputa entre Rabi Eliezer, que obriga uma oferenda pelo pecado, e os Sábios, que isentam —, a guemará traz uma baraita em que Rabi Eliezer defende sua posição citando um precedente histórico: o infame ben Stada teria conseguido trazer contrabandeadas do Egito fórmulas de feitiçaria, escritas por meio de arranhões em sua própria pele (já que a escrita normal era vigiada nas fronteiras). Os Sábios rejeitam esse precedente como prova válida, pois ben Stada era considerado um tolo, e não se pode derivar uma norma de comportamento a partir do que um tolo fez — sua ação incomum não reflete a forma costumeira de escrever. A guemará então se desvia para uma digressão sobre a identidade de ben Stada: por que ele era chamado "filho de Stada", se, segundo a tradição, era na verdade filho de Pandirá? Rav Chisdá explica que "Stada" era o nome do marido de sua mãe (seu pai legal), enquanto "Pandirá" era o nome do homem que realmente a engravidou. A guemará então levanta objeções sucessivas — o marido dela não era Papos ben Yehudá? seu nome não era Miriam, a que trançava cabelos? — e resolve cada uma delas, concluindo que "Stada" era, na verdade, um apelido de sua mãe, derivado da expressão aramaica usada em Pumbedita para descrever alguém que se desvia (satat) do próprio marido.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "hotzi keshafim", "shote haya" e a adição das partes faltantes do Talmud sobre "ba'al Satda, bo'el Pandira"
הוציא כשפים - שלא היה יכול להוציאן כתובים שהיו החרטומין בודקין כל היוצאים שלא יוציאו כשפים ללמדם לבני מדינה אחרת: שוטה היה - שטות היה בו לעשות מה שאין דרך בני אדם עושים ומסר נפשו על הדבר: [הוספה מחסרונות הש"ס: בעל סטדא בועל פנדירא - ונקרא על שם בעל אמו אף על פי שהוא היה ממזר:]

"'Trouxe feitiçarias'" — porque não podia trazê-las por escrito, pois os magos (do Egito) examinavam todos os que saíam, para que não levassem feitiçarias e as ensinassem aos habitantes de outro país. "'Era um tolo'" — havia loucura nele, em fazer o que não é costume das pessoas fazerem, e ele arriscou sua vida por essa coisa. [Adição das partes faltantes do Talmud: "'O marido era Stada, quem teve relações era Pandirá'" — e ele é chamado pelo nome do marido de sua mãe, ainda que fosse um mamzer (filho ilegítimo).]

Quem é o tanna por trás de cada cláusula da Mishná? · מַאן תַּנָּא?

408"Escreveu uma letra junto à escrita" (isento): quem é o tanna? Rava bar Rav Huna: não é conforme Rabi Eliezer, que obriga por um único fio tecido sobre um tecido já existente
A Guemará; Rava bar Rav Huna
כָּתַב אוֹת אַחַת סָמוּךְ לַכְּתָב. מַאן תַּנָּא? אָמַר רָבָא בַּר רַב הוּנָא: דְּלָא כְּרַבִּי אֱלִיעֶזֶר, דְּאִי רַבִּי אֱלִיעֶזֶר, הָאָמַר: אַחַת עַל הָאָרִיג — חַיָּיב.

"Escreveu uma letra junto à escrita (já existente, está isento)." Quem é o tanna (desta cláusula)? Disse Rava bar Rav Huna: não é conforme Rabi Eliezer, pois, se fosse conforme Rabi Eliezer, não disse ele: um (fio) sobre o tecido (já existente) — está obrigado?

Nota

A guemará passa a examinar, cláusula por cláusula, qual tanna está por trás das posições isentivas da mishná — um procedimento comum quando uma halachá anônima parece contradizer a opinião conhecida de algum sábio nomeado em outro contexto. Aqui, a mishná isenta quem escreve uma única letra, mesmo que ela fique adjacente a uma letra já existente (formando, juntas, duas letras legíveis). Rava bar Rav Huna identifica que essa posição não pode ser de Rabi Eliezer, pois, em outro contexto (a respeito da melachá de tecer), Rabi Eliezer sustenta que quem acrescenta um único fio a um tecido já existente está obrigado — mesmo que, isoladamente, um único fio seja insignificante, o fato de complementar algo já existente e significativo já gera responsabilidade plena. Se Rabi Eliezer aplicasse esse mesmo raciocínio à escrita, deveria também obrigar quem acrescenta uma única letra a uma escrita já existente; como a mishná isenta nesse caso, ela não pode refletir a opinião de Rabi Eliezer.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "achat al ha'arig"
א' על האריג - חוט א' ארג על קצת אריג:

"'Um (fio) sobre o tecido'" — um fio que se teceu sobre uma parte de um tecido (já existente).

409"Escreveu sobre a escrita" (isento): quem é o tanna? Rav Chisda: não é conforme Rabi Yehuda, a propósito do caso de quem erra ao escrever "Yehudá" e acaba escrevendo o Nome Divino
A Guemará; Rav Chisda; Rabi Yehuda; os Sábios
כְּתָב עַל גַּבֵּי כְּתָב. מַאן תַּנָּא? אָמַר רַב חִסְדָּא: דְּלָא כְּרַבִּי יְהוּדָה. דְּתַנְיָא: הֲרֵי שֶׁהָיָה צָרִיךְ לִכְתּוֹב אֶת הַשֵּׁם, וְנִתְכַּוֵּין לִכְתּוֹב ״יְהוּדָה״, וְטָעָה וְלֹא הֵטִיל בּוֹ דָּלֶת — מַעֲבִיר עָלָיו קוּלְמוֹס וּמְקַדְּשׁוֹ, דִּבְרֵי רַבִּי יְהוּדָה. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים: אֵין הַשֵּׁם מִן הַמּוּבְחָר.

"Escreveu sobre a escrita (já existente, está isento)." Quem é o tanna? Disse Rav Chisdá: não é conforme Rabi Yehudá. Pois foi ensinado numa baraita: eis que alguém precisava escrever o Nome (de D'us, num Sefer Torá), e teve a intenção de escrever "Yehudá", e errou, e não lançou nele o dálet (deixando escrito o Nome Divino por engano) — passa sobre ele a pena e o santifica; palavras de Rabi Yehudá. E os Sábios dizem: este Nome não (fica) da melhor forma.

Nota

A mishná também isenta quem escreve sobre uma escrita já existente (por exemplo, passando a pena novamente sobre letras já escritas). Rav Chisdá identifica que essa posição não pode ser de Rabi Yehudá, com base numa baraita sobre um caso específico envolvendo a escrita de um Sefer Torá: um escriba pretendia escrever o nome "Yehudá", mas, por erro, esqueceu de escrever o dálet final, deixando escritas apenas as letras yud-hê-vav-hê — que, coincidentemente, formam o próprio Nome Divino (o Tetragrama), embora sem essa intenção. Segundo Rabi Yehudá, a solução é passar a pena novamente sobre essas letras, desta vez com a intenção correta e sagrada exigida para escrever o Nome de D'us, "santificando" retroativamente aquela escrita através da repetição. Os Sábios discordam, considerando que esse Nome, escrito dessa maneira indireta, não é da melhor qualidade possível. O ponto central para a nossa sugya é que, segundo Rabi Yehudá, escrever sobre uma escrita já existente é considerado um ato pleno e eficaz de escrita (capaz até de "santificar" o Nome Divino); logo, se a posição de Rabi Yehudá fosse adotada pela mishná, ela deveria obrigar, e não isentar, quem escreve sobre uma escrita já existente. Como a mishná isenta, ela não segue Rabi Yehudá.

Completando um livro ou peça de roupa; escrever em duas cidades; emendar uma letra · וְהִשְׁלִימָהּ לְסֵפֶר

410Baraita: escreveu uma letra e completou um livro, teceu um fio e completou uma peça de roupa — está obrigado; Rava bar Rav Huna: é Rabi Eliezer; Rav Ashi: mesmo segundo os Sábios, completar é diferente
A Guemará; Rava bar Rav Huna; Rav Ashi
תָּנָא: כָּתַב אוֹת אַחַת וְהִשְׁלִימָהּ לְסֵפֶר, אָרַג חוּט אֶחָד וְהִשְׁלִימוֹ לְבֶגֶד — חַיָּיב. מַאן תַּנָּא? אָמַר רָבָא בַּר רַב הוּנָא: רַבִּי אֱלִיעֶזֶר הִיא, דְּאָמַר אַחַת עַל הָאָרִיג — חַיָּיב. רַב אָשֵׁי אָמַר: אֲפִילּוּ תֵּימָא רַבָּנַן, לְהַשְׁלִים שָׁאנֵי.

Foi ensinado (numa baraita): escreveu uma letra e com ela completou um livro (Sefer), teceu um fio e com ele completou uma peça de roupa — está obrigado. Quem é o tanna? Disse Rava bar Rav Huna: é (a opinião de) Rabi Eliezer, que disse: um (fio) sobre o tecido (já existente) — está obrigado. Rav Ashi disse: mesmo que digas (que é conforme) os Sábios, para completar é diferente.

Nota

Uma baraita traz um caso aparentemente contraditório com a regra geral de que uma única letra ou um único fio não geram responsabilidade: quem escreve apenas uma letra, mas com ela completa a redação de um livro inteiro (por exemplo, a última letra de um dos vinte e quatro livros bíblicos), ou quem tece um único fio, mas com ele completa a confecção de uma peça de roupa inteira, está obrigado — mesmo sendo, isoladamente, uma quantidade mínima. Rava bar Rav Huna atribui esta baraita à mesma opinião de Rabi Eliezer já identificada acima, que considera significativo qualquer acréscimo, por menor que seja, a algo já existente. Rav Ashi propõe uma explicação alternativa, que não depende de atribuir a baraita especificamente a Rabi Eliezer: mesmo segundo os Sábios (que, em geral, isentam por uma única letra ou fio), o caso de completar um processo inteiro é diferente, pois há aqui uma responsabilidade adicional e independente — a de "dar o golpe final de martelo" (makê bepatish), a melachá de aperfeiçoar e finalizar a produção de um utensílio, que se aplica sempre que um ato, por menor que seja, conclui e torna utilizável um objeto inteiro.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "vehishlima lesefer"
והשלימה לספר - אות אחרונה של אחת מכ"ד ספרים:

"'E com ela completou um livro'" — a última letra de um dos vinte e quatro livros (da Bíblia).

411Rabi Ami: escreveu uma letra em Tiberíades e uma em Tzipori — está obrigado, pois é escrita completa, faltando apenas aproximação; dificuldade da Mishná (duas tábuas não lidas juntas, isento); resposta: ali falta um ato de aproximação, aqui não falta
Rabi Ami; a Guemará
אָמַר רַבִּי אַמֵּי: כָּתַב אוֹת אַחַת בִּטְבֶרְיָא וְאַחַת בְּצִיפּוֹרִי — חַיָּיב, כְּתִיבָה הִיא, אֶלָּא שֶׁמְחוּסָּר קְרִיבָה. וְהָתְנַן: כָּתַב עַל שְׁנֵי כּוֹתְלֵי הַבַּיִת וְעַל שְׁנֵי דַּפֵּי פִנְקָס וְאֵין נֶהֱגִין זֶה עִם זֶה — פָּטוּר! הָתָם מְחוּסָּר מַעֲשֶׂה דִקְרִיבָה, הָכָא לֹא מְחוּסָּר מַעֲשֶׂה דִקְרִיבָה.

Disse Rabi Ami: escreveu uma letra em Tiberíades e uma em Tzipori — está obrigado; é (considerado) escrita completa, faltando apenas aproximação. Mas não aprendemos (na mishná): escreveu sobre duas paredes da casa e sobre duas tábuas de um caderno, quando elas não são lidas uma com a outra — está isento?! Ali, falta um ato de aproximação; aqui, não falta um ato de aproximação.

Nota

Rabi Ami ensina um caso extremo: quem escreve uma letra na cidade de Tiberíades e outra letra na cidade de Tzipori — duas cidades distantes na Galileia — está obrigado, pois cada letra, isoladamente, já constitui um ato completo de escrita; falta apenas a aproximação física dos dois suportes (papéis, digamos) para que as letras possam ser lidas juntas, mas essa falta não impede a responsabilidade, já que a aproximação em si não requer nenhum ato adicional de trabalho — bastaria levar os dois papéis para o mesmo lugar. A guemará contesta com a própria mishná: se até no caso, muito mais próximo, de duas paredes da mesma casa ou duas tábuas do mesmo caderno não lidas em conjunto a pessoa é isenta, como pode ser que, no caso de duas cidades distantes, ela seja obrigada? A resposta distingue os dois casos pela natureza do que falta para a aproximação: no caso das tábuas de um caderno (ou paredes), a aproximação exige um ato físico adicional — cortar ou remover a parte que separa as duas superfícies —, e enquanto esse ato de trabalho não for realizado, a escrita permanece incompleta; já no caso das duas cidades, não falta nenhum ato de trabalho para a aproximação, apenas o deslocamento físico dos objetos, que não é considerado um "ato" halachicamente significativo — por isso a escrita já é considerada completa desde o momento em que ambas as letras foram escritas.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "mechusar ma'ase dikriva"
מחוסר מעשה דקריבה - אינו מקרבן אלא על ידי קציצה המפסיק ביניהן וכי קאמר רב אמי כגון כתב אחת על שפת לוח זו בטבריה ואחת על שפת לוח זו בצפורי ואתה יכול לקרבן שלא במעשה אלא קריבה בעלמא:

"'Falta o ato de aproximação'" — não se pode aproximá-las senão por meio de um corte que remova o que as separa; e quando Rav Ami diz (seu ensinamento), é como (o caso de) escreveu uma letra na borda desta tábua, em Tiberíades, e uma na borda desta tábua, em Tzipori, e tu podes aproximá-las sem nenhum ato de trabalho, apenas por mera aproximação.

412Baraita: quem emenda uma letra está obrigado; dificuldade (se escrever uma letra isenta, como emendar obriga?); Rav Sheshet: removeu o teto do chet, formando dois zayin; Rava: removeu a coroa do dálet, formando um reish
A Guemará; Rav Sheshet; Rava
תָּנָא: הִגִּיהַּ אוֹת אַחַת — חַיָּיב. הַשְׁתָּא כָּתַב אוֹת אַחַת — פָּטוּר, הִגִּיהַּ אוֹת אַחַת חַיָּיב?! אָמַר רַב שֵׁשֶׁת: הָכָא בְּמַאי עָסְקִינַן — כְּגוֹן שֶׁנְּטָלוֹ לְגַגּוֹ שֶׁל חֵי״ת וַעֲשָׂאוֹ שְׁנֵי זַיְינִין. רָבָא אָמַר: כְּגוֹן שֶׁנְּטָלוֹ לְתָגוֹ שֶׁל דָּלֶ"ת וַעֲשָׂאוֹ רֵי״שׁ.

Foi ensinado: emendou uma letra — está obrigado. Ora, escreveu uma letra — está isento, (e) emendou uma letra estaria obrigado?! Disse Rav Sheshet: aqui, com que estamos tratando? Como quando removeu o teto do chet e o transformou em dois zayin. Rava disse: como quando removeu a coroa do dálet e o transformou em reish.

Nota

Uma nova baraita parece contradizer o princípio já estabelecido: quem meramente emenda (corrige) uma única letra está obrigado. A guemará aponta a dificuldade óbvia: se escrever uma letra inteira do zero é isento (por ser uma quantidade insignificante de trabalho), como pode ser que emendar — um ato ainda menor — seja obrigado? Rav Sheshet resolve identificando um caso muito específico em que a "emenda" na verdade produz duas letras completas a partir de uma: removendo o traço horizontal superior (o "teto") da letra chet, ela se transforma em duas letras zayin separadas — de modo que o ato, apesar de pequeno fisicamente, produz o equivalente a escrever duas letras novas. Rava oferece um segundo exemplo, sem depender necessariamente do primeiro: removendo a pequena serifa ou "coroa" da parte de trás do dálet, ela se transforma na letra reish — também aqui, uma única remoção produz uma letra nova e completa, e por isso gera responsabilidade plena, tal como escrever essa letra do zero geraria.

Rashi · רַשִּׁי
Sobre "va'asao shenei zayinin" e "Rava amar kegon shenetalo letago shel dalet"
ועשאו שני זיינין - והספר לכך צריך: רבא אמר כגון שנטלו לתגא דדלית - דלא הוי אלא הגהת אות אחת ובדבר מועט חייב הואיל וזהו תיקון הספר דאסור לאדם לשהות ספר שאינו מוגה משום אל תשכן באהליך עולה (איוב י״א:י״ד) והוה ליה ככתב אות אחת והשלימה לספר דאמרן לעיל דחייב ואפי' לרבנן:

"'E o transformou em dois zayin'" — e o livro (Sefer) precisa disso (dessa correção). "'Rava disse: como quando removeu a coroa do dálet'" — que não é senão a emenda de uma única letra, e, com algo mínimo, está obrigado, já que isso é o reparo do livro (Sefer), pois é proibido a alguém deixar um livro sem correção, conforme (o versículo): "não habite a injustiça em tuas tendas" (Yov 11:14); e é como (o caso de) "escreveu uma letra e com ela completou o livro", que dissemos acima que está obrigado, e mesmo segundo os Sábios.

413Nova baraita, interrompida: teve a intenção de escrever uma única letra... (o daf termina aqui, a continuação está em 105a)
A Guemará
תָּנָא: נִתְכַּוֵּין לִכְתּוֹב אוֹת אַחַת

Foi ensinado: teve a intenção de escrever uma única letra...

Nota — o daf termina em meio de frase

Confirmado via Sefaria: o daf 104b termina exatamente aqui, no meio de uma nova baraita, que apenas começa a ser citada: "foi ensinado: teve a intenção de escrever uma única letra..." — sem que se saiba ainda qual é o caso completo nem qual é a sua conclusão halachica. Esta é uma interrupção comum na paginação do Talmud impresso, que corta o texto no fim físico da folha sem respeitar as unidades de sentido; a continuação desta baraita — e, presumivelmente, sua explicação — está no início do daf 105a, onde o próximo despacho de tradução deve começar.