O daf abre com a continuação da lista dos dezoito decretos: Tabi Rishba, em nome de Shmuel, traz mais um item — que o rebrota de sementes de teruma também tem o status de teruma — decretado no mesmo dia famoso. Rabi Chanina explica a razão: o receio de que um israelita, tendo teruma pura mas de pouco valor para si, plante-a como semente comum, abandonando seu status. Rava questiona essa explicação e propõe, em vez disso, que o receio real é de teruma impura em mãos de um sacerdote, que poderia demorar-se com ela até a época do plantio e acabar comendo-a em estado de impureza. A Guemará então traz mais dois decretos: quem se atrasa no caminho ao anoitecer da véspera de Shabat e precisa entregar sua bolsa a um gentio para não carregá-la; e a contagem de pão, azeite, vinho e filhas dos gentios como decretos que se encadeiam um a partir do outro, com a dificuldade de reconciliar a soma final com a opinião de Rabi Yossei, resolvida pelo decreto sobre a criança gentia que transmite impureza por fluxo — para que crianças de Israel não se acostumem com ela em relações impróprias. O daf fecha o assunto notando que alimentos e utensílios que se tornaram impuros por líquidos contam como um único item na lista. Encerrado o tema dos dezoito decretos, começa uma nova Mishná, ainda no espírito das disputas entre Bet Shamai e Bet Hilel: sobre demorar para pôr de molho tinta, corantes e vicia antes do anoitecer de sexta-feira; sobre pôr feixes de linho no forno ou lã no tacho de tingir; sobre armar armadilhas para animais, aves e peixes; e sobre vender a um gentio, carregar com ele ou lhe entregar um fardo antes do anoitecer — Bet Shamai exige que a atividade já esteja em curso antes do início de Shabat, e Bet Hilel permite mesmo que se complete durante a noite, contanto que o gentio a realize por conta própria.
Tavi Rishba (caçador de armadilhas) disse, em nome de Shmuel: também (o decreto de que) o rebrota (que cresce a partir) da teruma (é considerado) teruma — no mesmo dia (dos dezoito decretos) o decretaram. Qual é a razão? Disse Rabi Chanina: (é um) decreto por causa da teruma pura em mãos de um israelita.
A Guemará prossegue a contagem dos dezoito decretos históricos, trazendo mais um item transmitido por Tavi Rishba em nome de Shmuel: se um israelita planta grãos que tinham o status de teruma (mesmo espécies cujo grão original se decompõe totalmente ao germinar, como cereais e leguminosas), o produto que rebrota dessas sementes também é considerado teruma, e não comida comum. Rabi Chanina explica a razão do decreto: um israelita pode ter em mãos teruma pura, mas de pouco valor prático para si (já que não pode comê-la, sendo reservada aos sacerdotes), e seus "olhos são maus" quanto a simplesmente entregá-la a um sacerdote sem proveito algum; o receio é que ele prefira plantá-la como semente comum, esperando obter para si o produto que dela nascer, cancelando assim, na prática, o status sagrado da teruma. O decreto de que o rebrota continua sendo teruma remove esse incentivo.
"Tavi" — nome do homem.
"Rishba" — (apelido de quem) estende armadilhas para caçar animais e aves.
"Rebrota da teruma" — se (o israelita) a semeou, mesmo (tratando-se de) algo cuja semente se decompõe totalmente, como cereais e leguminosas.
"Teruma pura em mãos de um israelita" — e seu olho é mau em dá-la ao sacerdote, e ele a semeia para anulá-la da condição de teruma.
Disse Rava: se são suspeitos disso (de anular o status da teruma ao plantá-la), também não a separariam (a teruma, desde o início, temendo que caíssem em transgressão semelhante)! Mas (a razão verdadeira é que) disse Rava: um israelita, já que é possível fazer (o teste de separar apenas) um único grão de trigo (por saco), como (ensinou) Shmuel, e (mesmo assim) não o faz (preferindo separar mais) — são confiáveis (quanto à teruma; não haveria razão para suspeitar deles). Mas (o decreto é, antes,) por causa da teruma impura em mãos de um sacerdote, para que não aconteça de ele demorar-se com ela até (a época do plantio, com o fim de semeá-la), e venha a cair em tropeço (comendo-a, nesse ínterim, em estado de impureza).
Rava rejeita a explicação de Rabi Chanina por uma razão lógica: se de fato houvesse suspeita generalizada de que os israelitas anulariam o status da teruma para tirar proveito próprio, essa mesma desconfiança deveria impedi-los, desde o início, de separar a teruma com honestidade — mas isso não ocorre; ao contrário, Shmuel ensinou que é possível cumprir o mínimo técnico da separação com um único grão de trigo por saco, e ainda assim os israelitas costumam separar quantidades maiores e mais generosas, prova de que são, de fato, confiáveis nessa área. Rava propõe, portanto, uma explicação alternativa: o verdadeiro alvo do decreto não é o israelita, mas o sacerdote que recebe teruma já impura (que ele não pode comer, mas pode usar para outros fins, como semeadura). O receio é que esse sacerdote, pretendendo plantá-la futuramente, guarde a teruma impura consigo por um longo período até a época apropriada de plantio — e, durante essa demora, acabe cedendo à tentação de comê-la, já que está em sua posse, incorrendo assim na transgressão de comer teruma impura.
"Se são suspeitos disso, também não a separariam" — (separariam) senão um único grão de trigo do monte, como (o mínimo ensinado por) Shmuel; e, visto que (de fato) separam (mais que isso), disso se aprende que não são suspeitos.
"Por causa da teruma impura em mãos de um sacerdote" — que é proibida para comer, e (o sacerdote) vem para semeá-la; e decretaram que (o produto) permaneça com o mesmo nome original, e eis que é teruma impura — pois receamos que talvez ele a demore consigo até a época do plantio, e venha a comê-la em seu estado de impureza.
E a outra (explicação, deixada em aberto ao final de 17a, prossegue aqui): disse Rabi Chiya bar Ami, em nome de Ula: também (o decreto de que) quem escureceu (surpreendido pelo anoitecer) no caminho (sem ter chegado à cidade antes de Shabat) entrega sua bolsa a um gentio (para que este a carregue por ele) — no mesmo dia (dos dezoito decretos) o decretaram.
A frase interrompida ao final de 17a ("e a outra, disse...") se completa aqui: trata-se de mais um item entre os dezoito decretos. Um israelita que viaja e é surpreendido pelo anoitecer de sexta-feira antes de chegar a seu destino não pode continuar carregando sua bolsa de dinheiro ou pertences, pois isso violaria a proibição de transportar objetos em domínio público no Shabat. Como não é permitido simplesmente abandonar o dinheiro no caminho (por respeito à propriedade e ao risco de perda), os sábios decretaram que ele deve entregar a bolsa a um acompanhante gentio, que pode legitimamente continuar carregando-a, já que a proibição de transportar no Shabat recai sobre o israelita, não sobre o gentio.
"Entrega sua bolsa a um gentio" — e não a carregará (ele mesmo) menos de quatro amot (por vez, como seria a alternativa proposta em outra opinião).
E a outra (explicação): disse Bali, disse Avimi de Sinvata: o pão deles (dos gentios), e o azeite deles, e o vinho deles, e as filhas deles — todos (esses quatro itens juntos contam como um só) dos dezoito itens. Isso está bem para Rabi Meir (que conta o caso dos utensílios sob a calha entre os dezoito, deixando espaço para outro item ser somado à parte); mas para Rabi Yossei, seriam dezessete! (Resposta:) há aquilo (que ensinou) Rav Acha bar Ada. Pois disse Rav Acha bar Ada, disse Rabi Yitzchak: decretaram sobre o pão deles por causa do azeite deles, e sobre o azeite deles por causa do vinho deles.
A Guemará traz agora uma baraita que enumera quatro proibições relacionadas a produtos e relações com gentios — pão, azeite, vinho fabricados por eles, e o casamento com suas filhas — afirmando que, juntas, essas quatro proibições contam como um único item entre os dezoito decretos (pois estão encadeadas causalmente, cada uma decretada por causa da anterior). Isso funciona bem segundo Rabi Meir, que já contava separadamente o caso dos utensílios deixados sob a calha de água (discutido em 16b) como um item pleno entre os dezoito, deixando espaço exato para que este conjunto de quatro sub-itens complete a lista. Mas, segundo Rabi Yossei — que via aquele caso da calha como parte de uma halachá já implícita na Torá, e não como um decreto novo e autônomo — a contagem ficaria em apenas dezessete, faltando um item. A resposta remete a outro ensinamento de Rav Acha bar Ada, que explica a cadeia causal entre os quatro itens: decretaram contra o pão dos gentios por causa do receio do azeite deles, e contra o azeite deles por causa do receio do vinho deles.
"Sinvata" — nome de um lugar.
"E as filhas deles" — no tratado Avodá Zará questionamos: (a proibição quanto) às filhas deles não é já da própria Torá?
"Todos são dos dezoito itens" — pois todos eles são, na verdade, um único (item), já que decretaram sobre o pão deles por causa do azeite deles, e sobre o azeite deles (por causa do vinho deles), etc., como se explica a seguir.
"Isso está bem para Rabi Meir" — que os contou (os dezoito), incluindo este (caso) de quem deixa utensílios sob a calha, e assim são dezoito: nove que invalidam a teruma, e não se lê (o Shemá), e não se separam (os legumes, discutidos em 13b-14a) — eis onze; restam sete: a calha, o mardea, as filhas dos cutim, o vindimador, o rebrota da teruma, quem entrega sua bolsa, e pão e azeite (deles, contados) como um só.
"Há aquilo" — que Rav Yitzchak acrescenta a Avimi, sobre (o item) "outra coisa" por causa de "outra coisa" (explicado a seguir).
(A Guemará questiona a ordem dada:) sobre o pão deles por causa do azeite deles?! Qual é a força maior do azeite em relação ao pão (que justificaria decretar o pão por causa do azeite, e não o contrário)? Mas (a ordem correta é): decretaram sobre o pão deles e o azeite deles (juntos) por causa do vinho deles; e sobre o vinho deles por causa das filhas deles; e sobre as filhas deles por causa de outra coisa; e sobre outra coisa por causa de outra coisa (mais). O que é essa "outra coisa" (final)? Disse Rav Nachman bar Yitzchak: decretaram sobre a criança gentia, que transmite impureza por fluxo (como se fosse um zav adulto), para que a criança de Israel não se acostume com ela em relação com homem (prática homossexual). Se assim é, também para Rabi Yossei seriam dezenove! (Resposta:) alimentos e utensílios que se tornaram impuros por líquidos, eles os contam como um só (item).
A Guemará corrige a formulação anterior: não faz sentido dizer que o pão foi proibido "por causa do" azeite, pois o azeite não é, em si, mais grave ou mais central que o pão — não há razão lógica para essa direção causal. A ordem correta encadeia os quatro itens de outro modo: pão e azeite juntos foram proibidos por causa do vinho (pois refeições completas com pão, azeite e vinho de gentios levariam à confraternização); o vinho foi proibido por causa do receio de casamento com as filhas deles; e a proibição às filhas foi, por sua vez, apenas um reforço rabínico a uma proibição que remonta, em sua origem, a uma preocupação ainda mais grave — identificada por Rav Nachman bar Yitzchak como o decreto que declara a criança gentia capaz de transmitir impureza como um zav (fluxo genital anormal) adulto, mesmo sem ter atingido a maturidade sexual. A razão desse decreto aparentemente distante é evitar que crianças de Israel se acostumem, desde cedo, a manter contato físico impróprio com crianças gentias, num contexto de relações homossexuais. A Guemará então questiona se isso não desequilibraria a contagem para dezenove segundo Rabi Yossei, e resolve notando que, tecnicamente, o decreto de que "alimentos e utensílios que se tornaram impuros através de líquidos" (mencionado anteriormente na lista, referente aos líquidos que tornam algo suscetível a impureza) já é contado como um único item combinado, e não dois separados — equilibrando, assim, a soma final.
"E sobre as filhas deles por causa de outra coisa" — (por causa da idolatria; e ainda) decretaram (depois) sobre outra coisa, que não foi mencionada aqui (explicitamente, apenas aludida).
"Que transmite impureza por fluxo" — mesmo que (a criança) não seja, de fato, um zav.
"Alimentos e utensílios que se tornaram impuros por líquidos" — contam-nos como um só (item, para fechar a soma em dezoito).
Bet Shamai dizem: não se põe de molho tinta, corantes e vicia (vagem usada como forragem), senão (com tempo suficiente) para que se molhem (por completo) ainda de dia (antes do anoitecer de sexta-feira); e Bet Hilel permitem (mesmo que o processo se complete já durante a noite de Shabat, contanto que tenha começado antes). Bet Shamai dizem: não se põem feixes de linho dentro do forno, senão (com tempo suficiente) para que esquentem ainda de dia; nem a lã no tacho de tingir, senão (com tempo suficiente) para que a cor (comece a) pegar (a tinta ainda de dia); e Bet Hilel permitem.
Encerrado o longo excurso sobre os dezoito decretos, a Guemará retorna ao fio principal da Mishná do capítulo, trazendo uma nova unidade de disputas entre Bet Shamai e Bet Hilel — desta vez sobre atividades iniciadas antes de Shabat, mas cujo efeito continua a se desenrolar durante o próprio Shabat, sem que ninguém precise agir ativamente durante o dia sagrado. O primeiro caso trata de deixar de molho materiais como tinta, corantes para tecidos, ou vicia (uma leguminosa usada para amolecer e servir como ração animal) pouco antes do anoitecer de sexta-feira. Bet Shamai exige que o processo de amolecimento (o "molho") já esteja concluído antes do início de Shabat — isto é, que o tempo entre pôr o material na água e o anoitecer seja suficiente para que ele já esteja de fato encharcado. Bet Hilel discorda, permitindo que se ponha o material de molho mesmo pouco antes do anoitecer, já que o processo de amolecimento continua por si mesmo, sem intervenção humana, durante a noite. O segundo caso é análogo, mas envolve calor: colocar feixes de linho dentro de um forno aquecido para que esquentem e amoleçam (facilitando o processamento posterior), ou colocar lã dentro do tacho de tingir fervente. Novamente, Bet Shamai exige que o efeito já comece a se manifestar (o linho já esquentando, a lã já absorvendo a cor) antes do anoitecer, enquanto Bet Hilel permite iniciar o processo mesmo momentos antes de Shabat, confiando que ele prossiga sozinho.
"Corantes" — para tingir.
"Vicia" — para alimento de animais; "binya" em língua estrangeira (francês antigo).
"E Bet Hilel permitem" — desde que tenha posto a água (sobre o material) ainda de dia.
"Feixes" — (no sentido de) "Tavi Rishba" (o termo se refere a) molhos de linho já sacudido, que se colocam numa panela dentro do forno, e (o linho) se embranquece.
"Que esquentem" — que se aqueçam.
"A cor" — a tinta, que (comece a) pegar ainda de dia.
"Permitem" — pô-la (a lã no tacho) ainda de dia, e ela (continua) absorvendo (a cor) a noite toda.
Bet Shamai dizem: não se estendem armadilhas para animais, aves e peixes, senão (com tempo suficiente) para que se capturem ainda de dia; e Bet Hilel permitem. Bet Shamai dizem: não se vende a um gentio, nem se carrega (mercadoria) junto com ele, nem se lhe põe (um fardo) sobre (os ombros ou o animal), senão (com tempo suficiente) para que (o gentio) chegue a um lugar próximo (ainda de dia); e Bet Hilel permitem. Bet Shamai dizem: não se entregam peles para curtir, nem roupas ao lavandeiro gentio, senão (com tempo suficiente) para que se façam ainda de dia. E em todas (essas questões), Bet Hilel permitem, (desde que a atividade comece) com (a luz do) sol (ainda visível, isto é, antes do pôr do sol).
A Mishná continua enumerando casos paralelos da mesma disputa estrutural. Armar armadilhas para caçar animais, aves ou peixes pouco antes do anoitecer: Bet Shamai exige que a captura efetiva já tenha ocorrido antes de Shabat, enquanto Bet Hilel permite armar a armadilha mesmo perto do anoitecer, ainda que o animal só seja capturado durante a noite, pois a captura ocorre por si mesma, sem ação humana adicional. Vender mercadoria a um gentio, ou entregar-lhe um fardo para carregar (numa caravana ou percurso), levanta a questão de que o gentio pode continuar sua jornada durante o Shabat, carregando algo que pertence, ou pertencia até há pouco, a um israelita; Bet Shamai exige que já tenha havido tempo suficiente, antes do anoitecer, para que o gentio alcance ao menos um "lugar próximo" com a carga, evitando a aparência de que o israelita o enviou para carregar especificamente durante Shabat; Bet Hilel permite mesmo sem essa margem de tempo. Por fim, entregar peles de animal para um curtidor gentio processar, ou roupas para um lavandeiro gentio lavar, envolve o mesmo princípio: Bet Shamai exige tempo suficiente para que o trabalho já tenha começado antes do anoitecer, e Bet Hilel permite a entrega mesmo com o sol já baixo, desde que ainda visível — pois é o próprio gentio quem realizará o trabalho durante o Shabat, por sua conta, sem que isso constitua transgressão da parte do israelita.
"Nem se carrega junto com ele" — sobre o jumento.
"Nem se lhe põe sobre" — um fardo sobre seu ombro, pois parece como se (o israelita) o estivesse ajudando a transportá-lo durante Shabat.
"Senão para que chegue a um lugar próximo" — isto é, que o lugar (de destino) seja próximo, de modo que possa levá-lo até lá ainda de dia.