Shabbat 134a abre concluindo o assunto do chaspanita — a afecção da pele mencionada a partir do ensino de Shmuel, no fim de 133b, sobre quem não seca bem o rosto após lavá-lo: seu remédio é lavar-se abundantemente em água de acelga. A guemará retoma então a Mishná sobre o que não se pode preparar para a milá em Shabat, mas se pode preparar em Yom Tov — moer o cominho, bater vinho e azeite —, e Abaye pergunta a Rav Yosef por que, então, não se permitiria bater vinho e azeite também em Shabat para qualquer doente, já que ambos servem a um propósito não exclusivo da milá; cita-se a beraita que proíbe isso para o doente comum, e a opinião de Rabi Shimon ben Elazar em nome de Rabi Meir, que o permite. Rabi Shimon ben Elazar relata então que o próprio Rabi Meir, sentindo dores nos intestinos em Shabat, recusou o remédio que seus colegas queriam preparar para ele, dizendo que, embora achasse a proibição exagerada, nunca em sua vida ousara transgredir a palavra de seus colegas — sendo ele mesmo rigoroso consigo, mas permitindo a todos os demais. A guemará explica então a distinção real entre os casos: para a milá, o vinho e o azeite precisam ser batidos até se unirem bem; para o doente comum, não é necessário bater, e por isso não se aplica a mesma permissão. Uma nova beraita ensina que não se pode coar mostarda em sua peneira própria nem adoçá-la com brasa em Yom Tov; Abaye questiona a diferença com colocar um ovo na peneira de mostarda, permitido pela Mishná, e Rav Yosef responde que coar o ovo não parece seleção, mas coar a mostarda sim. Uma contradição sobre adoçar a mostarda com brasa é resolvida pela distinção entre brasa de metal, permitida, e de madeira, proibida; e discute-se por que se pode assar carne sobre brasas, mesmo apagando-as com o sangue que goteja, mas não se pode fazer o equivalente com a mostarda — porque, no caso da carne, não há alternativa, enquanto a mostarda pode ser preparada de véspera. Abaye pergunta ainda sobre coalhar queijo em Yom Tov — proibido, ao contrário de amassar massa para pão, pois o pão fresco é muito melhor que o de véspera, mas o queijo não se deteriora se coalhado antes; uma objeção, de que os sábios de Neharde'a consideram excelente até o queijo de um só dia, é respondida distinguindo "excelente" de "o melhor possível". A guemará retoma então a Mishná sobre a bolsa (cheluk) que, por precaução, não se deve confeccionar de antemão para cobrir a ferida da milá, e traz uma longa série de ensinamentos práticos que Abaye recebeu de sua mãe — a ama que o criou — sobre o cuidado de recém-nascidos: como dobrar a bolsa para que seus fios soltos não grudem na ferida e causem um dano grave; como localizar, com óleo e luz do dia, o orifício anal de um bebê cuja abertura ainda não é visível, e abri-lo com um grão de cevada, nunca com metal; como aquecer com brasas a boca fria de um bebê que não consegue mamar; como fazer urinar um bebê que não urina, sacudindo-o numa peneira; como ajudar, com a placenta da própria mãe, um bebê que não respira bem ou que nasceu pequeno ou inchado demais; e como reconhecer que se deve esperar, antes de circuncidar, um bebê vermelho demais, até que seu sangue seja absorvido, ou um bebê pálido ou esverdeado, até que seu sangue enfim apareça. O daf termina com os dois episódios narrados por Rabi Natan: em duas ocasiões diferentes — nas cidades litorâneas, e depois na Capadócia — mulheres que já haviam perdido dois filhos na milá lhe trouxeram um terceiro; em ambos os casos, Rabi Natan reconheceu o sinal de perigo (vermelhidão excessiva numa vez, palidez sem sangue da aliança na outra) e mandou esperar antes de circuncidar; em ambos os casos, o menino sobreviveu e foi chamado "Natan HaBavli", em sua homenagem.
...chaspanita (uma afecção que racha a pele do rosto). Qual é seu remédio? Que se lave abundantemente em água de acelga.
"Chaspanita" — o rosto racha; e eu digo que é um tipo de chaga chamada, em língua estrangeira, "inyeira", e é semelhante a um "garev" (uma espécie de sarna); e seu nome se relaciona com "cheres" (estilhaço, casca), que está escrito na Torá (Devarim 28:27, entre as pragas anunciadas) — "chaspanita" é a tradução do Targum para "cheres".
"Em água de acelga" — caldo de acelgas (beterraba-de-folhas).
O daf abre concluindo o assunto iniciado no fim de 133b, com o ensino de Shmuel de que quem lava o rosto e não o seca bem sofre de "niktaru" — pequenos inchaços ou fissuras na pele. A guemará identifica essa afecção com o nome "chaspanita", que Rashi relaciona à palavra bíblica "cheres" (referida entre as pragas de pele em Devarim 28), e ensina seu remédio: lavar-se abundantemente com água em que se ferveu acelga.
"Se não moeu o cominho na véspera de Shabat" (Mishná — mastiga-o com os dentes e o coloca sobre a milá). Ensinaram os Sábios: coisas que não se fazem para a milá em Shabat, fazem-se para ela em Yom Tov. Mói-se para ela o cominho, e bate-se para ela vinho e azeite.
A guemará retoma a Mishná, que trata do que fazer quando o cominho não foi moído com antecedência para colocar sobre a ferida da milá em Shabat. A partir daí, traz uma beraita que distingue Shabat de Yom Tov: certas preparações para a milá, vedadas em Shabat por envolverem um trabalho evitável, são permitidas em Yom Tov — entre elas, moer o cominho e bater vinho com azeite para formar um curativo.
Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: em que é diferente o cominho, que é permitido moê-lo em Yom Tov? É porque serve também para uso comum, como temperar uma panela. Ora, também vinho e azeite servem para uso comum: também em Shabat, para o doente, pois se ensina: não se bate vinho e azeite para o doente em Shabat. Disse Rabi Shimon ben Elazar em nome de Rabi Meir: também se bate vinho e azeite.
"Serve também para o doente" — que não há nele perigo de vida.
Abaye questiona o fundamento da permissão anterior: se moer o cominho em Yom Tov é permitido porque ele serve também para um uso comum e não exclusivo da milá (temperar uma panela), então o mesmo raciocínio deveria permitir bater vinho e azeite também em Shabat para qualquer doente comum, já que essa mistura serve igualmente a um propósito não restrito à milá. Traz-se, porém, uma beraita que proíbe bater vinho e azeite para o doente comum em Shabat — e a opinião discordante de Rabi Shimon ben Elazar, em nome de Rabi Meir, segundo a qual isso é permitido.
Disse Rabi Shimon ben Elazar: uma vez, sentiu Rabi Meir dores em seus intestinos, e buscamos bater para ele vinho e azeite, e ele não nos permitiu. Dissemos-lhe: tuas próprias palavras se anularão diante de tua vida (já que tu mesmo permites isso a um doente)?! Disse-nos: ainda que eu diga isto, e meus colegas digam aquilo, e eu não me retrate, nunca em meus dias meu coração me permitiu transgredir as palavras de meus colegas. Ele mesmo é quem foi rigoroso consigo, mas para todo o mundo, é permitido!
"Se anularão" — pois este (o próprio Rabi Meir) também é um doente agora, e ainda assim segue a opinião de seus colegas contra sua própria leniência.
"Mas para todo o mundo, é permitido" — é a opinião de Rabi Meir, e a Mishná anônima segue Rabi Meir; e então, por que ensinamos "coloca-se este por si e aquele por si" (sem bater)?
Rabi Shimon ben Elazar ilustra a permissão que ensinou com um episódio pessoal: o próprio Rabi Meir, ao sofrer de dores intestinais em Shabat, recusou o vinho e o azeite que seus discípulos queriam preparar para ele, mesmo depois de lembrado de que era ele mesmo quem permitia tal remédio a um doente. Rabi Meir respondeu que, embora sustentasse essa opinião mais permissiva, jamais em sua vida ousara agir contra a palavra de seus colegas que discordavam dele — sendo, assim, rigoroso apenas consigo mesmo, enquanto para todos os demais a permissão de fato vale.
Ali (para o doente comum), não se precisa bater bem a mistura; aqui (para a milá), precisa-se bater bem. Objeta-se: também aqui, façamos a mistura e não a batamos bem! Isto é o que se ensina: coloca-se este (o vinho) por si, e aquele (o azeite) por si — ou seja, mistura-se sem bater bem, permitindo apenas essa medida mínima.
"Ali" — a respeito dos demais doentes.
"Não se precisa bater bem" — batê-lo e misturá-lo muito bem.
"E não bater" — que não o misture tanto assim.
"E responde: isto é o que se ensina, 'coloca-se este por si e aquele por si'" — ou seja, ele mistura, mas não bate bem.
A guemará explica, enfim, a verdadeira distinção entre os dois casos: para a milá, o curativo de vinho e azeite precisa ser batido cuidadosamente até formar uma mistura firme, o que envolve mais trabalho; para o doente comum, basta uma mistura leve, sem bater bem, o que já é permitido em Shabat sem depender da opinião mais permissiva de Rabi Meir. Questiona-se então por que não se faria o mesmo, sem bater, também para a milá — respondendo-se que é exatamente isso que a Mishná já ensina ao dizer "coloca-se este por si e aquele por si": mistura-se vinho e azeite sem batê-los bem.
Ensinaram os Sábios (a respeito de Yom Tov): não se coa a mostarda em sua peneira própria, e não se a adoça com brasa. Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: em que isso é diferente disto que ensinamos: coloca-se ovo na peneira de mostarda (em Shabat)?
"Não se coa a mostarda" — em Yom Tov.
"Em sua peneira própria" — o motivo se explica adiante: porque parece seleção, já que se descartam ali seus resíduos.
"E não se a adoça com brasa" — da maneira como se costuma apagar nela a brasa, ou uma pedra em brasa.
"Coloca-se ovo na peneira de mostarda" — e coa-se o ovo dentro dela, para embelezar sua aparência.
Uma nova beraita traz outras duas proibições de Yom Tov: não coar a mostarda em sua própria peneira, e não a adoçar apagando uma brasa dentro dela. Abaye questiona a primeira proibição, comparando-a com a Mishná que permite colocar um ovo na peneira de mostarda em Shabat, para coar sua clara e deixá-la com melhor aparência.
Disse-lhe: ali (com o ovo), não parece seleção; aqui (com a mostarda), parece seleção.
"Não parece seleção" — pois o ovo sai por inteiro através da peneira, e não sobra ali resíduo algum.
Rav Yosef explica a diferença: quando se coa um ovo, toda a sua clara atravessa a peneira sem deixar resíduo, de modo que o ato não se assemelha à seleção proibida (separar o desejado do indesejado). Já ao coar mostarda, os resíduos ficam retidos na peneira enquanto o líquido passa, o que aparenta ser precisamente o ato de seleção.
"E não se a adoça com brasa" (a beraita citada). Objeta-se: mas não se ensinou numa outra beraita: adoça-se com brasa? Não é difícil: aqui (onde se proíbe), trata-se de brasa de madeira; aqui (onde se permite), trata-se de brasa de metal.
"Com brasa de madeira" — é proibido, pois nela se aplica o ato de apagar, já que ao apagá-la ela se torna carvão; já com brasa de metal, não se aplica nela o ato de apagar, pois apagando-a ela não se torna carvão.
A guemará resolve a contradição entre a beraita que proíbe adoçar a mostarda com brasa e outra que o permite, distinguindo o tipo de brasa: apagar uma brasa de madeira é proibido, pois transforma a madeira em carvão — um resultado de fabricação; apagar uma brasa de metal não produz esse mesmo efeito, e por isso é permitido.
Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: em que a mostarda é diferente da carne sobre brasas (assada em Yom Tov, mesmo apagando as brasas com o sangue que goteja)? Disse-lhe: ali (a carne), não é possível de outro modo; aqui (a mostarda), é possível de outro modo.
"E em que é diferente da carne sobre brasas" — que se assa em Yom Tov, ainda que com isso se apague a brasa com o sangue.
"Não é possível" — assar de véspera, pois no mesmo dia a carne fica muito melhor; mas a mostarda é possível de prepará-la de véspera.
Abaye traz outra comparação: assar carne sobre brasas em Yom Tov é permitido, mesmo que o sangue que goteja da carne acabe apagando as brasas — por que, então, adoçar mostarda com brasa não seria igualmente permitido? Rav Yosef responde que os casos não são análogos: a carne assada no próprio dia é muito superior à assada de véspera, de modo que não há alternativa razoável a assá-la em Yom Tov; já a mostarda pode perfeitamente ser preparada com antecedência, sem perda de qualidade.
Disse-lhe Abaye a Rav Yosef: qual é a lei de coalhar queijo em Yom Tov? Disse-lhe: é proibido. Perguntou Abaye: em que é diferente de amassar a massa, permitido em Yom Tov? Disse-lhe: ali (o pão), não é possível prepará-lo de véspera sem perda de qualidade; aqui (o queijo), é possível.
"Coalhar" — fazer queijo.
"Em que é diferente de amassar" — que se amassa pão em Yom Tov, e isto (coalhar o queijo) também se assemelha a amassar.
"Não é possível" — pois pão quente é muito melhor que o de véspera; aqui (o queijo) é possível coalhá-lo de véspera.
Abaye pergunta sobre coalhar queijo em Yom Tov, e Rav Yosef responde que é proibido — diferentemente de amassar massa para assar pão, que é permitido. A distinção está na qualidade: pão assado no mesmo dia é sensivelmente superior ao de véspera, o que justifica permitir a preparação em Yom Tov; já o queijo não perde qualidade alguma se coalhado com antecedência, tornando desnecessária qualquer permissão.
Mas não disseram os sábios de Neharde'a: o queijo de um só dia é excelente? Se assim, o queijo coalhado no próprio Yom Tov também deveria ser permitido, por ser igualmente bom! Responde-se: assim eles dizem: que mesmo o queijo de um só dia é excelente — mas o mais envelhecido é ainda melhor, e por isso não se permite coalhá-lo em Yom Tov, já que não há necessidade real.
"Diga-se: também o queijo de um só dia é excelente" — e tanto mais seria excelente o coalhado de véspera.
Levanta-se uma objeção contra a distinção anterior: se os sábios de Neharde'a consideram excelente até o queijo coalhado no mesmo dia, então não haveria razão para proibir coalhá-lo em Yom Tov, já que a qualidade não seria prejudicada por esperar. A guemará responde que a afirmação dos sábios de Neharde'a não nega que o queijo envelhecido seja ainda melhor — apenas afirma que mesmo o de um dia já é bom o suficiente — e por isso permanece sem necessidade real coalhá-lo justamente em Yom Tov.
"Não se faz para ela (a milá) uma bolsa etc." (Mishná — de antemão, por precaução). Disse Abaye: disse-me minha mãe (a ama que o criou): esta bolsa do bebê, vira-lhe a barra para cima, para que não grude nela um fio, e o bebê venha a ter o membro cortado. A mãe de Abaye fazia uma bolsinha que cobria apenas a metade. Disse Abaye: este bebê que não tem bolsa, que se traga um pano velho que tenha barra, e enrole-se a barra por baixo, e dobre-se o pano por cima.
"Vira-lhe a barra para cima" — a barra que está na borda de sua abertura, que se vire e dobre para cima, para que não fique próxima à carne, pois ali é o lugar onde o tecido foi cortado, e dali saem fiapos, chamados, em língua estrangeira, "peindes" (franjas); e talvez um fiapo grude na ferida, e, quando se for retirar a bolsa de sobre a milá, arranque e rasgue a cabeça do membro, tornando-o um "membro cortado" (kerut shafcha).
"A mãe de Abaye" — sua ama.
"Fazia" — para os bebês que vinham a ela, para consertar sua milá.
"Uma bolsinha que cobria apenas a metade" — para a milá, ela fazia uma bolsa de pano por dentro da própria bolsa, e a costurava por dentro dela, e essa bolsa interna chegava para baixo até a metade da bolsa, para separar entre a barra e a milá.
"Que se traga um pano velho" — um pequeno retalho gasto de tecido que tenha barra, pois a barra prende bem na carne, para que a bolsa não escorregue do membro.
"E enrole-se a barra por baixo" — na parte inferior da cabeça do membro se coloque a barra, e a outra ponta, lisa, fique por cima.
"E dobre-se por cima" — essa ponta superior, lisa, se dobre e enrole para fora, por causa dos fiapos, para que não grudem na ferida.
A guemará retoma a Mishná que proíbe confeccionar de antemão uma bolsa protetora para a milá, e traz o primeiro de uma longa série de ensinamentos práticos que Abaye transmite em nome de sua ama — a mulher que o criou, chamada por ele carinhosamente de "mãe". Ela ensinava a dobrar a barra da bolsa para cima, longe da ferida, pois um fio solto poderia grudar nela e, ao remover a bolsa, arrancar a pele do membro, causando um dano grave e permanente. A própria ama de Abaye confeccionava uma bolsa interna que cobria apenas metade da área, separando a barra da ferida; e, para quem não tivesse bolsa alguma, Abaye ensinava a usar um pano velho com uma barra, enrolando-a de modo a proteger a ferida.
E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê cuja saída (o orifício anal) não é conhecida (está encoberta pela pele), que se esfregue óleo nele e se o exponha diante da luz do dia, e onde a pele estiver translúcida, que se rasgue com um grão de cevada, na trama e na urdidura (em ambas as direções); mas com instrumento de metal, não, por causar inchaço. E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê que não suga o leite, é porque sua boca esfriou. Qual é seu remédio? Que se traga uma taça de brasas, e se a aproxime de sua boca, para que sua boca se aqueça e ele sugue. E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê que não urina, que se o sacuda numa peneira, e então ele urinará.
"Cuja saída não é conhecida" — que não se percebe nele o orifício do reto, por onde sai seu excremento.
"Que se esfregue óleo" — pois o óleo clareia a carne.
"E se o exponha diante do dia" — voltado para o sol.
"E onde a pele estiver translúcida" — límpida como vidro, sinal de que ali há uma cavidade.
"Com um grão de cevada" — com a ponta do grão de cevada, que é afiada.
"Por causar inchaço" — o metal o incha.
"Que não suga" — que não consegue mamar.
"É porque sua boca esfriou" — seus lábios esfriaram, e não têm força para sugar com eles.
"Que se traga uma taça de brasas" — estenda-se brasa sobre uma tábua ou um recipiente.
"E se a aproxime de sua boca" — e a coloque junto à boca dele.
"Para que sua boca se aqueça" — para que sua boca se esquente.
"E ele sugue" — e mame.
Seguem-se três novos ensinamentos práticos de Abaye em nome de sua ama, sobre recém-nascidos: para localizar o orifício anal de um bebê cuja abertura ainda está encoberta pela pele, esfrega-se óleo na região e expõe-se o bebê à luz do dia — o ponto onde a pele parecer translúcida indica a cavidade, que se abre então com a ponta afiada de um grão de cevada (nunca com um instrumento de metal, que causa inchaço); para um bebê que não consegue mamar por ter a boca fria, aproxima-se uma taça de brasas de sua boca, aquecendo-a até que ele consiga sugar; e para um bebê que não urina, sacode-se seu corpo dentro de uma peneira, estimulando a micção.
E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê que não respira bem, que se traga a placenta de sua mãe, e a coloquem sobre ele, e ele passará a respirar. E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê que nasceu pequeno demais, que se traga a placenta de sua mãe, e esfregue-se o bebê com ela, do lado estreito para o lado largo da placenta. E se ele nasceu inchado, do largo para o estreito. E disse Abaye: disse-me minha mãe: este bebê vermelho — pois seu sangue ainda não foi absorvido nele —, que se espere para circuncidá-lo até que seu sangue seja absorvido nele, e então o circuncidem. O bebê pálido ou esverdeado, cujo sangue ainda não entrou nele, que se espere até que seu sangue entre nele, e então o circuncidem.
"Que não respira bem" — que seu fôlego não entra e sai bem.
"A placenta de sua mãe" — o saco que nasceu com ele.
"E esfregue-se o bebê com ela" — deslize-a sobre sua carne.
"Pequeno demais" — que é magro.
"Do lado estreito para o lado largo" — a placenta tem uma ponta estreita e outra larga; devem deslizá-la sobre o bebê, começando pela ponta estreita e puxando para o lado largo — isto é, fazendo-o alargar-se e engrossar assim.
"E se ele nasceu inchado" — e não por robustez, mas por inchaço, deslize-se a placenta sobre ele do lado largo para o estreito.
"Vermelho" — toda a sua carne está avermelhada.
"Seu sangue ainda não foi absorvido nele" — em sua carne, pois agora todo o seu sangue está concentrado entre a pele e a carne, e, ao circuncidá-lo, sairia todo o seu sangue.
"Que se espere para ele" — que aguardem antes de circuncidá-lo.
"Não veio nele sangue" — não veio nele sangue suficiente, e por isso ele é fraco e não tem força, e rapidamente enfraquece e morre.
A série de ensinamentos continua: para o bebê que não respira bem, coloca-se sobre ele a própria placenta que nasceu junto com ele, o que o ajuda a respirar; para o bebê nascido pequeno e magro demais, esfrega-se a placenta sobre seu corpo da ponta estreita para a larga, favorecendo seu crescimento; para o bebê inchado, faz-se o inverso, da ponta larga para a estreita. Por fim, um princípio importante quanto à própria circuncisão: um bebê muito vermelho tem todo o seu sangue ainda concentrado sob a pele, correndo risco de sangramento excessivo se circuncidado de imediato — por isso se espera até que o sangue se distribua e seja absorvido; e um bebê pálido ou esverdeado, ao contrário, ainda não recebeu sangue suficiente, sendo fraco demais para suportar a milá — por isso se espera até que seu sangue "entre nele" e ele ganhe forças.
Pois se ensina: disse Rabi Natan: uma vez fui às cidades litorâneas, e veio uma mulher diante de mim que já havia circuncidado seu filho primeiro, e ele morreu; o segundo, e ele morreu; o terceiro, com medo de circuncidá-lo, trouxe-o diante de mim. Vi que ele estava vermelho. Disse-lhe: espera por ele até que seu sangue seja absorvido nele. Esperou por ele até que seu sangue foi absorvido nele, e então o circuncidou, e ele viveu; e passaram a chamá-lo "Natan HaBavli" (Natan, o babilônio), por meu nome.
A guemará traz o primeiro dos dois episódios narrados por Rabi Natan, que ilustram na prática o princípio recém-ensinado. Numa viagem às cidades litorâneas, uma mulher que já havia perdido dois filhos ao circuncidá-los trouxe-lhe o terceiro, temendo o mesmo destino. Rabi Natan reconheceu no bebê o sinal de perigo — vermelhidão excessiva, sinal de que o sangue ainda não fora absorvido pela carne — e recomendou esperar. A mãe esperou, o menino foi então circuncidado com segurança e sobreviveu, sendo chamado "Natan HaBavli" em homenagem ao sábio que salvou sua vida.
Novamente, uma vez, fui à cidade de Capadócia, e veio uma mulher diante de mim que já havia circuncidado seu filho primeiro, e ele morreu; o segundo, e ele morreu; o terceiro, trouxe-o diante de mim. Vi que ele estava esverdeado. Olhei bem para ele, e não vi nele sangue da aliança (sinal de que lhe faltava sangue). Disse-lhe: espera por ele até que seu sangue caia nele (entre nele). E esperou por ele, e então o circuncidou, e ele viveu; e passaram a chamar seu nome "Natan HaBavli", por meu nome.
"Vi que ele estava esverdeado, olhei bem para ele, e não vi nele sangue da aliança" — isso indica duas deficiências: uma, que, se o circuncidassem, não sairia dele sangue algum, e derramar o sangue da aliança é, ele mesmo, um preceito, como está escrito (Zacarias 9:11): "também tu, por causa do sangue de tua aliança..."; e outra, que ele está em perigo de vida, por causa da fraqueza, pois ainda não se formara nele sangue.
O daf se encerra com o segundo episódio de Rabi Natan, desta vez na região da Capadócia: novamente uma mulher que já perdera dois filhos na milá trouxe-lhe o terceiro, e desta vez o sinal de perigo era o oposto — o bebê estava pálido e esverdeado, sem sequer o sinal do sangue da aliança visível, indicando que seu sangue ainda não se formara o suficiente, tanto para permitir o cumprimento do preceito de derramar sangue quanto por representar risco de vida devido à fraqueza. Rabi Natan recomendou esperar até que o sangue "entrasse" no bebê; a mãe esperou, o menino foi circuncidado com segurança e sobreviveu, sendo também ele chamado "Natan HaBavli" em homenagem ao sábio. A guemará prossegue em Shabbat 134b, com uma nova Mishná sobre o banho do bebê em Shabat.